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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

O ESTUPRO DE MULHERES E MENINAS NOS TEMPOS DO CANGAÇO NORDESTINO

   O flagelo do cangaço não atingiu apenas os homens, muitos deles mortos de forma cruel e bárbaro, tendo seus corpos esquartejados e cabeças decapitadas, A violência era de lado a lado entre cangaceiros e as volantes, chamadas de “macacos”.

   Em cenas chocantes e repugnantes, centenas de mulheres nordestinas sertanejas do campo, dos vilarejos e pequenas cidades, principalmente meninas a partir dos 12 anos, foram estupradas, surradas e viviam diariamente amedrontadas ao ponto de se refugiarem nas caatingas agrestes e espinhosas.

   Final do século XIX e início dos anos 1900 foram os mais violentos, e o Estado nada fez para proteger essas mulheres. Parece   que a história apagou de suas páginas esse fenômeno social macabro que ainda teve como causa as secas, quando mulheres comercializavam seus corpos e crianças eram vendidas para não morrerem de fome.

  Um dos casos mais traumáticos, superado pela força bruta e carrasca do sertão daquela época, coisa que intriga até a psiquiatria, foi o de Dadá, mulher do cangaceiro Corisco (Cristino Gomes da Silva), o Diabo Louro.

   Menina de doze anos, da região de Santo Antônio da Glória (Bahia), que ainda brincava de boneca, foi estuprada animalescamente por ele repetidas vezes, ao ponto de deixar sua vagina em carne viva jorrando sangue. O pai teve de entregar a menina, senão seria morto por Corisco.

  O relato nojento foi feito pela escritora Adriana Negreiros em sua obra “Maria Bonita – sexo, violência e mulheres no cangaço”. A Maria Gomes de Oliveira, ou Maria de Déa, assim conhecida por causa da sua mãe, não chegou a ser estuprada porque já tinha um marido e acompanhou Lampião por vontade própria.

  Na verdade, o feminismo começou a brotar de dentro das mulheres a partir dos anos 20, embora contestado e amordaçado, especialmente no Nordeste arcaico cangaceiro. Nas páginas dos jornais, o assunto suscitava análise de articulistas como a de que o feminismo estaria se tornando uma praga terrível, entrando em searas onde jamais deveria penetrar.

  Mesmo diante das barbaridades dos cangaceiros e das volantes, onde mulheres e meninas eram violentadas porque usavam cabelos curtos e vestidos até o joelho, em 1927, a professora Celina Guimarães Viana foi a primeira mulher brasileira a se alistar para uma votação. O fato ocorreu em Mossoró (Rio Grande do Norte).

   O pioneirismo nasceu no Rio Grande do Norte quando elegeu, em 1928, a primeira prefeita da América Latina. Luiza Alzira Soriano, de 32 anos, ganhou a disputa para prefeita de Lajes, fato noticiado pelo The New York Times. Em 1920 as americanas haviam conquistado o pleno direito de ir às urnas. No Brasil, somente em 1932.

  Quanto a questão do cangaço, Maria Bonita, companheira de Lampião, foi a primeira mulher a entrar no grupo, em 1930. Outras logo vieram, como Maria Miguel dos Santos, a Mariquinha, sua ex-cunhada, que ganhou a vida em Juazeiro do Norte como rameira e passou a ser companheira de Ângelo Roque, o temido Labareda.

  Mesmo com Maria Bonita, Lampião não deixava de satisfazer seu desejo intenso de cobrir uma fêmea, como se referia ao ato de estuprar uma mulher, enquanto ela chorava. Foi um tempo de terror para as mulheres que se escondiam no mato quando se noticiava a chegada de volantes ou cangaceiros nas vilas e povoados.

Em Mirandela (Bahia), o “rei do cangaço” ficou indignado porque um homem de oitenta anos estava casado com uma mocinha. Deu uma surra no velho e convocou seus homens a aplicar “um gera” – estupro coletivo no sertão – na jovem. Por ser chefe, não entrou na fila.

  No sertão agreste, mulher que dava muitas risadas e era alegre faceira, era malvista e chamada de “sendeiras”. No entendimento dos cangaceiros, conforme ressalta Adriana em seu livro, o estupro ocorria porque as mulheres queriam. A terceira esposa do tio de Labareda, por não oferecer resistência ao “gera”, foi tida por sem-vergonha.

   Interessante que entre eles, havia até uma ética do estupro. Mulheres e filhas de coiteiros não podiam sofrer “um gera”. Em 1930, numa festa de São João, em Santo Antônio da Glória, uma menina de 15 anos, filha do protetor do “capitão”, foi deflorada pelo cabra Sabiá. Pela regra, foi imediatamente liquidado.

  As mulheres e meninas viviam entre a cruz e a espada. As volantes também praticavam o estupro. Foi o que fizeram com a filha de dona Elvira que dava asilo aos cangaceiros no interior de Pernambuco.

Numa busca em sua casa, os “macacos” encontraram a menina sozinha. O cabo Rosano decidiu estuprar a garota e depois oferecê-la aos colegas. A menina tinha 13 anos e ficou desfalecida. Em estado lastimável, o soldado achou por bem matá-la.

  A jovem sertaneja deflorada não conseguia mais se casar. Um livro popular sobre as nubentes da época, intitulado “O que uma jovem esposa deve saber”, da escritora norte-americana Emma F.A. Drake, publicado no Brasil, em 1932, definia a mulher recém-casada como assustada, tímida, cheia de um vago temor no que se referia aos mistérios do matrimônio.

   Bem, depois de Maria Bonita, tida como debochada, risada de rapariga (mulher da vida) e Mariquinha, outras entraram para o cangaço, como Antônia Pereira da Silva que se juntou ao Gato que gostou de outra mulher de nome Inacinha. Quando o cangaceiro se engraçava com uma mulher, ela não tinha outra opção, a não ser acompanhá-lo ou morrer.

   Lídia, a morena cabrocha mais bela e que chegava a usar vestidos folgados mostrando os peitos, foi companheira do depravado Zé Bahiano, o ferrador de mulheres, conhecido como o Pantera Negro do Sertão. Por ela ter se agarrado com o cabra Bem-te-Vi, foi esmagada e morta barbaramente a pauladas.

 Na cidade de Itiúba, próxima de Senhor do Bonfim, o bando de Lampião usou chicotes e palmatórias para violentar mulheres jovens que seguiam as tendências da moda e cortavam o cabelo a “la garçonne” (curtinho), como a da atriz Louise Broocks, musa do cinema mudo. Foram submetidas a uma sessão de chicotadas, conforme noticiou o jornal “A Noite” (Rio de Janeiro).

   Naquele tempo, as mulheres se reuniam para costurar, cerzir, alinhavar e tricotar enquanto batiam papos e falavam das fofocas. No entanto, era prudente certa moderação no ato do ofício.

   Segundo tese de doutorado do médico Antônio dos Santos Coragem, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, (1919), pedalar as máquinas produzia excitação vaginal. Para evitar uma epidemia de luxúria, recomendava-se o uso das possantes apenas uma vez por semana.

A DIVINA CHAMADA

(Chico Ribeiro Neto)
Tinha um funcionário público aposentado chamado Raimundinho, numa cidade do interior baiano, que não perdia um enterro, porque em todos fazia um discurso, conhecesse ou não o falecido.
Era só ouvir aquelas batidas lentas do sino, sinal de enterro, que Raimundinho vestia logo seu surrado terno branco.
Na hora do sepultamento subia na lápide mais próxima e mais alta e soltava o verbo. Diziam na cidade que ele tinha “o dom da oratória”, mas muitos já não aguentavam as preleções de Raimundinho naquele sol quente.
Um dia, Raimundinho rasgou o verbo de novo durante um sepultamento:
“A morte é o caminho infalível de todos nós. Na semana passada foi Horácio, hoje é o nosso amigo Juvenal…e amanhã quem será?”
“Raimundinho”, gritou um dos presentes.
“É a puta que lhe pariu, seu filho da puta”, esbravejou Raimundinho, que já saltou da lápide desferindo socos.
Todo mundo tem uma história engraçada de cemitério. Uma vez, uma amiga viu uma cena inusitada no cemitério do Campo Santo, em Salvador. Ela estava num velório realizado numa daquelas salas. Havia outro velório na sala vizinha. Entrou uma mulher que ninguém conhecia e ficou rezando fervorosamente junto ao caixão. De repente, colocou os óculos e deu um grito de susto: “Oh, desculpem, eu errei de velório”, saiu ligeiro e deixou muitos segurando o sorriso.
Na Internet há mensagens para todas as ocasiões. Procurei por “Mensagens para Falecidos” e, antes dos exemplos de mensagens, vem o seguinte: “Para homenagear alguém que faleceu, escreva sobre o amor, a saudade e as boas lembranças que a pessoa deixou. Foque em qualidades marcantes, ensinamentos ou em um momento feliz que vocês viveram juntos. O texto deve vir do coração, com palavras sinceras e respeitosas”. Um conselho lapidar.
O jornalista e boêmio Walmir Palma, o “Seu Porreta”, foi uma vez a um sepultamento. Na sala do velório um funcionário do cemitério o abordou:
“O senhor já assinou no Livro de Presença?
“Não, nem vou assinar”.
“Por que, senhor?”
“Porque Ele (apontou para o céu) faz a chamada é por aí”.

O BUEIRO TRAVESSIA

É mais antigo que o “Bigode de Pedral”, ou o maior quebra-molas do mundo, localizado na Avenida Régis Pacheco. Foi construído na década de 50 – cerca de 70 anos de existência – originalmente para o escoamento das águas que descem da Serra do Periperi, mas se tornou num famoso ponto de travessia sob a BR-116, ligando os bairros de Nossa Senhora Aparecida ao Guarani. É hoje uma passagem improvisada para carros, bicicletas, pedestres, carroças e motos em uma área de grande movimentação que chega a congestionar o trânsito. Com o crescimento de Vitória da Conquista, transformou-se num atalho viário que gera insegurança. Não existe organização no trecho com regras de direção em vias próximas, como nas ruas Nilton Gonçalves, Paulinho Santos e Democrata. Motoristas reclamam problemas de infraestrutura, como buracos e dificuldade de visibilidade, gerando pontos de retenção. No local existe um senhor (não se sabe se é da Prefeitura Municipal) com um apito que tenta controlar o tráfego e pede um real aos usuários, numa forma de pedágio. Esse bueiro de Conquista me fez lembrar de um igual em Senhor do Bonfim, próximo à antiga Estação Ferroviária, que faz conexão com o centro e outros bairros da periferia da zona norte. Devido a ocorrência de acidentes, lá o poder executivo instalou duas sinaleiras em cada direção, resolvendo o problema do trânsito e oferecendo maior segurança para quem utiliza a passagem. Passou da hora da prefeitura, através da Secretaria de Mobilidade Urbana, tomar providências e fazer o mesmo aqui nesse bueiro da travessia da BR-116, ou Rio-Bahia.

DOIS SERTÕES

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Um é o do litoral,

Mata firme, terra fértil,

Vento além-mar colonial,

Com cheiro do melaço da cana,

Misturado ao suor da escravidão,

Saído do ventre da mãe africana

Pra viver na senzala-porão.

 

São dois sertões,

Do soldado ou coiteiro,

Das mais divinas canções,

Do encantado canto violeiro,

 

O outro foi latifúndio profundo,

Caatinga espinhenta de aço,

Sem igual no mundo,

Carcaças das secas e do cangaço,

Do ciclo pastoril do couro,

Vaqueiro filho do deus sol,

Onde o coronel juntou tesouro,

Do nordestino se fez cavaco,

Por séculos isolado,

Sertão chamado de arcaico.

 

Este era nosso Nordeste,

Do açúcar do engenho,

Chefes políticos mandatários,

Do sangue vertido do lenho

Volantes-cangaceiros sanguinários,

Do branco-negro, mestiços,

Índios, caboclos e mulatos,

Com suas crendices e feitiços,

Messiânico, demônio-religioso

Com suas rezas de corpo fechado,

Chão de talento precioso.

 

Do Araripe, Lourenço,

Severino Pau de Colher,

De Canudos Conselheiro,

Povo que nunca perdeu a fé.

O LOBO, A OVELHA E O PASTOR

  Dia desses li alguma coisa rapidamente numa rede social onde citava que o pastor cuida de suas ovelhas para depois comê-las, enquanto que o lobo ficava de fora desse banquete por ser vigiado para não cometer o ato de matar o animal.

  Não sei porque cargas d´água me veio logo à cabeça a analogia do discurso do Bom Pastor do Evangelho de São João, no capítulo 10 (versículos 11 a 18). Neste capítulo, Jesus diz: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas”.

  Esta passagem remete à religiosidade dos ensinamentos de Jesus para que o pregador dê a sua vida pelo seu rebanho para que ele não se enverede pelo caminho do mal, isto é, não seja devorado pelo lobo.

   Jesus mostra amor verdadeiro, de forma voluntária, pelo seu rebanho e o diferencia do mercenário que apenas trabalha pelo dinheiro e foge quando o lobo aparece.

  Se Cristo hoje retornasse à terra, certamente condenaria e expulsaria dos templos, com raras exceções, a grande maioria dos falsos pastores evangélicos que aproveitam dos momentos mais difíceis das pessoas, as ovelhas de boa-fé, para explorar e extorquir através da instituição do dízimo.

   Além do dinheiro, a ação se estende ao campo ideológico-político através de suas fórmulas conservadoras radicais e fundamentalistas sobre pátria, família e tradição, embora não passem de moralistas quando estão entre suas quatro paredes.

Na verdade, esses pastores, com seus falsos milagres, promessas de reinos dos céus e outras práticas enganosas, agem como lobos ferozes e gananciosos que se alimentam de “ovelhas” quando elas justamente estão em desespero de vida, sem eira nem beira.

  A grande parte desse rebanho é procedente dos rincões mais pobres das zonas rurais que partem para as grandes cidades à procura de emprego e melhoria de vida. Sem muitas opções, terminam montando seus barracos nas periferias, favelas e encostas dos morros.

  Como são “ovelhas”, ou pessoas vulneráveis, os falsos pastores (lobos) entram em ação, convidando-as a frequentar suas igrejas, prometendo ajudá-las e a salvá-las daquela situação de miséria, desde quando tudo que ganhar deem uma parte para o templo de Jesus, no caso, para eles.

  Além de usar em vão o nome de Jesus, esses “pastores” invertem a lógica do discurso do Bom Pastor e, ao invés dos lobos, eles mesmos “comem” as ovelhas em diversos sentidos, no campo social, econômico e político.

  Com suas práticas de lavagem cerebral, extraídas de forma deturpada da Bíblia sobre pecado e inferno, o “pastor” passa a ser dono daquela “ovelha” que faz tudo o que ele manda temendo perder a alma para o diabo.

   De maneira inescrupulosa e sem interferência das leis e dos poderes públicos, esses “pastores” atuam livremente como mercenários, explorando essas pobres “ovelhas” num projeto de enriquecimento e poder político planejado há anos.

O QUE SERÁ DAS ESQUERDAS?

  A quase totalidade dos candidatos a presidente da República (nem me atrevo a comentar sobre os postulantes ao legislativo) e a governadores dos estados são da direita, muitos deles extremistas.

 Um aparece dizendo que vai construir mais penitenciárias, ao invés de escolas. Outros que vão afrouxar as licenças ambientais e a legislação trabalhista. A maioria se presta a ser fantoche do Trump e prega que vai fazer “bons negócios” com os Estados Unidos, o equivalente a “abrir as pernas” no dizer popular.

   Temos o Lula com mais de 80 anos que começou sua campanha falando da exploração de petróleo na foz do Amazonas (um atraso secular), com aquela mesma conversa de antes de que o dinheiro da exploração será destinado à educação, à saúde e para investir na oferta de mais energia limpa.

   Quem não se lembra dos trilhões da Bacia de Campos que o gato comeu dos desvios dos recursos. Poucos de viés de esquerda e ainda mais sem peso representativo que não vão muito longe.

  Fico a me perguntar o que será das nossas esquerdas no Brasil, hoje tão pálidas e sem forças nas pernas para romper essa estrada pedregosa, cheia de entreguistas, neofascistas, nazistas e lobos vestidos em peles de cordeiros onde os pastores conduzem as ovelhas para esfoliar em seus matadouros.

  O que será das nossas esquerdas quando o Lula se for, já que não existem e não foram preparados outros nomes fortes com novas ideias, robustos e confiáveis para prosseguir a caminhada dos ideais socialistas, para defender e proteger esse povo, há anos tragados pelos falsos profetas?

Permanecem os discursos arcaicos, retrógrados e agressivos aos moldes dos fanáticos radicais, os quais favorecem a divisão e a polarização. É tudo que a outra banda quer para ganhar terreno e se aproveitar dos incautos e dos inocentes úteis com suas falas genéricas.

  Em meu modesto olhar, vejo estas eleições como uma das piores de todos os tempos em todas as esferas do poder. Confesso que me sinto desiludido e, se condições tivesse, partiria daqui para bem longe (pode até ser covardia) porque não suporto mais o mau cheiro desse cocô. Poderia ser até para o além dos mortos esquecidos.

  Cadê aquela saudosa esquerda dos anos 80 do PT, de outros partidos e até de nomes saídos de instituições religiosas, com o propósito de transformar o Brasil num pais igualitário, de gente honesta, comprometida com a causa social, com as bases excluídas e, acima de tudo, incorruptível?  O vento levou nessa poeira venenosa.

 Aquela esquerda foi se diluindo ao longo dos anos e se misturando à elite burguesa traidora e corrupta, pensando unicamente em se perpetuar no poder a qualquer custo, fazendo acordos com Deus e o diabo. Muitos foram corrompidos e seduzidos pela mosca azul.

Sem o acompanhamento diário, sem educação, cultura, instrução e consciência política, esse povo foi se afastando para o outro lado do falso moralismo conservador que prega pátria, família e tradição, mas pratica a traição ao país, o preconceito racial e de gênero, rouba e mata em nome de Deus.

   É essa mesma esquerda que fica perplexa, que foi se perdendo em seus princípios mais sagrados, quando ver pobres, negros, mulheres, LGBTs e outros excluídos da sociedade se posicionarem a favor dos seus próprios carrascos, como vítimas contaminadas pela Síndrome de Estocolmo.

  A causa dessa mazela está na própria esquerda que preferiu se banquetear na mesma mesa dessas víboras poderosas da oligarquia que há mais de 500 anos tudo fizeram para manter o povo oprimido e subalterno aos seus pés. Será que o Brasil vai ser o nono pais entre os doze da América do Sul a ingressar nesse pacote da direita fanática fundamentalista?

   Essa corrente sempre se opôs à distribuição de renda e, para ela, quanto maior a desigualdade social, melhor para o domínio e a manipulação, principalmente do voto nas eleições, que só muda para pior. Existem aqueles que compactuam com essa esquerda puramente por questões ideológicas partidárias, e os que se silenciam e têm medo de criticar para não serem linchados pela turba extremista.

   De um lado, a falta de uma reflexão e uma revisão autocrítica dos seus erros, um mea culpa, por terem se lambuzado com a luxúria burguesa corrupta e, do outro, o patrulhamento contra quem levanta a voz e grita bem alto que esta esquerda não é mais a dos nossos sonhos que iriam mudar a cabeça das novas gerações, hoje perdidas num vazio avassalador.

  O buraco de ozônio só cresce, e os brasileiros vão perdendo a fé e a esperança de dias melhores. Como saída suicida, muitos estão caiando nos braços dos anticristos salteadores porque deixaram de acreditar naquela esquerda que ficou lá atrás vendo a caravana de malfeitores passarem. Os cães ladram e mordem, piores que feras selvagens da savana.

A QUESTÃO NÃO É SÓ TOMBAR!

 Numa conversa informal com o jornalista Fábio Sena, membro do Núcleo de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural de Vitória da Conquista e mentor do parecer técnico que fundamentou o projeto de tombamento do Cristo da Serra do Periperi, dizia para ele, ao pé do monumento, que não bastava apenas tombar, mas cuidar e preservar.

  Ele concordou e ainda adiantou que nesta semana estaria elaborando um requerimento ao poder executivo no sentido de proceder uma vistoria sobre o atual estado de conservação do Cristo de Mário Cravo que, em ato solene com autoridades e diversos representantes da sociedade, foi tombado ontem (dia 17/08/2026) pela prefeita Ana Sheila Lemos, justamente no “Dia Nacional do Patrimônio”.

  Fábio Sena declarou que a solenidade ganha um significado ainda mais profundo em sua trajetória, pois o monumento é também objeto central da sua pesquisa no Doutorado em Linguística /Análise do Discurso pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb.

   Sua proposta é analisar o Cristo como um acontecimento discursivo, “pois a obra rompe radicalmente com a tradição da iconografia sacra clássica, habitual a um Cristo angelical e sereno, ao impor a crueza do expressionismo em uma figura macérrima de traços sertanejos e feições de dor”.

  Quanto ao problema da preservação do Cristo, lembro que entre os anos 2021e 2023, houve denúncias, inclusive da própria família do escultor Mário Cravo (presente na solenidade de tombamento), de que o Cristo da Serra, tombada em 1996, estava sofrendo corrosões internas e carecia de um trabalho artístico de restauração.

Na época, a prefeita negou as denúncias e garantiu que uma vistoria feita por especialistas não detectou avarias na estrutura interna do monumento. O ato de tombamento do Cristo, símbolo religioso de fé e pertencimento dos conquistenses, é muito importante, mas pode perder essa importância se não houver uma contínua preservação.

    A cerimônia selou o Tombamento do Monumento ao Cristo Crucificado como Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Paisagístico de Vitória da Conquista, só que o local onde Ele está instalado não é visitado como deveria, principalmente por falta de segurança. Como em anos passados, muita gente ainda evita subir ao Cristo em determinados dias da semana, com receio de assaltos.

   Outro aspecto é a falta de urbanização em torno do monumento, de forma que ofereça estrutura de o visitante permanecer naquele local por mais tempo. Não basta apenas o mirante que foi implantado, quando os boxes ali existentes continuam fechados.

    Muitos candidatos a prefeito e outros políticos já aventaram a possiblidade de criar um projeto, em parceria com o setor privado, de infraestrutura com a construção de lanchonetes e restaurante para atender os visitantes, inclusive a instalação de um teleférico ligando o Cristo ao centro da cidade.

  Planejado pelo ex-prefeito e engenheiro José Pedral no início dos anos 60, o monumento, de 33 metros de altura, foi erguido em 9 de novembro de 1980 no governo de Raul Ferraz. É o maior Cristo crucificado da América Latina.

  O Cristo Sertanejo está localizado numa posição estratégica da Serra do Periperi e pode ser visto de diferentes pontos de Conquista e também por quem chega à cidade pela BR-116. A escultura se consolidou como um dos principais símbolos de identidade conquistense e de relação do município com o sertão.

O CANGAÇO E A LITERATURA

   Tanto no aspecto oral como na escrita, o cangaço ocupou um vasto espaço na literatura brasileira, especialmente a nordestina, em todos os gêneros, como ensaios, pesquisas, romances, crônicas, no cordel, na poesia e entre repentistas e trovadores.

 O tema despertou estudos acadêmicos em mestrados e doutorados, sem falar que ultrapassou fronteiras de historiadores de outros países. No jornalismo, o fenômeno foi noticiado desde os pequenos periódicos do sertão do Nordeste a grandes jornais e revistas do Sul, tendo Lampião como personagem principal, que chegou às capas do The New York Times.

  Em sua obra “Lampião-Senhor do Sertão”, a autora Élise Grunspan-Jasmin cita uma lista de importantes escritores que se dedicaram ao assunto, como do poeta, folclorista e musicólogo Mário de Andrade (1893-1945), “O Baila das Quatro Artes”, publicado em 1932.

   “É igualmente nas obras dedicadas ao folclore do sertão, como as de Leonardo Mota (1891-1947), originário da região de Quixadá (Ceará), cognominado “o embaixador da alma sertaneja”, que estão compilados numerosos poemas de cordel que têm Lampião por objeto”.

  Entre seus trabalhos, a autora pontua “Cantadores”, lançado pela primeira vez em 1921; “Violeiros do Norte e Linguagem do Sertão Nordestino” (1925), com um capítulo intitulado “Os Cangaceiros e o Folclore”; “Sertão Alegre”, de 1928; e “No Tempo de Lampião”, de 1930.

  O Centro de Pesquisa sobre o Folclore, ligado ao Departamento de Antropologia da Fundação Joaquim Nabuco, possui uma importante coleção de folhetos de cordel sobre o cangaço e obras gravadas em fitas cassete sobre a cultura oral e o folclore do sertão de Pernambuco.

  Ainda entre as mais utilizadas por estudiosos do tema, Élise destaca a obra de Gustavo Barroso, “Terra de Sol Natureza e Costumes do Norte”, publicado em 1912. Barroso que usava o pseudônimo de João do Norte era escritor, folclorista do sertão do Ceará. Entre seus livros, três tratam do cangaço, como o supracitado “Terra de Sol…”; “Heróis e Bandidos”: “Os Cangaceiros do Nordeste” (1917); e “Alma de Lama e de Aço: Lampião  e Outros Cangaceiros”, de 1928.

   Nascido em 1896, em Sergipe, filho de um coronel do sertão, o poeta e médico Ranulfo Prata escreveu baseado em testemunhos uma das primeiras obras dedicadas a Lampião ainda em vida, isto em 1934. Na tradição lombrosiana, esta obra visava relatar os males e atrocidades praticados por Lampião nos sertões de Sergipe e Bahia nos anos de 1920 a 1930.

   O tenente e depois coronel João Bezerra, oficial das forças policiais de Alagoas que, com sua tropa, pôs fim a Lampião, em Angico, em julho de 1938, nascido em 1898, no município de Afogados da Ingazeira (Pernambuco) escreveu “Como Dei Cabo de Lampião” (1940).

  Optato Gueiros, nascido em 1894, no sertão de Pernambuco, oficial que por muitos anos perseguiu Lampião, tomou a iniciativa de em 1950 escrever uma obra sobre suas atividades no seio das forças de repressão do cangaço. Trata-se de “Lampião: Memórias de um Oficial”.

  Originário da Fazenda Lagoa do Saco, município de Jeremoabo, no sertão da Bahia, Joaquim Góis, que combateu Lampião por cerca de seis anos, escreveu uma obra documentária, intitulada “Lampião, o Último Cangaceiro”, publicada em 1966.

  Dentre outros de grande importância, a escritora de “Lampião – Senhor do Sertão” inclui em sua lista, Felipe de Castro, baiano que tomou parte nas lutas contra o cangaço, escreveu nos anos 60 “História Pátria”; Estácio de Lima, médico baiano “biotipologista” escreveu o livro “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”,  publicado em 1965; Rodrigues de Carvalho, nascido na mesma região de Lampião (Vila Bela – Serra Talhada), publicou nos anos 60 a obra “Serrote Preto: Lampião e seus Sequazes”; Nertan Macêdo, jornalista, natural de Umbuzeiro (Paraíba) fez várias biografias de cangaceiros, do Padre Cícero, Antônio Conselheiro e Floro Bartolomeu; Aglae Lima de Oliveira, de Cabrobó (Pernambuco) escreveu “Lampião, Cangaço e Nordeste” (1970); Padre Frederico Bezerra Maciel reuniu um amplo estudo em “Lampião, Seu Tempo, Seu Reinado: Um Capitulo da Evolução Social do Nordeste”, em 1979; Antônio Amaury Correia de Araújo, nascido no Sul do Brasil, redigiu com Vera Ferreira (neta de Lampião) nos anos 1995/96, vários livros, como “O Espinho do Onipá: Lampião, a História”, “Assim Morreu Lampião”, “Gente de Lampião” e “Lampião: As mulheres e o Cangaço”, entre os anos 70 e 80; Frederico Pernambucano de Mello com sua obra-prima “Guerreiros do Sol” (1985); e José Alves Sobrinho, filho de José Saturnino, escreveu em 1997, um livro relatando os conflitos entre seu pai e Lampião.

MAIS UMA!

  • (Chico Ribeiro Neto)

Garçom, não me venha com tulipa, caneca ou taça pequena. Eu quero é copo americano.

Não sei porque alguns bares sofisticados não têm o copo americano. Devem achar “vulgar”. Pois fiquem sabendo que o copo americano, criado em 1947 pela fábrica brasileira Nadir Figueiredo, consagrado nacionalmente, integrou, em 2009, exposição de design no Museu de Arte Moderna de Nova York  como símbolo da cultura material brasileira.

O nome surgiu porque o projeto usou uma máquina de prensa de vidro importada dos Estados Unidos.

Não entendo também porque certos bares e restaurantes “selecionam” seus clientes pelo tamanho da cerveja. “Só servimos long-neck”, avisa o garçom. Que charme! Cerveja de 600 ml deve ser coisa de pobre…

Tinha um velho muito pão-duro numa cidade interior baiano que sentava na mesa mais escanteada do bar e pedia uma cerveja. Detalhe: a cerveja natural, quente. Um dia, um cara se aproximou e perguntou:

“Por que o senhor só bebe cerveja quente?”

“Pra ninguém me pedir um copo”.

Leio que a cerveja surgiu na Mesopotâmia, há cerca de 6 mil anos, criada por povos antigos como os sumérios e os babilônios. Grãos molhados criaram uma papa que gerou uma bebida forte e nutriente.

Os monges nos mosteiros da Europa melhoraram a receita e começaram a usar o lúpulo para dar sabor e conservar melhor o líquido. Esses padres têm arte!

Para muitos, o gole do santo é sagrado. O famoso boêmio de um boteco no Rio pediu para ser cremado e que suas cinzas fossem enterradas num grande vaso de planta que havia na porta do bar. O pedido foi aceito e os amigos sempre despejavam alguns goles no vaso.

O velho jornalista e boêmio Walmir Palma recomendava: “Nunca emborque o copo nem deixe restinho de cerveja. Ou bebe ou joga fora”. Podia chamar coisa ruim.

Foi o maior “puta que pariu” que já ouvi. Depois da conta paga, o garçom levou o copo do meu amigo com o último gole de cerveja. Imperdoável.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

O LIXO DE CADA DIA

  É incrível o acúmulo de lixo nas periferias de Vitória da Conquista em terrenos vazios abandonados como se não tivessem donos! Sabemos que tudo advém da falta de educação do povo que não tem consciência ecológica e política e do individualismo de cada um, mas o poder público, no caso a Prefeitura Municipal, tem sua parcela de culpa por não obrigar os proprietários a cercarem seus imóveis mediante uma fiscalização mais rígida com punições de multas. As imagens das nossas lentes dizem tudo. Não é por acaso que Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, é campeã no criatório de escorpiões e de pessoas picadas por esse bicho peçonhento venenoso! É vergonhoso para os conquistenses terem esse título no estado. Além dos escorpiões, são ratos, baratas, cobras e outros insetos que invadem as casas. Não existe nenhuma mobilização por parte da administração para conter esse avanço dos lixões nos bairros. Somos obrigados a conviver com o lixo de cada dia. Infelizmente, moro bem em frente de um terreno abandonado e vejo diariamente pessoas despejando seu lixo na área, como se fosse uma coisa normal e comum. O absurdo e a falta de respeito para como o outro são tão gritantes que os sujos mal-educados nem chegam a depositar seus lixos na parte mais distante da rua. Quando bate o vento, toda sujeira termina invadindo as residências mais próximas. Até quando temos que conviver com o lixo de cada dia?

 





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