junho 2026
D S T Q Q S S
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  


Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

CDF É F…

( Chico Ribeiro Neto)
Cabelo colado de brilhantina, camisa bem engomada, caderno todo bem forradinho e sapato preto brilhando. Lá vem o CDF, aquele que só dá bom dia ao professor.
Sempre sentado na primeira fila, o CDF toma nota de tudo, até do espirro do professor.
Segundo os linguistas, o termo CDF surgiu de uma expressão popular usada por estudantes a partir da década de 70 (C. de Ferro). O apelido era direcionado a quem ficava sentado estudando por horas, sem se levantar, sem reclamar e sem dispersão.
Depois vieram outras variantes: o CDA (C.  de Aço) e o CDAI (C. de Aço Inoxidável).
Há uma observação atribuída ao jornalista e escritor Nelson Rodrigues de que o grande personagem da vida não  é necessariamente o primeiro da classe nem o último, mas aquele que encontra o próprio caminho.
O CDF é o primeiro a se apresentar quando o professor pede algum voluntário para ir ao quadro, e acerta todas as respostas.
Na igreja é ele quem segura aquela vela grande na frente do padre.
No recreio ele fecha a cara pras piadas de putaria, finge que está lendo e sonha em um dia estudar no Texas, Oregon ou Massachusetts.
CDF fica puto quando tira a nota 9,75. Ele nasceu para tirar 10 em tudo. É puxa-saco do professor e dedo-duro.
Quando vê um colega bagunceiro, grita logo: “Se não quer estudar, volte pra sua casa”.
O CDF é também o primeiro a se inscrever na equipe organizadora da XX Páscoa Estudantil. Ele só pede uma coisa nas orações: tirar 10 sempre.
Ele odeia jogar bola, “é perda de tempo”, e quando sai de férias fica doido pra voltar logo.
Dá presente à professora no Dia do Professor e no Dia das Mães.
Muito emocionada, a mãe do CDF está sempre à elogiá-lo : “Meu filho só pensa em estudar. Eu não preciso nem chamar ele pra fazer o dever de casa (hoje chamado de tarefa)”.
O CDF odeia política estudantil: “Escola é lugar de estudar, não de fazer política”.
O CDF vai pro céu? Ele tá estudando pra isso.

.

REVISÃO DOS VENCIMENTOS

  O projeto do poder executivo que prevê a Revisão Geral dos Vencimentos dos Servidores Municipais será discutido nesta sexta-feira (dia 12/06), a partir das 9 horas, em sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista.

  A proposta inclui reajuste de auxílio-alimentação, atualização da remuneração de categorias do serviço público e adequações salariais previstas em lei, que vai impactar milhares de funcionários.

  Durante a sessão, será também apreciado, em segunda votação, o projeto “Férias sem Fome”, destinado à garantia da segurança alimentar de estudantes da rede pública municipal durante os períodos de recesso e férias escolares.

   Os parlamentares vão ainda discutir propostas relacionadas à educação, saúde da mulher e assistência à maternidade, como os programas “Uniforme Completo” e “Bebê a Bordo”, além de projetos que assegurem acompanhamento especializado às gestantes com transtorno de espectro autista.

    Ainda nesta sessão de sexta, será apresentado o projeto “Jovem Eleitor”, iniciativa que busca promover a formação cidadã e incentivar a participação consciente dos estudantes na vida democrática e política do país.

  Na oportunidade, a presidente do Sindicato dos Professores, Simone Marques usará a Tribuna Livre para falar sobre as principais demandas da classe e a valorização dos profissionais da educação.

  Também, a senhora Lúcia Pilôto estará na Tribuna para discorrer sobre o projeto de arborização da Avenida Rosa Cruz .

O LIXÃO DE INHOBIM

  Quem passa pelo distrito de Inhobim, pertencente ao município de Vitória da Conquista, em direção a Encruzilhada, na entrada da curva, sente logo o impacto de um lixão com os containers cheios que não cabem mais entulhos que praticamente estão invadindo a pista. Nossas lentes flagraram uma senhora revirando o lixo que é jogado ali pelos moradores. Um absurdo, para não dizer uma vergonha para a prefeitura municipal que não recolhe as lixeiras. Quando nos deparamos com cenas desse tipo, não há como não se chegar à conclusão de que a proteção ao meio ambiente não passa de uma falácia ou demagogia política. Aquilo ali é um descaso total para com a comunidade do distrito, mas os políticos estão sempre indo lá pedir votos e fazem promessas de zelar pelo lugarejo. Além do lixão, a rua principal de Inhobim por onde transitam veículos de Conquista-Encruzilhada e vice-versa, está toda esburacada e suja, sem falar no monte de quebra-molas invisíveis, sem sinalização, que deixam os motoristas irritados e carros arrebentados. O distrito, onde já tem até uma escola estadual e grande produção de café, está abandonado pelo poder executivo. Toda vez que vejo esses lixões, me faz lembrar dessas falsas campanhas de cuidados com o meio ambiente, de ações de sustentabilidade, inclusive com plantios de algumas árvores, enquanto a depredação contra o meio ambiente continua a todo vapor de poluição. Essa gente imagina que engana a natureza! O aquecimento global só piora. Por essas e outras é que acho que não existe mais retorno de recuperação dos estragos já feitos durante séculos pela insana humanidade. Diante dessa situação caótica, os poderes públicos são os maiores culpados. Cadê o dinheiro do contribuinte?

ALMA RÚSTICA E ÁRIDA

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

No arrasto da vida,

No brado da revolta,

Do sistema, sem saída,

A besta fera adormecida

Desperta do isolado abismo

Pra no altar sacrificar

O maldito coronelismo,

E as injustiças deste lugar.

 

Magistrados venais,

Uma polícia de sicários,

Leis dos canibais,

Nesta terra de originários,

Nascem brutos sanguinários.

 

Neste agreste do Nordeste,

De alma rústica e árida,

A honra se lava com sangue,

No fuzil do cangaceiro,

Onde a palavra é válida

Neste solo catingueiro.

 

Alma rústica e árida,

Feita de bala e cascalho,

De misticismo religioso,

Gente é gado de chocalho,

Do cruel todo poderoso.

 

Na voz do cordelista,

Com suas cordas de andança,

Conta a história, o artista:

O ódio vira vingança,

Toda crença se une,

No cadáver que sangra,

Enquanto o fugitivo assassino,

Estiver livre e impune,

E não findar seu destino.

A VACINA DA BUTANTAN CONTRA A DENGUE CAIU MAL NA REPERCUSSÃO

   Se já existe no país aquele mundaréu de negativistas da ciência com o registro do baixo índice de vacinação no Brasil nos últimos anos, a constatação de mortes e os graves problemas de saúde com pessoas (mais de 40) que tomaram as doses do Butantan contra a dengue, repercutiram mal na população, principalmente a menos esclarecida.

  Sabemos que a atitude do Instituto de São Paulo e do Ministério da Saúde em dar uma parada para averiguações dos casos, se foram em decorrência da vacina, ou não, é a mais correta, mas o estrago já está feito. O fato em si constitui prato feito para as críticas dos negativistas, sobretudo aqueles que combateram a vacina da Covid-19 lá atrás, nos anos 2020/22.

  A questão não é o baixo índice de casos, de 0,0008 por cento. Aqueles que rejeitam a vacinação, e não são poucos, não querem saber disso, se o número foi insignificante ou não. O lançamento de uma medicação ou vacina passa por uma bateria rigorosa de exames, testes de comprovação em laboratórios e voluntários e entendo que nada pode dar errado porque trata-se de vidas humanas.

  Não sou cientista, mas acho que qualquer leigo assim entende. Os negativistas aproveitam dessa situação, que pode ocorrer, para induzir e incitar mais ainda com fake news de que vacina mata e até provoca infartos do coração, como argumentou um primo meu com relação à Covid-19.

Em sua cabeça, baseado em pronunciamentos de “falsos” médicos e até verdadeiros com ideologias negativistas, cresceram muito as ocorrências de infartos naqueles que tomaram a vacina durante a pandemia. Não adianta tentar contrariar sua afirmativa e convicção com argumentos baseados na ciência.

  O Instituto Butantan, fundado em 23 de fevereiro de 1901, nome originário do tupi que significa “terra dura, dura”, é um dos mais conceituados e importantes centros de pesquisas biomédica do país, formado por um parque, museus, diversos laboratórios e fábricas, além de um serpentário.

  Justamente por ser um renomado instituto de pesquisa, essa incidência de mortes e sintomas pós vacinação, criaram repercussão negativa entre milhões de brasileiros.  Essa imagem, quer queira ou não, só vai ser reparada depois de um certo tempo.

    Milhares de negativistas já devem estar dizendo por aí, inclusive em redes sociais e outros veículos de comunicação, para as pessoas não tomarem vacinas e produtos do Butantan, o que é um absurdo, mas, infelizmente, é assim que a banda toca.

  Quando uma instituição, empresa ou qualquer entidade séria comete uma falha, mesmo que depois tudo seja explicado cientificamente, caso do Butantan, fica bem difícil recuperar a reputação, especialmente neste nosso país de hoje tão polarizado ideologicamente, com um bando de extremistas de direita terraplanistas.

  De qualquer forma, a transparência foi a melhor “vacina” para tranquilizar os brasileiros e até frear o ímpeto dos negativistas e fundamentalistas que não acreditam na eficácia da ciência e envenenam a cabeça da população inculta com ideias tacanhas, sem nenhum fundamento.

O RONCO DAS GRANDES CIDADES

    Na louca correria do dia a dia dos problemas, até acho que ninguém nunca parou num jardim, em um banco de uma praça, para ouvir o ronco ensurdecedor nos centros das grandes cidades ou metrópoles. Com o tempo, as pessoas vão ficando surdas e, de tão entorpecidas, não conseguem ouvir nada ao seu redor.

  Ao comentar sobre este assunto, um músico amigo meu me disse certa vez que harmonizando  bem as batidas com os gritos e sussurros de gente conversando nos passeios, o ronco dos motores e as buzinas dos veículos, as britadeiras e furadeiras nos asfaltos, as sirenes das ambulâncias e dos carros apressados da polícia, os sons das propagandas, os anúncios dos ambulantes e os megafones nas portas das lojas dariam para compor uma sinfonia.

   Não quis muito questionar porque não sou do ramo, não é minha especialidade, mas respondi que ficaria uma sinfonia desafinada, no que ele retrucou afirmando que, com uma letra adaptada ao tema numa boa gravadora, daria uma bela melodia da vida. Acrescentou ainda que a IA faz tudo isso hoje.

    Fico aqui imaginando que um músico, ou maestro, poderia juntar todos as batidas desses sons das grandes metrópoles e fazer a partitura de um concerto. Poderia render um rock, um folk, um axé music tipo “bate estaca”, um country ou até mesmo um samba brasileiro autêntico. Não sei se daria um forró, mas tudo dependeria da composição.

   Pelo menos me livraria daquele trauma quando sou obrigado a sair da minha casa para ir ao centro de Vitória da Conquista resolver “pepinos”, principalmente em repartição pública. É tanta preocupação que nem consigo dormir direito na véspera.

   Minha vida foi uma loucura infernal em Salvador, pra lá e pra cá, como um doido para ganhar dinheiro, mas, com o passar do tempo, a idade bateu forte que não suporto mais as grandes cidades. Meu desejo é me recolher em meu insignificante canto, isolado de tudo, num buraco qualquer.

   Prefiro o mugido da vaca, o relinchar dos equinos, os uivos dos coiotes, os latidos dos cachorros e raposas, o cantar do galo na madrugada e dos pássaros no campo do que o barulho das grandes cidades. O som dos animais e as cantorias dos adjutórios lembram minhas raízes telúricas.

   Como agora quase tudo é na base da senha, fico irritado com a zoeira das fofocas e besteiróis dos compadres e comadres esperando pacientemente seus momentos de serem chamados. Pior ainda é ter que ficar de olho no painel, com a voz de uma mulher, ou sei lá quem, avisando senha PNH 124, mesa 13.

Para ter menor impacto nos meus nervos, que não são mais de aços como antes, levo um livro para ler, só que não consigo mais me concentrar. Ou leio ou fico de olho na tela! Deveria ter uma lei aprovada pelo Congresso Nacional, o mais caro do mundo, proibindo a frequência de idosos nesses lugares.

   No entanto, como o Estado é masoquista, tirano e maquiavélico, quanto mais matar o velho lentamente, melhor, porque é menos um custo previdenciário. É um alívio quando cai mais um atestado de óbito no INSS, mas sempre tem um herdeiro.

  O plano dessa gente do poder vai nessa direção, tendo em vista que as pesquisas dão conta que em pouco tempo vamos ter uma população maior de idosos no Brasil. Os caras já estão fazendo as contas e apertando o cerco.

  Parece que fugi um pouco da questão do ronco das grandes cidades. É meu marrento hábito de ir alinhavando um assunto com um outro, mas acho até que uma coisa tem a ver com a outra.

Bem que os músicos do Sarau A Estrada poderiam se reunir para fazer o som, o ronco ou a louca sinfonia dos centros das grandes cidades. Será que daria uma boa melodia? Poderia até juntar com os sons dos bichos da zona rural.

  Para fazer um teste, é só ficar ali por uns tempos na Praça Barão do Rio Branco, na Nove de Novembro e imediações. Eu até me prontificaria contribuir com alguns versinhos, e aqui em nosso meio o que não faltam são poetas e poetisas inspirados.

  O que acham disso Itamar, Viviane, Luis Altério, Dal Farias, Carlos Maia, Manno Di Souza, Baducha, Dorinho, Jânio Arapiranga, Fabrício, Nery e, enfim, todos estradeiros da vida? Vão dizer que estou é ficando caduco, lelé da cuca!

SIMPLIFICAÇÃO DAS LICENÇAS

  A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista desta quarta-feira (dia 10/06) vai debater diversas propostas e projetos, entre os quais, a apreciação que autoriza a criação de um procedimento simplificado para renovação das licenças sanitárias de clínicas e estabelecimentos de baixa e média complexidade médica, buscando reduzir a burocracia e dar mais agilidade aos processos.

  Também estará em pauta a discussão do projeto que institui a Política Municipal de Conscientização Climática, Sustentabilidade e Mobilização Social diante dos impactos da crise climática, com foco na educação ambiental, preservação dos recursos naturais e fortalecimento de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável.

   Na ocasião, fará uso da Tribuna Livre o representante do Lar da Misericórdia, João Paulo de Oliveira de Souza, que abordará temas relacionados à política voltada à população em situação de rua e às potencialidades e fragilidades do Centro POP.

  Serrão ainda analisadas as indicações encaminhadas ao poder executivo municipal, além de requerimentos e moções de aplausos apresentados pelos parlamentares que farão seus pronunciamentos durante a sessão, marcada para ser iniciada a partir das 9 horas da manhã.

CERTIFICADO DE BATISMO

    No Brasil rural e no Nordeste arcaico, principalmente, até meados do século XX, o documento mais valioso para as famílias era o Certificado de Batismo, o primeiro que os pais se preocupavam em tirar quando os filhos nasciam. Os mais antigos sabem muito bem disso.

   A escritora Élise Gruspan-Jasmim, em “Lampião-O Senhor do Sertão” faz alusão a este hábito católico que prevalecia naquela época. Certidão de Nascimento, que hoje a criança já recebe no hospital no momento que a mãe “dá a luz”, era coisa para depois de cinco ou seis anos. Como muitos eram analfabetos e não anotavam, a data precisa saia sempre errada.

  Em sua obra, a autora escreveu que “era costume no sertão batizar pouco tempo depois do nascimento, por causa do grande número de crianças que morriam com pouca idade nessa época. Os pais encarregavam-se rapidamente de batizar o recém-nascido, com medo de que este, caso viesse a morrer, torna-se uma alma errante”.

   Por causa da cultura religiosa, trazida lá de seus antepassados, o batismo era o primeiro cuidado. A autora deixou de citar que os pais corriam logo à Igreja Católica com receio de criança morrer pagã. Seria um grande pecado deixar um filho morrer “pagão”.

  Lembro disso através da minha mãe que falava ter apressado o meu pai a me batizar logo de imediato porque nasci mirrado e doente. Somente depois de cinco ou seis anos foi que meu pai foi ao cartório me registrar porque a escala pedia o documento.

    Depois de anos fui escarafunchar na Igreja e descobri ter nascido em 1946, conforme estava escrito pelo vigário no batistério, e não em 1947, como está na Certidão. Creio que muita gente da minha geração, que nasceu de parteira, nos cafundós do sertão, tem também a idade errada.

   Quem sabia escrever, tinha o hábito de anotar o horário, dia e o ano numa página em branco da Bíblia, cujo livro “sagrado” não podia faltar numa casa. Nos tempos atuais, o Certificado de Batismo não tem mais nenhum valor.

   Naquela época, o batismo era encarado como um ato de grande importância, e os padrinhos se sentiam no lugar de segundos pais. Hoje se tem mais como um preceito social para se fazer uma festa, sobretudo entre os ricos.

   No entanto, entre os nordestinos, o batismo ainda é levado muito a sério, especialmente na zona rural onde os hábitos, os costumes e a cultura ainda são passados de avó e avó para os filhos e destes, como pais, para seus rebentos, embora muita coisa se perdeu no caminho.

   Tanto o batismo como as manifestações culturais, infelizmente, perderam muito de suas caraterísticas com o grande êxodo rural para as cidades, a partir dos anos 50 e 60 do século passado, mas o ato de batizar permanece vivo, não importando a religião.

Como mais de 70% vivem na zona urbana, as mudanças advindas do progresso, e agora com os avanços tecnológicos, estão se encarregando de apagar com as tradições, apesar de muitas ainda permanecerem vivas. Tem gente que acha que elas vão se acabar por completo, mas não acredito nisso.

   Vão continuar resistindo como o maracatu, o forró, o samba, terno de reis e outras expressões culturais, mesmo sofrendo algumas misturas. São como as antigas profissões de ferreiro, alfaiate, relojoeiro, amolador de facas, sapateiro, dentre outras, que ainda sobrevivem às novas tecnologias.

“LAMPIÃO-SENHOR DO SERTÃO”

  Ao escreverem sobre o cangaço, praticamente todos os historiadores, pesquisadores e estudiosos do assunto procuram fazer uma descrição antecipada do Nordeste entre o século XVI até meados do século XX, em relação ao seu isolamento político e socioeconômico do resto do país, seu solo, costumes, hábitos, religiosidade e outros aspectos inerentes à região.

   A pesquisadora Élise Gruspan-Jasmim em sua obra “Lampião Senhor do Sertão” também não é uma exceção nesta abordagem. Antes de penetrar na vida de Virgulino Ferreira, desde o seu nascimento, batistério, sua infância e juventude no sertão, com várias versões obtidas de fontes diversas, a autora faz um panorama sobre o Nordeste daquelas épocas.

  Em sua apresentação da obra, vamos aqui citar alguns trechos do seu ponto vista quanto a região. Sobre o sertão, por exemplo, Élise destaca ser um território cujas limitações geográficas se modificaram com o correr do tempo, como se esta região se construísse e se elaborasse sem cessar.

  “Sertão quer dizer grandes deserto (“deserto”) no sentido próprio   e no sentido figurado, mas também terras interiores”. Alguns dicionários o definem como “terra longínqua”. Em relação ao litoral, o Nordeste é visto como zona árida, pouco povoada, assolada pela miséria e pela seca, exposta à violência, ao banditismo, à injustiça, ao fanatismo religioso – um outro mundo, com outros códigos, sem meios de comunicação, isolado da civilização.

  De acordo com a autora, nas representações, o sertão tem, portanto, uma dupla identidade: Região atrasada, de cultura arcaica, e ao mesmo tempo, memória viva, “quadro arqueológico da sociedade brasileira”, na expressão de Luis da Costa Pinto.

  A autora fala das revoltas que eclodiram no Nordeste do passado. Para ela, as rebeliões camponesas nunca eram dirigidas contra os coronéis, e sim contra um poder central anônimo e distante, como a de 1852, na região de Pau d´Alho, conhecida em Pernambuco pelo nome de “Revolução dos Marimbondos”, e na Paraíba sob o nome de “Ronco da Abelha”.

  Ao entrar na questão do cangaço, a escritora ressalta que no período da colonização holandesa no Nordeste, menciona-se a presença de grupos de bandidos formados por desertores estrangeiros, por escravos fugitivos e brasileiros.

  Os escritos citam o célebre José Gomes, o “Cabeleira”, originário de Pernambuco, que disseminou o terror na segunda metade do século XVIII e foi enforcado em Recife em praça pública.

  Após mapear o Nordeste, com suas características próprias, a autora esmiúça com detalhes as origens de Lampião, sua descendência e os motivos pelos quais ele entrou no cangaço.

   Muitos falam que Lampião se tornou um bandido depois da morte de seu pai, José Ferreira, sob o comando do tenente José Lucena, mas antes disso, por volta de 1918/19, ele já tinha se tornado um cangaceiro com seus irmãos Livino, Antônio e Ezequiel.

Tudo começou neste período por causa das desavenças com o vizinho José Saturnino, no município de Vila Bela. As versões são as mais diversas, desde roubo de animais até por causa de um chocalho que Virgulino, supostamente, teria extraído de uma res de Saturnino.

 No Nordeste se admitia um assassinato por vingança, mas não um ladrão. Além de autores, testemunhas, entrevistas, pesquisas em documentos, Élise cita muito as obras dos cordelistas, principalmente de Leandro Gomes Bezerra e Francisco das Chagas Batista, apesar de seus escritos não serem totalmente confiáveis por causa dos floreios dados em seus versos.

UM TERRENO ABANDONADO

  Qual destino de um vasto terreno abandonado, de um milhão e 700 mil metros quadrados, pertencente à União, onde já foi por muitos anos o Aeroporto Otacílio Figueiredo? É mais uma celeuma e uma novela que ninguém sabe quando terá seu fim e como será usado em benefício da sociedade. A população não tem a dimensão do tamanho do terreno e pede a construção de escolas, creches e até de um hospital.  Pode ser tudo isso e muito mais. No entanto, não imagina que a esta altura o setor imobiliário deve estar de olho para erguer edifícios, condomínios e outros empreendimentos de luxo, com altos muros separando os ricos dos pobres, como sempre faz o sistema capitalista selvagem. Uma pequena parte foi cedida para o Estado da Bahia, cujo governo fala em construir um Centro de Convenções, o que não é uma má ideia, tendo em vista que Vitória da Conquista, pelo seu porte, carece de um equipamento dessa natureza. No entanto, aquela área poderia muito bem abrigar ainda um Centro Administrativo da Prefeitura Municipal visando  desafogar o centro e reduzir custos de aluguéis do poder público, bem como ser criado um bosque de lazer, espécie de cinturão verde em torno dos bairros da zona oeste.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia