Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário (Leia Andanças)

Oh, Senhor, tudo é muito triste!

Ver tantos irmãos a tombar,

Por essa maldita que persiste,

Ver artista dizer que ela é comunista,

Uma vacina frita que não se decide,

E tanta gente a morrer dessa Covid.

 

Renegam a ciência e se agarram na fé,

Oh, Senhor, perdoai tantas asneiras,

De pastor dizer ser coisa de Lúcifer,

Desse espinhoso a correr mundo a fora,

Como poeiras infestando as fronteiras,

E essa vacina que por aqui nos divide,

Com tanta gente a morrer de Covid.

 

Nessas vias de tantas cruzes de agonias,

Vou em meu corcel de patas a cavalgar,

Nessa solitária imensidão do infinito,

Só para mergulhar no horizonte do mar,

Dizer para o meu amor que não vacile,

Não vamos ter mais morte dessa Covid.

 

Aqui ainda sobrevivo em minha escuridão,

Sem saber se dois mil e vinte já passou,

Recebendo tantas notícias na contramão,

As redes brindando dois mil e vinte um,

No zoom mortífero dos imbecis do terror,

Sobre a vacina que nosso destino decide,

Pra acabar de vez com esse morrer de Covid.