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:: ‘Na Rota da Poesia’

EU ESTAREI LÁ!

Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário

Quando se abrirem as fronteiras,

As pedras das muralhas caírem,

Para cada um construir o seu lar,

Que a guerra facínora fez ruína,

De falsas juras de altas torturas,

Eu estarei lá só para te ajudar.

 

Quando teu ser perdoar meu ser,

E o sonho de uma igualdade una,

Preencher essa oca vazia lacuna,

Do existir sem o sentido de viver,

Eu estarei lá só para te amar,

 

Quando você estiver triste e depressivo,

Andar por aí como se fosse morto-vivo,

Isolado pela sua raça, gênero e nação,

Nesses oceanos de predadores humanos,

Num caminho escuro, sem um futuro,

Eu estarei lá para clarear tua  razão.

 

Quando a fome roncar pra ladrão,

Minha fina viola nordestina sonora,

Vai rogar ao Pai e a Nossa Senhora,

Pra do alto mandarem o teu manjar,

E eu estarei lá para entoar uma canção.

 

Quando tudo for ódio e intolerância,

Os brutos te negarem a fé e a ciência,

Trocarem a semente da cura pela dor,

Com esse tóxico veneno da ganância,

Eu estarei lá para te dar minha flor.

 

Quando não houver porta de saída,

Não mais tiver esperança na lida,

Mesmo com a volta da paz e calmaria,

Tentar abandonar a tua amada Maria,

Eu estarei lá só para te levantar.

 

 

 

 

 

EU ESTAREI LÁ

Recente poema do jornalista e escritor Jeremias Macário

Quando o planeta se aquecer,

Com as elevadas temperaturas,

As florestas virarem savanas,

Subirem as ondas das águas do mar,

Arder em fogo as linhas humanas,

Eu estarei lá para te amar.

 

Quando as fronteiras se abrirem,

As pedras das muralhas caírem,

Para cada um construir o seu lar,

Que o homem facínora fez ruína,

Desde as eras sumérias e romanas,

Eu estarei lá para te afagar.

 

Quando teu ser perdoar meu ser,

Vamos todos um dia nos irmanar,

E o sonho de uma igualdade una,

Pode preencher essa vazia lacuna,

De um existir sem sentido de viver,

Eu estarei lá só para te beijar.

 

Quando você estiver triste e depressivo,

Andar por aí como se fosse morto-vivo,

Violentado pela sua raça, gênero e nação,

Em seu caminho escuro sem um futuro,

Eu estarei lá para estender minha mão.

 

Quando estiver com fome a roncar,

Refugiado por aí como um cão,

Minha viola catingueira sonora,

Vai rogar ao Pai e a Nossa Senhora,

Pra do alto mandarem o teu manjar,

E eu estarei lá com a minha canção.

 

Quando tudo for ódio e intolerância,

Não mais houver a social democracia,

Os brutos te negarem a fé e a ciência,

Trocarem a semente da cura pela dor,

Com o tóxico veneno da ganância,

Eu estarei lá para te dar uma flor.

 

Quando o tempo resolver parar,

A porta se fechar para tua saída,

Não mais tiver esperança na lida,

Seja na tempestade ou na calmaria,

Tentar abandonar a tua amada Maria,

Eu estarei lá, seja em qualquer lugar.

 

 

 

 

 

MENTIRAS, MENTIRAS!

Poema de autoria mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário

Por que de tantas mentiras?

O culpado diz ser inocente,

Mentiras de iras dessa gente!

 

Você me fala de democracia,

Diz ser a favor da liberdade,

E prega pela volta da ditadura,

Que vai oprimir a sua distopia,

De divagar pela sua loucura,

Coisa de insanidade e psicopatia.

 

Por que de tantas mentiras?

Mentiras, mentiras de iras!

 

Você tira de mim a educação,

Mistura cultura com comunista,

Me trata como um idiota besta,

Se não concordo, sou um alienista,

Faz a esmola render sua eleição,

Com a ração de uma básica cesta.

 

Por que de tantas mentiras?

Mentiras, mentiras de iras!

 

Você canibaliza nossa história,

Chama sua negritude de escória,

Diz que a terra é chapada plana,

Não existe aquecimento global,

Contesta a ciência e o universo,

Respira fascismo e retrocesso,

E encarna a inquisição medieval.

 

Por que de tantas mentiras?

Mentiras, mentiras de iras

 

No pleito político eleitoral,

A mentira é a maior vencedora,

Como óleo derramado no mar,

Chamas a arder nossos biomas,

Pelo índio que queima seu lar,

Sua Amazônia e o belo Pantanal,

Mentiras são como o plutônio,

Aumentando o buraco de ozônio,

Criminosas mentiras de tantas iras!

 

 

 

SAMUEL, O UNGIDO

Um poema de Jeremias Macário ao seu neto Samuel

O bíblico ungiu Saul e David,

Em nome de Deus viu o futuro,

Dissipou a fumaça no ar escuro,

Entre chamas ardendo os biomas,

E nesse meio veio o nosso Samuel,

De olhar ungido da árvore saído,

No céu primaveril do brotar florir.

 

Que seja vento anunciador da chuva,

Para molhar a mãe terra e dar o fruto;

Que seja infinito na finitude desse ser,

Para com o saber transformar o bruto;

Que seja sempre criança temperança,

Para curar qualquer ferida do tempo,

E fazer a sua hora antes do amanhecer.

 

Do índio caboclo de sangue mestiço,

Mouro ibérico desse nosso Brasil,

Do ventre saiu o Samuel desafio,

De uma era incerta que lhe espera,

Para navegar na corrente correta,

Como guerreiro que vem, vê e vence,

A peleja estradeira do eterno existir.

BIOMAS EM CHAMAS

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Esses malditos agro-capitais,

Querem é derrubar e queimar,

Nossas milenares florestas tropicais.

 

Bendito é o rio que corre livre das chamas!

Louvado o canto divino do sabiá nordestino,

Que roga ao Norte a se unir ao pampa sulino,

Para defender proteger nossos ricos biomas.

 

Em meus olhos desse Supremo Criador,

Oh quanta tristeza ver essa beleza em chamas!

Pelo cruel homem destruidor dos biomas,

Na ganância do sempre ter mais riqueza

 

As araras da caatinga presas em suas garras,

O tuiuiú pantaneiro voa na fumaça da secura,

Nas selvas raras reina a canção do uirapuru,

Os nativos em seus ritos benzem seus biomas,

Para que a mãe terra pare de arder em chamas.

 

No enlace sacro das águas com as divindades,

Da foz que se enrosca com o balanço do mar,

No namoro eterno que nasce do vento com o ar,

Cada ronco do motosserra é um gemido vil,

Da morte animal nas chamas do nosso Brasil.

 

No árido deserto das fornalhas de carvão,

Sumiram a rolinha ”fogo pagou” e o gavião,

No cerrado granado só a soja para a China,

Não mais o pequi e o esvoaçar da campina,

 

Sai o madeireiro e entra o mercúrio garimpeiro,

E a vida ora em memória da fauna e da flora,

Do Saci e do Curupira banidos da nossa cultura,

E nada cura essa ira de um futuro de chamas,

Ao dele fazer um monturo de nossos biomas.

 

No Brasil de nossas eras destas bestas feras,

De ratos em suas farras a esporrar suas taras,

O cara acusa o índio-caboclo de incendiários,

Assim fez Nero com os cristãos na Roma real,

E nele se encarnou do seu mal lá do seu altar,

Para varrer da Amazônia, os donos do seu lar.

 

Esses malditos agro-capitais,

Querem é derrubar e queimar,

Nossas milenares florestas tropicais.

 

 

TAPA NA CARA

Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Deixaram o corpo estirado na maca,

No corredor de um sujo hospital,

Não ganhou nem o seu funeral,

E eu, nem ao menos protestei,

Por nos tratar como bruaca.

 

Fizeram esculacho da nossa lei,

Escarraram em minha cara,

Nos surraram com reio e caiçara,

Na carne tremida pelo frio vento,

Da urina fedida do cru cimento,

E mais uma vez com tudo me calei.

 

A noite pode até ser uma menina,

Mas o dia é uma ave de rapina,

Entre chibatas nos espinhaços,

E rações nos tachos de melaços,

Lembram as épocas da coivara,

Que se acordava com tapa na cara.

 

O tempo que amacia e suaviza,

Também alisa e retalha a pele,

Penetra e endurece as juntas,

Torce e retorce o seu corpo,

E nos faz andar lentamente,

Até nos deixar seco indiferente.

 

 

 

 

O FIM E O NOVO

Poema do jornalista Jeremias Macário. Este e outros podem ser encontrados em seu novo livro “Andanças”

De um tempo fizeram fatias,

e para uma noite criaram fogos;

inventaram a dança dos códigos,

na língua divinha da quirologia,

das cartas viradas e dos tarôs,

para ir ao futuro do ar e da jia,

de sonhos melados de fantasias.

 

É o final das contas de um ano…

um novo a contar que se anuncia;

é a despedida da via gregoriana,

religiosa, dionisíaca e profana,

de um reino espártaco e romano,

decifrado pela suma quiromancia.

 

É mais o fim de um ano…

da hora pontual da terra ranger;

dos mortos-vivos ressuscitarem;

explodirem as luzes do show,

quando o seu relógio zerar,

para o pacto entre amor e dor.

 

É mais o fim de um ano…

e um novo de Jeová, ou de Alá;

do deus da orgia sodomitana,

do ritual celta  da bela cigana,

e do espírito cristão de se rezar.

 

Cada um pode fazer o seu fim,

para começar um outro novo,

com a cara pintada de humano,

nas águas desse imenso oceano,

onde vai se banhar nosso povo.

 

O novo pode ser o início do fim,

para quem não segue seus planos,

de se purificar dos apegos carnais;

dos caprichos capitais mundanos,

e não escolhe os simples portais.

 

Na sua taça fina da embriaguez,

borbulha o glamour da nudez,

girando o luxo em câmara lenta,

no ácido disfarçado de água benta.

 

Os foguetes dos canibais globais,

são explodidos em nossos quintais.

Os devotos fazem rituais viscerais,

de oferendas para seus orixás locais,

banhando todo de branco os litorais.

 

Os morros estendem os seus varais,

como se fossem concurso de festivais,

de pobres vistos como os anormais;

e a violência é manchete nos jornais.

 

No final se reparte o PIB desigual,

com a cara de um novo sujo imoral,

na disputa do Ocidente e do Oriente,

entre o Israel poderoso e o mulçumano,

vivendo todos na mira do Americano,

e que se dane a fome fatal do africano.

 

É o pipocar dos velhos espumantes,

na Paris milenar de seus viajantes,

nos mares lunares dos transatlânticos,

na companhia dos tarados amantes,

ou na Londres aristocrata imperial,

e na Atenas da sabedoria imortal,

derramando toda riqueza de um ano,

no consumo varado da compulsão,

enquanto nobres se fartam de brioche,

e os miseráveis ficam sem o seu pão.

No mosteiro do fim de ano,

ora o monge do alto monte tibetano,

pelo seu opressor filho das dinastias,

e na ilha das prisões de Guatânamo,

vivem acorrentadas de ódio as etnias.

 

Nem no fim, nem no novo,

se ouve o roncar da barriga vazia,

nem o apelo do santo peregrino,

para dividir parte dessa fortuna,

para matar a fome do nordestino,

e não derrubar a única baraúna.

 

A roleta da vida gira outra vez,

e passa o final, e passa o novo,

na rota mitológica de cada povo,

como dos heróis da mesopotâmia,

que têm que derrotar os monstros,

para livrar-se da saga cruel do caos:

matar o rei num sacrifício penoso,

para lavar todo pecado criminoso.

 

No novo da Pérsia e da Babilônia,

os escravos tomavam o assento

dos seus notáveis mestres das lidas,

para narrar e cantar seu lamento,

lambendo suas próprias feridas.

 

A Grécia celebrava o seu novo,

com a luta de Zeus contra Titã,

encenando uma liturgia pagã.

 

Os romanos festejavam a saturnália;

soltavam na arena a grande fera;

Cristo cortava o deserto de sandália,

para anunciar ao povo uma nova Era.

 

TANTA GENTE!

Poeminha de autoria do jornalista Jeremias Macário, do seu livro “Andanças”

Nunca vi,

tanta adversidade,

um monte de falsidade,

cinismo e egoísmo,

falando de socialismo.

 

Nunca vi,

tanto stress e ansiedade,

armação de malandragem,

atrativo de embalagem,

de conteúdo sujo e vazio,

e tanta gente viciado no cio.

 

Nunca vi,

tanta procura pela  cura,

doutrina holística e divina,

tanta maldade assassina.

 

Nunca vi,

tanta gente desatina,

furando o limite da fronteira,

como na correria cigana,

atrás do sonho de uma mina,

numa roleta cumprindo sina.

 

Nunca vi,

tanta gente robotizada,

em aparências falsificadas,

de faces plastificadas,

ocas e despreparadas.

 

Nunca vi,

tanto pacote tecnológico,

com a perda do lógico,

grudado ao emocional,

pra moldar o corporal.

 

Nunca vi,

tanta gente

se endividar tanto,

e depois limpar o nome,

voltar às compras contente,

no entra e sai do consome,

e de novo ficar inadimplente.

 

Nunca vi,

tanta gente acelerada,

nas ruas agitadas,

como estouro das boiadas,

vivendo em espaço apertado,

sem conhecer o outro do lado.

 

Nunca vi,

a natureza tão poluída,

a terra tão arrasada,

gente vivendo excluída

dos direitos normais

dos tratados universais.

 

Nunca vi,

tanta gente angustiada,

o homem aceitando calado

a corrida desenfreada

pela ganância material,

na UTI espiritual.

 

Nunca vi,

tanta indiferença nessa gente,

que não é mais temente,

nem sente o pulsar da veia,

o visual galopante do poente,

que nem ver passar a lua cheia.

 

Nunca vi,

tanta gente que mente,

prometendo o que não faz,

com promessa de obra falsa,

que só tem pintura de cal,

como poço d´água de sal.

 

Nunca vi,

o ser ficar tão sozinho,

no silêncio do seu ninho,

procurando o ponto calmo,

no livro do sábio salmo,

pra encontrar seu caminho.

 

Uns não acreditam em nada,

outros engolem tudo de vez;

acreditam até em conto de fada;

igualam religião, seita e magia;

confundem fé com filosofia,

candomblé e ciência com feitiçaria.

 

 

 

 

UNS BROTAM E OUTROS SUGAM

Autoria repentina do jornalista Jeremias Macário

Tem uns poemas que borbulham e brotam,

Como olhos d´água nas nascentes;

Outros lhe torturam e sugam sua alma,

Como vampiros de afiados dentes.

 

Não sei se é inspiração,

Ou o tema que lhe deixa com edema,

Pra botar uma dose na cuca

Viajar no extremo ácido surreal,

Mesmo que não seja coisa real,

E sentir o céu e o inferno;

Transar com o eterno Supremo,

Na pegada de uma corona bituca,

Da mística beleza maluca.

 

Só sei que uns brotam,

E outros sugam,

Mas alguma coisa fica e liga,

Como intriga política,

Onde tem o ódio e a intolerância,

Dos imbecis que arrotam,

Preconceito e ignorância.

 

Tem os racismos,

Os sabichões dos ismos

E a cria da homofobia,

Mas sempre vencem,

A fé, a ciência e a sabedoria

 

Misture, então, seu moço,

Esse extremo colosso,

De uns com os outros,

Que pode brotar,

Do espinho, a flor da poesia,

Que alguns chamam de amor,

Outros dizem que é dor,

E assim, uns brotam,

Outros torturam e sugam.

 

 

“NO OLHO DA RUA”

O mais recente poema do jornalista Jeremias Macário, que aborda a situação dos moradores de rua

Foto de Jeremias Macário

Sentado aqui neste banco de jardim,

Vejo carros a passar entre mortos-vivos,

Mergulho nesse faminto doer em mim,

Do amor que se quebrou em desencanto,

Sonhos partidos de desalento e pranto,

Que um dia foram parar no olho da rua.

 

Oh quão desigual essa tirana divisão social!

De andantes invisíveis desse algoz capital,

De olhos vagos rasgados latinos franzinos,

Como dos meninos, filhos dessa droga diária,

Fuzilados na sangria matança da Candelária,

Quando a noite se silencia no olho da rua.

 

Da pandemia viral que mais trabalho cortou,

Como o cachorro que o dono o escorraçou,

O casal se refugia na procura da cura da dor,

Em cada marquise, em cada esquina e viaduto,

Tem a marca concreta desumana do produto,

Da crua realidade de ir morar no olho da rua.

 

Livre das amarras do sistema tempo e hora,

Sua coberta de papelão pode arder em fogo,

Nas labaredas intestinais roendo em fome,

E em cada ser existe uma história para contar,

Tem quem chora e quem apaga da memória,

Sua vida que lhe levou a cair no olho da rua.

 





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