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:: ‘Encontro Com os Livros’

NA ESPERA DA GRAÇA

ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS

Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 quando as pessoas estavam todas na espera de uma graça.

A obra “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços” será lançada no próximo dia 3 de março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves), às 19 horas, com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.

Com apresentação do professor Itamar Aguiar, trata-se de um conjunto de textos poéticos, ou versos, com uma pegada do agreste nordestino que fala desse povo sofrido, mas também aborda questões políticas, filosóficas, sociais, amor, dor, saudades e o cotidiano da vida.

O título foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor, poeta e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica e apresentada em diversos festivais.

Outros versos da obra também foram musicados por artista locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Na obra, outras letras foram musicadas por Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.

Outros poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.

Para finalizar, o livro contém o capítulo “Entre Engaços e Bagaços”, um épico sobre o nosso resistente Nordeste onde destaca os costumes, cultura e hábitos do nosso povo na fala e na escrita dos principais personagens escritores e poetas, relatos que podem ser transformados numa peça teatral.

Este é o quinto livro do jornalista e escritor Jeremias Macário que já lançou “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” (seis em um) e “Andanças” (dois em um). “Na Espera da Graça” são textos poéticos inéditos e impactantes para o leitor refletir, criticar e divulgar entre amigos, parentes e familiares.

 

“FLUXO E REFLUXO” VIII

OS EMBAIXADORES DA COSTA DA MINA OU A SOTAVENTO (GOLFO DO BENIN) NA BAHIA, PARA ESTREITAR RELAÇÕES COMERCIAIS E APAZIGUAR CONFLITOS, INCLUSIVE DE INVASÕES DE FORTES.

Entre 1750 e 1811ocorreram quatro embaixadas na Bahia pelos reis do Daomé, de Onim (Lagos) e um do rei de Ardra, para reatar as divergências nos portos entre os diretores dos fortes, capitães dos navios, os traficantes negreiros e incrementar os negócios. Na época, os baianos Francisco Félix de Souza e João Oliveira eram os maiores e mais famosos traficantes.

O livro “Fluxo e Refluxo”, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger dá ao leitor todos detalhes destas missões, com cerimonial rebuscado, sendo que a primeira, em 1750, foi rica, pomposa e inusitada que movimentou os moradores da capital pelo ritual que foi preparado pelo vice-rei para receber os enviados do Daomé, com trajes e costumes exóticos.

Uma das embaixadas foi provocado por um tenente do forte português de Uidá, com fins de prejudicar o seu diretor. A de Onim, um subterfúgio utilizado por um capitão negreiro para salvar uma carga de tabaco em deterioração. Tudo isso mostra a vontade dos reis africanos em manter ligações comerciais entre seus países e a Bahia.

A primeira foi do rei Tegbessu depois de incidentes que resultaram na destruição de um forte pelas tropas do monarca do Daomé, com a consequente expulsão do diretor João Basílio e de um reverendo, em 1743. Seus embaixadores ficaram hospedados no Colégio da Companhia dos Jesuítas (hoje Terreiro de Jesus). Os mensageiros do outro rei, Aganglô, ficaram no Convento dos Franciscanos.

Os reis do Daomé queriam praticamente exclusividade dos negócios em seu porto de Ajudá com a entrada livre de quatro a cinco navios de uma só vez, só que isso tornava alto os custos dos cativos no regateamento das mercadorias, e as embarcações demoravam mais tempo no porto deteriorando os produtos e escasseando os mantimentos.

Em 1747, Lisboa declarava que seria justo que o régulo africano sofresse algum castigo para ter mais respeito com a nação portuguesa. Os negociantes da Bahia concordavam castigar o “bárbaro”, sem prejudicar as extrações de escravos, que são tão necessários para as obras do Brasil. No entanto, existiam outros portos (Badagri, Novo Porto e Onim) como opções, mas os conflitos e intrigas eram parecidos.

Em 1750, o vice-rei da Bahia, Luiz Peregrino de Ataíde, Conde de Atouguia, dizia que não existia nenhum meio de intimidar os negros do Daomé. Não falta outros portos nesta costa, mas serviria somente para experimentar os mesmos inconvenientes, insultos e incivilidade de semelhantes régulos-declarava. Os interesses eram facilitar a compra dos escravos e dar saída à venda do tabaco de terceira qualidade, que só tinha saída para o Golfo do Benin.

Os relatos de Pierre Verger sobre essas embaixadas foram baseados nos escritos de José Freire de Monterroio Mascarenhas. Afirma o autor da obra que o vice-rei se mostrava mais reservado e reticente em suas relações com o enviado de Tegbessu, de acordo com os documentos existentes nos arquivos da Bahia e de Lisboa.

Todas as despesas foram pagas pela Fazenda Real da Coroa Portuguesa. Foram oferecidos preciosas colchas e pavimento de finíssimas esteiras, cadeiras de espaldas magníficas e cobertores de tela carmesi.

A primeira embaixada trouxe presentes da sua terra, escravos e quatro negrinhas de 10 anos nuas ao modo da sua terra para o vice-rei e o monarca D. João V. Eles eram chamados de gentis-homens. Nas vestimentas, além dos turbantes, rolavam muito ouro nas vestimentas.

“A esta grande novidade, descrevia José Mascarenhas, nunca vista no Brasil, começou a concorrer gente de toda parte, e o embaixador, para evitar embaraço que podia fazer-lhe o concurso de tanto povo, disse pelo seu intérprete aos portadores do Palenquin e cadeirinhas que apressassem o passo e chegaram com maior brevidade à portaria do Colégio. Foram recebidos com salvas de tiros e honras dos oficiais e vassalos do vice-rei”.

Na audiência da primeira embaixada de 1750 achava-se o palácio todo bem armado. O vice-rei estava debaixo de um rico docel  assistido de todo corpo do Senado e toda nobreza da Bahia, sem se ver outra coisa mais que vestidos ricos e de bom gosto, tudo galhardia, tudo pompa. Era grandiosa a comitiva dos embaixadores, tanto que atraiu gente de toda parte da cidade. O escritor José Mascarenhas se esmerou nos mínimos detalhes desses encontros.

Aconteceram ainda na Bahia as visitas dos enviados do rei de Onim (Lagos), em 1770, na época em que o traficante João Oliveira retornava de Benin e foi preso por ter embarcado num navio onde existiam mercadorias contrabandeadas de um particular.

Uma outra missão ocorreu em 1795 mandada pelo rei do Daomé, Agonglô. Esta embaixada foi provocada pelo tenente Francisco Xavier Álvares do Amaral, no reinado da rainha D. Maria de Portugal, para incriminar o diretor do forte Francisco Antônio da Fonseca e Aragão.

As cartas endereçadas ao vice-rei podem ter sido escritas pelo tenente e pediam exclusividade do tráfico do Brasil para Ajudá. “Garanto à V. Exa. que nenhum dos capitães sofrerá perdas em meu porto, e que podem levar seda, ouro trabalhado e prata sob a forma que queiram, em obra ou peso. Para isso, lá tem cativos em excesso e mais daqueles que se vendem contra o tabaco e aguardente, como sabem aliás os capitães”.

O governador da Bahia, Fernando José de Portugal, escrevia à sua majestade de Portugal ser impraticável o comércio privativo do Porto de Ajudá, como pretende o rei do Daomé. Explicava que concorrendo cinco ou seis embarcações nos portos da Costa da Mina, se forem obrigadas a fazerem as negociações somente em Ajudá, hão de sofrer detrimento, não somente pela demora que irá arruinar o tabaco e consumir os mantimentos para o retorno da viagem, como também porque o potentado aumentará o preço dos escravos devido a grande demanda. Não terão os mestres dos navios liberdade para escolher os escravos e serão obrigados a aceitar os que lhe quiser dar o potentado, pelo preço por ele arbitrado – advertia o governador.

O governador ainda lembrava que todos os mais portos daquela Costa se resgatam os escravos por menor número de rolos do que no Porto de Ajudá, não devendo ser privados dessa comodidade nem os que se empregam neste comércio, de tanto risco e despesa, nem igualmente da utilidade de comprar o melhor preço os escravos nos outros portos. Chamava o potentado Dagomé (Daomé) de ambicioso e soberbo e que na Costa ainda reina muita barbaridade e grosseria.

Em março de 1795, o rei do Daomé escrevia à rainha D. Maria I de Portugal apelando para uma boa união e paz e solicitava que seu porto fosse frequentado pelas embarcações portuguesas, para lucro tanto dos vassalos da rainha como dos meus, e que nossos tesouros cresçam e aumentem. Sobre o diretor Francisco da Fonseca e Aragão afirmava que ele não cumpria com suas obrigações e estava preocupado em aumentar somente suas finanças. Eram como funcionavam as intrigas no tráfico negreiro.

Pierre Verger destaca que, além desses embaixadores, numerosos africanos livres iam para a Bahia, seja para entregar-se ao comércio, ou para receber educação, inclusive filhos de reis e rainhas, muitos até sequestrados para este fim.

 

 

NA ESPERA DA GRAÇA – ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS

Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 quando as pessoas estavam todas na espera de uma graça.

Com apresentação do professor Itamar Aguiar, a  obra “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços” será lançada no próximo dia 3 de março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves), às 19 horas, com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.

Trata-se de um conjunto de textos poéticos, ou versos, com uma pegada do agreste nordestino que fala desse povo sofrido, mas também aborda questões políticas, filosóficas, sociais, amor, dor, saudades e o cotidiano da vida.

O título foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica e apresentada em festivais.

Outros versos da obra também foram musicados por artista locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Estão ainda nele músicas de Papalo Monteiro e Dorinho Chaves

Muitos outros poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.

Para finalizar a obra, o capítulo “Entre Engaços e Bagaços” é um épico sobre o nosso querido Nordeste onde destaca os costumes, cultura e hábitos do nosso povo na fala e na escrita dos principais personagens escritores e poetas, relatos que podem ser transformados numa peça teatral.

Este é o quinto livro do jornalista e escritor Jeremias Macário que já lançou “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” (seis em um) e “Andanças” (dois em um). “Na Espera da Graça” são textos poéticos inéditos e impactantes para o leitor refletir, criticar e divulgar entre amigos, parentes e familiares.

 

“FLUXO E REFLUXO” VII

OS INGLESES E A QUESTÃO RELIGIOSA NA COSTA DA MINA OU COSTA A SOTAVENTO

Como já tratamos em comentários anteriores em nosso blog, o livro “Fluxo e Refluxo, do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger, uma pesquisa de 20 anos de trabalho, é um intricado de conflitos e guerras na região do Golfo de Benin entre portugueses do Brasil, ingleses, franceses, holandeses e os reis de Daomé durante o tráfico negreiro.

A disputa era acirrada por cativos, e o tabaco era a moeda mais cobiçada pelos países. Os holandeses detinham praticamente o monopólio com o domínio do Castelo de São Jorge (Elmina) e exigiam dos portugueses da Bahia e do Brasil que negociassem com eles com o pagamento de uma taxa de 10% sobre tudo que era comercializado e trocado.

As outras nações não gostavam nada disso e tentavam atrair os portugueses para outros portos e fortificações (Porto Novo, Badagri e Onim –Lagos), como ocorreu no final do século XVIII onde os ingleses procuraram proteger os capitães e navios vindos da Bahia com o cobiçado tabaco, que não era de tão boa qualidade, mas os negros o apreciavam.

Pierre Verger cita que uma das consequências da lei de 30 de março de 1756, destinada a tornar o comércio da Costa da Mina livres para todos, foi controlá-lo no Porto de Uidá ou Ajudá, onde o diretor da fortaleza devia fazer respeitar as ordens do rei de Portugal, ou seja, um navio de cada vez, mas sempre essa norma era desobedecida.

Enquanto isso, os capitães procuravam outros portos. Os holandeses concediam quatro na Costa a Sotavento, como Popo, Ajudá, Jaquim e Apá. Em seguida, novos centros foram criados em Porto Novo, Badagri e Onim (Lagos).

João Oliveira, um escravo alforriado se tornou traficante astuto que retornou à África para comerciar com negros e enviá-los para a Bahia. Na velhice ficou rico, mas teve a infelicidade de estar a bordo de um navio que transportava mercadorias de contrabando. Foi injustamente implicado no caso.

“A política dos reis do Daomé, desde a conquista de Ajudá, em 1727, procurava impor que o comércio com os estrangeiros na costa se fizesse exclusivamente com aquele porto. Eles destruíram o porto de Jaquim, em 1743. No entanto, o comércio se alargava em Porto Novo, Badagri e Lagos.

RELIGIOSO

Mesmo diante de toda desorganização que era o tráfico negreiro, por volta de 1780/82, um ponto que chamou a atenção foi o religioso sob a direção do forte português por Francisco da Fonseca e Aragão.

As instruções não falavam mais em proibir a entrada de mais de um navio de cada vez no porto. Refletiam essencialmente preocupações com a respeitabilidade e a prática religiosa. Os oficiais e capitães eram obrigados a assistir as missas e a rezarem o Terço de Nossa Senhora do Rosário.

Na época, o diretor não consentia navios sem capelães. A ordem era que o diretor procurasse saber se as embarcações levavam capelães. Repelia o capitão que não notificava a morte do capelão e não substituía logo por outro. Era ordem da sua majestade, na época a rainha Maria I.

Depois de um certo tempo, o diretor da fortaleza de São João de Audá, Francisco Antônio da Fonseca Aragão não atormentava mais os “americanos” (portugueses brasileiros) para obrigá-los a irem à missa, deixando cair em ruínas a fortificação, nem tampouco se preocupava com os marinheiros portugueses capturados pelos doameanos.

O tenente do forte, Francisco Xavier do Amaral, que chegou em Uidá, em 1791, influenciava Agongló, rei do Daomé, para que não mandasse uma embaixada para a Bahia e sim para Portugal, para propor que o comércio de escravos dos negociantes da Bahia fosse exclusivamente feito com Uidá.

Em 1795, porém, o rei de Daomé enviou para a Bahia dois mensageiros. O tenente, então, organizou essa embaixada a fim de redigir, em nome do rei, suas próprias queixas contra o diretor da fortaleza. Os dois embaixadores foram batizados em Lisboa.

Um morreu lá e o outro tornou-se cavaleiro da Ordem de Cristo. Este teve uma permanência agitada na Bahia, quando da sua volta. “A sofreguidão em cortejar o “belo sexo” escandalizou o governador da Bahia”. A rainha dona Maria tentou converter o rei do Daomé ao catolicismo.

“FLUXO E REFLUXO”

O tráfico negreiro baiano no Golfo do Benin entre os séculos XVII e o XIX tem muita semelhança com o tráfico de drogas praticado no Brasil de hoje, considerando suas intrigas, conflitos, mortes e descumprimento das ordens dadas pelas autoridades de Lisboa, os diretores das fortificações e os vice-reis da Bahia, conforme relatos do etnólogo e fotógrafo Pierre Verger em seu livro “Fluxo e Refluxo”.

Claro que o autor não faz essa referência, mas lendo sua obra e analisando o que acontece atualmente com as redes de traficantes de drogas e armas, os métodos aplicados para trazer escravos da Costa da Mina (Golfo do Benin) para as lavouras e a mineração brasileira eram bem parecidos. Prevalecia a lei do mais forte e tudo mera resolvido no derramamento de sangue.

No tráfico negreiro existia um intrincado de corrupções e uma disputa acirrada pelos negócios, tendo como moedas principais o tabaco da Bahia, a cachaça e o ouro de Minas Gerais. O fumo era muitas vezes adulterado, bem como a bebida e o ouro contrabandeado. Além das guerras entre os reis de Daomé e outras etnias, em Ajuda ou Uidá, as brigas também ocorriam entre as fortalezas portuguesas, francesas, inglesas e as forças holandesas.

As cartas trocadas entre os vice-reis da Bahia, os capitães de navios, diretores das fortificações e seus mandatários colonizadores eram recheadas de intrigas, difamações, calúnias e desrespeito às regras emanadas pelas coroas de cada nação europeia. Era como se fosse uma terra de ninguém e vencia o mais astuto e o mais forte.

As conspirações andavam soltas naquela zona perigosa e o diretor da fortificação portuguesa em Ajuda, João Basílio, por volta de 1743/45 foi vítima de uma delas. Foi preso injustamente, padeceu numa cadeia imunda da Bahia e morreu à mingua. Seus filhos foram vendidos como escravos, tudo por causa de calúnias de outros traficantes que não concordavam com suas ordens.

De acordo com pesquisa feita por Pierre Verger em “Fluxo e Refluxo”, ele e o tenente Manoel Gonçalves embarcaram em Uidá e foram saudados pelo forte francês com uma salva de nove tiros. Dali seguiram ao longo do litoral com escala na Bahia onde foram feitos prisioneiros pelas autoridades da cidade.

Eles eram acusados de terem abandonado, com grande prejuízo para a Fazenda Real, a fortaleza de Ajudá. Em outra parte, cita que todos os bens de João Basílio e de Manoel Gonçalves foram sequestrados por ordem do provedor-mor da Fazenda Real. Tiraram deles até as roupas.

O vice-rei conde das Galveas dizia que o Basílio foi condenado injustamente. Outro que caiu em desgraça foi o diretor Francisco Nunes Pereira. Na Costa da Mina ou Sotavento, o comércio negreiro era uma tremenda bagunça. Não havia organização e os preços dos cativos variavam de acordo com a oferta e a procura.

Da Bahia, 24 navios eram autorizados a negociar, mas existia uma ordem que, enquanto um capitão estivesse no porto, outro não poderia entrar, só que os traficantes não obedeciam. Muitas vezes, o rei de Daomé nomeava seu próprio diretor para a fortificação de Portugal, passando por cima da Coroa de Lisboa e do vice-rei da Bahia.

Como o único meio de comunicação era através dos navios, as medidas e diretrizes passadas para os diretores do forte de Ajuda caducavam. O mesmo acontecia do Golfo de Benin para a Bahia e Lisboa. Uma missiva para Portugal transitava primeiro na Bahia para depois chegar o reino.  Muitas vezes duravam seis meses para se saber da morte de uma autoridade.

 

AINDA SOBRE “BR2466 OU A PÁTRIA QUE OS PARIU”

No último capítulo do seu livro “Isso é apenas o começo”, o crítico literário e filósofo Nélio Silzantov diz que “os patriotas estão nas ruas, saudosos das prisões alheias, torturas e desaparecimentos”, creio que numa alusão à ditadura civil-militar de 1964 e até mesmo sobre as injustiças praticadas contra os direitos humanos, principalmente dos mais pobres.

Para ser mais enfático e direto, o autor destaca que “os patriotas não se importam com a extrema miséria do povo ou se ele morre de fome, desde que todo aquele que quiser, possa ter em mãos o seu próprio fuzil”. Aqui vai um recado para o psicopata do Bozó que incentivou o armamento durante todo seu governo.

“A falta de emprego, saúde, educação e renda não lhes diz nada, contanto que as exportações quebrem recordes e seus lucros continuem exorbitantes. Os patriotas se dizem os únicos que verdadeiramente amam a nação, mas o que eles mais odeiam são os miseráveis que a povoam por toda parte”.

Sua crítica nesse último capítulo de sua obra, que deve ser lida por todos aqueles que amam a leitura, é bem clara e não carece de maiores comentários. Ele próprio complementa afirmando que essa gente é “desprezível, marginais por natureza, o câncer a ser extirpado a todo custo e o quanto antes”.

Até parece que Nélio estava prevendo os acontecimentos do oito de janeiro quando esses “patriotas” invadiram os três poderes numa tentativa de dar um golpe na Constituição e implantar uma ditadura fascista no Brasil.

Depois dessa “bofetada”, o autor de BR2466 faz uma reflexão sobre a alienação da nossa gente que está mais ligada para os encantos das tecnologias que “mudariam nossas vidas em definitivo e que metamorfosearam-se na extensão do corpo humano, alterando, assim, o nosso modo de ver, ouvir, falar e existir”.

Sobre essa situação atual em que vivemos de ódio e intolerância, Nélio fala de avatares e sorriso amarelo de amigos e familiares. “Com o tempo, passamos a não nos reconhecer como há pouco imaginávamos. Incrédulos, numa última tentativa, buscamos exaustivamente o traço de uma face amiga que se perdeu. Por menor que fosse esse traço, depositamos nele a esperança de um resgate daquilo que para muitos não passa de ilusão”.

…”restou-nos o exílio, a fuga daqueles que não suportamos a presença, o medo de caminhar por entre as ruas e sermos apedrejados, o ódio espalhado feito peste epidemiológica colocando todos contra todos, a liberdade de expressão, tão cara aos regimes democráticos, convertida na liberdade de encolerizar-se contra o dissidente, o opositor, o que insiste em resistir, o que não aceita subjugar-se”.

“BR2466 OU A PÁTRIA QUE O PARIU”

Uma mistura de contonetas com croniquetas, se me permite os termos esdrúxulos meu amigo crítico literário e filósofo Nélio Silzantov a respeito do seu novo livro “Br2466 ou a pátria que os pariu”, numa capa antropofágica que nos lembra faces de pinturas humanas da idade média. Seu livro é como abrir a porta para receber um grande amigo para prosear por horas.

Quem sou eu para fazer uma análise mais profunda sobre sua linguagem curta e direta do cotidiano da vida rodriganiana, numa interação copular entre a língua falada e a escrita, sem medo de se expor aos mais conservadores. As expressões são como bofetadas de pelicas em nossas faces.

Em muitos capítulos, fáceis de serem digeridos, como “Toda insanidade é uma forma desesperada de adestrar um marido”, Nélio fala de renovação dos votos de amor para um marido culpado pelo casamento ter sido motivo de falatórios. Ela acreditava que em suas veias corriam o sangue dos bravos selvagens, mas “teu sangue é ralinho”.

Em “O amor não é tudo o que importa”, o autor desnuda as relações sexuais entre Adrielly e Otoniel que tudo faz para não transar com a mulher. “O amor não é tudo o que importa, repetia em seu íntimo, enquanto buscava reacender o tesão observando as silhuetas daquela apetitosa esposa deitada ao seu lado, que àquela altura, cansada de esperar pelo pau mole do marido, devia estar sonhando qualquer coisa num sono profundo”.

Otoniel era fixo nos estudos, mas “sua carreira de escritor não passava de um exercício intelectual, visto por parentes e amigos como um hobby utópico e narcisista que lhe rendia mais despesas, desdenho dos pares e frustração pessoal do que lucro e conformidade aos valores nacionais resguardas pelo Estado”.

Em seus contos ou croniquetas, como já dizia meu saudoso amigo Sérgio Fonseca que falava várias línguas e transbordava conhecimento sem ser reconhecido, nosso Nélio dá as suas porradas nessa sociedade hipócrita, corrupta e sem ética política e social.

“O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta, minha querida. Estamos felizes agora?, é claro que estamos. Mas e quando a miséria que se alastra por todo canto bater à nossa porta? As ruas já não abrigam mais os infortunados de outrora” diz o seu personagem. “Sonhar acordado, como dizem, não paga imposto”.

Se em seu romance “Desumanizados”, Nélio escancara a realidade do ser humano, da forma como ele é, em seus contos-croniquetas de “Br2466 ou a pátria que os pariu”, de linguagem accessível, Nélio observa o cotidiano da vida e o transpõe em textos concisos e reais que somente ele consegue fazer.

De fácil e prazerosa leitura, Nélio joga com a política, o social e o comportamento das pessoas, com críticas ácidas que fazem o leitor parar para refletir sobre seu eu existencial.  Bem verdade quando afirma que o “Estado é uma máquina de triturar homens”.

“Br2466 é a diversão com uma mistura de temas inusitados, como a ideia de um regionalismo puro sangue, a dedicação de Deus para criar um Rei do Brega e o comportamentalismo que envolve cabras e poluções noturnas” – como bem assinalou o prefaciador Leonardo Araújo Oliveira, professor do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagem da Uesb.

 

“FLUXO E REFLUXO” V

Costa a Sotavento da Mina: O tráfico em Ajudá (Uidá)

Os primeiros navegadores, os portugueses, fundaram o castelo de São Jorge da Mina, em 1482, na Costa da Mina. Mais tarde Portugal ficou sob domínio da coroa da Espanha, de 1580 a 1640. No século XVII os holandeses se apoderaram de Pernambuco e das ilhas de São Tomé e Príncipe, bem como de Angola e do castelo, em 1637.

Com essa intervenção holandesa, conforme cita o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger em sua clássica obra “Fluxo e Refluxo”, Portugal perdeu o monopólio do comércio na costa da África. Por mais de um século, o tráfico negreiro dos negociantes baianos, principalmente, viveu períodos de desordens e intrigas, sem falar no contrabando do ouro, subornos e conflitos.

Somente no final do século XVII o comércio na Costa da Mina se desenvolveu com a Bahia. Segundo Verger, o estatuto das nações europeias era diferente na Costa do Ouro e na Costa a Sotavento (Golfo do Benin).

Na Costa do Ouro, elas estavam fortemente entrincheiradas em fortalezas construídas à beira mar, sólidas para resistir aos assaltos dos chefes indígenas ou das embarcações piratas.  Os europeus dominavam o mercado local e proibiam o acesso aos navios das nações estrangeiras, caso de Portugal.

No entanto, na Costa da Mina, as fortificações em Uidá se situavam no interior das terras, sendo incapazes de resistir por muito tempo aos ataques das autoridades indígenas (reinos que sempre viviam em guerras).

Em “Fluxo e Refluxo” o autor destaca que havia ao longo da costa uma série de pequenos reinos que guerreavam uns contra os outros, especialmente na Costa da Mina. O reino de Ardra, por exemplo, controlava os caminhos desde o interior. Podia bloquear quando bem quisesse e cortar o abastecimento de escravos em benefício do seu porto. Por sua vez, esse reino era submisso ao seu vizinho Oyó, ou Ulcumy, que era grande inimigo do rei de Daomé.

Como a situação era vexatória e o comércio desorganizado por causa das intervenções holandesas que obrigavam que baianos e portugueses negociassem com eles no castelo de São Jorge pagando um tributo de dez por cento, desde 1680 Portugal tentava construir um forte em Uidá, mas sem sucesso.

Por volta de 1698 as desordens prosseguiam na costa em virtude dos conflitos entre os reinos que impediam que o tráfico fluísse. A situação dos portugueses era delicada e desconfortável depois da tomada do castelo de São Jorge pelos holandeses.

Os descendentes dos antigos comerciantes que viviam na costa serviam de intermediários para o fornecimento de escravos às embarcações do tráfico do Brasil e das diversas nações europeias.

No entanto, muitas vezes o comércio se invertia e as trocas ocorriam com os ingleses, franceses e holandeses que tinham interesses em negociar com tabaco e ouro que no Brasil levava para a Costa da Mina de forma clandestina.

As autoridades, como os vice-reis, governadores, o Conselho Ultramarino e os comitês (Mesas de Negócios da Bahia) tentavam estabelecer regras, mas eram violadas pelos próprios negociantes e donos de navios onde cada um procurava realizar seu negócio.

Essa falta de ordem e má conduta dos portugueses terminavam arruinando o comércio e elevando os preços dos escravos que já eram escassos por causa das guerras. Para ter cativos de qualidade, capitães de navios chegavam a pagar o dobro do preço.

Existia até uma rivalidade entre Lisboa e a Bahia pelo controle do comércio na costa da África. Os negociantes da Bahia se recusavam a buscar escravos em outras regiões, como recomendava Portugal.

Na tentativa de resolver o problema, o vice-rei do Brasil, Vasco Fernandes César de Menezes autorizou, em 1721, o capitão Joseph de Torres a construir um forte em Uidá (Ajudá), só que tempos depois foi destruído nas guerras. O próprio capitão tinha fama de trapaceiro e chegou a ser preso pelo reino de Portugal. O projeto não deu os resultados esperados.

 

“FLUXO E REFLUXO” IV

A CARTA DO DESEMBARGADOR E A

DESORDEM NO TRÁFICO NEGREIRO

Entre os séculos XVII e XVIII, o tráfico negreiro na Costa a Sotavento da Mina (Golfo do Benin) sempre transcorreu na maior desordem onde os negociantes da Bahia não se entendiam com o vice-rei e nem com as cortes de Portugal, sem contar os transtornos com os holandeses nas fortificações de Ajudá, os quais cobravam taxas de impostos.

Nessa época, por volta de 1735, o vice-rei Vasco Fernandes César de Menezes, conde de Sabugosa, era substituído por André de Melo e Castro, conde de Galveas. Um ano depois, o Senado queixava-se das taxas impostas pelo comitê de negociantes (Mesa de Negócios) criado treze anos antes.

O todo poderoso, ouvido pelo reino de Portugal era o desembargador Wenceslão Pereira da Silva, oposto às aspirações dos negociantes da Bahia. Ele escreveu um longo parecer para conter as ruínas dos três principais gêneros do comércio, o açúcar, tabaco e a sola.

Em “Fluxo e Refluxo”, Pierre Verger, autor da obra cita que o desembargador destacava dois problemas nesse comércio, um de ordem interne e outro externo. Quanto a este último dizia que procede de grande abatimento e falta de consumo dos três referidos gêneros, especialmente açúcar, que não têm saída por causa das fábricas que os estrangeiros aumentam nas suas colônias.

As lavras de ouro e diamante contribuem de certa parte para a destruição das lavouras e engenhos de cana porque fizeram subir os preços dos escravos e até dos cavalos e bois. Com relação aos cativos, os preços passaram de 40 a 50 mil reis para cerca de 200 mil cada escravo devido ao consumo e saída que tiveram para as minas.

Sobre os males internos, ele apontava a demasia de luxo, venenoso e depravado vício, “nascido de uns negros fumos exalados das oficinas do inferno, que cruelmente infecciona, destrói e consome estes moradores mal morigerados”. Cada um se veste como lhe parece no modo e no excesso do imoderado luxo. O rei D. João V esbanjava luxúria para imitar o seu colega da França, Luiz XIV, tudo às custas do Brasil.

“Não sendo menos intolerável o uso e abuso de cadeiras guarnecidas de ouro e sedas, que são as carruagens da terra, moda introduzida há nove ou dez anos e há pouco permitida a pessoas de inferior condição, no que fazem excessivas despesas”…

Com referência aos holandeses e zelandeses, dizia serem interessados na Companhia da Mina que tem ali estabelecido seu comércio com os negros que são revendidos depois aos portugueses a troco de ouro.

Para combater a desordem no tráfico negreiro, o desembargador sugeria a criação de uma nova Companhia Geral aos moldes do que existe em outros reinos, cujo tráfico e principal emprego será resgatar escravos da África e vendê-los nos portos do mar do Brasil. Como exemplo cita a Companhia Geral do Comércio no ano de 1649, que serviu de tanta utilidade à monarquia.

Acontece que a regulação do mercado era complicada e sempre foi um assunto polêmico porque existiam os mais poderosos que tendiam ao monopólio e não queriam ceder sua parte, como a reserva de apenas 24 embarcações indo da Bahia por esquadras de três em viagem à Costa da Mina, de três em três meses.

Em 1741, esse tráfico passou por um período de desorganização. Caso não encontrasse uma solução, o vice-rei temia que poderia desaparecer completamente. Para ele, a consequência seria a ruína do Brasil que não pode sobreviver sem o trabalho dos cativos. Cada negociante oferecia o maior número de rolos de tabaco por um escravo. Houve várias propostas para reorganizar as bases do tráfico na Costa a Sotavento da Mina, mas sempre eram transgredidas.

 

 

“FLUXO E REFLUXO” III

“Reações Provocadas na Bahia pelas dificuldades Encontradas para Traficar na Costa da Mina”.

As negociações dos traficantes negreiros baianos na Costa da Mina (Golfo do Benin) sempre foram complicadas entre os séculos XVII e XVIII por causa das interferências dos holandeses que viviam em guerra contra Portugal, cujo reino recomendava o comércio com Cabo Verde, Gabão e Angola.

Em “Fluxo e Refluxos”, obra do fotógrafo e etnólogo Pierre Verger, esses pontos estão bem figurados em suas pesquisas que demoraram 20 anos. Em um de seus capítulos ele assinala que “com o desenvolvimento do tráfico negreiro na Costa a Sotavento da Mina multiplicavam-se as dificuldades e incidentes entre os navios da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais e os dos negociantes da Bahia”.

Por causa do tabaco de qualidade inferior e depois do ouro contrabandeado no início do século XVIII, a Bahia preferia os negros da Costa da Mina, mesmo com as apreensões de cargas e fiscalizações impostas pelos holandeses, sem contar os preços exorbitantes dos cativos.

Acontece que os negros da Costa da Mina eram mais procurados para as minas e os engenhos de açúcar do que os de Angola, pela facilidade com que estes morrem e se suicidam. Os primeiros eram mais rebeldes e de difícil tratamento, mas conhecedores e hábeis no trabalho de exploração do ouro.

A rivalidade entre os negociantes de Lisboa e os da Bahia continuou sem grandes mudanças até 1720, quando da chegada de Vasco Fernandes César de Menezes, na qualidade de trigésimo nono governador e quarto vice-rei do Brasil. No início de sua regência de quinze anos, ele favoreceu as iniciativas dos negociantes da Bahia contra os de Lisboa, mas ocorreram muitos imbróglios.

Um dos problemas que o vice-rei teve que enfrentar foi com o capitão de mar e guerra Joseph de Torres, um astuto, ardiloso e contrabandista de ouro para Costa da Mina, desviando recursos do reino de Portugal. Ele foi autorizado a construir um forte em Ajudá (fortaleza cesárea) e terminou criando relações conflituosas com os holandeses (Castelo de São Jorge da Mina) e os ingleses. Os métodos usados por Torres nunca foram legais.

O Joseph de Torres chegou a ser preso e sumiu por uns tempos, mas retornou pelos anos 1730 como delator dos contrabandistas para fazer média e se aproximar das autoridades do reino de Portugal, inclusive do vice-rei. Ele foi acusado de ter cometido diversas fraudes no comércio na Costa da Mina. Na verdade, era um grande sonegador dos direitos em impostos dos portugueses.

Em 1723, com apoio do vice-rei Vasco de Menezes, foi fundada a Mesa do Bem Comum dos Homens de Negócio da Bahia, uma espécie de comitê de câmara de comércio. Seis meses depois foi criada, em Lisboa, a Companhia do Corisco.

Conservavam-se as duas tendências, a de Lisboa que queria fazer o tráfico com Cabo Verde e Gabão, e a Bahia com a Costa da Mina. Por causa dessa Companhia aconteceram diversos incidentes na Costa da Mina entre holandeses (Companhia Holandesa das Índias Ocidentais) e portugueses.

Os negros de Angola, como já foi dito antes, não servem para o trabalho das minas, mas somente como domésticos, para acompanhar as pessoas do Estado de Minas como lacaios – dizia o vice-rei em desacordo com as posições de Lisboa.

De acordo com ele, era impossível impedir o transporte de negros da Costa da Mina, apesar de serem resolutos e temerários, e recomendava precauções e disciplina com as etnias dessa região. Em seguida vamos acompanhar as intrigas entre o governador de Minas Gerais e o vice-rei Vasco de Menezes, bem como a ingratidão de Joseph de Torres.





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