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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

O “SEXTOU” E O “SEGUNDOU”

   Nos tempos modernos desumanos, nada civilizado, as pessoas passaram a cunhar a expressão “sextou” como forma de libertação de uma semana de trabalho, para cair na gandaia no sábado e domingo; praticar o lazer; passear com a família; ficar em casa de pernas para o ar; e, principalmente, ir para um bar tomar umas e outras com os amigos para jogar conversa fora.

   Esse “sextou”, que se tornou verbo “conjugável” irregular significa relaxar, mas muitos profissionais não “sextam” e trabalham duro nos finais de semana em hospitais, na vigilância, indústrias, como motoristas de ônibus e outros setores. Quando estava na ativa como jornalista, “sextava” meia boca porque os fatos são imprevisíveis e demandam a cobertura jornalística.

   É, meu amigo, este tal de “sextou” é bom para algumas categorias, mas, para outras é um tormento porque têm que dar duro e ficar vendo os outros curtirem. Imaginou ter que dar plantão no sábado e domingo? Tem “sextou” para aposentado? Diria que depende.

Tem o lado bom da vida, mas é no “sextou” que ocorrem mais acidentes de trânsito (nego se embriaga e sai por aí dirigindo), mortes em brigas nos botecos das cachaças em discussões fúteis, inclusive políticas e até aumenta a violência contra a mulher. É a partir do “sextou” que aumenta a criminalidade e a violência.

   Até na Revolução Industrial não havia esse negócio de “sextou” porque o homem e a mulher trabalhavam todo dia. Eram escravos dos patrões. Davam um duro danado como burros de carga, na base da chibata. Coisa era na escravidão dos negros trazidos da África!

Graças a Marx e Engels, com o Manifesto Comunista (bate na boca para falar isso nos tempos atuais), as reformas trabalhistas foram ganhando espaço e o trabalhador foi tendo suas folgas. Agora já está em processo de andamento o fim da escala 6 x 1 para vigorar o 5 x 2, só que muitos vão continuar sem “sextar”.

   A grande maioria fica alegre quando chega sexta-feira, mete o pé na jaca e esquece que tem o “segundou”. É o dia de se levantar da cama se arrastando, com preguiça, de cara amassada para retornar ao trabalho e de mau-humor para atender o cliente. Ninguém quer ouvir falar do “segundou”. Tem medo como o cão corre da cruz.

Coisa feia é nas repartições públicas onde padece o usuário. Se você tem algum problema para resolver num órgão público, melhor não ir no “segundou”! Deixa “terçar”, mas tem pepino que precisa ser cortado! É como cebola que faz arder os olhos com aspecto de choro! Todos vão aos troncos e barrancos, se bem que tem os reservados que ficam inteiros para a labuta.

  Tem gente que não queria, de jeito nenhum, “segundar”, que fosse um dia de descanso para curar a ressaca, mas aí o cara ia cair na tentação e emendar o domingo com a segunda. Trabalhar é uma obrigação para sobreviver, mas o sujeito (a) entra na segunda já pensando no “sextar”.

  Com o estudante acontece a mesma coisa. Estudar é uma necessidade para se evoluir, crescer na vida, ganhar dinheiro e ficar rico (muitos não chegam lá), mas o estudante quando entra na escola fica contando os dias para chegar as férias e faz até trapaça com os pais para furar uma aula. No primeiro de janeiro, a maioria olha logo no calendário os dias de feriados e feriadões.

  Todo mundo mesmo quer é ficar na “valsa”, no ócio, sem fazer nada, mas a vida é uma batalha que só para na morte. Tem pensador por aí que defende o ócio como filosofia de vida, mas a pessoa iria cair no vazio e a alma não aguentaria por muito tempo.

Tem o aposentado inativo que fica o dia todo numa esquina jogando dominó, assistindo televisão ou no celular nas redes sociais vendo besteiróis. Para os atuantes que procuram preencher o tempo, ainda tem o “sextou” e o “segundou”.

REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA

  Numa sessão itinerante realizada no espaço de eventos da Igreja Rainha da Paz, às 19 horas, no Bairro Patagônia, nesta última sexta-feira (dia 07/08/2026), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram diversos projetos, tendo como pauta principal a reforma do Regimento Interno da Câmara, de autoria da Mesa Diretora, apreciado em primeira votação, com emendas apresentadas pela Comissão de Legislação de Justiça.

  Outro projeto em destaque foi o selo Empresa Amiga da Juventude, de autoria do parlamentar Hermínio de Oliveira, que cria uma certificação para empresas que contribuem para a inserção de jovens no mercado de trabalho de Conquista.

 Do vereador Edivaldo Ferreira, foi apreciada a criação do Parque Multissensorial para criança com TEA. Propõe a implantação de um parque adaptado para crianças com Transtorno de Espectro Autista.

   O projeto da vereadora Márcia Viviane pretende criar o Dia Municipal de Luto e Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio. O projeto entra em primeira votação. Também de autoria da vereadora, entrou em discussão a prioridade em processos administrativos para vítimas de violência doméstica. A ideia é estabelecer tramitação prioritária para processos municipais em que figure como parte interessada pessoas com violência doméstica familiar.

  Durante a sessão ordinária foram apresentados requerimentos, moções de aplausos e 24 indicações feitas pelos vereadores, relacionados a demandas de infraestrutura, saúde, mobilidade urbana, educação zona rural e serviços públicos.  A sessão contou com grande presença dos moradores do Bairro da Patagônia e adjacências.

AS EXPOSIÇÕES DAS CABEÇAS E A POLÊMICA DOS ESTUDOS CIENTÍFICOS

 Após o massacre de Angico (Sergipe), em 28 de julho de 1938, as onze cabeças decapitadas dos cangaceiros, inclusive de Lampião e Maria Bonita, foram levadas para serem expostas em Piranhas (Alagoas), do outro lado do Rio São Francisco, onde o povo se reuniu em festividades.

    De lá, sob o comando do tenente João Bezerra, as volantes conduziram as cabeças de caminhão em latas de querosene até Santana de Ipanema (Alagoas) onde ficava o quartel das tropas chefiadas por José Lucena. A exposição macabra com discursos e comemorações teve a receptividade de quase toda população sertaneja. No entanto, muito consideraram a exposição aberrante e fora de propósito.

Quando chegaram a Maceió (Alagoas), as cabeças já estavam deformadas, mas cerca de 10 mil pessoas se aglomeraram na praça principal para ver a cabeça do “rei do cangaço”, com longas entrevistas a jornalistas de várias partes do Brasil.

O interventor do estado na época, Osman Loureiro, num discurso inflamado, glorificou as forças policiais que abateram Lampião e propôs um prêmio de cinquenta contos de reis para o contingente que fez parte do combate.

    Somente depois destas exposições, a cabeça de Lampião, principalmente, foi levada para o Instituto Médico Legal de Maceió para estudos frenológicos e antropométricos. Coube ao médico legista Lages Filho, de tendência lambrosiana, proceder as análises.

   Pelas teorias do italiano Cesare Lombroso, o crime era resultado de predisposições e de fatores individuais, ou seja, a pessoa já nascia com características próprias a ser delinquente, levando em consideração a questão racial.

  De acordo com a autora de “Lampião, Senhor do Sertão”, Élise Grunspan-Jasmin, as concepções de Lombroso tiveram influência no Brasil, tendo como expoente Nina Rodrigues, só que outros estudiosos discordaram de suas teorias. Para os seguidores de Lombroso, a degenerescência, causa principal do desvio e da criminalidade, devia-se, antes de mais nada, à mestiçagem.

    No relatório, Lages Filho descreveu a aparência externa da cabeça, a cor da pele de Lampião, amarelo-escura, o aspecto “selvagem” do rosto e a qualidade dos cabelos e da barba. Segundo ele, Lampião tinha características do caboclo sertanejo, mas era um dolicocéfalo, isto é, de origem africana, e não um braquicéfalo pertencente ao seu grupo étnico do sertão.

  Estudiosos, como Arthur Ramos, contestaram a origem africana de Lampião, descrevendo como um mulato, pele moreno-clara, nariz pouco achatado e os lábios grossos. Mesmo assim, foi ambíguo.

  “Ainda que para os criminologistas contemporâneos de Lampião, o cangaço tivesse causas estruturais, sociais, culturais, geográficas e econômicas inegáveis, os médicos-legistas e os professores de antropologia criminal buscaram desligar-se de um sistema de classificação lombrosiana e também racial”.

    Visto como mestiço-negro, Lampião foi arrancado do seu meio de origem e da sua cultura, excluído da comunidade sertaneja, enquanto se afirmava que a história daquele bandido alto revelava a história daquela região.

    De Maceió, as cabeças de Lampião e Maria Bonita foram parar no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador, localizado na Faculdade de Medicina da Bahia e depois expostas no Museu Antropológico da Bahia, do qual Estácio de Lima, discípulo de Nina Rodrigues, era diretor.

Estácio também estudou a cabeça de Lampião e não detectou traços lombrosianos, mas características típicas sertanejas. O criminalista não encontrou anomalias em sua análise antropométrica, explicando ter sido o bandido um produto do meio e com inteligência acima da média.

ISSO É COISA DE VELHO

  • (Chico Ribeiro Neto)Velho aprende a perdoar.
    Esconde feridas
    E descobre armadilhas.

    Aprende a falar manso
    Sabe o valor do descanso
    E a vida é um remanso.

    Velho aprende o detalhe:
    A mosca no pão
    A formiga no arroz
    E o que vem depois.

    Velho sabe em silêncio
    Murmura poesia.
    Pra que tanta agonia?
    O velho não olha, espia.

    (O escritor Albert Camus disse que “o pior de ser velho é não ser ouvido”).

    Velho é chato
    Com pequenas coisas que somem:
    O parafuso do sofá
    O botão do liquidificador
    A tesourinha e o coador.
    Sumiu um pé de meia:
    Velho não xinga, aperreia.

    Não mexa no guarda-roupa do velho. Tá desarrumado, mas ele sabe onde está cada peça.

    Quando viaja, o velho reclama
    Sente saudade da sua cama.
    Velho dorme depois do Jornal Nacional.

    Velho é o mundo. Eu tô aqui é passando tempo.

    Velho é ranzinza.
    Às vezes, terno.
    Velho devia ser eterno.

 

O ARQUIVO PÚBLICO E SUAS MUDANÇAS

  Alguém aí sabe onde funciona o Arquivo Público de Vitória da Conquista, que guarda milhões de documentos históricos do município? Acho que poucos conseguem responder a esta pergunta. Desde quando foi criado, em 1978, ele já passou por seis locais diferentes, como Museu Padre Palmeira, Rua Coronel Gugé, Góes Calmon, Avenida Bartolomeu de Gusmão, Rua do Triunfo e agora no final da Avenida Juracy Magalhães. Fiz muita coleta de dados para meu livro “Uma Conquista Cassada”, quando se localizava na Rua do Triunfo, num prédio inapropriado por ser insalubre e úmido. Um Arquivo Público é como se fosse uma alma viva da história de um município e não pode ficar de lá para cá mudando de lugar em lugar sob risco de perda de documentos, sem contar os estragos nas mudanças de ambiente. Tenho um acervo cultural com mais de sete mil itens e sei muito bem o quanto são prejudiciais as mudanças, principalmente com relação a livros, pastas, jornais e documentos preciosos em papel. Ele hoje está num galpão fechado, com pouca luminosidade, sem levar em consideração o problema de acesso para muitas pessoas por ser distante do centro da cidade e de bairros mais periféricos. Não que seja um local escondido, como a Biblioteca Municipal, no Conquistinha, este equipamento também tem que ter um local definitivo que não esteja mais sujeito a mudanças. Com o advento da internet, poucas pessoas procuram um arquivo público para realizar alguma pesquisa, principalmente em se tratando de jovens estudantes que desconhecem a importância e o valor histórico de uma unidade dessa natureza. Por falar em tecnologia, a Prefeitura Municipal já poderia ter apresentado um projeto de digitalização do seu arquivo, uma demanda de muitos conquistenses com os quais já conversei sobre o assunto.  Nota-se pelas imagens das nossas lentes que não existe uma placa de identificação, mas o diretor Jailson Ribeiro garantiu que em breve será colocada. Apesar de tudo, os funcionários são bem prestativos e lhe atende muito bem.

TEM DIA…

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Sempre tem um dia diferente

Mesmo na alma da gente.

 

Cada dia

Tem o seu pôr-do-sol,

Seu alvorecer,

São vários num só,

Tudo muda,

Tudo se transforma,

Assim é o nosso ser.

 

Tem o dia da alegria,

Do banzo triste,

Dizendo que você não existe,

Que faz brotar a poesia.

 

Tem o dia da caça,

Outro do caçador,

Até do escravo

Que se torna senhor.

 

Tem o dia que se quer esquecer,

Aquele que gruda na memória,

Como fotos antigas de família,

Coisas que marcam nossa história.

 

Tem o dia…

Do humano e desumano,

O sagrado e o profano.

A FRAUDE DAS ELEIÇÕES NÃO ESTÁ NAS URNAS E SIM NOS CANDIDATOS

  Nos últimos anos a oposição e alguns contestadores de plantão têm apontado que as urnas eletrônicas brasileiras são passíveis de fraudes. No entanto, entendo que a fraude está nos próprios candidatos, muitos dos quais falsários, investigados por corrupção, embusteiros e não pagadores de promessas que enganam os incautos eleitores.

  A fraude está mais no próprio sistema eleitoral que por natureza favorece os mais fortes e astutos que usam as brechas para se eleger. A fraude está no conjunto das fake news, nos políticos mentirosos, nos engomadinhos engravatados maquiados de defensores do povo e agora nas montagens da IA – Inteligência Artificial.

A urna eletrônica no Brasil foi criada há 30 anos, automatizada por uma empresa brasileira, a Omnitech Serviços em Tecnologia e Marketing, introduzida nas eleições municipais de 1996. O primeiro presidente eleito eletronicamente foi Fernando Henrique Cardoso.

   As gerações de meia idade lembram muito bem daquelas urnas analógicas ou de papel onde os votos eram introduzidos numa caixa de madeira e até de papelão frágil. Meu primeiro voto, se não me engano, foi em 1966 durante o início do regime militar, no município de Amargosa, quando fui escolhido para ser mesário na brenha de um povoado.

  Após encerrada a votação (as eleições eram municipais e para deputados), os mesários retornaram à noite no breu de uma estrada de chão, acompanhados de um ou dois soldados, com um medo danado de sofrer um assalto de algum candidato insatisfeito interessado em reverter os resultados do pleito.

   Bem antes disso, na Velha República, as fraudes eleitorais eram generalizadas pelos “coronéis” do sertão, fazendeiros poderosos e pelos chefes políticos valentões que não hesitavam em matar seus adversários para se manter no poder. Muitos votos eram anulados, urnas extraviadas e até queimadas.

   Uma eleição ganha num município valia uma patente de “coronel”, que poderia deixar de ser se perdesse. O voto de cabresto (ainda existe até hoje num esquema mais sofisticado) era disputado na base da bala, da tocaia para eliminar o chamado “inimigo”.

   O “coronel”, ou candidato, sabia o voto de cada agregado seu que trabalhava para ele. Cada urna era marcada e se sabia quem votou contra ou a favor. O “traidor” era surrado e até pagava com a pena de morte.

    Com o passar do tempo, ainda em plena ditadura militar, o esquema modernizou-se um pouco, mas os métodos eram parecidos. Permanecia o medo de se votar contra o prometido e ser descoberto pelo candidato, os cabos eleitorais e os coordenadores da campanha.

  Confesso que votava naquele que meu pai indicasse, com receio de que ele viesse a saber depois que votei em outro que não era seu coligado. Esse medo no subconsciente sempre perseguiu o eleitor até hoje como resquício da votação no papel.

  As urnas antigas nos deixaram aquele saudosismo do eleitor revoltado contra o sistema e o regime de opressão, que escrevia nas cédulas sua opção por algum personagem folclórico da cidade, no jumento do seu Zé da Carroça ou expressava sua rebeldia com “abaixo a ditadura”, dentre outros recados ousados aos políticos.

    Hoje não dá mais para se fazer isso com a urna eletrônica que o Tribunal Superior Eleitoral garante que é segura, mas a fraude está mesmo na maioria dos candidatos eleitos que usam o dinheiro e se aproveitam da concorrência desleal que o sistema oferece para quem tem mais recursos e a máquina do poder na mão.

RETORNO DAS SESSÕES DA CÂMARA

   Depois do recesso de meio de ano, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista retorna, nesta quarta-feira (dia 05/08), a partir das 9 horas, aos trabalhos das sessões ordinárias no Plenário da Vereadora Carmem Lúcia, com a discussão de vários projetos de interesse da população.

  Dentre outros, os parlamentares vão apreciar o projeto que prevê a aplicação de penalidades para o descarte irregular de entulhos, resíduos e lixo; o que garante assistência religiosa aos pacientes internados em hospitais públicos e privados; bem como a proibição à comercialização e administração de medicamentos e vacinas anticoncepcionais para cães e gatos sem prescrição médico-veterinária.

  Quanto ao descarte irregular de lixo, principalmente em terrenos vazios e abandonados, esta é a prática mais comum em Vitória da Conquista, que deixa uma péssima imagem para a terceira maior cidade da Bahia, chamada por muitos de a “Suíça Baiana”. Além de causar danos ao meio-ambiente, representa sérios riscos à saúde pública.

   Mesmo proibido por lei municipal e federal, com punições de multas e até penalidades criminais, as pessoas continuam transformando locais públicos e privados em lixeiras por falta de uma fiscalização mais rígida por parte do poder público.

    O cenário é mais grave nas periferias da cidade em terrenos de particulares que não são cercados como deveriam ser conforme já determina a legislação municipal em seu Plano Diretor. Muita gente joga não apenas plásticos em locais proibidos, como móveis, colchões, pneus e outros objetos usados e ainda toca fogo em monturos.

    Esses locais são verdadeiras fontes para a proliferação do mosquito da dengue, sem contar o surgimento de insetos, ratos e até cobras que terminam invadindo residências próximas a estes lixões. Dia desse chegaram a jogar entulhos até na Lagoa das Bateias.

  O projeto que prevê a aplicação de penalidades nesses casos já existe em lei, só que os poluidores do meio-ambiente não são punidos como deveriam ser. Trata-se de mais uma “lei morta” porque a Prefeitura Municipal tem também a sua parcela de culpa por falta de fiscais para punir os infratores, inclusive os proprietários de terrenos que não muram seus imóveis.

     Além desses projetos de importância para a comunidade, os vereadores voltam a se reunir todas as quartas e sextas-feiras, a partir das 9 horas, com apresentação de indicações, requerimentos,  moções de aplausos, notas de pesares, sessões especiais e outras atividades relativas às demandas do município.

 

AS ELEIÇÕES DA IA E OS GOLPISTAS

  Nem ainda foi dada a partida para a campanha eleitoral nas mídias e começaram a aparecer postagens da IA (Inteligência Artificial) nas redes sociais, caso da convenção do Flávio Bolsonaro onde aparece o pai falando. Tudo indica que esta vai ser a eleição da IA, como foi a do Facebook e do Twitter no passado.

   Os chamados “influenciadores” e os operadores de redes vão nos encher de IA, e aí vai ficar difícil distinguir o que é verdadeiro do falso. O Tribunal Superior Eleitoral com seus núcleos regionais sempre diz que vai monitorar e punir os falsários, mas sabemos que isso é conversa para boi dormir.

    O mundo da internet é vasto, numa terra ainda praticamente de ninguém. No máximo fazem alguma filtragem e pega alguns bodes expiatórios para mostrar, como exemplo, que seus técnicos estão atentos. É a mesma coisa do tráfico de drogas. Quando os policiais prendem uma tonelada, mais dez mil já passaram.

    Nesse sistema eleitoral arcaico e coronelista, conta quem tem mais bala na agulha, ou seja, dinheiro e máquina governamental para atrair o eleitor, a grande maioria inculta e que ainda vota por favores, sem contar a ideologia da fé religiosa de Deus, Pátria, Família e Tradição. Os nossos jovens de 16 anos estão nesse cardápio.

   Depois do advento da internet, principalmente, a eleição brasileira está muito ligada com os golpistas das bandidagens que sempre estão inventando um meio de enganar e ludibriar as pessoas. Essa gente nos passa a impressão que trabalha 24 horas por dia, fazendo a troca de plantões.

    A grande maioria dos candidatos pode ser comparada com os golpistas. A partir de agosto até outubro suas redes socais vão estar inundadas de fake news, de informações falsas, e os eleitores começam a brigar entre si, cada um defendendo a sua mentira.

  Na verdade, as fraudes não estão propriamente nas urnas, mas no que os candidatos falam uns dos outros, sem programas sérios de trabalho, mas com aqueles pacotes de promessas falsas e embalagens atrativas. O ódio e a intolerância vão aumentar, bem como os mesmos que estão aí no Congresso Nacional. A tendência é engrossar as fileiras dos fundamentalistas e dos extremistas.

   São oito países na lista da direita na América do Sul e o Brasil pode ser o nono com o dedo do Trump que saiu das profundezas dos infernos para atanazar o planeta, cujos mandatários vão aceitando suas intervenções, como aconteceu com Hitler a partir de 1933. Agora ele está matando o povo cubano de fome e deixando a ilha às escuras.

    Agora com a IA não mão, como ferramenta de sedução, num campo vazado sem o esclarecimento e a consciência política, esta vai ser a eleição dos golpistas. Não vejo nenhum “cientista político” falar neste tipo de fraude. O vilão é sempre a urna que recebe os votos a favor dos golpistas,

 

TEM DIA QUE NÃO SE DEVE SAIR DE CASA

Nos tempos atuais da pressa, das correrias e das disparadas, onde o ser humano se tornou mais individualista e egoísta, cada um por si, tem dia que não se deve sair de casa. Melhor ficar em seu canto, emburrado, banzo roendo a corda e não se falar com ninguém.

  Quando se tem um pesadelo na madrugada, acorda-se mal-humorado e é aí que se deve ficar em seu canto, mas o compromisso lhe chama. O indivíduo sai na marra, se arrastando pelos muros.

  Essa carga pesada de energias não boas faz você não resolver os problemas a contento. Parece que nada dá certo e você retorna mais constrangido, porém, tem o outro dia de renovação. É colocar a cabeça no travesseiro e esperar o amanhã.

 Quando não se está bem, você faz um esforço danado para dar um bom dia para um amigo ou conhecido. Tudo faz para não esticar a prosa. Você só quer seguir na sua e, às vezes, atravessa a rua para evitar o encontro e não ser antipático.

 Lembro bem quando morava em Salvador, pegava o “busú” e estava me sentindo agoniado. Ficava irritado quando o parceiro ou parceira do banco ao lado começava a puxar conversa e tinha uns tagarelas que não paravam de falar.

Respondia em monólogo ou mudava de lugar. Na certa, a pessoa devia me achar insuportável e intragável. Em termos psicológicos, cada pessoa tem a sua maneira de reagir e isso precisa ser respeitado.

   Tem gente que está sempre alegre e supera as adversidades. Outros têm temperamentos diferentes. No entanto, todos sofrem, inclusive aqueles que não deixam transparecer a angústia. Esses choram no recôndito de suas almas, de modo que ninguém veja.

  Nas ruas das grandes cidades, nas repartições, nos escritórios, nas praças, muitas vezes, vejo pessoas grunhindo, uivando, relinchando, latindo, miando e urrando como animais selvagens.  Tudo indica que foi minha noite mal dormida de pesadelos. Não deveria ter saído de casa para não contaminar o humor dos outros.

   A vida é assim, meu amigo, como ela é, como já disse o saudoso cronista Nelson Rodrigues. Ninguém é obrigado a entender o mal humor do outro, mas cada um sabe de si, sabe onde o sapato aperta. “Não julgue para não ser julgado”. Ninguém é igual, nem perante as leis.

   Nesses tempos cavernosos do capitalismo selvagem, o que mais nos aflige é o diabo ou o deus do dinheiro. Essa espécie animal nos persegue e é o problema maior dos pobres e da classe média. Diria que até mesmo dos ricos porque, quanto mais se tem, se quer.

    Quando se fala nele, logo se diz que é o problema de todos. Quando se vai pedir uma grana emprestado a um “amigo” ou parente, o outro chora tanto que o lascado fica com pena e mete a mão no bolso lhe dando as últimas moedas. É por essas e outras que tem dia que não se deve sair de casa.

 

 





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