:: ‘Na Rota da Poesia’
DE PAI PRA FILHO
Autoria do jornalista Jeremias Macário
Oh, Supremo Pai Eterno!
Agradeço sua passagem,
De viagem pra voltar à terra,
Onde fui chicoteado e crucificado;
Pedi pra afastar de mim esse cálice,
Quando me cuspiram na face,
Me julgaram ser rei dos romanos,
E duelei com o diabo no inferno.
Os terráqueos querem ser o Senhor,
Mandar foguetes para o espaço,
Pra desvendar o mistério universal,
Mas não passam de primatas do aço,
Adoradores das orgias e das armas,
Que criam ódio, intolerância e dor,
E nem cuidam da miséria de sua casa,
Onde espalhou a fome, o deus capital.
Querem criar a vida, algozes da natureza,
Que plantam germes e outras doenças;
Semeiam guerras como arte e beleza;
Atiram nas araras e derrubam as matas;
Pregam em seu Nome fanáticas crenças,
Sem caráter, mentem e fingem ser feliz;
E dizem que tudo foi Deus que assim quis.
Oh, Pai, essa humanidade não se une!
Nem no mortal coronavírus vendaval,
Onde os poderosos para ter imunidade,
Viram piratas de aparelhos respiratórios;
Injetam vírus nos chips dos computadores,
Para extrair pesquisas dos laboratórios,
E deixar os pobres sem a vacina da cura.
Oh, Pai, não me mande mais pra terra,
Onde a humanidade faz apologia do mal:
Tudo é comunista e vão me assassinar,
Como naquele Brasil da louca psicopatia,
De corruptos da matança pelo metal vil,
Que roubam a comida, a água e só dão sal,
Ainda deixam o povo analfabeto irracional.
Filho, meu, Você é a única salvação,
Para separar o honesto do ladrão,
Renovar o cálice com um novo vinho;
Fazer uma outra pregação da montanha;
Banir com a palavra os radicais extremistas;
Chicotear a pele desses imbecis racistas.
De couraça selvagem como porco-espinho.
Pai, seu mandamento foi-se ao vento!
E se perdeu na orgia bacanal do tempo;
Todos sempre estão a mudar de amor,
Que murcha mais rápido que a flor;
Não vou mais carregar essa pesada cruz,
Onde não existe no homem mais luz.
Veja lá, meu Pai, aquele tal Brasil,
Onde a empatia ao irmão dele sumiu,
E a multidão como boiada em manada,
Não mais sabe distinguir o errado do certo;
Seu ensino voa pelas areias do deserto,
E até sua Igreja mente pra seu rebanho,
Mais preocupada com o dízimo do ganho.
Meu Filho, pelo menos dê a cara por lá
Naquela pátria de malandragem a roubar,
Nem que seja pra clarear fundamentalista,
Que não acredita no saber do cientista;
Mistura religião com ganância capitalista,
E troca o emocional pela linha da razão.
Perdoe, meu Pai! Eles fingem que sou amado,
Preferem a intolerância e viver de armas na mão,
Se lá Eu for, serei como um intruso devorado;
Em defesa da justiça e da sua Santa Trindade,
Fui uma vez crucificado na terra de Salomão.
DECASSÍLABO
Autor : Evandro Gomes Brito
Homenagem a Jeremias Macário de Oliveira, cujo nome é um verso de dez sílabas com acento na sexta e na décima silabas, no seu livro “TERRA RASGADA”.
“ O casal finge que casou,
A prostituta que gozou…
A Igreja finge que não pecou
E que a Inquisição já passou…
O caminhão é o cavalo de aço do asfalto”
Jeremias Macário de Oliveira,
No seu livro voraz, “Terra Rasgada”,
No Centro de Cultura, vez primeira,
Já nos veio trazer grande alvorada.
E deixando de lado o preconceito,
Usa língua do nosso bravo povo:
…”Prostituta”…”Gozou” eu já aceito
Em tudo fingimento, agora louvo.
“A Igreja”… vem dizer “que não pecou”.
Feroz Inquisição se foi embora:
E vem pregar com fé o grande amor,
Dizendo que os famintos ela chora.
Jeremias Macário de Oliveira,
Nossa vida é assim grande floresta,
Mas rugir do vulcão, lava certeira,
Na palavra candente que nos resta.
Com imagens tão lindas, coerentes,
Canta a vida, o sertão de nossos pais,
Falando das boiadas, dessas gentes,
Tempos idos, costumes nunca mais!
Do asfalto, caminhão, cavalo de aço,
Corre veloz com medo dum assalto,
Homenagem prestar, eu hoje faço,
Os seus versos vivazes já ressalto.
AGRADECIMENTO DO HOMENAGEADO:
Meu companheiro e grande amigo Evandro,
Não mereço tanta louvação desse seu celeiro.
Só escrevo para libertar a mente,
Enxugar meu pranto e continuar lavrando,
Misturando as letras no suor dessa gente.
O CAVALO DEUS REI
Um dos poemas mais recentes de autoria do jornalistas Jeremias Macário
Como nas carruagens de fogo,
Galopeia, galopeia o deus rei,
Livre no orvalho a galopar,
Na poeira do cascalho da areia,
Que arou o chão do agricultor.
Como um poderoso Prometeu,
Da Ásia ao Novo Mundo veio,
Como deus dos incas-astecas,
Com Pizarro executou Ataualpa,
Cortez prendeu o rei Montezuma,
Massacrou os índios das Américas,
Do oeste sem lei, puxou diligências,
Tudo pelo ouro pra suas excelências.
Do cavalo o homem sua força sugou,
Cortou serras e matas da mãe terra,
Nas bigas da arena foi gladiador,
Mudou todas as formas de guerra,
Criou novos reinos e fez heranças,
Com aço espalhou armas e doenças,
Ainda impôs suas fanáticas crenças,
Como nas Cruzadas das matanças.
Cavalo-vaqueiro nos rastros da res,
Nos agrestes dos engaços do Nordeste,
Das Volantes no cerco à Coluna Prestes,
De valentes tenentes rumo ao Pantanal,
E sem ele não teria o Caubói faroeste,
Nem o som da divina canção do genial,
Assovio italiano de Ênio Marricone,
Nas filmagens áridas de Sérgio Leone.
Campolina, manga-larga machador,
O puro sangue mustang e o árabe,
Pelo deserto beduíno o alado voou,
Na África teve que arrastar escravos,
Com Alexandre cavalgou até a Índia,
Colonizaram nações com os bravos,
O deus rei cavalo dos papas templários,
Dos arsenais, santuários e das catedrais.
No frio russo como máquinas biônicas,
Guerreou nas batalhas napoleônicas;
Júlio César no rio ergueu sua espada,
Por anos foi o maior rei dos romanos,
E o sanguinário Átila usou seus cascos,
Pra queimar toda grama por onde passou,
E os mangoiós adoravam o deus animal,
O feroz que lutou até a I Guerra mundial.
UNS SE VÃO E OUTROS FICAM
De Jeremias Macário, em homenagem ao meu compadre e amigo-irmão “Luizão”
Olá, meu amigo-irmão!
Pra você que se foi,
Partiu sem me avisar,
Assim é a nossa vida:
Uns chorando nascem,
Outros no silêncio se vão,
E muitos por aqui ficam,
Para seguir o ciclo da lida,
Desse misterioso círculo,
Que nunca vai se fechar.
Todos, compadre-irmão!
Temos que aprender a lição
Das horas certas e incertas,
Com a sua conta a pagar
Todos os meses e dias,
Preenchendo essas guias,
Enfadonhas e burocráticas,
Que só as linhas do amor,
Nos consolam dessa dor.
Os que amaram o viver,
A quem a todos cativou,
Aprendeu fazer sua conta,
Sem nunca ligar para o ter,
Como em sua via fez você,
Do jeito que nos ensinou,
A não se desviar do traço,
E quando por acaso lá se for,
Manter o mesmo afago,
Do abraço do dia que chegou.
Assim é o ciclo da vida,
Meu compadre, amigo-irmão:
Uns nascem e outros se vão,
E toda gente que aqui ficou,
Continua a fazer sua conta,
Como diz a canção do poeta,
Para o dia que vai chegar,
De um círculo, meu amigo,
Que nunca vai se fechar.
O DEUS REI GALOPADOR
Poema inédito de autoria do jornalista Jeremias Macário
Galopeia, galopeia,
O cavalo deus rei galopador,
No sereno orvalho do prado,
Na poeira do cascalho da areia.
Desceu do Olimpo o cavalo,
Para nas bigas ser gladiador,
Poderoso como o Prometeu,
Veloz na arena como vencedor,
Rei deus da ventania a cavalgar,
Lenda guia na viagem milenar,
Esperado como deus inca-asteca,
Da América ao Novo Mundo veio.
Do cavalo o homem sugou sua força,
Pra cortar serras e matas da mãe terra,
Nas andanças invadir e colonizar,
Oprimir pela arma e matar na guerra,
Com aço espalhar germes e doenças,
E ainda impor suas fanáticas crenças,
Como nas Cruzadas das matanças.
Templários cavaleiros dos mistérios.
Cavalo-vaqueiro nos rastros da res,
Nos agrestes dos engaços do Nordeste,
Das Volantes no cerco à Coluna Prestes,
De valentes tenentes rumo ao Pantanal,
E sem ele não teria Caubói faroeste,
Nem o som da divina canção do genial,
Assovio italiano de Ênio Marricone,
Nas filmagens áridas de Sérgio Leone.
Campolina, manga-larga machador,
O puro sangue mustang e o árabe,
Pelo deserto beduíno o alado voou,
Na África teve que arrastar escravos,
No oeste dos bravos puxou diligências,
Com Pizarro executou o rei Ataualpa,
E Cortez prendeu o asteca Montezuma,
Tudo pelo ouro pra suas excelências.
No frio russo como máquinas biônicas,
Guerreou nas batalhas napoleônicas;
Júlio César no rio ergueu sua espada,
Lançou a sorte e foi rei dos romanos,
E o sanguinário Átila usou seus cascos,
Pra queimar toda grama por onde passou,
E os mangoiós adoravam como deus animal,
O feroz que lutou até a I Guerra mundial.
O GALO PROFESSOU
Poema mais recente de autoria do jornalista Jeremias Macário
Seu canto é também canção de amor,
De cisco riscado no chão reprodutor.
O galo professou e me ensinou
A ser semente levada pelo vento,
Louvar a vida, desencantar a morte,
E sempre ter a mente firme e forte.
Sem o relógio para o tempo anotar,
O sono leve vigia no silêncio da noite,
O sinal do galo no açoite da madruga,
Que está na hora da tropa se levantar.
O galo galante no terreiro é bem visto;
Foi testemunho da antiga divina profecia;
Cantou três vezes após Pedro negar Cristo,
Ao dizer que o seu mestre não o conhecia.
O galo professou pegar no pasto os jumentos,
No orvalho do sertão pra na feira mascatear
Os mantimentos lavrados na enxada do torrão,
E na baixada deu pressa antes do dia clarear.
O galo professou na curva ainda meio turva.
Que a aurora com seu esplendor logo ia raiar;
Professou que com o trabalho a dor se cura,
E o vade nos guiou até à cidade a carga arriar.
MEU PRIMEIRO PROFESSOR
Poema mais recente de autoria do jornalista Jeremias Macário em homenagem ao jumento
Meu primeiro professor foi um jumento,
Que me ensinou ser um cara prudente,
Carregar carga pesada pro nosso sustento,
Entre as veredas desse meu sertão valente.
Meu primeiro professor foi um jumento,
Este inocente que está sendo morto-extinto,
Com louvor serviu Maria, José e o Menino,
Sem lamento para a terra faraó do Egito.
Meu primeiro professor foi um jumento,
Símbolo do nosso Nordeste repentista,
Que ajudou transportar água e alimento,
E ainda foi inspiração para poeta artista.
Meu primeiro professor foi um jumento,
Que me deu força de vontade e persistência,
Com sua cangalha matou a fome dessa gente,
De existência secular desde os reis do Oriente.
Salve! Salve! Nosso irmão jumento!
Vamos impedir que o criminoso avarento,
Leve nosso jegue pro curral da matança,
Como condenado que só nos deu bonança.
DE LIVRO NA MÃO
Poema (atualizado) de autoria do jornalista Jeremias Macário
O Brasil vai ter armas nucleares,
Cortar nossa magra educação;
A cultura definhar como cambito;
Todo povo viver em corrida manada;
O meio ambiente sumir pelos ares,
No buraco negro fundo do infinito;
A Amazônia, uma fazenda de boiada;
Os índios morrendo de calamidade;
E todos de armas em punho sem lição.
De livro e com a escrita na mão,
Me livro das armas e dessa cilada,
Do soldado a torturar e a matar
Negros e pobres nos tiros favelada.
Não vou ser mais lenha na fornalha,
Nem ser boi ferrado, caça de caçada,
Inocente útil de cabeça fútil dominada,
Nem cangalha dessa tropa de canalha.
Vou de livro na mão e sair da contramão;
Ser poeta pra falar de razão, amor e dor;
Voar alto e livre nas asas do Condor,
Pra condenar quem nega a ditadura,
Planta veneno e esconjura nossa Sofia,
Mente que não existiu porões da tortura
E ainda tenta roubar o livro da nossa mão,
Pra nos fazer de massa guia de manobra,
Pau mandado e reio cru pra toda obra.
UMA NAÇÃO EM CORRERIAS
Este poema de autoria do jornalista Jeremias Macário é inédito e saiu agora do forno. Fala de um povo que foi e ainda é muito discriminado pelos olhos preconceituosos.
Fotos divulgação
Um dia, uma bela “buena dicha”,
Cigana do Rio Campo de Santana,
Leu as raias da minha mão,
Falou do meu passado e futuro,
E de uma nação em correrias,
De um povo livre Calon e dos Rom,
Origens de várias partes do mundo,
Visto como trapaceiro e vagabundo.
Reza a lenda que um grupo do Egito,
Não acolheu o Infante em sua tenda,
Quando fugia com sua Família no deserto,
E aí caiu maldição de vagar como nômade,
Viver sua gente em disparadas correrias,
Forasteira peregrina a pagar a sua sina,
Mas tudo foi engano cigano feito mito.
Da Grécia Antiga e dos confins da Ásia,
Na Romênia, a nação Rom foi escrava,
Falseou de imigrantes alemães e italianos,
E da Península Ibérica veio o Calon Kalé,
No galé do navio degredado por Portugal,
Para o Rio como bandidos imundos vadios,
Nos mares negreiros do Brasil Colonial.
Para sobreviver, negociou com escravos,
Arreios de prata, cavalos e bestas animais,
Cigano Calon do cobre, zinco e do latão,
Caldeireiro engenho da mata canaviais;
Do Nordeste, de Minas a Bahia nos jornais,
Noticiado como sujo, embusteiro sem etnia,
Pela polícia dessa sádica elite sociedade,
Como desordeiro, preguiçoso e ladrão.
Das correrias dos sangrentos tiroteios,
As posturas municipais de torturas,
Acusam ciganos de zíngaros imorais,
A “buena” de bruxa astuta prostituta,
Uma nação com suas marcas culturais,
Sem direito à cidadania do ir e do vir.
De tez morena, olhar mágico lógico,
Com seu tempo sem relógio dividido,
Não linear, de labirinto reprimido,
Curtindo na rede, a deusa do ócio,
Como um transgressor das normas,
Herege banido dessa moral religiosa,
Vai a cigana Andaluz a bailar formosa,
Nas batidas sonoras das castanholas,
A sonhar com seu reino mitológico.
Essa é a história de uma nação em correrias,
De cidade em cidade, província em província,
Artista amante da dança nas noites de boemias
Que com seu jogral encantou toda Corte Real.
LEMBRANÇAS DO TREM
Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário
Foi-se o tempo de menino,
Espiando o telegrafista,
Com batidas de artista,
Mandar tocar o sino,
Como se fosse um hino,
Pra lembrar aos viajantes,
Que em poucos instantes,
Vai ter máquina na pista.
Lá vem o trem a se arrastar,
Nas serras diamantinas,
Como cobra a deslizar,
Por entre as colinas.
Lá vem o trem roncando,
Com suas patas de ferro,
Levando usinas de sonhos,
Nas cabeças dessa gente,
Soltando o seu berro,
E avançando imponente.
Lá vem o trem groteiro,
Pelas esquinas do sertão,
No seu traço rotineiro,
Picado lento e ligeiro,
Parando nas estações,
Como fazia o tropeiro.
Lá vem o trem das matinas,
De janelas sem cortinas,
No seu balanço manso,
Apitando pra avisar,
Que logo vai parar,
Na Estação de Paiaiá.
Lá vem o trem penitente,
Puxando a sua corrente,
Nos trilhos do dormente,
Como um rezador,
Que vai curando a dor
Da alma do doente.
Lá vem o trem lembrança,
Dos dias que era criança,
Matando minha saudade,
De no embalo pongar,
E mais adiante se soltar,
Pra na linha caminhar,
Vendo o meu trem sumir
No horizonte de lá,
E noutra cidade chegar.
Em sua última viagem,
O trem partiu para o além,
E levou a minha bagagem,
Ficando só na mente,
A marca daquela fumaça,
Na minha cinzenta vidraça.
Lembrança da valente,
Piritiba de toda gente;
Do sábado de feirante;
Do poema cortante;
Do poeta Aragão,
Que mistura pavio,
Mandioca com feijão,
E ainda nos dá razão,
Pra xingar de delinquente,
O governo indecente,
Que deixou esse vazio,
Do nascente ao poente.













