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O POVO ADORA SER ENGANADO
A Black Friday diz que o frete é grátis e que o produto é dividido em 24 meses sem juros. A carneirada entra na onda do supérfluo, cai dentro e compra sem precisar. Diz que é tudo uma maravilha nos preços. A Justiça Eleitoral faz a propaganda de que seu voto vai tudo mudar. O político fala do tudo pelo social, com a promessa de dias melhores.
A impressão que se tem é que o povo brasileiro adora mesmo é ser enganado e acredita em fake news, que a terra é plana, que o cara foi eleito por Deus. Isso só pode ser masoquismo. Como diz a canção, tudo muda para ficar em seu lugar. As propagandas na mídia estão cheias de enganação. O sistema é assim, constituído para encher a pança dos mais ricos na acumulação de bens.
Há séculos que o povo brasileiro é enganado, e basta chegar a época das eleições para começarem as enxurradas de mentiras. A lista de enganação é extensa porque a nossa população, a maioria inculta e iletrada, é uma presa fácil. Você acredita que todos são iguais neste Brasil? Que não existe racismo, e que somos todos solidários? Que a flexibilização segue os protocolos, quando a fiscalização é deficitária?
Quando arquitetaram a reforma trabalhista, os patrões do capital disseram que ela iria abrir mais vagas no mercado. O desemprego aumentou; acabou a negociação salarial; o rendimento do trabalhador caiu; a informalidade subiu e a reforma se transformou numa escravidão moderna onde o funcionário, chamado de colaborador (outra enganação), é explorado sem piedade.
Os termos mudam para se dizer que está havendo uma evolução. Tiraram o subdesenvolvido e colocaram o emergente que se afundou. A Secretaria de Transportes é agora de Mobilidade. Mas tudo continua ainda pior. A palavra mais em moda nos tempos atuais é resiliência, mas como ter se não lhe é dada a oportunidade para vencer, quando se joga a meritocracia no lixo.
Somos enganados em tudo. É como uma embalagem bonita, colorida e chamativa num produto sem conteúdo. Tudo porque deixamos nos iludir pela emoção do momento, e caímos no conto do vigário. Somos vítimas do estelionato e da falsidade ideológica em todos setores, a começar pela política. O preto pode se tornar branco, e o vermelho em verde.
Tudo que acontece de mal e ruim colocamos Deus no meio para resolver as pendengas. O homem predador destrói o planeta, e o fanático diz que é Deus que assim quis. O fiel acredita em tudo que o pastor fala, até que o caroço de um feijão cura a Covid. Tem uma outra canção que diz que é preciso morrer para poder viver.
E assim continuamos vivos-mortos, sendo o tempo todo enganados pelos mais astutos e mentirosos. Não passamos de uma manada conduzida pelo boiadeiro para o matadouro. Somos todos os dias enganados por esse emaranhado de leis, cheias de brechas que só servem para a elite. Está aí o consumismo desvairado e irracional que cada vez mais detona o nosso meio-ambiente.
Você acredita nessas reuniões do clima entre o capitalismo, que promete reduzir o metano e o dióxido de carbono no ar, mas com suas metas de cada vez mais aumentar o Produto Interno Bruto do seu país? Só uma coisa é certa, que a destruição do planeta não tem volta.
OPERAÇÃO VINDICTA: PMS SÃO ACUSADOS DE EXTORQUIR 200 MIL DE FAMÍLIA DE CIGANOS
Por Anderson Ramos e Gabriel Lopes
Os policiais militares que foram presos na manhã nesta sexta-feira (26) (leia mais aqui), em Seabra e Serrinha, durante a Operação Vindicta, são acusados de extorquir R$ 200 mil de uma família de ciganos. A informação é da Polícia Civil.
Conforme a polícia, dos quatro mandados de prisão, apenas dois foram cumpridos. Os outros dois PMs que não foram encontrados são de Salvador e estão lotados em Paripe, ainda de acordo com as informações.
No início da manhã, o Coordenador de Repressão a Extorsão Mediante Sequestro, delegado Adailton Adan, afirmou que os policiais “fazem parte de uma quadrilha envolvida em extorsão mediante sequestro que atua em Salvador e Interior do estado”.
A quadrilha extorquiu a quantia de R$ 200 mil de uma das vítimas e a mantinha em um cativeiro. A Polícia Civil informou, ainda, que o sequestro ocorreu no dia 22 de agosto e a vítima foi libertada no dia seguinte.
A operação foi deflagrada pela Coordenação de Repressão a Extorsão Mediante Sequestro do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), 13ª Coordenadoria Regional de Polícia de Interior (Coorpin/Seabra), a Coordenação de Operações Especiais da Polícia Civil (COE) e a Corregedoria da Polícia Militar (relembre aqui).
MINHAS ARTES!
Entre um texto político, social ou qualquer assunto que vier na cabeça, uma leitura e uns versos sobre a vida, vou temperando o tempo com minhas artes de marcenaria (herança do meu velho sábio pai) e algumas “esculturas” trançadas de cipó que aproveito do muro do terreno vazio, por sinal cheio de entulhos, vizinho da minha casa. Assim vou ocupando esse vazio existencial brasileiro, turbinado de ódio e intolerância nas redes sociais (não tenho smartphone). O passatempo resultou em mais de dez peças, entre elas mesas, estantes, bancos, cinco esculturas de cipó ,e a aventura de montar um oratório que, na minha concepção, terminou sendo uma capela-oratório. E olha que nem tenho religião! Assim vou cumprindo o meu dever de passageiro da vida, circulando num trem que ainda não chegou à minha estação de saltar. Do espaço das janelas vou apreciando as paisagens, umas secas, áridas, outras verdes floridas, morros, planaltos e planícies, ora com momentos alegres, tristes e melancólicos. Não faltam as reflexões, e só delas esqueço quando estou fazendo alguma coisa na espera do meu destino. Não sei o que virá depois, e se terá amanhã, mas vou fazendo as minhas artes.
GRUPOS AFROS REIVINDICAM MAIS DIREITOS EM SESSÃO ESPECIAL DA CÂMARA
A chamada “suíça baiana” ainda deixa muito a desejar e está longe de reconhecer, como deveria, a importância identitária da cultura e da religiosidade negra exercida no município de Vitória da Conquista que abriga dezenas de territórios quilombolas, terreiros de candomblé, entidades de capoeira e outras comunidades que expressam suas linguagens artísticas em diversas áreas.
Esta realidade foi ontem (dia 24/11) estampada nas vozes de representantes da etnia negra praticante, principalmente, do candomblé durante a realização da sessão especial da Câmara de Vereadores, que homenageou a Semana da Consciência Negra, com a entrega do prêmio Zumbi dos Palmares e apresentações de cânticos religiosos em louvor à capoeira (Esqueleto) e às crenças afro-brasileiras.
Nesses 500 anos de presença africana no Brasil, as comunidades afrodescendentes clamaram por mais respeito ao seu povo por parte dos poderes públicos de Vitória da Conquista, que até hoje não conta com uma praça representativa aos deuses orixás, nem ruas com nomes de personalidades do povo negro.
O vereador pelo PT, Alexandre Xandó, organizador da sessão especial junto à Mesa Diretora, presidida por Luis Carlos Dudé, fez duras críticas à Prefeitura Municipal que insiste em cobrar IPTU dos terreiros de candomblé. Informou que houve um contato com o poder executivo para que essa taxa fosse dispensada, mas sem resposta. Em seguida, anunciou que está entrando na justiça contra essa cobrança.
Na ocasião, o parlamentar cobrou da prefeitura que abra um sistema de cotas raciais para concursos públicos, inclusive para mestres em capoeira. Xandó também criticou a violência policial contra negros na cidade, dizendo que existe uma matança indiscriminada de jovens. Estiveram presentes ao ato pai Celi (José Carlos) e o mestre de capoeira, Quequeu, que repudiou o racismo no país.
A maioria das falas dos religiosos presentes à sessão (contou com a participação do vice-reitor da Uesb- Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Reginaldo Pereira), como pai de santo Ricardo de Oxossi, mãe Olinda, a pedagoga Elizabete (Beta), se pronunciou em defesa dos negros e pediu respeito ao seu povo.
Em seu pronunciamento, pai Ricardo elogiou a presença de vereadores evangélicos na sessão (alguns faltaram), afirmando que isso demonstrava bons ventos de união e tolerância religiosa. “Todos nós queremos saúde, educação e que se acabe de vez com o racismo. Combatemos o racismo com mais educação e não com leis”. Ele ainda reclamou que estão acabando com a memória cultural do povo negro, apontando que em Conquista não existe uma praça em homenagem aos orixás.
Sobre essa reivindicação, o presidente da Câmara, Luis Carlos Dudé anunciou que está em entendimento com a construtora VCA para criação de uma praça dos orixás em Conquista. Mãe Lene condenou a prefeitura pela suposta intenção de demolição da escola localizada no Quilombo Cachoeira dos Porcos, a qual está em péssimas condições de funcionamento. As comunidades pedem a reforma do equipamento e não o fechamento.
Existem no município 33 comunidades quilombolas que, segundo denúncia de Elizabete, a Beta, estão sendo desmontadas e sem demarcação e titulação. “Tudo para o negro é difícil”- enfatizou. Outro problema dessas famílias é a falta constante de água nas localidades.
A EVOLUÇÃO DO EXTREMISMO DE DIREITA E A VOLTA DAS TREVAS
Talvez os espíritas e as religiões afros, mais que os historiadores e cientistas, possam dar uma explicação mais plausível sobre o que vem ocorrendo com a volta avassaladora das ideologias extremistas e negacionistas no planeta terra, inclusive em nações mais desenvolvidas que sempre defenderam a liberdade e a democracia, consideradas mais avançadas em termos civilizatórios.
É um fenômeno inexplicável essa volta às trevas e ao obscurantismo como numa repetição maldita da história. Alguns intelectuais da África, como Soyinka, na passagem entre o colonialismo e o pós-independência de países do continente, falam muito dos males ancestrais que se arrastam para o presente. É o passado replicando o presente. É a Idade Média se incorporando em pleno século XXI.
Na Europa, nas Américas e outros continentes, as ideias fascistas, nazistas, de supremacia da raça, do preconceito, da discriminação e retrógradas negacionistas da ciência estão retornando com força através das eleições de líderes de extrema. Esse quadro se tornou mais visível nesse período pandêmico da Covid-19 onde milhões se recusam a vacinar como forma de negar a ciência.
Entre as democracias em retrocesso, Brasil e Estados Unidos estão na lista do relatório anual da Organização Internacional IDEA, com sede em Estocolmo. Os principais motivos são do presidente-capitão e do ex-Donald Trump. Mais de um quarto da população mundial estão nesse rol. Seriam cerca de 70% se forem somados os regimes autoritários, ou com tendência à degradação. Desde 2016 a lista já incluía Índia, Filipinas, Polônia, Hungria e agora, a Eslovênia.
Voltamos ao tempo das inquisições do pensamento, faltando apenas montar as fogueiras, como está acontecendo, particularmente em nosso Brasil de hoje. Confesso que tenho ficado chocado e angustiado com fatos absurdos, como o mais recente de uma professora de filosofia, em Salvador, que foi vítima de um processo numa delegacia só porque estava cumprindo seu dever de lecionar sua matéria, sem intenção de inocular ideologia em seus alunos. Ela falava sobre a Semana da Consciência Negra e foi denunciada como esquerdista, comunista e macumbeira. Isso remete à ditadura civil-militar no seu pior momento do AI-5.
A cada dia cresce mais e mais o fundamentalismo evangélico, com intolerância religiosa e ódio homofóbico. Aumentam a violência contra a mulher, o feminicídio e o racismo ao negro, com brutal agressão. A polícia executa os cidadãos, e o capitão-presidente incentiva cada vez mais o uso de armas. Foi aberta a porteira para a boiada da destruição das nossas florestas. O meio ambiente padece.
A impressão que temos é que está havendo um surto de raiva sem precedentes na história da humanidade, com a redes sociais repletas de imbecis incultos e estúpidos soltando espumas venenosas pela boca. Não existem debates de ideias e argumentos. Só sobraram os xingamentos extremistas, tanto de um lado, como do outro, num país dividido com milhões passando fome na extrema pobreza.
Por outro lado, o planeta está pegando fogo com o aquecimento global, que não tem mais volta. A terra vai se acabar. Os caras na reunião do clima passam dias se estapeando sobre redução dos índices de dióxido de carbono e metano. Assinam documentos e depois não cumprem o dever de casa quando retornam aos seus países de origem.
Cada um só quer elevar o seu Produto Interno Bruto (não importa o tipo de combustíveis queimados), incentivar o consumo das famílias, ostentar seus luxos e gastar cada vez mais. Os mais ricos trocam de carro, de celulares e outros aparelhos todos os anos. O lixo é cada vez mais crescente. É uma tremenda contradição porque a conta a favor do meio ambiente nunca bate. A própria mídia que denuncia e condena a destruição, é a mesma que estimula o crescimento. Ninguém quer reduzir o consumo, a não ser os pobres que já fazem isso obrigatoriamente.
NOSSO JUMENTO ESTÁ EM EXTINÇÃO
Vejo os ambientalistas e as associação dos animais defendendo os cães, gatos, baleias, tartarugas e bichinhos do lar, mas quase nada se fala do nosso jumento, símbolo do Nordeste e servidor do homem do campo por séculos, que está sendo, impiedosamente, extinto, com o aval das autoridades governamentais.
Pelo interior a fora, ele é comprado por até 10 reais e sua carne e o couro exportados por até três mil reais para os chineses. Ele, o jegue, um personagem do Novo Testamento, que tanto ajudou o agricultor por séculos foi substituído pelas motocicletas e agora está sendo maltratado em currais e morto pelos frigoríficos.
O quadro dessa situação foi exposto pela Assembleia Legislativa da Bahia e noticiado na coluna do meu amigo Levi Vasconcelos no jornal A Tarde. O assunto foi discutido em sessão da Comissão do Meio Ambiente, presidida pelo deputado José de Arimatéia, defensor da causa animal.
De acordo com dados apurados, entre 2010 a 2014 foram abatidos mil jumentos na Bahia. Entre 2015 a 2019, o número subiu para 91.145, um crescimento de mais de oito mil por cento. O extermínio está próximo. Está sendo raro encontrar um jumento no sertão, resistente à seca.
A Comissão da Assembleia denunciou que não existe qualquer tipo de fiscalização por parte dos órgãos governamentais, nem mesmo as fazendas de reprodução. Na Bahia, os exterminadores para mandar carne e coura para a China são os frigoríficos de Amargosa, Jacobina, Simões Filho e Itapetinga, por um punhado de empregos.
Há pouco tempo, houve denúncias graves de maltratos desses animais em currais dos citados frigoríficos morrendo de fome e sede, mas, de lá para cá não mais se falou nisso. Enquanto isso, o jumento, um animal dócil, cantado em versos pelo nosso cancioneiro rei do Baião, Luiz Gonzaga, vai sendo exterminado pela ganância do lucro dos donos de frigoríficos.
GRUPO “APODIO” DISCUTE SITUAÇÃO DO TEATRO CARLOS JEHOVAH
Desde outubro, um grupo de jovens denominado de “Apodio” vem discutindo e chamando a atenção da sociedade conquistense para a situação do Teatro Carlos Jehovah. O movimento tem realizado reuniões presenciais em frente ao equipamento cultural, colocando em pauta vários assuntos e produzindo vídeos, desenhos e imagens, inclusive com proposta de uma ação judicial em defesa do teatro.
O grupo tem mantido contatos com artistas e influenciadores da cidade, inclusive com a diretoria do Conselho Municipal de Cultura. De acordo com os participantes, o local onde está o mercado popular é de bastante visibilidade, sendo necessário saber como a prefeita está se articulando com relação ao espaço, pois existem conversas de uma possível demolição.
CONSULTA POPULAR
Qualquer decisão, segundo o grupo, precisa haver uma consulta popular, argumentando não ser a primeira vez que há a intenção de mudar a cultura para um lugar menos visível. “Não há investimento em cultura e na história da cidade. Tinha um grupo que contava a história de Conquista em uma peça de teatro e passei a entender a cidade através dessas pessoas” – diz um integrante do grupo.
Eles relatam que o teatro foi construído, em 1982, (tecnicamente bem planejado em termos de luz, espaço e acústica) como parte de um movimento do próprio Carlos Jeovah, que promovia festivais e elaborava espaços artísticos, influenciando muito no cenário cultural da cidade. Lembram que 20 anos depois, o teatro foi desativado por falta de iluminação e deficiência em suas instalações físicas.
Agora, conforme assinala o grupo, O teatro volta à mesma situação, e muitos nem sabem que existe. O “Apodio” defende a melhoria do espaço (existem poucos equipamentos) e a não demolição como se tem cogitado. Entre as melhorias, apontam a necessidade de mais mesas com canais e placa de sinalização mais visível onde está situado o estacionamento. “A cultura não precisa só de talentos e amor à arte, mas também de políticas públicas para continuar a existir”.
Para o grupo, ampliar o Carlos Jehovah não é uma boa ideia, pois a estrutura dele proporciona uma relação única com o público. A proposta é que o teatro esteja sempre aberto durante o dia para que as pessoas possam visitá-lo. Outra sugestão é melhorar o mercado de artesanato. Os membros do grupo querem saber sobre a proposta concreta do poder executivo sobre o destino do espaço, criticando as outras administrações que não deram importância para o teatro.
RESPONSABILIDADE E TOMBAMENTO
O grupo “Apodio” defende uma agenda construída pela sociedade onde o poder público assuma a responsabilidade pelo seu funcionamento, porque se trata de um espaço público. “Ficamos num ciclo em que os movimentos se formam, as pessoas vão para fora em busca de novas oportunidades, e o movimento morre de novo”.
A presidente do Conselho de Cultura, Hendye Graciele, presente em um dos encontros, parabenizou o trabalho do grupo e prestou seu apoio a todos que estão nessa articulação de reativar o teatro. “O espaço tem uma dimensão simbólica, econômica e cidadã, e é importante por estar no centro da cidade. O teatro e o Centro de Cultura não anulam um ao outro. Ele tem sua função para outros tipos de apresentação, necessária para os artistas. Não precisa destruir um equipamento cultural para construir outro. Temos que caminhar no sentido da utopia de ter um teatro em cada esquina” – afirmou.
Hendye assinalou que a gestão anterior do Conselho se aproximou muito dos artistas, “e eu acompanhei muito o trabalho de implementação da Lei Aldir Blanc e outras ações. Estamos atentos para dar continuidade a este trabalho”. Declarou ser importante levar essa discussão para dentro do Conselho de Cultura no sentido de que a Secretaria de Cultura abrace essa causa do grupo. Na ocasião, comunicou que foi enviado um ofício à prefeita solicitando informações sobre a situação do teatro.
O grupo imagina que a prefeitura pode argumentar que o espaço é subutilizado, mas isso não justifica sua possível desativação, rebatendo que a relação com o poder executivo tem sido difícil. Alega falta de apoio suficiente para que os artistas possam sobreviver. “A estrutura física do músico para trabalhar é mais simples do que a do pessoal que atua com teatro. Cada expressão artística precisa de instrumentos diferentes”.
Para Eduardo Nunes, quando um espaço público não tem política pública de manutenção, como equipamentos, circulação de obras/fomento (espaço de ensaios, por exemplo) e formação de novos artistas, fortalecimento da formação dos que já tem experiência/conhecimento e de formação de plateia, fica-se refém desse processo que não avança.
Gustavo Cirino considera que se perdeu uma boa oportunidade de reformar o espaço durante a pandemia. “Foram meses sem poder reunir as pessoas para assistir espetáculos naquele espaço”. Na oportunidade, Eduardo lembrou que o Cine Madrigal está sob a gestão da Secretaria de Educação, quando o aparelho deveria estar com a Secretaria de Cultura. Em sua opinião, o movimento deve ser ampliado para a retomada dos espaços públicos culturais.
Nas falas, comentou-se que a antiga gestão do Conselho de Cultura construiu um diálogo com a associação dos artesãos, e que o momento é oportuno para se pensar em conjunto com o setor para que o mercado de artesanato seja também contemplado nas mobilizações. O tombamento de vários espaços seria um instrumento de proteção para evitar qualquer derrubada de um equipamento cultural da importância como é a do Teatro Carlos Jheováh – destacou integrantes do grupo.
UM PLANO PARA NOSSA CULTURA ESTÁ NA PAUTA DO NOVO CONSELHO
Com propostas de interação com a sociedade e contemplar todas as linguagens artísticas, num movimento de resgate da nossa cultura, que tem sido desgastada nos últimos anos, a nova composição do Conselho Municipal de Cultura, eleita para o biênio 2021/2023, já tem como uma de suas principais metas de trabalho a criação de um Plano Cultural para Vitória da Conquista, que irá proporcionar suporte e direcionamento para as diversas atividades das políticas públicas do setor.
Nesse sentido, a ideia, de acordo com a presidente Hendey Graciele e da nova diretoria, é começar o planejamento das Conferências Municipais de Cultura que devem acontecer em 2022, das quais resulte num documento, que será apreciado, discutido e aprovado em sessões que contarão com a participação da comunidade e dos diversos segmentos culturais do município.
Com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer, isso demandará certo tempo para ser colocado em prática, mas as conselheiras e os conselheiros estão convictos de que o projeto representará um grande legado na definição de uma nova política cultural para a cidade, o que interessa não somente aos artistas, mas à sociedade em geral.
Além dessa visão de implantar políticas públicas e um Plano Municipal de Cultura para Conquista, com respeito à diversidade de expressões culturais, com ações estabelecidas para seus diversos eixos constituídos, como a literatura, a dança, o teatro, a música, as artes plásticas, o audiovisual, cinema, o patrimônio material e imaterial, o novo Conselho já está trabalhando na renovação do seu Regimento Interno e na melhoria da comunicação com a mídia em geral, com total transparência de suas atividades.
Para tanto, foi designada uma comissão para fazer as propostas de atualização do Regimento, que serão debatidas em plenárias e aprovadas nas próximas reuniões. Também já está instalada uma comissão responsável pelo processo de comunicação com a sociedade por intermédio da mídia local, com a qual esperamos contar com o apoio.
Em reuniões ordinárias nas cinco sessões realizadas com os novos membros, o novo Conselho já discutiu diversos assuntos de interesse da população, como o caso do Teatro Carlos Jehovah localizado no Mercado de Artesanato, procurando saber qual será o destino desse equipamento cultural, e se há algum planejamento para sua reforma e revitalização, principalmente agora com a liberação de eventos através das flexibilizações nesse período de queda da pandemia.
Nesse sentido, buscando esclarecimentos sobre o assunto, foi encaminhada uma minuta, ou ofício, à prefeita Sheila Lemos, requerendo uma posição mais concreta por parte do poder executivo. O Conselho está no aguardo para poder debater, dialogar com a sociedade e acompanhar as ações planejadas para o local, bem como se posicionar em reunião com os conselheiros. A intenção do Conselho é sempre estar próximo das demandas das diversas categorias artísticas.
Nesse sentido, será realizada uma sessão extraordinária, no próximo dia 22 (segunda-feira), cuja pauta exclusiva versa sobre o Teatro Carlos Jehovah e o Mercado de Artesanato Raquel Flores.
Outra decisão prevista é agendar um encontro com o presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Luis Carlos Dudé e componentes da Mesa Diretora, para tratarmos de assuntos de interesse da cultura do município e, ao mesmo tempo, solicitar o apoio do legislativo para que possamos realizar um trabalho conjunto em prol da nossa cultura, num elo com o poder público, os artistas e a comunidade.
O REPENTE É PATRIMÔNIO NACIONAL
Quando era menino e frequentava as feiras em Piritiba e suas redondezas com meu pai, ficava encantado com os repentistas com suas violas e pandeiros nordestinos trocando versos num embate para ver quem se saia melhor em suas estórias e histórias, envolvendo personagens importantes, o cotidiano da vida, a seca, os retirantes, os causos de coronéis, os compadres e as comadres e até de pessoas ali presentes.
Nem entendia aquela arte milenar cultural e popular da oralidade, típica do Nordeste, vinda da Península Ibérica (Portugal e Espanha), mas vibrava mesmo era com as improvisações e as rimas trocadas que fechavam os versos. Era uma admiração de menino que continua até os dias atuais da minha vida. Pena que pouco estudada pelos acadêmicos da cultura erudita, só que o repente também é erudito.
Só depois de séculos de história, principalmente pelo chão árido nordestino, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu, na semana passada, o repente como patrimônio cultural do Brasil. O repente é reconhecido também como cantoria e tem como fundamento versos, rimas e oração. Os cantadores se espelham pelas cidades do interior do nosso Nordeste e ainda em regiões onde receberam migrações nordestinas.
A votação foi feita pelos 22 membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão do Iphan. O pedido foi feito pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal e Entorno. Pelo menos alguma coisa boa acontece nesse governo destruidor da nossa cultura e que procura impor aos nossos jovens uma ideologia do atraso, do retrocesso, do negacionismo e do preconceito.
No repente, a rima é a marca da espontaneidade poética do artista que faz uma espécie de repórter do sertão e historiador do cotidiano. Os repentistas empolgam e atraem anônimos que passam para apreciar as emboladas, um estilo que não deixa de ser repente, irmã do cordel. Eles são, acima de tudo, irreverentes e criativos, resultando em relatos carregados de figuras de humor.
Essa cultura vem dos poetas dos tempos gregos de Homero e Hesíodo, falando das intrigas dos deuses, dos heróis e mortais. Essa cultura da oralidade foi passando de geração em geração até a Europa antiga e chegando depois ao nosso Nordeste.
A Bahia desponta como um celeiro de repentistas (Alô Bule-Bule), grandes duelistas com suas violas, aboios e emboladas. Contam os historiadores que o berço do repente veio de lá da Serra do Teixeira, seguindo pelo Vale do Pajeú pernambucano até alcançar o Seridó, em terras potiguares. São mais de 50 modalidades, com acentuação tônica obrigatória, espalhadas por todos estados nordestinos, com suas belezas de prosas poéticas que engrandecem ainda mais a nossa rica cultura.
FARELOS DO MESMO SACO
Quando pessoas aparentemente sérias e honestas se juntam com outras permissivas e predadoras visando os mesmos interesses para manter suas posições no poder, ou defender seu quinhão, costumamos dizer que elas são farinha do mesmo saco. Com o tempo essa farinha virou farelo de validade vencida.
No entanto, farinha é hoje um alimento que está com preço alto nas feiras por causa da inflação. Essa gente nem é mais farinha. No caso específico do Congresso Nacional entre os partidos de esquerda (nem todos), direita, extrema-direita, o “centrão” e outras bancadas “ideológicas” do mal, podemos falar que eles, ou elas, são farelos de animais do mesmo saco.
A recente votação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados (um calote das dívidas do governo federal) para liberar o “Auxílio Eleitoral do Voto” é o fato mais recente desse ajuntamento de farelos do mesmo saco de partidos entre elementos da dita esquerda (PT, PSB e PDT, principalmente) com a laia de oportunistas do “centrão” facínora do capitão-presidente.
Esses farelos do mesmo saco da maldade não são bagaços escassos e isolados. Essa mistura intragável e indigesta, sem princípios e caráter, tem se repetido no Brasil há séculos, na base do toma lá, dá cá. Portanto, não é coisa nova esse negócio de conchavos esdrúxulos quando entram em cena as benesses e os ganhos, inclusive muita grana pública.
Quando se colocou o projeto de lei de enfraquecimento político e cortes na autonomia dos promotores e defensores públicos, deputados de esquerda se uniram com o que existe de pior no Congresso. O mesmo ocorreu quando se conluiaram para desmoronar a Operação Lava Jato e deixar a porta aberta para a corrupção; dificultaram as investigações dos crimes de improbidade administrativa; e colocaram leis subjetivas em relação ao julgamento de atos de abuso de autoridade.
A maior aberração de todas elas foi quando parlamentares de esquerda, de direita, extrema-direita e conservadores neoliberais do retrocesso votaram o aumento dos fundos partidário e eleitoral bem acima dos 100%, cortando verbas da educação, da saúde, do saneamento básico, da ciência e da pesquisa. A quem interessa o voto dos analfabetos e dos menores de 16 anos? Interessa a todos eles, os farelos do mesmo saco.
Nenhum partido apoia um projeto de reforma eleitoral de verdade que reduza o número de parlamentares da Câmara Federal, do Senado e nem das Câmaras de Vereadores. Ninguém do PT e de seus aliados concorda que se vote um plano de corte das verbas indenizatórias, dos penduricalhos, das mordomias, das emendas vergonhosas e, muito menos, de seus polpudos salários. Ninguém quer acabar com essa reeleição que o ex-presidente Fernando Henrique criou.
No momento de defender seus cabedais, seus loteamentos, seus latifúndios colonialistas, suas falcatruas, seus esquemas escusos contra a nação e malfeitos, todos se tornam farelos do mesmo saco. Nesses casos, apagam de suas memórias sujas as ideologias socialistas, os direitos humanos, a justiça para todos, os pobres e a luta pela igualdade social. Com seus jargões e bordões, eles falam de um país igualitário e justo, que estão ao lado do povo, contanto que seu poder político não seja ameaçado de perdas.
Nosso país se assemelha à maioria dos territórios africanos onde saíram os colonizadores sanguinários e arbitrários sanguessugas e entraram governos ainda mais cruéis, ditadores, fascistas e nefastos que antes se posicionavam “nacionalistas e patriotas” a favor da renovação para dar ao seu povo o que sempre lhe foi de direito. Essas mazelas se arrastam desde os tempos ancestrais, reencarnados no presente. Os crimes continuam sendo perpetrados contra nossa população que por cima acredita neles.
Não se é contra colocar comida na mesa dos milhões de famintos miseráveis brasileiros, mas não dessa forma dando calote até no dinheiro que iria para o Fundo da Educação, nem tampouco enchendo as burras dos políticos com os orçamentos secretos das emendas dos balcões de compras de votos, elevando em bilhões o Fundo Eleitoral e Partidário, sem cortar as mordomias deles.
Ao orçamento de 2022, as comissões permanentes do Senado e do Congresso Nacional apresentaram 29,3 bilhões de reais em emendas. É o chamado orçamento secreto. As 14 comissões temáticas em funcionamento no Senado apresentaram um total de 24,7 bilhões de reais. No mesmo modus operandi do PT, esse auxílio de um ano visa comprar o voto de mais de 30 ou 40 milhões de pobres. A cena se repete e o Brasil só faz piorar.
Confesso que me dá náuseas, como ao se ver corpos em decomposição, quando aparecem esses “morotós” nojentos pegajosos na mídia falando da necessidade de matar a fome do pobre, de socorrer os mais necessitados e de se colocar o social acima de tudo, quando todos esses mais de 40 milhões estão sendo usados como meros objetos do voto que depois serão jogados fora como restos podres. Verdadeiramente, eles não são nada humanos. São espíritos malignos em peles de cordeiros.


















