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:: ‘Notícias’

TRÁFICO NA BALA, PUTEIRO E BORDEL

Gostaria de indagar quem sabe há quantos anos os governantes e as polícias tentam combater o tráfico de drogas na base da bala nos morros do Rio de Janeiro e em outras capitais, mas o crime e a violência só aumentam? Alguém também pode responder o porquê de mesmo assim esse método ainda permanece na pauta deles? Qual a intenção de permanecer no erro, ao invés de realizar um trabalho conjunto de assistência social e educacional que ofereça melhorias de vida para que esse povo saia da miséria?

É o único país do mundo que insiste em gerar violência com mais violência através de armas e tanques em operações que deixam mais de vinte mortes todas as vezes que eles entram nas favelas, como a mais recente no Rio de Janeiro, agora contando com os aplausos do psicopata capitão-presidente, que transformou o Planalto num verdadeiro puteiro de sua história. Combater e questionar essas insanidades não se trata mais de questão política, por que, isso deixou de existir em nosso país.

No Brasil, como na Venezuela, o que temos hoje é um povo de massa, sem nenhuma informação. Não é mais cidadão. A classe média, que possui mais poder de entendimento, simplesmente está se acabando. No lugar está ficando apenas a pobreza alienada dependente do Estado e totalmente controlada pelo narcotráfico, evangélicos fanáticos e as milícias. Isso já está ocorrendo em todos estados brasileiros, inclusive no Nordeste.

Estamos num Brasil falido, e o Congresso Nacional virou um bordel, o qual vive de armadilhas, trocas de aprovações de projetos entre os partidos, rachadinhas, vendas de emendas parlamentares, orçamento secreto, formação de bolão do Fundo Eleitoral, Quadrilhas, leis de emendas da Constituição de interesses deles próprios, bancadas da bala, rural, da Bíblia e outras para roubar, conchavos entre esquerda e direita, dentre outros cem números de mutretas, roubalheiras e corrupções.

Todos eles só querem viver na luxúria e nas orgias, tanto os que pregam o neoliberalismo, as ideias moralistas de família, pátria e tradição, os que dizem temer a Deus, os ditos socialistas, os que defendem o prato de comida na mesa dos brasileiros e o fim das desigualdades sociais.

Todos formam uma só corja de cafetões de bordeis que vivem às custas dos trabalhadores que, por mera ignorância e ilusão, entram no jogo deles. Todos os dias, cada um passa na Casa da Luz Vermelha, Verde e Amarela para pegar o seu michê do dia, que não é pouca coisa. O Bozó gastou 28 milhões de reais no cartão corporativo e colocou tudo no sigilo por 100 anos. Estão nos tirando o resto que existe da educação e da saúde. O SUS virou uma legião de vivos-mortos.

Criaram uma guerra cultural e política para que uns fiquem contra os outros, enquanto os safados aproveitadores tiram proveito das rivalidades, tal como Portugal, Inglaterra, Holanda e outros países europeus faziam com as etnias e reinos africanos nos séculos passados, principalmente no XVIII, com a finalidade de obter mais prisioneiros cativos para encher seus navios negreiros nos porões assassinos.

Eles estão nos rifando, nos levando a leilões e, inconscientemente, nem percebemos. Como na escravidão, estamos sendo vendidos no mercado como animais e, cada um, passa a pertencer ao seu patrão, que mal nos dão a ração do dia com uma chibata em punho. Nesse sistema, em cada um foi introduzido um chip onde todos são monitorados por câmaras.

 

“FIADO SÓ AMANHÔ

Colaboração do meu amigo e companheiro jornalista de longas jornadas Chico Ribeiro Neto

Curto e grosso, esse é o melhor cartaz sobre fiado que conheço e que ainda hoje figura nas paredes e balcões de muitos bares e lojas. Não há mensagem mais direta nem mais esperta: “Fiado só amanhã”.

Há muitas formas de se enfrentar o fiado. Muitas vezes não adianta simplesmente dizer Não, tem que pendurar alguma mensagem pra ver se desencoraja o cara. Gosto muito de um antigo cartaz onde havia dois comerciantes. Um dizia “Eu vendi a dinheiro” e era gordo, com charuto na boca, todo feliz, a porta do cofre estufada de tanto dinheiro. Ao lado dele um cara esquálido, prateleiras vazias, ratos passeando pelo cofre que estava vazio, e a frase: “Eu vendi fiado”.

Emprestar dinheiro também é igual a vender fiado. No interior havia um ditado para dizer de alguém que emprestou dinheiro a um cara que é mau pagador: “Amarrou o dinheiro no cabo do veado”. Como o veado é muito veloz, ele não vai recuperar esse dinheiro nunca.

Existe a tática do pequeno empréstimo. Havia um repórter numa Redação de um jornal local de Salvador que sempre pedia dez reais emprestados a algum colega. Nunca era mais, sempre dez. Como a Redação tinha umas 60 pessoas, quando ele voltava ao primeiro o cara já tinha esquecido. Nesse rodízio do fiado ele sempre se dava bem. Além do mais, quem é que vai cobrar dez reais de um colega? Acaba mesmo esquecendo.

E tem gente que sabe pedir dinheiro emprestado. Não precisa contar história de que a sogra morreu, o carro quebrou ou precisa completar o dinheiro pra comprar um remédio. Ele puxa uma conversa bem amena com você e no meio da prosa dá a facada com a naturalidade de quem pergunta as horas: “Me empreste dez reais aí”. Difícil negar.

Ainda há bares onde existe o “prego”, um pequeno vergalhão ponteagudo, fixado numa base de metal, onde se enfiam os “vales” depois de assinados pelos consumidores. Quando o cara paga, o dono do bar vai lá, arranca o vale do prego e dá para o cliente devedor rasgar. Muitos se recusam a aceitar o valor do vale (“não foram oito cervejas, foram somente cinco”), mas é por isso que o dono pede pro consumidor assinar o vale, para não haver dúvida. No dia seguinte o cara sempre acha que bebeu menos.

Existe uma boa história do “prego”, contada pelo cronista e boêmio José Carlos Oliveira (1934-1986), Carlinhos Oliveira, “o mais ecumênico dos ateus”, como ele se definia. Ele estava num famoso bar do Rio de Janeiro, já era madrugada, quando chegaram cinco assaltantes. Carlinhos, que estava perto do balcão, quatro amigos e o português dono do bar foram rendidos por quatro bandidos enquanto outro raspava o caixa. De repente Carlinhos, mãos ao alto, disse para o bandido que o rendia: “O prego”. O cara entendeu, deu um sorriso cúmplice, foi até o prego, arrancou todos os vales e os colocou no bolso, para desespero do português, que xingava Carlinhos entredentes – “filho da puta” – pois tinha uma certeza: o cronista fazia aquilo por interesse próprio.

Outro cartaz interessante sobre o fiado diz assim:

“Nota de falecimento: Faleceu neste estabelecimento o Dr. FIADO, deixando a viúva – DONA CONTA – e seus três filhos: CALOTE, PENDURADO e DEPOIS EU PAGO. A família pede que não mandem FLORES, mandem dinheiro. O FIADO é muito PROCURADO, mas aqui não será ENCONTRADO”.

Outros cartazes sobre fiado:

“Fiado é igual a barba; se não cortar, só cresce”.

“O fiado é assim: eu vendo, você acha bom! Eu cobro, você acha ruim!”

“A gente só vende fiado para a Rainha da Inglaterra”.

“Fiado: só para maior de 99 anos acompanhado dos avós”.

“Fiado, nem a cunhado”.

“Fiado, nem água”.”

“Quem dá fiado, dá dado”.

“Porco fiado, todo o ano grunhe”.

Um dos cartazes admiráveis sobre fiado é este:

“CAMPANHA FIADO NÃO:

Não vendo FIADO pra ajudar você a ficar bem… Percebi que quando vendo fiado nos dias de pagar adoece alguém, um parente morre, quebra o carro, o beneficio é cortado, o salário atrasa, água e luz tá cortada. Então, pra não acontecer esse tipo de coisa não venderei fiado, porque não quero prejudicar você, já que toda vez que vendo acontecem várias tragédias. Portanto, pra evitar eu destruir sua vida, fiado não!”

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

TUDO É COM DEUS, OU A CULPA É DELE

Ao ler dois textos poéticos da minha autoria intitulados “Bruxa da Inquisição” e “Preciso Respirar”!, que falo da falta de apoio ao artista, hoje visto como demônio comunista, e sobre a natureza, meu amigo parceiro letrista Edilson Barros, lá de Fortaleza, da boa Ceará dos grandes talentos, me chamou de cruel. Simplesmente respondi que cruel é o homem com sua destruição que bota a culpa em Deus.

Ele riu, e disse ser verdade. Pois é, tudo que acontece hoje de anormalidade no clima, como a onda de frio fora do tempo no sul do país, seguida de ciclones de fortes ventos, foi Deus quem determinou, como se Ele fosse culpado de tudo. Quando as águas dos rios Madeira e o do Negro sobem no Amazonas, ou no Acre, e invadem as casas, o homem simples olha pesaroso e repete o mesmo.

Tem aquela história do “Deus que assim quis” para tudo que acontece de bom e ruim. Se chove demais, foi o Supremo Divino quem ordenou. Se bate a seca e o sertanejo dela foge em retirada, foi castigo de Deus. Na realidade, usam o nome Dele em tudo para esconder o conformismo e se eximir como vilão predador do meio ambiente.

Nem Freud e Lacan explicam essa psicologia do tudo pôr a culpa em Deus, e dizer que foi Ele quem quis, até quando se tem dez filhos em plena miséria humana. Não foi o Criador que lhe deixou na ignorância e sem educação, impedindo-o de prosperar na vida. Sem essa de que “a voz do povo, é a voz de Deus”, e ainda de que “Ele é brasileiro”. Seria muita maldade da Sua parte nos deixar nessa situação a qual vivemos hoje, com um maluco odioso, racista e homofóbico no governo, que manda “passar a boiada” para derrubar a Amazônia.

Em cada jogo de futebol que acontece nos campeonatos, Deus sempre está torcendo para algum time, e justamente para aquele que vence. “Ganhamos, graças a Deus”. “Fiz um gol, graças a Deus”. Até o pistoleiro faz a sua oração antes de partir para matar o seu “próximo” a mando do patrão do crime. Existe também a “guerra santa” dos islâmicos que explodem bombas contra outros em nome de Alá.

É comum a pessoa afirmar que Deus o salvou quando sobrevive a um desastre natural ou num trágico acidente. Quer dizer que Deus não estava ao lado dos outros porque eram infiéis? Até num jogo de baralho, dama, dominó ou nas lotéricas da Caixa Federal usa-se o nome em vão de Deus. Quando se pratica o mal, também, tanto que o cara se saia bem. É que Deus estava ao seu lado.

Esse Deus passa as 24 horas se “virando nos trinta”, inclusive para gente que não presta, não vale nada, como é o caso do capitão-presidente. Ele mesmo já disse certa vez ser o enviado de Deus. Será que esse Deus é tão ruim assim que escolheu ele para fazer maldades? Em nome de Deus, os pastores das igrejas evangélicas foram lá ao Ministério da Educação rezar e cobrar propinas dos prefeitos.

Para os fanáticos fundamentalistas, a pandemia da Covid-19 que ceifou milhões de vida no mundo foi obra de Deus para repreender a rebeldia e os malfeitos da humanidade. Por falar em pandemia, a mídia agora está dizendo que o analfabetismo dos estudantes é culpa dela. A educação no Brasil sempre foi uma das mais deficitárias no mundo, mas isso já é outro assunto.

CONQUISTA NÃO É PORTAL DA CHAPADA

Tem um movimento aí de empresários que querem transformar Vitória da Conquista em Portal da Chapada. Esse grupo deveria lutar junto ao poder público e toda sociedade para que Conquista se torne numa cidade turística de verdade, pois possui todo potencial para tanto, dependendo tão somente de um planejamento entrelaçado entre todos os segmentos.

Em minha opinião, Portal da Chapada nessa região mais próxima, é Ituaçu, Contendas do Sincorá, Dom Basílio e Nossa Senhora do Livramento, ali bem ao lado de Rio de Contas. Trazer turistas de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo ou Rio de Janeiro só serve aos interesses do setor hoteleiro e das agências de viagens. Aqui é o Planalto da Conquista.

Por enquanto, o visitante que vier para aqui de avião não tem praticamente nada para se ver em Conquista, não passando de simples passageiro de pernoite, do tipo bate e volta. A agência de viagem leva ele para a Chapada e no retorno pega seu voo e vai embora. Conquista hoje só tem um monte de bares e restaurantes que oferecem músicas ao vivo (nem todos) onde isso existe em todos lugares.

Para começar e dar vida à cidade, precisamos instituir uma política pública cultural, com atividades definidas durante todo ano, não somente as festas de São João e Natal. Infelizmente, não temos uma feira literária, um festival de música (não falo desse da TV Bahia), um salão de artes plásticas, uma semana do teatro e da dança, uma jornada de cinema e audiovisual, entre outras festas culturais.

Para movimentar todo ano com apresentações variadas, Conquista conta com bons equipamentos, como o Teatro Carlos Jheová, o antigo Cine Madrigal, Casa Glauber Rocha, adquirida pela Prefeitura Municipal, os museus Regional, Padre Palmeira, de Kard, Cajaíba, localizado na Serra do Periperi, o monumento do Cristo de Mário Cravo, o Espaço Glauber Rocha e o Memorial Regis Pacheco, só que são subutilizados, e muitos estão desativados. O Museu de Kard, o maior a céu aberto do Norte e Nordeste, já constitui numa grande apresentação lá fora.

Numa ação conjunta, num sistema de parceria público privada, esses pontos carecem de reformas e instalações adequadas parta que funcionem, cada um exercendo a sua função, com total incentivo e apoio aos artistas para que desenvolvam suas expressões e suas linguagens. Temos grandes talentos, só que estão adormecidos.

A área do Cristo deveria ser estruturada com um estacionamento, um restaurante e lojas de artesanato e comidas típicas. Como no Rio de Janeiro (claro que não necessita dos mesmos equipamentos), um bonde elétrico faria a ligação entre o centro da cidade e o topo da Serra, inclusive até certo horário da noite, sem falar da vista do pôr-do-sol. Tudo isso com total segurança das polícias e da guarda municipal. É um projeto arrojado, mas realizável através de parcerias e decisão política.

Ainda como parte desse pacote turístico, os museus teriam que abrir suas portas nos finais de semana, como acontece em outras partes do mundo. Conquista ainda deveria ter uma praça dos artistas, com bares oferecendo saraus, músicas ao vivo, comidas de botecos (concursos), lojinhas de biscoitos, artesanatos, livros de autores regionais e outros objetos da terra.

Depois de toda essa estrutura de opções montada e organizada, os poderes público e privado entrariam com a divulgação massiva nos meios de comunicação para atrair e convencer os turistas de passagem a ficarem mais tempo aqui. Todos ganhariam com isso, desde o artista aos empresários, comercial, de serviço e o industrial.

Como passeios ecológicos ainda poderiam ser criadas trilhas no Maçal, pela Serra do Periperi, visitas à Barragem de Anagé, fazendas de café e outros caminhos com guias treinados. Teríamos ainda roteiros programados aos terreiros de candomblé. Enfim, todos tirariam proveito, e Conquista passaria a ser conhecida como uma cidade turística, e não como Portal da Chapada.

 

A CORRUPÇÃO VEM DOS TEMPOS COLONIAIS

Desde quando o Brasil passou a ser colonizado por Portugal, uma das marcas registradas em todos setores, inclusive durante os 350 anos do tráfico negreiro, foi a corrupção. A Coroa Portuguesa, que se esbaldou com as nossas riquezas, principalmente levando nosso ouro e diamante, era sempre passada para trás pelos seus enviados governadores e vice-reis que aqui chegavam com a missão de acabar com a roubalheira.

O jornalista e escritor Laurentino Gomes e visitantes estrangeiros retratam muito bem esse quadro ao longo de seus três livros intitulados “Escravidão”. Essa corrupção nasceu de cima para baixo e foi se espalhando por todas as camadas da sociedade, dos mais ricos aos mais pobres que sempre tiveram o intuito de tirar proveito em tudo. Ela passou a ser institucionalizada e até os mandatários ensinavam as técnicas do roubar para se dar bem.

Em diversos trechos de suas obras, Laurentino destaca depoimentos de visitantes que passavam pelo Brasil, sobretudo pelas atuais capitais do Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Essas observações mostram uma colônia isolada, como nos tempos atuais, atrasada e sem educação… dominada pela escravidão, que não se acabou.

“A maioria da população era pobre, analfabeta e carente de tudo. Foi o que registrou a inglesa Jemima Kindersley, em agosto de 1764, ao fazer uma escala em Salvador a caminho da Índia”. Entre outras coisas, ela diz que aquele povo lia pouquíssimos livros, “pois o conhecimento não está no rol de suas preocupações. É política assente do governo manter o povo na ignorância, já que isso o faz aceitar com mais docilidade as arbitrariedades do poder”.

Nada mudou, e tudo continua como antes, há mais de 300 anos. O filme é o mesmo. Tudo isso pode ser dito e repetido nos tempos atuais, talvez com mais ênfase. Vejamos o que fala o próprio autor dos livros sobre essa situação descrita por gente de fora: “Injusto, desumano e violento, o sistema escravista português e brasileiro era corrupto e corrompido dos alicerces até o topo da pirâmide. Seu funcionamento dependia do suborno, extorsão, malversação dos recursos públicos, contrabando, sonegação de impostos, clientelismo e nepotismo, entre outras contravenções”.

Autora de um importante estudo sobre o tema, segundo o jornalista, a historiadora Adriana Romeiro, doutora pela Universidade Estadual de Campinas e professora da Universidade Federal de Minas Gerais, assinalou “que durante o período colonial brasileiro, enriquecer no exercício de um cargo público não constituía, por si só, em delito. Ao contrário, esperava-se que os funcionários reais aproveitassem as oportunidades para acumular fortunas que pudessem engrandecer suas casas e redes de clientelas e parentelas”.

Nesse contexto, ela cita a frase pronunciada pelo rei dom João V, em 1495, ao se despedir do capitão-mor Lopes Soares de Albergaria, recém nomeado governador da Fortaleza de São Jorge da Mina, entreposto de tráfico de escravos na costa da África: “Eu vos mando à Mina, não sejais tão néscio (tolo) que venhais de lá pobre”. Sem maiores comentários em relação aos nossos tempos.

A IMPRENSA BRASILEIRA PRECISA DE UMA GRANDE REFORMA AGRÁRIA

Na semana passada estava aqui em meu “Espaço Cultural A Estrada” escarafunchando meus alfarrábios e encontrei uma entrevista que concedi, em 2007, ao informativo “O Piquete Bancário”, do Sindicato Regional dos Bancários, em que tratava da democratização dos veículos de comunicação, intitulada “A Imprensa Brasileira Precisa de uma Grande Reforma Agrária”.

Infelizmente, esse assunto foi esquecido, talvez por causa do advento da internet onde a mídia virou virtual, mas o problema continua o mesmo, isto é, a sociedade é dominada e manipulada pelas grandes emissoras de televisão e jornais do sul (São Paulo e Rio de Janeiro), que ainda conseguiram sobreviver à onda tecnológica da computação.

A matéria, tipo pig-pong, de perguntas e respostas, diz na abertura que “tornam-se mais fortes os gritos de comunicadores, intelectuais, estudantes, entidades e movimentos sociais acerca da democratização da comunicação. São ativistas que buscam a caracterização de uma mídia onde estejam representadas a pluralidade e a diversidade de opiniões e interesses existentes na sociedade”.

No sub-lide, destaca a entrevista que “no Brasil, menos de dez famílias controlam a mídia escrita, falada e televisada (não mudou muito de lá para cá), caracterizando um verdadeiro latifúndio midiático. Sobre a democratização da comunicação, “O Piquete Bancário” conversou com o jornalista Jeremias Macário, autor do livro “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste”, e que tem contribuído com a discussão em nível de Bahia”.

Na indagação, por que se tornou tão relevante a discussão sobre o tema, o entrevistado assinala que o sistema de comunicação do Brasil é um dos mais verticalizados do mundo. Segundo ele, a imprensa brasileira tornou-se um latifúndio e, como no campo, precisa de uma reforma agrária. Cita que em 2006, Lula incluiu em seu programa de governo um projeto de democratização da comunicação. Na verdade, tudo ficou no campo das intenções.

Perguntado qual o modelo ideal, respondeu que estimulando e prestigiando a imprensa alternativa, como a do interior, mas sempre foi excluída. Não basta somente implantar Tvs públicas. Financiar pequenas empresas comunitárias corre-se o perigo das mesmas ficarem reféns dos governantes.

Como, então, estimular? Uma das formas seria elaborar um programa que inclua a comunidade no núcleo da informação, beneficiando as empresas na política de democratização. Na época, o Governo Wagner criou um núcleo de trabalho de políticas públicas de comunicação social através da promoção da Conferência Estadual de Comunicação Social, que não deu em nada. Sugeri a instalação de um fórum comunitário de comunicação, pois a informação é um direito de todos.

Por fim, digo que a democratização da mídia fortalece a democracia. Ainda temos uma democracia que engatinha (ainda está pior que isso), com a permanência de políticos da época do coronelismo (nada mudou). Poucos representam o povo. A maioria age em prol de seus interesses e das elites. Para atualizar, diria que ainda hoje poucos têm acesso à informática e, como consequência, são desprovidos de consciência crítica. Nesse caso, temos que ampliar o debate para a questão da pobreza na educação.

 

ESTÁ NO SISTEMA… ESTÁ NO SISTEMA…

O cotidiano nos oferece muitas matérias-primas para escrever nossas crônicas da vida. Tudo hoje, meu amigo do outro mundo, gira em torno do sistema, e não adianta protestar. Se ele sai do ar, é aquele estresse geral, uma reprovação de ira e revolta porque o tempo não para, e seu problema não é solucionado. A tecnologia do aplicativo do passo a passo quase sempre não funciona no Brasil. E você vai para a fila do presencial, levando sol e chuva.

Os funcionários burocráticos, técnicos do virtual se tornaram escravos do sistema, e não adianta apelar para sua razão humana, só vale o que está ali. O seu dia a dia vira um inferno, e você tem que ter nervos de aço, senão seu espírito vai para o espaço. O sistema diz que seus dias estão contados, e lá está escrito seu prazo de validade. As câmaras lhe vigiam dia e noite. Nada de reagir e se indignar. Ele é o ditador da sua vida.

É o sistema, meu amigo, e não adianta espernear. Na semana passada, por exemplo, fui garroteado pelo sistema, e por uma cara irredutível que o segue fielmente como se fosse seu Deus Supremo, como no caso de Abraão que foi mandado sacrificar seu filho. Só uma voz do além do todo Poderoso o impediu de derramar o sangue do menino Isaac no altar.

Para não pagar mais caro, fiz outro contrato na Vivo, transferindo meu nome para o da minha esposa, uma saída para não aumentar a prestação, conforme explicou o atendente. Tudo andou nos conformes, mas o operador do tal sistema não deu baixa do meu nome.

O tempo se passou, crente de que tudo funcionou normalmente. Continuamos pagando tudo certo, todos os meses, como manda o figurino do todo mês você é freguês. Lego engano! Foi só eu solicitar uma portabilidade do meu celular da Oi para a Vivo que lá apareceu que não podia fazer porque estava devendo três parcelas. Foi um susto, e me senti constrangido perante outras pessoas no balcão de atendimento.

A solução estava nos comprovantes de pagamento e lá atestavam, como dois e dois são quatro, que tudo estava quitado, mas em nome da minha esposa. Tudo bem, pensei comigo, o que importa é que nada devemos. Não interessa se foi João, José ou Mané. O que conta é que tudo comprova quites. Assim é o raciocínio lógico do mercado, não?

Qual nada, meu amigo! Levei os comprovantes e expliquei como tudo ocorreu, tintim por tintim, nos mínimos detalhes, como dizia aquele cara chato do programa humorístico da “Praça é Nossa”. Gosto de explicar nos mínimos detalhes!

Do outro lado, com cara sisuda de quem não está ali por vontade ou satisfação do seu serviço que faz de receber com humor e gentileza os clientes (isso hoje é coisa cada vez mais rara.), o moço abriu o tal sistema e lá constava e registrava, impiedosamente, que estava devendo.

Entrei com meu argumento, que tudo bem, mas os recibos provavam que as três mensalidades estavam pagas, nada a dever, não importando o nome de quem fez a quitação. Nada adiantou gastar meus neurônios para convencê-lo que foi o colega dele que não deu baixa. Nada tinha a ver com isso. Não se tratava da minha culpa.

Indaguei a ele se era justo pagar tudo novamente para a empresa operadora. Nada adiantou minha pergunta, porque ele só repetia que estava no sistema e assim tinha que ser, sem apresentar, ao menos, uma forma de solução. Só respondia enfático: Está no sistema, está no sistema, está no sistema.  É o sistema, meu amigo!

Um funcionário interveio e se dispôs a resolver a questão, mas, até o momento, quem manda mesmo é o sistema, o senhor que nos conduz, nos molda, que funciona como bitola de trem e diz o que você é obrigado ou não a fazer, e ai de que não o obedece cegamente, porque você cai na rede dele e está preso condenado à morte.

A FELICIDADE NO TRABALHO

Quantos no Brasil de hoje, principalmente depois da reforma escravagista do Temer, o mordomo de drácula, se sentem felizes no trabalho que faz? Nesta semana estava ouvindo uma reportagem na TV sobre ter felicidade no emprego, como se isso fosse possível num sistema capitalista selvagem que só faz explorar e sugar o trabalhador o quanto pode.

Na teoria é muito fácil esses palestrantes burocráticos falarem em realização no trabalho, quando o indivíduo passa todo tempo na empresa sendo pressionado para cumprir as tais metas, sob o risco de perder o emprego. Como se diz no popular, ser mandado para o olho da rua. Muitos nem dormem direito, pensando no que será o dia do amanhã.

O operário braçal da construção civil, o metalúrgico numa fornalha de uma siderúrgica, o encanador ou mesmo o limpador de rua estão felizes em suas funções? Acredito que estão mais por necessidade porque não tiveram instrução para galgar melhores cargos no mercado.

Esse negócio de felicidade é coisa passageira, e até serviu de mote para Marx fazer sua revolução da luta de classe no século XIX após o advento da Revolução Industrial na Inglaterra. Foi a partir dali que o trabalhador descobriu sua infelicidade nas minas de carvão ou nos teares têxteis.

A máquina trouxe progresso e, em seu pacote desumano, a infelicidade de ter que trabalhar o tempo todo só para sobreviver, sem ser reconhecido como ser humano. O trabalhador nesse bruto sistema, só serve enquanto presta. Para aliviar suas tensões, ele se chafurda no consumismo, o qual lhe passa momentos ilusórios de sensação de felicidade.

No nosso país atual, de tanta exploração do homem e da mulher, a felicidade no trabalho atua como se fosse uma droga que se toma todos os dias, mas vira depressão quando se cai na velhice ou perde seu prazo de validade.

Nem os espertos malfeitores, ladrões e corruptos conseguem alcançar essa tão almejada felicidade, porque ela não está apenas no dinheiro, mas na satisfação espiritual, que nunca é plena. Portanto, falar em felicidade no trabalho nessa era tão conturbada, é coisa complicada.

O ESTADO MÍNIMO E A INFORMALIDADE

Diz lá o entrevistado de uma emissora de televisão, com ar de sabichão e profeta dos tempos, que a tendência geral dos países é a de que todos trabalhadores vão passar a atuar na informalidade, principalmente a partir da evolução tecnológica da internet, nessa nova era da revolução da informática.

Confesso que tudo isso soa para mim como um mundo desumano de um Estado mínimo, e não me sinto mais pertencente a ele. Sou como um peixe fora do aquário. O outro entregador por aplicativo revela que tira R$1.5000,00, um pouco maior quando trabalhava com carteira assinada, e que prefere sua nova atividade, mesmo sem o amparo das leis.

Fiquei a imaginar comigo como será esse jovem daqui a uns 30 ou 40 anos, sem uma aposentadoria certa e os benefícios trabalhistas. De um modo geral, nesse desgoverno desastrado, as pessoas não querem mais estudar, se especializar em alguma profissão e adquirir conhecimento.

Esse jovem não vai passar, quando estiver com 50 ou 60 anos, de um simples entregar por aplicativo, transportando encomendas ou comidas para seus patrões (o dono do negócio e o que recebe o pedido), ou estará noutro ramo do mesmo nível. Ele não é mais que um simples número.

Segundo as estatísticas, mais de 40% dos trabalhadores brasileiros estão na informalidade e, desse contingente, quase dois milhões são de entregadores que passam o dia arriscando suas vidas no trânsito do asfalto assassino. Quando sofrem um acidente grave, são levados diretamente para o SUS e, se forem acometidos de alguma deficiência física, vão receber uma migalha desse Estado mínimo, ou anos para conseguir uma pensão mixuruca.

Em outros países desenvolvidos, esses operários, mesmo na info9rmnalidade, são protegidos por leis estatais, não aqui no Brasil ignorante e selvagem onde fizeram uma reforma escravagista que coloca o ser humano como um lixo que não serve nem para ser reciclado.

É esse Estado mínimo dragão, pior que neoliberal em que vivemos, onde o brasileiro está sendo incentivado a não mais fazer uma faculdade ou universidade. Não posso dizer que me sinto animado e cheio de boas expectativas futuras, senão estaria traindo a mim mesmo ou sendo um hipócrita para agradar a maioria que pensa o contrário.

 

A PROVAÇÃO DA VACINAÇÃO

Carlos González – jornalista

Educação e saúde são os pilares de qualquer administrador público, ao assumir o compromisso de zelar pelo bem-estar do seu povo. Com raras exceções, nossos governantes, do presidente da República ao prefeito de cidadezinhas escondidas nos lugares mais remotos deste imenso país, estão mais interessados no “venha a nós, ao vosso reino nada”. Vitória da Conquista, infelizmente, não foge à regra. No momento, vamos abordar a assistência médico-hospitalar que é oferecida aos conquistenses; o ensino escolar fica para depois.

Acompanhamos um idoso, com mais de 80 anos, ao posto de saúde batizado de Panorama, no Alto Maron, um dos quatro em todo o município onde está sendo aplicada a vacina contra a influenza. Essas unidades estão instaladas em bairros da periferia, a quilômetros de distância do Centro, da zona rural e de áreas populosas como Recreio e Candeias.

Depois de percorrer ruas e becos esburacados, com dezenas de quebra-molas, odiados pelos motoristas, adorados pelos donos de oficinas mecânicas e objeto dos requerimentos dos vereadores à prefeitura, chegamos ao posto, instalado numa ampla área, mas com suas dependências internas necessitando de reformas urgentes.

As horas se passavam e os pacientes (definição dupla) resignados observavam que somente estavam sendo chamadas gestantes e crianças, estas em busca de cobertura vacinal contra o sarampo. “Idoso não tem garantia de prioridade”, resposta de uma funcionária a um questionamento que fiz. Conclusão: meu acompanhante não foi imunizado.

Aluna aplicada

Aluna atenta das aulas de política de saúde ministradas por seu antecessor, Sheila Lemos vem dando continuidade aos métodos antipedagógicos de Herzem Gusmão (1948-2021), sob a fiscalização de alinhados herzistas, abrigados no seu gabinete (alguns deles levam os sobrenomes Lemos e Gusmão) e na Câmara de Vereadores. Herzem, nos seus quatro anos como gestor público, absorveu o obscurantismo que reprime a ciência, aplicado pelo seu mestre, o inseguro presidente Jair Bolsonaro.

Com olhos e pensamento voltados para a reeleição, a exemplo do capitão-presidente, Herzem não adotou medidas concretas para combater o coronavírus e nem para minorar o sofrimento do povo pobre que chega na madrugada e passa horas nas filas dos postos de saúde, em busca de tratamento, exames e cirurgias.

A cura para a Covid-19, acreditava o alcaide, estava nos medicamentos comprovadamente ineficazes, receitados pelo “novo Messias” de Brasília, que procurou sabotar as campanhas de vacinação e a adoção de medidas de proteção para a população. “E daí? Eu não sou coveiro!”, reagiu o ex-capitão ao número crescente de mortes, que hoje chegam a quase 700 mil, inferiores somente aos Estados Unidos. Em Conquista, Herzem alimentava um conflito injustificável com o governador Rui Costa, o verdadeiro responsável pelo envio dos primeiros lotes de vacinas para o município.

Prometendo priorizar a ciência (não se falou mais em cloroquina), Sheila Lemos assumiu a prefeitura em março de 2021, na fase mais viva da pandemia, quando a maioria dos municípios brasileiros já estava numa etapa mais adiantada da campanha de vacinação. Bolsonarista não declarada, a gestora deixou de cumprir decretos estaduais, cujo objetivo era de evitar maior disseminação do vírus, incorrendo no artigo 286 do Código Penal. As diretrizes de seu governo sempre colocaram em primeiro plano a sucessão estadual de outubro próximo e a sua própria, em 2024.

Uso da máscara

No mês passado, Sheila Lemos tirou a máscara, gesto acompanhado por uma grande parcela da população local, no momento em que o município registra 691 óbitos (uma das maiores taxas de letalidade do Estado) e 70 pessoas em recuperação ou sob suspeita de contaminação. Os que persistem em usar a máscara se queixam de que têm sido alvos de zombaria.

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) acaba de emitir   um comunicado, alertando para o risco de uma nova onda da Covid-19, com base na ocorrência da doença nos Estados Unidos, Reino Unido, França e leste da Ásia, atribuída pelos especialistas à flexibilização das medidas restritivas, principalmente à liberação das máscaras.

O aparecimento da variante Ômicron BA2 transferiu para 2023 a realização dos Jogos Olímpicos Asiáticos, previstos para setembro deste ano, na China. Notamos que houve um arrefecimento da imprensa na cobertura da doença no mundo.

 

 

 

 





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