Mesmo há dias intubada numa UTI de hospital, em decorrência da Concid-19, o falecimento da fotógrafa-jornalista e advogada Edna Nolasco, de 63 anos, nesta quinta-feira, dia 11/11, pegou toda a classe de surpresa, não somente pela profissional que era, mas também como pessoa humana, dócil e sensível com as questões sociais e sempre se posicionando contra as injustiças dos poderosos.

Um exemplo dessa sua característica como ser humano foi sua posição, em julho deste ano, em favor da família de ciganos que teve vários de seus membros mortos por uma ação intempestiva por parte da polícia militar em represália ao assassinato de dois soldados, no distrito de José Gonçalves. Ela contestou versões dadas pela corporação e criticou a violenta repressão.

Recebi a notícia com muito pesar porque era uma grande amiga que me acolheu quando aqui cheguei em 1991 para assumir a chefia da Sucursal “A Tarde” de Vitória da Conquista. Como dirigente por alguns anos do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Edna esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis, dando apoio ao meu trabalho de moralização e proteção da categoria quando esta era atingida.

Ao longo da minha atividade profissional em Conquista, inclusive em matérias investigativas de denúncias de irregularidades de autoridades, recordo que Edna, com seu conhecimento e contatos no meio jurídico, me passou informações valiosas que tornaram minhas matérias mais fundamentadas e calcadas em fatos verídicos.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa amiga zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima, mas tive a honra, como jornalista, de registrar sua última exposição sobre LGBT realizada da Casa dos Idosos. As fotos expressivas tinham o DNA da sua sensibilidade quando estava com sua máquina na mão e uma ideia na cabeça. Sabia captar e harmonizar a imagem com a luz no tempo certo.

Fica aqui a minha homenagem Edna, e tenho certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um sentido e exemplo de ética, seriedade, honestidade e compromisso com a vida que todos nós devemos seguir. Você estará sempre em nossas lembranças como colega amada que nos conquistou com sua singular simplicidade e empatia com os outros.