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:: ‘Encontro Com os Livros’

CIÚMES

Do livro “Suspiros Poéticos” – a beleza da lira cor,  da poetisa Regina Chaves dos Santos

O amor é uma unção de beleza e cordialidade!

É uma coisa boa para viver com a pessoa que se ama e divide dos sonhos contigo… a pessoa que se faz presente, – te apoiando e se apoiando em tuas mãos.

Ao contrário, criar contendas sobre a pessoa que está caminhando lado a lado – se chama deslealdade.

O ciúme embota as certezas, deixando no peito, uma triste sensação de esvaziar-se: um grumo na cabeça; uma impaciência na alma; uma angústia no coração; um elo trincado…

Por conta da confiança quebrada e dos porquês não entendidos, não respondidos.

– O amor é uma unção de beleza e cordialidade e os ciúmes, – um misto de mera vaidade!

ZARATUSTRA E SUA MONTANHA COM SUAS CONTROVÉRSIAS E POLÊMICAS

Os estudiosos da área filosófica de um modo geral consideram o alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900), um filósofo fora da curva, controverso e polêmico, que chegou à sua loucura no final da sua vida, morando recluso com sua irmã.

Ficou órfão de pai aos cinco anos e foi criado, de acordo com nota da Editora Lafonte, que publicou “Assim Falava Zaratustra, pela mãe nos rígidos princípios da religião cristã. Dizem que ele era ateu, mas entendo que morreu intrincado em seu labirinto de dúvidas e certo da morte do Deus antigo, aquele vingativo, ríspido e carrasco idealizado pela religião, daí ter dito que a religião matou Deus.

Nietzsche cursou teologia e filologia na Universidade de Bom e ensinou na Basiléia, na Suíça. Por não conseguir levar a termo uma grande aspiração, a de casar com Lou Salomé, por causa da sífilis, contraída em 1889, isolou-se do mundo, vindo a morrer em 25 de agosto de 1900, em Weimar.

Seu espírito era irrequieto, próprio de um grande pensador. Era poeta por natureza, mas detestava os poetas, para ele mentirosos, dissimuladores e bajuladores. Era sedento por liberdade espiritual e intelectual, bem como apegado ao mundo concreto e real.

Do outro lado, foi um grande defensor da beleza da vida, da terra, dos animais e crítico feroz da fraqueza humana. Vivia uma vida de lutas contra si mesmo, controverso, polêmico e paradoxal.

Em “Assim Falava Zaratustra”, um dos trechos diz que “do alto da montanha, da caverna em que mora com seus animais, Zaratustra perscruta o horizonte, o infinito, o grande mar, o além e paira, junto com sua águia e com sua serpente envolto no pescoço da águia, seus olhares sobre o mundo sobre os pântanos em que se debate a humanidade sem rumo. No topo da sua montanha chegam visitantes desiludidos em busca de solidão, de paz, de sentido da vida”.

Entre os visitantes, o filósofo cita um ilusionista, um mendigo por opção, um viajante, o mais feio dos homens, dois reis, o Papa destronado, um adivinho e um jumento que se tornar novo líder desses homens e adorado como um deus. Eles tentam conviver em harmonia, aprendendo a sorrir, a dançar e sentir suas próprias almas. Terão coragem de se superar, vencer a si mesmos, suas angústias, de se transformar em homens superiores e atingir o ápice de super-homem? – indaga Zaratustra.

Em sua obra, Nietzsche nos deixa vários de seus pensamentos, como a de que a coragem mata a própria morte para recomeçar a vida. Quando o homem mergulha na vida, em seu olhar interior, também mergulha no sofrimento. Toda verdade é sinuosa. No céu e no sol está toda sabedoria, não no homem.

Em sua montanha, Zaratustra chega a fazer uma ode ao sol e ao céu. Ao se referir ao sol, em suas reflexões na caverna da sua montanha, chega a firmar ter desejos de ser fios de ouro como o relâmpago e tocar também em tua pança. Segundo Zaratustra, a liberdade total e a racionalidade são impossíveis e irascíveis.

“FORA DE SERVIÇO”

UM DIÁLOGO ENTRE UM ANTIGO PAPA E ZARATUSTRA SOBRE DEUS E SEU FILHO, NO LIVRO “ASSIM FALAVA ZARATUSTRA”, DE NIETZSCHE

No capítulo “Fora de Serviço”, Zaratustra, personagem do livro de Nietzsche, se encontra, em sua caminhada, com um homem alto e escuro, na verdade o último Papa, um compungido, difamador do mundo, segundo sua avaliação.

Ele praguejava e, então, se dirigiu a Zaratustra que tentou se desviar dele. No entanto ele foi ao seu encontro, dizendo que “isto aqui é um mundo estranho e longínquo. Ouvi rugido de feras. Quem poderia me acolher já não existe.  Procuro um santo, um ermitão, único que ainda não ouvira dizer o que toda gente hoje sabe”.

–  “Que é que toda gente sabe hoje?” – perguntou Zaratustra. Talvez já não esteja vivo o Deus antigo, o Deus em quem antes toda gente acreditava.

O velho Papa respondeu ter servido a este Deus antigo até sua última hora. “Agora, porém, estou fora de serviço. Encontro-me sem amo e, apesar disso, não sou livre. Por isso só tenho alegrias com minhas recordações”.

Logo depois afirmou ter subido até a montanha para celebrar uma festa, pois “sou o último Papa!” , mas morreu o mais piedoso dos homens, o santo do bosque que louvava Deus. Como não encontrou na cabana, o homem ressaltou ter visto dois lobos que uivavam por causa da sua morte.

– Então meu coração decidiu procurar outro, o mais piedoso de todos os que não acreditam em Deus, Zaratustra, que pegou em sua mão e com olhar fixo disse: “Olha reverendo, que bela e longa mão que sempre deu a benção”.

-Eu sou Zaratustra, o ímpio que diz : “Quem há mais ímpio do que eu, para me alegrar com seus ensinamentos?” O Papa afirmou que agora o mais ímpio era ele.

Então Zaratustra indagou se o Papa sabia como ele morreu. “É certo o que se diz, que o asfixiou a compaixão? Ou ver o homem suspenso na cruz e não poder suportar que o amor pelos homens viesse a ser seu inferno e afinal sua morte?”

O antigo Papa não respondeu. – Deixa-o ir, já partiu – acrescentou Zaratustra. “É certamente em tua honra que nada de mal se deva dizer a respeito desse morto, mas tu sabes que ele seguia caminhos singulares”.

O Papa foi um bom servidor ao longo de seus anos e enfatizou que era um Deus oculto, cheio de mistérios, “Na verdade, teve um filho por estranhos caminhos oblíquos. Às portas de sua fé se encontra o adultério”. O velho Papa desatou a conversar:

– Aquele que o louva como Deus do amor, não forma juízo bastante elevado do amor em si. Esse Deus não queria ser juiz também? Mas amar é amar acima do castigo e da recompensa.

– Quando moço, esse Deus do oriente era ríspido e estava sedento de vingança. Criou um inferno para alegria de seus prediletos.

– Por fim, fez-se velho e meigo, terno e compassivo, assemelhando-se mais a um avô do que a um pai e até, mais a uma avó decrépita.

– Lá estava ele sentado, tristonho, ao lado do lume, preocupado com a fraqueza das pernas, cansado do mundo, cansado de querer, e um dia acabou por se afogar em sua excessiva compaixão.

Zaratustra interrompeu o Papa perguntando se tinha visto tudo que ele dizia com seus próprios olhos. “Pode muito bem ter sido assim. Assim e também de outra maneira. Quando os deuses morrem, é sempre de várias espécies de mortes”.

Desta ou de outra maneira já não existe. Era contrário ao gosto dos meus olhos e de meus ouvidos, isso é o pior que tenho a dizer dele – replicou o Papa.

Então, Zaratustra emendou que “gostava de tudo que tem o olhar claro e a fala franca. Ele, porém, bem o sabes, antigo sacerdote, tinha qualquer coisa de tua raça, dos sacerdotes: Era ambíguo”.

– Também era confuso. Quantas coisas não nos lançou no rosto, esse colérico, por falta de compreensão. Mas por que ele não falava mais claro?

– E se a culpa era de nossos ouvidos, por que nos deu ouvidos que o ouvissem tão mal? Se nos nossos ouvidos havia lama, quem a pôs lá? … Basta de um deus desses! É melhor não ter nenhum, é melhor cada um criar os destinos a seu capricho, é melhor ser doido, é melhor sermos nós mesmos deuses”.

O Papa ficou espantado e falou a Zaratustra que, com sua incredulidade, era mais piedoso do que pensava. “Foi algum deus que, convertendo-te fez de ti um sem-deus”. Disse ainda que sua excessiva lealdade iria conduzí-lo mais além do bem e do mal.

– Porque esse Deus antigo já não está vivo. Está morto e bem morto” – assim falou Zaratustra, encerrando sua conversa com o antigo Papa.

 

“DIÁLOGO COM OS REIS”

Zaratustra estava caminhando por suas montanhas e bosques quando passava um singular cortejo de dois reis adornados de coroas e faixas de púrpura. Diante deles ia um jumento carregado. Zaratustra pensou consigo e falou em meia voz: “Que querem esses reis aqui em meu reino, caso raro, dois reis e um asno”!

Essa narrativa está no livro “Assim Falava Zaratustra”, do filósofo alemão Nietzsche, no capítulo “Diálogo com os Reis”. Os dois ouviram alguma coisa na moita e imaginaram ser algum pastor de cabras ou um ermitão. Um deles disse que “a absoluta ausência da sociedade também prejudica os bons costumes”.

No diálogo, o outro replicou que “antes viver com ermitões e pastores do que com nossa plebe dourada, falsa e polida, embora a ela se costume chamar a boa sociedade, a nobreza. Veja aqui que Nietzsche classifica a nobreza de plebe dourada.

Na conversa, um afirmou para o outro que ali tudo é falso e corrompido, a começar pelo sangue, graças a estranhas e malignas enfermidades e a piores curandeiros.

– O melhor para mim e o que hoje prefiro é um camponês sadio, tosco, astuto, tenaz e resistente. Hoje o camponês é o mais nobre, o melhor que temos e a raça dos camponeses deveria reinar. Vivemos, porém, no reinado da plebe, num amontoado. Já não me iludo mais – assinalou um deles.

O outro respondeu: “Amontoado de massas. Ali tudo está misturado: O santo e o bandido, o fidalgo e o judeu e todos animais da arca de Noé”.

– Os bons costumes! Entre nós tudo é falso e corrupto! Já ninguém sabe reverenciar. Disso, justamente, é que nos devemos livrar. São cães domesticados e importunos. Ocupam-se em dourar palmas – exclamou o outro.

– O desgosto que me sufoca é nos termos nós mesmos, reis, tornado falsos e nos cobrirmos e nos disfarçarmos com o fausto passado de nossos ancestrais. Não passamos de medalhas para os mais tolos e os mais astutos e para todos os que hoje traficam com o poder!

Ao ouvir tudo isso, Zaratustra saiu de lá e se apresentou. Ressaltou   ter gostado quando os reis disseram para que servimos ainda nós, os reis. “Aqui estais em meu reino e sob o meu domínio. Talvez aqui possais encontrar pelo caminho o que eu procuro, o homem superior”.

Eles falaram que a espada da palavra de Zaratustra cortava a mais profunda escuridão de seus corações. “Descobristes nossa angústia porque nós vamos em busca do homem superior a nós. Para ele trazemos este jumento”.

Então, Zaratustra resolveu dizer uns versos para os reis: “Nunca o mundo caiu tão baixo – enfatizou. – Roma se tornou prostituta e antro de prostitutas. O César de Roma degenerou em besta. O próprio Deus se tornou judeu. Os reis gostaram do que ele falou.

Em seguida, revelaram que os inimigos de Zaratustra nos mostravam tua imagem num espelho. Vimos a figura de um demônio de riso sarcástico, de modo que nos amedrontaste. Que nos importa seu semblante”!

Ao se dirigirem a Zaratustra, disseram ser preciso ouvir aquele que nos ensina que “deveis amar a paz como meios de novas guerras e a breve paz mais do que a prolongada”!

–  Ó Zaratustra! A estas palavras ferveu em nossos corpos o sangue de nossos pais. …Nossos pais tinham sede de guerras, à semelhança dessas espadas.

Quando os reis falaram da felicidade de seus pais, Zaratustra sentiu vontade de zombar daquele ardor pelas guerras, porque eram reis pacíficos… Zaratustra, então, levou os reis até sua caverna para prosear.

“OS POETAS SÃO MENTIROSOS”

Além de depreciar as mulheres, no livro “Assim Falava Zaratustra”, Nietzsche diz através de seu personagem, que “os poetas são mentirosos”. Um dos seus discípulos, então, indaga por que dizeis que eles mentem?

Ele responde que não pertence ao número daqueles a quem é lícito interrogar sobre seu porquê. “Por acaso nasci ontem? Há muito tempo, tudo o que opino repousa sobre experiências vividas”. É bom lembrar que Nietzsche é um filósofo complexo e fora da curva que viveu no século XIX.

Zaratustra também é um poeta. Julgas, então, que ele falava a verdade? Que razão tens de acreditar? O discípulo respondeu que acreditava em Zaratustra, que maneou a cabeça e sorriu: “A fé não me torna feliz, e a fé em mim mesmo, menos ainda que qualquer outra. Nós somos mentirosos demais”.

“Sabemos também pouco demais e aprendemos mal demais. Assim somos forçados a mentir. Logo, quem entre nós, poetas, não terá alguma vez adulterado seu vinho? Muitas misturas envenenadas se têm feito em nossas tabernas”.

“E é por sabermos pouco que nos seduzem os pobres de espírito, especialmente quando são mulheres jovens”. Para ele, só as mais velhas têm o eterno feminino. “É como se existisse um caminho secreto que conduzisse ao saber que seria subtraído aos que aprendem alguma coisa, assim cremos no povo e em sua “sabedoria”.

De acordo com a fala de Zaratustra, os poetas supõem sempre que a própria natureza está apaixonada por eles. E que desliza até seus ouvidos para sussurrar coisas secretas e palavras carinhosas. “Disso de gabam e se gloriam, perante todos os mortais”.

“Ah, existem tantas coisas entre o céu e a terra que só os poetas puderam por um pouco sonhar”. Para Zaratustra, sobretudo no céu porque todos os deuses são símbolos de poetas e subterfúgios de poeta.

“A verdade é que sempre nos sentimos atraídos para o reino das nuvens. Sobre elas instalamos nossos manequins multicoloridos, a quem chamamos de deuses e super-homens”.

Quando ele afirmou que estava farto dos poetas, o discípulo ficou um tanto irritado. Zaratustra também se calou, mas depois confirmou que estava cansado dos antigos e dos novos. “Para mim todos são superficiais, todos são mares sem profundidade”.

Em seu diálogo sobre os poetas ainda destacou que “gostam de se fazer passar por conciliadores. Mas, para mim, são sempre pessoas de meios termos, de sonhadores…”! ”Lanceira minhas redes nos mares deles para apanhar belos peixes, mas pesquei somente a cabeça de um deus antigo”. Segundo Zaratustra, talvez os próprios poetas tenham nascido do mar.

“Também do mar aprenderam sua vaidade. Não é verdade que o mar é o primeiro dos pavões reais? Já vi poetas se transformarem e já os vi voltar contra si mesmos seu olhar. Vi chegar redentores do espírito, Tinham nascido entre os poetas”.

ALGUNS DE SEUS PENSAMENTOS

Estou finalizando a leitura de “Assim Falava Zaratustra”, de Nietzsche, um filósofo ateu, complexo e um ponto fora da curva do século XIX que, para começar, menospreza, deprecia os poetas e as mulheres. Para ele, só as mais velhas são mais sensíveis e maduras que merecem atenção. Quanto aos poetas – por ironia, sua linguagem é quase toda poética entre metáforas e parábolas – são mentirosos e enganadores fúteis.

Bom, vamos a alguns de seus pensamentos, os mais lúcidos e que nos servem de ensinamentos para a vida. No capítulo “DE PASSAGEM”, depois de atravessar muitos povos e cidades, Zaratustra retorna para sua montanha e sua caverna. De passagem, ele se depara com um louco na porta da cidade, que o povo o chamava de “macaco de Zaratustra” porque imitava o próprio em sua linguagem e pensar.

O louco abriu os braços e disse que ali Zaratustra nada tinha a procurar, mas tudo a perder. Ali era um lamaçal! “Isto é um inferno para os pensamentos dos solitários. Aqui se cozinham vivos os grandes pensamentos, aqui se reduzem a papa. Aqui apodrecem todos os grandes sentimentos…”

O “macaco” continuou a falar para Zaratustra: “Não percebes como aqui o espirito se tornou um jogo de palavras? Cospem repugnantes intrigas verbais! E dessas intrigas fazem, os de cá, ainda jornais (hoje poderia ser redes sociais).

“Provocam-se sem saber porquê. Entusiasmam-se e não sabem porquê. Sacodem suas latas, tilintam com seu ouro. Sentem frio e procuram calor na aguardente. Aquecem-se e procuram frescor nos espíritos gelados. Estão todos infectados e contaminados pela opinião pública”.

O “louco macaco” insistiu em lhe aconselhar, afirmando que “eu sirvo, tu serves, nós servimos. Assim rezam ao soberano todas as virtudes hábeis, para que a merecida estrela se prenda afinal ao peito esquálido. A lua, porém, ainda gira em torno de tudo o que é terrestre. Assim também o soberano gira em torno do que há de mais terrestre: O ouro dos lojistas. Aqui corre sangue pútrido, pobre e espumoso, por todas as veias. Cospe sobre a grande cidade, que é o grande depósito onde se acumulam todos os detritos”.

Como se percebe, o diálogo tem sua própria antítese, e Zaratustra manda o “louco” se calar exclamando que ele tem vivido muito tempo à beira do pântano ao ponto de teres convertido em sapo e rã. Por que não te retirastes para o bosque. “Desprezo teu desdém e já que me prevines, porque não te preveniste a ti mesmo?

Zaratustra ficou longo tempo calado e disse: “Também sinto repugnância por esta grande cidade e não só deste “louco”. Aqui e acolá, nada há que melhorar, nada há que piorar”.

“DO ESPÍRITO DO PESO”, na fala de Zaratustra, o Nietzsche ressalta que sua linguagem é do povo. Falo de modo rude e franco para os delicados. “Meu pé é casco de cavalo. Com ele troto e galopo por montes e vales, pelo comprido e de cá para lá, e em toda corrida rápido fico endiabrado de prazer”.

Mais adiante, assinala que aquele que ensinar os homens a voar, destruirá todas as barreiras. “O avestruz corre mais depressa que o mais veloz cavalo, mas também enterra a cabeça na pesada terra. Assim faz o homem que ainda não sabe voar”.

“A terra e a vida parecem-lhe pesadas e é isso o que quer o espírito do peso! Mas aquele que deseja ser leve como uma ave deve amar-se a si mesmo”.

“É preciso aprender a amar-se a si próprio com amor sadio, a fim de aprender a suportar a si mesmo e a não vaguear fora de si mesmo”

“Amor ao próximo”, assim se chama o fato de vaguear fora de si mesmo. É com esta expressão que se tem mantido e fingido mais, especialmente por parte daqueles a quem todo mundo dificilmente suporta”.

“A única coisa pesada, porém, para o homem levar é o próprio homem! É que carrega aos ombros demasiadas coisas estranhas. Como o camelo, ajoelha-se e deixa-se carregar bem”.  Diz que o interior do homem se parece muito com a ostra: Repelente, viscosa e difícil de apanhar.

“Também nos enganamos muito acerca do homem, por haver muita casca pobre e triste de excessiva grossura. Há muita força e bondade ocultas que jamais foram desvendadas…”

“O homem é difícil de descobrir, e ainda mais para si mesmo. A inteligência mente muitas vezes acerca do coração. Isso é o que faz o espírito do peso”.

“Na verdade, também não gosto daqueles para quem todas as coisas são boas e que chamam a este mundo o melhor dos mundos. Chamo-os de oni-satisfeitos”.

“A facilidade de gostar de tudo não é dos melhores gostos. Louvo as línguas delicadas e os estômagos escrupulosos que aprendem a dizer: “Eu” e “Sim” e “Não”.

“Mastigar e digerir tudo, porém, é fazer como os suínos. Dizer sempre sim, isso só os asnos e os de sua espécie aprendem. O que meu gosto deseja é o amarelo intenso e o roxo quente, mistura de sangue com todas as cores. Mas aquele que cai de branco revela ter uma alma caiada de branco”.

“Eu não quero estar ou morar onde toda gente escuta. Este é agora meu gosto: Prefiro viver entre perjuros e ladrões. Ninguém tem boca de ouro. O animal mais repugnante que tenho visto entre os homens chamei-o de parasita. Não queria amar e queria viver de amor”.

“Chamo desgraçados todos aqueles que só podem escolher entre duas coisas: Tornar-se animais ferozes ou ferozes domadores de animais. Não gostaria de erguer minha tenda ao lado deles”

“HÁ HOMENS QUE NADA SÃO…”

Em “Assim Falava Zaratustra”, de Nietzsche, no capítulo “Da Redenção”, ele conta que um dia Zaratustra passava por uma ponte onde estavam ”aleijados”, mendigos e um corcunda. Eles disseram que passaram a acreditar nos ensinamentos de Zaratustra.

No entanto, perguntaram se Zaratustra podia curar os cegos, fazer andar os paralíticos e aliviar um tanto o que leva às costas carne demais. Ele respondeu: “Quem tira da corcunda sua corcunda, tira-lhe ao mesmo tempo o espírito. Quem restitui a vista ao cego, este passa a ver na terra demasiadas coisas más. Passa a maldizer aquele que lhe curou”.

Em seguida, disse ter visto coisas bem piores, mas de uma não conseguia deixar de falar, dos homens a quem falta tudo. Foi aí que concluiu que “há homens que nada são, a não ser um grande olho, uma grande boca, ou um grande ventre… A esses chamo de “aleijados” às avessas”.

Quando saia de sua solidão ele atravessava pela primeira vez a ponte e não deu muito crédito para o que viu, mas não parou de olhar. Então, disse: “Isto é uma orelha do tamanho de um homem! Por trás dela movia-se algo tão pequeno, mesquinho e débil que dava dó”.

“Olhando através de uma lente ainda se podia reconhecer um semblante minúsculo e invejoso, uma alma vaidosa…” O povo dizia que a orelha era de um grande homem. “Eu, porém, nunca acreditei no povo quando falava de grandes homens e continuei a acreditar que se tratava sim de um “aleijado” às avessas que tinha pouco de tudo e uma coisa em demasia”.

Em sua narrativa sobre redenção, Zaratustra exclamou: “Meus amigos, ando entre os homens como entre fragmentos e pedaços de homens”. O mais espantoso, segundo ele, é vê-los destroçados e desconjuntados. São eles fragmentos, pedaços, mas não homens.

Para o filósofo, o presente e o passado são os mais insuportáveis. Há de vir uma ponte para o futuro. O povo perguntava quem era Zaratustra, e ele respondeu a pergunta com outras perguntas: “É um homem que promete? Ou que cumpre? Um conquistador? Ou um herdeiro? Um outono? Ou uma relha de arado? Um Médico? Ou um convalescente? É um poeta? Ou alguém que diz a verdade? Um libertador? Ou um dominador? Um bom? Ou mau?”

Ao invés de se dizer já era, que se diga assim quis – ensinava. “A isto eu chamaria de redenção”. “Vontade, assim se chama o libertador e o mensageiro da alegria. Esse foi meu ensinamento, meus amigos. A própria vontade é ainda escrava”.

Para Nietzsche, o querer liberta, mas como se chama aquele que aprisiona o próprio libertador? A vontade não pode querer para trás. Não pode aniquilar o tempo, e o desejo do tempo é sua mais solitária aflição”. Mais adiante, alerta que sua raiva acumulada é que o tempo não retrocede. O que foi já foi, assim se chama a pedra que a vontade não pode remover.

Remover pedra e vingar-se, para ele, é uma vontade libertadora que se torna maléfica e vinga-se de tudo o que é capaz de sofrer, por não poder voltar para trás. “É a vingança contra o que já foi, o ressentimento da vontade. Vive-se uma grande loucura em nossa vontade. E a maldição de todo humano é que essa loucura aprendeu a ter espírito”.

“Tudo passa e tudo merece passar, e é a própria justiça, essa lei do tempo, que o obriga a devorar seus próprios filhos. As coisas são ordenadas moralmente segundo o direito e o castigo. Ai! Como nos livrarmos do fluxo das coisas e do castigo de existir? Onde está, pois, a redenção?

“Nenhum fato pode ser destruído. Como poderá ser desfeito pelo castigo? Eis o que há de eterno no castigo de existir: A existência não pode ser outra coisa senão uma eterna sequência de fato e culpabilidade. A não ser que a vontade acabe por se libertar a si mesma e que o querer se mude em não querer”

Ainda sobre a redenção, Zaratustra assim diz que é preciso que a vontade, que é vontade de poder, queira alguma coisa mais elevada que a reconciliação. Mas como pode ocorrer? Quem ensinará também a retroceder?  No final, alerta ser difícil viver entre os homens porque é muito difícil calar, sobretudo para um falador.

Depois de toda conversa, o corcunda indagou: Por que é que Zaratustra nos fala de uma maneira e de outra a seus discípulos? Ele respondeu: Que há de surpreendente nisso? “Com os corcundas pode-se muito bem falar uma linguagem corcunda!”

A HORA DO SUPREMO SILÊNCIO”

Todos seres humanos precisam de um momento de silêncio para refletir que a vida não é somente festa e alegria. A humanidade deixou de fazer essa pausa, mas Zaratustra, depois de estar com seus discípulos e o povo, resolveu se recolher em sua solidão, regressar como urso à sua caverna.

Nietzsche chama de supremo silêncio em “Assim Falava Zaratustra”, que descreve esta hora em que seu coração estremece assustado, enquanto os ponteiros do relógio avançam. Disseram, então para ele não se entrincheirar em sua teimosia.

“Que te importa? Ainda não és bastante humilde. A humildade tem o couro mais duro”. Ele respondeu que conhecia bem seus vales. “Quem tem montanhas a deslocar, desloca também vales e planícies” – afirmaram para ele.

“É verdade que tenho andado por entre os homens, mas ainda não consegui atingi-los”. Perguntaram o que ele sabia a este respeito. “O orvalho cai sobre a relva no momento mais silencioso da noite”. Disseram que eu tinha esquecido o caminho e o jeito de caminhar.

Aquele que ordena grandes coisas, torna-se indispensável. “Realizar grandes coisas é difícil, mas é mais difícil ainda ordenar grandes coisas. Tu tens o poder e não queres reinar”. Zaratustra retrucou que ainda lhe faltava a voz do leão para mandar.

Tornaram a lhe dizer que são as palavras mais silenciosas que trazem a tempestade. “Os pensamentos que vêm com pés de veludo são os que dirigem o mundo. É preciso que voltes a ser criança e percas a vergonha. Tu te tornaste jovem muito tarde, mas aquele que quer voltar a ser criança deve também vencer sua juventude”

Zaratustra disse para si mesmo que já havia ouvido tudo e deveria retornar para sua solidão. Quando decidiu deixar seus amigos, desatou a chorar. No entanto, chegada a noite, ele partiu sozinho. Era meia-noite quando Zaratustra se pôs a caminhar em direção ao ponto mais alto da ilha para chegar a outra margem e embarcar para atravessar o mar.

Enquanto subia a montanha ele ia pensando sobre sua juventude e suas viagens solitárias, e falou para si: “Eu sou um viajante e um escalador de montanhas. Não gosto de planícies e parece que não posso ficar muito tempo sentado”. Ele passou a refletir sobre seu regresso e disse: “Segues teu caminho de grandeza. Tua melhor coragem é que agora não existem mais caminhos atrás de ti”

Sentiu que o mais suave iria se tornar o mais duro. Mais uma vez meditou de que aquele que sempre cuidou muito de si, acaba por cair doente com o excesso de cuidado. Insistiu que tinha que subir mais alto que ele mesmo, a fim de que pudesse contemplar suas próprias estrelas abaixo de si.

Ele subia a montanha consolando seu coração com duras máximas porque havia ferido seu coração. Decidiu, então, ir ao fundo da dor mais do que nunca, até suas águas mais escuras. “Assim o quer meu destino”. Para Zaratustra, as mais elevadas montanhas vêm do mar.

Quando chegou perto do mar e se encontrou sozinho entre as rochas da margem, sentiu-se cansado do caminho e ainda mais cheio que antes de ardentes desejos.

 

“DOS GRANDES ACONTECIMENTOS”

Nesse capítulo, Zaratustra, personagem da obra de Nietzsche fala das Ilhas Afortunadas onde fumega um grande vulcão. O povo diz que a ilha está colocada num penhasco na porta do mundo subterrâneo. Ali um navio lançou âncoras onde se encontra a montanha fumegante. Sua tripulação foi caçar coelhos quando viram um homem atravessar o ar, e uma voz pronunciou estas palavras: “Já é tempo! Não há um instante a perder! ”.

Quando olharam mais de perto viram que era Zaratustra em direção à montanha do fogo. O piloto disse: É Zaratustra que vai para o inferno. Correu o boato de que ele desaparecera sem dizer para onde. No entanto, ao fim de três dias, o povo julgava que o demônio levara Zaratustra. Os discípulos preferiram acreditar que foi Zaratustra quem levou o demônio.

Depois de cinco dias ele apareceu quando se deu o diálogo dele com o cão de fogo. Nas palavras poéticas (Nietzsche deprecia os poetas e diz que todos são mentirosos e enganadores), Zaratustra afirma que a terra tem pele e essa pele sofre enfermidades de doenças e, uma delas, chama-se homem. A outra é o cão de fogo.

“Cruzei o mar e vi a verdade” – “Assim Falava Zaratustra”. Sei da tua profundidade, cão de fogo! “De onde tiras o que vomitas”? “Bebes a água do mar e é daí que vem o sal da tua eloquência. És o ventríloquo da terra. Esses demônios são salgados, mentirosos e triviais.

“Sabeis rugir e obscurecer com vossas cinzas! Tendes as maiores bocarras e aprendestes bem a arte de fazer ferver o lodo”. Por onde andas existem coisas lamacentas e cavernosas. Tudo isso quer liberdade que é teu grito predileto, mas perdi a fé nos grandes acontecimentos, pois em torno deles existem rugidos e fumaça – disse Zaratustra.

Prosseguiu dizendo para o estrépito do inferno que os acontecimentos maiores não nos surpreendem nas horas mais ruidosas, mas nas mais silenciosas. “O mundo gravita, não em torno dos inventores de novos estrondos, mas em volta dos inventores de novos valores, em silêncio”… Que importa que uma cidade seja mumificada e que caia na lama uma estátua! Aos destruidores de estátuas, destacou ser mesmo uma loucura jogar sal no mar e estátuas na lama.

O Estado é um cão hipócrita

Sobre essa questão, Zaratustra deu um conselho para os reis, às igrejas e a todos aqueles que são fracos em idade e virtude: “Deixai-vos derrubar para volverdes à vida e para que a vós retorne a virtude”!

O cão de fogo indagou que Igreja? Que é isso? Ele respondeu que é uma espécie de Estado, mais enganosa. Cala-te, tu conheces tua espécie mais que ninguém. “O Estado é um cão hipócrita como tu que gostas de falar com rugidos e fumaça para fazer crer que sua voz, como a tua, saia das entranhas das coisas”.

De acordo com ele, o Estado quer ser a todo custo o animal mais importante da terra e consegue fazer o povo acreditar que o seja. O cão ficou louco de ciúmes, e da sua goela saíram fumaças e vozes terríveis que a cólera e a inveja poderiam sufocá-lo.

Ficou encolerizado? Então, vou falar de outro cão de fogo, cuja voz nasce no coração da terra. Seu hálito e a chuva são de ouro. Disse que ele é inimigo de teus gargarejos, de tuas erupções e da raiva de tuas entranhas. Seu ouro e seu riso, tira-os do coração da terra que é de ouro. O cão meteu o rabo entre as pernas e foi esconder-se num canto.

Sobre sua passagem voadora pelo ar, falou que ele não passava de um fantasma, de uma sombra viajante. Devo manter minha sombra em rédeas mais curtas, ou prejudicará minha reputação. Já é tempo e não há um instante a perder – assim terminou sua fala.

 

 

CANTO NOTURNO, A CANÇÃO PARA DANÇAR E A CANÇÃO DO SEPULCRO

Com tons poéticos e filosóficos, Nietzsche, em “Assim Falava Zaratustra,” diz que é insondável o que os olhos não podem penetrar e nele me afogo. A sabedoria e a vida se parecem. Têm seu anzol de ouro.

Na noite, falam mais alto todas as fontes que jorram, e minha alma também jorra. Todas as canções dos amantes despertam na noite. Minha alma é uma canção de um homem que ama. Em mim há uma coisa insaciável que é o desejo de amar e fala a linguagem do amor. Sou noite e, se não fosse, minha solidão seria estar rodeado de luz.

O filósofo compara as estrelas cintilantes como vagalumes celestiais e expressa que ficaria cheio de ventura em receber vossa luz, mas vivo em minha própria, absorvendo as chamas que de mim brotam.

Para ele, a mão que nunca se cansa de dar tem uma sorte maldita. Ó eclipse do meu sol! Ó desejo de desejar! Ó fome devoradora na saciedade. Em sua visão, há um abismo entre dar e receber. Aquele que sempre dar corre o risco de perder o pudor. Aquele que reparte sem cessar acaba por calejar as mãos e o coração.

“Meus olhos já não se arrasam de lágrimas ao ver a vergonha dos que imploram. Minha mão endureceu demais para experimentar o tremor das mãos cheias”. Mais adiante, fala que muitos sóis gravitam no espaço vazio. Sua luz diz a tudo o que é obscuro.

Como tempestade, voam os sóis por suas órbitas. É a maneira deles de viajar. Só as criaturas noturnas tiram vosso calor do luminoso. Tudo é gelo em torno de mim e minha mão se queima ao tocar o gelo. Se é noite, por que hei de ser luz, ter sede do noturno e solidão. É noite e falam todas as fontes que jorram. Minha alma é também uma fonte borbulhante. Despertam todas as canções dos que amam. Minha alma também é uma canção que ama.

Em canção para dançar, Nietzsche afirma ser advogado de Deus perante o diabo que é o espírito do peso. No vale, quando as donzelas veem Zaratustra, elas param, mas ele manda prosseguir. Diz ser selva e noite de árvores sombrias, mas quem não se amedrontar, encontrará sob meus ciprestes coroas de rosas.

“Saberá também encontrar o pequenino Deus preferido das donzelas dançarinas. Está junto da fonte, tranquilo, de olhos fechados. Ele pede que as dançarinas não se zanguem com sua presença, se contra o pequeno Deus ando tanto irritado. Ele pode gritar e chorar.

Da sabedoria, sempre estamos sedentos dela e não nos saciamos. Olhamos através de seu véu, sempre versátil e obstinada. Pode ser má e falsa e me afoga no insondável. Ela diz: Tu queres, tu desejas, tu amas! E só por isso elogias a vida.

De acordo com sua filosofia, ninguém pode responder pior do que quando diz a verdade à sua sabedoria. “Eu nada amo mais profundamente do que a vida”…

Por que? Para que? Onde? Como? Não é uma loucura viver ainda. É a noite que assim me interroga. Perdoai-me a tristeza.

Na canção do sepulcro, ele fala de uma ilha taciturna onde lá estão os sepulcros da sua juventude. Vos todos, olhares de amor, momentos divinos! Como vos desvanecestes depressa! Penso hoje em vós como em meus mortos.

Dos mortos prediletos, afirma chegar a si um suave perfume que alivia seu coração e faz correr as lágrimas. Esse perfume comove o coração do navegante solitário.

Nietzsche fala dos fugitivos que morreram para ele. Sou ainda o herdeiro e a herança de vosso amor onde florescem as virtudes silvestres de todas as cores. Não fugistes de mim e nem eu de vós. Não somos culpados reciprocamente de nossa infidelidade.

Eu te amaldiçoou, oh morte soberana que abreviastes minha eternidade, como se interrompe um som na fria noite. “Matastes as visões e os prodígios mais caros da minha juventude. Tirastes de mim meus companheiros de jogo, os espíritos bem-aventurados. Em memória deles, deposito esta coroa e esta maldição.

“Para mim todos os seres devem ser divinos. Me assombrastes com imundos fantasmas. Na sabedoria da minha juventude, todos os dias devem ser sagrados para mim. Assim me falava outrora a sabedoria de minha juventude. Afasta de mim tua sombra fantasmagórica”.

“Outrora eu suspirava por bons presságios e então lançastes em meu caminho uma monstruosa coruja. Como cego percorri caminhos felizes e neles lançastes vossas imundices. Envenenastes meu melhor mel e o zelo de minhas melhores abelhas”.

Zaratustra reclama que a morte entoou para seus companheiros uma surda e lúgubre melodia. Cantor assassino, instrumento da maldade, tu, que eras o mais inocente. Eu estava pronto para a mais bela dança e tu com teus sons mataste meu embalo. No final da sua conversa, ele diz que onde há sepulturas há ressurreições.

 





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