fevereiro 2026
D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728


Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

TEM GOSTO DE QUÊ?

(Chico Ribeiro Neto)

Um cheiro no seu cangote tem gosto de água do pote.

Comer a casca da manga rosa lembra a infância.

Uma talhada de melancia gelada tem gosto de ressaca.

A hóstia tem gosto de céu.

Amendoim cozido tem o sabor do São João.

Pirão de maxixe tem gosto de Caculé.

Ingá tem sabor de Ipiaú.

Jaca lembra a turma de rua. (A gente roubava jaca nos quintais da Vitória).

Sorvete tem gosto de namorada.

Macarrão com galinha tem gosto de domingo.

Pipoca tem sabor de cinema.

Pepino tem gosto de água fresca.

Vinho tem sabor de belas lembranças.

Ki-Suco tem gosto de aniversário de boneca.

Peixe frito lembra a praia.

Abacate tem o sabor do quintal de vovô Chico em Ipiaú.

Suco de uva lembra doença. (Lá em casa, quando a gente era pequeno, só tomava suco de uva quando adoecia).

Charque lembra buteco.

Repolho tem sabor de um cozido.

Sardinha tem gosto de quarto de pensão.

Leitoa assada tem gosto de São João em Caculé.

Mingau de aveia Quaker lembra mamãe Cleonice.

Óleo de rícino tem gosto de sofrimento.

(Espremidos entre os tacos da sala, dois confetes me espreitam).

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

NÃO SE TRATA DE UM SÍTIO

A imagem bucólica parece ser de uma fazenda ou de um sítio, mas pode ser vista em plena Vitória da Conquista nos terrenos vazios em bairros da periferia, em meio ao lixo e ao matagal. Nossas lentes flagraram cavalo e cabras pastando numa área da Avenida Sérgio Vieira de Melo, no Zabelê.  Em meio ao lixo, pelo menos esses animais estão contribuindo para o capim não ficar mais alto e se transformar em esconderijo de bandidos. Além do mais, evita que alguém toque fogo e provoque aquele “fumacê” tão prejudicial à saúde humana. No corre-corre da vida, muita gente passa e não percebe estas cenas de interior da zona rural.  Com o progresso, o trânsito agitado e engarrafado de carros soltando gases tóxicos e multidões em correria, quase ninguém ouve o canto dos pássaros nas praças arborizadas, muito menos uma noite de lua cheia. Como ainda tenho minhas raízes fincadas no sertão da roça, costumo parar para matar a saudade dos tempos de menino quando vivia no campo. Mesmo com a destruição provocada pelo bicho homem predador, a natureza ainda sobrevive ao nosso lado nas grandes cidades e ela atua como bálsamo da alma. Pena que a grande maioria não para um pouco para apreciar sua beleza e seu encanto. Maior parte da minha vida foi em centros urbanos, mas até hoje ainda me sinto um ser campesino. Quando estiver estressado, aporreado ou banzo, escute o canto das aves e olhe um pouco para as árvores e plantas ainda vivas nas pequenas, médias e grandes cidades. Mesmo assim, vamos cobrar do poder executivo que fiscalize os terrenos abandonados e obrigue por lei que seus proprietários os cerquem ou murem.

 

O PORQUÊ

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Por que

Tem o cancioneiro

Que encanta o mundo

O escritor pensador,

Que nos leva ao profundo,

Outros que nada são,

Muitos vivendo em mansões,

A maioria em casebres,

Amargando suas aflições?

 

Todo esse mistério,

O poeta passa para a filosofia,

Que devolve para a teologia,

Questão de religião e fé,

Acredite quem quiser,

Porque só Oxalá sabe explicar.

 

Êta moço, que lasqueira!

Tem muita coisa pra se entender,

A vida é uma bagaceira,

Quem ama não é amado,

Um é rico e o outro é lascado,

Se existe o Deus Senhor,

Qual Supremo lhe criou?

 

ISENÇÃO PROPORCIONAL DO IPTU

Depois do recesso e abertura dos trabalhos na semana passada, os vereadores voltaram às suas atividades na sessão ordinária de ontem (quarta-feira, dia 11/02), discutindo importantes projetos que vão beneficiar a população conquistense.

Na pauta, foram apresentados vários projetos de lei, como, por exemplo, sobre a isenção proporcional do IPTU para imóveis localizados em ruas que apresentem buracos, falta de iluminação pública ou outras condições precárias de infraestrutura. A questão é identificar os critérios técnicos para conceder essa isenção.

Outro assunto muito debatido e que tomou boa parte da sessão foi quanto aos problemas da Zona Azul que recebeu muitas críticas por parte dos usuários a partir de determinadas mudanças feitas pelo poder executivo.

No entanto, a medida de isenção do pagamento da tarifa da Zona para idosos é inovadora. É outro ponto que deve ser bem fiscalizado para que não ocorram fraudes por parte de pessoas inescrupulosas.

Também foi debatido o projeto de implementação da “Sala Lilás” no SUS, com o objetivo de prestar atendimento exclusivo, especializado e humanizado às mulheres vítimas de violência.

Outro projeto foi o reconhecimento do Terno de Reis como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Vitória da Conquista, bem como, a instituição do Dia Municipal do Terno de Reis.

O POBRE SEMPRE “PAGA O PATO”

Existem dizeres populares que não consigo engolir. Um deles é que “todos somos iguais perante a lei”. Este é bem demagógico, originário de um conceito fundamental do liberalismo clássico. Seria sublime, mas só funciona na teoria. É enganador e serve como propaganda mentirosa do sistema capitalista oligárquico, mas tem gente que acredita e enche o peito para pronunciar a frase.

As bases para essa afirmação surgiram a partir da Revolução Francesa (1789) através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que estabeleceu a igualdade formal. Está também no Código Napoleônico (1804), na Magna Carta (1215) como ideia de que ninguém, nem mesmo o rei, está acima da lei. Pergunte aos súditos.

Triste ilusão do fraco quando tenta se defender de uma acusação injusta e descobre que não é assim que a banda toca. Muitos falam isso com orgulho, só que quebra a cara porque o poderoso rico tem suas brechas, enquanto o pobre leva a bordoada no lombo.

No Brasil, a frase está consagrada no Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que determina que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Não é assim que funciona na prática, meu amigo! A vida real nos diz o contrário.

No âmbito filosófico, o enunciado deriva da crença de que na esfera jurídica, as diferenças sociais ou econômicas não devem criar privilégios. Desde as primeiras civilizações, a chibata foi reservada para a plebe. O mais certo é que a corda só arrebenta do lado mais fraco.

Outra que não cola é que “a voz do povo é a voz de Deus”. Esta deve ter vindo da cultura cristã, mas deixa pra lá. A de que somos todos iguais, só se for apenas como seres humanos e, mesmo assim, com suas diferenças físicas e mentais. Como dizia o poeta Raul, “o ponto de vista, é o ponto da questão”.

Sobre este papo de iguais, um exemplo mais que evidente de que não é assim, está no caso mais recente da mulher da piscina da academia que veio a falecer intoxicada por substâncias químicas (cloro e outros produtos) manuseadas por um funcionário não habilitado.

O pobre do empregado era apenas um manobrista, mas ele foi usado pelo patrão para outras atividades (acúmulo de funções), inclusive atuar numa área perigosa que exigia profissionalismo. Isto se chama ganância financeira. Arapuca como a dele está aí aos montes, mas a fiscalização é negligente e os órgãos responsáveis não são punidos, de acordo com a lei, que não é igual para todos.

Se o manobrista se recusasse ou fizesse alguma objeção, certamente seria demitido. Duvido que ganhasse para fazer essas coisas além da sua função. Para economizar gastos e auferir mais lucros, o dono o obrigou.

Quando ocorreu o triste episódio da morte e outros que foram hospitalizados, quem foi chamado para depor na delegacia? Claro que o pobre coitado! O sacana do proprietário ganancioso ainda avisou para ele fugir, o que complicaria ainda mais sua situação.

Este é só um exemplo, mas existem milhares de outros onde é o mais fraco que termina “pagando o pato” no lugar dos malfeitores ricos e de quem está no poder. É assim em relação aos crimes de corrupção e de tantas outras mortes onde o mandante e o cabeça das tramas ardilosas ficam impunes.

O cachorro louco do Donald Trump divulgou racismo em sua rede social contra o ex-presidente Barack Obama e sua esposa com figuras de macacos. Quando bateram as críticas em sua porta, ele apontou o dedo para seus funcionários. Todos agem dessa forma e fica por isso mesmo.

Olha a acusação de assédio sexual contra o ministro do Tribunal Superior de Justiça! Como tem foro privilegiado, vai ser investigado e julgado somente pelos seus pares. Para disfarçar e maquiar a justiça, foi apenas afastado do cargo, mas recebendo seus polpudos salários, como se fosse licença remunerada.

Fosse um pobre lascado contra uma moça rica, a mídia caia em cima, e o sujeito já estava na cadeia. Então, não me venha com essa de que todos somos iguais perante a lei.  Aliás, brechas foram feitas para se livrar dela quem tem muita grana para pagar bons advogados.

– “Você sabe com quem está falando”? Acha que isso se acabou? É mais uma comprovação de que esse negócio de iguais é uma balela. No sentido latu sensu do psicológico, filosófico, biológico, econômico, social e em outros aspectos, somos todos diferentes, inclusive no nascer, durante a vida e no morrer. Nem nos cemitérios e nos caixões somos iguais.

 

AS INTERPRETAÇÕES DETURPADAS

Alguém aí poderia arriscar e quantificar o quanto por cento dos brasileiros entendem e interpretam corretamente os noticiários das mídias eletrônicas, especialmente as televisivas? Com uma dose de otimismo, eu ficaria com cerca de 5% e baixaria para 0,1% quando se trata de política, economia e outros assuntos na área técnica e jurídica. Estou sendo até condescendente.

É lamentável essa situação, mas é a pura realidade. Afinal, as pesquisas do IBGE dão conta que cerca de 30% dos nossos conterrâneos são analfabetos funcionais, isto é, não sabem ler e interpretar um texto de 10 linhas. Agora imagina esses fanáticos religiosos interpretando a Bíblia! Você queria mais o quê, carapálida?

Mais de 90% dos noticiários na televisão atingem apenas uma pequena camada, a não ser coisa de futebol, carnaval, crimes bárbaros e tragédias que ocorrem com os outros. São muitas informações em tempo real e poucos informados por causa do baixo nível de instrução, inclusive entre nossa juventude que prefere ficar com o celular na mão ouvindo fofocas, mentiras e besteiróis.

Na Rede Globo, por exemplo, (também em outros veículos) passam reportagens (matérias) sobre tramas de corrupção, economia, mercado de capitais e financeiro (Banco Master), temas técnico-científicos e processos jurídicos onde o repórter, ou comentarista, fica 10 minutos lendo longos textos, como se a cabeça humana fosse um computador para memorizar tudo. Tome “economês” e “juridiquês” nessas relatorias!

Quem tem nível intelectual mais elevado e até manja do assunto, fica zonzo e baratinado. Faz um esforço danado para entender a parafernália. Imagina os analfabetos e a grande maioria dos brasileiros incultos e sem o saber cognitivo!

– É um tormento, meu camarada, disse um colega meu certa vez enquanto batíamos um dedo de prosa sobre o jornalismo de hoje. Não é mais elucidativo, interpretativo e questionador. Por que não resume a informação e fala só do principal, numa linguagem mais simples? A tarefa de esmiuçar a notícia é função dos jornais e das revistas. Vamos ser mais objetivos, diretos e claros.

– Concordo, amigo, mas com a onda da internet, lá se foram os jornais, sem contar que somente uma pequena minoria, um tantinho assim, se presta à leitura e acha até que ler um periódico, ou um livro, é coisa de velho caduco atrasado. Estamos ficando cada vez mais burros e lelés da cuca! Só engrossa o número de ignorantes!

– É por isso que um monte de gente sai por aí interpretando as notícias de forma errada, sem considerar as fake news. Tem aqueles que ficam calados porque não entendem nada, mas existem os metidos a sabichões que saem arrotando coisa sem coisa. Ah, e quando tomam umas no boteco ou num bar, só falam asneiras! – Completou o companheiro, dizendo que já presenciou muita loucura.

– É aquela velha história, do sujeito ou sujeita, que ouve o galo cantar, mas não sabe onde. Quando era frequentador desses botecos já ouvi tantas “cargas d´agua”, e não adianta tentar corrigir porque o indivíduo vira bicho, uma fera que pode até lhe matar com uma faca ou um tiro.

Primeiro começa com ofensas pessoais, com xingamentos pesados e não deixa você abrir a boca. Vai dizer que, enquanto um burro fala, o outro fica calado, em silêncio! O elemento vai interpretar a frase ao seu modo e lhe manda um soco de nocauteador.

Muitas discussões terminaram em morte, que a imprensa depois classifica como motivo torpe. Melhor mesmo é ficar na sua ou tapar os ouvidos. Tem umas que são por demais hilárias, parecidas com as da escolinha do professor Chico Anísio, e até dão para desintoxicar o “figuerôa”! Um dos motivos pelo qual deixei de andar nesses lugares foi para não escutar baboseiras e absurdos.

Tem gente que mistura gato por lebre quando fala de política e faz um discurso que até impressiona ao ponto de receber apoio. Dia desse ouvi um cara sentado numa mesa falar para a mulher ao lado que não compra nada da China porque é um país comunista, não sabendo ele que, sem saber, consome medicamentos chineses.

Percebe-se que muitas das conversas não têm cunho político ideológico. É falta de capacidade mesmo em interpretar a informação. O cidadão ouve que o governo federal vai fazer um pente fino no Bolsa Família para detectar irregularidades e cortar os infratores. Ele sai espalhando que o programa vai ser cortado.

 

 

SÃO TANTAS AS MAZELAS!

Assuntos não faltam e são tantos que às vezes deixam nossa cabeça embaralhada diante de tantas mazelas. Claro que existem coisas boas, mas no mundo de hoje e neste “Brasilzão”, elas estão ficando cada vez mais escassas. São Tantas contradições e paradoxos! Melhor seria não absorvê-los, mas não tem jeito!

Não consigo captar o sentido de certas coisas, como a trégua nas guerras gregas quando começavam as antigas Olimpíadas. Depois do encerramento, um lado devia indagar para ou outro, e aí, onde paramos?  No Brasil, as escolas são abertas na véspera do carnaval e depois fecham as portas por causa dos festejos.

Sempre existe aquela máxima de que o mais feliz é o ignorante, o inculto e o total alienado. Essas pessoas não usam o cognitivo e ficam livres do martírio dos absurdos. “Não tenho nada a ver com isso”. É assim, uns tocando a vida como ela é, apenas na luta pela sobrevivência, e outros querendo mais, não se conformando com esta sociedade hipócrita e individualista que nos sufoca e oprime.

Como resolvi juntar tudo num só cesto de frutas podres, começaria por este Congresso Nacional que não para de nos surpreender com seus atentados contra a nação. Em nome de Deus, seus membros legislam na contramão, lançando fogo contra os brasileiros.

Como se não bastasse ser um dos mais caros do mundo, o Congresso agora destila todo seu sadismo aprovando aumentos salariais e privilégios aos seus servidores, com mais penduricalhos, torrando nossos tostões. Para completar, eleva suas verbas de gabinetes para quase 200 mil reais por mês.

De um modo geral, nossas instituições cometem atitudes antiéticas que nos envergonham e continuam agindo de costas para o povo porque sabem que não há reação de protesto. É aquela história de sempre se dizer: “Fazer o quê”?

Não se trata aqui de política partidária. É uma questão de polícia porque são atos criminosos de alta periculosidade, os quais nos matam lentamente. As corrupções corroem todo o tecido social, como se tudo fosse normal. A corrupção se tornou uma cultura popular.

Como resolvi despejar tudo no caldeirão do diabo, e não estou aqui parta falar das belezas naturais do Brasil que, por sinal, estão sendo literalmente destruídas, uma outra mazela são as redes sociais que, como profetizou o filósofo italiano Humberto Eco, elas tendiam a deixar a humanidade mais imbecil e fútil. Não deu outra.

Aliás, a inteligência humana só faz regredir. Chamamos de burro o animal de carga, mas acho que não estamos olhando para o nosso próprio “rabo”. O racional é um prato raro nesses tempos “modernos”.

Mesmo contrariando a muitos, ainda entendo que a internet é uma terra de ninguém, região fértil para os golpistas, as mentiras, calúnias e difamações, sem falar nas futilidades que recebem milhões de visualizações e seguidores idiotas. Agora com a Inteligência Artificial, a grande maioria não consegue discernir uma coisa da outra. É pavoroso!

São tantos os crimes cibernéticos, inclusive de pedofilias, que a polícia não dá conta. Pega alguns bodes expiatórios ali e acolá, mas a grande maioria passa pela cancela. Acontece o mesmo com as apreensões de drogas. Quando se descobre um quilo, um milhão já se foi. É como enxugar gelo, ou o famoso “faz de conta”!

Ninguém é contra a diversão, festa, lazer e entretenimento, mas tudo tem seu limite de ser. Por mais de uma semana, o Brasil fica parado, e Salvador é a capital campeã das festanças que começam no início de dezembro e só terminam em março. O circo venceu o pensamento crítico.

Os promotores, prefeitos, governadores, órgãos do turismo e empresários só falam em bilhões de reais que movimentam a economia, mas não revelam os gastos saídos dos cofres dos contribuintes. Se esses festejos além da conta fossem sinônimo de desenvolvimento, o Brasil já estaria no rol dos mais desenvolvidos, e a Bahia seria o estado com o mais alto nível em igualdade social.

Toda essa muvuca só faz aumentar mais ainda a concentração de renda nas mãos dos poderosos e deixar os pobres mais pobres. Para eles, uma pequena fatia do bolo. Por falar nisso, não são os ricos que lascam com os pobres, mas eles mesmos entre si, porque é um tentando passar a perna no outro, para servir bem o patrão.

E as gritantes inversões de valores, como no caso do cachorro “Orelha” que a mídia fez aquele estardalhaço, mas daria menos espaço se fosse com um ser humano morador de rua? Não se trata aqui de não se indignar com maltratos contra animais. É abominável, mas os bárbaros crimes entre humanos se tornaram banais.

Vejo celebridades negras que não assumem sua negritude no espírito cultural e no aspecto físico. Praticam o racismo de um modo inverso e todos ficam calados porque são famosos.  Vejo mestiços metidos a brancos que se acham superiores e discriminam os outros pela cor da pele. Acho que estou ficando um velho ranzinza!

 

A MESA DIRETORA DA CÂMARA APROVA CONSTRUÇÃO DE MORADIAS

Na última sessão de sexta-feira, dia 05/02/2026, a Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Conquista aprovou a indicação para que a Prefeitura Municipal destine 30 milhões de reais do empréstimo do FINISA (Caixa Econômica Federal) de 400 milhões de reais, exclusivamente para a construção de moradias populares.

A ideia dos parlamentares é dar lastro financeiro ao novo Plano de Habitação de interesse social, para que ele não fique apenas no papel. A prefeitura enviou o projeto-de-lei complementar número 46/2025, que cria a nova Política Municipal de Habitação, tendo como público alvo famílias com renda de até três salários mínimos, que morem na cidade há pelo menos dois anos.

O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, disse que o legislativo sempre esteve comprometido com as demandas reais da população e não seria diferente com relação ao déficit habitacional do município. A mesa Diretora fez a indicação e foi aprovada pela Casa.

De acordo com estudos, o déficit habitacional em Conquista é superior a 10 mil famílias aguardando a implementação de políticas públicas dos governos municipal, estadual e federal. A maior parte dessas famílias, com renda de até três salários mínimos, vive em moradias precárias, principalmente em bairros pobres das encostas da Serra do Periperi, sujeitas a enchentes e deslizamentos.

O governo federal atua através do programa Minha Casa, Minha Vida. Sabe-se que cerca de duas mil famílias ainda moram em áreas de risco e pouco se tem feito para resolver esse problema. O programa tem previsão de entregar 1.600 unidades, distribuídas entre o Simão I e II, Vila das Acácias (Urbis VI) e Novo Campo, em Campinhos.

Fala-se em déficit habitacional em 10 mil famílias, mas é maior que isso. O último programa municipal de construção de moradias, salvo engano, aconteceu no Governo de Guilherme Menezes, do PT, no final dos anos 90, com a construção da Vila América.

Para o elevado déficit habitacional ainda existente, essa verba de 30 milhões de reais está longe de suprir as necessidades. Com esse recurso, talvez sejam construídas 150 a 200 unidades.

Espera-se do poder executivo que essas casas não sejam erguidas em locais muito distantes do centro da cidade, como ocorre com Minha Casa, Minha Vida, dificultando ainda mais a locomoção dos moradores, sem falar na questão do saneamento básico, da segurança e qualidade dos imóveis.

 

 

AS CRENDICES NORDESTINAS QUE REGIAM A VIDA DOS CANGACEIROS

Pelo seu próprio misticismo secular religioso, o Nordeste sempre foi uma região pródiga em crenças e superstições populares. Essas crendices regiam a vida dos cangaceiros desde os episódios e sinais mais comezinhos da natureza, incluindo a fauna e a flora.

A professora e escritora Marilourdes Ferraz, em sua obra “O Canto do Acauã” comenta que “ao trilhar uma certa rota, os cangaceiros retornavam imediatamente por outro caminho se uma acauã, ou acoã, como o chamavam, cruzasse os céus sobre suas cabeças com o canto característico do agouro”.

Mesmo havendo necessidade de uma viagem para atacar o inimigo ou resolver algum negócio, eles desistiam do intento se entre as dezoito horas e as vinte e duas horas da noite anterior ouvissem o canto do galo.

As primeiras segundas-feiras do mês de agosto eram dias em que evitam fazer encontros com as forças das volantes. Para eles, eram dias considerados aziagos, no seu linguajar “dias e águas”. No entanto, quando ocorria por acaso, não tinha jeito, todos entravam na luta.

Quando um cangaceiro estava deitado no chão, o outro não passava por cima do seu corpo ou das suas pernas sob pena de haver feroz briga devido ao “enguiço” causado. Tinha que haver o “desenguiço”.

Outra crendice consistia em não se dar passadas por cima dos calçados, nem de armas devido a “atrasos” na vida que isso poderia causar. Não conduziam o rifle ou fuzil atravessado às costas, formando uma cruz, por ser um mau presságio. A cruz tem um simbolismo relacionado com a morte.

Os cangaceiros desistiam de uma viagem se os sabiás se reunissem agitados junto ao grupo. Essas crendices também se estendiam às volantes e aos sertanejos em geral. Quando passavam próximo a uma cruz, todos se benziam para que seus corpos continuassem “fechados”. De um modo geral, as pessoas cristãs, ou mesmo não religiosas, praticam esse hábito e ainda fazem posições de reverencia.

A condução, junto ao corpo, de espelhos ou alpercatas atraiam balas. Se um cachorro uivasse em redor da casa ou se as corujas cacarejassem na comieira, esses sinais eram interpretados como “mau agouro”. Pedregulhos correndo nas telhas e gado mugindo à noite indicavam que alguma pessoa da família iria morrer.

Pela superstição, sentar à porta tornava o corpo “aberto”, isto é, vulnerável a ferimentos. Matar uma cobra era o mesmo que atrair balas. Os uivos de raposas eram agourentas e tornavam as pessoas cismadas. Os ofícios de Nossa Senhora deviam ser assistidos de joelhos. Os que assistiam em pé não teriam sucesso em suas atividades.

Lampião tinha seus artifícios para se livrar de emboscadas e provocar o despistamento. Muitas vezes, em viagem, ele tirava o chapéu e colocava-o no ombro. Às vezes apanhava um ramo verde de árvore e cruzava-o no caminho. Depois dava ordem para que todos se dispersassem e se encontrassem em outro local, ou mudava de rota.

Essas crendices e superstições não estavam somente ligadas aos cangaceiros, mas aos nordestinos em geral. Muitas dessas crenças permanecem em nossas memórias e se arrastam pelo tempo, especialmente entre as velhas gerações.

Quando menino, lembro que meus pais e os antigos respeitavam determinados crenças que foram adquiridas de seus antepassados e ancestrais, sobretudo aquelas ligadas à religiosidade. O terço, por exemplo, tinha que ser rezado de joelhos.

 

 

COISAS DO “ARCO DA VELHA”!

Interessante, quando expressamos o termo “Arco da Velha”, conhecido por muitos, lembramos logo daquelas histórias, estórias e causos inusitados e extraordinários contados pelos mais antigos. “Lá vem o “véio cumpadi” com o papo do Arco da Velha”. Tem muita gente que sabe florear, temperar e viajar na imaginação do saber. Sempre gostei de escutar e ficar bem atento porque são preciosidades valiosas.

Depois da contação de um fato surpreendente numa roda de conversas, você já deve ter ouvido alguém dizer, poxa, “isso aí é coisa do Arco da Velha”, isto é, dos antepassados ou dos nossos ancestrais. É parecido com “é pra inglês ver”, ou “onde tem fumaça, tem fogo”. No fundo, existem mais verdades que mentiras.

Bem, vale a pena uma pequena explicação sobre esse negócio de “Arco da Velha” e suas origens. Muitos termos têm suas relações com as culturas judaicas e cristãs. No caso, o arco-íris está ligado ao sinal do arco bíblico da Velha Aliança com Deus depois do dilúvio. No âmbito pagão, o arco fala de crenças sobre uma feiticeira. Pode ser também com o diabo. Também vale ser contos antigos, histórias de bruxas ou baús de fantásticos tesouros.

Tenho a convicção de que a região que tem mais coisas do Arco da Velha é o Nordeste, com seus causos e casos sobre os coronéis perversos, episódios do cangaço, crendices, a cultura popular e o próprio misticismo religioso. Ariano Suassuna e Câmara Cascudo, dentre outros, são os maiores representantes do Arco da Velha.

Aqui em Vitória da Conquista temos o nosso professor Durval Menezes que conta coisas do Arco da Velha. Tem ainda o professor Itamar Aguiar sobre as lendas garimpeiras de Lençóis. Pensem bem, o fundador da cidade, João Gonçalves da Costa, deixou uma fortuna imensurável. Falam que ele possuía barras de ouros e pedras preciosas que foram enterradas na Serra do Periperi.

Muita gente chegou a sonhar com esses tesouros e resolveu fazer escavações, como o geólogo autodidata alemão Maia Hoffman, vindo lá de Caetité. Relatam ainda que um tal geólogo Melquisedeque, chefe do IBGE, adquiriu muitas terras da Serra pelas bandas de quem vai para Barra do Choça e decidiu fazer o mesmo.

Não satisfeito, foi até Manoel Vitorino, onde João Gonçalves viveu seus últimos dias de vida, e deu uma de tatu, esburacando terrenos. Só deixou escombros. Será que esses tesouros ainda não estão por aí em algum lugar, inclusive nas sepulturas desses coronéis, como faziam os faraós do Egito?

Quem também sabia coisas do Arco da Velha foi Ernesto Dantas, que veio de Caetité e falava várias línguas. Foi o fundador do espiritismo em Conquista. Naquela “época do ronca”, o coronel José Zeferino Correia foi a Salvador reivindicar uma estrada Conquista-Poções-Jequié.

O Governo não atendeu, mas eles se juntaram e construíram a obra, tendo como engenheiro o pai de Pedral Sampaio. Pediu uma agência bancária e conseguiu a do Econômico, a segunda unidade instalada na Bahia. Como um dedo de prosa puxa outro, o patrimônio arquitetônico da nossa cidade, embora a maior parte tenha sido demolida, ainda conserva muitas histórias do Arco da Velha.

Não deixam de ser fatos do Arco da Velha, mas, como são relatos inusitados, vamos para o moderno do mundo tecnológico da internet e do Brasil de hoje. O Congresso Nacional, por exemplo, o pior da nossa história, aprova projetos do Arco da Velha, como o mais recente aumento salarial dos seus servidores, repleto de penduricalhos, bem como as verbas de gabinete, logo seus membros que exigem cortes de gastos do poder executivo!

As fake news (falsas notícias, fotos e vídeos montados), os bárbaros crimes, o político que rouba o dinheiro da merenda escolar e medicamentos de hospitais, as artes dos golpistas que substituíram os contos do vigário e dos bilhetes premiados, não deixam de ser também coisas do Arco da Velha. Roubar gado e cavalo no pasto, bater carteira (não tem mais dinheiro), assalto a mão armada são literalmente arcaicos delitos do Arco da Velha diante dos avanços nas modalidades criminais.

A Polícia Rodoviária Federal acaba de criar um Arco da Velha ao apreender uma ambulância que estava irregular e deixar um velho moribundo estirado no chão até que outro veículo viesse busca-lo. Existem muitos outros Arcos das Velhas vagando por aí que nos deixam estonteados.

A Inteligência Artificial, meus camaradas, ressuscita até mortos, cantando, tocando, escrevendo e falando seus casos do Arco da Velha. É assombroso e pavoroso! Experimente mandar ela narrar uma história do Arco da Velha, como mula sem cabeça, vaca voadora, mãe do ouro, lobisomem em noite de lua cheia, ou mesmo fatos hilários que ocorreram em Conquista! A IA vai lhe dar tudo do Arco da Velha.

Estava aqui a pensar com meus botões, por que a IA e os vídeos falsos não invertem as falas e pronunciamentos desses pregadores extremistas fanáticos do ódio e da intolerância, passando a expressar coisas boas e dando uma de bonzinhos, inclusive incentivando a vacinação e elogiando seus opositores?

Imaginou o cachorro louco do Trump fazendo tudo ao contrário, abraçando o Maduro, da Venezuela, condenando as invasões e defendendo os imigrantes! O Putin, da Rússia, parando de jogar bombas na Ucrânia e devolvendo os territórios invadidos! O Benjamin Netanyahu, o “Bibi”, de Israel, reconhecendo o Estado Palestino! O Xi Jinping, da China, trocando seu regime de ditador para a democracia e a liberdade de expressão!

Qual nada, meu amigo, esses personagens são reencarnações das histórias medievais do Arco da Velha, como Hitler, Stalin e tantos outros tiranos. As inquisições da Igreja Católica, as Cruzadas, os Templários estão cheias de fatos do Arco da Velha, numa dita aliança com Deus. Do Antigo Testamento, nem se fala! São mais que do Arco da Velha!

Melhor mesmo é voltar a contar e a prosear os nossos casos do Arco da Velha, de preferência saídos dos mágicos baús do agreste nordestino de João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego e Manuel Bandeira que decidiu ir para Passárgada onde também tinha e tem muitas histórias encantadoras de reis, rainhas e heróis conquistadores.

 

 

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia