“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.
AS CHUVAS E OS BURACOS NA CIDADE
As sessões ordinárias na Câmara Municipal de Vitória da Conquista ainda continuam com a cara de uma feira livre onde predominam as conversas paralelas e as falas dos vereadores são pouco escutadas pela presença dos frequentadores.
A de ontem (quarta-feira, dia 08/04) não foi diferente, mesmo com pouca gente na plenária, sem falar do uso demasiado do celular durante os debates. Os discursos dos parlamentares batem na mesma tecla das fortes chuvas e da buraqueira nas zonas urbana e rural, e o que estão realizando para mitigar os problemas.
As falas dão uma certa impressão de que o vereador inverteu o seu papel de legislar para executar. Os conquistenses esperam mais questionamentos e profundidade nos discursos quanto aos problemas social, econômico e político de Conquista.
Após as moções de aplausos à TV Sudoeste pelos seus 33 anos de existência, homenagem ao programa “Som da Terra”, comandado na Rádio Clube pelos poetas, compositores e músicos Jânio Arapiranga e Vadinho Barreto, moção de pesar pela morte de Anfilófio Pedral, irmão do ex-prefeito José Pedral, o presidente da Casa, Ivan Cordeiro, abriu a tribuna para os parlamentares presentes. Muitos estão ausentes nas chamadas.
O vereador Paulinho Oliveira, em sua fala, fez menção às fortes chuvas que caíram em Conquista em março, provocando uma buraqueira em toda cidade e nos distritos e povoados. Enfatizou a necessidade da urgente Operação Tapa Buracos.
A parlamentar Leia de Quinho denunciou os últimos casos de violência registrados contra as mulheres, fazendo um apelo à mídia para que os fatos sejam mais noticiados com empatia e menos sensacionalismos.
Adinilson Pereira apresentou um vídeo sobre sua viagem a Salvador visando tratar dos problemas de Conquista. Disse que o Bairro Lagoa das Flores precisa de urgentes serviços de esgotamento sanitário e drenagem para minimizar os impactos das chuvas. Ele também se referiu ao distrito de São Sebastião com relação aos buracos nas ruas.
Ricardo Gordo parabenizou o governador Jerônimo pela iniciativa de construção de sete novas unidades de saúde no município, tipo top, como se fossem mini hospitais. Elogiou a parceria com a Prefeitura Municipal que cedeu os terrenos para as obras.
Na ocasião, reclamou dos campos de futebol de alguns bairros (quadra da Praça Norberto Aurich) que estão sem iluminação e não funcionam à noite. Afirmou também que as pessoas não estão recebendo tratamento de câncer em Conquista.
Luis Carlos Dudé lembrou das obras realizadas na gestão do prefeito Hérzem Gusmão e anunciou que o poder executivo formalizou a realização de serviços de reforma da Feira do Bairro Brasil, a Feirinha, com recursos próprios.
O vereador “Babão” informou que, por seu intermédio, máquinas estão trabalhando no reparo de estradas na região do povoado da Roseira, beneficiando diversas localidades que estavam necessitando de patrulhamento. O subtenente Muniz enfatizou que a zona rural está carente de melhorias em diversos setores.
RICO NÃO ENTRA EM FILA
POBRE ENTRA EM QUALQUER FILA, MESMO SEM SABER DO QUE SE TRATA. PEGOU GOSTO PELA COISA.
Ainda falam por aí que todos somos iguais, mesmo diante de tantas desigualdades e injustiças sociais. Isso não passa de um devaneio ou uma piada de mau gosto. Numa discussão acalorada onde o endinheirado sempre leva a melhor, costuma-se abrir a boca para soltar este clichê desgastado e arranhado, como faixa de vinil velho.
Você, por acaso, já viu algum rico engravatado no paletó, um político ou uma autoridade do poder numa fila de banco, nos SUS para pegar uma senha de atendimento médico, no SAC para tirar uma carteira de identidade, habilitação, resolver uma pendência burocrática, numa fila no Fórum para tirar o título eleitoral ou numa repartição pública com um monte de documentos na mão?
É, camaradas, definitivamente, rico não entra em fila e todas são chamadas de indianas. É um atrás do outro – às vezes embola o meio de campo e lá vem o segurança estúpido fazer o “freio de arrumação” – com os compadres e a comadres alardeando fofocas e falando da vida dos outros.
É só ficar de orelha em pé que se escuta coisas do arco da velha e muito besteirol também. Tem senhora que faz um tapete de crochê na fila, que rende crônica, poesia, reportagem jornalística de montão e até dá música. Fila é uma fonte de inspiração, se bem que de estresse e doenças físicas para muitos, sobretudo idosos.
Pobre tem uma paciência de Jó, pouco reclama, não questiona se só tem um atendente e nem protesta quanto a demora de chegar à sua vez. O celular na mão é o passa tempo, tanto que nem ouve quando sua senha é chamada. Fila tornou-se prazer, lazer e divertimento de pobre. É como um domingo no parque!
Em lotéricas, por exemplo, só se vê caras de pobres discutindo o custo de vida, com a mão cheia de boletos e faturas para pagar. Ah, não pode faltar uma cartela de jogos para arriscar na “fezinha”! Afinal de contas, a esperança é a última que morre! Nas padarias e confeitarias, quem está lá na fila do pão? É, meus amigos, definitivamente, rico não entra em fila.
Percebeu como numa fila tem figuras estranhas! Uns calados remoendo seus problemas por dentro. Outros tagarelas dizendo besteiras e tem o vendedor de comidas e bugigangas paraguaias, os pedintes e não pode faltar o pregador com a Bíblia na mão ensinando ser resignado e xingando o diabo.
Às vezes surge uma confusão de bate-boca daquele tipo de “baixar o barraco”. Ah, tem muitos lamentos e contação de vida. Fila no Brasil deveria ser tombada como patrimônio cultural nacional, não importando se material, ou imaterial.
Experimenta formar uma fila de treita ou “pegadinha” numa praça, numa esquina, rua ou avenida qualquer! Em pouco tempo tem um mundaréu de gente, pensando ser fila de emprego, ou então para receber alguma doação do governo.
Sempre fico intrigado e encafifado quando entro nessas filas, principalmente para renovar identidade ou o documento eleitoral! Olho para todos os cantos e só vejo trabalhador e pessoas de baixo poder aquisitivo. É um sofrimento danado e ainda tem os “furas filas”. Nesse país, é o pobre passando a rasteira no pobre.
Será que existem funcionários específicos só para atender as regalias dos ricos e poderosos? Para fazer a biometria, por exemplo, a maquininha é levada em sua casa, ao escritório ou em seu gabinete confortável luxuoso? Sei que eles têm funcionários para isso, mas em algumas circunstâncias existe a necessidade da presença pessoal.
Desde quando me entendo por gente, quando fui tirar minha primeira identidade, no Instituto Pedro Melo, em Salvador, e tive que acordar madrugada para andar a pé mais de 15 quilômetros, perdi a conta de quantas filas fui obrigado a entrar e só vi gente pobre necessitada.
E você, que ainda vive pegando fila, já viu algum figurão, madama com cachorrinho no colo, ou mesmo um idoso da alta sociedade? Já viu algum importante político, uma celebridade, um famoso (a) numa fila? Acho que nem vereador do interior mais pequeno entra em fila.
Não existe empresário ou político numa fila de banco para resolver algum problema de empréstimo, prova de vida ou cartão de crédito. O rico tem horário especial, depois ou antes do expediente, tomando um cafezinho na mesa do gerente, numa boa!
Com a tecnologia da internet, sabemos que praticamente todas as coisas podem ser solucionadas através dos aplicativos, no modo virtual, mas ainda existem exceções. E antes da internet, quando tudo tinha que ser feito de forma presencial?
Desde as antigas civilizações as filas foram criadas para pobres. Os súditos faziam filas para beijar a mão do rei, mas a nobreza não entrava nessa porque tinha livre acesso aos palácios e às graças dos imperadores e rainhas.
TEMPOS DIFÍCEIS PARA JORNALISTAS NA COMEMORAÇÃO DO SETE DE ABRIL
Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profissão como revisor, no início de 1973, ano da minha graduação como bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos difíceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de expressão quando os homens da farda faziam o papel de cão de guarda para censurar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso.
Em Vitória da Conquista, quando vim assumir a chefia da Sucursal do Jornal A Tarde, em 1991, era o único jornalista diplomado e hoje sou o decano dos jornalistas. Estou completando 53 anos de profissão, com muito orgulho, mas tenho minhas críticas. Aliás, acima de tudo, jornalista tem que ser um crítico.
Apesar de toda mordaça, os jornalistas eram mais combativos e participativos. Tudo faziam para driblar a opressão dos generais. Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associações brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas.
Naquela época, nem se falava de “fake news”, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual. Grande parte da atividade foi banalizada e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.
Nada contra a evolução tecnológica onde a notícia é mais veloz que uma bala e pode ser mortal se for infundada. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (não precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espaços da profissão.
Poucos que optaram pela área e passaram a frequentar as escolas seguiram a carreira. Caiu o nível de formação e aumentou o noticiário de matérias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investigação.
Em Conquista, cheguei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e fui vice-presidente da entidade. Continuo escrevendo porque é o alimento da minha alma e, se tivesse que recomeçar, seria novamente jornalista.
DIA DO JORNALISTA
Nesse 7 de abril, Dia do Jornalista (terça-feira), infelizmente, pouco se tem a comemorar. Mesmo no período duro do regime militar, existia mais união e celebração com aqueles memoráveis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. É dia de reflexão e luta por mais espaço e reconhecimento do diploma, bem como contra a violência aos profissionais, da qual fui vítima.
O Dia do Jornalista e pouco lembrado pela própria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). A data foi criada pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reunião de coletiva de imprensa.
Um deles é que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a própria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associação situa-se no Rio de Janeiro, e é um centro de ação que tem como objetivo assegurar os direitos à classe.
Também no dia 16 de fevereiro foi comemorado o “Dia do Repórter”, que está ligado a um episódio da nossa história do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró, morto no dia 22 de novembro de 1830.
Ele participou de diversas lutas a favor da Independência do Brasil. Era proprietário do jornal “Observador Constitucional” e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje tão vilipendiada.
Badaró teve uma morte misteriosa, mas, segundo a história, inimigos políticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento à população e culminou na abdicação do trono de Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831.
Só para reportar a história, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doação de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que dá nome ao principal prêmio concedido a jornalistas premiados.
No Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a instituição chama-se Faculdade Gásper Liberó e localiza-se no prédio da antiga Gazeta, na Avenida Paulista.
TEORIA E PRÁTICA
Quando adentrei na redação era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas provisionados no Ministério do Trabalho. Na década de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos.
Dizia-se que jornalismo era uma vocação, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da notícia, o que não deixava de ser uma verdade, mas a formação teórica com a prática fortalece mais a profissão e dar mais credibilidade.
A briga gerou uma disputa de ações na justiça para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se não me engano, entre as décadas de 80 e 90. A ação caiu nas mãos do Supremo Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contrário ao diploma, fez uma leviana comparação entre a culinária e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar não precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.
As faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a própria Facom, da Ufba, a Uesb que começou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estruturação) e tantas outras particulares. Mesmo com a não obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas dão mais preferência aos formados, valorizando a formação escolar e o conhecimento.
Para marcar a data, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da área costumam fazer reflexões importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os salários e o futuro da profissão.
O curso de Jornalismo é ministrado nas principais universidades do país durante quatro anos ou oito períodos. Os estudantes têm aulas teóricas, como teoria da comunicação, história da imprensa, ética e legislação, história da arte, práticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.
O jornalista é o profissional que tem o papel de informar os fatos à sociedade, um contador de histórias, com responsabilidade perante a opinião pública.
Ele pode atuar em meios de comunicação, como rádio, TV, jornal, revista e internet. Também é comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunicação e imprensa e, mais recentemente, em mídias digitais, tais como redes sociais e blogs.
COISAS EM QUE SOMOS OBRIGADOS A FAZER NO MUNDO MODERNO
NOS TEMPOS ATUAIS, SOMOS CARIMBADOS E ROTULADOS COMO EMBALAGENS DE MERCADORIAS EM PRATELEIRAS DE SUPERMERCADOS.
O mundo moderno-tecnológico e capitalista nos obrigou a fazer coisas com base no apelativo comercial de que nisso está o tesouro da felicidade. Para não ficarmos de fora, seguimos o mesmo ritual. Agimos por impulso e não questionamos os motivos. Temos até medo de ficarmos de fora para não sermos julgados pelos outros.
Somos obrigados a mentir para nós mesmos quando concordamos com certas posições que não são nossas, a dar um sim quando deveria ser um não, a nos vigiar para sermos cordiais em certas circunstâncias adversas e até seguirmos aquilo que não acreditamos. Cada vez mais deixamos de ser verdadeiros, para sermos meras cópias imitadoras retiradas do nosso inconsciente.
São muitas atitudes do dia a dia que não vou elencar aqui, e uma delas é a forma de pensar diferente. O nosso povo está cada vez mais alienado e menos consciente por falta do conhecimento e do saber, que cederam lugar às doutrinas religiosas, disseminadas em nossas mentes através da chamada lavagem cerebral.
A inversão de valores aos poucos aniquilou a nossa cultura advinda da sabedoria ancestral calcada na ética, na honestidade e no compromisso com a palavra. Na nossa geração, éramos habituados a dar benção aos pais e a respeitar os mais velhos. Hoje é coisa velha e inadequada. Vale o moderno com seus ditames obrigatórios.
Por que temos quer comprar um ovo de páscoa, mesmo independente da crença, às vezes sem condições financeiras, sendo cristão ou não? A mulher no supermercado diz: “Está muito caro, mas temos que levar”. Olha que ela já fala no plural, como se dissesse que todos são obrigados.
Esta forma de ação alienada é apenas um exemplo, mas temos muitas outras nas quais seguimos cegamente o apelativo comercial. No Natal, temos que comprar um presente, fazer mesa farta e se empanturrar, inclusive com comida que não fazem parte das nossas tradições.
Na Sexta-Feira da Paixão, está lá o caruru misturado com as peixadas, e a maioria faz isso seguindo a onda como se fosse estouro da boiada. Muitas vezes, nem importa a crença, se cristão ou não. Todos ficam em filas nas compras. Vi num supermercado um mói de quiabo, deveria ter uns dez, pelo preço absurdo de 18 reais.
No domingo é a vez da cruzada dos ovos de páscoa, simbolizando o coelho (não põe ovos), onde entra a indústria chocolateira gananciosa pelos lucros, para dizer que você é obrigado a comprar um ou mais para seus filhos, senão vai recair sobre si o sentimento de culpa imperdoável.
A origem dos ovos de páscoa remonta a tradições pagãs milenares dos antigos egípcios e persas (Irã) que os decoravam para celebrar a vida e o renascer da primavera. O cristianismo pegou esse gancho para relembrar a ressureição de Jesus.
Os ovos feitos de chocolate começaram na França lá pelos séculos XVII e XVIII. Os germânicos celebravam a deusa Ostara e o costume foi incorporado à Semana Santa.
Interessante que na Idade Média, a Igreja Católica proibia consumir os ovos durante a quaresma e liberava no Domingo de Páscoa. Os ovos passaram a ser produzidos em escala comercial a partir do século XIX e hoje se tornaram obrigatórios, simplesmente o comer por comer. O certo é se lambuzar na “felicidade ilusória” e cara.
“CUMA CUNTECEU” NAS REVELAÇÕES DO VALENTE CANGACEIRO LABAREDA
O médico e antropólogo Estácio de Lima, em sua obra “O Mundo Estranho dos Cangaceiros” transcreve uma entrevista que fez com Ângelo Roque da Costa (Anjo), vulgo Labareda, do grupo de Lampião, na linguagem matuta, com pitadas poéticas, ipsis liter, difícil de se falar e escrever.
Na época em que Lampião foi morto, em 1938, na gruta do Angico (Sergipe), Estácio era presidente do Conselho Penitenciário da Bahia e acolheu e defendeu muitos cangaceiros presos e outros que se entregaram. Ele chegou a empregar alguns depois de indultados.
Na entrevista, Labareda descreve o chefe que muitas vezes vacilava nas decisões e era afrontado. Quando “carmo” “agia como uma moça, mas aperreado era uma fera”. Era cruel e até justo em algumas ocasiões. Ás vezes se apiedava da pobreza e distribuía algum dinheiro. Não perdoava quem o denunciava aos “macacos”.
Labareda, nascido pelas bandas de Santo Antônio da Glória (Curral dos Bois), na Bahia, conta que ajudava os véio na roça. “Minha mãe era mulé da cusinha, dus fio i da inxada. Eram arremediados. “Só nus tempo di seca qui parecia u mundo i si acaba!”
Como Anjo Roque se bardiô prô cangaço? Tudo foi por causo da sua irmã Sabina, de quinze anos. O soldado Horácio Caboclo (Couro Seco) mandou uma carta para sua irmã chamando-a para fugir. Anjo foi ao juiz de Direito. “Ele entonces mi arrespondeu qui u sordado tamém tinha irimã e cumo ele namorava cum a minha irimã, eu fizesse u mesmo, cum a do sordado”. Naquele tempo, soldado mandava no interior mais que o prefeito.
– Entonces, Doutô, visto isso, só si tomano pruvidença, pru conta da gente.
– Vá si cria, mínimo – foi a resposta do juiz. – Já tô criado, Doutô.
O soldado disse que ia buscar a Sabina. “Cabra zarro, ele disse i compareceu. Mas num vortou! Ficou ispichado nu chão”. O Pai de Couro Seco (André Cabôco) deu uma facada nas costas de Anjo Roque, que o enganou dizendo que ia para São Paulo. No dia seguinte ele recebeu um “certêro”. “Ele miricia; era ordinário i ruim Cuma a peste. Foi duas onça qui eu tirei du pasto, us povo dizia”.
Dias depois, Anjo Roque foi cercado em sua casa. Houve brigada e seu irmão e sua mulher foram mortos. Tocaram fogo em sua casa com seu pai dentro, bem como no curral, na casa de farinha e no chiqueiro – conforme relata.
Labareda conta que a única saída foi pedir proteção ao um coronel de Jeremoabo. Depois se entranhou no Raso da Catarina onde lutou contra a força e matou um sargento. Houve violência contra seus parentes.
No aperto, Anjo Roque, o Labareda, procurou Lampião e entrou para o grupo composto por oito homens (Curisco, Arvoredo, Virginio, Luis Pedro, Ezequiel, Fortaleza, Volta Seca, entre outros), isto em 1928.
Depois disso ele narra as viagens das brigadas e persigas pelas caatingas que fez com Lampião pela Bahia, inclusive em Queimadas, onde muitos soldados foram mortos. Em seu português caipira, ele conta os aperreios dos cangaceiros, o dia em que Lampião quase morre de sede no sertão.
“Bebemo cum muita ganaça e u rezurtado foi qui provequemo, i a gente gumitô tudo”. Segundo ele, quando se está com muita sede, água só segura na barriga, quando misturada com rapadura ou farinha.
“Tivemo nutiça qui, in Juazêro, havia u´a viúva véia muito rica: Viajemo na procura da viúva. Cheguemo in casa dela, cum u quilariá du dia”. Levaram tudo dela e mais 10 contos de réis.
Em Pernambuco, num lugar chamado de Tacutiara, o bando se encontrou com um soldado da força que mentiu dizendo ser tangedor de burro. Após ser descoberto, “Lampião cortô a cabeça dele vivo deitano ele no chão Cuma si faz cum galinha.
Anjo Roque conta outras histórias macabras e que havia desentendimentos entre os cangaceiros, mas sempre se acertavam, inclusive que algumas vezes o chefe Lampião chegava a ser contrariado, mas tinha suas saídas estratégicas e até se compadecia dos mais pobres em alguns casos.
Certa vez, Lampião resolveu matar um fazendeiro com quem tinha se desentendido e Labareda tentou impedi-lo, dizendo que o filho havia dado cinco contos para livrar o pai. Era seu conhecido. Mesmo assim, Virgulino Ferreira não aceitou e os dois tiveram um entrevero. No final, o chefe concordou desde que o coronel desse um conto a cada cangaceiro do seu grupo.
GUARDA COMPARTILHADA DE ANIMAIS
– Gostaria de falar com o sr. Doutor Wilson da Cunha Amaral. Assim se apresenta o senhor aflito para conversar com seu advogado sobre sua situação calamitosa de pedido de aposentadoria no INSS, que nunca sai, ou indenização de perdas morais e financeiras por negligência do Estado.
– Sinto muito, mas ele está numa audiência com o juiz no Fórum, na Vara dos Animais Domésticos, tratando de uma demanda sobre a guarda compartilhada entre um casal, pais do cachorro Tadeu, e vai demorar– responde a secretária.
Por sua vez, o advogado Wilson da Cunha procura o juiz Custódio da Silveira para resolver um processo de soltura de um inocente que há anos foi preso injustamente por erro da Justiça. A atendente responde contando a mesma história.
– Quando eu posso visitar meus “filhos”? Eles são alívio da minha alma, conforto dos meus problemas e até curam minhas doenças, enxaquecas de cabeça e gastrite de estômago – defendem os ex-casados, com unhas, garras e dentes. Haja xingamentos!
A briga é acirrada e os ânimos estão exaltados. Os advogados precisam conter seus clientes para não irem aos tapas. O juiz é severo e grita não admitir desordem ou bagunça em sua sala. “Roupa suja se lava em casa”. Acontece que não vivem mais juntos. O juiz suspende a audiência por alguns minutos e ameaça até prendê-los.
Lá em seu gabinete, o magistrado sério e justo reflete que tem um monte de milhares de processos humanos em sua mesa para despachar, e só aumentam em cada dia que passa.
– Estudei tanto, fiz concurso e agora aqui estou eu a julgar guarda compartilhada de animais, numa briga de dois idiotas alienados e desequilibrados que nem ligam para os filhos biológicos!
O juiz retorna irado, de cabeça quente e determina que a guarda vai ficar com a “mãe”, por ser mulher. O “pai” fica revoltado, nervoso, bate na mesa e afirma que isso não vai ficar assim. “Vou recorrer até ao Supremo Tribunal Federal”. É coisa de milhões!
E quando o juiz decide que ambos têm o direito de visitar seus “filhos” em finais de semana, de forma alternada? Sempre vai ter um que vai se sentir injustiçado (a) com a sentença.
– Vim buscar o meu “filho (a)” para ficar esta semana comigo em casa e passear por aí – bate o “pai” na porta da ex que o recebe com a cara enfezada e psicologicamente mal-humorada.
A “mãe” faz uma série de recomendações, com embalagens de alimentos e vestuários nas mãos, tudo de acordo com a temperatura do tempo. Tem aquela que por pirraça diz que o “filhote” ou a “filhota” está na casa da avó, gripado (a), ou está na rua.
Todo esse cenário “modernista contemporâneo-tecnológico”, meu camarada, só ocorre entre ricos e poderosos. O pobre não tem dinheiro para pagar honorários com advogado e cada um leva o animal na hora que bem entender.
Se o pobre quiser a guarda tem que apelar para a defensoria pública. Na maioria das vezes, o cão, ou o gato, vive mesmo é nas ruas. O marido nem está aí e prefere ir para um boteco encher a cara de cachaça.
Nada contra cães, gatos, papagaios, micos, bodes, cobras, lagartos, coelhos, hamsters, chinchilas, calopsitas, porquinhos-da índia, peixes, patos, pequenos mamíferos e outros animais domésticos e silvestres, mas que a humanidade está invertida, isto sim, está!
Naquele tempo, meu pai já dizia que é fim de mundo. Imagina agora com a inversão de valores onde o ser humano é o que menos importa e interessa, principalmente quando se trata da saúde e da educação. Cachorros e felinos passaram a ser filhos de papai e mamãe. São mais estimados e recebem mais atenção que as crianças, muitas geradas e jogadas nas ruas.
O Senado, com suas bancadas corporativas, acaba de aprovar um projeto-de-lei que institui a guarda compartilhada para animais quando casais decidem se separar. Vai ser um fuzuê danado. Processos vão parar no Superior Tribunal Federal que já tem milhares de casos amontoados dos humanos.
Com tantos problemas neste país no âmbito da corrupção, do narcotráfico, da segurança, da bandidagem de políticos, da saúde, da pobreza extrema, da violência, das injustiças sociais e o Congresso Nacional está mais preocupado com a guarda compartilhada de animais!
Enquanto isso, tem gente que briga para não ficar com os filhos. Pai cai no mundo e larga tudo com a mãe, que se vira nos trinta. Outros jogam nos orfanatos. Confesso que fico irado quando vejo essas dondocas chamarem o cão de meu “filhinho”. “Vem para a mamãe, vem”!
Aqui em Vitória da Conquista, um vereador apresentou uma proposta, e foi aprovada, que os animais domésticos sejam enterrados nos cemitérios ao lado de seus donos, com túmulos e tudo. Não seria mais sensato construir um cemitério próprio?
Dia de finados, com flores na mão, está lá o dono ou a dona chorando pelo “filho” ou a “filha”. “É muito duro e sofrido perder um “filho” logo cedo. O natural é que os pais partam primeiro”. E como ficam o avô e a vó? Vão se sentir de corações partidos e estraçalhados. “Perdi meu netinho e minha netinha. É uma dor muito grande”.
BARZINHO NOVO SÓ LHE TRATA BEM
(Chico Ribeiro Neto)
Atendimento em barzinho novo é igual à presteza de um funcionário novo numa loja: rapidez no atendimento, um desfazer-se em mesuras para segurar o cliente e fazê-lo voltar. Afinal, o negócio está começando e o dono está todo endividado.
Mal você entra e já tem um garçom junto, colado. A mesa está limpíssima, mas ele passa a flanela de novo, gesto que repete nas cadeiras. O dono está de lá, no balcão, e fica logo com uma postura mais ereta. Vê-se logo que ele está pronto para se desdobrar em cuidados.
Sai a primeira cerveja e noto que o dono fala baixinho com o garçom, entregando-lhe o cardápio. Na certa, deve ter dito: “Vá ver se o pessoal ali vai comer alguma coisa, mas sugira também, diga que o caldo de sururu está ótimo e que as lambretas estão enormes, que tem caldo de feijão e que, mais tarde, vai sair muqueca de arraia, comida caseira mesmo, e que o prato é só 40 reais. Se ele esperar, não vai se arrepender, e vá tirando logo aquele vendedor de amendoim de lá, senão o pessoal não come nada”.
A primeira cerveja ainda está pelo meio e o garçom já vem perguntar se a gente quer trocar os copos. O dono está de lá. Vejo logo que ele está fazendo contas. Deve ser a primeira prestação do freezer, a primeira conta de luz que já dá um susto, a cartinha do ECAD que fala em pagamento de direitos autorais, a nota do fornecedor da carne-de-sol, separar 500 reais para o cigarro, que vai chegar amanhã, e mandar consertar o liquidificador, que é novinho e já pifou.
O doido está doido pra se aproximar. Está um pouco mais tranquilo agora, porque há seis mesas ocupadas, e ainda é cedo pra dia de sexta-feira. Arruma algumas cadeiras, dá ordens a outro garçom, afugenta o menino vendedor de ovos de codorna e vai pra porta fumar um cigarro.
Sai a carne-de-sol que pedimos de tira-gosto. A bandeja está tinindo de nova, o paninho de prato vem alvíssimo e o molho, ao lado, está coberto de tempero verde, um festival de coentro e cebolinha.
“Qualquer coisa é só pedir”, diz o sorridente garçom, cujos sapatos pretos foram engraxados hoje mesmo.
A carne-de-sol está gostosa, a farofa foi feita com manteiga mesmo. Daqui a uns dias vão mudar pra margarina, pois a freguesia já estará conquistada.
“O senhor me chamou?”, pergunta o garçom.
“Não, estava só coçando a cabeça”.
Acabamos de pagar a conta. O dono vem anunciar que dispensou os quebrados, e saímos do barzinho recém-inaugurado com os bolsos cheios de folhetos, que têm até um mapinha dizendo como chegar lá.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 26/5/1993)
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
HOMENAGEM AO TRABALHADOR
A Chapada diamantina não é somente famosa pelas suas belezas naturais e paisagens encantadoras que atraem turistas do mundo inteiro, não somente do Brasil. Além da mineração de pedras preciosas, como o ouro e o diamante, cujo ciclo terminou lá pelo meado do século XX, dando lugar ao turismo, a região é também rica pelo seu potencial agrícola, destacando os hortifrutigranjeiros (Ibicoara e Mucugê), o café e agora a vinicultura. Estas duas últimas culturas estão espalhadas em vários municípios, como Barra da Estiva, Piatã (1.280 metros de altitude), Morro do Chapéu e Bonito onde a Prefeitura Municipal ergueu um merecido monumento em homenagem ao trabalhador, peneirando à moda antiga, os grãos do café para separar dos bagaços. Nossas lentes flagraram as estátuas do homem e da mulher nessa labuta que, infelizmente, foram substituídos pela máquina, mas não deixa de ser um resgate da memória desse nobre produto que não falta na mesa dos brasileiros e dos estrangeiros. Barra do Choça, aqui em nosso Planalto da Conquista, também é um dos maiores produtores de café do Nordeste que, em épocas passadas, empregou milhares de trabalhadores vindos de várias partes da Bahia e até de outros estados. Bonito fica próximo de Morro do Chapéu que, além do café, introduziu a cultura da uva (passamos por várias fazendas) e já está produzindo vinhos de qualidade.
TIRANA
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Quem é essa tirana,
Que tanto nos engana,
Reina entre os deuses,
Toda eterna soberana?
A gente sabe que ela existe,
Dona do seu próprio tempo,
Sopra, geme como o vento;
Evitamos dela lembrar;
Nasce no elo da vida,
Cheia de encantos para amar,
E vem a danada tirana,
Como cruel espartana,
Com sua espada nos levar.
Oh tirana, tirana, tirana!
Quantos disfarces tu terás?
Às vezes és tão repentina,
Noutras nos fazes sofrer devagar;
Tens o poder de nos consolar,
Até acalmas nossas almas,
Quando vês o ente querido penar,
Mas nosso coração acelera,
Na dor doída de rasgar,
Quando fechas tua esfera.
Oh tirana, tirana, tirana!
Tu és fogo, terra, água e ar,
Catingueira e mateira,
Flecha que nos faz sangrar;
Teu nome é tirana,
Fera sorrateira da savana.
DITADURA, NUNCA MAIS, E NOSSA VIGILÂNCIA DEVE SER CONSTANTE
Sessenta e dois anos depois e os brasileiros acordaram neste Brasil, em 1º de abril de 1964, com tanques nas ruas, militares armados de fuzis e metralhadoras, muita gente sendo presa, grêmios estudantis e a União Nacional dos Estudantes sendo fechados e a nossa liberdade de expressão vilipendiada.
Nesta data, o presidente João Goulart ainda estava em território brasileiro, no Rio Grande do Sul, tentando impedir o golpe civil-militar que durou mais de 25 anos, com quase 500 mortos e desaparecidos. Mesmo assim, o Congresso Nacional traidor, através do Aldo Moro, usurpou das prerrogativas constitucionais e depôs o mandatário do poder, contando com a força da cúpula dos generais carrascos.
Lamentável que o 1º de abril (dia da mentira) passe praticamente esquecido dessa mídia alienada, desmemoriada e entreguista do capitalismo. Nas escolas nada se fala nas aulas sobre este episódio de terror e torturas. Os jovens até desconhecem de que tenha existido ditadura que matou centenas de presos políticos nos porões das cadeias imundas. A sociedade se cala e até os trabalhadores ignoram esse fato histórico.
O pior ainda, e o que nos deixa mais temerosos e sobressaltos é que milhões de brasileiros, 62 anos depois, ainda vão às ruas pedir uma intervenção militar, ou seja, outra ditadura. Eles não sabem o que falam, mas não merecem ser perdoados, quanto menos anistiados os que tentaram dar outro golpe no dia oito de janeiro de 2023 quando invadiram os três poderes da República.
Não se trata aqui de ser de direita, de centro ou de esquerda. Não importa qual ideologia seja, se marxista, leninista, liberal, conservadora, progressista ou comunista, mas de se colocar na mente de que a liberdade e a democracia são intocáveis e templos sagrados das nossas vidas.
Cada um deve ter sua maneira de pensar, direito ao seu contraditório quanto as formas de se expressar, mas atentar contra a liberdade e levantar a bandeira de uma ditadura é inadmissível e devem ser as únicas coisas proibidas neste país. Em Sociedade Alternativa, o nosso cancioneiro Raul Seixas defendeu o “fazes o que tu queres”, um hino à liberdade.
Por ela (a liberdade), podes até lutar e matar que não constituem crime algum perante a lei. Portanto, devemos todos os dias dizer, ditadura, nunca mais no Brasil. Devemos estar sempre vigilantes para que a maldita nunca mais bata em nossas portas e separe famílias, amigos e espalhe o terror.
Essa vigilância deveria estar presente cotidianamente nas salas de aulas, em reuniões, nos encontros, seminários, nas manifestações populares, nas propagandas institucionais e comerciais, nas igrejas, em associações porque ela está sempre rondando nosso terreiro para roubar nossas flores e depois invadir nossos lares.
Ode à liberdade e à democracia deve ser uma lei pétrea para que as ideologias diversas, inclusive as mais arcaicas e atrasadas sobrevivam, contanto que respeitem o livre pensar dos outros, sem racismos, homofobias e misoginias porque estas já cheiram a ditadura e estão próximas de regimes autoritários e tirânicos.
Os que pedem ditadura militar são tão ingênuos, brutos e ignorantes que nem sabem que se ela se instalar com seu cutelo sanguinário, serão os primeiros a serem atingidos. Essas pessoas devem achar que serão privilegiadas para criticar o monstro que elas mesmas criaram. Quando a liberdade cessar de vez, vão perceber tarde demais que é até proibido pensar.















