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:: 25/nov/2021 . 22:51

MINHAS ARTES!

Entre um texto político, social ou qualquer assunto que vier na cabeça, uma leitura e uns versos sobre a vida, vou temperando  o tempo com minhas artes de marcenaria (herança do meu velho sábio pai) e algumas “esculturas” trançadas de cipó que aproveito do muro do terreno vazio, por sinal cheio de entulhos, vizinho da minha casa. Assim vou ocupando esse vazio existencial brasileiro, turbinado de ódio e intolerância nas redes sociais (não tenho smartphone). O passatempo resultou em mais de dez peças, entre elas mesas, estantes, bancos, cinco esculturas de cipó ,e a aventura de montar um oratório que, na minha concepção, terminou sendo uma capela-oratório. E olha que nem tenho religião! Assim vou cumprindo o meu dever de passageiro da vida, circulando num trem que ainda não chegou à minha estação de saltar. Do espaço das janelas vou apreciando as paisagens, umas secas, áridas, outras verdes floridas, morros, planaltos e planícies, ora com momentos alegres, tristes e melancólicos. Não faltam as reflexões, e só delas esqueço quando estou fazendo alguma coisa na espera do meu destino. Não sei o que virá depois, e se terá amanhã, mas vou fazendo as minhas artes.

ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS (VII)

Na terra de Gregório, boca do inferno, nos embriagamos de vinho,

E com ele divulgar poemas de protesto pelas vias do Pelourinho,

Em oratório de igrejas, e até em quartos de “loucos” em sanatório;

Do erótico, colamos cartazes em bregas e em porta de cemitério;

Rodamos toda velha Bahia e tomamos mais uma na Praça da Sé,

Onde rola mistura de todas as religiões que vão nas pegadas da fé,

Como no canto profundo de Caetano, Capinam, Gil e de Tom Zé,

Que deram voz e força a todo o nosso povo massacrado do Brasil.

 

Em Salvaboa no trapiche da Gamboa, com a cara da mãe Lisboa,

Fui “Ouro de Tolo” como um besta do interior com o profeta Raul,

Do Seixas de “Sociedade Alternativa”, que me passou suas deixas,

Pra ser um cara libertário e não entrar em conversa mole de otário,

Como ser moleque de Jorge Amado e entrar em “Capitães da Areia”,

Em Dona Flor fui um dos maridos e Tenda dos Milagres um teste;

Rabisquei linhas de Seara Vermelha, Gabriela e Tieta do Agreste;

Me ensinou criar personagens e como sempre faço, dei forte abraço,

No Amado, Mário Cravo, Glauber cinema-poema e artes plásticas,

Deus e o Diabo que transaram na Terra com o Dragão da Maldade.

 

Ah! Não podia deixar de ir até Ipiaú conhecer a reforma agrária,

Implantada pelo humilde escritor comunitário social Euclides Neto,

Com quem bati um papo reto e com ele e outros arrastei A Enxada,

De um retado nas palavras de Prefeito, a Revolução e os Jumentos;

Corri sertão virado para ver Osório Alves em Santa Maria da Vitória,

A quem dei o meu pitaco lendário na história de Porto Calendário,

E em Bahiano Tietê e na Maria Fecha a Porta Prau Boi não te Pegar;

Passei na Lapa, fiz rezadeira e proseei em Caetité com Anísio Teixeira.

 

Na capital com morenas Além do Carmo curti em noites fantásticas,

Depois pedi a benção a mãe Menininha da Federação, lá do Cantoá,

Que em seu terreiro me deu reza e patuás para dançar com os orixás,

E ainda brindei um trago do raro cordel com Cuíca de Santo Amaro.

 

Bahia caraíba-tupinambá de João Ubaldo em “Viva o Povo Brasileiro”;

Com ele comi lagarto, bebi água da bica e uma cachaça em Itaparica,

E fui à grande freira com Milton Santos, o mestre da geografia social,

Que me indicou visitar o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira,

Baiano profundo e conhecedor da Formação do Império Americano,

De Marti a Fidel e de A Casa da Torre de Garcia, indicado ao Nobel,

E de sua biblioteca sai zonzo de tanto conhecimento e pinga com mel.

 





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