Na semana passada estava aqui em meu “Espaço Cultural A Estrada” escarafunchando meus alfarrábios e encontrei uma entrevista que concedi, em 2007, ao informativo “O Piquete Bancário”, do Sindicato Regional dos Bancários, em que tratava da democratização dos veículos de comunicação, intitulada “A Imprensa Brasileira Precisa de uma Grande Reforma Agrária”.

Infelizmente, esse assunto foi esquecido, talvez por causa do advento da internet onde a mídia virou virtual, mas o problema continua o mesmo, isto é, a sociedade é dominada e manipulada pelas grandes emissoras de televisão e jornais do sul (São Paulo e Rio de Janeiro), que ainda conseguiram sobreviver à onda tecnológica da computação.

A matéria, tipo pig-pong, de perguntas e respostas, diz na abertura que “tornam-se mais fortes os gritos de comunicadores, intelectuais, estudantes, entidades e movimentos sociais acerca da democratização da comunicação. São ativistas que buscam a caracterização de uma mídia onde estejam representadas a pluralidade e a diversidade de opiniões e interesses existentes na sociedade”.

No sub-lide, destaca a entrevista que “no Brasil, menos de dez famílias controlam a mídia escrita, falada e televisada (não mudou muito de lá para cá), caracterizando um verdadeiro latifúndio midiático. Sobre a democratização da comunicação, “O Piquete Bancário” conversou com o jornalista Jeremias Macário, autor do livro “A Imprensa e o Coronelismo no Sertão do Sudoeste”, e que tem contribuído com a discussão em nível de Bahia”.

Na indagação, por que se tornou tão relevante a discussão sobre o tema, o entrevistado assinala que o sistema de comunicação do Brasil é um dos mais verticalizados do mundo. Segundo ele, a imprensa brasileira tornou-se um latifúndio e, como no campo, precisa de uma reforma agrária. Cita que em 2006, Lula incluiu em seu programa de governo um projeto de democratização da comunicação. Na verdade, tudo ficou no campo das intenções.

Perguntado qual o modelo ideal, respondeu que estimulando e prestigiando a imprensa alternativa, como a do interior, mas sempre foi excluída. Não basta somente implantar Tvs públicas. Financiar pequenas empresas comunitárias corre-se o perigo das mesmas ficarem reféns dos governantes.

Como, então, estimular? Uma das formas seria elaborar um programa que inclua a comunidade no núcleo da informação, beneficiando as empresas na política de democratização. Na época, o Governo Wagner criou um núcleo de trabalho de políticas públicas de comunicação social através da promoção da Conferência Estadual de Comunicação Social, que não deu em nada. Sugeri a instalação de um fórum comunitário de comunicação, pois a informação é um direito de todos.

Por fim, digo que a democratização da mídia fortalece a democracia. Ainda temos uma democracia que engatinha (ainda está pior que isso), com a permanência de políticos da época do coronelismo (nada mudou). Poucos representam o povo. A maioria age em prol de seus interesses e das elites. Para atualizar, diria que ainda hoje poucos têm acesso à informática e, como consequência, são desprovidos de consciência crítica. Nesse caso, temos que ampliar o debate para a questão da pobreza na educação.