:: ‘Na Rota da Poesia’
HISTERIA E PSICOPATIA
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Sou como a poeira do tempo,
Empurrada por essa ventania,
Da infinita galáxia viajante,
Como ente estrela cadente,
Bem distante dessa filosofia,
Que nos engasga de asfixia.
Histeria, exagero, psicopatia,
Gripezinha de marica brasileiro,
Quem morre cedo dá bobeira,
E daí, não sou nenhum coveiro,
Se dane sua besta, vire caveira,
Agride, não vacine de Covid.
Meu peito está cheio de bronca,
Tem a dor do verso e do amor,
Encrenca de um ser navegante,
De ameríndio dessa mata gigante,
Caldeirão de negro e de eurasiano,
Como sangue quente de um cigano.
Não tenho mais crença nessa gente,
De carona na histeria do corona,
Como patética mente inconsequente,
Que copulou com o espinho maldito,
Soltou saliva com seu infernal grito,
Como o genocida, louco alienígena,
Que quer acabar com a nação indígena.
A VACINA E A COVID
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário (Leia Andanças)
Oh, Senhor, tudo é muito triste!
Ver tantos irmãos a tombar,
Por essa maldita que persiste,
Ver artista dizer que ela é comunista,
Uma vacina frita que não se decide,
E tanta gente a morrer dessa Covid.
Renegam a ciência e se agarram na fé,
Oh, Senhor, perdoai tantas asneiras,
De pastor dizer ser coisa de Lúcifer,
Desse espinhoso a correr mundo a fora,
Como poeiras infestando as fronteiras,
E essa vacina que por aqui nos divide,
Com tanta gente a morrer de Covid.
Nessas vias de tantas cruzes de agonias,
Vou em meu corcel de patas a cavalgar,
Nessa solitária imensidão do infinito,
Só para mergulhar no horizonte do mar,
Dizer para o meu amor que não vacile,
Não vamos ter mais morte dessa Covid.
Aqui ainda sobrevivo em minha escuridão,
Sem saber se dois mil e vinte já passou,
Recebendo tantas notícias na contramão,
As redes brindando dois mil e vinte um,
No zoom mortífero dos imbecis do terror,
Sobre a vacina que nosso destino decide,
Pra acabar de vez com esse morrer de Covid.
NO PAÍS DOS CIGANOS
Um poeminha de Jeremias Macário em homenagem a Manuel Bandeira e, em especial, aos ciganos
Num sábado à noite, lá pela madruga, estava eu ouvindo uma boa música e degustando meu vinho. Alguém bateu em minha porta e fui atender. Para minha feliz surpresa, era o velho poeta Manuel Bandeira. Disse que estava numa farra com amigos e resolveu passar para um abraço e me fazer um convite.
Tomou uma taça de vinho e foi logo me chamando para ir com ele para Passárgada.
– Agradeço o seu convite, meu camarada Bandeira, mas não vou para Passárgada. Estou de malas prontas para o país dos ciganos:
Vou me embora para meu país dos cantantes,
Lá serei poeta dos ciganos todos os anos,
Com minha estrela de cinco pontas no peito,
Na cintura meu punhal cravejado de rubis,
Entre as mais belas mulheres dançantes,
Anéis de ouro e saias coloridas esvoaçantes.
Como meu espírito de guerreiro sempre quis.
Vou ser líder kaku homem grande boró,
Ser Rom, Sinti e falar o meu Romani,
Com meus irmãos em carroças viajantes,
Entre tsigane, kalderask, ursari e rudari,
Be m longe desse mundo do gadjé marimé,
Não mais um vatrasi propriedade de um dono,
E em minha rede sonhar no meu sono cigano.
Não vou ser lacaio desse governo velhaco,
Prefiro ser um cigano da Hungria valaco,
Viver nas tribos da protetora Santa Sara,
Em meu clã cigano como lovara ou gitano,
Não mais nessa terra ser um servo vassalo,
Viajar por aí galopando em meu cavalo,
Pois morada e casa de cigano é uma estrada.
Vou ser tocador, latoeiro ou caldeireiro,
Até um nobre conde ou duque de dinheiro,
Nômade livre e não mais preso sedentário,
Bem longe desse enfado miserável salário,
Serei rei e farei contos que nunca contei.
.
Vou ter saudades de você, amigo Bandeira,
Quando for banhar na encantada cachoeira,
Passear pelas terras do Nilo, Tigre e Eufrates,
Como cigano manouche e Ziguener dos embates,
Não mais como da Romênia um escravizado,
Sem mais essa opressão do trabalho forçado,
Nem viver nos campos nazi de concentração,
Mas como legal calonkalé da Espanha/Portugal,
No meu país cigano vou ter meus lares,
Sem ser acorrentado nas galés desses mares,
Lá serei chamado de egípcio ou como quer,
Como metaleiro ferreiro e festeiro de feira,
A peregrinar em Santes Maries de la Mer,
Fazer melodias nos rituais das magias,
No meu país cigano, meu mano Bandeira.
Vou me casar com minha bela turmalina,
Morena menina de olhos e cabelos pretos,
No círculo da fogueira sagrada a dançar,
Com minha doce de pedras verdes/vermelhas,
Brincos de ouro com ametistas nas orelhas,
Ao som dos ventos e o luar dos violinos,
Entre as ciganas a bailar com os meninos.
Minha morte será com festas e banquetes,
No caixão, enfeites de flores e moedas antigas,
Sepultado debaixo de uma frondosa árvore,
E voltar de novo com as minhas cantigas,
Pra lutar contra as perseguições do meu povo
Como menino no país dos peregrinos,
Dos tártaros, sarracenos e dos hindus,
Vou por aí a cantarolar sem rumo e destino,
Não mais como vadio viver em correrias,
Só ver minhas crianças brincar sua infância,
Sem o passado de ódio, morte e intolerância.
Vá meu mano para o seu país do cigano.
Vou para Passárgada onde também serei rei.
APRENDER A VIVER
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Por trás de um sorriso,
De uma doce Monaliza,
Tem também o choro,
De uma triste sacerdotisa,
Que sonha com o paraíso,
Mas quer viver seu namoro,
Para aprender como amar;
Fazer sentir seu sofrer,
Para aprender como vencer,
Nos passos curtos do viver,
De tantas perdas e ganhos;
Tentar ver e compreender,
Que o encanto do pôr-do-sol,
É poente de outro amanhecer.
O ter sem o manjar do ser,
É um alimento de ilusões;
Faz você esquecer de viver,
Esquecer de cuidar de si,
Do início, do meio e do fim;
De escutar tantas composições;
Faz deixar de aprender a morrer,
E nem o perfume sentir,
Da flor com gosto de jasmim.
Nunca se esqueça de curtir;
Sair por aí e sentar no jardim;
Ouvir o canto do bem-te-vi,
E tomar umas num botequim,
Para jogar a conversa fora;
Contar causos de história,
De gente que sabe fazer a hora,
E faz da sua curta trajetória
Uma minação que só jorra:
Conhecer, aprender e viver;
Ser da terra o verdadeiro sal;
Ser o fogo que arde e queima;
Ser a água que vem do ar,
Para conviver com o bem e o mal.
A CIGARRA, A VIOLA E A GUITARRA
Poema em processo de acabamento de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Assim é a cigarra, a viola e a guitarra,
Uma arrebenta o peito com sua cantoria,
Para anunciar as chuvas a cair lá no sertão,
A viola no seu arrasto faz chorar o coração,
Pra falar de amor e do destino nordestino,
E os três regem o concerto da sinfonia.
A cigarra vaidosa exibe seus acordes,
Para disputar a conquista da sua rainha,
A viola sola a saudade da sua amada,
Que foi embora sem deixar uma só linha,
A guitarra rasga o som dos Rolling Stones,
E as multidões deliram com os megatons.
Canta, canta os seus versos a cigarra,
No canto forte do cigano andante gitano,
E a viola acompanha o tom da guitarra,
No triste lamento das nossas florestas,
Queimadas pelos alienígenas perversos,
Que acabaram com suas vidas de festas.
Em louvor ao Criador da nossa mãe gaya,
A cigarra canta, canta que até desmaia,
Uma canção alegre e também de tristeza,
Na melodia sublime da viola e da guitarra.
RASGA NO PEITO A DOR
Uma nova roupagem de RASGA NO PEITO A DOR, de autoria do jornalista e escritor jeremias Macário
Por que tenho que pagar por essa triste sina?
Oh Senhor Deus do poeta da dor esgarçada,
Olhai para esse povo no arrasto da enxada,
Na espera que dos céus desça a graça divina!
Do sol inclemente racha a terra em sal,
Num calor avernal de arder a mente,
Entre veredas secas de tantos espinhos,
Onde nem as aves fazem seus ninhos,
E rasga no peito a dor do nordestino,
Que vê esvair de fome o seu menino.
Rasga no peito essa forte dor vaga latina,
Em ver a sua mulher a chorar no fogão,
Numa escura cozinha de panelas vazias,
De olhar fundo, rosto riscado do sofrer,
Com saudades eternas da nossa menina,
Que sem o pão, caiu na esquina da morte.
Rasga no peito essa dura dor de tortura,
Pior que a dor canina de dente,
Do que enxaqueca de cabeça quente,
É essa dor que vara a alma partida,
De um povo marcado em curral de boi,
Que procura por uma justiça que se foi.
PEDAÇOS DE IDEIAS
Poema de autoria do jornalista e escritor jeremias Macário
É preciso seguir os caminhos do seu guardião,
Sem a mente suja da cegueira fanática religião;
Não deixar se seduzir pela bela aparência vilã,
Porque se não foi hoje minha vez, será amanhã.
A ligação amorosa é uma invenção da solidão.
Ao se ler um poema, ele está olhando pra você;
A tela nos contempla, enquanto interage o ser;
Pedaços cortados de mim, emendas do viver.
O complicado se sente culpado por estar vivo;
Depois de noite mal dormida, o dia não inspira;
O ilusório pode ser real, a palavra uma mentira.
Cada dia tem que se matar mais um demônio;
Os olhos pensam e a mente confusa nos engana;
Ideias serpenteiam nas correntes da fé profana.
RASGA NO PEITO A DOR
Poema mais recente de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
De tanto viver neste sol inclemente,
Que racha a terra e arde a mente,
Entre as secas veredas de espinhos,
Onde as aves não fazem seus ninhos,
Rasga no peito a dor do nordestino,
Que viu morrer de fome seu menino.
Rasga no peito essa dor vaga latina,
Em ver a mulher a chorar no fogão,
Numa cozinha de panelas vazias,
De olhar fundo com marcas do sofrer,
Saudades eternas da nossa menina,
Que teve a mesma sina da falta do pão.
Rasga em meu peito essa dor assassina,
De ver tanta gente a padecer na espera,
Outros a viver em mansões de quimera,
Oh Senhor Deus do poeta da dor rasgada!
Olhai para esse povo no arrasto da enxada!
A rogar que dos céus desça a graça divina.
Rasga no peito essa dor contínua,
Pior que a dor canina de dente,
Que enxaqueca de cabeça doente,
É essa dor que jorra na alma sofrida,
De um povo ferrado em curral de boi,
Que procura por uma justiça que se foi.
MATA DO POÇO ESCURO
Poema do jornalista e escritor Jeremias Macário, em homenagem aos 180 anos de emancipação política de Vitória da Conquista, completados no último dia 9 de novembro. O texto faz parte do livro “Andanças”, que pode ser encontrado na Banca Central e na livraria Nobel.
Tudo no alto era traçado,
Como se fosse um abraço,
Onde morava o sagrado,
Riscando o seu traço,
Na água farta escura,
Jorrando da escarpa,
Que saciava a cidade,
Pura clara e sem mistura.
Era tudo uma floresta,
Do irmão sol e da irmã lua,
Para dançar em sua festa,
Com a esbelta índia nua,
No Poço Escuro de mel,
Sem brancos e senhores,
Só com os deuses do céu
Num banquete de flores.
Devastaram tudo, seu moço!
E só uma mata rala restou;
A minação foi-se minguando,
Como dos bichos, o almoço;
O Poço fraco quase secou;
E até foi embora o orixá xangô;
O caboclo também se mudou,
Porque também foi o nosso nagô.
Num puxadinho nanico,
Tombaram um velho sagui,
Um macaco e um mico,
Pelos invasores exteriores,
Deixando em escombros,
A nossa bela Serra do Periperi,
Onde um dia passeou o Saci.
A serra tem gente por cima;
O capão de mata ainda respira;
O Poço virou coisa de rima;
No Escuro ainda conspira,
O homem do Senhor Criador,
Que escarra sangue na natureza,
Como se fosse um estripador,
Que desfigura a candura de beleza.
PARA AONDE VOU?
Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário
Como um navegante solitário,
Nesse cenário controverso,
Vou viajando em meu universo,
No galope do meu cavalo,
Como um vassalo do vento,
Sem pensar no senhor rei tempo,
Com meu jeito estúpido de amar,
Roendo a corda e consumindo alento,
Sem acreditar que existe outro lar.
Nem imagino para aonde vou,
Cantando pneus entre as curvas,
Vou pegando as enfadonhas retas,
Até o infinito monte do horizonte,
Na ânsia de alcançar as tais metas,
Mesmo quando as vistas ficam turvas,
Nesta comichão de tantos insumos,
De juras entre os diabos e os deuses,
Nas encruzilhadas de vários rumos,
Ouvindo a viola do cancioneiro poeta,
Que em seu peito rasga o verso profeta,
Sobre a vida nesse capital de esmola.
Vou viajando por aí sem destino,
Como mais um retirante nordestino,
Na busca da verdade e da razão,
No conflito teórico da classe marxista,
Entre o ateu da direita ao esquerdista,
Entre a ciência e a fé na religião,
Vou indo como chama da liberdade,
Outras vezes como tocha apagada,
Como um todo, como um nada,
Nesse deserto do camelo beduíno,
Com minhas lembranças de menino.
Para aonde mesmo eu vou?
Não importa, se tiver uma porta,
Para sacodir a sujeira da poeira,
Dessa breve vida incerta estradeira.










