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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

A QUESTÃO DA CRACOLÂNDIA EM CONQUISTA E A ASSISTÊNCIA SOCIAL

  A cracolândia em frente ao Centro POP de Vitória da Conquista, na “Conquistinha”, não é coisa de hoje, existe há uns quatro anos, mas o caso só veio à tona agora quando o pessoal saiu quebrando carros e fazendo outras arruaças nas ruas.

  Desde o início atende moradores de rua e andarilhos, começando com a distribuição de 30 quentinhas. O movimento foi crescendo e se transformou numa cracolândia, com a entrega de carca de 120 quentinhas. A grande maioria é viciada em drogas com sérios problemas sociais e familiares.

  Onde existem drogados, existem traficantes. A violência tomou tal proporção que se ouve falar da boca de usuários que tem gente enterrada na matinha que fica nos fundos do Centro POP. Onde tem fumaça, tem fogo, e isso precisa ser investigado. Quem manda no Centro é essa gente, porque os funcionários temem ser violentados. O problema é mais grave do que se pensa. 

  O interessante é que essa massa de excluídos, não somente em Conquista, que até praticam delitos e são violentos, foram crias desse sistema elitizado burguês que nunca aceitou fazer distribuição de renda para a melhoria social e redução das desigualdades.

RELOCAR NÃO É A SAÍDA

  No entanto, essa mesma sociedade hipócrita se levanta de “armas nas mãos” quando se sente incomodada e ameaçada. Não sei se é burrice, ou propósito intencional mesmo, os moradores e empresários das imediações sugeriram relocalizar o Centro POP.

  Ora, quer dizer que a solução é tirar a unidade dali e jogar para bem longe, num bairro qualquer da periferia ou dentro do mato, como se dissessem: Os pobres que se lasquem. Não é mais o nosso problema. Eles lá que resolvam suas merdas.

    Essa medida só faz transferir o problema de um lugar para o outro, livre do centro burguês que não quer ser em nada incomodado em seus negócios. A maioria está mais preocupada com as notícias ruins que vão gerar para a “Suíça Baiana”. Relocar não é a saída, nem solução.  

  Boa parte dos conquistenses, principalmente empresários e políticos em geral, não gosta, detesta e critica quando a mídia divulga notícias ruins, de cunho negativo, achando que mancha a imagem da cidade. Só quer elogios e que se jogue o lixo para debaixo do tapete.

  Essa reação é histórica e digo isso com propriedade, pois sofri muitas hostilidades quando exerci a chefia da Sucursal A Tarde. Concordo com o empresário José Maria Caires em muitas coisas, mas, como em toda cidade grande, o pobre vive suas agruras e temos nossas mazelas também. Aqui não é o paraíso.

  Tem que se buscar uma solução para o problema, mas não simplesmente relocar o Centro para as periferias. Criar casas de atendimento terapêutico sim, bem como, reforçar o efetivo policial para combater o traficante na ponta. Os empresários só estão preocupados com seus negócios? E os moradores da comunidade local, como ficam?     

  Será que o setor privado topa fazer uma parceria com o poder executivo no sentido de criar uma Casa de Recuperação, em Conquista, destinada a moradores de ruas e drogados? Existem as unidades religiosas do Creame e o Centro de Referência do padre Gilberto, em Barra do Choça, mas não são voltados para atender esse tipo específico de clientela. 

  ASSISTÊNCIA SOCIAL

  Sobre toda esta questão, vamos aos fatos quanto aos serviços de assistência social prestados pelo poder público, no caso a Prefeitura Municipal, cuja prefeita é Sheila Lemos, com subvenções de recursos da parte estadual e federal.

 Na área da assistência social, temos o Abrigo, infestado de percevejos, no Bairro das Filipinas, que atende uma média de 30 pessoas que jantam, dormem e tomam café da manhã. Por volta das oito horas são obrigados a sair e só retornam às 16 horas. É bom lembrar que nem todos são de Conquista. Tem muita gente da região e até de outros estados.

  Muitos são drogados e até com passagens pela penitenciária. Um grupo vai para o Centro POP e outros ficam nas ruas vendendo doces e objetos nas sinaleiras, não se envolvendo em bebedeiras e confusões. Alguns praticam furtos e são viciados em bebidas e drogas.

   Além do Abrigo, existe o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), também na Filipinas, com atendimento psicológico e psiquiátrico a portadores de transtornos mentais graves, inclusive para drogados. Acontece que o período de permanência para um drogado é de apenas 14 dias.

   Não é preciso ser especialista no assunto para entender que é impossível um viciado se recuperar em apenas 14 dias. Portanto, é um trabalho de enxuga gelo e recursos do SUS jogados fora. É o tipo faz de conta que trata.  

   Esse drogado, muitas vezes, sai do CAPS e entra no Abrigo que fica ao lado, com direito a 30 dias de moradia. Com apoio da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Assistência Social, existe a Casa do Andarilho que funciona no Conveima, praticamente com as mesmas funções, mas de estadia mais rápida. 

 

 

PELO BURACO DA AGULHA

   Com suas vistas turvas pelo avançado do tempo em exposição à luz fumacenta do candeeiro, lembro da minha mãe tentando, por várias vezes, passar a ponta da linha pelo fundo da agulha, para remendar as velhas calças puídas do meu pai, desgastadas pelas labutas da roça.

  Lambia o fio várias vezes com as salivas da boca e ficava impaciente, bradava e, por fim, nos pedia para passar a linha. “Êta homem desleixado, esta calça já não suporta mais remendos e ele sempre insiste em tapar os buracos. Esta calça virou um molambo” – desabafava, mas terminava fazendo mais e mais remendos.

  Quando citam aquela parábola, ou metáfora de Cristo, escrita pela Bíblia, feita pelos homens (nem sei se Ele disse isso), de que era mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus, sempre recordo da minha mãe com sua briga entre a agulha, seu buraco e a linha. 

  Muitos religiosos interpretam ao pé da letra. A agulha era um portão estreito das fortificações dos reinos e Ele não quis dizer que o rico ia para os quintos dos infernos. Tudo indica que se referia aos avarentos, soberbos e exploradores dos pobres.

  Desde o princípio da fundação do cristianismo, lá pelos anos 300, a cultura da Igreja Católica sempre foi de consolar o pobre, ser temente a Deus, a tudo aceitar com resignação e sofrimento, pois teria a recompensa dos céus. Era a cultura do comodismo.

  Mas, voltando ao assunto dos remendos nas roupas e da dificuldade da minha mãe, com suas vistas curtas, em ter que passar o fio no buraco da agulha, essas coisas não existem mais nos tempos de hoje. Nem o povo roceiro trabalhador do campo faz mais isso.

  Nada de remendos, com as facilidades nos tempos atuais e a onda do consumismo, até o sertanejo está sempre renovando suas vestimentas, e as esposas não precisam fazer esse trabalho de ficar passando a linha no funda da agulha para costurar os rasgões.

   Quanto ao meu velho pai, naquela época, quando a calça estava nas últimas, sem lugar para mais remendos, de tanto minha mãe reclamar, ele juntava uns trocados e comprava uma “fazenda de pano”, um brim ou uma mescla, como assim era chamado.

   Ficava alegre quando ia à feira ao sábado ou domingo e comprava um corte de calça na loja ou na banca de um mascate. Era uma satisfação danada e estava sempre mostrando o tecido. Apreciava sua textura e a cor por várias vezes.

   – Amanhã cedo vou levar ao seu “Tonho”, o alfaiate das redondezas, para fazer uma calça. Esse pano é bom e bonito – repetia até enjoar. Ficava em pé com esmero para o costureiro tirar as medidas certas e fazia mil recomendações. Procurava saber o dia que o serviço ficava pronto e contando os dias.

   Ah, quando sobrava uns trocados a mais, ele adquiria dois cortes de “fazenda”. Um mais rústico era para a labuta na roça e enfrentar os garranchos. O outro era para uma festa, uma visita aos compadres e, principalmente, para ir à missa na cidade ou nos povoados.

   Quem ficava mais contente com isso era minha pobre mãe, pois ia, pelo menos, passar um certo tempo sem ter que ficar tentando, por várias vezes, passar o fio da linha no fundo da agulha para remendar a calça, ou a camisa.

Para quem não tem uma visão boa, não é fácil enfiar a linha no fundo da agulha. Não resta dúvida que é um desafio, assim como outros na nossa vida do dia a dia.  Mesmo esbravejando, minha mãe não desistia e, às vezes, pedia ajuda. Hoje temos outros obstáculos a enfrentar e muitos desistem nas primeiras dificuldades.    

    

 

O 1o DE MAIO NÃO É MAIS O MESMO

   Há uns 40 ou 50 anos, o 1º de Maio era comemorado no Brasil com grandes manifestações e protestos nas avenidas e praças, com bandeiras, faixas e cartazes onde a ordem era o grito de reivindicações por melhorias trabalhistas. Além de trabalhadores, intelectuais e artistas, os estudantes se uniam por uma mesma causa.  

  Com o tempo, as elites burguesas empresariais, lideradas pelos políticos, esfacelaram os movimentos, enfraqueceram os sindicatos e as centrais com suas reformas escravagistas. Nos últimos anos temos uma comemoração pálida e fora de tom, com shows musicais, comilanças de churrascos, distribuição de prêmios, corridas de maratonas e festas de lazer nos parques.

  Poucos grupos ainda se reúnem para reviver aquele passado que seguia e ainda segue o mesmo ritmo dos movimentos reivindicatórios espalhados por várias partes do mundo, com ordens de justiça social e menos exploração da mão-de-obra.

   É triste de se ver o 1º de Maio do Brasil de hoje, com sua cara alienada, recolhida e oprimida em seu canto, com alguns eventos desafinados em relação à data maior do trabalhador, onde é o patrão que dita as regras, e os operários, sem uma representação digna, baixam humildemente a cabeça.

  Bastam ver as imagens das manifestações nos países europeus, asiáticos e outros continentes e compará-las com as do nosso país. A diferença é gritante. Até parece que aqui vai tudo bem e é um paraíso do bem-estar, da igualdade social e da valorização do trabalhador.

  O ponto principal é o fim da escala 6 por um (milhões de funcionários públicos já têm a escala 5 por dois), como se o resto estivesse em mil maravilhas. Milhões vivem na informalidade, outros milhões trabalhando sem carteira assinada e ocupando várias funções, num regime forçado de escravidão.

 É bem verdade que temos mais mulheres no mercado de trabalho dando duro para ganhar o pão de cada dia, mas recebendo menos que os homens que já têm um salário mínimo e trabalham mais. Quando falo de mulheres, não quero aqui entrar no mérito da cor da pele. Prefiro voltar meu olhar para a meritocracia e a capacidade.

 O Ministério do Trabalho só se ocupa de divulgar estatísticas, muitas delas maquiadas. Não existem mais agentes nas cidades para fiscalizar as empresas urbanas e rurais. Os acordos são ditados pelo capital selvagem, os intermitentes ganham umas migalhas de vez em quando e o trabalhador se submete aos ditames dos senhores para não perder o emprego.   

  O quadro é desolador e não adianta aqui colocar pontos de vistas ideológicos marxistas, com pensamentos acadêmicos intrincados que poucos vão entender. Melhor estampar o quadro da realidade brasileira do atraso, da submissão, dos discursos arcaicos que destoam de um povo que parece ter se entregado à própria sorte, tendo como âncora a religião do Deus que assim quis.

   Só para dar minhas últimas pinceladas, o Dia do Trabalho surgiu em 1886, nos Estados Unidos (hoje humilhado e vivendo sob um regime autoritário), após uma greve geral em Chicago onde milhares de trabalhadores exigiam a redução da jornada para oito diárias. Na época chegavam a 17 horas. O movimento ficou marcado pela repressão com mortes e prisões. Foi a chamada Revolta de Haymarket.

  Na verdade, foi a Segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, em 1889, que transformou o 1º de Maio em um dia de manifestação internacional pela redução da jornada de trabalho e homenagem aos mártires de Chicago. No Brasil só foi oficializado em 1924 (sempre estamos atrasados) pelo presidente Artur Bernardes e ganhou força na Era Vargas.       

UM LAMPIÃO MULTIFACETADO

   Em seu livro “Lampião, o Rei dos Cangaceiros”, o escritor Billy Jaynes Chandler, diplomado em bacharel na Austin University, com mestrado em Texas e doutorado na University of Flórida, com base em matérias de jornais nordestinos da época, documentos de arquivos públicos e entrevistas, descreve um Lampião multifacetado, cruel, perverso, estrategista, tocador de sanfona, letrista, com sede de vingança, às vezes contestado pelos companheiros e até generoso em algumas ocasiões.

  Às vezes, Lampião era como um raio, em outras, como uma nuvem passageira de chuva fina, com seu jeito matreiro de espião vasculhando sorrateiramente o terreno para depois dar o bote fatal. Em paz, com gestos humanitários, se sentindo como um governador do sertão, era recebido como um rei, uma celebridade famosa que arrastava multidões por onde passava.

  Um exemplo dessa sua arte foi sua visita à cidade sergipana de Carira, digna de nota, isto no início de 1929. Lampião e seu bando de sete chegaram montados em mulas. Dos seis soldados, quatro fugiram. Foi recebido pelo chefe de polícia em sua casa, que, ao seu pedido, serviu um jantar.

   Lampião mandou cerveja e cigarros para os dois soldados que ficaram na delegacia. Elogiou-os pela coragem e disse que só estava ali para conhecer o estado. Beberam e cantaram. Para onde os cangaceiros iam, uma multidão os acompanhava.  Lampião era alvo de atenção e admiração de todos. Sua cartucheira tinha dois palmos de largura e continham quatro fileiras de cartuchos, e duas mais de botões de ouro e prata.

 Falou da sua vida e indagou sobre as cidades dos arredores e quantos soldados possuíam. Como não tinha sanfoneiro para tocar e fazer uma festa, horas depois pegaram suas mulas e partiram.

“GOVERNADOR DO SERTÃO”    

  Em suas andanças pelos sertões de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia, o cangaceiro que mais estados transitou no Nordeste, foi alvo de grandes façanhas e até chamado pela imprensa de “Governador do Sertão”, mas também sofreu fracassos e decepções.

   Seu maior erro foi ter tentado invadir Mossoró, no Rio Grande do Norte, e sua maior glória foi sua visita triunfal ao padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço”, em Juazeiro do Norte, em março de 1926, quando de lá saiu cheio de munições do exército e com uma patente de capitão (não oficial), integrado aos “Batalhões Patrióticos”, para combater a marcha de Luis Carlos Prestes, cujos soldados eram chamados de revoltosos.

   Depois de uns aconselhamentos do padre, Lampião saiu de lá, passando por Barbalha, no encalço de Prestes, até pensando em se regenerar e deixar de vez o cangaço, mas quis o destino que mudasse de ideia depois de sofrer perseguições das volantes de Pernambuco.

  Sua ira voltou à tona com mais força, e entre 1926/27 foi o período em que Lampião mais se mostrou facínora, vingativo, violento, com vários ataques a vilas, povoados e deixando para trás um rastro de mortes, com requintes de perversidades.

 O governador de Pernambuco, na época, Estácio Coimbra, resolveu realizar uma perseguição implacável ao “rei do cangaço” a partir das prisões dos coiteiros, aqueles que não tinham muita influência e força no cenário político da região, como os grandes fazendeiros, coronéis de prestígio e chefes políticos.       

   Lampião enfrentou várias batalhas com até 100 homens contra forças compostas de 400 e 500 soldados, mas no final dos anos 27 e início de 1928, foi se enfraquecendo, dividiu seu bando em várias partes para confundir a polícia até se decidir atravessar o Rio São Francisco e se internar na Bahia.

  Quando estava com força e incensado pela imprensa, teve a ousadia de propor ao governador de Pernambuco uma divisão do estado onde ele se tornaria governo a partir da cidade de Arcoverde. Claro que o governador não o levou a sério e botou mais soldados em seu encalço.

  Com seus momentos de bondade e crueldade, enfrentou os espinhos cruentos da caatinga, fez festa, passou fome e sede, mas teve seus momentos de fartura quando se banqueteava com grandes fazendeiros e coronéis aliados. Esperto, subornou oficiais que fizeram vistas grosas e compunham sua rede no tráfico de armas e munições que sustentavam suas lutas e embates.

  Em sua obra, Billy Chandler escreve sobre O banditismo no Sertão, Virgulino, Lampião, Capitão Lampião e o Padre Cícero, Serra Grande, Mossoró, Queimadas (Bahia), Maria Bonita, A Campanha e os Coiteiros, Em Sergipe com o Governador Eronides, A Grandeza de um Homem, Angicos e um Bandido Social?

SERRA GRANDE

  Entre suas invasões, mortes, queimadas de casas e currais, extorsões, sequestros de reféns, fugas e batalhas, vamos falar um pouco sobre “Serra Grande”, uma terrível carnificina, relatada pelo autor do livro, lançado pela editora Paz e Terra, em 1981. 

   Durante os meses de abril e maio de 1926, Lampião e seu bando, como relata Billy, limitaram seu campo de ação à fronteira entre Pernambuco e a Paraíba, com assaltos a vilas. O pior ataque foi em Algodões, um lugarejo perto da estrada de rodagem de Recife. O bando saqueou as pessoas, casas comerciais e estupraram mocinhas e senhoras.

  O mais bárbaro e sangrento foi perto de Serra Grande em final de novembro de 1926. O major Teófanes Tores, o mesmo que prendeu o cangaceiro Antônio Silvino, e era suspeito de traficar armas e fazer corpo mole, preparou um ataque com 295 soldados contra cerca de 100 de Lampião.

   Contam que foi a maior batalha daquele tempo. Como estavam sendo perseguidos, os cangaceiros atravessaram a serra íngreme e armaram uma emboscada em condições de acabar com a tropa. Foi difícil quebrar a resistência do “terrível general do cangaço”.

    O combate começou por volta de nove horas da manhã e só terminou na escuridão, deixando 10 soldados e seis cangaceiros mortos, além de dezenas de feridos. O major não estava presente e quando resolveu chegar com mais reforços, a luta já havia terminado com a fuga dos cangaceiros.     

      

O VOO DA FEIJOADA

(Chico Ribeiro Neto)

Sempre gostei das seções de achados e perdidos, onde você vê de tudo. Além da vergonha, as pessoas perdem as coisas mais incríveis. Guarda-chuva e sombrinha, nem fale. Uma vez li que no setor de achados e perdidos de uma grande loja uma dentadura se encontrava à espera do dono.

Tem gente que perde documento, cachorro, gato, perde até o menino.

Na década de 70, Osmar Macedo, o criador do trio elétrico ao lado de Dodô, aparecia com uma sacola na Redação do jornal A Tarde, depois do Carnaval. Levava documentos (identidade, carteira funcional, carteira de habilitação, etc.) que os ladrões arremessavam para dentro do trio elétrico, que era bem mais baixo do que atualmente. Alguns ainda gritavam ao atirar o documento: “Segura aí, Osmar!” Ladrão não gosta de ficar com documento de quem roubou, pois o compromete. Procura logo se desvencilhar dele.

O jornal A Tarde publicava a relação dos documentos trazidos por Osmar e os interessados iam pegá-los na Redação.

Algo me fez lembrar a crônica “Calcinhas Secretas”, de Ignácio de Loyola Brandão. Um cara compra calcinhas baratas no camelô e, secretamente. as espalha pelos cinemas durante a sessão. Ao final do filme, assiste às reações dos espectadores e funcionários.

“Esgotados os cinemas do centro, ele foi para o shopping. Os resultados foram melhores. No primeiro dia, deu a maior repercussão. Um pai ia sentar-se com as filhas, percebeu a calcinha no chão. Chamou o gerente, chamou todo mundo, fez escândalo, chamou o administrador do shopping, gritou que ia processar, retirou-se empurrando as jovens que riam, excitadas”, diz a crônica.

Em avião não se serve feijoada. A comida foi junto com a bagagem. Uma feijoada despachada de Salvador para Curitiba.

Há alguns anos, a jornalista Sônia Araújo recebeu em Salvador um casal amigo de Curitiba.  “Caprichei numa feijoada, gostaram muito, aí prometi mandar uma depois”. Eles não acreditaram muito.

Sônia embalou a feijoada para 5 pessoas muito bem embalada e despachou o pacote de avião para Curitiba. Dois dias depois, nada de chegar. Somente no quinto dia foram encontrar o delicioso pacote: estava num depósito do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, onde o avião fez escala.

Feijoada perdida, Sônia pediu indenização à empresa de aviação. Recebeu a grana e comentou: “O dinheiro dava pra fazer umas dez feijoadas da que mandei”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

FIAÇÕES NAS REDES

Como se não bastassem os matagais nos terrenos abandonados pelos proprietários, a buraqueira nas ruas, poluição sonora dos carros de som, com músicas do tipo bate estaca, locais de lixo que servem como fonte para a procriação dos mosquitos da dengue, além de outros transtornos que temos que conviver na cidade grande, temos o emaranhado de fios na rede elétrica da Coelba, um risco de vida. É o preço que se paga pelas negligências dos órgãos e poderes públicos. Aqui mesmo no final da Avenida Sérgio Vieira de Melo, há dias deixaram um amontados de fios na rede, num poste esquisito onde tem uma parafernália e uma luminária no meio. Por achar tudo estranho, ligamos para a Coelba e, por incrível que pareça, a atendente recomendou que a gente procurasse a polícia. O que tem a ver a polícia com isso? Só pode ser gozação! Nessa rede, cada um instala aparelhos clandestinos, fiações e outros trambolhos, e a Coelba não toma providências. Outro problema é a queda constante de energia nesta área próxima do tormento de uma sucata que é um verdadeiro atentado à saúde pública, com barulho de máquinas, poluição, local de ferros velhos que servem de coito de ratos, mosquitos e animais peçonhentos. O cidadão paga imposto alto e não tem o direito de reclamar, além de ser tratado com deboche, como fez a atendente da Coelba quanto ao monte de fiação no poste. Quando ocorre o pior, ninguém é responsável. Cada um empurra o problema para o outro.

CORPO FECHADO

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Meu fuzil faísca,

Como relâmpago

Em noite de luar,

Nos engaços do açoite,  

Não fiz pacto com o demo,

Na encruzilhada da meia-noite,

Nem com o boi preto marruá,

Carrego em meu emborná,

Meu “Lunário Perpétuo”,

Minhas missangas e rezas,

E meu amuleto patuá.

Meu corpo é fechado

Pela “Pedra Cristalina”,

Pelo “Salvador do Mundo”,

No olhar da doce menina,

Pela força prodigiosa,

Das “Virgens das Virgens”,

Mãe sublime amorosa.

Como bandoleiro dos sertões,

Respeito minhas crendices,

Nas coisas das minhas raízes;

Ouço o estalar do graveto,

O piar das perdizes,

E o pulsar dos corações,

Nas “Treze Palavras Ditas e Retornadas”,

Nas preciosas pedras das lavras,

Do Nosso Senhor Jesus Cristo,

Nos combates e persigas,

Assim nem sou visto;

Pelas forças inimigas,

Rezo a Santa Catarina,

Para Heli, Heli!

Que proteja minha sina.

A prece de Deus Padre,

Leio na manhã de sexta-feira,

No clarear de uma vela,

Ao lado da minha cartucheira,

Se molhar meu papel,

Será minha sentinela.

Não me picam os cascavéis,

Espremo doze limões,

Numa gema de ovo;

Não me separo de meus anéis;

Não posso esperar a hora,

Tomo tudo de uma vez,

Antes do deus sol,

Botar a cabeça de fora;

Não monto em cavalo russo;

Não tolero pilhérias,

Antes de ficar confuso,

A bebida é para doenças venéreas.

Para não perder a tezão,

Farinha na água do sereno,

Mata qualquer veneno.

Para mula e sezão (paludismo),

Cavo um buraco no chão,

Fecho com areia ou barro,

Em cima um feixe de lenha,

E digo a minha senha:

“Sezão ti interro aqui,

Ti afasto de mim,

Tu só torna vortá,

Se di novo eu aqui vim”.

Para catarro, água dormida,

De casca de angico,

Dor de barriga, alixi paregóro,

No chá de Pai Pêdo – cidreira,

O cabra fica bom de carreira.

Tripa furada de bala,

Fedeu a cocô, fedeu a cimitêro,

Vai direto para a vala.

Lesões pulmonares,

Com falta de ares,

Nada de rede,

Só esteira de chão duro;

Não pode cantar e falar,

Pra tudo ficar bem seguro.  

Para ter corpo fechado,

Não quebre o resguardo,

Não pise em rastro de corno,

E é por isso, seu doutor,

Sem o nosso Redentor,

Tem moléstia de supetão,

Espalhada nesse mundão.

Se está doente,

Livre-se de carne fresca,

De mulher descascando mandioca,

Se afaste da alcoviteira,

Da proxeneta alcagueta,

E longe da fofoqueira.   

Para ter corpo fechado,

Neste mundo moderno,

Não existe reza e remédio,

Esconjure o bandido tarado,

Que rouba o nosso trocado.

Livrai-nos desses demônios satanais,

Cangacistas e corruptos salafrários,

Jagunços, capangas e sicários,

Cães loucos dos verões e invernos,

Vão todos queimar suas almas,

Nas labaredas dos quintos dos infernos.   

   

A CAATINGA É MÁGICA E MISTERIOSA

HOMENAGEM AO DIA NACIONAL DA CAATINGA

  Quando falamos da caatinga, logo nos lembramos do Nordeste, do homem retirante do seu torrão natal para fugir das secas, do rei do Baião, Luiz Gonzaga, com suas canções, de Patativa do Assaré, de Catulo Cearense, da lua enluarada, dos grandes cancioneiros, trovadores e repentistas, de Lampião, dos cangaceiros nos embates e cortando espinhos para fugir das volantes, da marcha de Luis Carlos Prestes e da terra árida.

 A caatinga também nos faz lembrar do isolamento da sua gente durante séculos, dos coronéis opressores dos oprimidos, dos grileiros da terra, dos chefes políticos mandatários, dos jagunços e pistoleiros, das homéricas brigas entre as famílias, das injustiças sociais contra o povo, do misticismo, das crendices e messianismo religioso, do homem forte e valente e até do sangue jorrando das vinganças.

  Você é única e não está em nenhum outro lugar, mas também tem suas subdivisões, suas características próprias, ás vezes mais agreste, fechada, mais rala, com árvores baixas e outras altas e até pedregulhosa, com suas colinas, morros e um pôr-do-sol encantador, poético e sublime.

  Ah minha caatinga onde nasci e me sinto com orgulho em ser seu filho legitimo! Você é mágica e guarda seus mistérios, lendas e mitos, cinzenta nas secas e florida nas chuvas, quando de si exala o cheiro da terra. Nas aguadas, a flora dá sua flor e a bicharada faz sua festa. Você é a única no mundo onde o sertanejo é o desbravador, valente e destemido.

  Dia 28 de abril é comemorado o Dia Nacional da Caatinga, instituída para conscientizar sobre sua preservação, mas, infelizmente, continua sendo devastada e, em alguns lugares, se tornou desértica onde a terra vira sal.

Seu nome, do tupi-guarani, significa mata-branca, devido a cor da vegetação durante as estiagens. Possui mais de cinco mil espécies diferentes e exclusivas. Lá estão o juazeiro, a jurema, o umbuzeiro, que gera o saboroso fruto e água de suas raíses, a macambira, a baraúna, a aroeira-do-sertão, o angico, a catingueira, a barriguda, a quixabeira, a palma, o cacto e o imponente mandacaru, o mais resistente e símbolo da região.    

  O dia também foi criado para homenagear o professor e ambientalista João Vasconcelos Sobrinho, pioneiro nos estudos ecológicos no Brasil. Pena que atualmente, conforme as pesquisas, tem sido o bioma onde mais se desmata e o que mais perde sua vegetação, mas é nordestina com todo seu potencial cultural que encanta o Brasil e o mundo.       

PREFEITURA MUNICIPAL CRIA MAIS CARGOS E AUMENTA AS DESPESAS

   Num cenário onde o município de Vitória da Conquista necessita da implementação de projetos estruturantes, como macrodrenagem para escoamentos das águas provenientes das fortes chuvas, melhorias no transporte urbano, limpeza e tapagem de buracos na cidade, o poder executivo envia um projeto-de-lei à Câmara de Vereadores onde cria 74 cargos comissionados, elevando as despesas anuais em mais de três milhões de reais.

  Esse projeto foi aprovado ontem (dia 29/04/2026) em primeira votação pelos parlamentares durante a realização da sessão ordinária, que analisou o PLC de número 05/2026 que reestrutura e altera a denominação da Secretaria Municipal de Governo, passando a se chamar Secretaria Municipal de Governo e Participação Social, além de estabelecer sua organização administrativa.

   Foram também discutidas as propostas de substituição de sinais sonoros convencionais por músicas adequadas nas unidades de ensino da rede municipal, visando a inclusão e o bem-estar dos estudantes, especialmente aqueles com Transtorno do Espectro Autista; a que trata do gerenciamento adequado de resíduos sólidos gerados em eventos públicos, privados e mistos, bem como a inclusão do símbolo mundial da fibromialogia nas sinalizações de atendimento prioritário e vagas reservadas. 

   Quanto ao projeto que cria mais cargos comissionados e eleva os gastos, foi alvo de polêmicas e críticas por parte dos vereadores, principalmente da oposição, argumentando ser legal, mas imoral diante da atual situação carente de mais investimentos de infraestrutura no município.

  Os parlamentares da situação que votaram no projeto, como Edivaldo Ferreira, justificam que se trata de qualificação na gestão municipal visando melhor atender os usuários, o que não convence, conforme rebateu a vereadora Viviane Sampaio. Ela afirmou que a Prefeitura Municipal vem realizando mudanças de nomes de secretaria, criando umas e desmembrando outras e até agora não se tem registrado melhorias palpáveis para a população.

   O vereador Ricardo Gordo subiu à tribuna dizendo que estava ali em defesa do povo. Ele fez um desabafo de que não tem recebido o devido apoio do seu grupo político, mas somente cobranças. Relatou que chegou a Conquista em 1995. “Em 2000 ingressei na política e só sirvo ao meu grupo”. No entanto, ressaltou que ninguém liga para saber se estou precisando de recursos para realizar meus projetos.

  O parlamentar Andreson destacou que vem trazendo pautas importantes para Conquista. Na ocasião, se referiu ao campeonato interbairros realizado domingo passado no Jardim Valéria com muita integração.  “Uma pena que ao longo dos anos os desportistas conquistenses ainda não têm espaços adequados para as práticas esportivas, principalmente para nossos jovens”.

   A vereadora Gabriela Garrido falou sobre o Dia da Dança que valoriza a nossa cultura e parabenizar os artistas do setor. “A nossa cidade tem crescido em termos de eventos que geram resíduos sólidos e precisam de regulamentos para não agredir o meio ambiente”.       

NA DISPUTA DE QUEM MAIS GRITA E A “RACHADINHA” DE CONQUISTA

   Com tantos escândalos, extremismos, radicalizações, máfias e falatórios imbecis, principalmente desses evangélicos conservadores moralistas que usam o nome de Deus, pátria e família em vão, confesso que ando entediado em falar de política. Sobre excrementos, do tipo Trump e outros da mesma linha em nosso país, melhor dar descarga e depois jogar creolina para desinfetar.

   As eleições, que significam mudanças para pior, estão chegando na base da gritaria. Sinto que toda ela vai ser pautada no grito. Quem falar mais alto, leva seu troféu, e meus ouvidos não são pinicos. Não tenho mais idade para isso. Lá se foram os projetos e programas para melhorar a cara amassada e ressaqueada desse nosso Brasil.

   As instituições dos três poderes estão desgastadas, desmoralizadas e até infiltradas de bandidos. O próprio Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o guardião da nossa Constituição, está pisando na casca da banana, ou com o pé na jaca, diante das más condutas de muitos de seus membros.

  Deixou de ser técnico, isento e imparcial para ser político. Basta acompanhar o caso do Banco Master. Todos os órgãos estão infestados de corrupções. Encontrar um setor limpo neste país é o mesmo que achar uma agulha no palheiro.

 O brasileiro vive num corredor polonês, só levando porrada, e não se tem a quem apelar, a não ser para o Papa. O povo está cada vez mais alienado, ignorante e acreditando nos falsos profetas de Deus. O pobre lenhado, os oprimidos e os mais discriminados se transformaram em direitona.

 No campo internacional, temos o cachorro louco do Trump que a mídia fica todo dia analisando seus excrementos e ainda se submete a participar de uma festa de gala com ele, justamente o cara que a abomina. Como dizia o cancioneiro baiano Raul Seixas, o jornalista quer é bajulação. Regredimos ao primitivismo bárbaro.

  A NOSSA ALDEIA

   Mas, vamos deixar o campo nacional e internacional dos facínoras e tiranos, para falarmos da nossa aldeia de Vitória da Conquista, onde imbecis o chamam de “Suíça Baiana”, sem cultura, de periferias de pobreza e miséria, ruas esburacadas, carente de projetos de infraestrutura, destruidora das nossas tradições populares, como o São João, cracolândia e outras mazelas.

   Bastam de tantos bairrismos e glorificações baratos! Vamos encarar a nossa realidade na busca de melhorias. Que “Suíça Baiana” é esta que deixa seu único campo profissional de futebol em estado lamentável, que não pode ser usado pelo único time que poucos apoiam?

   Agora mesmo fomos surpreendidos com a denúncia de “rachadinha”, ou rachadona” praticada pelo vereador Dinho dos Campinhos (não é somente ele) e nesse pirão tem mais osso. As “rachadinhas” na Câmara não são novidades.

Enquanto isso, cada um está mais preocupado em defender seus lotes de eleitores pobres, ou seus currais, como nos tempos do coronelismo, para indicar obras e se esquece dos macros problema do município. A maioria dos discursos é na linha das indicações. Vereador virou construtor de obras.

Essa política brasileira inverteu as funções entre legislativo e executivo. Esse maldito Congresso Nacional é o maior exemplo disso. Além das bandidagens, as emendas parlamentares são uma farra, e os ratos fazem suas festas com o nosso suado dinheiro. O governo faz de conta que governa, e o legislativo faz de conta que legisla.

  UM REPRESENTANTE DA CULTURA

  Em Conquista, de 21 cadeiras, passamos para 23, com a demagogia de que o aumento desse número representaria mais benefícios para a população. Uma deslavada mentira e demagogia. A partir de 2025 aumentaram seus salários de R$12.025,40 para R$18.742,91, elevação de cerca de 55,86%, comparado ao período de 2013 a 2024.

  A verba de gabinete é de 50 mil reais, representando um aumento significativo no custo do legislativo municipal. O dinheiro é destinado a gastos com contratação de assessores, aluguel de escritório e outros itens. Tem ainda a proposta do ticket alimentação de R$1.800,00 para os vereadores. Absurdo dos absurdos. Vivemos numa sociedade degenerada onde o anormal se tornou normal, e o imoral em legal.

  Por sua vez, a esquerda de outrora continua com sua linguagem e discurso arcaicos que não alcançam mais as massas. Suas bases foram esquecidas. Da cachaça, passou-se para o uísque. Uma ala também acha que vale a pena elevar o seu grito de guerra para superar a extrema direita.

   Dentro de mais dois anos temos eleições municipais e precisamos preparar o terreno para um nome alternativo a fim de derrubar este esquema destruidor que aí está. Os intelectuais, os artistas em geral, estudantes, professores e todo setor cultural, principalmente, precisam se conscientizar e se unir para apresentar um nome alternativo, para mudar esse quadro de terra arrasada dessa falsa “Suíça Baiana”.

   Está na hora dos movimentos culturais em geral deixar suas diferenças ideológicas de lado, suas vaidades, individualismos, suas brigas internas e unir forças para apresentar um nome forte, sério, idôneo e que seja à altura do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 400 mil habitantes.        





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