:: ‘Na Rota da Poesia’
APRENDER A VIVER
Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Por trás de um sorriso,
De uma doce Monaliza,
Tem também o choro,
De uma triste sacerdotisa,
Que sonha com o paraíso,
Mas quer viver seu namoro,
Para aprender como amar;
Fazer sentir seu sofrer,
Para aprender como vencer,
Nos passos curtos do viver,
De tantas perdas e ganhos;
Tentar ver e compreender,
Que o encanto do pôr-do-sol,
É poente de outro amanhecer.
O ter sem o manjar do ser,
É um alimento de ilusões;
Faz você esquecer de viver,
Esquecer de cuidar de si,
Do início, do meio e do fim;
De escutar tantas composições;
Faz deixar de aprender a morrer,
E nem o perfume sentir,
Da flor com gosto de jasmim.
Nunca se esqueça de curtir;
Sair por aí e sentar no jardim;
Ouvir o canto do bem-te-vi,
E tomar umas num botequim,
Para jogar a conversa fora;
Contar causos de história,
De gente que sabe fazer a hora,
E faz da sua curta trajetória
Uma minação que só jorra:
Conhecer, aprender e viver;
Ser da terra o verdadeiro sal;
Ser o fogo que arde e queima;
Ser a água que vem do ar,
Para conviver com o bem e o mal.
A CIGARRA, A VIOLA E A GUITARRA
Poema em processo de acabamento de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Assim é a cigarra, a viola e a guitarra,
Uma arrebenta o peito com sua cantoria,
Para anunciar as chuvas a cair lá no sertão,
A viola no seu arrasto faz chorar o coração,
Pra falar de amor e do destino nordestino,
E os três regem o concerto da sinfonia.
A cigarra vaidosa exibe seus acordes,
Para disputar a conquista da sua rainha,
A viola sola a saudade da sua amada,
Que foi embora sem deixar uma só linha,
A guitarra rasga o som dos Rolling Stones,
E as multidões deliram com os megatons.
Canta, canta os seus versos a cigarra,
No canto forte do cigano andante gitano,
E a viola acompanha o tom da guitarra,
No triste lamento das nossas florestas,
Queimadas pelos alienígenas perversos,
Que acabaram com suas vidas de festas.
Em louvor ao Criador da nossa mãe gaya,
A cigarra canta, canta que até desmaia,
Uma canção alegre e também de tristeza,
Na melodia sublime da viola e da guitarra.
RASGA NO PEITO A DOR
Uma nova roupagem de RASGA NO PEITO A DOR, de autoria do jornalista e escritor jeremias Macário
Por que tenho que pagar por essa triste sina?
Oh Senhor Deus do poeta da dor esgarçada,
Olhai para esse povo no arrasto da enxada,
Na espera que dos céus desça a graça divina!
Do sol inclemente racha a terra em sal,
Num calor avernal de arder a mente,
Entre veredas secas de tantos espinhos,
Onde nem as aves fazem seus ninhos,
E rasga no peito a dor do nordestino,
Que vê esvair de fome o seu menino.
Rasga no peito essa forte dor vaga latina,
Em ver a sua mulher a chorar no fogão,
Numa escura cozinha de panelas vazias,
De olhar fundo, rosto riscado do sofrer,
Com saudades eternas da nossa menina,
Que sem o pão, caiu na esquina da morte.
Rasga no peito essa dura dor de tortura,
Pior que a dor canina de dente,
Do que enxaqueca de cabeça quente,
É essa dor que vara a alma partida,
De um povo marcado em curral de boi,
Que procura por uma justiça que se foi.
PEDAÇOS DE IDEIAS
Poema de autoria do jornalista e escritor jeremias Macário
É preciso seguir os caminhos do seu guardião,
Sem a mente suja da cegueira fanática religião;
Não deixar se seduzir pela bela aparência vilã,
Porque se não foi hoje minha vez, será amanhã.
A ligação amorosa é uma invenção da solidão.
Ao se ler um poema, ele está olhando pra você;
A tela nos contempla, enquanto interage o ser;
Pedaços cortados de mim, emendas do viver.
O complicado se sente culpado por estar vivo;
Depois de noite mal dormida, o dia não inspira;
O ilusório pode ser real, a palavra uma mentira.
Cada dia tem que se matar mais um demônio;
Os olhos pensam e a mente confusa nos engana;
Ideias serpenteiam nas correntes da fé profana.
RASGA NO PEITO A DOR
Poema mais recente de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
De tanto viver neste sol inclemente,
Que racha a terra e arde a mente,
Entre as secas veredas de espinhos,
Onde as aves não fazem seus ninhos,
Rasga no peito a dor do nordestino,
Que viu morrer de fome seu menino.
Rasga no peito essa dor vaga latina,
Em ver a mulher a chorar no fogão,
Numa cozinha de panelas vazias,
De olhar fundo com marcas do sofrer,
Saudades eternas da nossa menina,
Que teve a mesma sina da falta do pão.
Rasga em meu peito essa dor assassina,
De ver tanta gente a padecer na espera,
Outros a viver em mansões de quimera,
Oh Senhor Deus do poeta da dor rasgada!
Olhai para esse povo no arrasto da enxada!
A rogar que dos céus desça a graça divina.
Rasga no peito essa dor contínua,
Pior que a dor canina de dente,
Que enxaqueca de cabeça doente,
É essa dor que jorra na alma sofrida,
De um povo ferrado em curral de boi,
Que procura por uma justiça que se foi.
MATA DO POÇO ESCURO
Poema do jornalista e escritor Jeremias Macário, em homenagem aos 180 anos de emancipação política de Vitória da Conquista, completados no último dia 9 de novembro. O texto faz parte do livro “Andanças”, que pode ser encontrado na Banca Central e na livraria Nobel.
Tudo no alto era traçado,
Como se fosse um abraço,
Onde morava o sagrado,
Riscando o seu traço,
Na água farta escura,
Jorrando da escarpa,
Que saciava a cidade,
Pura clara e sem mistura.
Era tudo uma floresta,
Do irmão sol e da irmã lua,
Para dançar em sua festa,
Com a esbelta índia nua,
No Poço Escuro de mel,
Sem brancos e senhores,
Só com os deuses do céu
Num banquete de flores.
Devastaram tudo, seu moço!
E só uma mata rala restou;
A minação foi-se minguando,
Como dos bichos, o almoço;
O Poço fraco quase secou;
E até foi embora o orixá xangô;
O caboclo também se mudou,
Porque também foi o nosso nagô.
Num puxadinho nanico,
Tombaram um velho sagui,
Um macaco e um mico,
Pelos invasores exteriores,
Deixando em escombros,
A nossa bela Serra do Periperi,
Onde um dia passeou o Saci.
A serra tem gente por cima;
O capão de mata ainda respira;
O Poço virou coisa de rima;
No Escuro ainda conspira,
O homem do Senhor Criador,
Que escarra sangue na natureza,
Como se fosse um estripador,
Que desfigura a candura de beleza.
PARA AONDE VOU?
Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário
Como um navegante solitário,
Nesse cenário controverso,
Vou viajando em meu universo,
No galope do meu cavalo,
Como um vassalo do vento,
Sem pensar no senhor rei tempo,
Com meu jeito estúpido de amar,
Roendo a corda e consumindo alento,
Sem acreditar que existe outro lar.
Nem imagino para aonde vou,
Cantando pneus entre as curvas,
Vou pegando as enfadonhas retas,
Até o infinito monte do horizonte,
Na ânsia de alcançar as tais metas,
Mesmo quando as vistas ficam turvas,
Nesta comichão de tantos insumos,
De juras entre os diabos e os deuses,
Nas encruzilhadas de vários rumos,
Ouvindo a viola do cancioneiro poeta,
Que em seu peito rasga o verso profeta,
Sobre a vida nesse capital de esmola.
Vou viajando por aí sem destino,
Como mais um retirante nordestino,
Na busca da verdade e da razão,
No conflito teórico da classe marxista,
Entre o ateu da direita ao esquerdista,
Entre a ciência e a fé na religião,
Vou indo como chama da liberdade,
Outras vezes como tocha apagada,
Como um todo, como um nada,
Nesse deserto do camelo beduíno,
Com minhas lembranças de menino.
Para aonde mesmo eu vou?
Não importa, se tiver uma porta,
Para sacodir a sujeira da poeira,
Dessa breve vida incerta estradeira.
EU ESTAREI LÁ!
Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário
Quando se abrirem as fronteiras,
As pedras das muralhas caírem,
Para cada um construir o seu lar,
Que a guerra facínora fez ruína,
De falsas juras de altas torturas,
Eu estarei lá só para te ajudar.
Quando teu ser perdoar meu ser,
E o sonho de uma igualdade una,
Preencher essa oca vazia lacuna,
Do existir sem o sentido de viver,
Eu estarei lá só para te amar,
Quando você estiver triste e depressivo,
Andar por aí como se fosse morto-vivo,
Isolado pela sua raça, gênero e nação,
Nesses oceanos de predadores humanos,
Num caminho escuro, sem um futuro,
Eu estarei lá para clarear tua razão.
Quando a fome roncar pra ladrão,
Minha fina viola nordestina sonora,
Vai rogar ao Pai e a Nossa Senhora,
Pra do alto mandarem o teu manjar,
E eu estarei lá para entoar uma canção.
Quando tudo for ódio e intolerância,
Os brutos te negarem a fé e a ciência,
Trocarem a semente da cura pela dor,
Com esse tóxico veneno da ganância,
Eu estarei lá para te dar minha flor.
Quando não houver porta de saída,
Não mais tiver esperança na lida,
Mesmo com a volta da paz e calmaria,
Tentar abandonar a tua amada Maria,
Eu estarei lá só para te levantar.
EU ESTAREI LÁ
Recente poema do jornalista e escritor Jeremias Macário
Quando o planeta se aquecer,
Com as elevadas temperaturas,
As florestas virarem savanas,
Subirem as ondas das águas do mar,
Arder em fogo as linhas humanas,
Eu estarei lá para te amar.
Quando as fronteiras se abrirem,
As pedras das muralhas caírem,
Para cada um construir o seu lar,
Que o homem facínora fez ruína,
Desde as eras sumérias e romanas,
Eu estarei lá para te afagar.
Quando teu ser perdoar meu ser,
Vamos todos um dia nos irmanar,
E o sonho de uma igualdade una,
Pode preencher essa vazia lacuna,
De um existir sem sentido de viver,
Eu estarei lá só para te beijar.
Quando você estiver triste e depressivo,
Andar por aí como se fosse morto-vivo,
Violentado pela sua raça, gênero e nação,
Em seu caminho escuro sem um futuro,
Eu estarei lá para estender minha mão.
Quando estiver com fome a roncar,
Refugiado por aí como um cão,
Minha viola catingueira sonora,
Vai rogar ao Pai e a Nossa Senhora,
Pra do alto mandarem o teu manjar,
E eu estarei lá com a minha canção.
Quando tudo for ódio e intolerância,
Não mais houver a social democracia,
Os brutos te negarem a fé e a ciência,
Trocarem a semente da cura pela dor,
Com o tóxico veneno da ganância,
Eu estarei lá para te dar uma flor.
Quando o tempo resolver parar,
A porta se fechar para tua saída,
Não mais tiver esperança na lida,
Seja na tempestade ou na calmaria,
Tentar abandonar a tua amada Maria,
Eu estarei lá, seja em qualquer lugar.
MENTIRAS, MENTIRAS!
Poema de autoria mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário
Por que de tantas mentiras?
O culpado diz ser inocente,
Mentiras de iras dessa gente!
Você me fala de democracia,
Diz ser a favor da liberdade,
E prega pela volta da ditadura,
Que vai oprimir a sua distopia,
De divagar pela sua loucura,
Coisa de insanidade e psicopatia.
Por que de tantas mentiras?
Mentiras, mentiras de iras!
Você tira de mim a educação,
Mistura cultura com comunista,
Me trata como um idiota besta,
Se não concordo, sou um alienista,
Faz a esmola render sua eleição,
Com a ração de uma básica cesta.
Por que de tantas mentiras?
Mentiras, mentiras de iras!
Você canibaliza nossa história,
Chama sua negritude de escória,
Diz que a terra é chapada plana,
Não existe aquecimento global,
Contesta a ciência e o universo,
Respira fascismo e retrocesso,
E encarna a inquisição medieval.
Por que de tantas mentiras?
Mentiras, mentiras de iras
No pleito político eleitoral,
A mentira é a maior vencedora,
Como óleo derramado no mar,
Chamas a arder nossos biomas,
Pelo índio que queima seu lar,
Sua Amazônia e o belo Pantanal,
Mentiras são como o plutônio,
Aumentando o buraco de ozônio,
Criminosas mentiras de tantas iras!










