“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
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DERROCADA DO CANGAÇO NORDESTINO COM A MORTE DO “SENHOR DO SERTÃO”
DEPOIS DE MAIS DE 50 ANOS, PASSANDO POR ANTÔNIO SILVINO, SENHOR PEREIRA, JESUÍNO BRILHANTE E TANTOS OUTROS CHEFES VALENTES, O CANGAÇO ENTRA EM DERROCADA COM A MORTE DE LAMPIÃO, O “SENHOR DO SERTÃO”. CURISCO TENTA OCUPAR O POSTO DO CHEFE, MAS TAMBÉM É TOMBADO EM 1940.
Lá pelos meados dos anos trinta, com o cansaço nas brigadas e persigas nos sertões das caatingas, doenças nas vistas e nos rins, a morte do seu protetor “Padim Ciço”, o padre Cícero Romão, de Juazeiro do Norte, em 20 de julho de 1934, aos 90 anos, Lampião não era mais o mesmo de sempre; andava macambúzio; era descuidado; vacilava nas decisões; e não tinha mais aquela disposição nos combates contra as forças das volantes.
Os próprios companheiros do cangaço sentiam e diziam isso, principalmente os “cumpades” mais chegados, como Curisco, Labareda, Saracura, Zé Sereno, Luiz Pedro e outros. Quis o destino que um seu conterrâneo, de Serra Talhada (Pernambuco), o tenente João Bezerra, servindo no Batalhão de Alagoas, com mais as volantes de Ferreira e Aniceto, lhe tirasse a vida, em 28 de julho de 1938, na gruta de Angico, ou Angicos, em Sergipe.
Em entrevista ao médico e antropólogo Estácio Lima, autor do livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, o já coronel João Bezerra disse que a morte de Lampião não foi um mero acaso, mas resultou da tenacidade comprovada de vários anos de lutas. O já coronel Ferreira de Melo (leptossomático) leva em conta a escolha de indivíduos preparados. “Levamos a vantagem da surpresa”.
Foram ao todo onze abatidos que tiveram suas cabeças decepadas, das quais somente as de Lampião e Maria Bonita foram para o Museu Estácio de Lima, em Salvador, na Bahia.
Ferreira diz que sua força foi a primeira que atirou, mas até hoje não se sabe ao certo de onde partiu a primeira bala que pôs fim a Lampião, se de Bezerra, Ferreira, sargento Aniceto ou outro “macaco” como assim denominavam os cangaceiros quando se referiam aos soldados.
O Batalhão de Polícia de Alagoas, sediado em Santana do Ipanema, era comandado pelo coronel José Lucena, um dos maiores inimigos de Lampião, possível matador do seu pai e irmão mais novo.
Antes de tudo acontecer, Bezerra havia deixado Piranhas para ir a Pedra se encontrar com Ferreira, para umas batidas nas caatingas de Moxotó.
Bezerra havia partido quando surge um portador, em Piranhas, com um telegrama do sargento Aniceto. O texto dizia “Bois no Curral” ou “garrotes no Pasto”, o que na tradução significava “Lampião aqui por perto, venha urgente”.
Os dois, Bezerra e Aniceto, acertaram se encontrar na estrada. Com Ferreira, a tropa viajou, em 27 de julho à noite, pelo Rio São Francisco em três canoas cheias de soldados, para não deixar rastros. O destino era Entre Montes.
Os soldados não sabiam da missão e deviam ficar calados, mas temiam os bancos de areia. Um deles chegou a dizer que “nóis quer morre brigano, afogado é ruim”. Nas margens do rio, mandaram buscar o coiteiro que negou sua ligação com os bandidos. “Ponta de faca, porém não brinca”.
O coiteiro Domingos, vaqueiro e barqueiro, que cortava dos dois lados nas informações, tipo X9 dos militares, terminou abrindo o bico. O comando, então, foi pegar o segundo coiteiro parente do outro, o Pedro da Cândida. ”Ou diz tudo, ou morre”. Passava da meia noite quando os canoeiros partiram. Os coiteiros conheciam toda área e sabiam conduzir as volantes naquelas densas trevas.
Tinham que subir o morro rastejando, para não deixar pistas e suspeitas. Não foi encontrado nenhum vigia do grupo, que esqueceu as “boscadas”. No clarear do dia, o aspirante Ferreira se deparou a poucos metros dos cangaceiros. Zé Serenos e outros foram logo reconhecidos.
A volante de Ferreira estava em boa situação, só esperando o sinal do comandante Bezerra. Alguns bandoleiros pressentiram o cheiro dos “macacos” e deram o alarme. Ferreira não pode mais esperar e abriu fogo cerrado. A confusão se estabeleceu e alguns cabras caíram logo.
Os primeiros que reagiram foram Zé Sereno e Luiz Pedro, mas já era tarde demais. Um grito anunciou que o “Governador do sertão” se achava baleado. Dizem que partiu de Maria Bonita. Luiz Pedro acorreu para perto do chefe, tentando acudi-lo.
Maria Bonita teria falado: Você não disse que desejava morrer na mesma hora de Lampião? Pois agora espie, aqui, o homem como está”… O capitão agonizava, sem gemidos. Luiz Pedro tomou-lhe o mosquetão e o chapéu bordado de estrelas. A companheira tentou fugir, mas também foi tombada.
Mesmo ferido, Bezerra não deixava a metralhadora silenciar, bem como Aniceto com seus homens. Tudo foi bem planejado. No combate, Luiz Pedro foi atingido nas costas, ou no peito.
Seu afilhado Vila Nova tentou ajudá-lo, mas ele pediu que o matasse antes das volantes. Zé Sereno conseguiu escapar com sua companheira Cila que depois foi para São Paulo parar nos braços de outro. O cangaço praticamente acabou ali, mas Curisco tentou resistir, ocupar o lugar do chefe e se vingar dos traidores.
AS FACES OCULTAS DA TERRA
A NASA, com seus bilhões de dólares, manda um foguete ao espaço com astronautas para ver a face oculta da lua e faz a viagem mais longa da sua história, enquanto aqui a terra pega fogo com foguetes militares, drones e mísseis carregados de bombas para aniquilar a vida de milhares e milhões de humanos.
A grande mídia faz um estardalhaço anunciando que o recorde é um marco na história da humanidade e que os próximos passos são realizar outras jornadas para pousar na lua. É um escárnio às vítimas das matanças genocidas, com tantos sofrimentos, lágrimas e dores.
Oh, o homem já não foi à lua, em 1969, ou tudo aquilo não passou de uma montagem mentirosa para cantar vitória sobre a União Soviética durante a guerra fria? Até hoje há quem conteste e não acredita. Com tantas mentiras, a verdade termina sendo ofuscada e colocada em dúvida.
Aliás, as mentiras, as atrocidades, as indiferenças, as loucuras psicopáticas e o sadismo dos criminosos genocidas e tiranos são algumas das faces ocultas tenebrosas da terra. Não é preciso ir à lua.
As trevas estão aqui entre nós, causadas pelos lunáticos da história. O imperialismo colonizador dominante, os massacres em massa de nações pobres, como na África, o holocausto dos palestinos, as “veias abertas da América Latina” (Eduardo Galeano), o nazifascismo, a eugenia e a seleção de raças por esterilização, processos iniciados pelos norte-americanos e copiados por Hitler, a escravidão dos negros, são as faces ocultas e tenebrosas do nosso planeta.
A fome talvez seja a pior de todas essas faces de aparências mitológicas monstruosas de causar medo e arrepios, mas estamos mais interessados na face oculta da lua. Desde os primórdios hominídeos dos distantes ancestrais (origem africana), há três ou cinco milhões de anos, dos mais próximo (2,5 milhões), convivemos com essas faces do bicho homem, de tempos em tempos.
A partir do homo sapiens, o habilis ou erectus, há mais de 300 mil anos, conforme fósseis encontrados no Marrocos, a humanidade passou a conviver, em maior intensidade, com essas faces cada vez mais cruéis, criadas por assassinos em suas naves voadoras e destruidoras das espécies humanas.
Passaram-se civilizações imperialistas com suas faces ocultas que só deixaram mortes, pestes, tiranias, terror, fome e misérias, mas uma das priores dos tempos “modernos” é o próprio Estados Unidos que causam pânico e horror. Sua face está entre as mais repugnantes da história, mas ela está definhando nas trevas do mal.
Os países mais pobres, como do continente africano, alguns asiáticos e os da América Latina, são as faces ocultas da terra que são exploradas pelas outras faces que se nutrem do sangue dos humanos que vivem na escuridão da linha do tempo. Suas naves são poderosas, e dos seus foguetes jorram fogo e fumaças, mas elas estão caiando e sendo derrubadas.
ESCOLHA O SEU PECADO
(Chico Ribeiro Neto)
Um funcionário público amigo, “ligeiramente gordo”, foi ao médico e constatou estar com pressão alta. O médico lhe recomendou deixar de fumar logo, e ele, sabiamente, saiu com esta:
“Doutor, eu não bebo, não jogo e não raparigo. Deixa eu ter só um pecadinho na vida, senão viro santo e a Igreja já está cheia deles”.
Ele, felizmente, continua gordo, vivo e fumando. Um pecado deixa-o vivo, porque não quer acabar santo. Algum diabinho no meio da vida para animar.
Desde pequeno que sempre achei os capetinhas mais interessantes. Nas histórias que lia, em quadrinhos, o capetinha dava saltos, espetava todo mundo, colocava pimenta no café dos outros, aprontava mesmo.
O anjinho sempre tem uma cara sem graça, principalmente aqueles de procissão, representados por crianças: as mãos eternamente postas e duas asas de papelão que sempre despencavam de um lado.
Lembro como foi terrível enfrentar a ameaça de que a gente podia pecar por pensamentos, palavras e obras. Na minha Primeira Comunhão foi aquele negócio de todo mundo se confessar num dia e comungar no outro. Não deu outra: de noite, na hora de dormir, era só fechar o olho que aparecia um muro branco com um enorme palavrão (PORRA) escrito de fora a fora. Felizmente, minha mãe Cleonice me disse que não seria preciso se confessar de novo, pois se tratava de um pecado leve, um venialzinho.
A propósito dos pecados veniais, vale lembrar Rachel de Queiroz em “100 Crônicas Escolhidas: “Continua pecando os seus pecadinhos veniais, já que para os pecados mortais já não tem ocasião nem energia”.
Um pecadinho aqui, outro lá, uma birra aqui, uma zanga lá; desejar que o sujeito que lhe deu uma fechada se enfie num poste logo ali adiante; que o comerciário que lhe tratou tão mal não venda mais nada até o Natal; que o taxista que lhe roubou na Rodoviária fure três pneus de uma vez; que o motorista que não parou no ponto receba uma suspensão ou até demissão; que o mecânico enrolão ganhe uma prisão.
Só assim dá pra enfrentar esse mundo: com vários pecadinhos, na exata medida da vida, essa costura de bem e mal que tem hora que a gente não sabe quem é qual.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 11/12/1991)
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
OS TRILHOS EM NOSSAS MEMÓRIAS
As linhas férreas por onde passavam os trens de passageiros podem estar abandonadas nos sertões das caatingas, mas nunca deixarão de existir porque ficaram em nossas memórias de menino e perduram até hoje. Não dá para entender como um país tão continental troca o trem pelas rodovias congestionadas de carretas movidas a diesel provocando terríveis impactos ambientais, sem falar nos altos custos para a nação! É o paradoxo se somando à insensatez dos nossos governantes que liquidaram todo um patrimônio valioso da nossa história, pago pelos contribuintes. Assim como os trilhos dentro do mato, flagrados pelas nossas lentes no sertão de Juazeiro, as estações ferroviárias, em sua grande maioria, foram destruídas pelo tempo. Como era gostoso e divertido viajar de trem e sentir o solavanco dos vagões cortando belas paisagens, de estação em estação, de cada cidade e distrito! Mais prazeroso ainda era quando anoitecia e o passageiro podia apreciar da janela o belo luar prateando as serras e os morros. Se tudo isso fosse preservado, teríamos hoje trens modernos, linhas renovadas, e as viagens seriam bem mais econômicas, sem falar que as rodovias seriam desafogadas e haveriam menos acidentes. As velhas gerações nunca vão tirar os trilhos de suas memórias. Eles vão continuar existindo.
VIAJANTE SOLITÁRIO
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Certa vez,
Alguém me disse
Que sou viajante solitário:
Respondi abrindo meu relicário.
Cada um tem sua história,
Guardada em sua memória,
De derrotas, angústias e vitórias.
Nesse universo controverso,
Vou rabiscando meu verso,
Com tanta gente,
Arrastando sua dor,
Nas correntes do amor.
No silêncio do meu interior,
Sou caçada e caçador,
Sigo minha viagem,
Entre o medo e a coragem.
O senhor tempo
Quebra nossos ossos por dentro,
E se vai perdendo o movimento,
No arrojo do vento.
Ainda conservo
Minha mochila surrada,
Das caminhadas viscerais,
Algumas peças enferrujadas,
Lembranças das jornadas,
De desafios nos vendavais.
AS CHUVAS E OS BURACOS NA CIDADE
As sessões ordinárias na Câmara Municipal de Vitória da Conquista ainda continuam com a cara de uma feira livre onde predominam as conversas paralelas e as falas dos vereadores são pouco escutadas pela presença dos frequentadores.
A de ontem (quarta-feira, dia 08/04) não foi diferente, mesmo com pouca gente na plenária, sem falar do uso demasiado do celular durante os debates. Os discursos dos parlamentares batem na mesma tecla das fortes chuvas e da buraqueira nas zonas urbana e rural, e o que estão realizando para mitigar os problemas.
As falas dão uma certa impressão de que o vereador inverteu o seu papel de legislar para executar. Os conquistenses esperam mais questionamentos e profundidade nos discursos quanto aos problemas social, econômico e político de Conquista.
Após as moções de aplausos à TV Sudoeste pelos seus 33 anos de existência, homenagem ao programa “Som da Terra”, comandado na Rádio Clube pelos poetas, compositores e músicos Jânio Arapiranga e Vadinho Barreto, moção de pesar pela morte de Anfilófio Pedral, irmão do ex-prefeito José Pedral, o presidente da Casa, Ivan Cordeiro, abriu a tribuna para os parlamentares presentes. Muitos estão ausentes nas chamadas.
O vereador Paulinho Oliveira, em sua fala, fez menção às fortes chuvas que caíram em Conquista em março, provocando uma buraqueira em toda cidade e nos distritos e povoados. Enfatizou a necessidade da urgente Operação Tapa Buracos.
A parlamentar Leia de Quinho denunciou os últimos casos de violência registrados contra as mulheres, fazendo um apelo à mídia para que os fatos sejam mais noticiados com empatia e menos sensacionalismos.
Adinilson Pereira apresentou um vídeo sobre sua viagem a Salvador visando tratar dos problemas de Conquista. Disse que o Bairro Lagoa das Flores precisa de urgentes serviços de esgotamento sanitário e drenagem para minimizar os impactos das chuvas. Ele também se referiu ao distrito de São Sebastião com relação aos buracos nas ruas.
Ricardo Gordo parabenizou o governador Jerônimo pela iniciativa de construção de sete novas unidades de saúde no município, tipo top, como se fossem mini hospitais. Elogiou a parceria com a Prefeitura Municipal que cedeu os terrenos para as obras.
Na ocasião, reclamou dos campos de futebol de alguns bairros (quadra da Praça Norberto Aurich) que estão sem iluminação e não funcionam à noite. Afirmou também que as pessoas não estão recebendo tratamento de câncer em Conquista.
Luis Carlos Dudé lembrou das obras realizadas na gestão do prefeito Hérzem Gusmão e anunciou que o poder executivo formalizou a realização de serviços de reforma da Feira do Bairro Brasil, a Feirinha, com recursos próprios.
O vereador “Babão” informou que, por seu intermédio, máquinas estão trabalhando no reparo de estradas na região do povoado da Roseira, beneficiando diversas localidades que estavam necessitando de patrulhamento. O subtenente Muniz enfatizou que a zona rural está carente de melhorias em diversos setores.
RICO NÃO ENTRA EM FILA
POBRE ENTRA EM QUALQUER FILA, MESMO SEM SABER DO QUE SE TRATA. PEGOU GOSTO PELA COISA.
Ainda falam por aí que todos somos iguais, mesmo diante de tantas desigualdades e injustiças sociais. Isso não passa de um devaneio ou uma piada de mau gosto. Numa discussão acalorada onde o endinheirado sempre leva a melhor, costuma-se abrir a boca para soltar este clichê desgastado e arranhado, como faixa de vinil velho.
Você, por acaso, já viu algum rico engravatado no paletó, um político ou uma autoridade do poder numa fila de banco, nos SUS para pegar uma senha de atendimento médico, no SAC para tirar uma carteira de identidade, habilitação, resolver uma pendência burocrática, numa fila no Fórum para tirar o título eleitoral ou numa repartição pública com um monte de documentos na mão?
É, camaradas, definitivamente, rico não entra em fila e todas são chamadas de indianas. É um atrás do outro – às vezes embola o meio de campo e lá vem o segurança estúpido fazer o “freio de arrumação” – com os compadres e a comadres alardeando fofocas e falando da vida dos outros.
É só ficar de orelha em pé que se escuta coisas do arco da velha e muito besteirol também. Tem senhora que faz um tapete de crochê na fila, que rende crônica, poesia, reportagem jornalística de montão e até dá música. Fila é uma fonte de inspiração, se bem que de estresse e doenças físicas para muitos, sobretudo idosos.
Pobre tem uma paciência de Jó, pouco reclama, não questiona se só tem um atendente e nem protesta quanto a demora de chegar à sua vez. O celular na mão é o passa tempo, tanto que nem ouve quando sua senha é chamada. Fila tornou-se prazer, lazer e divertimento de pobre. É como um domingo no parque!
Em lotéricas, por exemplo, só se vê caras de pobres discutindo o custo de vida, com a mão cheia de boletos e faturas para pagar. Ah, não pode faltar uma cartela de jogos para arriscar na “fezinha”! Afinal de contas, a esperança é a última que morre! Nas padarias e confeitarias, quem está lá na fila do pão? É, meus amigos, definitivamente, rico não entra em fila.
Percebeu como numa fila tem figuras estranhas! Uns calados remoendo seus problemas por dentro. Outros tagarelas dizendo besteiras e tem o vendedor de comidas e bugigangas paraguaias, os pedintes e não pode faltar o pregador com a Bíblia na mão ensinando ser resignado e xingando o diabo.
Às vezes surge uma confusão de bate-boca daquele tipo de “baixar o barraco”. Ah, tem muitos lamentos e contação de vida. Fila no Brasil deveria ser tombada como patrimônio cultural nacional, não importando se material, ou imaterial.
Experimenta formar uma fila de treita ou “pegadinha” numa praça, numa esquina, rua ou avenida qualquer! Em pouco tempo tem um mundaréu de gente, pensando ser fila de emprego, ou então para receber alguma doação do governo.
Sempre fico intrigado e encafifado quando entro nessas filas, principalmente para renovar identidade ou o documento eleitoral! Olho para todos os cantos e só vejo trabalhador e pessoas de baixo poder aquisitivo. É um sofrimento danado e ainda tem os “furas filas”. Nesse país, é o pobre passando a rasteira no pobre.
Será que existem funcionários específicos só para atender as regalias dos ricos e poderosos? Para fazer a biometria, por exemplo, a maquininha é levada em sua casa, ao escritório ou em seu gabinete confortável luxuoso? Sei que eles têm funcionários para isso, mas em algumas circunstâncias existe a necessidade da presença pessoal.
Desde quando me entendo por gente, quando fui tirar minha primeira identidade, no Instituto Pedro Melo, em Salvador, e tive que acordar madrugada para andar a pé mais de 15 quilômetros, perdi a conta de quantas filas fui obrigado a entrar e só vi gente pobre necessitada.
E você, que ainda vive pegando fila, já viu algum figurão, madama com cachorrinho no colo, ou mesmo um idoso da alta sociedade? Já viu algum importante político, uma celebridade, um famoso (a) numa fila? Acho que nem vereador do interior mais pequeno entra em fila.
Não existe empresário ou político numa fila de banco para resolver algum problema de empréstimo, prova de vida ou cartão de crédito. O rico tem horário especial, depois ou antes do expediente, tomando um cafezinho na mesa do gerente, numa boa!
Com a tecnologia da internet, sabemos que praticamente todas as coisas podem ser solucionadas através dos aplicativos, no modo virtual, mas ainda existem exceções. E antes da internet, quando tudo tinha que ser feito de forma presencial?
Desde as antigas civilizações as filas foram criadas para pobres. Os súditos faziam filas para beijar a mão do rei, mas a nobreza não entrava nessa porque tinha livre acesso aos palácios e às graças dos imperadores e rainhas.
TEMPOS DIFÍCEIS PARA JORNALISTAS NA COMEMORAÇÃO DO SETE DE ABRIL
Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profissão como revisor, no início de 1973, ano da minha graduação como bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos difíceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de expressão quando os homens da farda faziam o papel de cão de guarda para censurar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso.
Em Vitória da Conquista, quando vim assumir a chefia da Sucursal do Jornal A Tarde, em 1991, era o único jornalista diplomado e hoje sou o decano dos jornalistas. Estou completando 53 anos de profissão, com muito orgulho, mas tenho minhas críticas. Aliás, acima de tudo, jornalista tem que ser um crítico.
Apesar de toda mordaça, os jornalistas eram mais combativos e participativos. Tudo faziam para driblar a opressão dos generais. Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associações brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas.
Naquela época, nem se falava de “fake news”, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual. Grande parte da atividade foi banalizada e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.
Nada contra a evolução tecnológica onde a notícia é mais veloz que uma bala e pode ser mortal se for infundada. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (não precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espaços da profissão.
Poucos que optaram pela área e passaram a frequentar as escolas seguiram a carreira. Caiu o nível de formação e aumentou o noticiário de matérias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investigação.
Em Conquista, cheguei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e fui vice-presidente da entidade. Continuo escrevendo porque é o alimento da minha alma e, se tivesse que recomeçar, seria novamente jornalista.
DIA DO JORNALISTA
Nesse 7 de abril, Dia do Jornalista (terça-feira), infelizmente, pouco se tem a comemorar. Mesmo no período duro do regime militar, existia mais união e celebração com aqueles memoráveis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. É dia de reflexão e luta por mais espaço e reconhecimento do diploma, bem como contra a violência aos profissionais, da qual fui vítima.
O Dia do Jornalista e pouco lembrado pela própria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). A data foi criada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reunião de coletiva de imprensa.
Um deles é que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a própria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associação situa-se no Rio de Janeiro, e é um centro de ação que tem como objetivo assegurar os direitos à classe.
Também no dia 16 de fevereiro foi comemorado o “Dia do Repórter”, que está ligado a um episódio da nossa história do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró, morto no dia 22 de novembro de 1830.
Ele participou de diversas lutas a favor da Independência do Brasil. Era proprietário do jornal “Observador Constitucional” e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje tão vilipendiada.
Badaró teve uma morte misteriosa, mas, segundo a história, inimigos políticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento à população e culminou na abdicação do trono de Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831.
Só para reportar a história, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doação de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que dá nome ao principal prêmio concedido a jornalistas premiados.
No Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a instituição chama-se Faculdade Gásper Liberó e localiza-se no prédio da antiga Gazeta, na Avenida Paulista.
TEORIA E PRÁTICA
Quando adentrei na redação era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas provisionados no Ministério do Trabalho. Na década de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos.
Dizia-se que jornalismo era uma vocação, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da notícia, o que não deixava de ser uma verdade, mas a formação teórica com a prática fortalece mais a profissão e dar mais credibilidade.
A briga gerou uma disputa de ações na justiça para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se não me engano, entre as décadas de 80 e 90. A ação caiu nas mãos do Supremo Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contrário ao diploma, fez uma leviana comparação entre a culinária e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar não precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.
As faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a própria Facom, da Ufba, a Uesb que começou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estruturação) e tantas outras particulares. Mesmo com a não obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas dão mais preferência aos formados, valorizando a formação escolar e o conhecimento.
Para marcar a data, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da área costumam fazer reflexões importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os salários e o futuro da profissão.
O curso de Jornalismo é ministrado nas principais universidades do país durante quatro anos ou oito períodos. Os estudantes têm aulas teóricas, como teoria da comunicação, história da imprensa, ética e legislação, história da arte, práticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.
O jornalista é o profissional que tem o papel de informar os fatos à sociedade, um contador de histórias, com responsabilidade perante a opinião pública.
Ele pode atuar em meios de comunicação, como rádio, TV, jornal, revista e internet. Também é comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunicação e imprensa e, mais recentemente, em mídias digitais, tais como redes sociais e blogs.
COISAS EM QUE SOMOS OBRIGADOS A FAZER NO MUNDO MODERNO
NOS TEMPOS ATUAIS, SOMOS CARIMBADOS E ROTULADOS COMO EMBALAGENS DE MERCADORIAS EM PRATELEIRAS DE SUPERMERCADOS.
O mundo moderno-tecnológico e capitalista nos obrigou a fazer coisas com base no apelativo comercial de que nisso está o tesouro da felicidade. Para não ficarmos de fora, seguimos o mesmo ritual. Agimos por impulso e não questionamos os motivos. Temos até medo de ficarmos de fora para não sermos julgados pelos outros.
Somos obrigados a mentir para nós mesmos quando concordamos com certas posições que não são nossas, a dar um sim quando deveria ser um não, a nos vigiar para sermos cordiais em certas circunstâncias adversas e até seguirmos aquilo que não acreditamos. Cada vez mais deixamos de ser verdadeiros, para sermos meras cópias imitadoras retiradas do nosso inconsciente.
São muitas atitudes do dia a dia que não vou elencar aqui, e uma delas é a forma de pensar diferente. O nosso povo está cada vez mais alienado e menos consciente por falta do conhecimento e do saber, que cederam lugar às doutrinas religiosas, disseminadas em nossas mentes através da chamada lavagem cerebral.
A inversão de valores aos poucos aniquilou a nossa cultura advinda da sabedoria ancestral calcada na ética, na honestidade e no compromisso com a palavra. Na nossa geração, éramos habituados a dar benção aos pais e a respeitar os mais velhos. Hoje é coisa velha e inadequada. Vale o moderno com seus ditames obrigatórios.
Por que temos quer comprar um ovo de páscoa, mesmo independente da crença, às vezes sem condições financeiras, sendo cristão ou não? A mulher no supermercado diz: “Está muito caro, mas temos que levar”. Olha que ela já fala no plural, como se dissesse que todos são obrigados.
Esta forma de ação alienada é apenas um exemplo, mas temos muitas outras nas quais seguimos cegamente o apelativo comercial. No Natal, temos que comprar um presente, fazer mesa farta e se empanturrar, inclusive com comida que não fazem parte das nossas tradições.
Na Sexta-Feira da Paixão, está lá o caruru misturado com as peixadas, e a maioria faz isso seguindo a onda como se fosse estouro da boiada. Muitas vezes, nem importa a crença, se cristão ou não. Todos ficam em filas nas compras. Vi num supermercado um mói de quiabo, deveria ter uns dez, pelo preço absurdo de 18 reais.
No domingo é a vez da cruzada dos ovos de páscoa, simbolizando o coelho (não põe ovos), onde entra a indústria chocolateira gananciosa pelos lucros, para dizer que você é obrigado a comprar um ou mais para seus filhos, senão vai recair sobre si o sentimento de culpa imperdoável.
A origem dos ovos de páscoa remonta a tradições pagãs milenares dos antigos egípcios e persas (Irã) que os decoravam para celebrar a vida e o renascer da primavera. O cristianismo pegou esse gancho para relembrar a ressureição de Jesus.
Os ovos feitos de chocolate começaram na França lá pelos séculos XVII e XVIII. Os germânicos celebravam a deusa Ostara e o costume foi incorporado à Semana Santa.
Interessante que na Idade Média, a Igreja Católica proibia consumir os ovos durante a quaresma e liberava no Domingo de Páscoa. Os ovos passaram a ser produzidos em escala comercial a partir do século XIX e hoje se tornaram obrigatórios, simplesmente o comer por comer. O certo é se lambuzar na “felicidade ilusória” e cara.
“CUMA CUNTECEU” NAS REVELAÇÕES DO VALENTE CANGACEIRO LABAREDA
O médico e antropólogo Estácio de Lima, em sua obra “O Mundo Estranho dos Cangaceiros” transcreve uma entrevista que fez com Ângelo Roque da Costa (Anjo), vulgo Labareda, do grupo de Lampião, na linguagem matuta, com pitadas poéticas, ipsis liter, difícil de se falar e escrever.
Na época em que Lampião foi morto, em 1938, na gruta do Angico (Sergipe), Estácio era presidente do Conselho Penitenciário da Bahia e acolheu e defendeu muitos cangaceiros presos e outros que se entregaram. Ele chegou a empregar alguns depois de indultados.
Na entrevista, Labareda descreve o chefe que muitas vezes vacilava nas decisões e era afrontado. Quando “carmo” “agia como uma moça, mas aperreado era uma fera”. Era cruel e até justo em algumas ocasiões. Ás vezes se apiedava da pobreza e distribuía algum dinheiro. Não perdoava quem o denunciava aos “macacos”.
Labareda, nascido pelas bandas de Santo Antônio da Glória (Curral dos Bois), na Bahia, conta que ajudava os véio na roça. “Minha mãe era mulé da cusinha, dus fio i da inxada. Eram arremediados. “Só nus tempo di seca qui parecia u mundo i si acaba!”
Como Anjo Roque se bardiô prô cangaço? Tudo foi por causo da sua irmã Sabina, de quinze anos. O soldado Horácio Caboclo (Couro Seco) mandou uma carta para sua irmã chamando-a para fugir. Anjo foi ao juiz de Direito. “Ele entonces mi arrespondeu qui u sordado tamém tinha irimã e cumo ele namorava cum a minha irimã, eu fizesse u mesmo, cum a do sordado”. Naquele tempo, soldado mandava no interior mais que o prefeito.
– Entonces, Doutô, visto isso, só si tomano pruvidença, pru conta da gente.
– Vá si cria, mínimo – foi a resposta do juiz. – Já tô criado, Doutô.
O soldado disse que ia buscar a Sabina. “Cabra zarro, ele disse i compareceu. Mas num vortou! Ficou ispichado nu chão”. O Pai de Couro Seco (André Cabôco) deu uma facada nas costas de Anjo Roque, que o enganou dizendo que ia para São Paulo. No dia seguinte ele recebeu um “certêro”. “Ele miricia; era ordinário i ruim Cuma a peste. Foi duas onça qui eu tirei du pasto, us povo dizia”.
Dias depois, Anjo Roque foi cercado em sua casa. Houve brigada e seu irmão e sua mulher foram mortos. Tocaram fogo em sua casa com seu pai dentro, bem como no curral, na casa de farinha e no chiqueiro – conforme relata.
Labareda conta que a única saída foi pedir proteção ao um coronel de Jeremoabo. Depois se entranhou no Raso da Catarina onde lutou contra a força e matou um sargento. Houve violência contra seus parentes.
No aperto, Anjo Roque, o Labareda, procurou Lampião e entrou para o grupo composto por oito homens (Curisco, Arvoredo, Virginio, Luis Pedro, Ezequiel, Fortaleza, Volta Seca, entre outros), isto em 1928.
Depois disso ele narra as viagens das brigadas e persigas pelas caatingas que fez com Lampião pela Bahia, inclusive em Queimadas, onde muitos soldados foram mortos. Em seu português caipira, ele conta os aperreios dos cangaceiros, o dia em que Lampião quase morre de sede no sertão.
“Bebemo cum muita ganaça e u rezurtado foi qui provequemo, i a gente gumitô tudo”. Segundo ele, quando se está com muita sede, água só segura na barriga, quando misturada com rapadura ou farinha.
“Tivemo nutiça qui, in Juazêro, havia u´a viúva véia muito rica: Viajemo na procura da viúva. Cheguemo in casa dela, cum u quilariá du dia”. Levaram tudo dela e mais 10 contos de réis.
Em Pernambuco, num lugar chamado de Tacutiara, o bando se encontrou com um soldado da força que mentiu dizendo ser tangedor de burro. Após ser descoberto, “Lampião cortô a cabeça dele vivo deitano ele no chão Cuma si faz cum galinha.
Anjo Roque conta outras histórias macabras e que havia desentendimentos entre os cangaceiros, mas sempre se acertavam, inclusive que algumas vezes o chefe Lampião chegava a ser contrariado, mas tinha suas saídas estratégicas e até se compadecia dos mais pobres em alguns casos.
Certa vez, Lampião resolveu matar um fazendeiro com quem tinha se desentendido e Labareda tentou impedi-lo, dizendo que o filho havia dado cinco contos para livrar o pai. Era seu conhecido. Mesmo assim, Virgulino Ferreira não aceitou e os dois tiveram um entrevero. No final, o chefe concordou desde que o coronel desse um conto a cada cangaceiro do seu grupo.
















