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DE VILA IMPERIAL DA VICTÓRIA NO MAIOR POLO DE DESENVOLVIMENTO (1)

Este texto, de Jeremias Macário, pode ser encontrado nos livros de sua autoria, “A Imprensa e o Coronelismo” e em “Uma Conquista Cassada”, o qual fala da ditadura civil-militar de 1964, que cercou a cidade e cassou, na base das armas, o mandato democrático do prefeito da época José Pedral, na trigésima sessão da Câmara de Vereadores, em maio do mesmo ano.

Os Mongoiós ou Monochós, também conhecidos como Camacans, e os Pataxós e Amborés ou Imborés, eram os verdadeiros donos destas terras do sudoeste baiano, compreendidas entre os rios Pardo e das Contas, da região do São Francisco até São Jorge dos Ilhéus.

No centro deste vasto território chamado de “Sertão da Ressaca”, está  o município de Vitória da Conquista que virou pólo de desenvolvimento regional, e neste ano de 2021 está completando 181 anos de emancipação política (9 de novembro).

A Imperial Vila de Nossa Senhora da Victória, antes Arraial da Conquista, foi criada pelo decreto imperial de número 124, em 19 de maio de 1840, desmembrando-se da Comarca de Caetité.

No entanto, a data política é comemorada em 9 de novembro quando aconteceu a posse da primeira Câmara Municipal. Com a proclamação da República, em 1889, a Vila passou a se chamar Cidade da Conquista, em 1º de junho de 1891, e em 1943 recebeu o nome de Vitória da Conquista.

A CHEGADA DA BR-116

O pequeno povoado, com as primeiras habitações de taipa cresceu, e em 1817, conforme registrou o príncipe alemão Maximiliano Wied-Newied, em visita ao lugarejo, já contava com 40 casas. A Vila expandiu-se aos poucos na encosta verdejante da Serra do Periperi; foi parada de tropeiros; mudou de nome; e começou a prosperar a partir da década de 1960 com a chegada da BR-116 (Rio-Bahia).

A cidade ampliou sua economia com a introdução da cafeicultura, em meados dos anos 70, e se firmou no início do século XXI com a implantação de novos projetos nas áreas da educação e da saúde até se transformar num dos maiores pólos de desenvolvimento do Estado e do Nordeste. Com cerca de 340 mil habitantes, é hoje a terceira maior cidade da Bahia.

CONQUISTA E SUA EVOLUÇÃO

Até antes da instalação da Vila, (1840), na residência do coronel Teotônio Gomes Roseira, situada na Rua Grande (Praça Tancredo Neves), o território pertencia ao município de Caetité. Depois a casa do coronel veio a se tornar Paço Municipal.

Naquela data de 9 de novembro foram escolhidos os conselheiros, membros do Conselho Municipal, hoje denominados de vereadores, para cuidar da sua administração. O presidente desse colegiado exercia o cargo de prefeito.

O primeiro Conselho foi composto pelos cidadãos Manoel José Vianna, Joaquim Moreira dos Santos, Theotônio Gomes Roseira, Manoel Francisco Soares, Justino Ferreira Campos, Luiz Fernandes de Oliveira (primeiro presidente da Câmara) e Francisco Xavier da Costa.

Com governo próprio, a Vila começou a se organizar e, além do seu Conselho, foi instalada a Casa do Conselho a quem coube aprovar o Código de Posturas, com 80 artigos, para disciplinar os moradores, punir os transgressores e orientar o crescimento urbano, inclusive com regras para preservar os rios e as nascentes. Entre as normas, reprimia o batuque e o hábito de vagar pelas ruas durante altas horas da noite, especialmente os escravos sem o passe do seu senhor. A partir daí, foram contratados os primeiros funcionários públicos.

DE VILA A CIDADE, EM 1891

Anos depois, em 1891, Conquista passou de vila a cidade, e as funções do presidente do Conselho Municipal passaram a ser exercidas por um intendente a que deram o nome de prefeito, com autonomia para governar. As ruas eram lamacentas e esburacadas, mas o primeiro intendente, Joaquim Correia de Mello, adotou algumas providências para melhorar o visual da cidade.

Por cerca de 100 anos, Conquista passou esquecida dos poderes públicos, contrastando com a evolução de outros centros urbanos. Segundo observadores, viajantes e cronistas da época, o esquecimento se deveu mais ao fato da sua distância em relação à capital. Até os anos de 1890, as ruas eram iluminadas por lampiões a gás, depois substituídos por carbureto. Só a partir de 1920 veio a energia elétrica.

A partir deste período a cidade veio a sair do isolamento quando um grupo de fazendeiros e comerciantes se reuniu e fundou um consórcio para construir uma estrada carroçável ligando até Jequié. Nessa época, o trem já existia até Jaguaquara, e os trilhos avançavam às terras jequieenses. A linha até esta localidade chegou em 1927.

Com o passar dos anos, o aspecto urbano foi melhorando, mas o conquistense não se preocupou muito com a preservação da sua história, tanto que muitos sobrados e casarões foram sendo derrubados para dar lugar a edificações novas, como o velho barracão acolhedor de tropeiros que foi demolido em 1913.

Para se abastecer, os conquistenses dependiam das mercadorias, transportadas no lombo dos burros, vindas das cidades de São Felipe e Cachoeira, passando depois por Jequié (150 quilômetros). Mas, Conquista também tocava o gado trazido de Minas Gerais para fornecer carne para o Recôncavo.

Por volta de 1940 chegou a Rio-Bahia, asfaltada no início dos anos 60, no Governo de João Goulart. A partir desses anos, Vitória da Conquista não parou mais de crescer, e é hoje a capital do sudoeste e terceira maior  da Bahia, cujo município tem cerca de 340 mil habitantes, distante 510 quilômetros de Salvador.

Apesar da sua grandeza e beleza, Conquista dos tempos atuais ainda é carente de muitos projetos na área de infraestrutura, como a prometida obra da barragem de abastecimento de água; serviços modernos no setor de mobilidade urbana; um centro administrativo para desafogar o centro; e, acima de tudo, uma política cultural, mais escolas e expansão na saúde.

OURO, MORTE E EXPULSÃO

Na busca por riquezas, especialmente o ouro, a primeira investida no Sertão da Bahia foi feita pelo castelhano Francisco Bruzza de Spinosa, em 1553, acompanhado de 12 portugueses, partindo de Porto Seguro e indo até o rio São Francisco. A passagem dos bandeirantes pelas terras dos índios significava expulsão, morte e escravidão.

A descoberta de ouro nas imediações de Rio das Contas e em Jacobina, no início do século XVIII, aumentou o povoamento em Minas Gerais.  Já em 1724, Rio das Contas passava à categoria de vila, com a implantação de vários órgãos de administração pela Coroa Portuguesa.

Como descreve a historiadora Maria Aparecida Silva de Sousa, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, em seu livro “A Conquista do Sertão da Ressaca: povoamento e posse da terra no interior da Bahia”, por volta de 1728, o coronel Pedro Leolino Mariz recebe do governo português a missão de desbravar diversas áreas do interior da Bahia e do norte de Minas Gerais.

Essa personagem aparece como importante figura da história que realizou investigações nos rios das Contas, Paramirim e Rãs, chegando a ocupar o posto de superintendente Geral de todas as minas da Bahia e das Minas Novas do Araçuaí. Sabedor de que essa porção de terra era uma das melhores do Brasil para criação de gado e a cultura de lavouras, o Governo de Portugal mandou que Pedro Leolino averiguasse as notícias. Em recompensa pelo seu trabalho, o superintendente recebeu uma sesmaria em 1743.

Com intuito de obter o mesmo êxito conseguido na região vizinha de Rio das Contas e Jacobina, com a descoberta de ouro, o coronel organizou uma Bandeira, sob a direção de André da Rocha Pinto, para conquistar o sertão entre os rios das Contas, Pardo e São Mateus. A intenção era também a de encontrar ouro, estabelecer fazendas de gado e matar os índios que se opusessem à conquista.

SANGRENTAS BATALHAS

Ao lado de André Pinto, aparece a pessoa de João da Silva Guimarães, designado para percorrer o rio São Mateus. Ele ocupou o posto de Mestre-de-Campo, concedido em 1735, pelo conde de Sabugosa. Pouco antes disso, João Guimarães fez um relatório ao rei D. João V, contando os perigos que enfrentou na luta contra os bravos gentios. O desejo dos sertanistas era o de encontrar as cobiçadas minas de prata de Belchior Dias Moreira, que foi um dos principais conquistadores do sertão baiano.

Tudo indica que o Mestre-de-Campo tenha percorrido o território onde hoje está situado o município de Vitória da Conquista. Cita a historiadora Maria Aparecida, que sua Bandeira, pelo meado do século XVIII, tenha passado pelos rios das Contas, Gavião e riacho do Gado Bravo onde hoje é Bom Jesus da Serra. Sua expedição foi marcada por sangrentas batalhas com os índios mongoiós, Imborés e Pataxós.

A chegada dos primeiros colonizadores portugueses, por volta de 1730 e 1734, comandados pelo Mestre-de-Campo João da Silva Guimarães e pelo Capitão-Mór, João Gonçalves da Costa, deu início a uma série de batalhas com os índios da terra, que durou cerca de um século, culminando com o extermínio dos nativos, num dos mais terríveis genocídios da história. As explorações feitas pelas bandeiras baianas, como relata a pesquisadora Aparecida, não tiveram o mesmo sucesso dos paulistas que encontraram ouro em Minas Gerais.

UMA LENDA ODIADA

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UMA EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS QUE VALE A PENA SER VISITADA

No maior museu a céu aberto do Norte e Nordeste, em pleno sertão de Vitória da Conquista, na BA-262, saída para Brumado, está sendo realizada até o próximo dia 15, a Expo Arte Conquista, na Galeria Mix do Museu Kard, com seis grandes artistas de reconhecimento nacional e internacional.

É um presente-homenagem aos 181 anos de emancipação dos artistas Alex Emmanuel, Domício, Lilian Morais, Romeu Ferreira, Valéria Vidigal e Allan de Kard. Pelo seu potencial cultural e de forte expressão humana, vale a pena dar uma passada no local, no horário comercial, sem custo, e ainda conhecer as esculturas do Museu Kard, com peças grandiosas, como a pirâmide, o xadrez que retrata os poderosos e os oprimidos sertanejos, o labirinto e tantas outras que simbolizam a vida e a morte.

Os quadros da Expo Arte Conquista abordam diversos temos, inclusive sobre questões atuais da pandemia que ceifou a vida de quase 610 mil brasileiros; deixou sequelas nas pessoas; e nos separou do convício social. Esse tema está registrado nas artes de Domício, Alan de Kard e Lilian Morais.

Alex Emmanuel, com suas pinturas fortes e impactantes, apresenta as dores e as vulnerabilidades dos seres humanos através de suas faces recolhidas em seu eu interior. Romeu Ferreira, com suas peças gigantes em preto e branco   retrata o sofrimento do sertanejo que enfrenta as agruras da vida na luta para sobreviver sem água e comida. São expressões fortes da realidade de um povo que sempre foi abandonado pelos políticos e governantes.

Valéria Vidigal estampa na Galeria Mix o seu mundo do café, sua temática central, numa pintura alegre cheia de cores com as flores e os frutos dos cafezais. Em seu trabalho, conhecido além das fronteiras nacionais estão inseridos o homem e mulher que trabalham na colheita dos cafés. Xícaras, bules e o café quentinho levam o visitante a entrar em seus traços realistas dessa cultura agrícola, riqueza do nosso país desde o século XIX.

O Museu Kard é um mundo encantado a céu aberto em pleno sertão da Bahia que já é um grande patrimônio para a posteridade da humanidade. Quem visita sai com o espírito renovado e iluminado. É uma mistura do antigo, do renascimento e do moderno visto através de esculturas gigantes, como a pirâmide que logo na entrada o visitante se depara com a última ceia de Cristo (Leonardo da Vinci) vista pelo olhar do artista Allan de Kard.

 

 





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