“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
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SONHOS E PESADELOS ANGUSTIANTES
– Noite passada eu tive um pesadelo horrível que acordei todo suado e até gritei de susto. Quem não já falou isso para um companheiro, companheira ou amigo. “Acho que comi demais e fui deitar de barriga cheia”
Não estou a falar de sonhos acordados, aqueles seus planos e projetos que em vida você pretende realizar (metas de virada de ano), mas dos sonhos do sono, muitos dos quais pesadelos angustiantes, que só se entra na real quando se abre os olhos.
Demora segundos recobrar os sentidos, mas bate aquele alívio. Tem pesadelos, que de tão pesados, o indivíduo cai da cama. O problema é dormir novamente e o pesadelo inventar de dar continuidade ao seu enredo macabro!
Sobre os sonhos fora do sono, dizem que nada é impossível, só que não acredito muito nisso, e tenho minhas ressalvas, mesmo com muita luta e persistência. Tem coisas do dom que não adianta ficar sonhando, como o cara ter a voz desafinada e querer ser um grande cantor, ou “perna de pau” no futebol tentar ser craque. Melhor partir para outra e não ficar perdendo tempo.
Ultimamente ando tendo muitos pesadelos angustiantes à noite, não sei se é decorrente da idade, de traumas presentes e do passado, dessa porca política brasileira com sua polaridade idiota, da epidemia de corrupção, dos noticiários de terror, dos temporais climáticos ou das atrapalhadas do mentiroso Trump.
Nem é preciso assistir mais filmes de terror para ter pesadelos. A ficção se tornou realidade. O negócio é sério, meu camarada! Estamos tendo pesadelos sem dormir, caso da violência urbana. Os pesadelos dos homens das cavernas deveriam ser as feras.
Por falar em sonhos e pesadelos, como não lembrar de José do Egito, o interpretador deles que até caiu nas graças do faraó. Numa noite, o imperador sonhou com sete vacas magras e sete gordas. Chamaram José, que estava injustamente preso, e ele disse representar anos de seca e sofrimento e os outros de fartura. Acertou e ficou numa boa com o faraó.
O rei, então, planejou armazenar mantimentos em abundância para atravessar os períodos difíceis. As “bruxas”, rezadeiras (os), médiuns e sensitivos possuem os dons das interpretações. Nas civilizações antigas, os reis e rainhas chamavam essa gente para fazer as interpretações. Geralmente acertavam. Quando erravam, às vezes, a punição era a morte.
No Brasil, temos os sonhos dos jogos do bicho, com 25 animais. Trata-se de uma relação cultural e histórica popular, baseada em símbolos. Os sonhos, então, são convertidos em números. Às vezes dá certo. Sonhar com esgoto cheio de ratos dá o quê?
– Hoje vou fazer uma fezinha porque à noite sonhei com lobo e só pode dar cobra, grupo dos 9, com dezenas 33,34,35 e 36 – diz o jogador para o apontador, ou bicheiro, que sabe de tudo. Alô meu companheiro Zé Silva que sabe de tudo!
Dizem que sonhar com morte/enterro dá vaca ou jacaré. O porco é do grupo 18, com as dezenas 69, 70, 71 e 72. Abacate e frutas vai de camelo ou macaco. Sonhar com canivetes ou alianças vai de avestruz. Algodão ou feijão arrisca no número da águia. Sonhar com tio pode dar leão. Os donos de bancas recomendam não jogar no bicho que sonhou.
Fora do bicho, existem as premunições de pessoas que sonham com outro, amigo ou parente, onde preveem acontecimentos até fatais em casos de viagens, acidentes no trânsito e em outras atividades. Chamam a estes de paranormais ou coisa semelhante.
Existem sonhos do prazer, os eróticos e os que dão felicidade, como sonhar com um grande amor do passado ou do presente. Ocorrem aqueles onde o parceiro aparece lhe traindo. No outro dia, o sonhador (a) olha o outro atravessado, com desconfiança.
Tem os sonhos com entes queridos que se foram, em razão da intensa saudade que ficou em vida no consciente ou subconsciente. O sono faz despertar as boas lembranças, mas isso tudo só Freud explica.
Por muito tempo sonhei voando numa vasta planície e em morros e montes, desviando dos obstáculos. Os interpretadores falam que é símbolo de liberdade, independência, crescimento pessoal e superação das limitações. Tem-se a sensação de se estar no controle, elevando-se, conforme o “Livro dos Sonhos”.
Pior são as noites de pesadelos, dos sonhos confusos onde aparecem monstros e a pessoa se arrasta em lamaçais tentando se livrar e sair dos escombros. Existem aqueles angustiantes e tormentosos onde o dono do sonho se sente perdido em algum lugar, numa rua qualquer e faz aquele esforço danado para chegar ao seu ponto.
Os soldados de guerra acordam em desespero, aflitos em meio a bombas, no fogo cruzado ou matando inimigos. Às vezes sonho na labuta jornalística de uma redação onde não consigo fechar uma matéria e bate aquela angústia de frustração.
Pesadelos são sonhos intensos e perturbadores, associados a emoções como medo e ansiedades. É uma resposta do cérebro para processar estresse e traumas. Para os entendidos no assunto, decorrem após refeições pesadas, agindo como mecanismo para liberar tensões emocionais acumuladas durante o dia.
Até acho que as pessoas nos tempos atuais das correrias da vida têm mais pesadelos à noite do que antigamente. Estão relacionados a conflitos emocionais não resolvidos. Esses tipos de sonhos são assustadores. Para estudiosos, a apneia do sono, que interrompe a respiração, pode fazer o cérebro criar sonhos medonhos para forçar o despertar.
EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL
A Câmara Municipal de Vitória da Conquista realiza nesta quarta-feira (dia 13/05), a partir das nove horas, sessão ordinária para debater diversos projetos do poder executivo, com destaque para as áreas da educação, saúde e assistência social, bem como, reorganização administrativa do município.
Entre as propostas apresentadas pelos parlamentares está o projeto que institui as diretrizes do Programa “Uniforme Completo”, prevendo o fornecimento anual de uniformes e calçados escolares para estudantes da rede pública municipal, com prioridade para famílias inscritas no CadÚnico.
A proposta busca ampliar a segurança e a identificação dos alunos, reduzir desigualdades e contribuir para a permanência escolar. Entram também em pauta o projeto que cria o Programa “Bebê a Bordo”, que estabelece diretrizes para garantir transporte gratuito e humanizado às mulheres puérperas após alta médica em unidades públicas de saúde.
Outro projeto assegura à parturiente o direito à presença de psicólogo e obstetra durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato em maternidades e hospitais das redes públicas e municipais de Conquista.
Durante a sessão, ainda será apreciada a proposta que institui diretrizes para o acompanhamento pré-natal, parto e pós-parto de gestantes com Transtorno do Espectro Autista, com acompanhamento multidisciplinar na rede pública de saúde.
Vai estar em pauta ainda a proposta de emenda à Lei Orgânica do Município que altera dispositivos relacionados à organização municipal.
De interesse do executivo, que seguem em segunda votação, estão os que reestruturam secretarias municipais, incluindo a transformação da Secretaria Municipal de Serviços Públicos em Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEMOP); a reorganização da Secretaria Municipal de Gestão e Inovação, que passa a se chamar Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão (SEPLAG); além da alteração da Secretaria Municipal de Governo, que passa a ser denominada de Secretaria Municipal de Governo e Participação Social (SEGOV).
Em primeira votação, entra em pauta o projeto que reestrutura a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, que irá se chamar de Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação Social e Direitos Humanos (SASHDS), com nova organização administrativa e redefinição das competências da pasta.
Também, em primeira votação, o projeto do poder executivo que autoriza o município a conceder subvenção social à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).
NINGUÉM QUER DESACELERAR
O colega de trabalho só pensa em competir e, se possível, dar uma rasteira no outro, a depender do seu caráter. O rico quer ficar mais rico e até rouba para manter seu poder e seu padrão de luxo, as multidões andam em disparada nos grandes centros, o consumismo só aumenta, principalmente em épocas der festas, e só o pobre oprimido luta pela sobrevivência, mas também anda acelerado.
O político nem se fala. Ele quer estar sempre acelerado para se perpetuar no poder e aí usa mentiras; faz mais e mais promessas que não são cumpridas; pratica intrigas contra adversários; e nas eleições corre como um doido desvalido para laçar o eleitor. Nem dorme direito e termina estressado.
Ninguém quer desacelerar para aliviar os impactos ambientais. Para compensar, fica realizando uns projetinhos de plantios de mudas, reciclagem e outras ações chamadas de sustentáveis, no faz de conta que engana a natureza.
O aquecimento global está mais acelerado, os temporais e as tempestades mais contínuas e destruidoras. Ciclones e tufões por onde passam deixam um rastro de terra arrasada. Os ventos correm cada vez mais acelerados e velozes. As calotas polares descongelam mais rápido, e ninguém quer saber de desacelerar.
O negócio é cada vez mais pisar o pé no acelerador. Tem muita gente que anda a mais de 200 quilômetros por hora. Uns invadem sinais, dão as “roubadinhas” e até entram na contramão na pressa dos horários. A humanidade está cada vez mais irracional e desumana em direção ao seu próprio abismo.
Nos transformaram em máquinas repetitivas cheias de botões e fiações automáticos que fazem definhar a inteligência, a educação e a cultura. Nos celulares são mais cliques, mas visualizações, mais seguidores de besteiróis. As propagandas nos entopem de porcarias e todos entram de cabeça burra na corrida maluca do vencer.
Cada país quer cada vez mais acelerar para aumentar seu crescimento econômico, o chamado PIB (Produto Interno Bruto), escavando a terra como tatus à procura de minerais, agora raros, e combustíveis fósseis. As conferências sobre as mudanças climáticas são todas mentirosas porque ninguém quer desacelerar.
Os corações estão mais acelerados, com batidas mais fortes, conhecidas como arritmias. As pessoas em geral querem ficar mais marombadas nas academias; tomam suplementos; fazem estéticas de beleza; e esquecem da mente, cujos neurônios começam a murchar. As veias entopem e ninguém quer desacelerar. É a autodestruição em massa.
Somente o senhor tempo, que tudo vê e escuta, mantém o ritmo de sempre, se bem que os humanos achem que ele também está acelerado. É a sua correria do dia a dia que assim faz pensar. O relógio continua no seu tic-tac, tic-tac, no compasso dos segundos, das horas, dos dias e dos meses do ano.
Ninguém quer saber de desacelerar e até não mais se lembra que lá na frente está a morte a lhe esperar. Não adianta correr tanto como se fosse a disputa de uma maratona ou uma corrida de Fórmula I. Quem desacelera tem mais vida, menos estresse e menos transtornos psiquiátricos. Quem desacelera tem vida mais longa.
O COMÉRCIO DOS 10%
Confesso que não gosto dessas festas comerciais de Dia das Mães, dos Namorados, dos Noivos, dos Pais, Natal e os escambaus. É muito mais consumismo, comilança, gastos e falsidades do que sinceridade e amor. No outro dia, volta tudo ao mesmo de sempre na rotina das desavenças. Em todas essas datas, antes das festanças, os lojistas e a CDL sempre dizem que as vendas vão aumentar 10%. Com que base, e tem dados concretos, ou somente chute para atrair o consumidor que cada vez fica mais endividado? A impressão que temos é que o comércio daqui é um paraíso, porque no geral no país, fica em torno de 2% e no máximo 3% quando a situação está boa. Com 10%, a economia de Vitória da Conquista cresce mais do que na China. Não se pode falar nisso porque as pessoas torcem a cara e vão logo me taxando de negativista. Não me importo. Depois dessa idade, de tanto levar pancadas, não ligo mais para as críticas. Falo o que penso e nem estou para o que dizem. Fui vacinado contra as maledicências. Apenas fico invocado com esses 10% todos os anos. Vai crescer assim no raio que o parta. Pode até ser isso em termos de faturamento porque os comerciantes nessas épocas colocam os preços lá em cima, nas alturas. A ordem da mídia e das enxurradas de propagandas são comprar, comprar e comprar. Já comprou seu presente? Se não, você fica fora da fita e é um peixe fora d´água. Esses 10% viram piada, ou um vinil arranhado.
LAMPIÃO FOI COMPARADO COM O FAMOSO AL CAPONE DE CHICAGO
Em final de 1928, praticamente escorraçado de Pernambuco, Lampião atravessou o Rio Francisco e chegou à Bahia por Santo Antônio da Glória (Paulo Afonso). De forma mansa, ordeira e cordeira se acoitou na fazenda do coronel Petronilio Reis, o Petro, seu amigo.
Astuto e sagaz, passou um tempo em paz, com poucos homens, fazendo um reconhecimento do terreno e até se tornou amigo do coronel João Sá, de Jeremoabo. A impressão que dava era que ele havia se regenerado, até que começou a fazer suas tripolias e praticar violência nas vilas e povoados.
Na Bahia achou um campo aberto, pois as forças policiais eram deficientes e praticamente não realizavam campanhas contra o cangaço, até que aconteceu o caso de Queimadas, no Natal de 1929, onde Lampião com seu bando invadiu a cidade, saqueou o povo, os comerciantes e cometeu a atrocidade de matar sete soldados de forma cruel.
Conforme nos conta o autor da obra, “Lampião, o Rei dos Cangaceiros”, Billy Jaynes Chandler, foi aí que, depois de outros crimes, o estado resolveu tomar providências e indicar o coronel Terêncio dos Santos Dourado para comandar uma campanha contra Lampião.
Sua primeira medida foi dividir o estado em seis regiões, com equipamentos de comunicação, mais soldados e armamentos. Um comando ficou em Bonfim, os outros nas regiões de Juazeiro, Jeremoabo e Uauá, com 1.200 soldados e 36 oficiais. Boa parte dessas forças, no entanto, ficou estacionada nas cidades e poucos foram enfrentar a caatinga. Cada volante tinha entre 20 a 30 soldados.
Depois de oito meses de fracasso, com o revés da batalha de Mandacaru, renunciou ao cargo. Como bom estrategista, aprendiz do cangaceiro Sebastião Pereira, o “Sinhô Pereira”, Lampião fazia sua luta de guerrilha e, diante das suas investidas, a imprensa começou a compará-lo com o bandido Al Capone, de Chicago, nos Estados Unidos.
A força policial ainda era ineficiente e pobre. Os soldos chegavam atrasados e, às vezes, faltavam uniformes. Quando em campo, a tropa comia rapadura, farinha e carne seca. Tinha comandante que cobrava dos homens o dinheiro da comida e depois embolsava.
Lampião fazia suas fugas e tinha seus esconderijos, como exemplo, o Raso da Catarina, um lugar inóspito e perigoso que os soldados não aguentavam e pereciam. Outros comandantes assumiram depois de Dourado e até melhoraram as condições da tropa, com mais pistolas, assistência médica, binóculos e mais rastejadores.
Nesse meio, veio a Revolução de 30, entre outubro e novembro. A luta pelo poder tomou lugar da captura dos cangaceiros. O combate contra o cangaço podia esperar na visão dos governantes. Com Getúlio Vargas, vieram os interventores que resolveram desarmar os sertões. A população ficou sem defesa para enfrentar os cangaceiros.
Somente em fevereiro de 1931, o capitão Juarez Távora, chefe regional da polícia para o Nordeste, começou a reorganizar a polícia, mas pouca coisa aconteceu por falta de verba. Com isso, a campanha passou a se fixar no Rio de Janeiro.
O regime de Vargas traçou seu plano para eliminar Lampião. No centro apareceu o capitão Carlos Chevalier, um aviador que divertia os cariocas com suas manobras de paraquedas. Pensaram em usar aviões para acabar com o cangaço.
Com apoio do ministro do Interior, Oswaldo Aranha, foi criada a “Missão Chevalier”, com radiocomunicações e uso de mil soldados, mas a operação foi esbarrada na escassez de recursos. Pistas de aterrissagem teriam que ser construídas. Sugeriram até festa de gala para despedida do capitão, mas nada ocorreu.
Chevalier chegou a sugerir infiltrar dois espiões no bando de Lampião. Somente em setembro de 1931, o governo federal liberou recursos para a Bahia, com a nomeação do interventor Juracy Magalhães, de 26 anos.
Com muito alarde, o capitão João Facó, secretário de Segurança Pública da Bahia, começou uma campanha de perseguição e garantiu que iria fechar o cerco aos cangaceiros. Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe entraram para cooperar.
Enquanto isso, um jornal do Rio organizou até um concurso para ajudar a campanha. O “Diário da Noite” ofereceu um prêmio a quem desse a melhor sugestão de como matar Lampião. Coisas desse nosso Brasil. Foi um fato, por assim dizer, pitoresco.
Um sugeriu que um avião jogasse uma bomba em cima do “Rei do Cangaço”. Outro alvitrou que mandasse um soldado, disfarçado de frade, para assassinar o “Governador do Sertão”. Enquanto isso, Lampião continuava agindo normalmente e piorou mais ainda com a morte do seu irmão Ezequiel, durante um combate num lugarejo chamado de Umbuzeiro de Touro, perto de Juazeiro da Bahia, em abril de 1931.
Nisso, o chefe do cangaço se tornou inimigo de Petronilo Reis, e seus atos foram devastadores contra o fazendeiro que detinha o poder político na região de Santo Antônio da Glória. Com seu bando de 40 homens, arrasou o povoado de Várzea da Ema.
Em novembro e dezembro de 31, o capitão Facó e o coronel João Felix resolveram apertar o cerco e viajaram para uma inspeção no interior, com o repórter Victor do Espírito Santo, do “Diário da Noite”, quando escreveu que Lampião era conhecido além da fronteira brasileira, pois sua fama se igualava à de Al Capone.
Como estratégia, Lampião fez acampamentos no Raso da Catarina e dividiu seu bando em três (Lampião, Corisco e Antônio de Engracia), para confundir e dar mais trabalho às forças policiais.
No Raso da Catarina houve troca de tiros e, mais uma vez, Lampião tomou outro rumo desconhecido. Nesse período, entre final de 30 e início de 31, o bando começou a ser acompanhado de mulheres. Lampião foi o primeiro com Maria Bonita, ou Maria Déia (dona Maria Neném).
DESENROLA BRASIL!
Pela segunda vez, o governo federal cria o desenrola dos endividados que não vai resolver o problema. Logo mais vai estar todo mundo sufocado novamente. Esse desenrola me faz lembrar de um programa humorístico onde o cara dizia “desenrola carretel”!
Está na hora do governo instituir o “Desenrola Brasil”, o maior endividado, com um rombo astronômico nas contas públicas, com gastos exorbitantes entre os três poderes, a começar pelo Congresso Nacional, o mais caro do mundo num país pobre.
O Desenrola Brasil seria acabar com os penduricalhos, com os supersalários, as mordomias, as safadezas e as orgias dessa corte. Deveria estabelecer ainda os desenrolas das desigualdades sociais gritantes, da educação e da cultura.
Temos tantos desenrolas para serem resolvidos, inclusive em relação a nós mesmos. Quem nos tempos atuais não vive enrolado, não apenas de dívidas, mas no amor, nos relacionamentos, no tratamento humano, no trabalho, nos celulares, nas redes sociais dos fuxicos, arengas e mentiras, no ódio, na intolerância, no físico e na mente?
Precisa existir um desenrola para as religiões, para o fanatismo e o fundamentalismo. Ah, ia me esquecendo! Desenrola na falta de pontualidade nos encontros e eventos. Bastam de tantos atrasos que deixam as pessoas irritadas e estressadas
Existe classe mais enrolada neste Brasil do que os políticos que fazem promessas não cumpridas, que contam lorotas para a população eleitora, tramam negociatas espúrias, rachadinhas e o nariz só cresce de tanto mentir. Êta gente enrolada!
Quem está precisando muito desse desenrola é o cachorro louco do Trump. O maluco se enrolou todo no Estreito de Ormuz, lá no Irã, que agora não sabe como desenrolar. Está mais enrolado que múmia enfaixada dos faraós do Egito.
Sugeria quer o governo criasse também o desenrola corrupção, onde os abutres são todos “inocentes”. O cara poderia confessar o crime, não ser processado (não é preso mesmo) e teria o direito a fazer um acordo, abatendo parte do roubo e pagar o restante da gatunagem em módicas prestações.
A gente poderia ter também o desenrola para os golpistas nos mesmos moldes, outro para as obras inacabadas, um para a falta de saneamento básico (metade da população não tem acesso aos serviços de tratamento dos esgotos) e até para quem agride o meio ambiente. Bem que a natureza iria agradecer.
Por falar em golpistas, eles já estão de olho no desenrola dos endividados. Ontem mesmo recebi um telefonema de um com o slogan do Banco do Brasil. Como esses cabras da peste sabem que estou enrolado no BB? É enrolado querendo enrolar mais ainda os outros!
Vamos desenrolar gente! Não deixa para o outro dia o que se pode fazer hoje, senão você vai cada vez mais se enrolando como novelo. Está enrolado no trânsito? Vai ser difícil desenrolar porque este já é crônico nos grandes centros urbanos. Complicado desenrolar engarrafamento!
Quanto aos endividados, eu mesmo estou enrolado até a tampa com os consignados. De tanto pagar aos avarentos bancos, o governo deveria liquidar essas dívidas de uma vez e perdoar para quem já pagou tantos juros no período de três anos. Essas pessoas ficariam zerados, mas proibidos de fazer outros empréstimos.
Pior mesmo é desenrolar com agiotas! Ai, meu amigo, é brabeza, porque com estes elementos não tem conversa e papo furado. Se não pagar, rolam cabeças, como no caso do usuário de droga se deixar de pagar o traficante. A ordem é matar. Tem gente que toma dinheiro de agiota para comprar supérfluos, produtos de beleza e até fazer uma estética no corpo. É mole, meu camarada?
Quem não vive endividado neste Brasil? Até o rico, os que ganham mais de 100 mil reais por mês, porque estes fazem de tudo para manter o padrão, e aí vai se enrolando cada vez mais, inclusive passando a mão grande nos cofres públicos, que já estão enrolados.
Está todo mundo enrolado, até na conta do bar, inclusive o dono que coloca um aviso na parede com a frase “Fiado só Amanhã”. “Sua conta aqui só cresce. Você está todo enrolado” – diz o proprietário do bar.
O sujeito, então, dá meia volta e vai se enrolar em outro lugar, ou noutra freguesia. São 200 milhões de endividados e enrolados. O enrola já está tão comum que não adianta mais tentar desenrolar.
O bicho está pegando feio, se ficar ele come e se correr, também. Vamos para frente que atrás vem gente! Quem não chora, não mama! Vou até parar de escrever porque já estou aqui todo enrolado das ideias.
A CABANA DO OUTRO LADO DO MUNDO
(Chico Ribeiro Neto)
Eu tinha uns 9 pra 10 anos. Fazia parte da turma de rua da Ladeira dos Aflitos, em Salvador. A TV ainda não tinha chegado a Salvador (só chegaria em novembro de 1960) e as ruas eram nossa melhor diversão nos anos de 1957 e 58.
Na rua Tuiuti, que fazia esquina com a Ladeira dos Aflitos, em Salvador, havia um terreno baldio. O terreno era grande e numa parte funcionava uma oficina de automóveis. O resto do terreno era puro mato e muitos pés de mamona cujos gomos serviam como “balas” em nossas “guerras”.
Como fazem os sem-terra em área improdutiva, ali nos assentamos. Construímos uma cabana onde produzimos amizades e sonhos e desfrutamos da liberdade de estar sós, sem a chateação de pai e mãe.
Tudo foi feito na marra. Desmatamos uma pequena área e, com ajuda do pessoal da oficina, fincamos quatro estacas. Para a cobertura usamos uma lona de caminhão velha jogada no fundo da oficina. Sem janela, as laterais foram feitas com papelão e galhos de árvores.
Trouxemos de casa três banquinhos velhos onde ficavam revistas em quadrinhos. Foi numa delas, “Luluzinha”, que nos inspiramos para o cartaz na entrada da cabana. Na revista o personagem Bolinha mantém um clube de meninos com o lema “Menina não entra”, que a gente escreveu numa folha de caderno e pendurou na porta da cabana.
Não sou bom de medidas, mas a barraca devia ter uns 3 a 4 metros quadrados, o bastante para caber nossos sonhos. Fazia um calor retado, mas levar a merenda de casa pra lá tinha outro sabor.
Meu pai Waldemar ganhou uma caixa de charutos Suerdieck. Roubei um e levei para o nosso “clube”. Fumamos o charuto como o “cachimbo da paz”. Saímos tontos, enjoados e tossindo.
Daqui a pouco vamos para a Avenida Sete de Setembro para tocar campainhas das casas e sair correndo e sorrindo. E também um sobe no ombro do outro para roubar bandeirolas verde-amarelas que estão amarradas nos postes, esperando o desfile patriótico de 2 de Julho, data da Independência do Brasil na Bahia.
Fomos abandonando a cabana. A oficina cresceu, a lona apodreceu, uma estaca caiu. A cabana foi indo embora, ou foi a gente.
Ali ficou um pedaço bonito da nossa infância.
Segue o poema “Velha Chácara”, de Manuel Bandeira:
“A CASA ERA por aqui…
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.
Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinquenta anos)
Tantos que a morte levou!
(E a vida…nos desenganos…)
A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa…
– Mas o menino ainda existe.”
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
NESSE ANGU TEM OSSO PODRE
Como um campus de uma Universidade Federal da Bahia contrata um “restaurante” ou empresa para o fornecimento de alimentos para seu Restaurante Universitário (RU), que não tem o devido credenciamento junto à Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal? Este aspecto e outros não foram observados na negociação?
Ainda com meu velho faro jornalístico, neste pirão, ou angu, tem osso podre, basta fazer uma investigação mais apurada deste caso, que resultou em contaminação alimentar entre os estudantes da instituição de nível superior, onde muitos foram parar no hospital.
Pelas notícias da mídia, pelo menos até agora só ouvimos versões oficiais, do tipo Boletim de Ocorrência, o chamado BO, com uma nota de esclarecimento por parte da direção do núcleo federal de ensino. Por que o diretor, ou a pessoa responsável pela contratação dos serviços não veio a público dar uma entrevista à imprensa?
Somente os usuários da RU deram entrevistas sobre o que sentiram depois de ingerir as refeições feitas por esta casa, localizada no Bairro do Bem-Querer. Esta história, como muitas em Vitória da Conquista, tem pontas soltas que precisam ser desvendas. Está faltando uma peça para fechar esse quebracabeça.
Os agentes da Vigilância Sanitária estiveram na empresa fornecedora e constataram uma série de irregularidades, principalmente no quesito higienização dos alimentos, problemas nos equipamentos usados e no transporte da comida até a RU.
A direção da Universidade não foi entrevistada para explicar como foi feito este contrato, os critérios que foram levados em conta, os valores e outros itens que são rigidamente exigidos para uma empresa prestar este delicado tipo de serviço que envolve vidas humanas.
Depois da liberação de serviços terceirizados, inclusive essenciais, de outras empresas por parte de órgãos públicos em geral, tem ocorrido fatos lamentáveis de negligência e erros envolvendo contratados e contratantes, sem falar nas brechas para o superfaturamento, subornos e corrupções. Funcionários dessas empresas terceirizadas recebem salários atrasados e muitos nem têm carteira assinada.
Nos noticiários dos malfeitos pelo Brasil a fora, temos acompanhado fatos inusitados de contratação de “empresas” não gabaritadas para aquele tipo de serviços. Prefeituras, por exemplo, chegam a contratar uma papelaria para servir merenda escolar para uma unidade de ensino.
Não foi o caso da Universidade Federal da Bahia, em Vitória da Conquista, mas ficou comprovado que aquela cozinha industrial contratada não oferecia as mínimas condições de servir comida para os estudantes. A impressão é que houve um abafa para encobertar irregularidades entre ambas as partes.
PELO FUNDO DA AGULHA
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Quando se está triste e destruído,
Com o amor desiludido,
No fundo do poço,
Numa tempestade desértica,
Nos sentindo como um caroço,
A gente lambe as feridas,
Sacode a grossa poeira,
E passa pelo fundo da agulha,
Como a linha da costureira.
Com as vistas turvas,
Pela idade do tempo,
Nas perigosas curvas,
Pelo fundo da agulha,
Na luz do candeeiro,
Atravessa o guerreiro.
É fácil o camelo,
Com todo seu desmantelo,
Passar pelo fundo da agulha,
Na muralha da fortaleza,
Para encarar a nobreza,
Difícil é o rico avarento,
Se salvar do seu tormento,
E Cristo tinha razão,
O fundo da agulha
É o seu apertado portão.















