Quando falamos da caatinga, logo nos lembramos do Nordeste, do homem retirante do seu torrão natal para fugir das secas, do rei do Baião, Luiz Gonzaga, com suas canções, de Patativa do Assaré, de Catulo Cearense, da lua enluarada, dos grandes cancioneiros, trovadores e repentistas, de Lampião, dos cangaceiros nos embates e cortando espinhos para fugir das volantes, da marcha de Luis Carlos Prestes e da terra árida.
A caatinga também nos faz lembrar do isolamento da sua gente durante séculos, dos coronéis opressores dos oprimidos, dos grileiros da terra, dos chefes políticos mandatários, dos jagunços e pistoleiros, das homéricas brigas entre as famílias, das injustiças sociais contra o povo, do misticismo, das crendices e messianismo religioso, do homem forte e valente e até do sangue jorrando das vinganças.
Você é única e não está em nenhum outro lugar, mas também tem suas subdivisões, suas características próprias, ás vezes mais agreste, fechada, mais rala, com árvores baixas e outras altas e até pedregulhosa, com suas colinas, morros e um pôr-do-sol encantador, poético e sublime.
Ah minha caatinga onde nasci e me sinto com orgulho em ser seu filho legitimo! Você é mágica e guarda seus mistérios, lendas e mitos, cinzenta nas secas e florida nas chuvas, quando de si exala o cheiro da terra. Nas aguadas, a flora dá sua flor e a bicharada faz sua festa. Você é a única no mundo onde o sertanejo é o desbravador, valente e destemido.
Dia 28 de abril é comemorado o Dia Nacional da Caatinga, instituída para conscientizar sobre sua preservação, mas, infelizmente, continua sendo devastada e, em alguns lugares, se tornou desértica onde a terra vira sal.
Seu nome, do tupi-guarani, significa mata-branca, devido a cor da vegetação durante as estiagens. Possui mais de cinco mil espécies diferentes e exclusivas. Lá estão o juazeiro, a jurema, o umbuzeiro, que gera o saboroso fruto e água de suas raíses, a macambira, a baraúna, a aroeira-do-sertão, o angico, a catingueira, a barriguda, a quixabeira, a palma, o cacto e o imponente mandacaru, o mais resistente e símbolo da região.
O dia também foi criado para homenagear o professor e ambientalista João Vasconcelos Sobrinho, pioneiro nos estudos ecológicos no Brasil. Pena que atualmente, conforme as pesquisas, tem sido o bioma onde mais se desmata e o que mais perde sua vegetação, mas é nordestina com todo seu potencial cultural que encanta o Brasil e o mundo.