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:: 11/nov/2021 . 23:56

ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS (V)

Versos em formato de cordel de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário sobre a cultura nordestina e seus personagens escritores, cordelistas, trovadores e gente importante que fizeram história em nossa nação.

Pra variar fui às feiras duelar com trovadores-repentistas,

Que vinham de longe e não ia ficar como besta de fora;

Tentei embolar no varejo e pedi pra não me fazer de bosta:

Não ser humilhado por esses medievais voadores artistas;

Decidi arrastar a minha poeirenta sandália e ir embora,

Quando me deram aquelas respostas virando suas costas,

E temi enfrentar aquela batalha de improvisos nortistas;

Sai de soslaio pra trocar um lero-lero com Celso Furtado,

Um dos maiores pensadores desse nosso Estado Brasileiro,

Que planejou golpear a ignorância com seu plano futuro;

Transformar essa nação num país progressista além do muro,

E não numa gerigonça, espeto de pau e casa de embusteiro.

 

Ainda tinha muito o que fazer naquela Paraíba mulher-macho,

Acender meu facho na voz de Zé Ramalho e do Geraldo Vandré,

E a eles pedi licença para pisar terra guerreira dos menestréis;

Viajar no dorso dos alados e no galope ligeiro de “Disparada”,

Sem ser boiada ferrada como me ensinou o Celso Furtado;

Ir com fé, sem jamais me curvar e manter alerta minha espada,

Pra escutar atento o Leandro Gomes de Barros, lá de Pombal,

A cadenciar o maior cordel de todo nosso Nordeste afamado,

Cabra de versos apurados, imbatível como estrela universal,

De fartas rimas, métricas e estrofes de encher todo um jornal,

Da história de Getúlio a João Pessoa, em Recife assassinado,

E assim fui a Tambaú mirar mar pôr-do-sol do “Tone” saxofone.

 

Não podia deixar de trocar dedo de prosa com o senhor armorial,

Matuto simples de jeito pausado-cadenciado de Ariano Suassuna,

E roguei para me botar dentro do seu eterno “Auto da Compadecida”,

Só pra sacanear com a malandragem picaresca desse pícaro “Chicó”,

E quando ele falou não sei, só sei que foi assim, por trás meti o fifó;

Seu moço, o moleque pulou e correu gritando ter visto alma penada,

Numa cena pitoresca, foi parar na jagunçada do coronel “Ferroada”.

 

Era mês de fogueiras e em Campina Grande das festas juninas,

Caí na dança forrozeira com as coroas fogosas e belas meninas,

Até me empanturrar e embriagar nos arrastos poetas repentistas,

Populares repórteres e feitores de letras de raízes dos cordelistas,

De soladas violas e quadrilhas marcando encontros de amores,

E encantado fiquei com a Paraíba de tanta gente cheia de cores,

Que me injetou energia pra aprender a lição e fazer a canção,

Nessas carrocerias de andanças estradeiras, de barcos e canoas,

Entre coqueirais, dividindo varais até entrar na vizinha Alagoas.

 





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