A DOR DA FINITUDE
Fotos de Jeremias Macário
Os filósofos e cientistas sempre se debateram e se debruçaram sobre a questão da morte desde quando a vida surgiu na terra há bilhões de anos. Uns apostam que ela, como matéria a partir do átomo, é apenas o final de um ciclo passageiro da vida. Outros, como os pensadores gregos espiritualistas, que ela é a continuação da vida. No espiritismo e no universo iorubá existe a crença da reencarnação. Não importa, ela é dor da finitude, como nesses versos do jornalista e escritor Jeremias Macário. Há quem recomenda não se ter tristeza, mas saudade no peito quando se perde um ente querido. Os mexicanos e outras culturas fazem festas. De qualquer forma, é tudo mistério e confusão, como já expressou Fernando Pessoa.
Dizem que a morte é matreira;
É o líquido eterno da vida finita;
Outro que é o amargo sem sentido,
E que a vida é sombra passageira,
Que traz na lida a dor da finitude,
Com seu baú de coragem e medo,
Nos laços do intrincado segredo.
A finitude pode até curar sua dor;
O sábio manda conhecer a ti mesmo;
Um que nada muda em sua forma;
O outro que tudo vai e se transforma;
Você se depara com o ser ou não ser,
E o poeta na sua escala fora dessa bitola
Não se conforma e se embriaga no amor.
Tudo passa, é mutável e se transforma,
Tudo fica no lugar, e mudança é ilusão,
Nada começa, nada se acaba, nada torna;
A flecha que voa está parada lá no ar;
É tudo finito, infinito, mistério e confusão,
E uns preferem o delírio etílico da festa;
Mergulhar nas ondas que se quebram no mar.












