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:: ‘Notícias’

UMA GRANDE PERDA PARA CONQUISTA E A BAHIA

O Conselho Municipal de Cultura, em nome da sua diretoria, expressa seus sentimentos de pesar, extensivo a toda sua família e amigos, pelo falecimento, nesta quinta-feira (11/11), da fotógrafa-jornalista e advogada, diretora regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) Edna Nolasco, 63, como dedicada profissional em defesa da categoria, bem como ser humano sensível com as questões sociais dos nossos tempos.

Edna representa uma grande perda para Vitória da Conquista e para a Bahia, não somente pelos seus serviços prestados à comunidade local, mas também como grande fotógrafa e dirigente sindical sempre atenta aos problemas da classe. Vítima da Covid-19, a morte de Edna, por ser muito querida em nossa sociedade, pegou a todos de surpresa, e o Conselho só tem a lamentar a sua partida do nosso convívio.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa companheira zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima. Fica aqui nossa singela homenagem à nossa querida Edna, e temos certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um legado de ética, seriedade e honestidade em sua vida, um exemplo que todos nós devemos seguir.

Hendye Gracielle (presidente), Jeremias Macário (vice-presidente) e Marley Vital (secretário-executivo)

CONQUISTA PERDE UMA GRANDE FOTÓGRAFA E UMA PESSOA HUMANA

Mesmo há dias intubada numa UTI de hospital, em decorrência da Concid-19, o falecimento da fotógrafa-jornalista e advogada Edna Nolasco, de 63 anos, nesta quinta-feira, dia 11/11, pegou toda a classe de surpresa, não somente pela profissional que era, mas também como pessoa humana, dócil e sensível com as questões sociais e sempre se posicionando contra as injustiças dos poderosos.

Um exemplo dessa sua característica como ser humano foi sua posição, em julho deste ano, em favor da família de ciganos que teve vários de seus membros mortos por uma ação intempestiva por parte da polícia militar em represália ao assassinato de dois soldados, no distrito de José Gonçalves. Ela contestou versões dadas pela corporação e criticou a violenta repressão.

Recebi a notícia com muito pesar porque era uma grande amiga que me acolheu quando aqui cheguei em 1991 para assumir a chefia da Sucursal “A Tarde” de Vitória da Conquista. Como dirigente por alguns anos do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Edna esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis, dando apoio ao meu trabalho de moralização e proteção da categoria quando esta era atingida.

Ao longo da minha atividade profissional em Conquista, inclusive em matérias investigativas de denúncias de irregularidades de autoridades, recordo que Edna, com seu conhecimento e contatos no meio jurídico, me passou informações valiosas que tornaram minhas matérias mais fundamentadas e calcadas em fatos verídicos.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa amiga zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima, mas tive a honra, como jornalista, de registrar sua última exposição sobre LGBT realizada da Casa dos Idosos. As fotos expressivas tinham o DNA da sua sensibilidade quando estava com sua máquina na mão e uma ideia na cabeça. Sabia captar e harmonizar a imagem com a luz no tempo certo.

Fica aqui a minha homenagem Edna, e tenho certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um sentido e exemplo de ética, seriedade, honestidade e compromisso com a vida que todos nós devemos seguir. Você estará sempre em nossas lembranças como colega amada que nos conquistou com sua singular simplicidade e empatia com os outros.

DE VILA IMPERIAL DA VICTÓRIA AO MAIOR POLO DE DESENVOLVIMENTO (Final)

CONQUISTADOR E DIZIMADOR

Português da cidade de Chaves, João Gonçalves da Costa iniciou sua lida como bandeirante muito cedo, tendo logo conquistado matas baianas. Em 1744 integra-se ao grupo de João Guimarães, como capitão-mor que partiu do norte de Minas Gerais (Minas Novas). Logo o capitão se destacou pelos seus feitos de conquistador e dizimador de tribos indígenas. Na busca pelo ouro esgotado em Minas e Rio das Contas, se embrenhou pelo sertão e terminou se fixando na região de Conquista em fins do século XVIII, se tornando grande proprietário de terras e gado.

Por ter expulsado os índios às margens dos rios Pardo, das Contas, dos Ilhéus, principalmente os valentes Imborés, ou Botocudos, se tornou num dos principais desbravadores. Mas, não foi só isso, João Gonçalves abriu estradas, ligando Conquista ao litoral e tirando o sertão do isolamento.

POVOADO INDÍGENA

No final do século XVIII (1782), o desembargador de Ilhéus, Francisco Nunes da Costa determinou que João Gonçalves fundasse um povoado indígena no lugar chamado Funil, visando afastar os índios Pataxós ao sul da Capitania de Camamu, Maraú e Cairú, para facilitar a abertura das estradas que se tornaram passagem do gado que saía do “Sertão da Ressaca”.

Numa outra carta às autoridades da capitania, o desembargador mostrava a importância da expedição, discriminando o armamento entregue ao capitão-mor para explorar as cabeceiras do Rio das Contas. Durante dois meses de viagem, como conta em seus registros, o capitão percorreu matas e encontrou as aldeias dos mangoiós que assustavam moradores de Ilhéus e Porto Seguro. João Gonçalves sofreu uma doença grave e narrou a fuga dos índios e dos soldados da expedição. Dos 74, restaram apenas 34 soldados.

Nessa viagem, ele se deparou com cinco aldeias (cerca de duas mil almas) com as quais, depois de parlamentar com o chefe Capivara, conseguiu que aceitasse um tratado de paz, e ainda se comprometeu a ajudar as tribos contra os Imborés.

O nome de João Gonçalves é citado em outras correspondências enviadas pelo Intendente Geral do Ouro, João Ferreira Bittencourt ao Governo da Bahia, não poupando elogios pela sua bravura. Para o Intendente, o capitão era homem indicado para o processo de colonização da metrópole; para abrir a estrada Rio das Contas-Camamu; e povoar o “Sertão da Ressaca”, tudo feito com a devastação das aldeias indígenas em final do século XVIII.

Seu nome varou fronteiras e era sinônimo de valentia, audácia e fidelidade à Monarquia. “Não produz um século um homem do gênio deste capitão-mor” – assim escreveu o conde da Ponte em 1807. Apesar do seu ingresso no sertão com a missão de encontrar ouro, o capitão não é lembrado nos documentos como descobridor de minas auríferas.

Seu mérito foi ter desbravado o sertão com a abertura de estradas; descoberto rios; dizimado índios; e ter feito a ligação litoral-interior. Os índios tinham tanto medo da sua violência que pediram, em 1790, ao governador Fernando José de Portugal, que eles não ficassem subordinados ao capitão-mor.

O príncipe Maximiliano de Wied-Newied esteve no Brasil, em 1815, e no arraial da Conquista, em 1817. Na ocasião, conheceu o capitão com 86 anos e ficou impressionado com sua resistência. Provavelmente deve ter morrido com 88 anos, mas não se tem certeza.

INTEGRAVA O TERÇO DE HENRIQUE DIAS

Na época, conforme historiadores, a segurança da Colônia era feita pela Tropa de Linha (portugueses, comerciantes, proprietários, etc), Tropas Auxiliares chamadas de Terços (depois regimentos), Milícias e Corpos de Ordenanças (força local) onde os moradores faziam parte. Todas as vilas tinham um capitão-mor ou sargento-mor. As milícias estavam organizadas sob a forma de regimentos e funcionavam como força auxiliar da tropa de primeira linha. Os regimentos eram formados conforme a cor e a ocupação dos recrutados.

De acordo com Caio Prado Júnior, na Bahia, existiam quatro regimentos. O primeiro e o segundo eram constituídos por homens brancos. O terceiro e o quarto por homens de cor. Os pretos forros (libertos) pertenciam ao terceiro, conhecido por “Henrique Dias”. Os pardos e mulatos integravam o quarto.

Pouco se fala sobre os “Terços de Henrique Dias” só que eram formados por negros libertos, e a denominação era em sua homenagem por ter se destacado como comandante de umas das corporações que lutaram contra os holandeses em Pernambuco (chegou a perder uma das mãos na luta). Foi condecorado em 1639 com o título de Governador das Companhias dos Homens Negros e Mulatos. “Os Terços” foram extintos, em 1831, com a criação da Guarda Nacional.

O capitão João Gonçalves da Costa integrava o “Terço de Henrique Dias”, patente dada pela sua Majestade, com a incumbência de servir na conquista e descobrimento do mestre-de-campo João da Silva Guimarães. Ocupou um dos cargos mais cobiçados dentro da hierarquia militar e gozava de toda confiança do governo português.

Não se sabe se por puro preconceito, nos livros em geral de história e em apresentações de palestras no meio intelectual, mesmo em conversas em geral, João Gonçalves raramente é citado como negro pertencente ao “Terço de Henrique Dias”, conforme está registrado em sua carta de patente.

A DESCENDÊNCIA E O PODER DOS GONÇALVES

A criação e o comércio de gado foram fatores fundamentais para o povoamento e desenvolvimento do “Sertão da Ressaca”. A pecuária, então, foi primordial para a ocupação da terra. Depois das frustradas buscas pelo ouro, o capitão decidiu se fixar no Sertão, dedicando-se à criação de bovinos. No seu inventário dos bens do casal, quando da morte da mulher, o capitão declarou, entre outros bens, 700 cabeças de gado e 39 escravos, sem contar o plantio de algodão.

Entre final do século XVIII e início do século XIX, a Imperial Vila da Victoria era tão importante como qualquer vila do litoral. Além do algodão, era passagem das boiadas vindas do São Francisco para Nazaré-Cachoeira.

Na condição de proprietário do “Sertão da Ressaca”, o capitão deixou muitos herdeiros dos seus bens materiais e políticos na condução dos destinos da Vila da Vitória. Seu filho Antônio Dias de Miranda e o marido de sua neta, Luiz Fernandes de Oliveira ocuparam o cargo de Juiz de Paz do Arraial. Antônio Miranda e seu irmão Raymundo Gonçalves da Costa (filho natural) lutaram ao lado do pai no combate aos índios e na exploração do rio Pardo. Raymundo, inclusive, era tido como o terror dos índios pela sua bravura.

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DE VILA IMPERIAL DA VICTÓRIA NO MAIOR POLO DE DESENVOLVIMENTO (1)

Este texto, de Jeremias Macário, pode ser encontrado nos livros de sua autoria, “A Imprensa e o Coronelismo” e em “Uma Conquista Cassada”, o qual fala da ditadura civil-militar de 1964, que cercou a cidade e cassou, na base das armas, o mandato democrático do prefeito da época José Pedral, na trigésima sessão da Câmara de Vereadores, em maio do mesmo ano.

Os Mongoiós ou Monochós, também conhecidos como Camacans, e os Pataxós e Amborés ou Imborés, eram os verdadeiros donos destas terras do sudoeste baiano, compreendidas entre os rios Pardo e das Contas, da região do São Francisco até São Jorge dos Ilhéus.

No centro deste vasto território chamado de “Sertão da Ressaca”, está  o município de Vitória da Conquista que virou pólo de desenvolvimento regional, e neste ano de 2021 está completando 181 anos de emancipação política (9 de novembro).

A Imperial Vila de Nossa Senhora da Victória, antes Arraial da Conquista, foi criada pelo decreto imperial de número 124, em 19 de maio de 1840, desmembrando-se da Comarca de Caetité.

No entanto, a data política é comemorada em 9 de novembro quando aconteceu a posse da primeira Câmara Municipal. Com a proclamação da República, em 1889, a Vila passou a se chamar Cidade da Conquista, em 1º de junho de 1891, e em 1943 recebeu o nome de Vitória da Conquista.

A CHEGADA DA BR-116

O pequeno povoado, com as primeiras habitações de taipa cresceu, e em 1817, conforme registrou o príncipe alemão Maximiliano Wied-Newied, em visita ao lugarejo, já contava com 40 casas. A Vila expandiu-se aos poucos na encosta verdejante da Serra do Periperi; foi parada de tropeiros; mudou de nome; e começou a prosperar a partir da década de 1960 com a chegada da BR-116 (Rio-Bahia).

A cidade ampliou sua economia com a introdução da cafeicultura, em meados dos anos 70, e se firmou no início do século XXI com a implantação de novos projetos nas áreas da educação e da saúde até se transformar num dos maiores pólos de desenvolvimento do Estado e do Nordeste. Com cerca de 340 mil habitantes, é hoje a terceira maior cidade da Bahia.

CONQUISTA E SUA EVOLUÇÃO

Até antes da instalação da Vila, (1840), na residência do coronel Teotônio Gomes Roseira, situada na Rua Grande (Praça Tancredo Neves), o território pertencia ao município de Caetité. Depois a casa do coronel veio a se tornar Paço Municipal.

Naquela data de 9 de novembro foram escolhidos os conselheiros, membros do Conselho Municipal, hoje denominados de vereadores, para cuidar da sua administração. O presidente desse colegiado exercia o cargo de prefeito.

O primeiro Conselho foi composto pelos cidadãos Manoel José Vianna, Joaquim Moreira dos Santos, Theotônio Gomes Roseira, Manoel Francisco Soares, Justino Ferreira Campos, Luiz Fernandes de Oliveira (primeiro presidente da Câmara) e Francisco Xavier da Costa.

Com governo próprio, a Vila começou a se organizar e, além do seu Conselho, foi instalada a Casa do Conselho a quem coube aprovar o Código de Posturas, com 80 artigos, para disciplinar os moradores, punir os transgressores e orientar o crescimento urbano, inclusive com regras para preservar os rios e as nascentes. Entre as normas, reprimia o batuque e o hábito de vagar pelas ruas durante altas horas da noite, especialmente os escravos sem o passe do seu senhor. A partir daí, foram contratados os primeiros funcionários públicos.

DE VILA A CIDADE, EM 1891

Anos depois, em 1891, Conquista passou de vila a cidade, e as funções do presidente do Conselho Municipal passaram a ser exercidas por um intendente a que deram o nome de prefeito, com autonomia para governar. As ruas eram lamacentas e esburacadas, mas o primeiro intendente, Joaquim Correia de Mello, adotou algumas providências para melhorar o visual da cidade.

Por cerca de 100 anos, Conquista passou esquecida dos poderes públicos, contrastando com a evolução de outros centros urbanos. Segundo observadores, viajantes e cronistas da época, o esquecimento se deveu mais ao fato da sua distância em relação à capital. Até os anos de 1890, as ruas eram iluminadas por lampiões a gás, depois substituídos por carbureto. Só a partir de 1920 veio a energia elétrica.

A partir deste período a cidade veio a sair do isolamento quando um grupo de fazendeiros e comerciantes se reuniu e fundou um consórcio para construir uma estrada carroçável ligando até Jequié. Nessa época, o trem já existia até Jaguaquara, e os trilhos avançavam às terras jequieenses. A linha até esta localidade chegou em 1927.

Com o passar dos anos, o aspecto urbano foi melhorando, mas o conquistense não se preocupou muito com a preservação da sua história, tanto que muitos sobrados e casarões foram sendo derrubados para dar lugar a edificações novas, como o velho barracão acolhedor de tropeiros que foi demolido em 1913.

Para se abastecer, os conquistenses dependiam das mercadorias, transportadas no lombo dos burros, vindas das cidades de São Felipe e Cachoeira, passando depois por Jequié (150 quilômetros). Mas, Conquista também tocava o gado trazido de Minas Gerais para fornecer carne para o Recôncavo.

Por volta de 1940 chegou a Rio-Bahia, asfaltada no início dos anos 60, no Governo de João Goulart. A partir desses anos, Vitória da Conquista não parou mais de crescer, e é hoje a capital do sudoeste e terceira maior  da Bahia, cujo município tem cerca de 340 mil habitantes, distante 510 quilômetros de Salvador.

Apesar da sua grandeza e beleza, Conquista dos tempos atuais ainda é carente de muitos projetos na área de infraestrutura, como a prometida obra da barragem de abastecimento de água; serviços modernos no setor de mobilidade urbana; um centro administrativo para desafogar o centro; e, acima de tudo, uma política cultural, mais escolas e expansão na saúde.

OURO, MORTE E EXPULSÃO

Na busca por riquezas, especialmente o ouro, a primeira investida no Sertão da Bahia foi feita pelo castelhano Francisco Bruzza de Spinosa, em 1553, acompanhado de 12 portugueses, partindo de Porto Seguro e indo até o rio São Francisco. A passagem dos bandeirantes pelas terras dos índios significava expulsão, morte e escravidão.

A descoberta de ouro nas imediações de Rio das Contas e em Jacobina, no início do século XVIII, aumentou o povoamento em Minas Gerais.  Já em 1724, Rio das Contas passava à categoria de vila, com a implantação de vários órgãos de administração pela Coroa Portuguesa.

Como descreve a historiadora Maria Aparecida Silva de Sousa, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, em seu livro “A Conquista do Sertão da Ressaca: povoamento e posse da terra no interior da Bahia”, por volta de 1728, o coronel Pedro Leolino Mariz recebe do governo português a missão de desbravar diversas áreas do interior da Bahia e do norte de Minas Gerais.

Essa personagem aparece como importante figura da história que realizou investigações nos rios das Contas, Paramirim e Rãs, chegando a ocupar o posto de superintendente Geral de todas as minas da Bahia e das Minas Novas do Araçuaí. Sabedor de que essa porção de terra era uma das melhores do Brasil para criação de gado e a cultura de lavouras, o Governo de Portugal mandou que Pedro Leolino averiguasse as notícias. Em recompensa pelo seu trabalho, o superintendente recebeu uma sesmaria em 1743.

Com intuito de obter o mesmo êxito conseguido na região vizinha de Rio das Contas e Jacobina, com a descoberta de ouro, o coronel organizou uma Bandeira, sob a direção de André da Rocha Pinto, para conquistar o sertão entre os rios das Contas, Pardo e São Mateus. A intenção era também a de encontrar ouro, estabelecer fazendas de gado e matar os índios que se opusessem à conquista.

SANGRENTAS BATALHAS

Ao lado de André Pinto, aparece a pessoa de João da Silva Guimarães, designado para percorrer o rio São Mateus. Ele ocupou o posto de Mestre-de-Campo, concedido em 1735, pelo conde de Sabugosa. Pouco antes disso, João Guimarães fez um relatório ao rei D. João V, contando os perigos que enfrentou na luta contra os bravos gentios. O desejo dos sertanistas era o de encontrar as cobiçadas minas de prata de Belchior Dias Moreira, que foi um dos principais conquistadores do sertão baiano.

Tudo indica que o Mestre-de-Campo tenha percorrido o território onde hoje está situado o município de Vitória da Conquista. Cita a historiadora Maria Aparecida, que sua Bandeira, pelo meado do século XVIII, tenha passado pelos rios das Contas, Gavião e riacho do Gado Bravo onde hoje é Bom Jesus da Serra. Sua expedição foi marcada por sangrentas batalhas com os índios mongoiós, Imborés e Pataxós.

A chegada dos primeiros colonizadores portugueses, por volta de 1730 e 1734, comandados pelo Mestre-de-Campo João da Silva Guimarães e pelo Capitão-Mór, João Gonçalves da Costa, deu início a uma série de batalhas com os índios da terra, que durou cerca de um século, culminando com o extermínio dos nativos, num dos mais terríveis genocídios da história. As explorações feitas pelas bandeiras baianas, como relata a pesquisadora Aparecida, não tiveram o mesmo sucesso dos paulistas que encontraram ouro em Minas Gerais.

UMA LENDA ODIADA

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UMA EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS QUE VALE A PENA SER VISITADA

No maior museu a céu aberto do Norte e Nordeste, em pleno sertão de Vitória da Conquista, na BA-262, saída para Brumado, está sendo realizada até o próximo dia 15, a Expo Arte Conquista, na Galeria Mix do Museu Kard, com seis grandes artistas de reconhecimento nacional e internacional.

É um presente-homenagem aos 181 anos de emancipação dos artistas Alex Emmanuel, Domício, Lilian Morais, Romeu Ferreira, Valéria Vidigal e Allan de Kard. Pelo seu potencial cultural e de forte expressão humana, vale a pena dar uma passada no local, no horário comercial, sem custo, e ainda conhecer as esculturas do Museu Kard, com peças grandiosas, como a pirâmide, o xadrez que retrata os poderosos e os oprimidos sertanejos, o labirinto e tantas outras que simbolizam a vida e a morte.

Os quadros da Expo Arte Conquista abordam diversos temos, inclusive sobre questões atuais da pandemia que ceifou a vida de quase 610 mil brasileiros; deixou sequelas nas pessoas; e nos separou do convício social. Esse tema está registrado nas artes de Domício, Alan de Kard e Lilian Morais.

Alex Emmanuel, com suas pinturas fortes e impactantes, apresenta as dores e as vulnerabilidades dos seres humanos através de suas faces recolhidas em seu eu interior. Romeu Ferreira, com suas peças gigantes em preto e branco   retrata o sofrimento do sertanejo que enfrenta as agruras da vida na luta para sobreviver sem água e comida. São expressões fortes da realidade de um povo que sempre foi abandonado pelos políticos e governantes.

Valéria Vidigal estampa na Galeria Mix o seu mundo do café, sua temática central, numa pintura alegre cheia de cores com as flores e os frutos dos cafezais. Em seu trabalho, conhecido além das fronteiras nacionais estão inseridos o homem e mulher que trabalham na colheita dos cafés. Xícaras, bules e o café quentinho levam o visitante a entrar em seus traços realistas dessa cultura agrícola, riqueza do nosso país desde o século XIX.

O Museu Kard é um mundo encantado a céu aberto em pleno sertão da Bahia que já é um grande patrimônio para a posteridade da humanidade. Quem visita sai com o espírito renovado e iluminado. É uma mistura do antigo, do renascimento e do moderno visto através de esculturas gigantes, como a pirâmide que logo na entrada o visitante se depara com a última ceia de Cristo (Leonardo da Vinci) vista pelo olhar do artista Allan de Kard.

 

 

FUTEBOL BRASILEIRO!…

Como dizia Chico Anísio em tom jocoso e irônico em seus programas humorísticos, “Fantasma Brasileiro”! Assim é o nosso futebol de hoje, um verdadeiro pastelão de pernas de paus, uma bagunça com jogos truncados, juiz perdido no campo que dá um cartão vermelho e depois volta atrás e a bola pouco rola em partidas com inúmeras paralisações para ver o VAR.  Como torcedor do Fluminense, (só fracasso) confesso que estou perdendo o “saco” para assistir uma partida, mesmo do meu time.

Lembro meus tempos de juventude na década de 60 quando jogava no Seminário de Amargosa e região com Zouzinha, Nelson, Epifànio, Zé Humberto e tantos outros que o tempo me fez esquecer os nomes. Nelson jogava com óculos de fundo de garrafa e ninguém conseguia segurar ele em campo. Foi na época de Pelé, Garrincha, Vava, Didi, Zagalo, Coutinho, Pepe, Amarildo e tantos que davam três seleções imbatíveis.

Hoje temos um Tite com um time medíocre ganhando todas para as fracas equipes da América do Sul e recebendo montes de elogios dos comentaristas da Globo. Aliás, foi essa rede de televisão que manteve ele lá na desmoralizada Confederação quando o Brasil perdeu para a Bélgica na Copa passada de 2018. O nível é baixo e só tem Neymar “cai-cai” indisciplinado. O resto nem seria convocado nas décadas de 60 e 70.

Futebol Brasileiro!… coisa feia para se ver! No Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro só tem hoje dois times na primeira divisão, com um Flamengo em decadência de jogadores pendurando as chuteiras. Em Belo Horizonte, um Cruzeiro com risco de ir para a terceira divisão. No Rio Grande do Sul, um Grêmio na mesma situação. São Paulo, que sempre foi a força, uns times capengas, e o Bragantino é a bola da vez.

No Nordeste, só os times do Ceará (Fortaleza e Ceará) são revelações do campeonato. Na Bahia, o futebol é uma vergonha!  Nos certames, os dois times representantes (um na série A e o outro na B) são formados por Seu Secador, Juiz Ladrão, Campo Ruim, Seu Cansaço, Senhor do Bomfim, Sal Grosso, Macumba, Reza Braba, Com Fé em Deus, Seu Empate e o Matemático da Tabela. No ponta pé inicial do campeonato, começa a corrida da contagem para não ser rebaixado.

Na Bahia, ao invés de uma evolução, houve um atraso nos últimos 50 anos quando ainda existiam times fortes, como Ipiranga, Botafogo, Leônico, Galícia e Fluminense de Feira de Santana. Os cartolas (ainda existem essas espécies) acabaram com o nosso futebol. Hoje existe um campeonato merreca e pobre que eles chamam de “Baianão”, mas é um Baianinho de duas equipes.

No geral, a redonda é a mais maltratada a voar desnorteada como pássaro de uma só asa de um canto para o outro do gramado. São sarrafos e rasteiras que mais parecem luta de capoeira. Vez ou outra um jogador acerta um drible e um chute que vira golaço, tão escasso de se ver. No espetáculo de pancadarias, não faltam os empurrões, cotoveladas e até cuspe na cara. Os técnicos soltam palavrões do outro lado.

Por falar nesses “professores”, o troca-troca de técnicos mais parece rotatividade de Motel. Num país gigante como o Brasil, o campeonato é uma maratona de viagens e jogos que não seguem a tabela por causa de outras competições. A CBF comanda a trapalhada. Foi só flexibilizar o acesso aos campos que surgiram as invasões e brigas entre torcedores, a grande maioria de fanáticos.

A maior parte dos times está totalmente endividada e não paga as obrigações trabalhistas e previdenciárias. Muitos estádios se transformaram em elefantes brancos, principalmente os situados no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Em relação às competições europeias, sobretudo em termos de organização, as brasileiras estão nos níveis amadorísticas.

PARA QUE SERVE O VEREADOR?

Carlos González – jornalista

Entre os 181 países que compõem a Assembleia Geral da ONU, o Brasil é o único que mantém um grupo de privilegiados, regiamente remunerados, que atendem pelo nome de vereador, eleitos para um mandato de quatro anos, mas com direito a vitaliciedade. Os legislativos dos 5.570 municípios brasileiros abrigam 58.208 vereadores, cuja maioria, simplesmente, registra sua presença em plenário três dias por semana, contrariando as promessas e juramentos que fizeram de ouvir e atender os anseios do povo que os elegeu.

Num cálculo rápido, as prefeituras – na verdade, o contribuinte – repassam anualmente para as câmaras de vereadores mais de R$ 6 bilhões, para custear salários de assessores (cabos eleitorais, parentes, “laranjas” e “fantasmas”) e servidores efetivos, acrescidos de uma lista de mordomias e “penduricalhos” que beneficiam os chamados “representantes do povo”.

Países que não convivem com os altos índices de desemprego e da fome e com a perda de 608 mil vidas humanas, por omissão do governo federal, se valem dos conselhos municipais, formados por cidadãos, desvinculados dessa sórdida política de “toma lá, dá cá”, e que se sentem gratificados em assessorar e fiscalizar os seus alcaides, e, principalmente, desenvolver projetos em benefício da população.

A Constituição de 1988 estabelece que, de acordo com a população, a área e a remuneração do deputado estadual, os municípios podem eleger de nove a 55 vereadores (São Paulo), com salários brutos entre R$ 5.600 e R$ 21 mil, levando para o seu gabinete de nove a 18 assessores.

Além desses valores, o vereador pode receber gratificações de até 80% do salário, em média R$ 35 mil, verbas indenizatórias (reembolso por gastos no exercício da função) e verbas de gabinete, para cobrir as despesas com os assessores (nesse quesito entra a famigerada “rachadinha”);  aposentadoria especial; carro oficial, combustível e assistência médica-odontológica.

Municípios no Nordeste gastam mais com as câmaras municipais do que conseguem arrecadar. Novo Triunfo, no nordeste baiano, a 560 kms. de Salvador, apontado pelo IBGE como o município mais pobre do país, tem unicamente no modesto comércio sua maior fonte de renda, além dos repasses do estado e da União. Mais de 70% dos seus munícipes vivem das aposentadorias e do Bolsa Família.

A fuga para o Brasil

Na transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 29 de novembro de 1807, fugindo das tropas do imperador Napoleão Bonaparte (1769-1821), o rei D. João VI (1787-1826) permitiu que um grupo de nobres, que tinha a obrigação de normatizar a vida das comunidades lusitanas, se instalasse numa das 16 embarcações, para uma viagem de 62 dias até o Rio de Janeiro, onde expulsaram os moradores de suas casas logo após o desembarque.

A função do vereador no Brasil começou a normalizar a partir da Independência (1822) e da Constituição de 1824. A promulgação da Carta Magna de 1988 concedeu maior autonomia aos municípios, beneficiando os seus legisladores, que passaram a exercer certa pressão sobre o Executivo.  Em resumo: o prefeito está passível de perder o mandato, caso venha a desagradar a maioria dos vereadores.

A remuneração do vereador das capitais passou a vigorar a partir do meado da década de 60 do século passado. Em 1977, o presidente Ernesto Geisel (1907-1996) estendeu esse benefício aos edis do interior do país. Com o apoio de uma ampla maioria da população, o presidente Getúlio Vargas (1884-1954) fechou as câmaras municipais (de 1930 a 1934 e de 1937 a 1946). Na verdade, as casas legislativas municipais funcionam como as extintas escolas primárias, onde o aluno inicia a preparação para exercer no futuro uma profissão que o engrandecesse e ao seu país.

A ideia fixa de quem se candidata a vereador é a de seguir a carreira política, cuja desaprovação entre os brasileiros chega a 60%. Na ambição de obter uma vaga usam dos nomes e apelidos mais bizarros – em São Leopoldo (RS), Tarzan e Cigana sentam ao lado de Hitler (nome de batismo, eleito pelo DEM com 1.865 votos, que admite desconhecer a doutrina nazista).

Câmara de Conquista

Quem acompanha o noticiário da imprensa local pode avaliar a atuação dos vereadores de Vitória da Conquista no primeiro ano de mandato; se estão cumprindo o que estabelece os artigos 29 a 31 da Constituição de 88, que estabelece as diretrizes dos legislativos municipais. Observamos que, logo após a posse, a prefeita Sheila Lemos procurou ampliar sua base de apoio, cooptando fingidos oposicionistas que se elegeram com um discurso de protesto à administração de Herzem Gusmão (1948-2021), mas, no primeiro aceno da prefeita, “pularam o muro”, em troca, provavelmente, de vantagens, o que significa uma traição ao seu eleitorado.

Sheila pode trabalhar com tranquilidade os próximos três anos, pois conta com uma folgada maioria na Câmara. São 14 dos 21 vereadores, dispostos a lhe dizer “amém”, aprovando todos os projetos – a criação da Taxa do Lixo está na pauta -, sob os olhares complacentes de uma oposição esmagada por bolsonaristas, religiosos fanáticos e os que revelam aversão aos grupos LGBT.

Nas barulhentas sessões, entremeadas com citações bíblicas, “suas excelências” vão continuar a usar o pouco tempo em plenário para indicar avenidas e ruas onde devem ser construídos os odiosos quebra-molas (a cidade é recordista no país), prometer carros-pipa para a zona rural abandonada e propor títulos de cidadania e moções de aplausos e de repúdio.  Há momentos em que o visitante tem a impressão de que se acha num templo evangélico.

A Câmara de Vereadores conquistense, segundo o Portal da Transparência, tem pouco mais de mil servidores, incluindo os 21 edis, seus assessores, funcionários de carreira, estagiários e advogados. Em 12 parcelas de pouco mais de R$ 1,5 milhão a prefeitura repassa este ano quase R$ 19 milhões para o Legislativo.

Por este Brasil afora muitos são os que preferem estagnar na carreira política, passando a fazer parte da “mobília” das casas legislativas, praticando com seus eleitores o lesivo assistencialismo. O recordista é o gaúcho Wilmuth Bergmann, 93 anos e 11 mandatos; Carlos Bolsonaro frequenta há 20 anos a Câmara do Rio. A sra. Lúcia Rocha – sua ficha no TRE consta como profissão “ vereadora” – recebe desde 1992 os votos de um eleitorado fiel.

A vereadora decana de Conquista acha que, aos 69 anos, chegou o momento de passar para o segundo estágio da carreira parlamentar. Pretende ocupar em 2022 uma cadeira na Assembleia Legislativa, e, em 2024, a prefeitura da cidade.  Outros políticos situacionistas têm a mesma aspiração – a prefeita Sheila Lemos sonha com um segundo mandato. A sopa de letrinhas (MDB, DEM e PTB) está fervendo nos porões da política conquistense.

Diante do exposto está implícita uma pergunta que todo brasileiro gostaria de fazer:’ “Para que serve o vereador”?

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A BAÍA DE TODOS OS SANTOS E UMA CAPITAL DESUMANA

Quinhentos e vinte anos (1º de novembro) que o português cartógrafo América Vespúcio e o espanhol Gaspar Lemos cruzaram Kirimurê, dos Tupinambás, chamada por eles de Baia de Todos os Santos, em homenagem ao dia dos santos estabelecido pela Igreja Católica. Na Baía se instalou a cidade da Bahia que depois foi denominada de Salvador, hoje com cerca de quatro milhões de habitantes.

Nela, a segunda maior do mundo, com 1233 quilômetros quadrados, depois de Bengala, no Oceano Índico, singraram os saveiros que abasteciam de alimentos e produtos os primeiros habitantes. Vieram os barcos a vapor e os grandes navios embarcando e desembarcando mercadorias para várias e de várias partes do mundo.

Temos hoje portos instalados na Baia que tiveram que acompanhar a evolução tecnológica para atender a demanda das indústrias, do agronegócio e do setor de serviços. Pena que o fruto desse avanço só chegou para poucos, para uma elite privilegiada que sempre escravizou nosso povo. Depois de 520 anos temos uma capital desumana e violenta.

Em termos humanos regredimos depois de 520 anos, apesar de um parque industrial (Centro Industrial de Aratu e Polo Petroquímico de Camaçari), um centro comercial e de serviços pujantes. Em seu entorno periférico temos morros e baixadas de pobreza e de miséria, gente passando fome e mendigando nas ruas. O nível de desemprego é um dos maiores do Brasil.

As máquinas atualmente são computadorizadas, e o manejo delas é quase todo feito através de teclados e botões. As escolas e as universidades formam cabeças pensantes, mesmo diante de toda precariedade, mas não evoluímos no quesito humano. Nesses 520 anos, a matança indiscriminada e as injustiças sociais só fizeram prosperar.

A Salvador da Baía de Todos os Santos virou uma selva de pedras, com grandes edifícios comerciais e residenciais. Carros luxuosos cruzam as avenidas e viadutos e até já tem metrô, mas não conseguiu vencer e superar os preconceitos raciais e a intolerância religiosa.

Sempre foi governada pelas oligarquias exploradoras da mão de obra barata e concentradora de renda. Do alto do Elevador Lacerda, do Corredor da Vitória, da Ribeira, do Porto da Barra e em toda a extensão da sua orla as paisagens da Baía são deslumbrantes, mas ela é feia e suja em seu interior mais pobre nos morros e favelas.  É uma capital para turista ver determinados pontos.

Além da regressão humana (nem estou aqui falando de educação e saúde), a Baía de Todos os Santos está degradada, poluída e virando um cemitério de plásticos, latas e outros tipos de lixos. Não é mais a Kirimurê dos indígenas que foram expulsos para dar passagem para ao homem branco do tráfico negreiro, com suas maldades, roubos e atos de corrupção.

 

NUNCA A IMPRENSA TRADICIONAL FOI TÃO ODIADA, HOSTILIZADA E EXCLUÍDA

O LIVRO É A FONTE DA VIDA, GUARDIÃO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE QUE NOS TIRA DA ESCURIDÃO PARA A LUZ.  INFELIZMENTE NÃO É ASSIM LEMBRADO, NEM NO DIA NACIONAL DO LIVRO (29 de outubro).

Com o advento das redes sociais, esse governo negacionista de extrema-direita, fascista e autoritária, bem como autoridades, políticos e as celebridades que comungam da mesma ideologia, deixaram de dar entrevistas presenciais no olho a olho aos jornais, revistas, rádios e aos canais de televisão. Essa mídia tradicional noticiosa passou a ser odiada, hostilizada e excluída dos seus depoimentos.

Como forma de não se comprometer com perguntas dos jornalistas, e numa atitude própria de ferir e amordaçar a liberdade de expressão, eles resolveram usar a tática das postagens no Instagram, Yutube, Twitter, Facebook e no WhatsApp. Com isso, no conforto do seu celular, tablete ou do computador, esse pessoal diz o que bem entende sobre assuntos e temas importantes que a opinião pública gostaria de conhecer com mais detalhes e sem engodos.

A começar pelo capitão-presidente, eles odeiam e têm medo de encarar, por exemplo, uma coletiva de profissionais da imprensa. Quando raramente existe, não respondem a perguntas e ainda desdenham, xingam e desrespeitam repórteres que estão ali no ofício do seu trabalho de levar informações à população, principalmente a menos esclarecida.

As coletivas (raras) viraram monólogos do interlocutor que já leva pronta a sua fala e depois dá as costas para os jornalistas, numa clara demonstração de escárnio e de total despreparo do cargo que ocupa na esfera governamental. Não têm a mínima compostura! Esse cenário lembra bem o período do “off” da ditadura civil-militar de 1964, se bem que agora bem pior e atentatório à liberdade.

Existe uma lacuna muito grande de reportagens na mídia com determinadas celebridades, ministros, secretários e gente do primeiro escalão do governo. Nas matérias jornalísticas em geral, o que mais vemos são trechos em aspas de declarações extraídas de postagens feitas nas redes sociais por essa gente que detesta a mídia profissional. Na grande maioria, seus “recados” são mentirosos e falsos.

Quando aparecem, esses personagens do retrocesso e preconceituosos, racistas e homofóbicas simplesmente se retiram de uma entrevista ou agride com palavrões o repórter quando se faz uma pergunta que não é do agrado deles. A entrevista, para eles, tem que ser bajulatória e imbecil, no mesmo nível deles.

Um exemplo bem explícito disso é do capitão-presidente em recente programa da TV Jovem Pan News. Ele se irritou com uma pergunta sobre “rachadinha” feita pelo humorista André Marinho e deixou a entrevista. Marinho perguntou se o “rachador” tinha que ir para a cadeia. O Bozó respondeu que não iria aceitar provocação. “Recolha-se ao seu jornalismo”.

Esse é apenas um exemplo, mas existem tantos outros onde ele se comportou como um moleque, com palavras de baixo calão, e não como um presidente da República. Assim, ele dá voz a outros da sua turma fazerem o mesmo, na tentativa de expurgar os tradicionais veículos de comunicação que não praticam fake news.

Infelizmente, a classe jornalística, e eu faço parte dela há quase 50 anos, sempre foi desunida e não tem uma representação forte da Federação Nacional e de seus sindicatos e associações. Passou do tempo da categoria tomar uma atitude de boicote contra esses elementos que repudiam os profissionais sérios e éticos, que procuram exercer suas funções com lisura. Alguma coisa tem que ser feita em repúdio, com mais firmeza!

No entanto, isso é outro problema porque as grandes empresas monopolistas da nossa mídia têm seus compromissos capitalistas e visam interesses comerciais particulares, quer como apoiadoras desse governo ou como opositoras. Por serem tendenciosas, elas não são confiáveis. Sem representação da classe, nossos jornalistas se tornam reféns desse mercado da notícia.

Esse quadro odioso e hostilizante contra a imprensa profissional abre mais espaço para a proliferação das chamadas fake news onde os embusteiros postam o que querem nas redes sociais, visitadas pela grande maioria da população inculta que não leem jornais e revistas. Assim, eles manipulam suas ideias macabras como bem entendem.

O CARNAVAL DA MORTE E A CPI DO NADA

Foi só o número de mortes e casos da Covid-19 baixar para os empresários, que só visam lucro, pressionar o prefeito de Salvador, Bruno Reis, para realizar o carnaval no início do próximo ano, mesmo contrariando posições de infectologistas e patologistas. Eles não estão nem aí para a vida! São uns genocidas, corruptos e psicopatas.

Caso aconteça a festa, pode desde já ser chamada de mensageira de mais mortes. Assim, todo esforço empreendido no sentido de exterminar este maldito vírus do nosso convício pode ir por água abaixo. O mais irônico (é subestimar a inteligência dos outros) é que o evento pode ocorrer dentro dos protocolos recomendados pela ciência.

Gostaria de saber como seguir essas normas numa festa de massa, de multidões alcoolizadas pulando corpo a corpo nas ruas e avenidas de Salvador, ainda mais com turistas vindos de todas partes do Brasil e de outros países, com todo tipo de variante? Será que algum cientista aí pode me explicar se isso é possível?

Além de ser da morte, pode ser apelidado também de carnaval da insensatez, quando em muitas nações europeias está se registrando uma alta de contaminações, como no Reino Unido e no Leste Europeu. Como a prefeitura vai controlar a entrada de foliões negacionistas brasileiros e de outros lugares que não se vacinaram?

Vai ser um carnaval de bandinhas e pequenos blocos isolados, sem os megatrios elétricos e os famosos camarotes? Vai ser uma festa fechada com uma quantidade determinada de pessoas? Não me venham com essa de que os acessos serão controlados somente para aqueles que já foram imunizados com a segunda dose.

Segundo as estatísticas, no Brasil de hoje, 18 milhões ainda não receberam essa segunda dose, e aí é onde mora o perigo da danada voltar com toda força. Além do mais, nem se sabe quantos milhões de psicopatas não tomaram nem a primeira dose, seguindo a voz de um maluco capitão-presidente que associou vacinas a AIDS.

Além de ser temerário e colocar o dinheiro acima da vida, esse carnaval ainda pode comprometer o São João, em junho. Nesse caso, sem contar as vidas perdidas, o prejuízo pode ser ainda bem maior. Não se sabe ainda qual a posição do Governo do Estado, mas em se tratando de ano de eleições, tudo pode ocorrer.

A CPI DO NADA

Outro assunto que, se me permitem, quero aqui abordar em nossa conversa é sobre o final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, depois de longos seis meses de xingamentos, discussões e relatos de milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.

Existem partes, como da empresa paulista de saúde, que tratavam os pacientes como cobaias, utilizando o Kit Covid, que mais lembram os crimes nazistas de extermínio de judeus, ciganos e discriminados durante a segunda Guerra Mundial.

Apesar de todo esse aparato de barbaridades, apontado no relatório, principalmente cometidas por um genocida presidente, alguém aí acha que essa CPI vai dar em alguma coisa com aquele procurador Geral da República no cargo? O Augusto Aras é simplesmente um pau mandado do capitão e envergonha a imagem da Bahia de Ruy Barbosa e tantas outras personalidades importantes da nossa história. Nesse nosso Brasil atual, é claro que essa CPI não vai dar em nada.

Mesmo assim, entendo que essa Comissão serviu para expor a podridão dos fatos de um presidente desequilibrado, sem nenhuma condição de exercer a função maior da pátria maltratada. Serviu para mostrar as tramas das corrupções, embora seguidores da morte digam que ele é um governo sem malfeitos. Serviu para mostrar como aconteceu o genocídio de milhares e milhões de brasileiros, por pura negligência de um governo que queria adotar a imunidade por rebanho e não comprar vacinas.

O Bozó se acha um deus onipresente (coisa de maluco mesmo) que age como ministro da Saúde (um manda e o outro obedece), procurador da República, diretor Geral da Polícia Federal, ministro da Educação, do Meio Ambiente, que está sendo destruído, e das Relações Exteriores, principalmente.

No nosso país de hoje, infelizmente, não é possível se fazer um diagnóstico ou um Raio X do Brasil. É o absurdo dos absurdos, e nem historiadores, sociólogos, cientistas políticos e psiquiatras conseguem explicar esse inexplicável. Por mais que seja forte e mestre das palavras, que se use o raciocínio lógico, fica difícil dar uma definição exata sobre que Brasil é esse e como chegamos a esse ponto tão trágico!





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