“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
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TEMOS QUE FAZER MUITO MAIS PELA NOSSA CULTURA DE CONQUISTA
Declarar as Quadrilhas Juninas como Patrimônio Cultural e Imaterial de Vitória da Conquista, bem como os Ternos de Reis não é o bastante. É um reconhecimento tardio, mas temos que fazer muito mais pela nossa cultural.
A Câmara Municipal de Vereadores está aprovando estas proposições, como instituir o “Dia Municipal dos Ternos de Reis”, o que é mais que justo para preservar nossas tradições que vieram de Portugal, da Península Ibérica e até da França e se incorporaram ao povo nordestino.
Ao longo dos anos, essas expressões culturais de grande valor foram, infelizmente, perdendo suas características em razão de vários fatores e um deles foi o progresso, sem excluir a negligência dos poderes públicos municipal, estadual e federal que têm a responsabilidade e o dever de apoiar e preservar nossa história cultural através, principalmente, da ajuda financeira.
As Quadrilhas Juninas que vieram das cortes francesas e fazem parte das festas de São João, foram se enfraquecendo porque muitas deixaram de passar dos pais para os filhos; os recursos públicos foram ficando escassos; e o próprio festejo junino sofreu fortes mudanças com a introdução de outros ritmos musicais, chamados de lixo, que nada têm a ver com o nosso autêntico forró, forrobodó “pé de serra”. São as conhecidas influências más.
As quadrilhas deveriam ser um dos principais destaques do São João. Elas agora são apresentadas em horários diferentes, muitas vezes na parte da tarde, justamente quando tem pouco público. As danças e as coreografias não são mais as mesmas, sem falar das indumentárias que mais parecem terem saídas das alas das escolas de samba.
Tudo isso vai se esvaindo no tempo e a tradição cultural sendo engolida por outras manifestações. Praticamente o mesmo ocorre com os Ternos de Reis, de cunho mais religioso do catolicismo, ligados ao nascimento do menino Jesus que recebeu em sua manjedoura os três reis do Oriente.
Muitos grupos de Ternos foram se acabando por falta do apoio logístico e financeiro das prefeituras que preferem pagar altos cachês a bandas e cantores do axé, do arrocha, da sofrência, do sertanejo e das lambadas. Os prefeitos alardeiam que faltam recursos para fortalecer essas entidades, o que não é verdade.
Aqui mesmo em Vitória da Conquista o nosso São João foi descaracterizado, onde a zabumba, a sanfona e o triângulo deram lugar à guitarra, à bateria, outros instrumentos barulhentos e aos rebolados das danças que nada têm a ver com o forró.
Sem nível de instrução, conhecimento e saber cultural, principalmente da parte dos jovens, o povo abraça essas mudanças “assassinas” e aplaude os gestores que estão sepultando nossas tradições culturais. No entendimento deles, essa prática dá votos eleitorais. Na ótica deles, que se lasque a cultura.
Portanto, senhores vereadores do legislativo de Conquista, não basta apenas declarar e reconhecer essas manifestações culturais como patrimônio material e imaterial do município. Tem que cobrar do poder executivo a revitalização dessas entidades e da cultura como um todo.
Para tanto, esta Casa, que se diz que é do povo, precisa realizar audiências e sessões especiais para debater as questões da nossa cultura; saber como ela está sendo assistida; exigir a abertura dos equipamentos culturais que há anos estão fechados; e cobrar agilidade na implantação do Plano Municipal de Cultura que se tornará lei e irá nortear as políticas do setor.
Os artistas em geral, a literatura, o teatro, as artes plásticas, o audiovisual e outras tantas linguagens, clamam por estas demandas e não aguentam mais ver a nossa cultura definhando num leito de uma UTI.
Precisamos juntar forças entre todos os movimentos culturais da cidade, sem ideologias políticas, vaidades e partidarismos, no sentido de fortalecer a nossa cultura, como em épocas passadas que geraram grandes nomes e deixaram seus legados para a posteridade.
“MUDOU DA ÁGUA PARA O VINHO”
Entre tantos outros, é mais uma expressão que me deixa intrigado, e esta em voga de que fulano “mudou da água para o vinho”, que vez ou outra ouvimos por aí, tem mais de dois mil anos e deixa várias interpretações, inclusive ambíguas e ambivalentes.
Gosto muito dos ditados populares dos tempos dos nossos avós ou ancestrais mais antigos. A maioria é verdadeira e sábia e outros nem tanto, como este que já citei aqui em meus comentários, de que “a voz do povo é a voz de Deus”.
Este eu considero um absurdo, se bem que muitos falam sem ao menos pensar e refletir. É uma condenação ao Supremo pelos malfeitos da humanidade. O povo vota errado nos candidatos corruptos, falsários e embusteiros, e Deus leva a culpa pela merda.
Mas, voltemos à questão do “você mudou da água para o vinho”. Segundo pesquisas e explicações dos entendidos no assunto, o ditado surgiu desde a época de Cristo nas Bodas de Canaã, quando faltou vinho na festa e Ele transformou a água na bebida. Esta passagem está no Evangelho de São João.
Até aí tudo bem. No entanto, fico a me perguntar se não deveria ser o contrário da pessoa ou a coisa mudar do vinho para a água, tendo em vista que o líquido precioso do qual não há vida sem ele, é mais importante que o vinho.
Mudar pode ser para melhor ou pior, mas, se for seguir o sentido lógico da água, de maior importância, a mudança não foi boa. Tem gente que quando se casa com uma determinada mulher ciumenta e mandona, o cara se afasta dos amigos, fica caseiro e até antipático. Pode-se também ocorrer o contrário no aspecto do gênero.
Quando acontece isso, costuma-se dizer que o companheiro, ou a companheira, mudou da água para o vinho. Ás vezes, o indivíduo é torto, farrista, não confiável e enrolado e fica sério de uma hora para outra ao se juntar a uma companhia de forte personalidade.
Nesse caso específico, ele mudou da água para o vinho, ou do vinho para a água? Não que a bebida dos deuses seja ruim (um bom papo, com uma boa música, num ambiente agradável), cai bem um vinho, mas a outra tem mais valor para a vida. Sem vinho se vive, enquanto que sem água, não.
Acho até que ficou confusa minha interpretação na maneira de diferenciar uma coisa da outra, entretanto, quando alguém pronuncia esse ditado milenar, deixa no ar o duplo sentido entre o bem e o mal, o bom e o mau.
Talvez esteja procurando cabelo em ovo, ou numa careca totalmente lisa. Deixando este termo mudar da água para o vinho de lado, aprecio os provérbios, melhor ainda os orientais, como o chinês “Enquanto se briga por um quarto de porco, perde-se um rebanho de carneiro”.
Também sou fã dos pensamentos dos grandes autores e filósofos como este de Umberto Eco, muito atual nos tempos de hoje quando disse que “justificar tragédias como “vontade divina” tira da gente a responsabilidade por nossas escolhas”.
Para quem é amante da poesia, Manoel de Barros escreveu que “quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas, é de poesia que estão falando”. Carlos Drummond de Andrade nos deixou essa pérola de que “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede”.
QUANDO FOGE A INSPIRAÇÃO…
– É, meu parceiro, nessa você estava inspirado! É muito comum se ouvir isso de outra pessoa, seja artista da música, compositor, escritor, ou não, sobre um texto iluminado, um poema bem feito e uma letra onde as palavras são tocantes e traduzem muito bem o tema proposto pelo autor.
Para o artista em geral, quando se está sem inspiração, a alma padece, dando lugar ao tormento e ao conflito. A lógica e a sequência da narração, da dissertação, do artigo, do comentário, da crônica, da poesia ou outro gênero qualquer, escasseiam.
Hoje mesmo escolhi tratar deste assunto tão complicado porque a senhora inspiração me abandonou pelas veredas tortuosas. Me sinto perdido numa caatinga espinhenta. Resolvi cutucá-la de vara curta, como se fosse um animal feroz, no caso específico, a onça no ditado popular. Não deveria tirar o sarro da cara dela!
– Tem dias e meses que não consigo escrever nada, nem fazer uma simples poesia. Deixa baixar a inspiração que faço a melodia da sua letra. Uma hora dessa ela vem. Quem já não escutou essas expressões de um músico, compositor ou poeta?
Tem dia, horas ou momentos em que a inspiração brota e borbulha como uma nascente de água cristalina que forma um rio caudaloso a correr até o mar. Em outras ocasiões é só sequidão, e não adianta tentar ou forçar a mente porque as ideias não fluem. Elas se perdem na poeira do deserto. Tudo fica embaralhado quando foge a inspiração.
Quando a danada não está ao seu lado, até o formão, a faca ou o instrumento do artesão escultor não dão o corte certo na peça. O pintor não acerta bem no brilho das tintas e o pincel não desliza suave na tela. O escritor perde o fio da meada; o enredo sai pior que o soneto; e o personagem termina ficando perdido no meio do caminho.
No entanto, quando se está com inspiração, dizem que alguma entidade ancestral do além baixou ou encarnou no autor da obra. Outros chegam a falar que o artista tem que ouvir Deus e o diabo para não perder a inspiração, a deusa do Olimpo. Só podia ser feminina. Quando ela não bate em sua porta, nem tente apelar para a musa amante.
Existe aquela história popular de que os velhos bluseiros para solar com perfeição a viola ou a guitarra tinham que fazer um pacto com o diabo na encruzilhada de uma meia noite escura. O imaginário se tornava real e verdadeiro quando o cara confirmava o acordo com o bicho satanás.
No campo da ciência, a explicação recai no cansaço psicológico, numa fase difícil em que a pessoa está vivendo, algum problema familiar ou até financeiro. São poucos os jogadores de futebol ou outro esporte que atuam bem em todas as partidas.
Isso ocorre em outras áreas também, como no jornalismo. Para os fumantes, quando uma matéria emperrava no papel (hoje é na tela do computador), a saída era acender um cigarro para relaxar o cérebro e fazer fluir as ideias. Ouvia muito isso na redação e até parecia funcionar. Chegava a pitar quase uma carteira naquele fumacê intoxicante.
Dizem que a maconha, ou outra droga, faz abrir novos horizontes. Tem quem afirme que o vinho é uma bebida inspiradora, que aproxima até o amor. Se é tudo psicológico, ou não, é outra questão, ponto de vista de cada um.
Melhor mesmo é parar com esse papo por aqui porque a tal da inspiração não gostou nada de eu inventar de escrever sobre ela. Como resposta à minha ousadia, ela fugiu para bem longe, sem me dar adeus, e nem me disse quando retorna para meu aconchego. Acho que foi um duelo ao pôr-do-sol, como no velho faroeste, onde ela foi mais rápida no gatilho.
O “SEXTOU” E O “SEGUNDOU”
Nos tempos modernos desumanos, nada civilizado, as pessoas passaram a cunhar a expressão “sextou” como forma de libertação de uma semana de trabalho, para cair na gandaia no sábado e domingo; praticar o lazer; passear com a família; ficar em casa de pernas para o ar; e, principalmente, ir para um bar tomar umas e outras com os amigos para jogar conversa fora.
Esse “sextou”, que se tornou verbo “conjugável” irregular significa relaxar, mas muitos profissionais não “sextam” e trabalham duro nos finais de semana em hospitais, na vigilância, indústrias, como motoristas de ônibus e outros setores. Quando estava na ativa como jornalista, “sextava” meia boca porque os fatos são imprevisíveis e demandam a cobertura jornalística.
É, meu amigo, este tal de “sextou” é bom para algumas categorias, mas, para outras é um tormento porque têm que dar duro e ficar vendo os outros curtirem. Imaginou ter que dar plantão no sábado e domingo? Tem “sextou” para aposentado? Diria que depende.
Tem o lado bom da vida, mas é no “sextou” que ocorrem mais acidentes de trânsito (nego se embriaga e sai por aí dirigindo), mortes em brigas nos botecos das cachaças em discussões fúteis, inclusive políticas e até aumenta a violência contra a mulher. É a partir do “sextou” que aumenta a criminalidade e a violência.
Até na Revolução Industrial não havia esse negócio de “sextou” porque o homem e a mulher trabalhavam todo dia. Eram escravos dos patrões. Davam um duro danado como burros de carga, na base da chibata. Coisa era na escravidão dos negros trazidos da África!
Graças a Marx e Engels, com o Manifesto Comunista (bate na boca para falar isso nos tempos atuais), as reformas trabalhistas foram ganhando espaço e o trabalhador foi tendo suas folgas. Agora já está em processo de andamento o fim da escala 6 x 1 para vigorar o 5 x 2, só que muitos vão continuar sem “sextar”.
A grande maioria fica alegre quando chega sexta-feira, mete o pé na jaca e esquece que tem o “segundou”. É o dia de se levantar da cama se arrastando, com preguiça, de cara amassada para retornar ao trabalho e de mau-humor para atender o cliente. Ninguém quer ouvir falar do “segundou”. Tem medo como o cão corre da cruz.
Coisa feia é nas repartições públicas onde padece o usuário. Se você tem algum problema para resolver num órgão público, melhor não ir no “segundou”! Deixa “terçar”, mas tem pepino que precisa ser cortado! É como cebola que faz arder os olhos com aspecto de choro! Todos vão aos troncos e barrancos, se bem que tem os reservados que ficam inteiros para a labuta.
Tem gente que não queria, de jeito nenhum, “segundar”, que fosse um dia de descanso para curar a ressaca, mas aí o cara ia cair na tentação e emendar o domingo com a segunda. Trabalhar é uma obrigação para sobreviver, mas o sujeito (a) entra na segunda já pensando no “sextar”.
Com o estudante acontece a mesma coisa. Estudar é uma necessidade para se evoluir, crescer na vida, ganhar dinheiro e ficar rico (muitos não chegam lá), mas o estudante quando entra na escola fica contando os dias para chegar as férias e faz até trapaça com os pais para furar uma aula. No primeiro de janeiro, a maioria olha logo no calendário os dias de feriados e feriadões.
Todo mundo mesmo quer é ficar na “valsa”, no ócio, sem fazer nada, mas a vida é uma batalha que só para na morte. Tem pensador por aí que defende o ócio como filosofia de vida, mas a pessoa iria cair no vazio e a alma não aguentaria por muito tempo.
Tem o aposentado inativo que fica o dia todo numa esquina jogando dominó, assistindo televisão ou no celular nas redes sociais vendo besteiróis. Para os atuantes que procuram preencher o tempo, ainda tem o “sextou” e o “segundou”.
REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA
Numa sessão itinerante realizada no espaço de eventos da Igreja Rainha da Paz, às 19 horas, no Bairro Patagônia, nesta última sexta-feira (dia 07/08/2026), os vereadores de Vitória da Conquista discutiram diversos projetos, tendo como pauta principal a reforma do Regimento Interno da Câmara, de autoria da Mesa Diretora, apreciado em primeira votação, com emendas apresentadas pela Comissão de Legislação de Justiça.
Outro projeto em destaque foi o selo Empresa Amiga da Juventude, de autoria do parlamentar Hermínio de Oliveira, que cria uma certificação para empresas que contribuem para a inserção de jovens no mercado de trabalho de Conquista.
Do vereador Edivaldo Ferreira, foi apreciada a criação do Parque Multissensorial para criança com TEA. Propõe a implantação de um parque adaptado para crianças com Transtorno de Espectro Autista.
O projeto da vereadora Márcia Viviane pretende criar o Dia Municipal de Luto e Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio. O projeto entra em primeira votação. Também de autoria da vereadora, entrou em discussão a prioridade em processos administrativos para vítimas de violência doméstica. A ideia é estabelecer tramitação prioritária para processos municipais em que figure como parte interessada pessoas com violência doméstica familiar.
Durante a sessão ordinária foram apresentados requerimentos, moções de aplausos e 24 indicações feitas pelos vereadores, relacionados a demandas de infraestrutura, saúde, mobilidade urbana, educação zona rural e serviços públicos. A sessão contou com grande presença dos moradores do Bairro da Patagônia e adjacências.
AS EXPOSIÇÕES DAS CABEÇAS E A POLÊMICA DOS ESTUDOS CIENTÍFICOS
Após o massacre de Angico (Sergipe), em 28 de julho de 1938, as onze cabeças decapitadas dos cangaceiros, inclusive de Lampião e Maria Bonita, foram levadas para serem expostas em Piranhas (Alagoas), do outro lado do Rio São Francisco, onde o povo se reuniu em festividades.
De lá, sob o comando do tenente João Bezerra, as volantes conduziram as cabeças de caminhão em latas de querosene até Santana de Ipanema (Alagoas) onde ficava o quartel das tropas chefiadas por José Lucena. A exposição macabra com discursos e comemorações teve a receptividade de quase toda população sertaneja. No entanto, muito consideraram a exposição aberrante e fora de propósito.
Quando chegaram a Maceió (Alagoas), as cabeças já estavam deformadas, mas cerca de 10 mil pessoas se aglomeraram na praça principal para ver a cabeça do “rei do cangaço”, com longas entrevistas a jornalistas de várias partes do Brasil.
O interventor do estado na época, Osman Loureiro, num discurso inflamado, glorificou as forças policiais que abateram Lampião e propôs um prêmio de cinquenta contos de reis para o contingente que fez parte do combate.
Somente depois destas exposições, a cabeça de Lampião, principalmente, foi levada para o Instituto Médico Legal de Maceió para estudos frenológicos e antropométricos. Coube ao médico legista Lages Filho, de tendência lambrosiana, proceder as análises.
Pelas teorias do italiano Cesare Lombroso, o crime era resultado de predisposições e de fatores individuais, ou seja, a pessoa já nascia com características próprias a ser delinquente, levando em consideração a questão racial.
De acordo com a autora de “Lampião, Senhor do Sertão”, Élise Grunspan-Jasmin, as concepções de Lombroso tiveram influência no Brasil, tendo como expoente Nina Rodrigues, só que outros estudiosos discordaram de suas teorias. Para os seguidores de Lombroso, a degenerescência, causa principal do desvio e da criminalidade, devia-se, antes de mais nada, à mestiçagem.
No relatório, Lages Filho descreveu a aparência externa da cabeça, a cor da pele de Lampião, amarelo-escura, o aspecto “selvagem” do rosto e a qualidade dos cabelos e da barba. Segundo ele, Lampião tinha características do caboclo sertanejo, mas era um dolicocéfalo, isto é, de origem africana, e não um braquicéfalo pertencente ao seu grupo étnico do sertão.
Estudiosos, como Arthur Ramos, contestaram a origem africana de Lampião, descrevendo como um mulato, pele moreno-clara, nariz pouco achatado e os lábios grossos. Mesmo assim, foi ambíguo.
“Ainda que para os criminologistas contemporâneos de Lampião, o cangaço tivesse causas estruturais, sociais, culturais, geográficas e econômicas inegáveis, os médicos-legistas e os professores de antropologia criminal buscaram desligar-se de um sistema de classificação lombrosiana e também racial”.
Visto como mestiço-negro, Lampião foi arrancado do seu meio de origem e da sua cultura, excluído da comunidade sertaneja, enquanto se afirmava que a história daquele bandido alto revelava a história daquela região.
De Maceió, as cabeças de Lampião e Maria Bonita foram parar no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador, localizado na Faculdade de Medicina da Bahia e depois expostas no Museu Antropológico da Bahia, do qual Estácio de Lima, discípulo de Nina Rodrigues, era diretor.
Estácio também estudou a cabeça de Lampião e não detectou traços lombrosianos, mas características típicas sertanejas. O criminalista não encontrou anomalias em sua análise antropométrica, explicando ter sido o bandido um produto do meio e com inteligência acima da média.
ISSO É COISA DE VELHO
- (Chico Ribeiro Neto)Velho aprende a perdoar.
Esconde feridas
E descobre armadilhas.Aprende a falar manso
Sabe o valor do descanso
E a vida é um remanso.Velho aprende o detalhe:
A mosca no pão
A formiga no arroz
E o que vem depois.Velho sabe em silêncio
Murmura poesia.
Pra que tanta agonia?
O velho não olha, espia.(O escritor Albert Camus disse que “o pior de ser velho é não ser ouvido”).
Velho é chato
Com pequenas coisas que somem:
O parafuso do sofá
O botão do liquidificador
A tesourinha e o coador.
Sumiu um pé de meia:
Velho não xinga, aperreia.Não mexa no guarda-roupa do velho. Tá desarrumado, mas ele sabe onde está cada peça.
Quando viaja, o velho reclama
Sente saudade da sua cama.
Velho dorme depois do Jornal Nacional.Velho é o mundo. Eu tô aqui é passando tempo.
Velho é ranzinza.
Às vezes, terno.
Velho devia ser eterno.
O ARQUIVO PÚBLICO E SUAS MUDANÇAS
Alguém aí sabe onde funciona o Arquivo Público de Vitória da Conquista, que guarda milhões de documentos históricos do município? Acho que poucos conseguem responder a esta pergunta. Desde quando foi criado, em 1978, ele já passou por seis locais diferentes, como Museu Padre Palmeira, Rua Coronel Gugé, Góes Calmon, Avenida Bartolomeu de Gusmão, Rua do Triunfo e agora no final da Avenida Juracy Magalhães. Fiz muita coleta de dados para meu livro “Uma Conquista Cassada”, quando se localizava na Rua do Triunfo, num prédio inapropriado por ser insalubre e úmido. Um Arquivo Público é como se fosse uma alma viva da história de um município e não pode ficar de lá para cá mudando de lugar em lugar sob risco de perda de documentos, sem contar os estragos nas mudanças de ambiente. Tenho um acervo cultural com mais de sete mil itens e sei muito bem o quanto são prejudiciais as mudanças, principalmente com relação a livros, pastas, jornais e documentos preciosos em papel. Ele hoje está num galpão fechado, com pouca luminosidade, sem levar em consideração o problema de acesso para muitas pessoas por ser distante do centro da cidade e de bairros mais periféricos. Não que seja um local escondido, como a Biblioteca Municipal, no Conquistinha, este equipamento também tem que ter um local definitivo que não esteja mais sujeito a mudanças. Com o advento da internet, poucas pessoas procuram um arquivo público para realizar alguma pesquisa, principalmente em se tratando de jovens estudantes que desconhecem a importância e o valor histórico de uma unidade dessa natureza. Por falar em tecnologia, a Prefeitura Municipal já poderia ter apresentado um projeto de digitalização do seu arquivo, uma demanda de muitos conquistenses com os quais já conversei sobre o assunto. Nota-se pelas imagens das nossas lentes que não existe uma placa de identificação, mas o diretor Jailson Ribeiro garantiu que em breve será colocada. Apesar de tudo, os funcionários são bem prestativos e lhe atende muito bem.
TEM DIA…
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Sempre tem um dia diferente
Mesmo na alma da gente.
Cada dia
Tem o seu pôr-do-sol,
Seu alvorecer,
São vários num só,
Tudo muda,
Tudo se transforma,
Assim é o nosso ser.
Tem o dia da alegria,
Do banzo triste,
Dizendo que você não existe,
Que faz brotar a poesia.
Tem o dia da caça,
Outro do caçador,
Até do escravo
Que se torna senhor.
Tem o dia que se quer esquecer,
Aquele que gruda na memória,
Como fotos antigas de família,
Coisas que marcam nossa história.
Tem o dia…
Do humano e desumano,
O sagrado e o profano.
















