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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

“LAMPIÃO-SENHOR DO SERTÃO”

  Ao escreverem sobre o cangaço, praticamente todos os historiadores, pesquisadores e estudiosos do assunto procuram fazer uma descrição antecipada do Nordeste entre o século XVI até meados do século XX, em relação ao seu isolamento político e socioeconômico do resto do país, seu solo, costumes, hábitos, religiosidade e outros aspectos inerentes à região.

   A pesquisadora Élise Gruspan-Jasmim em sua obra “Lampião Senhor do Sertão” também não é uma exceção nesta abordagem. Antes de penetrar na vida de Virgulino Ferreira, desde o seu nascimento, batistério, sua infância e juventude no sertão, com várias versões obtidas de fontes diversas, a autora faz um panorama sobre o Nordeste daquelas épocas.

  Em sua apresentação da obra, vamos aqui citar alguns trechos do seu ponto vista quanto a região. Sobre o sertão, por exemplo, Élise destaca ser um território cujas limitações geográficas se modificaram com o correr do tempo, como se esta região se construísse e se elaborasse sem cessar.

  “Sertão quer dizer grandes deserto (“deserto”) no sentido próprio   e no sentido figurado, mas também terras interiores”. Alguns dicionários o definem como “terra longínqua”. Em relação ao litoral, o Nordeste é visto como zona árida, pouco povoada, assolada pela miséria e pela seca, exposta à violência, ao banditismo, à injustiça, ao fanatismo religioso – um outro mundo, com outros códigos, sem meios de comunicação, isolado da civilização.

  De acordo com a autora, nas representações, o sertão tem, portanto, uma dupla identidade: Região atrasada, de cultura arcaica, e ao mesmo tempo, memória viva, “quadro arqueológico da sociedade brasileira”, na expressão de Luis da Costa Pinto.

  A autora fala das revoltas que eclodiram no Nordeste do passado. Para ela, as rebeliões camponesas nunca eram dirigidas contra os coronéis, e sim contra um poder central anônimo e distante, como a de 1852, na região de Pau d´Alho, conhecida em Pernambuco pelo nome de “Revolução dos Marimbondos”, e na Paraíba sob o nome de “Ronco da Abelha”.

  Ao entrar na questão do cangaço, a escritora ressalta que no período da colonização holandesa no Nordeste, menciona-se a presença de grupos de bandidos formados por desertores estrangeiros, por escravos fugitivos e brasileiros.

  Os escritos citam o célebre José Gomes, o “Cabeleira”, originário de Pernambuco, que disseminou o terror na segunda metade do século XVIII e foi enforcado em Recife em praça pública.

  Após mapear o Nordeste, com suas características próprias, a autora esmiúça com detalhes as origens de Lampião, sua descendência e os motivos pelos quais ele entrou no cangaço.

   Muitos falam que Lampião se tornou um bandido depois da morte de seu pai, José Ferreira, sob o comando do tenente José Lucena, mas antes disso, por volta de 1918/19, ele já tinha se tornado um cangaceiro com seus irmãos Livino, Antônio e Ezequiel.

Tudo começou neste período por causa das desavenças com o vizinho José Saturnino, no município de Vila Bela. As versões são as mais diversas, desde roubo de animais até por causa de um chocalho que Virgulino, supostamente, teria extraído de uma res de Saturnino.

 No Nordeste se admitia um assassinato por vingança, mas não um ladrão. Além de autores, testemunhas, entrevistas, pesquisas em documentos, Élise cita muito as obras dos cordelistas, principalmente de Leandro Gomes Bezerra e Francisco das Chagas Batista, apesar de seus escritos não serem totalmente confiáveis por causa dos floreios dados em seus versos.

UM TERRENO ABANDONADO

  Qual destino de um vasto terreno abandonado, de um milhão e 700 mil metros quadrados, pertencente à União, onde já foi por muitos anos o Aeroporto Otacílio Figueiredo? É mais uma celeuma e uma novela que ninguém sabe quando terá seu fim e como será usado em benefício da sociedade. A população não tem a dimensão do tamanho do terreno e pede a construção de escolas, creches e até de um hospital.  Pode ser tudo isso e muito mais. No entanto, não imagina que a esta altura o setor imobiliário deve estar de olho para erguer edifícios, condomínios e outros empreendimentos de luxo, com altos muros separando os ricos dos pobres, como sempre faz o sistema capitalista selvagem. Uma pequena parte foi cedida para o Estado da Bahia, cujo governo fala em construir um Centro de Convenções, o que não é uma má ideia, tendo em vista que Vitória da Conquista, pelo seu porte, carece de um equipamento dessa natureza. No entanto, aquela área poderia muito bem abrigar ainda um Centro Administrativo da Prefeitura Municipal visando  desafogar o centro e reduzir custos de aluguéis do poder público, bem como ser criado um bosque de lazer, espécie de cinturão verde em torno dos bairros da zona oeste.

CONTATO COM UM EXTRATERRESTRE

  Vou contar uma história que nunca falei para ninguém, mesmo porque seria alvo de chacotas. Tudo aconteceu lá pelo final dos anos 50, na fazenda Caldeirãozinho, no sertão do Piemonte da Chapada Diamantina de Piritiba. Deveria ter entre 12 a 14 anos de idade, um moleque calado e sofrido pela labuta da roça e castigado pelas secas.

  Tudo ocorreu num final de tarde carregada, na boca de uma mata quando capinava uma lavoura de mandioca com seu Eufrásio. Depois de um dia calorento e estafante pelo sol do verão, as nuvens estavam pesadas e escuras, com anúncio de chuvas.

    Os pássaros em revoada começavam a se recolher nas folhagens das árvores. Meu pai tinha ido fazer um curral numa propriedade próxima e não estava conosco para testemunhar o ocorrido.

   Ainda receio contar este episódio porque vão achar que não passa de uma lorota descabida, sem pé e sem cabeça. Bem, quem quiser que acredite, mas estou falando sério, e nunca fui pescador e caçador para inventar causos mentirosos.

   Somente agora, depois da idade avançada, ou velho mesmo, como se diz no popular, resolvi revelar o acontecido porque o idoso já se acostumou a ser chamado de caduco, até quando esquece algo ou dar uma tropeçada. Para o moderno, é normal.  

  O famoso “ET de Varginha” (Minas Gerais) apareceu no dia 20 de janeiro de 1996, há 30 anos. Interessante que tudo começou também numa tarde chuvosa quando três jovens afirmaram ter visto uma criatura, de pele escura, olhos grandes e vermelhos e cabeça avantajada, agachada perto de um muro.

   Narrativas daquela época registraram intensa movimentação do exército e do corpo de bombeiros nos hospitais locais e em áreas de mata. Dizem que os militares capturaram criaturas vivas e recolhidos destroços. Até hoje é um mistério.

   No entanto, uns dizem que tudo não passou de um mal-entendido, mas se fosse a visão de uma santa ou um santo, até hoje haviam milhares de devotos e romeiros fazendo peregrinações e romarias no lugar, como em Fátima, Aparecida, Guadalupe e Lourdes onde se deram as aparições.

  Bem, vamos deixar de jogar conversa fora e confessar o que vi há mais de 60 anos. Eu e seu Eufrásio já estávamos nos preparando para arrear o trabalho de limpeza quando ouvimos sussurros esquisitos de falas no outro lado da roça, inclusive com uma ventania forte, tipo de redemoinho, como se fosse arrancar os pés de mandioca.

   Corremos entre as manivas e nos deparamos com uma criatura estranha quase semelhante ao “ET de Varginha”, só que era mais simpático, olhos pequenos e pele avermelhada, mas com aspecto diferente do humano. Deu até um sorriso maroto para nós.

  No momento, minha reação foi dar meia volta e sair correndo em disparada, mas, como num truque de mágica, fiquei estático no lugar. Seu Eufrásio, porém, foi atraído como que puxado por um ima, ou seja, abduzido.  Com passos lentos, o seguiu mata a dentro num ponto de uma clareira existente na mata.

  Lembro como se fosse hoje daquele clarão de luzes fortes iluminando uma grande parte da área. Demorou alguns minutos e depois o objeto, na forma de um cilindro cheio de anéis, levantou voo numa rapidez indescritível que atualmente descrevem como supersônico.

   Fora da radiação magnética do “ET do Caldeirãozinho de Piritiba”, corri como louco entre a capoeira até chegar em casa esbaforido, entalado e amarelado de tanto medo. Nunca tinha visto coisa igual em pleno sertão nordestino!

  Ao ver minha agonia e tremedeira no corpo, minha mãe perguntava o que havia acontecido para eu estar naquele estado  de pavor. Por mais que tentasse, não consegui explicar direito a cena e só dizia que tinha fantasma e assombração na roça de mandioca.

Afinal, era só um menino matuto tabaréu e não sabia de nada sobre esse negócio de extraterrestre. Aliás, naquele tempo nem se comentava sobre isso. Acho que fui o primeiro a ver um ET no Brasil depois da invasão de Cabral que chegou com aquelas caravelas e assustou os índios.

   Sei que querem saber sobre seu Eufrásio. Pois é, ele só apareceu no outro dia, calado e pediu as contas ao meu pai que sentiu seu comportamento diferente.

  Olhou para mim como se dissesse que nunca mais pisaria os pés naquele terreno maldito. Sumiu da região e contaram que ele arribou com mala e cuia para São Paulo com toda família.

  Não tinha diálogo com meu pai para narrar o episódio. Ia me dar aquele esbregue, me chamar de mentiroso e até que estaria doente da cabeça. Era obrigado a ir àquela roça assustado e não tinha com quem me desabafar.

  Aquelas cenas perturbadoras nunca saíram da minha mente. Coisas alucinógenas psicodélicas de quem tomou LSD ou outras substâncias ácidas que provocam alucinações. Até parece que havia tomado ayahuasca. Deixa pra lá, sei que ninguém acreditou mesmo na minha história, mas criei coragem e contei! 

CALIGRAFIA DO AMOR

(Chico Ribeiro Neto)

Um conhecido me pediu para escrever uma carta de amor que ele queria mandar para uma mulher. “Isso eu não faço”, respondi. “Mas o senhor não é escritor?”, insistiu ele. Não sei escrever carta de amor, discurso político nem sermão de igreja.

Escrevo umas “croniquetas catarinas” há alguns anos. Também não escrevo para mudar o mundo. Isso é tarefa complicada. Escrevo para reviver minha infância (manancial inesgotável), exorcizar meus fantasmas, falar do cotidiano das pessoas ou para “botar as mágoas em dia”, como dizia uma velha amiga.

Não me peçam para escrever cartas de amor. Não se escreve um dengo. Sou um aprendiz do amar e não tenho conselhos a dar nessa área, por sinal muito complicada. “Cada qual com seu cada qual”. Nunca fui bom de conselhos, ainda mais em matéria de amor.

Disse ao interessado pela carta que a Internet está cheia de modelos de cartas de amor. É só escolher uma e copiá-la. Tem carta pra começar um namoro, pra reatar e pra terminar.

Há também modelos de cartas de amor para a namorada chorar e o texto recomenda: “Foque em vulnerabilidade, gratidão e memórias únicas”.

Há ainda dicas para tornar a carta inesquecível. A primeira dica: “Escreva à mão: a caligrafia transmite muito mais emoção e esforço”.

Se o interessado quiser jogar mais alto, a Internet oferece trechos de cartas de amor de Baudelaire, Beethoven, Napoleão e Shakespeare.

Antigamente, os camelôs vendiam livrinhos com modelos de cartas de amor. Também havia o famoso bilhete enviado, totalmente escondido, para uma virgem inacessível e recolhida ao castelo no seu enorme roupão branco.

Senti vontade dizer ao cara que me solicitou a carta: “Chegue junto, cara, melhor do que qualquer carta. Mas não faça como aquele amigo do cronista Paulo Mendes Campos que, quando jovem, aproximou-se de uma garota na praça, criou coragem e disse: “Tá de verde hoje, hein?”

Encerro com a brilhante frase do escritor e poeta Francesco Petrarca: “As duas cartas de amor mais difíceis de escrever são a primeira e a última”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

AINDA SOBRE O “TECO-TECO”

   Concordo, em boa parte, com o comentário do meu amigo e companheiro jornalista Paulo Nunes quando explica que vivemos num sistema capitalista onde empresário só visa o lucro e não faz empreendimento algum por caridade.

  Sua análise foi em referência à decisão da Viação Aérea Azul em colocar um aviãozinho de nove passageiros, tipo “Teco-Teco, para fazer a linha Vitória da Conquista – Salvador, com duração de quase duas horas de viagem, em substituição a uma aeronave com capacidade para 72 pessoas.

   Estou de acordo com sua posição, e isso, meu caro Paulo, só comprova que Conquista nunca teve e nunca terá vocação para o turismo, ao contrário de muita gente que teima em propalar o contrário e até deu-se ao trabalho de elaborar projetos que não saem do papel.

  Sua economia tem como bases maiores os setores do comércio e serviços, com expansão da construção civil depois do avanço da educação de ensino superior a partir dos anos 2000, que atraiu muita gente da região e de outros estados.

  Conquista não tem belezas naturais como as cidades da Chapada Diamantina onde Lençóis é o ponto estratégico de distribuição dos turistas, comportando a decolagem de aviões de maior porte vindos de Salvador e de outras capitais do país, como bem destacou meu amigo.

     Certa vez, surgiu aí uma ideia esdrúxula de transformar Vitória da Conquista no Portal da Chapada Diamantina. Nesse gancho, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico até custeou o Plano Municipal de Turismo (70 mil reais junto ao Sebrae), e o poder executivo deixou de lado o Plano de Cultura, que está adormecido em berço esplêndido.

  No entanto, concordo também, em parte, com o empresário José Maria Caires quando destila a sua revolta contra a empresa Azul, ao afirmar que Conquista não merece ser rebaixada a este nível de peque cidade com um aviãozinho.

    Como a Aviação Azul recebe subsídios de ICMS do estado, conforme argumenta Zè Maria, bem que a empresa poderia baixar seus preços de forma a atrair mais passageiros que hoje estão preferindo ir à capital baiana de veículo próprio ou de ônibus. Conquista não merece isso – conclui o empresário.                                              

ESSA TECNOLOGIA…

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tô engastorado,

Arretado no diabo,

Com essa tal de tecnologia,

O gênio inventa aqui,

Muda acolá,

Pra ganhar fama e dinheiro,

Pra burro usar.

 

Nossa humanidade,

Está cada vez mais decadente,

Menos inteligente,

O QI só faz baixar,

E agora criaram a IA.

 

Com essa tecnologia,

Poucos sabem texto decifrar,

Quanto mais fazer redação,

Até a poesia perdeu sua magia,

E tome enrolação.

 

É tanta burrice,

Com essa tecnologia,

Que com seu mal da gota,

Ninguém quer mais ler,

Escrevem e falam “ôta”,

Cantor é rebolado e coreografia,

Redes sociais, muita idiotice,

E o povo mistura,

Ciência com crendice.

 

Essa tecnologia,

Nos roubou a inspiração,

Até de escrever,

No papel e caneta na mão,

Não tem mais início, meio e fim,

É apernas fazer três pedidos,

Que logo aparece o Aladim.

 

Com essa tecnologia,

O pobre fica com um “cadim”,

Acabou o prazer,

De pintar um jardim,

Porque ela faz tudo pra você.

 

Essa tecnologia,

Pariu influenciadores,

De malandros artistas,

Com milhões de seguidores,

Falsários golpistas.

 

Com essa tecnologia,

A gente não passa de saguim,

E não venham com seu mi, mi, mi,

Com seu feixe de capim.

 

 

CONQUISTA GANHOU UM “TECO-TECO”

Ao colocar um avião “Teco-Teco”, fazendo linha Conquista-Salvador, com apenas nove pessoas, a companhia Azul Linhas Aéreas está tirando sarro com a cara dos conquistense, além de nos rebaixar a uma cidadezinha mequetrefe do interior do sertão. Em 1948, há exatos 78 anos, a cidade já operava com uma aeronave maior que esta da “azulzinha”.

É uma vergonha, para não dizer um retrocesso e um atraso, uma cidade de 400 mil habitantes e a terceira maior da Bahia, considerada a Capital do Sudoeste (Sudeste), ter como transporte viário para Salvador um “Teco-Teco”, como assim sempre foi chamado esses aviões de pequeno porte. Imaginou uma manchete de jornal onde o jornaleiro, para vender o periódico, grita nas ruas, “alô, alô, Conquista Ganhou um “Teco-Teco”! 

O empresário José Maria Caires, do movimento reivindicatório pelo desenvolvimento econômico de Vitória da Conquista, como o “Duplica Sudoeste”, e até cogitou em transformar a cidade no Portal da Chapada Diamantina, tem expressado sua revolta quanto ao tratamento dado pela Azul Linhas Aéreas.

Esse rebaixamento me faz pensar sobre alguns veículos de comunicação, agências de propaganda, comerciantes, segmentos da cultura e até personalidades do meio intelectual exporem Conquista como a “Suíça Baiana”, que nada tem a ver com aquele país situado nos alpes europeus. Essa “Suíça” bem que merecia ser respeitada por essa empresa de aviação.

Vamos deixar o deboche lado e falarmos no que mais nos interessa. É hilário, para não dizer ridículo, que depois de muita luta para desativar o velho aeroporto Otacílio Fonseca, que não mais atendia a demanda de Conquista e construir o novo Glauber Rocha, a Azul nos ofereça um “Teco-Teco”, com duração de quase duas horas de voo para a capital baiana!

Num “Teco-Teco” desse, que balança mais não cai, não entro nem pau seu Zé! Só morto, meu camarada! Quando repórter do jornal A Tarde fui num desse “carcará voador” ao interior de Uauá fazer uma matéria e, por pouco, não sofri um ataque cardíaco. Se tinha medo de avião, passei muito tempo para me livrar desse trauma.

Bem, nosso amigo José Maria tem clamado e desabafado que a falta de concorrência de companhias aéreas que operam voos regionais na Bahia, permite a Azul Linhas Aéreas aplicar tarifas estratosféricas, superiores, inclusive, a de voos internacionais.

Destaca que o fato dessa companhia obter o monopólio da aviação regional no estado e ainda com subsídios de ICMS, não lhe dá o direito de tripudiar dos baianos, no caso os conquistenses. Declara que o Governo do Estado, através da Secretaria de Turismo, não respondeu ao clamor da sociedade, pois aceitou a imposição da empresa.

Como empresário, alerta que o isolamento da região sudoeste (sudeste) da Bahia com a capital tem efeitos nefastos para a economia como um todo. Ele cita como efeitos negativos a redução de embarques e desembarques no aeroporto Glauber Rocha que caiu de 450 mil passageiros em 2023, para 400 mil em 2025.

Muitos estão preferindo ir a Salvador de carro próprio ou de ônibus, tendo que enfrentar uma BR-116 altamente perigosa, sem contar a perda de tempo, ao invés de embarcar num “Teco-Teco” de nove pessoas, inaugurado no último dia 2/06 (terça-Feira), em substituição a um equipamento de 72 assentos.

O ESTADO É O INFERNO DE DANTE

  Há milhões de anos era o homem da pedra vivendo em cavernas e depois seus descentes formaram tribos. Alguns decidiram ser colhedores e caçadores nômades, os mais livres. Outros optaram por ferir a terra e nela se fixarem como agricultores e domesticadores dos animais.

  Até aí tudo bem, mas as tribos foram se espalhando e guerreando entre si, tudo pelo poder do domínio territorial de governar mais e mais gente. Dessa evolução, que durou milênios, nasceu o inferno que é hoje o Estado, com uma sociedade e um sistema cheio de parafernálias e burocracias que controlam todos os passos das pessoas.

  A “Divina Comédia”, do italiano Dante Alighieri (século XIV), é uma viagem alegórica, onde Dante, guiado pelo poeta romano Virgílio, desce aos nove círculos concêntricos do inferno, testemunhando os castigos reservados às almas de acordo com seus pecados. O Estado é maquiavélico e tem mais que nove camadas. No inverso, os pecados estão reservados ao Estado contra o povo.   

  Esse inferno, com suas mudanças cíclicas e suas revoluções industrial e tecnológica, foi cada vez mais ficando pior com suas labaredas de fogo, para nos consumir e extrair nossas tripas através das cobranças de impostos, taxas, obrigações, regras, deveres e um monte de papelada para nos identificar. Inchou demais, cobra o máximo e nos dá o mínimo.

  O Estado é como um dragão faminto com seu tridente que nunca se sacia do nosso sangue e só faz limitar a os nossos direitos. Os bons foram sendo nivelados com os maus e aí o inferno se tornou insuportável, ao ponto de os anarquistas terem criado a máxima de que, “se existe Governo, sou contra”.

   Criaram diversos regimes, de acordo com cada mandatário dentro das culturas ocidental e oriental. Dividiram as partes em capitalismo e socialismo. Uns autoritários, tiranos, autocráticos, teocráticos, oligárquicos, ditatoriais e democráticos, o melhor dos piores.

   Na democracia, nos iludimos que somos totalmente livres e podemos fazer o que nos vem na telha, mas não é bem assim. Mesmo nele, somos vigiados dia a dia, e o Estado continua sendo um inferno, com seus cães da peste, diabos, belzebus e satanais.

  Na vida prática, temos que seguir suas normas, não importa se razoáveis, sensatas ou absurdas, ditadas por uma sociedade hipócrita e fariseia que passa o tempo todo censurando o que ela acha o que está certo ou errado.

 O Estado inferno estabeleceu os conceitos de normal e anormal que devemos seguir, sob pena de sermos chamados a sentar no banco dos réus. Qualquer pé em falso, somos tratados como excluídos fora da linha e nos chamam de marginais.

   Com sua excessiva burocracia, criaram uma montanha de documentos, sempre em constantes processos de mudanças, para provarmos quem somos, o que fazemos, para onde vamos e como estamos nos comportando. É o Estado inferno nos controlando o tempo todo.  Com as novas tecnologias, vigia todos nossos passos.

 Todos nós somos considerados maus, falsários e estelionatários, até que se prove o contrário. Esse Estado inferno sempre está constantemente nos pedindo uma nova identidade, novo cadastro pessoal e familiar para termos direito a algum benefício-esmola, um novo título eleitoral, uma nova CNH, um novo passaporte, provas de vida e os escambaus.

 Os “donos” desse Estado entopem de papeladas e formulários estressantes que nos matam lentamente, principalmente os coitados dos idosos, não importando se tem 100 ou mais anos. Nos obrigam a entrar naquelas filas infernais que começam na madrugada e terminam ao anoitecer. Este inferno não se acaba quando se “bate as botas”.

   Para atravessarmos o outro lado do rio, conforme a mitologia grega, e alcançarmos a outra margem dos mortos, as almas penadas pelo Estado inferno têm ainda que pagar uma taxa ao barqueiro Caronte. 

Para garantir a viagem, era costume enterrar os mortos com uma moeda (o óbolo) colocada na boca que servia como pagamento. O sinistro barqueiro foi substituído pelo Estado que nos exige uma montanha de trâmites burocráticos e uma grana, senão ficamos fora do barco e viramos carniça de urubu.    

 

PRÊMIO CONHECIMENTO

  Em sessão especial, nesta quarta-feira (dia 03/6), a partir das nove horas, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista fará a entrega do Prêmio Conhecimento sobre Conquista, que reconhece os trabalhos acadêmicos e científicos voltados para o desenvolvimento do município.

  Durante a programação, em solenidade, serão anunciados e premiados os vencedores entre os trabalhos previamente selecionados pela Comissão Organizadora da Casa.

  Além da premiação, serão apreciados projetos que tratam da Política Municipal de Proteção da Infância e da Adolescência e de Prevenção das Violências contra Crianças e Adolescentes; e da Política Municipal de Valorização da Literatura Conquistense e da Produção Literária Regional. 

  Estará ainda em apreciação a Política Municipal de Enfrentamento da Violência contra Mulheres; bem como da Ampliação da Participação Feminina nos Espaços Sociais, Comunitários e Institucionais.   

  Serão também debatidas propostas voltadas à segurança alimentar de estudantes da rede pública municipal durante os períodos de recesso e férias escolares, bem como a valorização funcional, bem-estar e apoio alimentar dos profissionais da educação.

  Vale lembrar que na noite desta terça-feira (dia 02/06) foi realizada, na Câmara de Vereadores, uma audiência pública sobre teatro amador e profissional onde os artistas da área se fizeram presentes,

   Na ocasião, apontaram diversos questionamentos e críticas visando o maior apoio do poder público a este segmento, como a falta de espaços culturais para realização de seus ensaios e apresentação de seus espetáculos.  

 

ESSA TECNOLOGIA…!

  Pelo assunto em pauta, sei que já tem muita gente enumerando uma extensa lista de benefícios da tecnologia nos tempos modernos para a humanidade, mas meu propósito aqui é o de mostrar o outro lado dos malefícios. Afinal de contas, o jornalista é sempre um crítico.

   O primeiro deles, na minha concepção, é a desumanização, seguida do aumento da burrice, da falta do convívio interpessoal e o fim das tradições populares. Existem mais outros estragos em nossas vidas.

   Não sou mais desse mundo e me sinto deletado. Ainda não consigo me introduzir dentro de um celular. Sou mais da prosa, da conversa fora e do papo presencial, na base do olho no olho. Até a ligação telefônica ficou em desuso.  

   Quando me refiro à tecnologia, coloco na ponta o advento da internet, do celular, das redes sociais e agora da IA, e aí me lembro do filósofo italiano Umberto Eco que lá atrás dizia que o mundo ia ficar mais imbecil.

  Há muitos anos ele afirmava que a internet e as plataformas digitais deram voz a “uma legião de imbecis” que antes falavam apenas em bares, sem causar danos à coletividade, mas agora ganharam o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel.  

  Para Eco, a facilidade de publicar conteúdos na web eliminou o filtro de especialistas e a credibilidade dos jornais, nivelando o debate por baixo. O grande problema não é a falta de informações, mas o excesso onde o usuário se torna incapaz de distinguir a verdade da mentira.

 Profetizou e ficou constatado que a rede como um sistema prejudica o aprendizado real, pois as pessoas passam a usar a internet como um “disco rígido externo” para armazenar fatos, ao invés de desenvolver o pensamento crítico e o conhecimento próprio. 

  Nos países mais desenvolvidos da Europa, pesquisas constataram uma queda no QI humano depois do uso intensivo dessa tecnologia porque os jovens e as pessoas em geral ficaram mais dependentes dessa ferramenta.

   Com o decorrer dos anos, o ser humano passou a pensar menos, reduzindo assim o seu raciocínio lógico e, consequentemente, o esforço e o prazer de fazer as coisas por conta própria. Se você já recebe tudo pronto, o natural é sua mente ficar mais preguiçosa, não exigindo muito dos neurônios.

  – Atualmente, meu camarada, faço tudo através da IA porque me dá as “soluções” mais rápidas e não perco muito tempo para elaborar um trabalho, como por exemplo, um texto. A IA é uma maravilha. É o que mais se ouve por aí.

  Qual o mais prazeroso, fazer uma poesia, no caso sobre amor, com a inspiração, papel e caneta na mão, ou pedir à IA e depois realizar alguns ajustes?

Pode me chamar de velho caduco ultrapassado, mas fico com o analógico, com o conceito tradicional e convencional. Prefiro “quebrar a cabeça”, como se dizia no modo antigo.

  Ninguém (somente os mais velhos) quer mais criar uma receita própria de comida saborosa, porque é só clicar na internet. Hoje são raros os livros de receitas das vovós que eram guardados nos baús e tinham um valor inestimável! Nossas tradições vão sendo aniquiladas.

   Quando me refiro à tecnologia, não estou apenas especificando a internet, mas ao mundo tecnológico no global das máquinas em geral, inclusive com relação às guerras que deixaram de ser terrestres para serem por ar, através dos mísseis, foguetes e drones voadores, substituindo os fuzis e as metralhadoras. Morrem menos soldados e mais civis.

  Criaram os trambolhos dos robores que fazem tudo em sua casa. Os aspiradores são automáticos e a pessoa não precisa mais exercitar o físico e a cabeça. Logo você não vai mais precisar de cozinheira e cozinheiro. Os fogões vão desaparecer.

   No campo, milhões foram desempregados da agricultura e empurrados para as periferias das cidades. As semeadoras e colheitadeiras fazem tudo. Costumo dizer que os gênios inventaram a tecnologia para os burros usarem.  





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