“EU SÓ QUERIA ENTENDER”
Como falava o personagem do “macaco” num programa humorístico de Jô Soares, “eu só queria entender”, quando algum ato era esdruxulo e contraditório. No Brasil, existem coisas que não dão para entender. São os chamados absurdos da Bahia, comentado pelo ex-governador Otávio Mangabeira.
Essa de feriado durante o carnaval, que não pode ser realizado por causa da pandemia, é uma delas onde “eu só queria entender”. O decreto da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, assinala que um dos motivos do feriado é para economizar gastos. Será que compensa mesmo em relação às perdas com a arrecadação e os usuários que deixam de ser atendidos?
Outros argumentam que os feriados beneficiam o fluxo do turismo que movimenta mais dinheiro. Como ficam os outros setores que param suas atividades? É o mesmo que cobrir um santo e deixar o outro descoberto. Se for colocar na balança das finanças e da produção de bens, perde mais o Brasil.
E quanto as pessoas que entram na onda do viajar e ficam endividadas até o pescoço? E os acidentes com mortes nas estradas que aumentam? A criminalidade também. A maior vantagem fica para os bares, restaurantes, hotéis, vendedores ambulantes e agências de viagens.
Repetidas tantas vezes, o Brasil tem muitos feriados, talvez bata o recorde em comparação a outros países. Nesse nosso rico pobre país, os brasileiros precisam trabalhar mais e passear menos. Menos muvucas e mais atividades, mas o povo insano gosta e cai dentro.
Temos uma desigualdade social monstruosa, e um grande déficit na educação e na saúde. A inflação está aí a todo vapor e se alimenta mais ainda nesses feriados. Enquanto uns ficam mais ricos, outros aprofundam a pobreza. A ressaca chega depois no monte de contas de início de ano.
Como não tem o carnaval para evitar a infestação do vírus, o mais coerente seria que tudo continuasse no normal. Esses feriados propiciam mais aglomerações em festas, praias, restaurantes, pontos turísticos, aeroportos, rodoviárias e outros locais.
Como consequência, pode ocorrer uma nova onda, com mais despesas para o poder público na área da saúde. Mais um motivo para quebrar o argumento de que fortalece o turismo e corte de despesas nas repartições públicas. É aquela velha história: “Me engana que eu gosto”.
Eu continuo com aquela pergunta do “macaco”: “Eu só queria entender”! Além da educação que é vital para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país, o trabalho afinco entra como mola propulsora para tirar uma nação do seu atraso.
Mirem no exemplo da Alemanha que saiu de duas grandes guerras e se tornou potência com o trabalho. O Japão, a Coréia do Sul e a China também são outros exemplos a serem seguidos. Portanto, eu só queria entender esses decretos, mas tem muito mais coisas no Brasil que a nossa vã filosofia não consegue compreender. São coisas que me deixam perplexo, como certas leis que nunca vigam e medidas descabidas e paradoxais.











