agosto 2026
D S T Q Q S S
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

:: ‘Na Rota da Poesia’

AS ESTAÇÕES PERDEM SUAS CORES

Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Por Deus, Alá e por Jheová!

Deixem de atanazar a natureza,

E sugar de cada Estação,

O vigor sublime da sua beleza.

 

Os deuses da tecnologia e da ciência,

Estão poluindo o ar, a terra e o mar,

E do humano a consciência escravizar.

 

Lá se vão os contrastes das Estações,

A noite virou um clarear do dia,

Com a energia da luz artificial,

Que tirou a magia do espaço sideral,

 

No Nordeste, o verão chicoteia no reio,

Com um fino outono e rala primavera,

Na era do escasso inverno que não veio.

 

O céu noturno, nosso templo sagrado,

De lua e estrelas no infinito universal,

Que previam o futuro com o ritual,

De fartura das colheitas do arado.

 

As bruxas voadoras em suas vassouras,

Cortavam as noites como os cometas,

Para anunciar as mudanças nos planetas.

 

As Estações não eram preguiçosas,

Cada qual exibia suas cores,

Os pastores tinham o tempo certo,

Do rebanho curral e das colinas viçosas.

 

Existia o limite entre frio e calor,

Com o toque dos tambores dançantes,

E o sopro nas orgias dos berrantes.

 

No Brasil já devastam os ciclones,

Queimam as florestas do Xavante,

O Pantanal vai perdendo seus clones,

E a Estação faz sua mudança rasgante.

 

O DESERTO E O MAR

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

O deserto é o mar de mortais poeiras,

O mar é o deserto de águas traiçoeiras,

Eu sou o deserto rasgante incerto,

Você é o mar nas ondas a cortar.

 

Cada um com seu mistério profundo,

O Saara africano é o maior do mundo,

O deserto é o mar seco árido infértil,

Que um dia já foi Crescente Fértil.

 

Temidos pelo viajante aventureiro,

Os dois são muralhas contra invasão,

E o poeta escreveu “Navio Negreiro”,

Em alto mar condenou a escravidão.

 

Novas rotas uniram ilhas e continentes,

Numa procissão de veleiros imponentes,

Com suas surpresas de armadilhas de teias,

Como o deserto com suas nuvens de areias.

 

Os faróis da era acendem seus pavios,

As caravanas de camelos são como navios,

Com suas cargas escravas, virgens e marfim,

Nos horizontes de ouro das linhas sem fim.

 

Engolem vidas e escondem piratas,

Com seus oásis e montanhas de pratas,

O deserto da sede cria visões e miragens,

E o mar a balançar nas galeras selvagens.

 

Sacudidos pelo calor dos testes atômicos,

O deserto foi dos peregrinos islâmicos,

Vias de mercadorias para levar o Alcorão,

E pelo mar, o jesuíta fez o nativo cristão.

 

 

 

DA GAIOLA MEDIEVAL

Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário (macariojeremias@yahoo.com.br)

Da gelada gaiola medieval,

Voam pássaros libertários da igualdade,

Rasgam os véus das linhas do tempo,

Nas asas dos céus do Renascimento,

Para condenar a crueldade escrava,

Curar séculos de inquisição da palavra,

Que só a Igreja ditava o bem e o mal.

 

Da gaiola gelada medieval,

Sai a Bíblia da Reforma de Lutero,

No dote de cada um ser seu sacerdote,

E atira contra as vendas das indulgências,

Que salvam nobres e excluem os pobres;

Calvino em sua pregação é mais severo,

Defende sua tese da predestinação,

E nega as catedrais das janelas de vitrais,

 

Da gelada gaiola medieval,

Partem navegadores e cientistas,

Jesuítas vão levar suas doutrinas,

Nasce a revolução dos grandes artistas,

Leonardo da Vinci pinta Mona Lisa,

Michelangelo faz a Capela Cristina,

Bartolomeu dobra o Cabo da Esperança,

E lança nova rota marítima pra China.

 

Da gaiola gelada medieval,

A imprensa voa como presente divino,

Para anunciar a luz de um novo destino;

Colombo chama o Novo Mundo de índios,

Nas Américas dos incas, maias e astecas;

Vasco da Gama navega até a terra Índia,

E a história troca suas espadas afiadas,

Por uma guerra ainda mais mortal.

 

Da gaiola gelada medieval,

Voa uma florida ave primaveril,

Deusa da ciência e da tecnologia,

Que bebe do saber e do conhecimento;

Faz o invento do vapor e da energia;

Ergue a era das cidades industriais,

E a fome gera a Revolução Francesa,

Com seus ideais pela melhoria social.

 

 

NEM SEI SE SOU…

Versos do jornalista e escritor Jeremias Macário, que fazem parte do seu último livro “ANDANÇAS”.

Meu amigo camarada,

Desculpe meu jeito serial,

Assim fui criado e feito,

Numa couraça de crença,

De um sistema desigual.

 

O tempo é uma cilada,

Entre o amor e a dor,

Nem sei se sei, se sou,

Como um quase nada,

Ou um pouco de cada.

 

A morte só é uma graça,

Quando vira uma piada,

Em conversa na praça,

Mas passa sem dar risada,

Com sua sentença marcada.

 

Nem sei se assim sou,

Um pavio do candeeiro,

Na face de um escravo e patrão,

Como lobo, e um cordeiro,

Vigilante errante de plantão.

 

Nada que reluz me conduz;

Faço destinos em pedaços,

De fios de algodão e de aços,

Ora sou laço nos espaços,

Ora sou simples traços.

 

Nem sei se sou encanto,

Alegria, lamento e pranto,

Em alguma parte desse canto,

Que mais parece um conto,

De encontro e desencontro.

 

Uma hora penso ser corda,

Grossa de sisal, ou de viola,

Outra hora, sou uma estola;

Procuro quem me consola,

E a dura realidade me acorda.

 

Nem sei se sou criatura,

Como diz a benta Escritura,

Nessa eterna via de procura,

De caminhos de aventura,

Cheios de ódio e de ternura.

 

Nem sei aqui qual meu papel,

Se é de cortina, ou de véu,

E assim vou indo ao léu,

Como a semente ao vento,

Do nascente ao sol poente.

 

 

 

 

 

A IDEIA É ESSA

Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

A ideia é essa, meu amigo,

Seja como vaga-lume na escuridão,

Se não tem certeza da sua opção,

Se vai dar certo ou errado,

Se arrisque fundo no desafio,

Mesmo que seja na luz do pavio.

 

A ideia é essa, meu amigo,

Para desvendar o seu segredo,

Nunca tenha medo do castigo,

Seja qual for o final do enredo,

Ouça a mensagem da canção,

Que vai guiar sua difícil decisão.

 

A ideia é essa, meu amigo,

Nunca deixe de regar a sua flor,

Seja na alegria ou na triste dor,

Sempre encare seu presente,

Curta os momentos da vida;

Construa bem seu futuro abrigo,

Com sua mente mirando o mar.

Ao lado do seu grande amor.

 

SE O TEMPO PUDESSE VOLTAR

Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário

Ah, se o tempo pudesse voltar,

E mudasse o rumo do vento,

Escolhesse outro conquistador,

Com uma história de Brasil vencedor.

 

Ah, se o tempo pudesse voltar,

Para proibir toda escravidão,

Levar água e comida ao nordestino,

E a todos dar um bom destino,

 

Ah, se o tempo pudesse voltar,

Para garrotear uma ditadura militar,

Onde nosso povo fosse livre e feliz.

 

Ah, se o tempo pudesse voltar,

E impedisse a derrubada das florestas,

Para termos o puro ar para respirar.

 

Ah, se pudesse voltar ao tempo,

Para recuperar o tempo perdido,

E melhor entender o caminho da vida.

 

Ah, se pudesse voltar ao tempo,

Não magoaria o sentir de tanta gente,

E regaria sempre a minha semente.

 

Ah, se pudesse voltar ao tempo,

Não jogaria lixo na pista e no mar,

E aproveitaria mais o tempo para amar.

 

Ah, se pudesse voltar ao tempo,

Repetiria as boas ações que fiz.

E cortaria todos os males pela raiz.

 

Ah, se pudesse voltar ao tempo,

Mas o tempo não pode voltar,

“E agora José? E agora José”?

O jeito é ter coragem e fé,

Remover a pedra do caminho,

Porque você ainda tem tempo,

Pra seus sonhos reconquistar.

NA LINHA DE FRENTE

Poema recente do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem aos profissionais da saúde

Pelas trilhas do curso do tempo,

Como velho curandeiro da mente,

Uma carroça circula lentamente,

No parafuso do trânsito confuso,

Entre o piscar das luzes das sirenes,

Dos socorristas aflitos das pistas,

Com vidas ofegantes não perenes,

Que carecem de sangue na corrente,

Dos salva-vidas da linha de frente.

 

A pandemia acelera a correria,

De macas nas disputas por vagas,

De cilindros divididos de oxigênio,

Em um SUS sem ar onde falta lugar,

E até no particular plano do convênio,

Vale a escolha do menos fraco doente,

Nas divisórias mascaradas dos hospitais,

Onde pacientes choram nos fios dos sinais,

Das mensagens virtuais da linha de frente.

 

Entra o intubado e sai o caixão,

Na dor infinita pela perda da vida,

Como num cenário de filme de ficção,

Na milenar guerra entre ciência e fé,

Tem o Buda, o Cristo e o Maomé,

Também o cego negacionista ignorante,

E os profissionais da linha de frente,

Para dar a ingrata última informação.

 

Quem é essa mortal fera Covid,

Que com tanta intriga nos divide,

Arrasa o pulmão dessa nossa gente,

E também sufoca toda linha de frente?

 

PODEM ME CRITICAR

Um dos poemas inéditos do jornalista e escritor Jeremias Macário

Podem me criticar!

Podem me criticar!

Faça sua arte de lá,

Que eu faço a minha de cá,

Cada um com seu estilo,

Ameno, radical ou sarcástico,

Tanto que traça sua parte,

Nessa sociedade de plástico.

 

Podem me criticar!

Do meu jeito de ver o mar,

De olhar a linha do horizonte,

Sem essa do errado e do certo,

Cada um construindo sua ponte,

Na solidão desse árido deserto,

Com sua forma de pensar.

 

Podem me criticar!

Sem o seu ódio intolerante,

Que defendo a sua canção,

Não importa o ritmo e a melodia,

Respeite minha pena rasgante,

Cada obra tem seu toque de poesia,

De amor, da cidade ou do sertão.

 

Podem me criticar!

Sigo a minha estradeira guerreira,

Você segue a sua de lá,

E cada um em seu lugar.

O EMBATE DA CIÊNCIA COM A FÉ

Poema mais recente do jornalista e escritor Jeremias Macário

Uma injeta a cura da doença,

Como o gênio das vacinas o Pasteur,

E a outra se apega em sua crença.

 

Brigam a ciência e a fé,

Roubaram a Arca da Aliança os filisteus,

E em seus corpos nasceram tumores,

Como castigo disseram de Deus.

 

Brigam a ciência e a fé,

Galileu foi pela Igreja emparedado,

E Jordano Bruno na Inquisição queimado.

 

Brigam a ciência e a fé,

Na China nasceu a tecnologia,

A Índia floresceu na religião,

E cada uma expandiu sua magia.

 

Brigam a ciência e a fé,

Nas espadas dos brutos medievais,

Até hoje se matam cristão, judeu e Maomé.

 

Brigam a ciência e a fé,

Na nau capitania do linho e da lã,

Na rota da seda dos remos das galeras,

Entre pulgas da Peste Negra de todas eras.

 

Brigam a ciência e a fé,

No mortal flagelo da procissão da bactéria,

E ao redor das catedrais penava a miséria.

 

Brigam a ciência e a fé,

Os médicos com suas tochas a cauterizar,

Os ricos à Igreja seus bens a doar,

E o clero a tombar na Santa Sé.

 

Brigam a ciência e a fé

Nas cruzadas de uma Guerra Santa,

Para sangrar mouros em seu altar.

 

Brigam a ciência e a fé,

Entre os milagres do mar que se abriu,

De coisa que procura explicar a outra,

Como aquele câncer que sumiu.

 

Brigam a ciência e a fé,

Osvaldo Cruz venceu rebelião,

Com a vacina e a seringa na mão.

 

Brigam a ciência e a fé,

Para derrubar a gripe espanhola,

Depois tudo virou samba canção,

No pandeiro e na batida da viola.

 

Brigam a ciência e a fé,

Dos negacionistas terraplanistas,

Que deixam a Covid nos matar.

 

Brigam a ciência e a fé,

Como Lampião e os coronéis,

Na ponta do punhal e do parabelo,

E ninguém quer entregar seus anéis.

 

SANGUE PROIBIDO

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Morena serena,

de corpo inteiro,

de olhos verdes,

cores do coqueiro.

 

Palmas balançam,

entre a faca afiada,

no fio do corte,

da carne cortada,

com sangue espirrado,

na mão ensanguentada.

 

Toque terno interno,

no vermelho a escorrer,

entre o proibido sentir,

no desejo quente,

do beijo ardente,

tocando até o ventre.

 

Ternura carente,

de uma tarde fria;

desperta o membro,

e o prazer irradia,

por fora e por dentro,

no corpo latente rente.

 

O orgasmo aflora,

entre pernas sedentas;

o sangue bombeia,

na medida da hora,

correndo pela veia,

acordando os sentidos,

dos líquidos proibidos.

 

Do fruto dos seios,

escorre a deliciosa ceia,

e fecunda o sêmen,

entre os galanteios,

tecendo sua fina teia.

 

Nascido da carne,

do extrato libido,

de um pecaminoso

sangue proibido,

Intravenoso.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia