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LIBERDADE E DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA
Nas comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (03/05) deve-se também se fazer uma reflexão sobre a democratização dos meios de comunicação no Brasil, que ainda estão nas mãos de poucos grupos de empresas, as quais têm sempre procurado manipular a informação a favor de seus interesses.
Nos últimos anos, pouco tem se comentado sobre esse tema democratização dos veículos, tão importante como meio de evitar a prática de um jornalismo tendencioso e parcial, descambando até para fake news disfarçadas, que os leigos não percebem. Nesse balaio, tem pontuada a mídia alternativa, mas logo é sufocada pelos poderosos, e termina com vida curta.
Todos de bom senso defendem a liberdade de imprensa, mas ela só se torna completa com a democratização, o que se torna difícil no sistema capitalista de monopólio e oligopólio onde só os fortes sobrevivem. É ingênuo imaginar liberdade absoluta e independência total quando um jornal, um rádio, uma televisão ou um simples blog depende de anúncios oficiais ou do setor privado para continuar circulando e funcionando.
Para acontecer essa liberdade mais ampla, da qual estamos falando, só os instrumentos do cooperativismo ou coletivização entre as pessoas da sociedade tornariam o veículo mais livre para expressar seus pontos de vista, com imparcialidade. Infelizmente, não se tem essa cultura na área jornalística num país que só visa o lucro do capital.
Para se criar esse ambiente de democratização da mídia, teria que se ter uma consciência mais culta em favor da liberdade, de modo a cooperar com o veículo pequeno para que ele não seja obrigado a se tornar refém dos órgãos públicos. Sem o coletivo, vamos cair no jornalismo “chapa branca”.
Diante do exposto, digo que essa liberdade é mambembe e maquiada pelos grupos que detém a maior fatia no bolo publicitário. Na Bahia, por exemplo na capital, o Jornal da Bahia tombou diante da pressão de um governo autoritário. A Tribuna da Bahia também sofreu seus ataques e esteve à beira da falência.
Por que se diz por aí que a linguagem da grande mídia, resumida em quatro tentáculos poderosos, é burguesa, que não fala para o povo? Não temos um jornalismo popular. Portanto, essa liberdade, da qual tanto desejamos, não é completa. Na verdade, o que existe mesmo é um disfarce onde as ameaças e os ataques são dirigidos aos trabalhadores jornalistas, as maiores vítimas desse jogo de poder.
Sobre essa violência, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) aponta que entre 2019 e 2021 o total de casos desse tipo contra jornalistas no Brasil somou 1.066 ocorrências, número bem maior do que a soma de todos os episódios registrados pela entidade de classe entre os anos 2010 e 2018, que totalizam 1.024 situações.
Existe sim uma escalada de violência que aumentou mais ainda nesse governo do capitão-presidente, que não respeita o operário da informação em seu papel que, quase sempre, segue a linha editorial da empresa da qual pertence. Falar em liberdade, tem também que se falar de democratização dos meios de comunicação, totalmente voltados para atender os anseios da população mais enfraquecida.
A HERANÇA COLONIAL
Por volta de 1682, final do século XVII, o bandeirante paulista Manuel de Borba Gato era um fugitivo da lei por acusação de ter matado o fidalgo português Rodrigo de Castelo, administrador das Minas. Com seu bando, se embrenhou na região do Rio das Velhas onde estava localizada a Serra de Sabarabuçu, atual município de Sabará.
Naquela época, como descreve o jornalista e escritor Laurentino Gomes, a Coroa Portuguesa estava falida e ávida por encontrar ouro em terras brasis, e foi isso que Borba conseguiu naquele ermo de mundo. Pelo seu feito, ele obteve o perdão real pelo crime do qual era acusado.
Em troca da localização das minas, o rei D. Pedro II, não só anistiou ou indultou o bandeirante, como lhe encheu de honrarias e terras nas quais poderia explorar os depósitos. Borba Gato deixou de ser considerado um criminoso para ser promovido ao posto de guarda-mor das minas de Caetés, tornando-se fidalgo do rei, conforme especificava a carta patente.
Borba Gato é hoje homenageado com uma estátua de dez metros de altura e vinte toneladas de peso no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Esse é só um dos exemplos para ilustrar como historicamente bandidos e malfeitores sempre são recompensados no Brasil através da “lei da impunidade”. É uma herança colonial impregnada em nossa cultura.
O caso do deputado Daniel, Silveira que praticou atentados contra a democracia e ameaçou ministros do Supremo Tribunal Federal, é parecido com o do bandeirante Borba Gato. Julgado pela corte, o rei lhe concedeu a graça do indulto, e o Congresso Nacional completou com cargos em comissões.
No Palácio, o deputado foi recebido pelo rei que lhe deu uma moldura do indulto, faltando apenas mandar construir uma estátua em sua homenagem, mas isso ainda pode ser possível. Infelizmente, isso aqui virou uma republiqueta de bananas dos tempos coloniais.
O parlamentar não descobriu nenhuma mina de ouro que tirasse o país dessa falência, ou tenha realizado uma grande obra, mas foi o porta voz do rei que ataca a democracia, a liberdade de expressão, destrói o meio ambiente, pede AI-5 e intervenção militar, ou seja, um regime de ditadura para o país, introduzindo a tortura para aqueles que se posicionarem contra as ideias retrógradas e fascistas do rei.
Por falar em Borba Gato com seu monumento em São Paulo, temos no Brasil de hoje inúmeras estátuas, prédios, pontes, viadutos, ruas, avenidas e praças com nomes de pessoas que cometeram crimes de torturas durante as ditaduras brasileiras; mandaram matar adversários; fizeram malvadezas com o povo e até foram exímios corruptos. A maioria passa por esses homenageados e nem sabe quem foram eles, isto porque não tem memória e história.
ELAS ESTÃO CHEGANDO COM O AÇOITE DOS FORTES E A ILUSÃO DOS FRACOS
De quatro em quatro anos, aliás de dois em dois, eles fazem “mudanças” ou remendos em seu sistema oligárquico oligopolista para que as coisas continuem no seu mesmo lugar. Elas estão chegando como sempre, antes de serem oficializadas por lei, com o açoite do reio cru no lombo dos mais fracos, que se rendem ao canto da sereia, na vã ilusão de melhores dias para se libertar do jugo da opressão.
Claro que estou me referindo às ditas cujas eleições onde os candidatos transgressores das normas já estão em plena campanha, com xingamentos, ódios, bravatas, mentiras, truques, intolerância e até ameaças de golpe, para que elas não aconteçam. Como um vício incurável, os dependentes “químicos” entram de cabeça na onda deles e se dividem na disputa para ver quem escolhe o pior, o mais ladrão, o mais corrupto, impuro e falsário.
Todo bruto esquema é montado com antecedência, e grupos se formam com os bilhões de reais de suas próprias presas para vencer a maratona do poder. Nesse ciclo nojento, infestado de sujeiras, o caçador sempre vence a caça, que é levada para seu altar dos sacrifícios humanos, em rituais dos mais macabros. Tudo não passa de um banquete masoquista onde irmãos odeiam irmãos e até famílias se separam.
Elas têm o nome chamadas urnas “democratas” ao molde tupiniquim, ultrapassado e arcaico onde se apertam os números dos votos que sempre elegem os mesmos cafajestes, porque tudo já é montado e estruturado para que não haja muitas renovações. Manda quem tem mais bala na agulha. As vítimas incultas e ignorantes são facilmente fisgadas e caem direitinho nas manjadas armadilhas ou alçapões da morte.
Depois, é só se fartar da gorda caçada com muitas orgias, comes, bebes e arrotos em suas mansões, longe das ralés desiguais sociais e famintas das degradantes periferias dos esgotos a céu aberto. A quem interessa toda essa campanha maciça para que os meninos manipuláveis de 16 a 18 anos vá ao encontro delas e votem?
Todos aqueles que se consideram inimigos na disputa se tornam castas amigas da mesma irmandade “religiosa”, cada um em nome do seu Deus, com tapinhas nas costas. Concluída a farsa, é só partir para o abraço e conchavos nos momentos certos, para cortar gargantas e decepar as pobres cabeças.
NAS CILADAS DA LUA CHEIA
Há cerca de uns três anos fiz uns versos intitulados “Nas Ciladas da Lua Cheia”, musicada pelo grande compositor e músico Papalo Monteiro que, no sentido figurado fala dos lobos que ficam moucos nessa época das eleições, no Planalto prateado do céu tropical, onde os bandos fazem sua ceia, vinda do arado suado do braço serviçal.
Prossigo falando sobre as hienas que viram renas na lua cheia, para a engorda gulosa do grande dia, enchendo seus trenós em cada aldeia, para mais quatro anos de mordomia.
Os ratos armam ciladas na lua cheia; os malignos vendem gatos por lebre; a mente fraca se encanta com o canto da sereia; e quem paga o pato é a plebe. Depois dessa festa, a chama da fé começa a minguar; o fio da esperança vai-se embora; chora o velho, a senhora e a criança, na falta da justiça, do remédio e do pão, e do direito de viver e sonhar de nunca mais ser boiada de patrão.
Arremato no final, dizendo que, no aboio ou no rasgo da guitarra, vamos embora gente valente. Não fiquei aí na espera do Deus dará. Vamos acabar de vez com a farra dessa corja bicharada em nosso lar, sem mais raposas uivando em nosso luar.
REUNIÃO DO CONSELHO VAI DISCUTIR PLANO MUNICIPAL PARA A CULTURA
Nesta segunda-feira (dia 02/05), na sede da Casa Regis Pacheco, o Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista vai debater diversos temas do setor, com destaque para a elaboração do tão desejado Plano Municipal de Cultura e uma data para sua Conferência Pública, possivelmente no mês de julho próximo.
O encontro mensal está marcado para 18 horas e 30 minutos, e na abertura dos trabalhos vão falar o compositor e músico Carlos Moreno, que irá fazer um panorama geral sobre os artistas da música em Conquista e suas carências. Logo após teremos uma conversa com o membro do Condica (Conselho da Criança), Joabe da Silva, que fará uma explanação sobre como captar recursos para o Fundo Cultural.
Na pauta ainda vamos discutir a situação dos equipamentos culturais na cidade, suas reformas, como a do Teatro Carlos Jheová, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha. Nessa mesma linha, o colegiado deverá recomendar e propor ao poder executivo iniciativas de proteção do nosso patrimônio público arquitetônico.
Por fim, o Conselho vai entrar na discussão do Plano Municipal de Cultura que irá criar as diretrizes para as políticas públicas do município. Entre outros assuntos, os membros do Conselho vão travar um debate quanto ao corte de R$2 milhões da Prefeitura Municipal na Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer.
A tendência é que nessa reunião saia uma nota de contestação sobre o corte na cultura, que já é uma área por demais sacrificada em termos de verbas. Os artistas conquistenses reagiram contra esse corte de recursos que poderiam ter sido investidos em edital e até mesmo na reforma do Teatro Carlos Jheová que está interditado há mais de um ano devido a desgastes em suas instalações.
EXPOSIÇÃO MOSTRA A HISTÓRIA DA CAFEICULTURA EM VITÓRIA DA CONQUISTA
Exuberância de cores e realismo em dimensões variadas impressionam o visitante quando penetra na “Exposição Café com Arte”, da premiada artista plástica Valéria Vidigal, no Shopping Boulevard, que poderá ser apreciada até o dia 8 de maio.
A perfeição de suas telas dá vida, não somente à lavoura em questão, mas também às pessoas que nela labutam desde o plantio, a colheita de seus grãos (conhecidos como ouro verde ou vermelho) até à preciosa bebida chegar ao consumidor, que não pode passar sem um cafezinho para esquentar seu corpo e seu espírito, principalmente pela manhã.
Não sou crítico de arte, mas pude perceber e observar que a cada quadro que faz, a artista se supera em seus trabalhos, especialmente quando são voltados para a cafeicultura, seu principal tema que abraçou com toda dedicação em seus anos de carreira.
Como jornalista, conheci Valéria praticamente quando aqui cheguei em Vitória da Conquista nos anos 90 para gerenciar a Sucursal do jornal A Tarde, e tive o prazer de fazer algumas matérias com ela, ali na Galeria do Itatiaia, onde possuía um atelier e realizava cursos de pinturas para os interessados desejosos em ingressar nessa arte poética de fotografar coisas e objetos através dos pinceis.
Mesmo sendo suas origens de Minas Gerais, pode-se dizer que Valéria Vidigal já faz parte da própria história do café do Planalto de Vitória da Conquista, cuja cultura foi aqui introduzida nos anos 70, portanto, há cerca de 50 anos.
Suas obras modernistas e cheias de detalhes fantásticos levam as pessoas a entrar nelas como se estivessem numa própria fazenda de café, porque se sentem bem próximas da realidade. É uma artista que, além de conhecer muito bem os meandros da lavoura, faz as cores brotarem dentro da sua alma, numa rara perfeição.
Apesar do tema ser único, seus quadros não se repetem, e cada um nasce com mais força que o outro, o que desperta a atenção do visitante. É uma mostra de pura arte que enaltece a cafeicultura brasileira, conhecida internacionalmente pela sua produção e qualidade.
Da Etiópia para o Brasil, para a Bahia e para Conquista até chegar às mãos da artista Valéria que, com a habilidade das tintas fez do café um produto ainda mais admirado. Como ninguém, ela soube eternizar a história dessa planta, que representou um dos ciclos econômicos mais importantes no final do Brasil colonial, permanecendo até hoje como maior produtor e exportador mundial de seus grãos.
O SERTÃO É ÚNICO
28 DE ABRIL É DIA COMEMORATIVO DA CAATINGA
Para os bandeirantes paulistas sanguinários, como Domingos Jorge Velho, irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros, Paschoal Moreira Cabral Leme, sertão era penetrar naquelas brenhas para se aventurar na guerra contra os índios, massacrá-los e escravizá-los, bem como descobrir ouro no continente. Para alguns escritores, como Guimarães Rosa, o sertão é diverso, imenso e está dentro de cada um. Graciliano Ramos descrevia em seus romances o árido seco, a penúria, o sofrimento e o social inexistente.
Fico mais com o escritor alagoano, de Palmeira dos Índios. Na minha concepção, o sertão é único, só existe um, aquele estorricado, rachado, pedregulhento, do mandacaru, do cacto, da catingueira, do xinque-xique, do juazeiro, da espinheira, do umbu, da lagartixa e do calango correndo nas folhas secas e nos lajedos. É a vegetação dos engaços e bagaços durante as estiagens. Em meu sertão, não existiu a corrida, nem a febre do ouro e do diamante.
Sertão para mim é essa caatinga cinzenta do sol escaldante fervente, do canto da cauã na beira da cacimba, do carcará e do gavião, da asa branca, da patativa, da rolinha, do pássaro preto e do sofrer. É a terra que se renova e brota rápido em cores diversas entre o verde quando batem forte os trovões nas chuvaradas do verão. É dos profetas da chuva. O restante é mata, pantanal, cerrado ou pampa.
O sertão é poesia da fome ou da abundância de gente simples e humilde labutando no agreste no plantio da abóbora, do feijão, do milho e do andu, com fé me esperança, para vencer as intempéries do tempo, e quase sempre não desiste. É aquele solo geológico descrito por Euclides da Cunha, não o de Jorge Amado do cacau ou do litoral. Sertão, infelizmente, rima com sequidão.
Para mim, sertão só existe um, dos guerreiros, dos penitentes Conselheiros, das rezadeiras, do canto da batida do feijão, das cantorias dos adjutórios, dos cangaceiros de Lampião e da Coluna Prestes torando espinhos para se livrar das volantes. É dos retirantes pau-de-arara se arrastando nas estradas poeirentas em direção ao sul paulista, fugindo dos horrores da seca. É o sertão de Patativa do Assaré, de Luiz Gonzaga, Zé Dantas e Humberto Teixeira.
Sertão é mistério e tem uma cultura específica do caboclo boiadeiro no aboio do vaqueiro, do repentista nato, do sotaque matuto catingueiro, do homem e da mulher cismados. É um chão único inconfundível dos hábitos e frutos diferentes da mata. É onde a terra começa a virar sal e deserto porque os governantes lá de cima só fizeram promessas de melhorias e convivência com a seca. É ainda onde corre o carro-pipa no cascalho, para matar a sede do sertanejo e dos bichos.
Sertão é cheiro de bode e cabra, do gadinho mirrado e do pôr-do-sol bem vermelho corado entre os galhos secos no horizonte infinito, É no sertão onde ainda vive o que restou do jumento, conhecido como jegue, símbolo do Nordeste semiárido, que está sendo dizimado nos currais das matanças para virar carne e pele para os chineses.
O meu sertão não é todo interior por aí. Ele tem um espírito único, um olhar melancólico cheio de histórias e lendas de heróis e carrascos coronéis. É sinônimo de caatinga. Não é Chapada Diamantina. Não tem capim exuberante. Tem ramagem rala e rara onde não frequenta a capivara. Foi lá onde nasci de parteira e respirei o primeiro ar diferente de outro lugar. Foi onde meus pais me criaram e me ensinaram a ganhar o mundo.
“GRAÇA” PARA BANDIDO VIROU DEFESA DE “LIBERDADE” NO BRASIL
Não tem muito o que comentar sobre o assunto da “graça” ou do indulto dado pelo capitão-presidente Bozó ao deputado bombado bandido Daniel Silveira, mas minha indignação como cidadão me obriga a fazer meu desabafo, o meu grito de revolta, sob pena de omissão, o pior pecado do ser humano.
Pelo andar da carruagem, estamos caminhando para um golpe militar porque, infelizmente, as forças armadas, que debocham das torturas cometidas durante a ditadura civil-militar, se renderam às benesses oferecidas pelo capitão, e abandonaram de vez seu papel na ordem constitucional brasileira. O poder e o luxo subornaram os quarteis dos viagras e das próteses, dos bacalhaus e dos files mignons. Que se dane a pátria e seu povo!
Como disse na abertura, não se tem muito o que falar porque tudo está claro nessa intentona antidemocrática, mas temos que reagir antes que nossos lares sejam invadidos pelos bárbaros que estão chegando de motociatas. O capitão fala de ato histórico de “liberdade” na data da invasão de Cabral e seus degredados em terras brasis, e os idiotas acreditam nesse sofismo.
“Liberdade” é atacar a democracia para implantar uma intervenção militar; ameaçar de morte ministros do Supremo Federal e fechar a instituição; acabar com o Congresso Nacional; e baixar o cacete em estádios de futebol? Onde está a “liberdade” do capitão quando tentou censurar a mídia e prender quem criticasse ou levantasse uma bandeira contra sua pessoa de presidente?
“Liberdade” é fazer desfile de tanques pela Praça dos Três Poderes, enquanto parlamentares rejeitavam proposta de retorno ao voto impresso? É exonerar comandantes alinhados com o comportamento exemplar esperado de um oficial? Tudo isso sinaliza a violência de um golpe. O conceito de liberdade dele é unilateral. Criticar e agredir os adversários pode, opor-se a ele, não.
O que nos deixa envergonhados é que milhões de imbecis fanáticos e cegos defendem essa esdruxula “liberdade” dele, e nem imaginam que se houver um golpe militar eles serão os primeiros a serem condenados, se lá na frente praticarem qualquer ato de oposição contra o próprio regime hoje proposto pelo capitão. A impressão que se tem é que o brasileiro é suicida, que não consegue aprender com os erros do passado recente.
A única explicação e razão disso tudo estar acontecendo tão depressa em nosso país está nos próprios políticos gafanhotos que sempre acharam que fazer uma nação de ignorantes, analfabetos e incultos era bom para eles se manterem no poder das mordomias e das ladroagens. Agora, os que hoje se opõem e começam a enxergar o abismo em que nos meteram, estão experimentando do próprio veneno por terem criado dragões e monstros.
A esquerda mambembe tupiniquim que fez pactos com o satanás e belzebu agora patina e está perdida nesse labirinto, e não vejo nenhum Teseu para exterminar o monstro. Os fantasmas, com a voz que ganharam do seu exterminador, saíram de suas tumbas dispostos a acabar de vez com a liberdade, o meio ambiente, a cultura, os povos indígenas e armar o povo para uma guerra.
O voto poderia ser uma saída, mas este também está contaminado, viciado e podre pelo sistema que lá atrás esses mesmos políticos instituíram. Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido. Está mais que comprovado que as eleições, do jeito que foram estruturadas, não são instrumentos de mudanças, e não vão ser. No entanto, apelar para uma ditadura não é a salvação, nem a opção correta.
Acontece que é justamente isso que os seguidores malucos dos motoqueiros, dos milicianos, dos fanáticos da bíblia e vendilhões dos templos, dos inimigos da democracia, dos retrógrados terraplanistas, dos garimpeiros da Amazônia, dos defensores das armas, dos homofóbicos, dos racistas e dos misóginos estão querendo. Hoje já somos vistos lá foram como bárbaros.
LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA QUE AINDA ACONTECEM NO PRESENTE
Existem fatos que marcam para sempre a infância de uma criança, e outros desaparecem da mente, coisas que os psicanalistas Freud e Lacan explicam a partir de estudos do subconsciente que guarda a sete chaves os medos e os fantasmas humanos.
Pois é, quando ainda criança, talvez uns quatro ou cinco anos, na cidade de Monte Alegre, hoje Mairí, no sertão da Bahia, nunca me esqueço de um missionário, se não me engano da ordem dos capuchinhos, por causa da cor marrom da batina, que vociferava palavras de “terror” contra os fiéis “pecadores”.
Do púlpito nas escadarias da igreja, em frente da praça, ele descrevia ou berrava, com todas as forças de seus pulmões, o fogo do inferno como se ele estivesse saído de lá naquele exato momento. O frade falava das caldeiras e tachos ferventes dos diabos que espetavam as almas pecadoras. Dava para se ouvir os gemidos e o ranger de dentes.
As cenas eram horríveis, ao ponto de terem me deixado traumatizado por muitos e muitos anos, tanto que ainda recordo delas até hoje. Mesmo com minha pobre inocência de menino, sentia um temor nos rostos dos meus pais e de toda aquela gente, num silêncio sepulcral que dava para escutar o voar de um mosquito.
Se não me engano, era festa da padroeira ou do padroeiro do município, e o pároco tinha o costume de convidar uns missionários bem brabos para os sermões das novenas noturnas. Sem dúvida, esse era de encomenda no quesito transcrição do inferno, que convertia qualquer pecador, por mais maligno que fosse.
Depois da pregação de horrores que fazia tremer as carnes, lembro que enormes filas se formaram dentro da Igreja para as confissões. Com aquele inferno pior do que o de Dante, quem se atreveria ficar em “pecado”? Todos ali deviam ter o mesmo pensamento: Vá que eu morra e vou parar no inferno. A salvação era confessar e não mais pecar, mas a carne é sempre fraca.
Não deveria estar escrevendo este texto tão macabro, mas é que 70 anos depois observo ainda hoje situações similares àqueles tempos. Não mais por parte da Igreja Católica, se bem que ainda acontece, mas de certos pastores evangélicos fanáticos e intolerantes que aterrorizam suas comunidades com as figuras de satanás, muitas vezes com objetivo para que todos contribuam com o dízimo.
Não existem mais aquelas missões de antigamente, mas as crenças de purgatório, céu e inferno, sim. Os mais radicais ainda acreditam que somente sua religião salva, e tenho testemunhos sobre isso. Outros saem por aí apedrejando terreiros de candomblé, dizendo que é coisa do diabo.
Até hoje ainda ocorrem as guerras e as matanças de cunho religioso, um sinal de que a humanidade pouco evoluiu e está longe de alcançar a civilização desejada. O mal e o bem estão sempre se cruzando, e cada um traz no seu íntimo o seu conceito de verdade absoluta, o que não é verdade.
OS GENERAIS DEBOCHAM ENQUANTO SE LAMENTA PELO LEITE DERRAMADO
Por que os generais debocham quando aparecem novas denúncias de torturas durante a ditadura civil-militar de 1964? A resposta é porque os torturadores não foram punidos quando terminou o regime e começou a redemocratização com os governos civis, como ocorreu na Argentina, no Chile e no Uruguai.
As feridas ficaram abertas com a anistia de 1979, e não adianta ficar aí agora lamentando pelo leite derramado, com falas de historiadores, das vítimas e especialistas no assunto. Além de debochar, com a maior cara de pau, eles estão agora no governo do capitão-presidente tentando desconstruir a história, até negando de que não houve ditadura no Brasil.
De certa forma, o vice-presidente, general Hamilton Mourão tem razão quando diz que, “apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo (…) A mesma coisa que a gente voltar para a ditadura de Getúlio Vargas. São assuntos já escritos em livros, debatidos intensamente”.
O presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Luis Carlos Gomes Matos “esnobou” os áudios da ditadura, dizendo que “não atrapalharam a páscoa de ninguém”. Enquanto isso, eles compram 35 mil comprimidos de viagra superfaturados e próteses penianas para o exército, além de bacalhaus e outros artigos de luxo num país de 50 milhões de subnutridos.
Pois é, recentemente, com 93 anos, se foi o general Newton Cruz, chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações, entre 1977 e 1983. Em 2014, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Cruz por participação no atentado a bomba no Riocentro, em 1981. Meses depois a Justiça Federal concedeu habeas corpus aos cinco militares e um delegado envolvidos.
No mesmo ano, o general foi apontado pela Comissão da Verdade, que ficou no papel, como um dos 377 militares que cometeram crimes durante a ditadura. Antes de morrer, em 1982, o jornalista Alexandre von Baumgarten deixou um dossiê no qual acusava integrantes do SNI de planejar sua morte, e apontava o general Cruz como autor da sentença. Todos foram absolvidos.
A ação no Riocentro foi planejada por seis acusados integrantes da linha dura do regime, para causar pânico em um show pelo Dia do Trabalho que reuniu cerca de 20 mil pessoas. Ocorreu que a trama deu errada, e uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme do Rosário, que morreu no local.
Muitos outros, como o general Newton Cruz e o maior torturador coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do Doi-Codi do II Exército entre 1970 a 1974 (um dos órgãos da repressão política), já se foram sem terem sofrido nenhuma punição. Com base no código da anistia, o próprio Supremo Tribunal Federal absolveu os torturadores.
Os governos ditos de esquerda do PT, nos períodos de Lula e Dilma, não chegaram a empreender qualquer esforço no sentido de punir os torturadores. Em algumas ações, como na Comissão da Verdade, eles foram rechaçados e até ameaçados com pronunciamentos duros. Todos se calaram, e alguns até disseram tratar da questão seria revanchismo e ameaça à democracia.
O Brasil foi covarde e o único país da América do Sul onde essas feridas da ditadura ficaram abertas. Boa parte dos documentos foram queimados e destruídos. Na época, de 1964 a 1990, cerca de 500 presos políticos foram mortos e desaparecidos. O maior massacre aconteceu na Guerrilha do Araguaia. Está aí a explicação mais plausível do deboche quando são revelados episódios de torturas durante o regime militar.
UMA ESTRELA “REVOLUCIONÁRIA” QUE SE RENDEU AO CAPITALISMO
Ainda nas asas do discurso da teologia da libertação da Igreja Católica, nascia na década de 1980 um partido com uma estrela “revolucionária” no peito, mas logo ela foi se desbotando quando se rendeu ao deslumbre das escamas douradas do neoliberalismo capitalista de mercado.
Sua linguagem de mudanças atraia multidões na voz rouca bluseira de um nordestino pau-de-arara, trazendo uma “boa nova” para os pobres e todos aqueles que ficaram largados nessa estrada da justiça e da igualdade social. Por diversas vezes, tentou chegar ao poder, mas foi repelido pelo brutal sistema dono do senhor capital.
Essa estrela, então, resolveu misturar a sua cor com outras diversas, muitas das quais carraspentas e manchadas pela ganância do sempre ter mais, mesmo que sejam por vias inescrupulosas. Para galgar o Planalto teve que fazer o pacto com o diabo, ou aliás, com vários diabos que passaram anos treinando praticar as piores maldades contra o povo na escola do inferno.
Mil maravilhas e muita empolgação na junção de bandeiras diferentes a tremular pelas esquinas, praças, ruas e avenidas deste gigante varonil adormecido. De braços dados com a burguesia, logo o medo se dissipou para dar lugar à esperança e à fé de que logo se chegaria à terra prometida. Nem se questionou que aqueles acompanhantes não passavam de malfeitores.
Para os mais sensatos e analistas do sistema imoral apodrecido, aquele cruzamento com animais diferentes deformados não iria dar certo, e dali poderia gerar um dragão devastador e centenas de outros monstros. Não deu outra, e a estrela, que logo deixou de ser “revolucionária”, foi expelida do ventre de seus “companheiros” cafajestes.
Ao perceber que essa estrela estava se desviando de rota, dos seus princípios fundamentais humanistas e sendo conduzida por uma cambada oligarca de canalhas corruptos, onde os meios justificavam os fins, muitos caíram fora porque as bases foram desprezadas em detrimento de uma governabilidade sem escrúpulos.
As principais lideranças dessa estrela do PT foram os primeiros a se lambuzar na sujeira dos mais espertos que nunca aceitaram distribuir renda para os mais necessitados, e isso é histórico na dialética da humanidade. A elite burguesa sempre foi retrógrada nesse sentido por pensar somente em seus interesses de enriquecimento próprio, inclusive roubando, e não no desenvolvimento da nação como um todo, não sabendo ela que mais igualdade social significa mais crescimento econômico e mais lucros para todos.
A história nos mostra que todas as vezes que a esquerda fez alianças com a burguesia. Como Carlos Prestes com Getúlio Vargas, terminou sendo expurgada lá na frente, e quem mais perdeu foi a classe operária, as camadas mais vulneráveis e toda população. Nesse país, as esperanças sempre vão e voltam.
O partido da estrela passou 20 anos no poder e perdeu várias oportunidades de deixar sua marca revolucionária, como, por exemplo, empreender uma luta pela punição dos torturadores da ditadura civil-militar de 1964. Fez as comissões da verdade, cujas denúncias ficaram no papel. Hoje os generais debocham quando se fala em torturadores.
No entanto, outros governos da América Latina, como Argentina, Chile e Uruguai prenderam os mentores do regime que cometeram atrocidades. As feridas continuam abertas, tanto que os generais, tendo à frente o capitão-presidente, negam a história e ainda elogiam o golpe que, para eles, foi uma revolução.
Por não se redimir de seus pecados, essa esquerda foi destroçada pela negação de seus ideais construídos lá na frente nos tempos da sua fundação. Para arrancar do trono o dragão que criou, agora retorna com a mesma leitura prepotente e os mesmos métodos e táticas autoritárias, fazendo as mesmas alianças com o satanás.
Estamos condenados a assistir o mesmo filme de polarização estúpida de 2018, recheada de mais mentiras, sem a opção de uma terceira via para exterminar os monstros e os fantasmas que saíram de seus túmulos para infernizar a vida dos brasileiros.
Para o bem do Brasil, no quadro atual, a estrela desse partido não deveria ter candidato a presidente da República, principalmente com um vice que comparou o PT, lá no passado, como o diabo saído do inferno. A extrema-direita dos fanáticos terraplanistas só cresce. Como vampiros, se alimentam e se fortalecem exatamente do sangue do ódio e da intolerância. Sem essas substâncias, eles perecem. Vamos ter mais quatro anos de terror, com cenas apocalípticas? Quem viver, verá!
Essa esquerda precisa urgentemente sair de seus gabinetes teóricos e voltar a lidar e a se comunicar diretamente com as bases periféricas e faveladas de milhões de famintos e desempregados. Caso contrário vai dar com os burros n´água ou na lama novamente. Ela não pode entrar nesse laço do radicalismo que só favorece o monstro-dragão.




















