:: ‘Encontro Com os Livros’
“ASSIM FALAVA ZARATUSTRA”
Difícil de ser entendido, Friedrich Wilheim Nietzsche nasceu em Rocken, na Alemanha, em 15 de outubro de 1844. Ainda jovem virou pastor e tornou-se num dos mais importantes pensadores do século XIX. Aos 24 anos chegou a lecionar filologia na Universidade de Basileia, mas parou seu trabalho, em 1979, por questões de saúde. Passou a levar uma vida marcada por crises e tentativas de suicídio. Em 1882 começou a escrever sua obra famosa “Assim Falava Zaratustra”. Teve intensa produção, interrompida, em 1889, por uma loucura que durou até sua morte, em 25 de agosto de 1900.
Na apresentação do livro, editora Lafonte, escrito pelo tradutor, na palavra de Zaratustra, que viveu dez anos na montanha, Nietzsche diz que o homem e a sociedade vivem em hipocrisia, à sombra de valores que não correspondem às aspirações do ser humano, porquanto marcados e conduzidos por um conjunto de leis, costumes e tradições que já foram comprovados, além de desgastados pelo tempo e pela maldade dos homens, aleatórios e inúteis.
Nietzsche aborda os temas centrais da transformação de valores, da erradicação dos males que afligem a sociedade, da libertação do homem como ser superior e da busca da figura do verdadeiro homem ou super-homem. Quando Zaratustra desce da floresta encontra-se com um grupo de gente da cidade e faz um discurso onde as pessoas não lhe dão ouvidos. Ele se vai frustrado e decepcionado.
Em o equilibrista e o palhaço, afirma que o diabo e o inferno não existem, e que nada perco ao perder a vida. Pontua vários problemas do viver, como o trabalho, a distração e o cansaço. Para ele, pobre e rico são duas coisas penosas, como governar e obedecer. Pastor e rebanho são iguais. Nietzsche foi um tanto anarquista quando declara que o Estado é o mais frio dos frios monstros.
Vou aqui apenas citar alguns pontos da fala de Zaratustra que servem de reflexão, muitas delas confusas, contraditórias e retrógradas como dizer que a mulher não sabe fazer amizades, ao compará-la com uma ave ou uma vaca. Boa parte do seu diálogo requer análise apurada porque ele fala por meio de parábolas, linguagens figuradas e metáforas.
Num dos trechos, diz que não seja o refluxo desse fluxo. O crime mais atroz é ultrajar a terra. O homem é um rio poluído. Nessa sua lógica, é também um poluidor, máximas que servem para os tempos atuais. Tem muita coisa de filosófica e poética em suas pregações, como a de que é preciso ser mar. Seja repugnante para ser limpo. Para sair da conformidade, sua razão anseia por saber.
Em sua conversa para os homens da cidade, em seu primeiro contato após dez anos na montanha, diz que, para se chegar ao alto e o além, seja declínio. O que importa é ser ponte e não meta. Seja flecha e passagem para a outra margem. Tem que conhecer o que quer conhecer e faça da sua virtude o seu destino. Ele questiona o viver e o deixar de viver. Sobre o ser humano, ensina que deve cumprir mais do que promete. Isso serve para os nossos políticos.
A cólera do seu deus pode ser sua perdição. Quanto a alma profunda, ressalta que lhe faz esquecer de si mesmo. Aprenda a ouvir com os olhos. Terei que gritar. Vou falar do que é mais desprezível, e aconselha que o homem deve semear o germe da esperança. No que refere às suas conversações com o outro, o qual não consegue lhe entender, afirma que a minha boca não chega aos seus ouvidos.
No sentido figurado das palavras, ou não dos seus pensamentos, Nietzsche termina tocando no problema do meio ambiente quando destaca que o solo rico se tornará pobre e árido, sem germinar nenhuma árvore. Como profeta do tempo, enfatiza que o homem não mais lançara a flecha do seu desejo. Você tem um caos dentro de si para gerar a dança. A terra se tornará pequena, e insensato é aquele que ainda tropeça nas pedras e nos homens.
Nietzsche, como todos sabem, é um filósofo incompreensível e cada um faz suas interpretações. Zaratustra assinala, por exemplo, que nada tem de desprezível morrer por causa do teu ofício e que a vida humana é desprovida de sentido. Ele é, ao mesmo tempo, profundo, triste, descrente do ser humano e sem religião. Por falar nisso, disse que a religião matou Deus.
Em seus diálogos, fala muito do ser super-homem. Ouço uivos de lobos famintos. O criador sempre procura companheiros. Meu canto é para os solitários e que existe mais perigo entre os humanos do que os animais. Que minha altivez ande ao lado da sabedoria. Vamos ter mais Nietzsche nos próximos capítulos, esse Zaratustra, esse maluco.
No capítulo “Do Amor ao Próximo” em “Assim Falava Zaratustra”, Nietzsche dizia que esse amor é vosso mau por vós mesmo. O Tu foi santificado, mas o Eu não. Mais elevado que o amor ao próximo é o que está por vir, as coisas, os fantasmas. Você tem medo dos fantasmas e procura refúgio junto ao teu próximo. Ele afirma que o convívio com os homens estraga, sobretudo quando não se tem caráter.
“A MÁSCARA DA AFRÍCA” XV
GANDHI NA ÁFRICA DO SUL
- V. S. Naipaul narra, em sua obra, “A Máscara da África”, a visita de um grande homem que visitou a África do Sul nos anos de 1890 e terminou ficando 20 anos naquele país para ser a voz do seu povo que era discriminado e menosprezado.
Esse homem era Mohandas Gandhi. Ele saiu de Durban a Joanesburgo e a Pretória, em parte uma versão moderna da Grande Marcha, feita por trem e diligência. Foi um calvário, mas essa viagem modificou sua vida e o colocou no caminho da obra testemunhada em sua país, na Índia.
Existe um monumento para ele em Joanesburgo e em Pretória. Ele foi para África do Sul, em 1893, quando ainda tinha 24 anos por causa de conexões familiares como advogado, a convite de um empresário indiano mulçumano.
Como profissional na Índia só tinha estado no tribunal uma vez, em Bombaim, num caso ridículo de Pequenas Causas. Para Gandhi foi um fiasco porque ele se levantou no momento em que deveria interrogar as pessoas do outro lado, mas se sentiu intimidado.
Em pleno tribunal, ele se sentou e transferiu o caso para outro colega que atuou brilhantemente com a questão. A partir dali ficou mortificado e achou que, como advogado, deveria evitar tribunais e apenas rabiscar petições.
Foi aí que veio a oferta sul-africana de um amigo da sua família para passar um ano na África do Sul, com bilhete de volta na primeira classe. Na sua visão, estava indo mais como um serviçal do que como advogado, mas aceitou a ideia da aventura.
Tudo começou com uma lenta viagem marítima de Lamu, Mombaça, Moçambique e depois Durban. Lá conheceu seu empregador que lhe disse que seria um elefante branco na firma. Gandhi descobriu que o caso legal era de contabilidade. Comprou um livro e começou a estudar. Ficou sabendo tudo que precisava.
Depois de oito dias compraram um bilhete para ele de primeira classe com direito a um leito para Pretória. No entanto, ele preferiu poupar o dinheiro. Foi, então, que seu calvário começou nas paradas entre Maritzburg, Charlestown e Standerton. Nesses locais, Gandhi sofreu insultos, vergonha e medo por causa de um tratamento vil e violento.
Em Maritzburg, o atendente da ferrovia lhe perguntou se ele havia pedido um leito. Gandhi confirmou que sim. Vieram dois agentes e depois um terceiro que lhe disse que deveria se mudar para o compartimento de bagagem. Quando Gandhi se recusou, chamaram um policial que o empurrou para fora. Fazia muito frio. Tinha um casaco na bagagem, mas pensou que se pedisse seria insultado.
Naquela noite, imaginou retornar para a Índia ou seguir para Pretória. Concluiu que devia ficar e lutar contra a doença do preconceito. Decidiu pegar o próximo trem. Era um homem correto e da lei.
Na manhã seguinte enviou um longo telegrama ao gerente geral da ferrovia. O trem em que embarcou, com o bilhete do leito, o levou até Charlestown. Acontece que o calvário continuou. Não havia ferrovia para Joanesburgo, apenas uma diligência. O condutor lhe atormentou não permitindo que Gandhi se sentasse dentro do carro, mas no estribo da carruagem. Passou a viagem toda chutando Gandhi, tanto que os outros passageiros protestaram.
A diligência parou no vilarejo de Standerton para passar a noite. Havia enviados lá a mando do empregador para recebê-lo. Ele aproveitou o tempo para escrever uma longa carta ao agente da empresa de diligências. Recebeu uma resposta encorajadora. A diligência era maior e o funcionário estúpido não estaria nela.
Os indianos do empregador encontraram um bom lugar para ele e, finalmente, chegou a Joanesburgo. Para o trecho final até Pretória, redigiu um bilhete ao chefe da estação dizendo quem era e foi pessoalmente de casaca e gravata comprar o bilhete (existe na África do Sul uma fotografia dele com esses trajes).
O homem da bilheteria era da Holanda e lhe tratou bem. Naquela época, segundo o autor do livro, Gandhi acreditava no Império Britânico. “Acreditava que os indianos na África do Sul eram discriminados porque eram politicamente indiferentes e não eram organizados”.
Quando terminou o seu trabalho, com sucesso, se preparou para retornar para Índia. Foi a Durban esperar um navio e lá viu uma nota no jornal sobre o direito de voto dos indianos onde a Câmara local buscava destituir os indianos de votar. Ele ficou chocado com isso e procurou conversar com os empresários indianos, que não estavam preocupado com a questão.
Gandhi era ainda um jovem tímido e destreinado. Depois de uma discussão, os empresários transferiram o fardo do protesto para Gandhi que adiou sua volta. Então, sua permanência na África do Sul se estendeu por vinte anos.
Estava na meia idade quando partiu, com suas ferramentas políticas e espirituais aperfeiçoadas. Tudo aconteceu naquela longa viagem onde tornou-se um grande líder de homens e passou a ser chamado de mahatma (grande alma).
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” XII
No capítulo “Monumentos Particulares, Terras Arrasadas Particulares”, o autor de “A Máscara da África, V. S. Naipaul, após visitar o Museu do Apartheid, destaca o monumento africâner no final da rodovia Joanesburgo-Pretória em homenagem à Grande Marcha dos Bôeres da Colônia do Cabo para o interior na metade do século XIX.
Segundo Naipaul, eles marcharam para se livrar dos britânicos, levando consigo todos seus bens e animais, e foram em carros de boi, numa jornada lenta e árdua. “Os caminhantes nem sempre sabiam o que estavam enfrentando” e muitos deles morreram.
Sobre sua guia turística Fátima, a mestiça coloured, disse que ela na escola teve que estudar sobre A Grande Marcha; todas as escaramuças no caminho se tornaram batalhas. Fátima tinha que saber todos os detalhes de cor. Mesmo assim, num lance de crueldade, a ela não foi permitido visitar o monumento.
A obra é composta de um acampamento circular em seu entorno, com sessenta e quatro carros de bois. Esse número de carros compunha o acampamento quando os participantes foram atacados pelos zulus em 16 de dezembro de 1838. Os zulus foram massacrados e o monumento celebra essa vitória, a de Blood River (rio de sangue).
De acordo com o escritor, as obras do monumento foram iniciadas em 16 de dezembro de 1938, o centenário da batalha. Foi inaugurado na presença de uma multidão de 250 mil pessoas em 16 de dezembro de 1949 por D.F.Malan quando se completou o primeiro ano da política do apartheid, que ele e seu governo do Partido Nacionalista instituíram na África do Sul.
Em seu livro, Naipaul cita o escritor africâner Herman Charles Bosman e sua obra, Mafeking Road, uma das quatro coletâneas de contos. “ O maior conto trata de uma marcha fictícia. A Grande Marcha do Cabo faz parte do folclore daquela gente simples; em sua imaginação, é algo que todos podem tentar. É fácil agora, depois de terminada a guerra dos bôeres, que foi perdida, persuadi-los de que estão prestes a ser oprimidos pelos britânicos lá onde vivem e que devem marchar para a liberdade, para a Namíbia, a África do Sudoeste Alemã”.
“Eu associei os contos de Bosman com o Monumento Voortreker porque ambos compartilham uma ambiguidade, que reside no tema. O Monumento Voortreker não fala apenas da Grande Marcha. Fala também da derrota africana e do sofrimento africano”.
Ao se referir aos contos de Bosman, o escritor de “A Máscara da África” diz que “aquelas pessoas não são apenas gente simples do campo por causa do seu caráter simplório, de sua falta de imaginação, elas trazem um sofrimento indescritível aos africanos que estão entre elas”.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” X
Em sua última viagem pela África, entre 2008/09, V.S. Naipaul, prêmio Nobel de Literatura, nascido em Trinidad, descreve a África do Sul como um outro continente não tropical, de uma outra civilização. Em seu livro-reportagem “A Máscara da África”, partindo de Uganda, ele passou pela Nigéria, Gabão, Congo, Gana e Costa do Marfim.
No capítulo “Monumentos Particulares, Terras Arrasadas Particulares”, Naipaul descreve que, “dois dias depois, no centro de Joanesburgo, vi o que tinha acontecido com uma área pós-apartheid da cidade. Os brancos apreensivos com o que o fim do apartheid (durou 36 anos) poderia causar, tinham ido embora, simples assim, e os africanos se mudaram para o lugar, mas não pessoas da região, e sim gente desimpedida dos países ao redor, Moçambique, Somália, Congo e Zimbábue”.
Naipaul cita o escritor Rian Malan, nascido em 1954, de que os brancos construíram uma base lunar para sua civilização; quando ela desmoronou, não havia nada ali para negros ou brancos. “Quarenta anos antes, em Ruanda, às margens do lago Kivu, eu tinha visto uma colônia de férias belga bem mais simples arrebatada pela floresta e pela gente da floresta”.
Os notáveis edifícios e rodovias foram reduzidos a favelas, difíceis de serem reconstruídas. “Havia descobertas adicionais a se fazer dentro daquela nova favela. Um velho e robusto armazém tinha sido ocupado por novas mercadorias, o que parecia uma paródia do que teria existido aqui. Era um mercado de artigos de curandeirice.
“Havia artigos que os curandeiros exigiam que seus clientes comprassem, para serem usados pelo curandeiro como ele bem entendesse, normalmente para fazer remédios que o infeliz enfeitiçado tinha de beber. Os mais inofensivos eram os maços de ervas utilizados para fumigar um cômodo ou uma casa tornar desagradável à vida de um espírito do mal”.
“E logo chegávamos ao reino dos horrores: Partes de corpos de animais expostas numa espécie de plataforma. O ambulante estava sentado num tamborete baixo ao lado de seus artigos, que eram armazenados no próprio mercado. Entre os produtos existiam cabeças de cavalos e cervos rachados ao meio por golpes afiados de facão”.
De acordo com Naipaul, o cheiro era abominável. Além das partes dos corpos dispostos horizontalmente na banca do ambulante, havia pedaços de estômago pendurados em cordões, como peças de pano, de modo que o especialista pudesse escolher ou examinar o que quisesse.
Os ambulantes vendiam porquinhos-da-índia, sacrificados de maneira ritual, com uma faca no coração, um modo muito doloroso. Seu sangue fresco era tomado sob indicação do curandeiro como parte do sacrifício.
“O povo da África do Sul havia travado uma grande batalha. Eu esperava que uma grande batalha tivesse dado origem a um povo maior, um povo cujas práticas mágicas pudessem apontar um caminho para a frente ou para algo mais profundo – observou Naipaul.
Segundo o escritor, “não havia aqui nada de beleza que eu encontrara na Nigéria entre os iorubas, com seu culto, como me pareceu do mundo natural; nada aqui parecia com a ideia gabonesa de energia, vinculada à ideia e ao assombro das florestas portentosas”. Ele fala ainda sobre a rua dos adivinhos, com espaços exíguos e balcões brancos para os clientes ocuparem.
Naipaul escreve também sobre o Museu do Apartheid e apresenta sua guia Fátima, muito discriminada por ser coloured, ou seja, uma pessoa mestiça. Pelo lado materno tinha um bisavô inglês e seu avô paterno era negro, mas a família falava africâner e odiava a pele negra. Sua bisavó era xhosa. As meninas xhosas na escola tinham uma identidade, mas ela não.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” IX
OS CURANDEIROS E MESTRES DAS FLORESTAS
O autor de “a Máscara da África”, V. S. Naipaul, em sua viagem pelo Gabão, entre 2008/09, quis saber sobre os pigmeus, o pequeno povo, mestres das florestas e descobridores da planta iboga, um alucinógeno usado nos rituais de iniciação. Eles não são muito respeitados pelas outras tribos.
Para entender mais sobre eles, Naipaul conversou com sua guia Claudine, uma apaixonada pelos pigmeus, que vivia na floresta bem perto deles. Disse que achava ser um horror eles serem considerados sub-humanos e incapacitados e ficarem confinados em reservas.
“Não temos nenhum respeito por eles, mas recorremos a eles em segredo para nos curarmos”. Disse: “Quanto mais perto ficamos dos pigmeus, mais entendemos que o mundo tem uma alma e uma vida. Tem energia. Os pigmeus são como nossas lembranças do passado. Eles detêm o conhecimento do mundo”.
De acordo com o escritor, os eventos da segunda metade do século XIX escancararam o continente. No entanto, os pigmeus continuaram apegados à floresta, preservando seu conhecimento onde residia sua civilização. Outras tribos perderam muito disso.
No entendimento de Claudine, no mundo místico você pode fazer um feitiço com a sobra de comida de alguém para ferir essa pessoa. E essa pessoa terá de ir correndo ao pigmeu para ter ajuda. Explicou que aqui existem dois tipos de curandeiro, um que lida apenas com a malária e a gripe e outro que trabalha com problemas maiores, como os feitiços. Para esse tipo, “tem que ser o curandeiro mestre”.
Claudine fala também da existência de duas tribos no sul do Gabão. Uma que lida com as cerimônias da iniciação e os pigmeus que cuidam das plantas, inclusive da iboga. “Por isso se podia dizer que as duas culturas, a dos bantos e a dos pigmeus, tinham se juntado”.
Quanto ao dom da adivinhação, a importância está na comunicação com o ancestral, depois de feita a iniciação. A pessoa só podia aprender sobre sua posição na sociedade através do ancestral. Para isso eram necessários o crânio e os ossos do ancestral, não podendo ser de um sacrifício ritual qualquer – ressalta.
“O crânio e os ossos para esse ritual precisavam vir de um ancião, que, perto de morrer, dava à pessoa permissão de guardar seus ossos como uma relíquia”.
Sobre a ingestão da iboga, Claudine afirma para Naipaul que “a planta é muito amarga. A boca e o corpo ficam dormentes, e toda sensação é realçada. No verdadeiro bwiti (ritual), o ancestral chega às três da manhã e fala uma língua antiga que ninguém entende. Somente os iniciados do terceiro nível conseguem entendê-lo”.
Outra coisa é que para ser um curandeiro é preciso ter um ancestral em algum ponto do passado que tenha sido curandeiro. Naipaul perguntou se os pigmeus são felizes. “São felizes e são gentis, mas são uma raça muito prevenida. Não confiam com facilidade. Ainda caçam à noite e agora têm armas no lugar de armadilhas”.
“Os pigmeus acreditam na natureza. Acreditam que procedem da terra e é por isso que não querem poluí-la com os mortos. Eles não enterram os mortos. Quando um mestre morre, eles o envolve numa esteira e coloca o morto sob uma grande árvore. Deixam ali para apodrecer e ninguém vai àquele lugar. Não vão caçar nem coletar alimento ali. Quando a decomposição está completa, colocam os ossos numa tumba e põem a área em quarentena”.
No cristianismo eles consideram difícil ver Jesus como todo poderoso. Para eles, o poder deve ser distribuído entre os chefes. A média de vida deles é de cinquenta anos porque a civilização introduziu neles várias doenças, como o HIV.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” VIII
No livro “a Máscara da África”, o autor V.S. Naipaul, prêmio Nobel de Literatura, indaga ao seu amigo Rossatanga sobre o processo de iniciação. Ele responde que tinha ouvido muito acerca da iniciação quando jovem. “Todos no Gabão falam disso, ou ao menos parece. Ela requer um mestre, uma cerimônia com danças e tambores que dura a noite toda, e comer a raiz amarga de uma planta alucinógena, a iboga”.
Naipaul quis saber se nesse ritual de honra ao ancestral também está contida a ideia de virtude. Segundo Rossatanga, “não. Os ancestrais estão lá somente para oferecer resposta para nossos problemas e nos dar o que queremos. Você não tem voz na aldeia nem nos problemas dela se não tiver sido iniciado”.
Quanto ao fruto da banana, ele afirma que é um símbolo sexual da virilidade do menino, que se alimenta dela e o resto das frutas é esfregado em seu corpo. Com respeito às mulheres, ressaltou que elas têm o poder real. “Uma mulher pode não exercer o poder, mas o transmite ao seu filho”.
“Somos uma sociedade matrilinear, e as mulheres dão a vida. Esse país não foi feito para homens. O corpo das mulheres é mais forte e, por isso, são feiticeiras”. Informou ainda que “existem diversos sacrifícios rituais em que os olhos são removidos e a língua arrancada de vítimas vivas. Todo dia há um sacrifício ritual”.
Naipaul também conversou com o professor Gassiti, que também era farmacêutico por conta própria, e quis saber dele sobre a planta milagrosa do Gabão, o iboga. Respondeu que desde tempos imemoriais, a iboga tem sido usada em rituais de iniciação, e esses rituais são exclusivos do Gabão. “Podem ser chamados de patrimônio gabonês. A primeira tribo a conhecer a iboga foram os pigmeus”.
Foram os pigmeus que passaram todo esse conhecimento para outras tribos. “Eram os verdadeiros mestres e agora um americano tem uma patente e ganha milhões com ela”. De acordo com Naipaul, os pigmeus, o pequeno povo, foram os primeiros habitantes da floresta e se tornaram mestres para outras tribos. Conheciam outras incontáveis plantas, suas propriedades curativas ou venenosas. Foram os primeiros a desvendar a iboga alucinógena. Sobre este pequeno povo, vamos falar na próxima postagem.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” VII
Ainda em sua viagem ao Gabão, pelos idos de 2008/09, a terra dos mestres da floresta, os pigmeus, V. S. Naipaul observou que “qualquer que fosse a religião formal professada pela família (cristã, no caso) havia aqueles antigos costumes africanos que tinham de ser honrados e que eram talvez mais prementes do que a fé exterior formal”.
Ele conversou com seu amigo Rossatanga-Rignault que contou a história dos quatros macacos sentados num cemitério com faixas vermelhas nas testas. “ O vermelho é uma cor muito poderosa do Gabão. Estavam perdidos e, por fim, encontraram o caminho de volta para a aldeia.
Por falar em aldeia, Rossatanga diz que, levado pela sua mãe, quis fugir dela. Lembra que, quando chegaram lá, um homem lhes disse que não jogassem lixo, nem qualquer outro elemento poluente, no córrego que passava pela aldeia. Um espírito ou gênio vivia ali e não gostava que o córrego ficasse sujo. Um americano afirmou que aquilo era magia negra e, para provar sua tese, cuspiu no córrego.
Rossatanga narrou para Naipaul que dez minutos depois não havia mais água ali, e o povo gritou e protestou. A aldeia ficou em pé de guerra. “Tivemos que fazer um monte de coisas por meio do curandeiro local para aplacar o gênio do espírito”. Assinala que “gastamos muito dinheiro e, depois de várias cerimônias e rituais, a água voltou depressa”.
Rossatanga se tornara um crente na magia da floresta e, como outros crentes, tinha diversas histórias para provar sua tese. Ele descreve outra passagem sobre uma ponte que tinham que fazer no rio e que a comunidade alertou para que os engenheiros pedissem permissão ao gênio.
Os engenheiros holandeses apenas riram daquilo. “Todos os dias morria um operário na obra. As pessoas ficaram muito assustadas e até mesmo os engenheiros acharam que deviam suspender o trabalho. Disseram que iam trazer um exorcista junto com o curandeiro local para aplacar o gênio. Executaram diversos rituais e, finalmente, tiveram licença para construir a ponte”.
“Acredito que esses espíritos da floresta estão ligados à psique do nosso povo, mesmo das pessoas que vivem na cidade. Essa é uma razão pela qual as igrejas evangélicas americanas tiveram tanto sucesso aqui. Elas também invocam o espírito do Senhor para remover o mal. É parecido com o que fazemos quando vamos ao curandeiro para remover o mal. O princípio é o mesmo. O ponto comum é o espírito”- comentou Rossatanga.
Para ele, não se trata de uma religião, mas de uma crença. Em sua comparação, a crença da floresta, o mundo orgânico, o mundo que conta, é como uma pirâmide. “O primeiro nível são os minerais, o segundo nível são as árvores e a flora, o terceiro são os animais e o quarto são os seres humanos”.
Em falando dos idosos, em seu entendimento, são especiais porque têm o poder e estão próximos aos ancestrais. Somente os ancestrais podem anteceder junto a Deus. “Cada família tem um ancião que consegue falar com o ancestral. Em cada família existe um homem escolhido para a função. O modo de cultuar é através da iniciação, um rito e uma prática fundamental”.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” VI
Em “Filhos da Antiga Floresta”, do livro “A Máscara da África, o autor V. S. Naipaul fala da sua visita ao Gabão (2008/09), a terra dos pigmeus, os mestres da floresta, e abre com a frase do advogado e acadêmico Guy Rossatanga-Rignault (ancestralidade mestiça) de que “as religiões novas, o islã e o cristianismo, ficam apenas na superfície. Dentro de nós está a floresta”.
O escritor destaca que os colonizadores franceses, que tomaram o território nos anos 1840, não foram ávidos. Trinta anos depois chegaram a enviar um navio para retirar seu pessoal. “Os missionários, no entanto, se recusaram a sair, e a colônia sobreviveu. O tráfego fluvial se desenvolveu”.
Com o estabelecimento da colônia, começou o corte, a derrubada da floresta primária. Licenças de trinta anos foram concedidas a chineses, malaios e japoneses. Eles são mais impiedosos e, ao cabo das licenças, “ haverá trechos de deserto no que antes foi floresta”.
Mesmo com as áreas desmatadas, segundo o escritor Naipaul, as florestas do Gabão ainda são uma das visões mais deslumbrantes do mundo. Ele conta a história de Rossatanga que nasceu na cidade e ainda criança sua mãe o levou para aprender os segredos da floresta. Para o filho, ainda jovem, a floresta era assustadora.
Na floresta, diz Naipaul, a noite cai muito depressa. A escuridão é densa. “Para entender a visão do povo do Gabão, é preciso entender a floresta”.
Rossatanga descreve que quando a escuridão chega à floresta, não existe som algum. Mas à noite há diferentes sons ou barulhos vindos dos animais caçando. “A noite e os barulhos configuram nossa mentalidade, porque as pessoas estão ligadas a tudo na floresta. O trovão não é só o trovão, como para vocês. É a voz de Deus: tente entender isso”…
Apesar de bons engenheiros, os franceses nunca construíram estradas no Gabão. A primeira ferrovia foi construída em 1981 pelo Gabão independente, mesmo contra as recomendações do Banco Mundial.
Em seu diálogo com Rossatanga sobre a floresta (para ele um muro), o escritor indaga sobre de que modo isso afetava sua crença. Rossatanga responde que “nós sentimos que tudo tem vida, inclusive as árvores. Existe uma árvore mística, uma árvore vermelha. Quando vamos à floresta, conversamos com ela e lhe contamos nossos problemas”.
Todos no Gabão acreditam na floresta e no princípio da energia que a floresta ilustra. Para Rossatanga, cada coisa viva é energia. Se alguém morre na família, sabermos que alguém pegou a energia dele”…
“Você mata é pega a energia. Também vamos ao curandeiro para tomar a energia de alguém. É por isso que, às vezes, as pessoas sentem que têm de fazer um sacrifício ritual. Somos uma sociedade matrilinear” Nossa conversa sobre o Gabão prossegue no próximo capítulo.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” V
“O REI DA FLORESTA” (PELO PAÍS DA COSTA DO MARFIM
No livro reportagem do Prêmio Nobel de Literatura, nascido em Trinidad, o escritor V. S. Naipaul, de “A Máscara da África” faz sua viagem entre os anos 2008/09 pela Costa do Marfim e outros países. Em sua jornada, entrevistou e conversou com seus guias, estudiosos, babalaôs e até chefes de santuários sagrados.
No capítulo “O Rei da Floresta” ele descreve sobre Houphouet-Boigny, o imperturbável presidente da Costa do Marfim, amado pelos franceses e adorado pelo seu povo. Um homem que poderia ser chamado de rei.
Richmond é uma espécie de guia com quem ele conversa sobre os mistérios desse país africano que também cultua os espíritos ancestrais que vivem nas florestas e montanhas. Richmond conta uma história fantástica que ouviu de sua tia sobre como Houphouet se preparou para uma vida de poder.
Esse que se tornou rei consultou um grande xamã ou curandeiro sobre como ter o poder eterno. Seguindo seu conselho, Houphouet se fez cortar em pequenos pedaços, que foram cozidos junto com algumas ervas mágicas num caldeirão.
Dentro do caldeirão, num momento crucial, os pedaços de Houphouet se juntaram e se transformaram numa poderosa serpente que teve que ser derrubada no chão por um auxiliar de confiança. Depois de domada, a serpente se tornou novamente em Houphouet. Essa história tinha como testemunha a auxiliar confiável do próprio Houphouet.
Essa auxiliar era a tia de Richmond, cozinheira de Nkrumah, o primeiro presidente de Gana independente e um dos grandes homens da África moderna. Essa história foi narrada para milhares de pessoas no país em diferentes versões. Foi graças a esses relatos sobrenaturais que o mito do presidente foi mantido vivo entre seu povo.
A receita do curandeiro tinha funcionado. Por toda África havia mudanças sangrentas e, mesmo assim, Houphouet governou por toda vida, sempre descartando seus desafiadores. Morreu aos oitenta e oito anos, mas parecia ter mais que isso. Na África, a vida privada de um governante sempre foi um mistério.
O pátio real, rodeado por um alto muro de 15 quilômetros de comprimento, ficava no meio da cidade de Yamoussoukro, construída em torno do sítio da aldeia onde Houphouet nasceu. Atrás do muro havia um jovem bosque.
“Deus sabe que rituais secretos, que sacrifícios, executados por sabe lá que sacerdotes secretos, eram maquinados para manter a salvo o rei e seu reino numa época em que nada na África parecia sólido” – destaca o escritor.
Segundo Naipaul, bem longe do pátio havia poderosos emblemas das fés importadas, como uma mesquita ao estilo norte-africano que cruzou o Saara até aquele lugar longínquo das florestas úmidas africanas. O outro emblema era uma basílica que prestava homenagem a São Pedro.
A religião era um ponto de honra para Houphouet, de acordo com o autor do livro. Foi o que manteve o rei forte. Agradava a ele honrar aquelas duas fés internacionais, apesar de se entregar às vibrações africanas que deviam ser encenadas em rituais privados, com seus crocodilos sagrados, destinados somente ao rei.
Naipaul afirma que há vinte e sete anos quando estivera na Costa do Marfim, alguém da universidade lhe dissera que, quando um grande líder morria, seus servos e escravos tinham de tratar de fugir, pois podiam ser enterrados com seu amo.
No entanto, havia servos de tão grande lealdade que queriam morrer com seu líder. De uma fonte estrangeira soube que centenas tinham sido mortos no funeral de Houphouet, isto é, pessoas apanhadas do lado de fora, como vagabundos ou pedintes.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA” II
No capítulo de “Lugares Sagrados”, do livro “A Máscara da África”, o escritor V. S. Naipaul viaja até Lagos, na Nigéria, entre 2008/09, onde narra as tradições do sagrado africano num diálogo com seus guias turísticos e o executivo Adesina, diretor de uma multinacional. Visita babalaôs, fala das religiões estrangeiras do cristianismo e do islamismo. Ouve pessoas sobre as tradições culturais e mitos dos antepassados. As igrejas cristãs não conseguiram se fixar no norte da Nigéria onde predomina o muçulmano.
Naipaul afirma que os nigerianos têm sua própria noção de status. Eles se divertem com coisas que outras pessoas levariam a sério. Um passaporte diplomático, com suas várias imunidades, era um dos brinquedos que tinham chegado com a independência e a criação do Estado. Em sua visita, em Lagos e outras cidades, ele observa de perto a miséria de um povo nos bairros mais pobres, mesmo com a chegada do petróleo.
Destaca que o edifício do aeroporto, conforme observou em sua chegada, era caótico por dentro. Nas ruas, mendigos saiam da escuridão. No hotel havia um aviso de que todo cuidado era pouco antes de entrar num taxi. No saguão do hotel ele se fixou numa escultura atraente e misteriosa africana. Me disseram que era uma figura de baile de máscaras.
O escritor cita passagens do viajante e pesquisador Mungo Park (1771-1806). Na época das guerras napoleônicas, por volta de 1790, Park descreve as crueldades e privações, na maior parte provocadas por mercadores de escravos que conduziam seus cativos acorrentados desde o interior, levando-os semidoentes e mal alimentados ao longo de 800 quilômetros até a costa, para serem vendidos e guardados nos porões dos navios atlânticos.
No livro de Park, aparece a figura do Munbo Jumbo. Na cidade de Kolor, Naipaul viu uma roupa mascarada, pendendo do alto de uma árvore. Disseram pertencer a Mumbo Jumbo, um tipo de bicho-papão, comum a todas aldeias dingas, muito empregado pelos nativos para manter suas mulheres submissas. A África era polígama nessa época.
Diz a tradição que, quando a mulher não obedecia ao marido ou fazia coisas erradas, ele chamava o Mumbo Jumbo que saia da floresta com todo seu disfarce até um ponto da aldeia onde os moradores se reuniam. Muitas vezes era o próprio marido. Canta-se e dança-se até à meia noite. Mumbo declara que a mulher é culpada. Ela é agarrada, suas roupas são arrancadas e, nua, é amarrada a um poste e espancada até o amanhecer por Mumbo e seu cajado. Os aldeões gritam de prazer e não demonstram misericórdia.
A África hoje não é mais polígama, só os muçulmanos. A Nigéria agora é rica por causa do petróleo. Essa Nigéria moderna tem a idade de oito ou dez gerações. Alguns maias dotados carregam esse fardo da juventude do país. O escritor conhece um tal de Edun que nascera em Manchester, na Inglaterra. Era um imigrante que não conhecera a tradição de cem anos atrás. Edun foi poupado do outro lado da mentalidade nigeriana que mergulha bem fundo em antigas crenças e magias, que resiste à racionalidade.
O autor também conversa com um empreiteiro que diz ser cristão iorubá. Ele veio de uma família católica e disse ter visto uma menina possuída pelo Espírito Santo, sendo purificada. Aquilo lhe deixou mais espiritual ao ponto de acreditar que existe um alfa e um ômega que nos vigia. Em sua visão, quando o homem tem educação, ele pode racionalizar melhor.
Sobre as divindades tradicionais, afirmou serem bem conhecidas internacionalmente. Existem sítios sagrados ou santuários e festivais. Edun citou um bosque onde se realiza o festival de Oxum, em Osogbo. Seguidores do orixá se reúnem ali em hordas e rezam pelo que querem com os pais e as mães de santo. Para o festival vem gente do Brasil, de Cuba, dos Estados Unidos e do Haiti e dura uma semana. No último dia, uma virgem com uma grande cabaça sobre a cabeça caminha até o rio (Oxum que também é o nome de um estado da Nigéria, cuja capital é Osogbo).
Naipaul ressalta que são muitos os orixás (deuses e deusas iorubanos) e suas histórias se entrelaçam. O empreiteiro narra muitas histórias da Nigéria, como a de pastores das igrejas que vão discretamente a um pai de santo tradicional num santuário. Havia um rei de Lagos que era chamado de obá. Existem obás (chefes) por toda Nigéria, uns hereditários e outros pagos pelo governo.
A Nigéria, antes de ser britânica, foi portuguesa. Os seus guias de viagem contam que nos velhos tempos, o obá e os chefes sentavam em esteiras e falavam uns com os outros no pátio aberto. Um amigo do norte, de Kano, lhe confidenciou que o nigeriano pode ter uma cultura equina, mas não tem amor pelos animais. Naipaul observou que não haviam cães e gatos comuns perambulando nas ruas.
Em sua viagem, o escritor também conheceu Adesina, um executivo financeiro, com qual trocou experiências e ideias sobre a Nigéria. Com ele conheceu vários santuários. O pai de Adesina, que era católico, se converteu ao islamismo por causa dos árabes comerciantes do norte. Eles traduziram o Corão para o iorubá e pregavam na mesma língua.
Quando Adesina ainda era menino, seus pais perderam todos os bens. A tribo da família foi acusada de usar amuletos para matar um homem poderoso de outra tribo. Pela tradição, ele teve que trabalhar e tomar conta da família. Ele se especializou em cálculos.
Em conversa com o escritor, Adesina revelou que todas as pessoas ricas e os guerreiros da sua tribo consultam seu adivinho ou babalaô antes de irem a qualquer lugar ou fazer qualquer transação. Até mesmo os obás têm seus babalaôs, que ocupam o nível mais alto entre os adivinhos e são chamados de arabas na terra iorubana. Se houver algum problema, o babalaô vai dizer que é preciso consultar o ifá (o rosário-de-ifá e as dezesseis sementes de dendê). No ritual, o babalaô jogo um ou o outro e lê a mensagem do oráculo.












