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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

QUER “SACANAGEM”?

( Chico Ribeiro Neto)
” Só tomo cerveja depois que boto um salzinho na boca”, diz uma amiga.
Bar sem tira-gosto bom não presta.
Um tira-gosto inesquecível. Minha colega, jornalista Helô Sampaio, pegou um pedaço de charque no armazém e bar do Capenga, na Avenida Vasco da Gama, e jogou em cima do velho balcão de madeira. Jogou álcool e tocou fogo. Quando a chama estava bem baixinha, quase apagando, ela jogou a farinha, que grudou na carne. Depois, haja cerveja.
Cito alguns bons tira-gostos: moela com pão, passarinha, charque frito, carne do sol, casquinha de siri, salame, amendoim cozido ou torrado, caldo de feijão, peixe piramutaba frito, agulhinha frita, acarajé e torresmo. Uma farofinha é indispensável. Antigamente havia nos botecos ovos cozidos de várias cores na prateleira do balcão.  “São de hoje”, atestava o dono do bar.
Tinha um cara que frequentava o Bar do Chico, na Barra, cujo tira-gosto era uma salada de tomate, cebola e pimentão temperada com sal e azeite.
Na minha juventude toda festinha tinha “sacanagem”, sucesso nas décadas de 70 e 80. Não é  o que você está pensando. Era um espetinho feito com rodelas de salsicha em lata, queijo, azeitona e outros ingredientes.
A origem do termo é explicada por Lorena K. Martins no artigo “Tá a fim de uma sacanagem? Petisco de festa dos anos 80 reina nas mesas dos bares em BH”, postado no site otempo.com.br em 4/4/2025: “A origem do termo ‘sacanagem’ ainda é incerta, mas, segundo o historiador Luiz Antônio Simas, em seu livro “Sonetos de Birosca e Poemas de Terreiro” (2022), a explicação mais provável está na forma como os insumos eram montados no palito. Como ele descreve, “o fato de um ingrediente vir trepado em cima do outro já diz tudo: é uma sacanagem generalizada, com o queijo trepando no pimentão, a salsicha por cima do presunto e por aí vai”.
Havia também o tira-gosto coletivo. Não esqueço do amigo e jornalista Raimundo Machado, que, depois que a gente fechava a edição do jornal A Tarde, por volta de meia-noite, chegava na barraca de Dona Edna, vizinha ao jornal, e pedia logo uma cerveja e um mocotó em prato fundo. Cortava tudo miudinho, fazia aquele mexidão com pimenta e farinha, traçava uma boa garfada e passava o prato para o vizinho.
Uma vez, em Caculé (BA), um visitante chegou querendo um tira-gosto de ave, uma codorna, juriti ou perdiz. Com dois amigos, rodou vários bares onde só tinha tira-gosto de carne ou de linguiça de porco. Até que chegaram no boteco de um velhinho e perguntaram se havia tira-gosto de ave e ele respondeu: “A única ave que tenho aqui é um galo velho que tá lá no terreiro e que, se eu botar pra cozinhar agora (11 da manhã) só vai tá pronto meia-noite”.
Adoro uma tripa de porco frita na hora, com farinha, numa barraca de feira do interior. Se esfriar, não presta. Fica goguenta.
Será que no céu tem tira-gosto? Ou é só vinho de missa com água?

CORTARAM O JAMELÃO

   Em minhas visitas ao distrito da Tapera, no município de Encruzilhada, terrinha bucólica, agradável e pacata, dividida entre parte alta e baixa – até deveria ser construído um elevador, do tipo o “Lacerda”, em Salvador – onde nasceu minha esposa Vandilza Gonçalves, sempre apreciava a formosura da frondosa árvore na pracinha do lugarejo, chamada de Jamelão, que fornecia sua sombra a quem nela se abrigava. Estive lá no início deste mês e fiquei triste com sua derrubada pela Prefeitura Municipal, mesmo com os protestos dos moradores. Em seu lugar, o poder executivo ergueu um tipo de “coreto” aberto de madeira e telha, sob o argumento de que embeleza mais a área e beneficia mais a comunidade e a quem passa por ali. Se derrubar uma árvore já é um grande pecado contra a natureza, principalmente nos tempos atuais de aquecimento global, o monstrengo do prefeito destoou com a praça. Aquilo ali, senhor prefeito, ficou mais parecendo com um barracão para abrigar tropeiros que não mais existem! Nossas lentes estão sempre abertas para flagrar os absurdos e este foi mais um que não agradou em nada os taperenses, conforme comentários que ouvi no mercadinho de “Tonio”, inclusive do ilustre personagem folclórico “Três Quinas”. Depois ainda tem gente que diz que “a voz do povo é a voz de Deus”. Se assim fosse, o prefeito de Encruzilhada não teria ordenado a derrubada do antigo Jamelão, que deixou muitas saudades, sobretudo entre os moradores mais antigos. No lugar do Jamelão, o prefeito deveria ser obrigado a plantar mais 100 árvores na Tapera e, mesmo assim, não seria redimido do crime ecológico contra o meio ambiente.

O MAR E EU

Poema da poetisa Ana da Silva, extraído da Coletânea “Entre Palavras e Marés: Vozes Femininas”, da qual participa nossa poetisa Regina Chaves, membra do nosso “Sarau A Estrada”.

Eu amo o mar, não sei se o mar me ama.

Como vou saber?

Eu… Enigmática assim como o mar.

As ondas vêm, vão e se quebram,

Mas o mar não se abala.

Nem eu me abalo com as ondas

Que vêm me abraçar,

Eu as devolvo pro mar.

Ah… O mar…Imensuravelmente airoso.

Eu… Insignificante, pretencioso

Trazendo o mar na imensidão

Para dentro do coração.

O SÃO JOÃO SHOW BUSINESS

   Prometi a mim mesmo não mais falar ou fazer algum comentário sobre o nosso saudoso São João tradicional nordestino, mas de tanto ver e ouvir absurdos, extravagancias e a morte lenta desta festa junina, não consigo controlar minha revolta contra esses embusteiros prefeitos, artífices da destruição da nossa cultural.

  O nosso São João de outrora virou um show business, uma indústria de entretenimento voltada para o lucro, só que para os bolsos dos “famosos” pagodeiros, arrocheiros, sertanejeiros, axeseiros e lambadeiros que fazem suas porcarias musicais e recebem altos cachês pagos com o suado dinheiro do povo, manipulado pelos coronéis da política.

  Vou começar por Vitória da Conquista. De acordo com o Painel de Transparência dos Festejos Juninos do Ministério Público do Estado da Bahia, a Prefeitura Municipal vai pagar mais de quatro milhões de reais com a contratação de 95 atrações para o “Arraiá da Conquista 2026”. Estou achando que tem mais coisa nesse pirão.

    Até aí, tudo bem. O pior é que os artistas locais e nacionais receberão cachês que variam de cinco mil reais a seiscentos e noventa mil, uma excrescência em termos de diferenciação no que concerne aos valores. Os cachês mais altos serão abocanhados pelo cantor Pablo, seguido da cantora Joelma (R$550 mil) que viraram forrozeiros para inglês ver.

   Quanto mais vou citando estes disparates e desmantelos administrativos contra a nossa secular cultura do forrobodó, vou ficando mais tiririca da vida, virado no diabo. Uma banda local fica com cinco mil reais, isto para pagar lá pelo final do ano e ainda com a obrigação de se apresentar de graça num distrito. O estrangeiro do show business recebe adiantado e vai curtir em Dubai, nas arábias.

   Vamos viajar agora para o município de Quijingue, de pouco mais de 26 mil habitantes, lá no nordeste da Bahia, território do sisal, na microrregião de Euclides da Cunha. Lá é só pobreza e está atravessando uma seca, mas a prefeitura contratou uma tal de dupla mineira sertaneja dos irmãos Victor e Leo por setecentos mil reais.

  De onde vem toda essa grana, de um município tão pobre? O prefeito deve ser mais um daqueles que engana os bestas e tolos, de que a festa vai movimentar a economia e tirar a população da miséria e da fome.

Além de assassinar nossa tradição cultural, é mais um que vai a Brasília todos os anos de cuia na mão para dizer ao governo federal que os municípios estão “falidos” e sem grana para manter as prefeituras em funcionamento.

  Ouvi algumas reportagens jornalísticas dando conta que a Prefeitura de Irecê, antiga capital do feijão, pouco depois de Morro do Chapéu, estava com cachês previstos de vinte e um milhões de reais para pagar as atrações do show business, mas baixou para doze milhões depois de alguma intervenção do Ministério Público.

   Aqui perto de nós, em Anagé catingueira, distante pouco mais de 50 quilômetros de Conquista, a notícia é de que o MP-BA recomendou a suspensão dos contratos firmados pela prefeitura para os festejos juninos.

  O Ministério e os tribunais de contas do estado e dos municípios pedem esclarecimentos quanto aos contratos que estariam com indícios de irregularidades. Os órgãos estão solicitando relatórios fiscais e a comprovação da capacidade financeira do município.

  É um verdadeiro derrame de dinheiro, com falcatruas, superfaturamentos e outros malfeitos, que ocorre nesse período junino, para bancar artistas do barulho, com letras chulas que nada têm a ver com as nossas raízes nordestinas.

   As imagens televisivas passam megas estruturas de palcos que mais parecem com os shows do Rock Rio e Lolapalusa, tudo para receber os “artistas” da anticultura junina. Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, já foram referências de São João autêntico pé de serra. Hoje, até o romântico Roberto Carlos foi convidado para jogar flores para o povão inculto dos shows business.

As indumentárias das quadrilhas, do tipo fazem de conta, mais parecem alegorias de escolas de samba. Trocaram o ritmo do maracatu e do forró, com a sanfona, o triangulo e a zabumbada,  pelos rebolados dos arrochas, das lambadas, dos pagodes e dos sertanejos, com as guitarras, baixos e as baterias estridentes.

QUANDO SE CHEGA À VELHICE…

Falam muito da discriminação contra os negros, contra as mulheres (os misóginos), os LGBTS, os com problemas de deficiência física e mental, mas pouco quanto aos idosos. Vejo e leio muitas piadas e memes com o tom de sarcasmo e depreciação quando se chega à velhice.

Como a morte, que geralmente se esquece dela, enquanto tudo se faz e se arrisca por ambição para depois da vida nada levar, assim também ocorre com a velhice. Os jovens agem como se nunca fossem chegar a esse estágio e vê o idoso com certo menosprezo, embora nem todos.

Em meu entendimento, a maior idiotice e chacota é chamar o idoso de terceira idade, como se houvesse uma quarta, quinta, sexta e por aí vai. Uns dizem que é a “melhor idade”. Sinceramente, não me venham com essa! A melhor é a juventude quando bem aproveitada. Não vamos cair no sentimentalismo barato!

Pois é, meus amigos camaradas, nos tempos mais antigos, os filhos e familiares próximos tinham mais respeito com os idosos; ouviam seus conselhos e orientações; davam benção; cediam seus assentos nos ônibus; e cuidavam até a morte.

Nos tempos atuais, com as mudanças de conceitos, levados pelas modernagens, onde predominam o individualismo e o egoísmo na corrida pela sobrevivência pelo dinheiro e bens materiais, muitos entregam seus pais a um cuidador ou cuidadora, quando não sãos levados para um asilo e lá ficam esquecidos como objetos imprestáveis.

Quando se chega à velhice, os filhos não querem mais escutá-lo porque acham que o pai ou a mãe estão ultrapassados e arcaicos. Infelizmente, a nossa sociedade “moderna” se tornou mais desumana e até diria, cruel. São os novos tempos, com a inversão dos valores humanos!

Quando um velho esquece de algum fato, acontecimento ou de fazer algo, é porque está caduco e colocam logo a culpa na idade. Se acontece com um jovem ou alguém de meia idade, entre os 20 até os 60 anos, é normal. “Relaxa, isso ocorre com qualquer um”.

O idoso não pode ter nenhuma falha ou erro no trânsito que é logo discriminado. “É coisa da idade”. Não pode vacilar e cometer    nenhum deslize porque algum idiota passa e aos gritos manda sair da rua e ficar em casa, sem falar nos xingamentos. Se houver um acidente com um idoso ao volante, mesmo que esteja certo e com razão, ele é o culpado.

– Sai da frente, meu tio – é assim o tratamento discriminatório. Idoso não pode avançar sinal, dar uma roubadinhas, estacionar torto ou coisa semelhante, senão leva aquelas “bordoadas” de palavrões. O motorista moço e imbecil pode fazer qualquer merda e ninguém se atreve reclamar ou xingar.

Quando saio com minha esposa (ainda não idosa), para resolver algum problema particular no banco, numa casa comercial ou repartição pública, observo que o atendente fica o tempo todo dirigindo mais a palavra a ela para explicar a questão, ou andamento do processo, como se eu fosse um senil que não entendesse nada.

É, meu amigo ou amiga, quando se cai na velhice, até parece que você não é mais gente, perde a razão e se torna um inútil. Imagina quando a pessoa é rica e tem um bocado de filhos gananciosos! Eles fazem logo um complô para interditar o velho ou a velha. É assim a vida, como ela é!

AS PAUTAS DA SESSÃO DA CÂMARA

  Na sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista desta quarta-feira, a partir das 9 horas, vários projetos, propostas e requerimentos de interesse da população estarão em discussão.

  Entre os destaques estarão em debate a preservação ambiental, sustentabilidade, acessibilidade e inclusão social, inclusive o projeto que institui o Programa Municipal de Implantação de Corredores Ecológicos, para conservação da fauna, flora e polinizadores, promovendo a integração entre áreas verdes e a proteção da biodiversidade de Conquista.

  Será ainda apresentado o projeto que cria a Política Municipal de Guardiões da Cidade, destinada à conservação e valorização dos espaços públicos do município.

   Na área da saúde estarão em pauta propostas, como a criação do Banco Municipal de Equipamentos para Reabilitação, garantindo acesso gratuito a equipamentos como cadeiras de rodas, muletas e andadores para pessoas em recuperação e reabilitação, além do Programa Calçada Acessível.

  A sessão também contará com apreciação de projetos voltados à educação cidadã, valorização da cultura, dos símbolos municipais e nacionais, bem como do reconhecimento das quadrilhas juninas como Patrimônio Cultural e Imaterial de Conquista.

  Serão apreciadas indicações encaminhadas ao poder executivo, moções de aplausos e de pesares a serem apresentadas pelos parlamentares conquistenses.

SARAU DEBATE “CASAS DE FARINHA”

   A professora e doutora Marise Oliveira Santos foi a palestrante do “Sarau A Estrada”, realizado no último sábado (dia 13/06/2026), no Espaço Cultural do mesmo nome, com o tema “Casas de Farinha”. A professora fez um relato do seu estudo e pesquisa de doutorado sobre essas unidades produtivas no Planalto de Vitória da Conquista.

   Os trabalhos do Sarau foram abertos por volta das 21 horas com o novo Hino do Sarau composto por Jeremias Macário e os músicos e cantores Dorinho e Baducha, com todos cantando o refrão “Avante, Avante, oh Sarau! / Estradeiros da Cultura/ de Mensagem Universal”.

Estiveram presentes ao evento cerca de 40 pessoas entre artistas, professores, estudantes, jovens e interessados pela cultura. Após os informes e comunicados, o cantor, compositor e músico Carlos Moreno nos brindou com sua cantoria num estilo romântico em homenagem ao Dia dos Namorados, 12 de junho e o de Santo Antônio casamenteiro (13/06).

  Num estilo pedagógico, esclarecedor e simples, a professora Marise discorreu sobre o assunto lembrando dos seus antepassados que viviam dessa atividade.

  Em sua tese de doutorado decidiu, então, levantar esta memória, um pouco perdida ao longo dos tempos, com o avanço do progresso onde hoje essas casas são todas motorizadas com as novas tecnologias.

  Durante o bate-papo, a pesquisadora contou várias histórias de pessoas entrevistadas donas de casas tradicionais de farinha que ainda eram movidas totalmente pelo braço humano. Segundo ela, essas casas foram desaparecendo em decorrência da força do capital onde a pequena atividade familiar vai sendo esmagada para dar lugar aos grandes empreendimentos.

   Durante as intervenções, muitos deram seus testemunhos de pais que também viveram desse ofício com suas casas de farinha artesanais, como o jornalista e escritor Jeremias Macário que lembrou de ter nascido e se criado dentro de uma casa de farinha.

   Além de viver do plantio da mandioca e ser dono de casa de farinha, seu pai também era construtor dessas unidades, cujos aviamentos principais eram constituídos de parafusos, feitos da baraúna, prensa, roda de cedro puxada a dois, ralador da mandioca, coxos e o forno que torrava a massa e a transformava em farinha.

  Em sua cultura tradicional, a professora ainda citou as raspadeiras, muito importantes no processo da farinha. Enquanto elas trabalhavam, faziam suas cantorias, contavam seus causos e fofocas. Esse lado cultural se encerrava quando a farinha estava pronta e aí entravam os beijus depois de um dia de labuta.

   Após essa discussão, o sarau teve mais uma noite memorável na cantoria da viola, com os cantores e músicos Manno Di Souza, Baducha, Dorinho, Fabrício e Alex Nery. A viola foi intercalada com a declamação de poemas, inclusive sobre “Casa de Farinha”.

  Num clima fraternal e de amizade entre os participantes, com a troca de conhecimento e saber, a festa cultural foi acompanhada dos comes e bebes típicos do período junino e varou a madrugada, como sempre acontece.

  A comissão organizadora conduziu os trabalhos com maestria, composta por Cleu Flor, Dal Farias (cicerone), Viviane Gama e Eduardo Marques. Como parte das atividades culturais, tivemos ainda a exposição da artista plástica Beth David, com seus quadros representando a indumentária dos cangaceiros.

 Na ocasião, Manno Di Souza e a escritora e poetisa Regina Chaves fizeram depoimentos emocionantes sobre as origens do sarau, que está completando, agora em julho, dezesseis anos de existência, as histórias, as acirradas discussões, o convívio entre as pessoas, os temas discutidos e a aprendizagem na troca de ideias.

Na oportunidade, Regina doou seus livros publicados, “Entre Palavras e Marés: Vozes Femininas” (Coletânia), “Escritas do Pensamento- o murmúrio das ideias em voz alta”, “Suspiros Poéticos- a beleza da lira cor”, e “Brisa Ventilando a Poesia” para o acervo do Sarau.

  Manno Di Souza, um dos fundadores, lembrou de casos interessantes durante esse tempo, inclusive de que o sarau nasceu do grupo “Vinho Vinil” lá atrás, numa conversa com Jeremias Macário e o fotógrafo José Carlos D´Almeida entre um vinho e um petisco. Sua filha Maria Luiza foi uma das crias do Sarau ainda criança.

  De lá para cá, o “Sarau A Estrada” cresceu, aumentou sua estrutura, inclusive com mais participantes, divulgou um CD de músicas e poemas autorais, vídeos, apresentou-se no Teatro Carlos Jheovah e até já recebeu o troféu Glauber Rocha. O próximo evento já está marcado para agosto, provavelmente no dia 22.

 

AS DIVERSAS VERSÕES DA ENTRADA DE LAMPIÃO NO MUNDO DO CANGAÇO

  Sempre se ouviu falar que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, entrou no cangaço com a morte do seu pai pela força da volante sob o comando do tenente José Lucena, isto por volta de 1920, em Mata Grande, Alagoas.

  Acontece, porém, que bem antes disso, entre 1918/19, Lampião e seus irmãos Antônio, Livino e Ezequiel já estavam no banditismo por conta de intrigas com seu vizinho José Saturnino, em Vila Bela, município de Pernambuco.

 Por causa das constantes brigas onde os Ferreira eram acusados de roubo de cabras e até de um chocalho, enquanto Lampião apontava o agregado de Saturnino, conhecido pelo nome de José Caboclo, de ladrão, num acordo, o pai José Ferreira se mudou para uma terra próximo do povoado de Nazaré.

   Apesar de tudo, as desavenças com Saturnino continuaram e, mais uma vez, a família Ferreira, por iniciativa do pai, se mudou para a localidade de Água Branca, em Alagoas. Naquele Nordeste antigo, os poderosos eram os donos das leis, prevalecendo as injustiças contra os menos favorecidos.

  Como era uma região sem lei, onde quem mandava era o rei, todas as ofensas contra a honra eram acertadas na base da bala, com o derramamento de sangue. O ódio de vingança levou Lampião e seus irmãos para o cangaço, bem antes da morte do seu pai. A família Ferreira era bastante perseguida.

   Os historiadores, pesquisadores e até os cordelistas, como os grandes Leandro Gomes Bezerra e Francisco das Chagas Batista, contam diversas versões sobre essa questão ainda não totalmente esclarecida, mas o pai José Ferreira sempre procurava se livrar dos confrontos.

 No entanto, pelo que até agora se escreveu, até a morte do seu pai e sua mãe (infarto do coração), Lampião vivia na criminalidade e sendo perseguido pelas forças policiais. A partir do assassinato do seu pai, ele decidiu em definitivo ingressar de vez e com todo seu ódio no cangaço, prometendo só deixar quando morresse.

  A partir daquele acontecimento, cresceu em Lampião a sede de vingança, só que esse ódio foi distribuído contra seus inimigos e também para quem atravessasse em sua frente, na forma do banditismo.

O tempo passou e Lampião foi morto em 1938 sem se vingar diretamente de seus maiores desafetos que foram Saturnino e José Lucena. No fundo, ele se tornou um rebelde contra as injustiças, contra o desgoverno e o poder quando combatia essas forças representadas pelos “macacos”, como se referia aos soldados.

  A autora da obra “Lampião-Senhor do Sertão”, Élise Grunspan-Jasmim descreve as diversas versões sobre a vida do cangaceiro desde menino e jovem trabalhador, vaqueiro, tropeiro, fazedor de versos e até cantador e sanfoneiro.

  No capítulo sobre “As Origens do Drama”, ela escreve que “a maioria das narrativas e dos artigos contemporâneos apresenta Virgulino como um menino já dotado daquele caráter violento que o caracterizará mais tarde como cangaceiro”.

  O escritor Optato Gueiros, ex-oficial das forças volantes, que combateu Lampião durante muitos anos, afirma que as tendências guerreiras de Lampião, manifestadas na infância, se desenvolveram quando ele tinha 17 anos e percorria o território em companhia dos irmãos e do pai.

Segundo Gueiros, ele tinha contato com os bandos armados de cangaceiros, com os quais parecia identificar-se. Élise cita artigo do jornal Diário de Pernambuco, agosto de 1938, onde menciona um grupo armado constituído de Antônio Matilde, dos irmãos Ferreira e outro dos irmãos Porcino, isto em 1918.

  Em fevereiro de 1920, os irmãos Porcino e os Ferreira participaram com Matilde da pilhagem de Pariconhas, em Alagoas. No encalço deles, a tropa de José Lucena foi até a Matinha de Água Branca onde estava morando provisoriamente seu pai que foi morto a tiros naquele lugarejo. Seus filhos não estavam no local.

CDF É F…

( Chico Ribeiro Neto)
Cabelo colado de brilhantina, camisa bem engomada, caderno todo bem forradinho e sapato preto brilhando. Lá vem o CDF, aquele que só dá bom dia ao professor.
Sempre sentado na primeira fila, o CDF toma nota de tudo, até do espirro do professor.
Segundo os linguistas, o termo CDF surgiu de uma expressão popular usada por estudantes a partir da década de 70 (C. de Ferro). O apelido era direcionado a quem ficava sentado estudando por horas, sem se levantar, sem reclamar e sem dispersão.
Depois vieram outras variantes: o CDA (C.  de Aço) e o CDAI (C. de Aço Inoxidável).
Há uma observação atribuída ao jornalista e escritor Nelson Rodrigues de que o grande personagem da vida não  é necessariamente o primeiro da classe nem o último, mas aquele que encontra o próprio caminho.
O CDF é o primeiro a se apresentar quando o professor pede algum voluntário para ir ao quadro, e acerta todas as respostas.
Na igreja é ele quem segura aquela vela grande na frente do padre.
No recreio ele fecha a cara pras piadas de putaria, finge que está lendo e sonha em um dia estudar no Texas, Oregon ou Massachusetts.
CDF fica puto quando tira a nota 9,75. Ele nasceu para tirar 10 em tudo. É puxa-saco do professor e dedo-duro.
Quando vê um colega bagunceiro, grita logo: “Se não quer estudar, volte pra sua casa”.
O CDF é também o primeiro a se inscrever na equipe organizadora da XX Páscoa Estudantil. Ele só pede uma coisa nas orações: tirar 10 sempre.
Ele odeia jogar bola, “é perda de tempo”, e quando sai de férias fica doido pra voltar logo.
Dá presente à professora no Dia do Professor e no Dia das Mães.
Muito emocionada, a mãe do CDF está sempre à elogiá-lo : “Meu filho só pensa em estudar. Eu não preciso nem chamar ele pra fazer o dever de casa (hoje chamado de tarefa)”.
O CDF odeia política estudantil: “Escola é lugar de estudar, não de fazer política”.
O CDF vai pro céu? Ele tá estudando pra isso.

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REVISÃO DOS VENCIMENTOS

  O projeto do poder executivo que prevê a Revisão Geral dos Vencimentos dos Servidores Municipais será discutido nesta sexta-feira (dia 12/06), a partir das 9 horas, em sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista.

  A proposta inclui reajuste de auxílio-alimentação, atualização da remuneração de categorias do serviço público e adequações salariais previstas em lei, que vai impactar milhares de funcionários.

  Durante a sessão, será também apreciado, em segunda votação, o projeto “Férias sem Fome”, destinado à garantia da segurança alimentar de estudantes da rede pública municipal durante os períodos de recesso e férias escolares.

   Os parlamentares vão ainda discutir propostas relacionadas à educação, saúde da mulher e assistência à maternidade, como os programas “Uniforme Completo” e “Bebê a Bordo”, além de projetos que assegurem acompanhamento especializado às gestantes com transtorno de espectro autista.

    Ainda nesta sessão de sexta, será apresentado o projeto “Jovem Eleitor”, iniciativa que busca promover a formação cidadã e incentivar a participação consciente dos estudantes na vida democrática e política do país.

  Na oportunidade, a presidente do Sindicato dos Professores, Simone Marques usará a Tribuna Livre para falar sobre as principais demandas da classe e a valorização dos profissionais da educação.

  Também, a senhora Lúcia Pilôto estará na Tribuna para discorrer sobre o projeto de arborização da Avenida Rosa Cruz .





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