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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

O RONCO DAS GRANDES CIDADES

    Na louca correria do dia a dia dos problemas, até acho que ninguém nunca parou num jardim, em um banco de uma praça, para ouvir o ronco ensurdecedor nos centros das grandes cidades ou metrópoles. Com o tempo, as pessoas vão ficando surdas e, de tão entorpecidas, não conseguem ouvir nada ao seu redor.

  Ao comentar sobre este assunto, um músico amigo meu me disse certa vez que harmonizando  bem as batidas com os gritos e sussurros de gente conversando nos passeios, o ronco dos motores e as buzinas dos veículos, as britadeiras e furadeiras nos asfaltos, as sirenes das ambulâncias e dos carros apressados da polícia, os sons das propagandas, os anúncios dos ambulantes e os megafones nas portas das lojas dariam para compor uma sinfonia.

   Não quis muito questionar porque não sou do ramo, não é minha especialidade, mas respondi que ficaria uma sinfonia desafinada, no que ele retrucou afirmando que, com uma letra adaptada ao tema numa boa gravadora, daria uma bela melodia da vida. Acrescentou ainda que a IA faz tudo isso hoje.

    Fico aqui imaginando que um músico, ou maestro, poderia juntar todos as batidas desses sons das grandes metrópoles e fazer a partitura de um concerto. Poderia render um rock, um folk, um axé music tipo “bate estaca”, um country ou até mesmo um samba brasileiro autêntico. Não sei se daria um forró, mas tudo dependeria da composição.

   Pelo menos me livraria daquele trauma quando sou obrigado a sair da minha casa para ir ao centro de Vitória da Conquista resolver “pepinos”, principalmente em repartição pública. É tanta preocupação que nem consigo dormir direito na véspera.

   Minha vida foi uma loucura infernal em Salvador, pra lá e pra cá, como um doido para ganhar dinheiro, mas, com o passar do tempo, a idade bateu forte que não suporto mais as grandes cidades. Meu desejo é me recolher em meu insignificante canto, isolado de tudo, num buraco qualquer.

   Prefiro o mugido da vaca, o relinchar dos equinos, os uivos dos coiotes, os latidos dos cachorros e raposas, o cantar do galo na madrugada e dos pássaros no campo do que o barulho das grandes cidades. O som dos animais e as cantorias dos adjutórios lembram minhas raízes telúricas.

   Como agora quase tudo é na base da senha, fico irritado com a zoeira das fofocas e besteiróis dos compadres e comadres esperando pacientemente seus momentos de serem chamados. Pior ainda é ter que ficar de olho no painel, com a voz de uma mulher, ou sei lá quem, avisando senha PNH 124, mesa 13.

Para ter menor impacto nos meus nervos, que não são mais de aços como antes, levo um livro para ler, só que não consigo mais me concentrar. Ou leio ou fico de olho na tela! Deveria ter uma lei aprovada pelo Congresso Nacional, o mais caro do mundo, proibindo a frequência de idosos nesses lugares.

   No entanto, como o Estado é masoquista, tirano e maquiavélico, quanto mais matar o velho lentamente, melhor, porque é menos um custo previdenciário. É um alívio quando cai mais um atestado de óbito no INSS, mas sempre tem um herdeiro.

  O plano dessa gente do poder vai nessa direção, tendo em vista que as pesquisas dão conta que em pouco tempo vamos ter uma população maior de idosos no Brasil. Os caras já estão fazendo as contas e apertando o cerco.

  Parece que fugi um pouco da questão do ronco das grandes cidades. É meu marrento hábito de ir alinhavando um assunto com um outro, mas acho até que uma coisa tem a ver com a outra.

Bem que os músicos do Sarau A Estrada poderiam se reunir para fazer o som, o ronco ou a louca sinfonia dos centros das grandes cidades. Será que daria uma boa melodia? Poderia até juntar com os sons dos bichos da zona rural.

  Para fazer um teste, é só ficar ali por uns tempos na Praça Barão do Rio Branco, na Nove de Novembro e imediações. Eu até me prontificaria contribuir com alguns versinhos, e aqui em nosso meio o que não faltam são poetas e poetisas inspirados.

  O que acham disso Itamar, Viviane, Luis Altério, Dal Farias, Carlos Maia, Manno Di Souza, Baducha, Dorinho, Jânio Arapiranga, Fabrício, Nery e, enfim, todos estradeiros da vida? Vão dizer que estou é ficando caduco, lelé da cuca!

SIMPLIFICAÇÃO DAS LICENÇAS

  A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vitória da Conquista desta quarta-feira (dia 10/06) vai debater diversas propostas e projetos, entre os quais, a apreciação que autoriza a criação de um procedimento simplificado para renovação das licenças sanitárias de clínicas e estabelecimentos de baixa e média complexidade médica, buscando reduzir a burocracia e dar mais agilidade aos processos.

  Também estará em pauta a discussão do projeto que institui a Política Municipal de Conscientização Climática, Sustentabilidade e Mobilização Social diante dos impactos da crise climática, com foco na educação ambiental, preservação dos recursos naturais e fortalecimento de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável.

   Na ocasião, fará uso da Tribuna Livre o representante do Lar da Misericórdia, João Paulo de Oliveira de Souza, que abordará temas relacionados à política voltada à população em situação de rua e às potencialidades e fragilidades do Centro POP.

  Serrão ainda analisadas as indicações encaminhadas ao poder executivo municipal, além de requerimentos e moções de aplausos apresentados pelos parlamentares que farão seus pronunciamentos durante a sessão, marcada para ser iniciada a partir das 9 horas da manhã.

CERTIFICADO DE BATISMO

    No Brasil rural e no Nordeste arcaico, principalmente, até meados do século XX, o documento mais valioso para as famílias era o Certificado de Batismo, o primeiro que os pais se preocupavam em tirar quando os filhos nasciam. Os mais antigos sabem muito bem disso.

   A escritora Élise Gruspan-Jasmim, em “Lampião-O Senhor do Sertão” faz alusão a este hábito católico que prevalecia naquela época. Certidão de Nascimento, que hoje a criança já recebe no hospital no momento que a mãe “dá a luz”, era coisa para depois de cinco ou seis anos. Como muitos eram analfabetos e não anotavam, a data precisa saia sempre errada.

  Em sua obra, a autora escreveu que “era costume no sertão batizar pouco tempo depois do nascimento, por causa do grande número de crianças que morriam com pouca idade nessa época. Os pais encarregavam-se rapidamente de batizar o recém-nascido, com medo de que este, caso viesse a morrer, torna-se uma alma errante”.

   Por causa da cultura religiosa, trazida lá de seus antepassados, o batismo era o primeiro cuidado. A autora deixou de citar que os pais corriam logo à Igreja Católica com receio de criança morrer pagã. Seria um grande pecado deixar um filho morrer “pagão”.

  Lembro disso através da minha mãe que falava ter apressado o meu pai a me batizar logo de imediato porque nasci mirrado e doente. Somente depois de cinco ou seis anos foi que meu pai foi ao cartório me registrar porque a escala pedia o documento.

    Depois de anos fui escarafunchar na Igreja e descobri ter nascido em 1946, conforme estava escrito pelo vigário no batistério, e não em 1947, como está na Certidão. Creio que muita gente da minha geração, que nasceu de parteira, nos cafundós do sertão, tem também a idade errada.

   Quem sabia escrever, tinha o hábito de anotar o horário, dia e o ano numa página em branco da Bíblia, cujo livro “sagrado” não podia faltar numa casa. Nos tempos atuais, o Certificado de Batismo não tem mais nenhum valor.

   Naquela época, o batismo era encarado como um ato de grande importância, e os padrinhos se sentiam no lugar de segundos pais. Hoje se tem mais como um preceito social para se fazer uma festa, sobretudo entre os ricos.

   No entanto, entre os nordestinos, o batismo ainda é levado muito a sério, especialmente na zona rural onde os hábitos, os costumes e a cultura ainda são passados de avó e avó para os filhos e destes, como pais, para seus rebentos, embora muita coisa se perdeu no caminho.

   Tanto o batismo como as manifestações culturais, infelizmente, perderam muito de suas caraterísticas com o grande êxodo rural para as cidades, a partir dos anos 50 e 60 do século passado, mas o ato de batizar permanece vivo, não importando a religião.

Como mais de 70% vivem na zona urbana, as mudanças advindas do progresso, e agora com os avanços tecnológicos, estão se encarregando de apagar com as tradições, apesar de muitas ainda permanecerem vivas. Tem gente que acha que elas vão se acabar por completo, mas não acredito nisso.

   Vão continuar resistindo como o maracatu, o forró, o samba, terno de reis e outras expressões culturais, mesmo sofrendo algumas misturas. São como as antigas profissões de ferreiro, alfaiate, relojoeiro, amolador de facas, sapateiro, dentre outras, que ainda sobrevivem às novas tecnologias.

“LAMPIÃO-SENHOR DO SERTÃO”

  Ao escreverem sobre o cangaço, praticamente todos os historiadores, pesquisadores e estudiosos do assunto procuram fazer uma descrição antecipada do Nordeste entre o século XVI até meados do século XX, em relação ao seu isolamento político e socioeconômico do resto do país, seu solo, costumes, hábitos, religiosidade e outros aspectos inerentes à região.

   A pesquisadora Élise Gruspan-Jasmim em sua obra “Lampião Senhor do Sertão” também não é uma exceção nesta abordagem. Antes de penetrar na vida de Virgulino Ferreira, desde o seu nascimento, batistério, sua infância e juventude no sertão, com várias versões obtidas de fontes diversas, a autora faz um panorama sobre o Nordeste daquelas épocas.

  Em sua apresentação da obra, vamos aqui citar alguns trechos do seu ponto vista quanto a região. Sobre o sertão, por exemplo, Élise destaca ser um território cujas limitações geográficas se modificaram com o correr do tempo, como se esta região se construísse e se elaborasse sem cessar.

  “Sertão quer dizer grandes deserto (“deserto”) no sentido próprio   e no sentido figurado, mas também terras interiores”. Alguns dicionários o definem como “terra longínqua”. Em relação ao litoral, o Nordeste é visto como zona árida, pouco povoada, assolada pela miséria e pela seca, exposta à violência, ao banditismo, à injustiça, ao fanatismo religioso – um outro mundo, com outros códigos, sem meios de comunicação, isolado da civilização.

  De acordo com a autora, nas representações, o sertão tem, portanto, uma dupla identidade: Região atrasada, de cultura arcaica, e ao mesmo tempo, memória viva, “quadro arqueológico da sociedade brasileira”, na expressão de Luis da Costa Pinto.

  A autora fala das revoltas que eclodiram no Nordeste do passado. Para ela, as rebeliões camponesas nunca eram dirigidas contra os coronéis, e sim contra um poder central anônimo e distante, como a de 1852, na região de Pau d´Alho, conhecida em Pernambuco pelo nome de “Revolução dos Marimbondos”, e na Paraíba sob o nome de “Ronco da Abelha”.

  Ao entrar na questão do cangaço, a escritora ressalta que no período da colonização holandesa no Nordeste, menciona-se a presença de grupos de bandidos formados por desertores estrangeiros, por escravos fugitivos e brasileiros.

  Os escritos citam o célebre José Gomes, o “Cabeleira”, originário de Pernambuco, que disseminou o terror na segunda metade do século XVIII e foi enforcado em Recife em praça pública.

  Após mapear o Nordeste, com suas características próprias, a autora esmiúça com detalhes as origens de Lampião, sua descendência e os motivos pelos quais ele entrou no cangaço.

   Muitos falam que Lampião se tornou um bandido depois da morte de seu pai, José Ferreira, sob o comando do tenente José Lucena, mas antes disso, por volta de 1918/19, ele já tinha se tornado um cangaceiro com seus irmãos Livino, Antônio e Ezequiel.

Tudo começou neste período por causa das desavenças com o vizinho José Saturnino, no município de Vila Bela. As versões são as mais diversas, desde roubo de animais até por causa de um chocalho que Virgulino, supostamente, teria extraído de uma res de Saturnino.

 No Nordeste se admitia um assassinato por vingança, mas não um ladrão. Além de autores, testemunhas, entrevistas, pesquisas em documentos, Élise cita muito as obras dos cordelistas, principalmente de Leandro Gomes Bezerra e Francisco das Chagas Batista, apesar de seus escritos não serem totalmente confiáveis por causa dos floreios dados em seus versos.

UM TERRENO ABANDONADO

  Qual destino de um vasto terreno abandonado, de um milhão e 700 mil metros quadrados, pertencente à União, onde já foi por muitos anos o Aeroporto Otacílio Figueiredo? É mais uma celeuma e uma novela que ninguém sabe quando terá seu fim e como será usado em benefício da sociedade. A população não tem a dimensão do tamanho do terreno e pede a construção de escolas, creches e até de um hospital.  Pode ser tudo isso e muito mais. No entanto, não imagina que a esta altura o setor imobiliário deve estar de olho para erguer edifícios, condomínios e outros empreendimentos de luxo, com altos muros separando os ricos dos pobres, como sempre faz o sistema capitalista selvagem. Uma pequena parte foi cedida para o Estado da Bahia, cujo governo fala em construir um Centro de Convenções, o que não é uma má ideia, tendo em vista que Vitória da Conquista, pelo seu porte, carece de um equipamento dessa natureza. No entanto, aquela área poderia muito bem abrigar ainda um Centro Administrativo da Prefeitura Municipal visando  desafogar o centro e reduzir custos de aluguéis do poder público, bem como ser criado um bosque de lazer, espécie de cinturão verde em torno dos bairros da zona oeste.

CONTATO COM UM EXTRATERRESTRE

  Vou contar uma história que nunca falei para ninguém, mesmo porque seria alvo de chacotas. Tudo aconteceu lá pelo final dos anos 50, na fazenda Caldeirãozinho, no sertão do Piemonte da Chapada Diamantina de Piritiba. Deveria ter entre 12 a 14 anos de idade, um moleque calado e sofrido pela labuta da roça e castigado pelas secas.

  Tudo ocorreu num final de tarde carregada, na boca de uma mata quando capinava uma lavoura de mandioca com seu Eufrásio. Depois de um dia calorento e estafante pelo sol do verão, as nuvens estavam pesadas e escuras, com anúncio de chuvas.

    Os pássaros em revoada começavam a se recolher nas folhagens das árvores. Meu pai tinha ido fazer um curral numa propriedade próxima e não estava conosco para testemunhar o ocorrido.

   Ainda receio contar este episódio porque vão achar que não passa de uma lorota descabida, sem pé e sem cabeça. Bem, quem quiser que acredite, mas estou falando sério, e nunca fui pescador e caçador para inventar causos mentirosos.

   Somente agora, depois da idade avançada, ou velho mesmo, como se diz no popular, resolvi revelar o acontecido porque o idoso já se acostumou a ser chamado de caduco, até quando esquece algo ou dar uma tropeçada. Para o moderno, é normal.  

  O famoso “ET de Varginha” (Minas Gerais) apareceu no dia 20 de janeiro de 1996, há 30 anos. Interessante que tudo começou também numa tarde chuvosa quando três jovens afirmaram ter visto uma criatura, de pele escura, olhos grandes e vermelhos e cabeça avantajada, agachada perto de um muro.

   Narrativas daquela época registraram intensa movimentação do exército e do corpo de bombeiros nos hospitais locais e em áreas de mata. Dizem que os militares capturaram criaturas vivas e recolhidos destroços. Até hoje é um mistério.

   No entanto, uns dizem que tudo não passou de um mal-entendido, mas se fosse a visão de uma santa ou um santo, até hoje haviam milhares de devotos e romeiros fazendo peregrinações e romarias no lugar, como em Fátima, Aparecida, Guadalupe e Lourdes onde se deram as aparições.

  Bem, vamos deixar de jogar conversa fora e confessar o que vi há mais de 60 anos. Eu e seu Eufrásio já estávamos nos preparando para arrear o trabalho de limpeza quando ouvimos sussurros esquisitos de falas no outro lado da roça, inclusive com uma ventania forte, tipo de redemoinho, como se fosse arrancar os pés de mandioca.

   Corremos entre as manivas e nos deparamos com uma criatura estranha quase semelhante ao “ET de Varginha”, só que era mais simpático, olhos pequenos e pele avermelhada, mas com aspecto diferente do humano. Deu até um sorriso maroto para nós.

  No momento, minha reação foi dar meia volta e sair correndo em disparada, mas, como num truque de mágica, fiquei estático no lugar. Seu Eufrásio, porém, foi atraído como que puxado por um ima, ou seja, abduzido.  Com passos lentos, o seguiu mata a dentro num ponto de uma clareira existente na mata.

  Lembro como se fosse hoje daquele clarão de luzes fortes iluminando uma grande parte da área. Demorou alguns minutos e depois o objeto, na forma de um cilindro cheio de anéis, levantou voo numa rapidez indescritível que atualmente descrevem como supersônico.

   Fora da radiação magnética do “ET do Caldeirãozinho de Piritiba”, corri como louco entre a capoeira até chegar em casa esbaforido, entalado e amarelado de tanto medo. Nunca tinha visto coisa igual em pleno sertão nordestino!

  Ao ver minha agonia e tremedeira no corpo, minha mãe perguntava o que havia acontecido para eu estar naquele estado  de pavor. Por mais que tentasse, não consegui explicar direito a cena e só dizia que tinha fantasma e assombração na roça de mandioca.

Afinal, era só um menino matuto tabaréu e não sabia de nada sobre esse negócio de extraterrestre. Aliás, naquele tempo nem se comentava sobre isso. Acho que fui o primeiro a ver um ET no Brasil depois da invasão de Cabral que chegou com aquelas caravelas e assustou os índios.

   Sei que querem saber sobre seu Eufrásio. Pois é, ele só apareceu no outro dia, calado e pediu as contas ao meu pai que sentiu seu comportamento diferente.

  Olhou para mim como se dissesse que nunca mais pisaria os pés naquele terreno maldito. Sumiu da região e contaram que ele arribou com mala e cuia para São Paulo com toda família.

  Não tinha diálogo com meu pai para narrar o episódio. Ia me dar aquele esbregue, me chamar de mentiroso e até que estaria doente da cabeça. Era obrigado a ir àquela roça assustado e não tinha com quem me desabafar.

  Aquelas cenas perturbadoras nunca saíram da minha mente. Coisas alucinógenas psicodélicas de quem tomou LSD ou outras substâncias ácidas que provocam alucinações. Até parece que havia tomado ayahuasca. Deixa pra lá, sei que ninguém acreditou mesmo na minha história, mas criei coragem e contei! 

CALIGRAFIA DO AMOR

(Chico Ribeiro Neto)

Um conhecido me pediu para escrever uma carta de amor que ele queria mandar para uma mulher. “Isso eu não faço”, respondi. “Mas o senhor não é escritor?”, insistiu ele. Não sei escrever carta de amor, discurso político nem sermão de igreja.

Escrevo umas “croniquetas catarinas” há alguns anos. Também não escrevo para mudar o mundo. Isso é tarefa complicada. Escrevo para reviver minha infância (manancial inesgotável), exorcizar meus fantasmas, falar do cotidiano das pessoas ou para “botar as mágoas em dia”, como dizia uma velha amiga.

Não me peçam para escrever cartas de amor. Não se escreve um dengo. Sou um aprendiz do amar e não tenho conselhos a dar nessa área, por sinal muito complicada. “Cada qual com seu cada qual”. Nunca fui bom de conselhos, ainda mais em matéria de amor.

Disse ao interessado pela carta que a Internet está cheia de modelos de cartas de amor. É só escolher uma e copiá-la. Tem carta pra começar um namoro, pra reatar e pra terminar.

Há também modelos de cartas de amor para a namorada chorar e o texto recomenda: “Foque em vulnerabilidade, gratidão e memórias únicas”.

Há ainda dicas para tornar a carta inesquecível. A primeira dica: “Escreva à mão: a caligrafia transmite muito mais emoção e esforço”.

Se o interessado quiser jogar mais alto, a Internet oferece trechos de cartas de amor de Baudelaire, Beethoven, Napoleão e Shakespeare.

Antigamente, os camelôs vendiam livrinhos com modelos de cartas de amor. Também havia o famoso bilhete enviado, totalmente escondido, para uma virgem inacessível e recolhida ao castelo no seu enorme roupão branco.

Senti vontade dizer ao cara que me solicitou a carta: “Chegue junto, cara, melhor do que qualquer carta. Mas não faça como aquele amigo do cronista Paulo Mendes Campos que, quando jovem, aproximou-se de uma garota na praça, criou coragem e disse: “Tá de verde hoje, hein?”

Encerro com a brilhante frase do escritor e poeta Francesco Petrarca: “As duas cartas de amor mais difíceis de escrever são a primeira e a última”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

AINDA SOBRE O “TECO-TECO”

   Concordo, em boa parte, com o comentário do meu amigo e companheiro jornalista Paulo Nunes quando explica que vivemos num sistema capitalista onde empresário só visa o lucro e não faz empreendimento algum por caridade.

  Sua análise foi em referência à decisão da Viação Aérea Azul em colocar um aviãozinho de nove passageiros, tipo “Teco-Teco, para fazer a linha Vitória da Conquista – Salvador, com duração de quase duas horas de viagem, em substituição a uma aeronave com capacidade para 72 pessoas.

   Estou de acordo com sua posição, e isso, meu caro Paulo, só comprova que Conquista nunca teve e nunca terá vocação para o turismo, ao contrário de muita gente que teima em propalar o contrário e até deu-se ao trabalho de elaborar projetos que não saem do papel.

  Sua economia tem como bases maiores os setores do comércio e serviços, com expansão da construção civil depois do avanço da educação de ensino superior a partir dos anos 2000, que atraiu muita gente da região e de outros estados.

  Conquista não tem belezas naturais como as cidades da Chapada Diamantina onde Lençóis é o ponto estratégico de distribuição dos turistas, comportando a decolagem de aviões de maior porte vindos de Salvador e de outras capitais do país, como bem destacou meu amigo.

     Certa vez, surgiu aí uma ideia esdrúxula de transformar Vitória da Conquista no Portal da Chapada Diamantina. Nesse gancho, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico até custeou o Plano Municipal de Turismo (70 mil reais junto ao Sebrae), e o poder executivo deixou de lado o Plano de Cultura, que está adormecido em berço esplêndido.

  No entanto, concordo também, em parte, com o empresário José Maria Caires quando destila a sua revolta contra a empresa Azul, ao afirmar que Conquista não merece ser rebaixada a este nível de peque cidade com um aviãozinho.

    Como a Aviação Azul recebe subsídios de ICMS do estado, conforme argumenta Zè Maria, bem que a empresa poderia baixar seus preços de forma a atrair mais passageiros que hoje estão preferindo ir à capital baiana de veículo próprio ou de ônibus. Conquista não merece isso – conclui o empresário.                                              

ESSA TECNOLOGIA…

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tô engastorado,

Arretado no diabo,

Com essa tal de tecnologia,

O gênio inventa aqui,

Muda acolá,

Pra ganhar fama e dinheiro,

Pra burro usar.

 

Nossa humanidade,

Está cada vez mais decadente,

Menos inteligente,

O QI só faz baixar,

E agora criaram a IA.

 

Com essa tecnologia,

Poucos sabem texto decifrar,

Quanto mais fazer redação,

Até a poesia perdeu sua magia,

E tome enrolação.

 

É tanta burrice,

Com essa tecnologia,

Que com seu mal da gota,

Ninguém quer mais ler,

Escrevem e falam “ôta”,

Cantor é rebolado e coreografia,

Redes sociais, muita idiotice,

E o povo mistura,

Ciência com crendice.

 

Essa tecnologia,

Nos roubou a inspiração,

Até de escrever,

No papel e caneta na mão,

Não tem mais início, meio e fim,

É apernas fazer três pedidos,

Que logo aparece o Aladim.

 

Com essa tecnologia,

O pobre fica com um “cadim”,

Acabou o prazer,

De pintar um jardim,

Porque ela faz tudo pra você.

 

Essa tecnologia,

Pariu influenciadores,

De malandros artistas,

Com milhões de seguidores,

Falsários golpistas.

 

Com essa tecnologia,

A gente não passa de saguim,

E não venham com seu mi, mi, mi,

Com seu feixe de capim.

 

 

CONQUISTA GANHOU UM “TECO-TECO”

Ao colocar um avião “Teco-Teco”, fazendo linha Conquista-Salvador, com apenas nove pessoas, a companhia Azul Linhas Aéreas está tirando sarro com a cara dos conquistense, além de nos rebaixar a uma cidadezinha mequetrefe do interior do sertão. Em 1948, há exatos 78 anos, a cidade já operava com uma aeronave maior que esta da “azulzinha”.

É uma vergonha, para não dizer um retrocesso e um atraso, uma cidade de 400 mil habitantes e a terceira maior da Bahia, considerada a Capital do Sudoeste (Sudeste), ter como transporte viário para Salvador um “Teco-Teco”, como assim sempre foi chamado esses aviões de pequeno porte. Imaginou uma manchete de jornal onde o jornaleiro, para vender o periódico, grita nas ruas, “alô, alô, Conquista Ganhou um “Teco-Teco”! 

O empresário José Maria Caires, do movimento reivindicatório pelo desenvolvimento econômico de Vitória da Conquista, como o “Duplica Sudoeste”, e até cogitou em transformar a cidade no Portal da Chapada Diamantina, tem expressado sua revolta quanto ao tratamento dado pela Azul Linhas Aéreas.

Esse rebaixamento me faz pensar sobre alguns veículos de comunicação, agências de propaganda, comerciantes, segmentos da cultura e até personalidades do meio intelectual exporem Conquista como a “Suíça Baiana”, que nada tem a ver com aquele país situado nos alpes europeus. Essa “Suíça” bem que merecia ser respeitada por essa empresa de aviação.

Vamos deixar o deboche lado e falarmos no que mais nos interessa. É hilário, para não dizer ridículo, que depois de muita luta para desativar o velho aeroporto Otacílio Fonseca, que não mais atendia a demanda de Conquista e construir o novo Glauber Rocha, a Azul nos ofereça um “Teco-Teco”, com duração de quase duas horas de voo para a capital baiana!

Num “Teco-Teco” desse, que balança mais não cai, não entro nem pau seu Zé! Só morto, meu camarada! Quando repórter do jornal A Tarde fui num desse “carcará voador” ao interior de Uauá fazer uma matéria e, por pouco, não sofri um ataque cardíaco. Se tinha medo de avião, passei muito tempo para me livrar desse trauma.

Bem, nosso amigo José Maria tem clamado e desabafado que a falta de concorrência de companhias aéreas que operam voos regionais na Bahia, permite a Azul Linhas Aéreas aplicar tarifas estratosféricas, superiores, inclusive, a de voos internacionais.

Destaca que o fato dessa companhia obter o monopólio da aviação regional no estado e ainda com subsídios de ICMS, não lhe dá o direito de tripudiar dos baianos, no caso os conquistenses. Declara que o Governo do Estado, através da Secretaria de Turismo, não respondeu ao clamor da sociedade, pois aceitou a imposição da empresa.

Como empresário, alerta que o isolamento da região sudoeste (sudeste) da Bahia com a capital tem efeitos nefastos para a economia como um todo. Ele cita como efeitos negativos a redução de embarques e desembarques no aeroporto Glauber Rocha que caiu de 450 mil passageiros em 2023, para 400 mil em 2025.

Muitos estão preferindo ir a Salvador de carro próprio ou de ônibus, tendo que enfrentar uma BR-116 altamente perigosa, sem contar a perda de tempo, ao invés de embarcar num “Teco-Teco” de nove pessoas, inaugurado no último dia 2/06 (terça-Feira), em substituição a um equipamento de 72 assentos.





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