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:: 4/nov/2021 . 22:31

A DOR DA FINITUDE

Fotos de Jeremias Macário

Os filósofos e cientistas sempre se debateram e se debruçaram sobre a questão da morte desde quando a vida surgiu na terra há bilhões de anos. Uns apostam que ela, como matéria a partir do átomo, é apenas o final de um ciclo passageiro da vida. Outros, como os pensadores gregos espiritualistas, que ela é a continuação da vida. No espiritismo e no universo iorubá existe a crença da reencarnação. Não importa, ela é dor da finitude, como nesses versos do jornalista e escritor Jeremias Macário. Há quem recomenda não se ter tristeza, mas saudade no peito quando se perde um ente querido. Os mexicanos e outras culturas fazem festas. De qualquer forma, é tudo mistério e confusão, como já expressou Fernando Pessoa.

Dizem que a morte é matreira;

É o líquido eterno da vida finita;

Outro que é o amargo sem sentido,

E que a vida é sombra passageira,

Que traz na lida a dor da finitude,

Com seu baú de coragem e medo,

Nos laços do intrincado segredo.

 

A finitude pode até curar sua dor;

O sábio manda conhecer a ti mesmo;

Um que nada muda em sua forma;

O outro que tudo vai e se transforma;

Você se depara com o ser ou não ser,

E o poeta na sua escala fora dessa bitola

Não se conforma e se embriaga no amor.

 

Tudo passa, é mutável e se transforma,

Tudo fica no lugar, e mudança é ilusão,

Nada começa, nada se acaba, nada torna;

A flecha que voa está parada lá no ar;

É tudo finito, infinito, mistério e confusão,

E uns preferem o delírio etílico da festa;

Mergulhar nas ondas que se quebram no mar.

 

 

ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS (IV)

Continuação do poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário no formato de cordel que fala da cultura nordestina e   seus personagens escritores. É uma viagem do Maranhão até a Bahia num trânsito com hábitos, costumes e quem fez história nessa nossa nação da qual orgulho de pertencer.

Casquei pra Exú pra ver o monumento-rei Gonzaga;

Apertei as precatas para conhecer a feira de Caruaru,

Com a fome do saber popular, sem perder a ternura,

De um estado que parecia ter visitado quando menino,

Numa vaga do destino da reencarnação Pernambuco,

Dos holandeses-judeus que implantaram uma cultura,

E deixaram seus vestígios de uma comunidade futura.

 

Com meu trabuco fui logo ver o Manuel Bandeira,

Para beber na fonte original das sagradas escrituras,

Mas estava arrumando as malas para Passárgada,

No desejo de ser livre e ter a mulher que sempre quis;

Viver numa rede como rei com astutas prostitutas,

Longe desse chão de intrigas e disputas pra ser feliz,

E logo me convidou a embarcar em suas aventuras,

Quando de pronto avisei que não ia viajar nessa saga;

Que seu voo à Pérsia de Ciro seria nas asas da utopia,

E com afeto sai para ver o João Cabral de Melo Neto,

Para me juntar a ele na triste labuta de “Vida Severina”,

Do homem que só tem direito a sete palmos de altura,

Esse herói anônimo valente resistente a esta secura,

Dessa sina que nunca finda nessa paisagem nordestina.

 

Enfiei as mágicas palavras em meu alforje surrado,

E fui vagar pela Veneza-Recife até o monte Olinda,

Com a cena do gado berrando na seca cacimba catinga,

E pra esquecer passei nos botecos e enchi a cara de pinga;

Sonhei que estava na Grécia com os deuses do Olimpo,

E acordei entre os negros descritos por Gilberto Freyre,

Com quem visitei “Casa Grande e Senzala” dos bantos Níger,

Dormi em “Sobrados e Mocambos” de Angola e da Guiné,

Onde também o doutor deitou, como me disse e provou,

Mas vinha a cena do Bandeira em orgia como um rei.

 

Tomei tino e fui direto pra terra de “Menino de Engenho”,

Do tempo dos coronéis estuprando negras de taca e reio,

No mourão escravo, ou no lamento África dos canaviais,

Onde fui moleque com José Lins do Rego paraibano creio,

E com ele me lambuzei na safadeza erótica dos bacanais,

Sem receio de fazer estripulias de verso menino travesso,

Com aquela gente que lembra o filme “Vinhas da Ira”,

Expulsa do seu torrão e varrida como um lixo caipira.

 

FUTEBOL BRASILEIRO!…

Como dizia Chico Anísio em tom jocoso e irônico em seus programas humorísticos, “Fantasma Brasileiro”! Assim é o nosso futebol de hoje, um verdadeiro pastelão de pernas de paus, uma bagunça com jogos truncados, juiz perdido no campo que dá um cartão vermelho e depois volta atrás e a bola pouco rola em partidas com inúmeras paralisações para ver o VAR.  Como torcedor do Fluminense, (só fracasso) confesso que estou perdendo o “saco” para assistir uma partida, mesmo do meu time.

Lembro meus tempos de juventude na década de 60 quando jogava no Seminário de Amargosa e região com Zouzinha, Nelson, Epifànio, Zé Humberto e tantos outros que o tempo me fez esquecer os nomes. Nelson jogava com óculos de fundo de garrafa e ninguém conseguia segurar ele em campo. Foi na época de Pelé, Garrincha, Vava, Didi, Zagalo, Coutinho, Pepe, Amarildo e tantos que davam três seleções imbatíveis.

Hoje temos um Tite com um time medíocre ganhando todas para as fracas equipes da América do Sul e recebendo montes de elogios dos comentaristas da Globo. Aliás, foi essa rede de televisão que manteve ele lá na desmoralizada Confederação quando o Brasil perdeu para a Bélgica na Copa passada de 2018. O nível é baixo e só tem Neymar “cai-cai” indisciplinado. O resto nem seria convocado nas décadas de 60 e 70.

Futebol Brasileiro!… coisa feia para se ver! No Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro só tem hoje dois times na primeira divisão, com um Flamengo em decadência de jogadores pendurando as chuteiras. Em Belo Horizonte, um Cruzeiro com risco de ir para a terceira divisão. No Rio Grande do Sul, um Grêmio na mesma situação. São Paulo, que sempre foi a força, uns times capengas, e o Bragantino é a bola da vez.

No Nordeste, só os times do Ceará (Fortaleza e Ceará) são revelações do campeonato. Na Bahia, o futebol é uma vergonha!  Nos certames, os dois times representantes (um na série A e o outro na B) são formados por Seu Secador, Juiz Ladrão, Campo Ruim, Seu Cansaço, Senhor do Bomfim, Sal Grosso, Macumba, Reza Braba, Com Fé em Deus, Seu Empate e o Matemático da Tabela. No ponta pé inicial do campeonato, começa a corrida da contagem para não ser rebaixado.

Na Bahia, ao invés de uma evolução, houve um atraso nos últimos 50 anos quando ainda existiam times fortes, como Ipiranga, Botafogo, Leônico, Galícia e Fluminense de Feira de Santana. Os cartolas (ainda existem essas espécies) acabaram com o nosso futebol. Hoje existe um campeonato merreca e pobre que eles chamam de “Baianão”, mas é um Baianinho de duas equipes.

No geral, a redonda é a mais maltratada a voar desnorteada como pássaro de uma só asa de um canto para o outro do gramado. São sarrafos e rasteiras que mais parecem luta de capoeira. Vez ou outra um jogador acerta um drible e um chute que vira golaço, tão escasso de se ver. No espetáculo de pancadarias, não faltam os empurrões, cotoveladas e até cuspe na cara. Os técnicos soltam palavrões do outro lado.

Por falar nesses “professores”, o troca-troca de técnicos mais parece rotatividade de Motel. Num país gigante como o Brasil, o campeonato é uma maratona de viagens e jogos que não seguem a tabela por causa de outras competições. A CBF comanda a trapalhada. Foi só flexibilizar o acesso aos campos que surgiram as invasões e brigas entre torcedores, a grande maioria de fanáticos.

A maior parte dos times está totalmente endividada e não paga as obrigações trabalhistas e previdenciárias. Muitos estádios se transformaram em elefantes brancos, principalmente os situados no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Em relação às competições europeias, sobretudo em termos de organização, as brasileiras estão nos níveis amadorísticas.





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