“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
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OS IMPREVISTOS DE VIAGENS
Difícil você encontrar uma pessoa que não goste de viajar, visitar lugares e outras culturas, se bem que conheço uns avarentos idiotas e imbecis que passam a vida correndo atrás do dinheiro e por ele brigando com familiares, como se nunca fossem morrer ou levar os bens no caixão! São criaturas vivas-mortas, almas penadas!
Não vale a pena perder tempo falando dessa gente. Sinto pena por não usarem nem 0,1% dos neurônios. Gostoso mesmo, meu camarada, é viajar, que seja a negócio ou outro compromisso. Só não vale se for por morte porque ai, lá se vai o prazer de curtir!
Quando se resolve pegar estrada, sempre se faz planos, mas aparecem os imprevistos e sem eles não se tem histórias, estórias ou causos para se contar. Viagem sem imprevistos não tem muita graça e cada um tem um acontecido ou vários para narrar aos amigos.
Por descuido ou desleixo da minha parte – os preconceituosos logo dizem que é a idade – fui almoçar com a família numa churrascaria por livre e espontânea pressão (não gosto de churrascaria) e na saída ocorreu um imprevisto desagradável.
Coloquei meu celular no bolso da bermuda e quando fui entrar no Uber (ainda prefiro um taxi) o aparelho escapuliu e foi ao chão. Sem ver, o motorista passou por cima e esmagou o falante fofoqueiro e boateiro.
Só fui perceber sua falta quando cheguei em casa (aliás na casa da minha ex) e aí a mente começou a arder. Entrei em contato imediatamente com meu filho que deu uma boa nova de ter encontrado um celular no chão de areia e ter deixado no restaurante.
Imediatamente fui à praça e pequei um moto taxista. Não podia perder tempo. Lá estava o “sujeito” das redes sociais, mas com o visor todo quebrado e sujo de terra. Sorte de um lado e contrariedade do outro. “Este não presta mais” – julguei.
O motoqueiro procurou me acalmar e foi logo indicando um tal de seu Neuton (lembrei do físico) que é “cobrar” para esse tipo de serviço. Não podia perder tempo e para lá me dirigir. Era tudo ou nada.
– É veizinho, esse aqui está difícil de ser recuperado, mas vou ver o que posso fazer – assim me atendeu o técnico, um senhor de meia idade, com uma risadinha insolente de sacarmos. “Passe aqui no final da tarde e vamos ver o que podemos fazer”.
Como estava desesperado e necessitado da sua ajuda, não poderia dizer umas “boas” para o nordestino abusado gozador da miséria dos outros. – Não tenho cara de sulista para ele me receber assim.
Pensei cá comigo: O cara nem me conhece e vem logo me chamando de “Veizinho”. Dei vontade de responder que tinha nome e “Veizinho” era o avô ou o pai dele.
– Fica quieto, Jeremias, você precisa do homem e vá lá que ele se reta e manda eu procurar outro lugar, ou até jogar o celular todo esbagaçado em minha cara. Raciocinei rápido e achei por bem engolir o “Veizinho”, e ainda rogar delicadamente pelo seu serviço, que caprichasse na obra.
Sai agoniado e pouco confiante, mas com raiva do seu Neuton. Deveria ter lhe respondido à altura. No momento só pensava na perda do aparelho e dos meus arquivos. Passei a tarde avexado contando os minutos para voltar à loja e saber do assucedido.
Cheguei triste e acabrunhado. O moço percebeu da minha angústia e me tripudiou com seu olhar. Para me deixar ainda mais apreensivo, apenas falou que estava vendo. Me deixou esperando por quase uma hora. Confesso que não estava mais aguentando aquela “tortura” psicológica.
– Esse cretino está me tirando do sério! Tem o prazer de ser sádico? Em minha cabeça passou um monte de coisas sobre o comportamento humano. Batia uns 40 graus e numa poltrona estava a me refrescar num ventilador.
Dizem que quando se está com problema lhe atormentando, o urubu debaixo caga no de cima. Naquilo chegou um gordo forte, de uns trinta ou quarenta anos (devia ser sócio ou parente dele) e, sem ao menos pedir licença, arrastou com os pés o ventilado e botou em sua frente, em outra cadeira.
Na vida, você encontra todo tipo de gente, do gentil e educado ao ignorante e bruto casca grossa como um cavalo. Aliás, retiro a comparação porque o cavalo é bem mais dócil. “Animal “fela da puta”! Nem me respeitou como idoso! ”
Finalmente, veio de lá o técnico e pelo menos fez um gesto de positivo e bondade: “Você deu sorte e seu celular está pronto para outra porrada. Voltou a funcionar, e o chips não foi atingido”.
O custo foi salgado, dei uma pechinchada e até que concedeu um desconto. Matutei comigo mesmo que o “bicho” não era tão ruim assim. Esqueci da forma como me tratou no início. Fui embora contente pelo feliz resultado.
No entanto, olhei para o gordo do ventilado e fiquei pensando em sua atitude de desrespeito, egoísmo e outras coisas mais, de nem, pelo menos, dividir um pouco do vento comigo, mesmo vendo aquele meu sofrimento. O ser humano é a pior espécie animal! O Criador deve ter se arrependido no que fez!
AS UVAS PROSPERAM ENTRE O AGRESTE CINZENTO DO NORDESTE
Em pleno sertão nordestino, entre os mandacarus, os berros dos bodes, as espinheiras e a paisagem cinzenta do agreste nordestino, eis que surge o contraste do verde das videiras que brotam seus frutos durante todo ano do sol escaldante de 40 graus.
Alguém até poderia dizer que é o milagre que jamais ninguém poderia falar que um dia iria acontecer, mas isso foi possível graças as águas do Rio São Francisco, o nosso cansado “Velho Chico”, ou “Opará”, e a tecnologia de manejo aplicada pelo homem.
Por aquelas bandas da Bahia, no município de Casa Nova, e Pernambuco, em Lagoa Grande, por onde um dia cruzou Lampião em seu bando, lá está o espetáculo das vinícolas produzindo safras e vinhos de qualidade para todo Brasil e alguns países do mundo.
Estive lá e testemunhei este cenário “milagroso”, degustando as uvas dos seus exuberantes cachos, os espumantes e o vinho, com destaque para a vinícola “Rio Sol”, um nome bem sugestivo quando homenageia o rio e o sol quente da caatinga nordestina.
São cerca de 80 quilômetros distante de Petrolina, na BR em direção a Recife, mas a fazenda de um investidor português, em Lagoa Grande, fica encostada a dois quilômetros do “Velho Chico” que irriga aquelas terras estorricadas.
A água coteja diariamente e dali faz nascer o contraste das videiras e das mangueiras com o chão pedregulhento do sertão nordestino, misturado com os bodes que atravessam a pista.
Infelizmente, ainda pela secular injustiça social, ali convivem a riqueza e a pobreza de muitos que pouco têm e poucos vivendo em prosperidade. Os canais das águas do nosso São Francisco, genuinamente nacional, não chegam para todos, mesmo com a propalada transposição.
Tanto as vinícolas da Casa Nova, da Miolo, na Bahia, como a Rio Sol português, produzem a grande maioria das variedades europeias, como o Cabernet Sauvignon, (Adega do Vale), o Syrah, o Merlot, o Malbec, tanto o vinho fino seco como o suave de mesa.
De acordo com informações de uma especialista representante da empresa Rio Sol, 95% de toda produção são comercializados aqui mesmo no Brasil, sendo que a maior parte é consumida no Nordeste. Os vinhos são armazenados por cerca de cinco anos em barris de carvalho.
Praticamente durante todos os dias da semana (mais entre sábados e domingos), as vinícolas recebem visitantes turistas da região nordestina e de outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, que ficam encantados com as videiras e a estrutura das fazendas.
JUAZEIRO ESTÁ PEGANDO FOGO
A BENÇÃO MEU “VELHO CHICO”!
Para quem sai de Vitória da Conquista com pouco mais de 30 graus e entra em Juazeiro “pegando fogo” de 40 graus e até com sensação de mais que isso, escorre pelo corpo o suor do tipo cuscuzeiro numa caatinga estorricada que só de verde o mandacaru.
Pelas estradas cruzam os bodes catando bagaços e o agreste me faz lembrar dos nordestinos retirantes e dos cangaceiros fugindo das volantes ou combatendo contra os “macacos” como os chamava Lampião. Em Pernambuco passei por Lagoa Grande onde ele cometeu muitos crimes e saqueou o povoado, hoje cidade, cujo município é grande produtor de vinho, graças ao Rio São Francisco.
Como sempre faço quando venho para essas bandas, onde nessas terras cortou o “rei do cangaço” e seus bandoleiros, costumo ir ao leito do nosso majestoso São Francisco, ou o “Velho Chico”, para os índios, Opará, e pedir sua benção, nele mergulhar e tomar muita água, senão o corpo desvanece.
Quando aqui chego, a primeira coisa que me vem à cabeça é escrever algumas linhas sobre ele como forma de lhe prestar homenagens e pedir perdão pela forma como o homem o depreda e deixa suas margens desmatadas e asseroadas.
Dele tudo se retira, como a transposição das suas águas que não chegam aos pobres catingueiros que ainda dependem dos tanques e das cisternas, e pouco se repõe. Até hoje, quem mais se beneficiam do “Velho Chico” são as empresas de fruticulturas e as vinícolas que até recebem financiamentos dos governos estadual e federal.
Tudo isso me faz lembrar da grande estiagem, há cerca de 20 anos, que fez aparecer os bancos de areias e desaparecer as pequenas ilhas, tornando o Opará inavegável. Foi início dos anos 2000 que fez um frei de Barreiras decretar greve de fome contra a transposição das suas águas. Tempos terríveis e muitos chegaram a falar no desaparecimento do rio.
O mais contraditório e aberrante é que ensinam nas escolas que o Opará, batizado por Rio São Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis, foi “descoberto” em 4 de outubro de 1501 pelos navegadores Américo Vespúcio e André Gonçalves, só que ele é milenar e já existia e navegava cheio de farturas muitos séculos atrás.
O São Francisco tem suas lendas e histórias, com suas carrancas, o nego d´água, a Iara ou Mãe D´Água que dorme dois ou três minutos na meia noite e depois vai pentear seus cabelos nas canoas dos barqueiros; tem as rezadeiras, os curandeiros e seus ribeirinhos que dele tiravam seu sustento do dia a dia. Hoje está escasso e até o surubim é difícil de ser encontrado.
Em seu leito abriram grandes barragens, como a do Sobradinho, impedindo a navegação em diversas partes. Por ele atravessaram valentes, volantes e retirantes nordestinos fugindo das secas que dizimaram milhares de sertanejos. Foi testemunho de acontecimentos importantes no cenário nacional.
Com a expansão do plantio da cana-de-açúcar no litoral do Nordeste, os gados começaram a ocupar as margens do “Velho Chico” e ele também passou a ser chamado de rio dos Currais.
O São Francisco atravessa cinco estados, Minas Gerais (nasce na Serra da Canastra), Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe onde suas águas se encontram com o mar, percorrendo 2.863 quilômetros. É considerado o rio totalmente brasileiro.
Por isso e muito mais, o “Velho Chico”, como assim é apelidado carinhosamente, merece a minha benção e a ele eu faço sempre as minhas preces num demorado bate-papo só nosso. Conto os meus segredos e, como velho ancestral, rogo pelas suas orientações para meu retorno de outras tantas vezes. A benção meu “Velho Chico”! Até a próxima!
O CORREDOR SUMIU
(Chico Ribeiro Neto)
No filme “A Família” (1987), de Ettore Scola, o passeio da câmera pelo corredor é sinal de que os integrantes da família estão ficando mais velhos.
Cada visão do corredor deserto é sinal de que na próxima cena estarão todos com pelo menos 10 anos a mais.
Antes enormes, largos, os corredores foram encolhendo. Saíram das casas com quintal e tudo e foram morar em apartamentos, de onde se passou a sair praticamente da sala para o quarto, quase sem passagem.
Será que a arquitetura moderna bolou isso pra gente não ver mais o tempo passar ou não ver na linha final do corredor quem está chegando?
O corredor da minha casa em Ipiaú (BA) dava até pra jogar bola e seus azulejos amarelos, com desenhos mais escuros nas pontas, eram friozinhos para sentar numa tarde quente e ficar jogando gude. Muitas vezes a gude sumia no corredor e demorava pra achar.
Além da sala de visita, cabiam três quartos ao longo do corredor. Era vir correndo de dentro da sala de jantar para abraçar meu pai Waldemar que acabava de chegar da sua Padaria Minerva, quase sempre com uma surpresa, como um pão doce em forma de caubói ou de um jacaré, com o que a gente fazia sucesso com os amigos. “Meu pai não faz pra vender, só pra gente”.
No corredor cabia ainda muito mais coisa: revistas, pedaços de papel para fazer colagem, bolas de vários tamanhos, formigas de antenas tiradas, o chapéu do velho pendurado, uma capa de chuva e ainda duas cadeiras de lona encostadas na porta da rua, que eram pra calçar um pouco, pois quem quisesse entrar era só empurrar que já estava dentro de casa.
Faziam também parte do corredor pequenas quedas e rápidas corridas, às vezes tropeçando numa tia que saía do quarto com um penico na mão. E é do corredor de Ipiaú que vêm os gritos dela pelo penico derramado, pelo banho ainda não tomado e pelo café que tá na mesa.
Percorro o corredor lentamente, como a câmera de Ettore Scola. Vejo as tias rezando e os alvos e compridos bigodes de meu avô Chico Ribeiro que, já viúvo, coloca um pouco de talco no corpo para dormir, vestindo seu pijama velhinho mas muito bem engomado. Assim o velho morreu um dia, com o pijama e o talco, fazendo um neto começar a aprender o que é sumir da vida.
Já no fim do corredor, viro-me para uma última olhada antes de fechar a porta. Fechar, não, apenas encostá-la, pois estarei sempre voltando àquele corredor.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 27/9/1989).
ALTERAÇÕES NO SISTEMA TRIBUTÁRIO
Nesta sessão ordinária desta quarta-feira (dia 14/10), a partir das 9 horas, a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista irá apreciar o projeto-de-lei do executivo que promove alterações e atualizações no sistema tributário municipal, estabelece instrumentos para reforço da justiça social e acelera o recebimento de créditos tributários e não tributários.
Além desse projeto, o legislativo vai conceder títulos de cidadão conquistense à senhora Juelina Dias Pereira de Oliveira, à doutora Lara de Castro Araújo Fernandes, ao senhor Antônio Roberto Gomes Silva Júnior, à médica nefrologista Anelise Costa dos Santos Botelho, ao senhor Gilberto Francisco Ramos, ao frei Gleizer Campinho Dias Passos, à senhora Lindoia Santos Viana, ao senhor Zenilton Barbosa Sande e a Jairo Santos de Oliveira Braz.
Durante a sessão, os parlamentares de um modo geral vão fazer diversas indicações à prefeita Sheila Lemos e aos secretários para realização de tapa-buracos, limpezas e outros serviços na zona urbana e rural.
Muitos outros projetos importantes para a população, de autoria da Câmara, continuam aguardando envios de emendas para serem aprovados. Outra questão são os pedidos de tribuna livre que foram liberados pela Casa, mas até agora não foram chamados e já estamos chegando ao final de ano, época de recesso de praticamente dois meses.
AS VELHAS PRÁTICAS DAS RACHADINHAS
– Somente eu, cara pálida, e os outros que também fazem esse tipo de trambicagem malandra de surrupiar o dinheiro público na cara de pau? Sou mais um bode expiatório para fazer de conta que o legislativo é moralizador.
Deve ter passado essa indagação pela cabeça do vereador Gilvan Nunes Pereira, o “Dinho dos Campinhos”, do Partido Republicanos, mas ele não pode falar isso porque, além de ter sido beneficiado pelo corporativismo com uma pena merreca de suspensão de apenas 60 dias fora de suas atividades, não devolveu o dinheiro roubado.
Isso já é antigo e não acontece apenas na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, mas em quase todos municípios brasileiros, nas assembleis legislativas dos estados e no Congresso Nacional. Vez ou outra a coisa estoura porque alguém das assessorias resolve botar a boca no trombone.
No caso específico de Conquista, o “Dinho” deu uma bandeira danada e deixou aquele rastro ou pegada bem explicita que nem precisava de um rastejador experiente para seguir o seu coito. Se for fazer uma investigação mais profunda, outros parlamentares também fazem o mesmo.
O mais revoltante nisso tudo é que a punição demonstra o descaso e o desprezo do legislativo para com a população quando se abre a boca para se dizer que a “Casa é do Povo”. O paradoxal e contraditório é que ninguém sabe, dentre os 23, o que já é um número absurdo de cadeiras, quem votou contra e a favor da cassação pedida pela relatora do processo Gabriela Garrido.
Ouvi comentários que foi unanimidade dos outros e, como disse Nelson Rodrigues, é uma burrice. Nem ao menos para fazer ele devolver a grana da Rachadinha, o que seria ético, honesto e correto. Não me venham com lero-lero e com aquela conversa para boi dormir. São todos coniventes e compactuam com o malfeito.
Em Conquista, a verba de gabinete passou de 40 mil reais para 50 mil, para pagamento de assessores e manutenção de outros gastos. O salário mensal de cada parlamentar é de 18.742,00 reais. O número de contratados fica por conta de cada vereador, de acordo com o limite de 50 mil referente à verba de gabinete.
Para a realidade brasileira de um salário mínimo de cerca de 1.600,00 reais (nem todos patrões pagam isso e o trabalhador é obrigado a aceitar), a verba de gabinete e a remuneração representam altos valores e o vereador ainda faz Rachadinhas, que é tomar boa parte do dinheiro do “funcionário” por ele indicado.
Uma falta de vergonha! Quem faz isso deve ser sumariamente afastado para servir de exemplo e respeitar o eleitor. Numa empresa privada, principalmente, o empregado é demitido por justa causa quando comete ato semelhante, como desfalque ou roubo.
Além do mais, há muitos anos, pelo menos desde quando aqui cheguei há 35 anos, confesso que nunca presenciei uma câmara legislativa à altura do tamanho da cidade, a terceira maior da Bahia com cerca de 400 mil habitantes. Falo em termos de conteúdo e capacidade de conhecimento e saber, com poucas exceções, para representar a cidade.
Como um assunto está ligado a outro, a corrupção no Brasil é epidêmica e secular e começou do alto da pirâmide se espalhando como erva daninha por toda essa terra da Vera Cruz ou Pau Brasil. Há anos que ela está em todas as camadas, do mais pobre ao rico, e a honestidade, a seriedade e a ética se tornaram espécies em extinção.
“ASSIM MORREU LAMPIÃO”
No Nordeste dos arbustos espinhosos, dos xiquexiques, das catingueiras, do rompe gibão, dos marmeleiros, dos pereiros, dos facheiros, das aroeiras, dos carcarás, dos gaviões, da cauã, da graúna e da asa branca, o escritor Antônio Amaury Corrêa de Araújo escreveu e “Assim Morreu Lampião”.
Pelo final da década de 60, Amaury respondeu sobre a vida de Lampião e sobre o cangaço no programa de televisão “8 ou 800” que a Globo levava ao ar aos domingos. Durante 20 anos, o estudioso tomou depoimentos dos sobreviventes da tragédia que assolou o Nordeste, anotando, gravando e compilando.
Amaury entrevistou coiteiros e moradores da região, inclusive o tenente João Bezerra, que comandou o massacre de Angico (Sergipe) em que Lampião e Maria Bonita foram dizimados. Na época (o livro foi lançado pela Editora Brasília/Rio, em 1976) ouviu também o telegrafista que, atuando como Destino nas tragédias gregas, expediu o telegrama que forneceu ao tenente a localização do bando.
De todo seu trabalho resultaram “Assim Morreu Lampião” e “Gente de Lampião: Dadá e Corisco”. O pesquisador, conforme relata a editora, colheu depoimentos comoventes e até epopeicos da sertaneja Dadá – Sérgia Ribeiro da Silva, esposa de Corisco.
São revelações surpreendentes sobre a vida das mulheres no cangaço, as quais conservavam na caatinga hostil a sua feminilidade e eram tratadas com respeito, se bem que tinham que seguir rígidas regras conservadoras e machistas, sob pena de serem condenadas à morte.
De acordo com a editora, o livro está longe de ser uma obra acabada, pois se compõe de notas, ou melhor de apontamentos colhidos ao vivo sobre o massacre de Angico onde 11 cangaceiros foram abatidos.
Apesar do seu estilo solto, os fatos são todos baseados em sólidas documentações. No livro estão as transcrições exatas de notícias veiculadas pela imprensa da época desde as primeiras décadas do século XX. A obra oferece uma dimensão humana, “o “sal” das coisas que foram realmente vividas, sal às vezes atravessado na garganta, sal misturado com calor, sol e sangue”.
“PROJETO SEXTOU” NO ESPAÇO CULTURAL
Na semana passada tivemos o prazer de receber, pela manhã, os alunos do Instituto Multidisciplinar em Saúde, da Universidade Federal da Bahia-UFBA, campus de Vitória da Conquista, do “Projeto Sextou”, quando, na ocasião, batemos um papo agradável sobre a situação da cultura na cidade, como a urgência de abertura dos equipamentos fechados (Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e Casa Glauber Rocha) para atender as necessidades dos artistas, bem como a aprovação do Plano Municipal de Cultura. Os jovens estudantes ficaram encantados com o acervo de cerca de sete mil itens do Espaço Cultural A Estrada onde é realizado o “Sarau A Estrada” que neste ano completou 16 anos de existência. Por serem de uma nova geração, as peças e objetos analógicos, como máquinas fotográficas, gravadores, máquina de datilografia, vinis, dentre outros, foram os mais apreciados pelos alunos, que também se interessaram pelos livros, as coleções de clássicos, chapéus e os quadros de fotografias retratando o homem do campo e o sertão nordestino. O “Projeto Sextou” é uma ação extracurricular que envolve diversas atividades artísticas e culturais.
MÃE-DA-LUA
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Depois das incelências,
Dos contritos benditos,
No ofício dos defuntos:
“Oh, Mãe Amorosa!
Do filho morto,
Da vida saudosa,
Ao Senhor que está na cruz”!
Que a todos nos conduz,
O corpo desceu pela rede,
Na tosca rasa cova,
De quatro velas em cada canto,
E da carne seca,
A terra dura prova.
Quando o dia gerou luz,
No alto da caatinga,
Ergueu-se uma cruz,
Nela enlaçou uma tarja,
De um luto oculto,
E a Mãe-da-Lua,
No cruzeiro pousou,
No manto da noite de breu,
Com seu canto suplicante
Que todo sertão gemeu.
Aquela apavorante melancolia,
Uivante plangente
Da nativa canora Mãe-da-Lua
Durou até o clarear do dia:
Era a morte com seu frio beijo,
Zombando do sofrer sertanejo.

























