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:: 12/nov/2021 . 23:55

UMA INTELECTUAL NIGERIANA FEMINISTA CONTADORA DE BOAS HISTÓRIAS

A nigeriana contadora de histórias, radicada nos Estados Unidos, Chimamanda Adichie, está no livro “Intelectuais das Áfricas” no capítulo escrito pela professora Izabel de Fátima Brandão, titular da Universidade Federal de Alagoas, que analisa a literatura de autoria feminista.

De acordo com Izabel, sua obra já foi traduzida para mais de trinta línguas, incluindo a portuguesa. No Brasil foram traduzidos seus romances Purple Hibiscus e Americanah. Adichie publicou ainda Half of a Yellow Sun, The Thing Around Your Neck entre outros, além de uma peça teatral.

A professora ressalta que seu pensamento feminista choca e atrai seu público leitor, com seu senso de humor e também pela forte identidade com suas origens africanas nigerianas, embora já esteja nos Estados Unidos desde 1996. Adichie fez mestrado em literatura africana na Universidade de Yale.

Com seus heróis e heroínas brancas, posição que a professora confessa que ainda lhe deixou atordoada, a nigeriana fala, entre outros assuntos, da relevância do cabelo para as mulheres negras. Na sua visão, trata-se de um tema de natureza política, conforme disse certa vez numa entrevista.

Adichie conta, segundo a professora Izabel, que quando se mudou para os Estados Unidos, sua colega de quarto, na Universidade da Filadélfia, não conhecia nada sobre a África, e o sentimento dela sobre a jovem nigeriana foi de “pena condescendente”, porque tudo o que se sabe sobre a África é que lá existe muita gente pobre.

Perguntada numa entrevista sobre a questão da mutilação genital das mulheres em certas etnias, e se elas têm como recusar (a sua é da Ibo e não tem esse procedimento), Adichie respondeu que a cultura muda; sua preservação não implica a exclusão das mulheres. “Essa consciência sobre a possibilidade de mudança cultural indica o seu engajamento político”- destaca a professora.

A escritora nigeriana se define como uma contadora de histórias, que ouve, absorve e reconta, à sua maneira. Diz ser acima de tudo, uma grande observadora. “Como sou escritora, sempre me senti a um passo atrás de tudo, observando”.

Em um de seus romances (Half of a Yellow) ela fala das gêmeas Olanna e Kainene, filhas da elite Ibo, onde trata dos três anos da Guerra do Biafra, na década de 60; dos massacres e violências cometidos, envolvendo forças muçulmanas do norte em conflito com os cristão ibos do sul.

A questão religiosa é outro tema abordado pela escritora. No conto “A Historiadora Impetuosa”, ela escreve sobre choques e rupturas entre as tradições seculares do país e as imposições da educação católica fomentada pelos missionários estrangeiros aos filhos de famílias nigerianas.

Por meio da sua literatura, ela defende que se respeite a cultura de seu povo, sem julgá-la primitiva ou inferior. Seu único livro de contos (The Thing Around Your Neck – 2009) aborda o universo de mulheres africanas. Uma temática recorrente em sua obra é a opressão localizada em várias frentes, como na família, na profissão, na religião, raça, etnia e na política.

As histórias deste livro tratam de homens e mulheres, jovens e adultos, novos e velhos, em situações as mais diversas, mas que, fundamentalmente, abordam questões culturais e identitárias localizadas não apenas no contexto do ambiente africano, mas também relacionadas à diáspora africana, especialmente da Nigéria para os Estados Unidos.

UMA GRANDE PERDA PARA CONQUISTA E A BAHIA

O Conselho Municipal de Cultura, em nome da sua diretoria, expressa seus sentimentos de pesar, extensivo a toda sua família e amigos, pelo falecimento, nesta quinta-feira (11/11), da fotógrafa-jornalista e advogada, diretora regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) Edna Nolasco, 63, como dedicada profissional em defesa da categoria, bem como ser humano sensível com as questões sociais dos nossos tempos.

Edna representa uma grande perda para Vitória da Conquista e para a Bahia, não somente pelos seus serviços prestados à comunidade local, mas também como grande fotógrafa e dirigente sindical sempre atenta aos problemas da classe. Vítima da Covid-19, a morte de Edna, por ser muito querida em nossa sociedade, pegou a todos de surpresa, e o Conselho só tem a lamentar a sua partida do nosso convívio.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa companheira zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima. Fica aqui nossa singela homenagem à nossa querida Edna, e temos certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um legado de ética, seriedade e honestidade em sua vida, um exemplo que todos nós devemos seguir.

Hendye Gracielle (presidente), Jeremias Macário (vice-presidente) e Marley Vital (secretário-executivo)

CONQUISTA PERDE UMA GRANDE FOTÓGRAFA E UMA PESSOA HUMANA

Mesmo há dias intubada numa UTI de hospital, em decorrência da Concid-19, o falecimento da fotógrafa-jornalista e advogada Edna Nolasco, de 63 anos, nesta quinta-feira, dia 11/11, pegou toda a classe de surpresa, não somente pela profissional que era, mas também como pessoa humana, dócil e sensível com as questões sociais e sempre se posicionando contra as injustiças dos poderosos.

Um exemplo dessa sua característica como ser humano foi sua posição, em julho deste ano, em favor da família de ciganos que teve vários de seus membros mortos por uma ação intempestiva por parte da polícia militar em represália ao assassinato de dois soldados, no distrito de José Gonçalves. Ela contestou versões dadas pela corporação e criticou a violenta repressão.

Recebi a notícia com muito pesar porque era uma grande amiga que me acolheu quando aqui cheguei em 1991 para assumir a chefia da Sucursal “A Tarde” de Vitória da Conquista. Como dirigente por alguns anos do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Edna esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis, dando apoio ao meu trabalho de moralização e proteção da categoria quando esta era atingida.

Ao longo da minha atividade profissional em Conquista, inclusive em matérias investigativas de denúncias de irregularidades de autoridades, recordo que Edna, com seu conhecimento e contatos no meio jurídico, me passou informações valiosas que tornaram minhas matérias mais fundamentadas e calcadas em fatos verídicos.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa amiga zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima, mas tive a honra, como jornalista, de registrar sua última exposição sobre LGBT realizada da Casa dos Idosos. As fotos expressivas tinham o DNA da sua sensibilidade quando estava com sua máquina na mão e uma ideia na cabeça. Sabia captar e harmonizar a imagem com a luz no tempo certo.

Fica aqui a minha homenagem Edna, e tenho certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um sentido e exemplo de ética, seriedade, honestidade e compromisso com a vida que todos nós devemos seguir. Você estará sempre em nossas lembranças como colega amada que nos conquistou com sua singular simplicidade e empatia com os outros.

O TOMATEIRO E A PRAÇA

Em plena praça, no centro da cidade de Vitória da Conquista, que no último dia 9 completou 181 anos, na Barão do Rio Branco, o tomateiro dá seus frutos em meio à poluição dos carros e à agitação do vai-vem das pessoas que passam sem perceber a presença da natureza nos brindando com essa cultura, tão apreciada na mesa dos brasileiros. É um sinal de que o meio ambiente ainda resiste, apesar da depredação do homem com as derrubadas e queimadas das florestas, provocando o aquecimento global. Soube que uma senhora até já colheu alguns tomates que, por sinal, são vítimas dos altos preços inflacionários devido, sobretudo, a escassez do produto no campo. Ele está ali meio que solitário, mas produzindo e já alimentou alguém que percebeu sua presença num pequeno espaço de terra na vastidão do concreto. Agora com as últimas chuvas que caíram em Conquista, ele está mais viçoso e pronto para gerar mais frutos. É uma dádiva da natureza que o ser humano não sabe reconhecer.





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