UMA INTELECTUAL NIGERIANA FEMINISTA CONTADORA DE BOAS HISTÓRIAS
A nigeriana contadora de histórias, radicada nos Estados Unidos, Chimamanda Adichie, está no livro “Intelectuais das Áfricas” no capítulo escrito pela professora Izabel de Fátima Brandão, titular da Universidade Federal de Alagoas, que analisa a literatura de autoria feminista.
De acordo com Izabel, sua obra já foi traduzida para mais de trinta línguas, incluindo a portuguesa. No Brasil foram traduzidos seus romances Purple Hibiscus e Americanah. Adichie publicou ainda Half of a Yellow Sun, The Thing Around Your Neck entre outros, além de uma peça teatral.
A professora ressalta que seu pensamento feminista choca e atrai seu público leitor, com seu senso de humor e também pela forte identidade com suas origens africanas nigerianas, embora já esteja nos Estados Unidos desde 1996. Adichie fez mestrado em literatura africana na Universidade de Yale.
Com seus heróis e heroínas brancas, posição que a professora confessa que ainda lhe deixou atordoada, a nigeriana fala, entre outros assuntos, da relevância do cabelo para as mulheres negras. Na sua visão, trata-se de um tema de natureza política, conforme disse certa vez numa entrevista.
Adichie conta, segundo a professora Izabel, que quando se mudou para os Estados Unidos, sua colega de quarto, na Universidade da Filadélfia, não conhecia nada sobre a África, e o sentimento dela sobre a jovem nigeriana foi de “pena condescendente”, porque tudo o que se sabe sobre a África é que lá existe muita gente pobre.
Perguntada numa entrevista sobre a questão da mutilação genital das mulheres em certas etnias, e se elas têm como recusar (a sua é da Ibo e não tem esse procedimento), Adichie respondeu que a cultura muda; sua preservação não implica a exclusão das mulheres. “Essa consciência sobre a possibilidade de mudança cultural indica o seu engajamento político”- destaca a professora.
A escritora nigeriana se define como uma contadora de histórias, que ouve, absorve e reconta, à sua maneira. Diz ser acima de tudo, uma grande observadora. “Como sou escritora, sempre me senti a um passo atrás de tudo, observando”.
Em um de seus romances (Half of a Yellow) ela fala das gêmeas Olanna e Kainene, filhas da elite Ibo, onde trata dos três anos da Guerra do Biafra, na década de 60; dos massacres e violências cometidos, envolvendo forças muçulmanas do norte em conflito com os cristão ibos do sul.
A questão religiosa é outro tema abordado pela escritora. No conto “A Historiadora Impetuosa”, ela escreve sobre choques e rupturas entre as tradições seculares do país e as imposições da educação católica fomentada pelos missionários estrangeiros aos filhos de famílias nigerianas.
Por meio da sua literatura, ela defende que se respeite a cultura de seu povo, sem julgá-la primitiva ou inferior. Seu único livro de contos (The Thing Around Your Neck – 2009) aborda o universo de mulheres africanas. Uma temática recorrente em sua obra é a opressão localizada em várias frentes, como na família, na profissão, na religião, raça, etnia e na política.
As histórias deste livro tratam de homens e mulheres, jovens e adultos, novos e velhos, em situações as mais diversas, mas que, fundamentalmente, abordam questões culturais e identitárias localizadas não apenas no contexto do ambiente africano, mas também relacionadas à diáspora africana, especialmente da Nigéria para os Estados Unidos.











