“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
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O BANDITISMO NORDESTINO NA VISÃO DE BILLY JAYNES CHANDLER
A literatura sobre o cangaço, Lampião e outros cangaceiros, é muito vasta. Para falar do assunto, todos autores procuram abrir seus trabalhos descrevendo sobre como era o Nordeste do século XVII até o início do século XX. Os escritores fazem uma espécie de mapeamento sobre o solo, a caatinga dos sertões, as crendices, o misticismo e todos fatores que contribuíram para o banditismo no sertão.
A região vivia isolada do resto do país, abandonada, castigada pelas secas, pela pobreza extrema, pelas brigas entre famílias, pelo mando dos chefes políticos e dos coronéis e pela falta total da justiça para impor a lei. Enfim, o Nordeste era uma terra de ninguém onde o poder era quem mandava. O opressor massacrava o oprimido.
O CANGAÇO
O autor de “Lampião, o Rei dos Cangaceiros”, Billy Jaynes Chandler segue esta linha de raciocínio. De acordo com ele, nas sociedades rurais subdesenvolvidas, o banditismo sempre captou o interesse e a fantasia do povo. No Nordeste, o cangaceirismo e, sobretudo Lampião, eram vistos como “heróis” e um fenômeno de rebeldia contra aquele sistema cruel de exclusão social, política e econômica.
Os que viviam fora da lei, aparentemente livres das restrições sociais, despertavam uma certa imaginação. Desse modo, Billy cita a vibração dos ingleses com os feitos de Robin Hood; os mexicanos com as façanhas de Pancho Villa; e os brasileiros com Lampião.
As vidas desses homens serviam de matéria-prima para trovadores, cantores, literatos e repentistas das histórias populares. Exageravam e, de certa forma, omitiam a realidade. Alguns historiadores e cientistas, movidos pela obra de Eric Hobsbawm encontraram interesse no estudo do banditismo.
Lampião, por exemplo, nascido no sertão decadente do Nordeste, fez sua entrada no banditismo, em 1916, quando contava com 19 anos, devido a uma disputa com a família de Saturnino (José Alves Borges). Cinco anos depois, quando a polícia – José Lucena – matou seu pai, em Alagoas, ele declarou que ia viver e morrer como bandido.
Foi leal, generoso e até praticava ações de compaixão com aqueles que tinham conquistado sua confiança, mas cruel e sanguinário com os que despertavam sua inimizade. Fazia acordos com chefes políticos, coronéis, fazendeiros e até com a polícia para sobreviver.
Com suas táticas e astúcias, foi um guerrilheiro hábil ao ponto de o povo do sertão acreditar que tinha poderes extraordinários que provinham do seu fervor religioso. Tornou-se objeto de medo e respeito e chegou a ser amigo de um governador.
Segundo Billy, as palavras cangaceiro e cangaço começaram a ser usados na década de 30, e se relacionavam à canga, cangalho, jugo dos bois. Talvez era assim chamado por carregar o rifle nas costas, como o boi puxa a sua canga. A partir do final do século XVIII significava um grupo de homens armados a serviço de um fazendeiro. Depois se tornaram independentes e a palavra cangaceiro começou a ser usada.
Foi um fenômeno social. Os cangaceiros andavam em bandos, com seu modo de se vestir especial, como um lenço colorido no pescoço e um chapéu de couro, tipo cawboy do sertão, cuja aba era virada para frente cheia de enfeites (estrelas de Salomão). Conhecedores dos sertões, suas táticas de guerra deixavam as volantes atordoadas.
A DESORGANIZAÇÃO SOCIAL E AS SECAS
Sobre o Nordeste, Billy descreve que no Sertão, as chuvas fortes caiam numa estação chamada de inverno pelos nativos, num período entre cinco a seis meses, de dezembro a março. A temperatura variava entre 17 a 38 graus, mas hoje chega até mais de 40.
Quando se fala do Nordeste, muitos imaginam como uma região plana e ´desértica, mas ele tem suas colinas, matas, chapadas, numa mistura de savana floresta. Nos locais planos, vê-se a caatinga, uma vegetação retorcida, nodosa de pequena altura, própria da terra quente e seca. Predominam árvores de pequeno porte, com variedade de cactos, como o facheiro ou mandacaru.
Os primeiros portugueses não se estabeleceram no sertão, mas nas zonas úmidas do litoral ao longo da costa até Natal (Rio Grande do Norte). Durante o século XVI surgiu uma sociedade agrícola, baseada na cana-de-açúcar. Os índios foram aculturados e, na maioria, exterminados. O escravo chegou a ser a maior força de trabalho.
Dominava a colônia, uma elite aristocrata, branca e arrogante situada nas áreas férteis (Salvador e Olinda). A produção de gêneros alimentícios foi renegada, surgindo daí o interesse pelo interior, com boas terras para a criação do gado e agricultura em geral.
Os sertões, então, começaram a ser desbravados a partir do século XVIII até em regiões longínquas. No litoral predominavam as sociedades racistas. Grandes extensões de terras foram entregues pelos oficiais da colônia, nascendo assim os latifúndios. Os fazendeiros eram potentados do sertão, iguais aos senhores de engenho. Governavam seus dependentes com mão de ferro, delegando poderes.
Como as riquezas eram escassas, Portugal praticamente não exercia domínio. Desde sua origem, conforme análise de Billy, a sociedade dos sertões foi deixada ao discernimento. A independência do Brasil, passando pelo Império (1822-1889) e depois a República Velha (1889-1930), pouco alteraram os fatos.
A maioria do povo vivia em completa penúria de vida. Mesmo assim, desbravou a região. Foi dessa classe que saíram os cangaceiros, como Lampião. Alguns eram vaqueiros e outros combatiam os índios, incluindo uma pequena parte de escravos negros e mulatos.
Devido a miscigenação, brancos, negros, mulatos e índios formaram uma categoria de pobres submissos. No início da conquista, os índios sofreram grandes baixas. Existiam pessoas livres, de descendência mista, que eram os senhores vindos da costa. Muitos ancestrais pobres chegaram a ser donos da terra.
Com o tempo, as grandes propriedades se fragmentaram, divididas entre herdeiros. Essa divisão causou o empobrecimento de muitos. As adversidades das secas também ajudaram a dizimar rebanhos e outros recursos dos fazendeiros.
No entanto, com o casamento de conveniências, muitos conseguiram deter a desintegração e reconstruir suas fortunas. O latifúndio ainda persistia, apesar das circunstâncias nas pessoas dos coronéis e dos chefes políticos.
A principal atividade era a pecuária que abastecia as capitais litorâneas. O agregado procurava tirar da terra sua magra subsistência através da agricultura, muita parte destinada à população litorânea.
Esta situação só começou a mudar no século XVIII com o cultivo do algodão, se bem que os lucros não compensavam devido a falta de estradas e a flutuação dos preços no mercado internacional.
A Abertura de estradas de ferro, no final do século XIX e começo do século XX, estimulou a cultura de gêneros alimentícios de exportação, mas tudo isto foi anulado pelos grandes proprietários que começaram a exigir uma parte pela terra alugada. Houve o surgimento do algodão, mas teve pouca duração.
As áreas agricultáveis se tornaram superlotadas, resultando na fragmentação das propriedades através das heranças. O grupo econômico que mais lucrou com a comercialização dos produtos foi o do intermediário que era o fazendeiro empreendedor. O resultado foi o declínio econômico das populações dos sertões, com o empobrecimento.
Com o fim da Guerra Civil na América do Norte, em 1865, cessou a procura pelo algodão e afetou também o mercado açucareiro. Logo depois veio o fim do ciclo da borracha, no Amazonas, na segunda e terceira décadas do século XX.
Dizem que este conjunto de fatores gerou o cangaço, mas houve outras influências, como a fragilidade das instituições responsáveis pela lei, ordem e justiça, implantadas desde a colonização, quando as autoridades entregaram a região aos potentados.
No império tentou-se reverter a situação, confiando a ordem aos chefes de polícia, mas não funcionou por causa da política entre os dois partidos que sempre nomeavam seus aliados. O sistema de júri também fracassou porque o jurado votava de conformidade com o coronel ou do chefe político. Partidos políticos antagônicos incentivaram os conflitos, bem como as guerras entre famílias.
A República, em 1889, criou o federalismo delegando poderes aos estados, que estimularam o desenvolvimento das máquinas políticas, assegurando que o coronel votasse a seu favor. Em troca, os coronéis mantinham seu domínio. A força da polícia apoiava os coronéis, mas, aos poucos, foram perdendo poder.
Com o enfraquecimento das instituições do estado, que sempre estavam a favor da facção local vigente no momento, criou-se um clima de desordem, sem justiça e proteção aos desfavorecidos. Sem garantia de proteção nem do patrão, nem do estado, povoações do sertão se transformaram em verdadeiras selvas onde imperavam a ilegalidade e a desordem.
“Parece, portanto, certo que o aparecimento do cangaço esteja intimamente ligado a este estado de desorganização social” – aponta o escritor Billy Chandler, mas ele acrescenta também as secas calamitosas que se repetiram naqueles anos, entre final do século XIX e nas primeiras décadas de 1900.
Billy ainda cita o messianismo e o fanatismo religioso que desagregaram a sociedade, só que estes fenômenos ocorreram paralelamente ao cangaço. No entanto, em sua visão, as estiagens prolongadas contribuíram para aumentar a violência. “Com a seca de 1919, o cangaço atingiu seu ponto máximo”. “Tanto o banditismo como o messianismo são produtos do mesmo complexo de condições”
DIA MUNDIAL DO LIVRO
Como se não bastasse a doença física do corpo, também somos “lelés da cuca”, ou seja, doentes da mente. Neste Dia Mundial do Livro (23/04), não temos muita coisa a comemorar no Brasil, apesar do aumento verificado no ano passado na venda de livros e, consequentemente, na leitura. Mais à frente, em 29 de outubro, temos o Dia Nacional do Livro. Poucos ainda cultivam o hábito da leitura.
A grande maioria prefere o celular na mão curtindo as fofocas, as mentiras, as futilidades, os besteiróis e seguindo falsos ídolos, como influenciadores golpistas. A onda é ser seguidor de qualquer idiota e imbecil, e o cara do outro lado ainda fala que é material de conteúdo.
Os seguidores, e são milhões, compram até bosta do influenciador se ele postar em sua na rede. A massa em geral só quer saber de clicar e curtir. A impressão é que não pertencemos mais à espécie humana. Deu a louca no mundo. Está tudo dominado e pirado pelos influenciadores, muitos dos quais marginais bandidos.
O Dia Nacional do Livro (29 de outubro) é uma comemoração à Fundação da Biblioteca Nacional no Brasil. O Internacional foi escolhido pela UNESCO, em 1995, para homenagear autores, como Shakespeare e Cervantes.
A grande maioria das escolas públicas brasileiras, cerca de 70%, não tem bibliotecas. As grandes livrarias (Saraiva, Cultura, Civilização Brasileira) fecharam suas portas. Para não falar de Europa, na América Latina, o Brasil é um dos países com menos livrarias, sendo de longe superado pela Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia, México e Peru. Todos têm um Prêmio Nobel de Literatura e nós nunca tivemos um nome laureado.
A maioria em massa prefere ter o samba no pé, o axé, o pagode, o arrocha e outros ritmos de músicas lixos no rebolado do corpo do que ter a leitura, o conhecimento e o saber. Não sei qual o pior, ser doente do corpo ou doente da mente. Cada um que tire suas conclusões.
De acordo com pesquisa feita pelo meu companheiro jornalista Carlos Gonzalez, que já se foi, “enquanto livrarias ícones, como Saraiva e Cultura, fecharam as portas, castigadas pela queda de receita e altos custos das lojas físicas, outras redes juntaram os cacos dessa crise e vêm ocupando o espaço. De olho na experiência dos antigos concorrentes, buscam trilhar caminhos novos e evitar os erros de quem não sobreviveu às mudanças desse mercado”.
Publicado em 7 de outubro de 2023, a Justiça de São Paulo decretou a falência da rede de livrarias Saraiva. O pedido foi feito pela própria empresa, que já teve os maiores estabelecimentos de livrarias do país, em meio ao processo de recuperação judicial, em decorrência de uma dívida de R$ 675 milhões.
Gonzalez constatou que a chegada da venda de livros físicos da Amazon no Brasil provocou um choque no mercado. Especialistas avaliam que a tentativa da Saraiva e Cultura de acompanhar a disputa de descontos praticados pela gigante americana do e-commerce foi uma das principais razões que as levaram a fechar as portas.
“Nos últimos 15 anos, o número de livrarias de rua no Brasil caiu de 3.073 para 2.972, segundo dados da Associação Nacional das Livrarias. É um número não apenas absurdamente baixo para um país com 5.568 municípios, mas altamente concentrado. São 1.167 lojas somente em São Paulo e 353 em Minas, o segundo estado no ranking (para se ter uma ideia, apenas a cidade de Buenos Aires, na Argentina, tem cerca de 700 livrarias)”.
Uma edição do jornal inglês The Guardian publicou uma matéria sobre a paixão de Buenos Aires pelos livros. A reportagem, ilustrada com foto da livraria El Ateneo Grand Splendid, revela que a capital da Argentina tem mais livrarias por habitantes do que qualquer outra cidade do planeta. São mais de 700 unidades para uma população de 2.8 milhões. Uma média de 25 livrarias para cada 100 mil pessoas. Em Londres, esse número despenca para 10 lojas para cada 100 mil habitantes. Os dados sofrem variações, mas, no geral, o quadro permanece o mesmo.
Durante a Convenção Nacional de Livrarias, realizada pela ANL (Associação Nacional de Livrarias), a entidade lançou a 5ª edição do Anuário Nacional de Livrarias com levantamento de dados de 2023. A pesquisa detectou que o Brasil tem 2.972 livrarias espalhadas pelos variados cantos do país.
Nos últimos anos, o varejo livreiro, especialmente as livrarias, passaram por muitos desafios, como crise no mercado do livro, queda das principais varejistas do país e a pandemia do coronavírus que fechou as portas das lojas por um longo período.
De acordo com os dados do anuário, o Sudeste lidera com 1.814 espaços, seguido pelo Sul (561), Nordeste (334), Centro-Oeste (165) e Norte (98). O estudo também especifica as livrarias. Em primeiro lugar estão as lojas de Interesse Geral / Literatura, com 1.047 pontos; em segundo Infantil / Juvenil / Quadrinhos, com 914 e em terceiro, as Evangélicas com 321. Católicas (290), Técnicas / Científicas (158), Sebos / Novos / Usados (102), Didáticas (52), Idiomas (46) e Espíritas (36). Outras religiões (6) também aparecem na contagem.
“Podemos considerar que os dados apresentados nos trouxeram informações positivas de modo geral”, considera a organização do Anuário. Em 2022, cerca de 100 novas livrarias abriram no Brasil, e em 2023, o resultado é mais positivo do que negativo. “Não houve declínio do varejo do livro, mas sim uma reinvenção, consolidação e enfrentamento positivo do comércio livreiro”.
No intervalo entre o último anuário – publicado em 2013 – e o atual, a queda no número de livrarias foi de 1,8%, um declínio considerado mínimo por Marcus Teles, presidente da ANL. O presidente da entidade também faz algumas ressalvas de que há livrarias faltantes, isto porque o Anuário computou dados entre o segundo semestre de 2022 e o primeiro semestre de 2023.
MIUDEZAS QUE CHATEIAM
(Chico Ribeiro Neto)
Coisas pequenas que chateiam, como dois ou três grãos de arroz cozido presos no calcanhar do chinelo. Ou um sapato que chia na sala de um concerto. Ou ainda aquele botão da camisa que caiu no meio da rua e que ficava bem em cima da barriga.
É tanta coisa miúda que aborrece que parece que cada hora tem uma: a mosca que só vem pousar na ponta do nariz, o pingo de sorvete na calça e a moça do supermercado que resolve encerrar o caixa bem na sua hora.
No início do almoço, feijão quentinho no prato, descobre que a farinheira está vazia. E foi só impressão pensar que ainda tinha dez contos no bolso daquela camisa azul.
Segunda-feira de noite. Antes do banho e da janta , você põe no congelador a heróica cerveja que sobrou do fim de semana. Se só tem ela, vamos tratá-la com todo carinho. Você toma banho e volta, abrindo o congelador. Pega a cadeira preferida e bota o disco que mais lhe toca. Assustado, você percebe que a única cerveja da casa não faz espuma, pois está choca.
A única agulha da casa sumiu e a tesourinha ninguém acha. O despertador parece que ficou maluco, pois tocou duas horas antes do previsto. Você acorda e só tem um pé de sandália na beira da cama.
O garçom que não vem e a surpresa que lhe causa a única ficha telefônica que você tem: “Ligação errada, não é aqui não”.
O relógio com um dia de comprado deu chabu e você ainda tem que viajar num ônibus da Transur. Chove lá fora e dentro de casa falta água.
A camisa nova descostura e a calça preferida volta da lavanderia com a bainha dura, além de uma mancha escura.
Você está numa fila do banco e na fila do lado um amigo resolve perguntar, em voz alta, sobre toda sua vida: onde está trabalhando, se já casou de novo e quantos filhos tem agora.
Você sai da fila do banco e ele diz que vai aparecer em sua casa.
É segunda-feira, na hora de trabalhar, e o carro na garagem com um pneu furado. Você lembra que o macaco está emprestado.
Acabou de tomar banho, lavou a cabeça, tá todo molhado e lembra que esqueceu de levar a toalha.
Uma pulga dentro da meia, ter que trabalhar em noite de lua cheia e ser obrigado a tomar injeção na veia.
O cisco nos óculos que não sai, o caroço de manga que das mãos cai e o táxi debaixo de chuva que diz que não vai.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 2/8/1989)
(Ver crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
CUCAS MALUCAS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Solto minha fumaça,
Com essência de aço,
Na espera da graça,
Para ver o sol rajar
Do nascente ao poente,
E vou livre a navegar,
Pelas ondas do mar.
Cucas poluídas
De ideias malucas,
Das malignas redes sociais,
Tecidas de teias,
Por aranhas venenosas,
Que cortam veias,
Manipulam canais,
Como inimigas viscerais.
Cucas malucas,
Que infestam nossas cucas
Até a nuca,
Cheias de lixos,
De ideologias medievais,
Que delas brotam bichos,
Para consumir nossos ideais.
Cuca é templo racional,
É da terra, sagrado sal,
Não é propriedade
Desses cabras idiotas,
Que atacam a liberdade,
Como falsos patriotas.
Nossa cuca não é latrina,
Nem pinico de doutrina,
Para intruso influenciador,
Nela mijar e fazer cocô.
TENHO HORROR A FORMULÁRIOS
Até preencher fichas em balcões de hotéis, postos de saúde, clínicas, renovação de carteira de habilitação e outros troços, me deixa engastorado, quanto mais extensos formulários burocráticos que escarafuncham toda nossa vida e ainda fazem indagações idiotas e desnecessárias. Alguns só faltam pedir a data do seu batizado.
Quando estou acompanhado com alguém, peço, por obséquio, fazer o preenchimento por mim e até assinar em meu lugar. Quando vou me hospedar num hotel, sempre solicito ao atendente ou balconista preencher o protocolo.
São coisas da vida que acho um saco. Às vezes penso não ter nunca saído da minha pequena aldeia para os grandes centros. Meu desejo é voltar a ser um roceiro, um tipo eremita, sem lenço e sem documento, para não aturar essas formalidades instituídas pela sociedade moderna.
Não consigo ver um formulário em minha frente que já me deixa logo estressado. Nem vou aqui citar esses editais de projetos culturais, de concursos e premiações que os considero um terror em burocracia, mesmo nos tempos avançados da tecnologia. Vai de retro satanás! Fujo deles como o cão foge da cruz.
Dia desses uns amigos me falaram que ficaram irritados quando foram fazer uns exames numa instituição de saúde pública, quando a recepcionista, exercendo sua função de fazer a ficha do paciente, indagou quais eram suas raças, branca, parda, mulata, negra, marrom, cor do barro, do jambo, do leite ou amarela.
Eles responderam, insistentemente, que eram da raça humana, enquanto, não satisfeita, a funcionária repetia a mesma pergunta e que se tratava da cor da pele. Houve um momento de bate-boca e irritação por parte dos clientes que continuaram dizendo raça humana.
– Por acaso, a senhora está vendo aqui um extraterrestre, um ET marciano? Indagou o paciente que ficou impaciente, com pressão arterial alta. Argumentam que o item é necessário para efeitos estatísticos e também para detectar determinadas doenças a partir da cor da pessoa.
Que seja, mas continuo tendo horror a formulários e fichas. Acho até que devo procurar um psicanalista, mas, pensando bem, nesta idade não tem mais jeito, sem reversão. Seria dinheiro e tempo perdidos.
Pode até ter lá seu fundamento, mas continuo sofrendo do horror a formulários, fichas e editais. Meu caso é perdido e não adianta tratamento psiquiátrico. Não aguento essas traquitanas! Vamos simplificar ao invés de complicar!
Semana passada, terminei discutindo com um cantor e músico amigo meu, lá de Fortaleza, no Ceará, com quem fiz uma parceria em algumas composições. Ele simplesmente me pediu para preencher uma ficha de direitos autorais. Na discussão, disse-me que o artista em geral é desorganizado. Respondi que, se assim não fosse, não seria artista.
“A VIA BAHIA ROUBOU O POVO E NÃO FEZ A DUPLICAÇÃO DA BR-116”
Muitos vereadores aproveitaram suas falas durante a sessão ordinária de ontem (dia 22/04/26) da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, para criticar duramente a passagem da empresa canadense Via Bahia enquanto esteve administrando a Rio Bahia, ou BR-116.
O parlamentar Nelson de Vivi, por exemplo, citou a situação caótica no trânsito na área da BR-116 que dá acesso à Urbis VI e de quem segue em direção a Itambé, solicitando a urgente construção de um viaduto, como também em outros pontos da cidade.
Além da falta de viadutos, Nelson fez referência à prometida duplicação da BR-116 a partir do Paraguaçu até Cândido Sales, passando por Conquista e outros municípios. De acordo com ele, o Governo do Estado fez vistas grossas no acordo feito com a Via Bahia que deixou de executar esses serviços. Disse que a empresa levou nosso dinheiro e não houve a devida fiscalização.
Outro que expressou seu desabafo foi o vereador Hermínio de Oliveira. Destacou que “a Via Bahia roubou o dinheiro do povo baiano e não realizou a duplicação da pista”. Hermínio ressaltou ainda que o rompimento do contrato com a empresa contou com os esforços da Câmara de Vereadores de Conquista.
Em relação ao acesso Conquista – Itambé e vice-versa, Hermínio afirmou que levou 30 minutos para fazer aquela passagem. Por sua vez, Fernando Jacaré alertou que o papel dos vereadores é fiscalizar o poder executivo através da cobrança de obras de melhoramento para a população em geral, apontando o caso de Conquista.
Na oportunidade, Jacaré informou que em breve a cidade receberá a visita do governador Jerônimo, lembrando a duplicação da BA Conquista-Barra do Choça, feita pelo estado. Disse que o governador está empenhado em transformar o Hospital Regional numa referência no Nordeste. Afirmou também que Conquista só tem uma UPA, mantida pelo estado, e cobrou a construção da unidade municipal prometida durante campanha eleitoral.
Como nos pronunciamentos dos outros colegas, o parlamentar cobrou a edificação de viadutos em todos os pontos críticos do Anel Viário, em Conquista. Assinalou que a questão da mobilidade urbana é de fundamental importância para evitar os acidentes em torno de Conquista, que praticamente acontecem diariamente.
A sessão ordinária de ontem, comandada pelo presidente Ivan Cordeiro, ainda discutiu vários projetos de interesse da comunidade, como a lei municipal que institui a disciplina do programa “Meu Lar” e o que amplia o número de vagas para o cargo de provimento de nutricionista no quadro de pessoal do poder executivo.
ACABARAM COM O SÃO JOÃO DE CONQUISTA
Enquanto estiver vivo vou levantar minha voz; soltar o meu desabafo da garganta; e espalhar o meu clamor contra a descaracterização do nosso São João, ou o forrobodó, símbolo maior da nossa cultura nordestina, que tanto já nos deu alegrias, conhecimento e saber popular.
Sei que sou uma voz no deserto, mas não me cansarei de gritar. Fico triste porque sempre foi minha festa predileta desde aquelas festas na roça, com todas suas tradições de pular fogueira onde as pessoas se tornavam compadres; comer milho assado, canjica, pamonha e derivados da mandioca.
Não me importa qual seja o partido, prefeito ou prefeita, secretário ou secretária estejam no poder, lá estarei para contestar e protestar contra aqueles que transformaram nossas festas juninas num palco de proselitismo político, principalmente em tempos eleitorais, tudo para atrair as massas cada vez mais alienadas, que deveriam ser instruídas para não deixar morrer a nossa memória de pertencimento cultural.
Nos últimos anos, os nossos dirigentes tiveram a proeza de definhar e acabar, aos poucos, com o São João autêntico, tipo Pé de Serra, de Vitória da Conquista. Agora são shows pirotécnicos de megas bandas de outros ritmos, ao peso de altos cachês, como Safadão, Thierry, Calipso, da cantora Joelma, e tantas outras que nada têm a ver com o nosso forró.
O pior é que o nosso São João foi privatizado, mas o dinheiro continua sendo o nosso. Os ricos nos camarotes e a plebe lá embaixo. Tornou-se uma festa excludente, mesmo de portões abertos.
Para tapear e iludir os menos esclarecidos, no meio das festanças extravagantes, colocam alguns cantores e bandas que ainda representam a nossa identidade, mas, o maior peso são os shows dos milhões. Na verdade, os forrozeiros autênticos foram transformados de personagens protagonistas para simples coadjuvantes.
Estou falando de Vitória da Conquista porque se trata da minha aldeia onde a cultura está sendo jogada no lixo e nossos artistas locais, incluindo todas as linguagens em geral, estão sendo tratados como coisas de menor valor. O cachê de uma Joelma, por exemplo, daria para contratar mais de 50 bandas da região.
Não sei quantos milhões vão custar o nosso São João, e ouvi dizer que tem recursos do Governo do Estado, mas isso não importa porque a fonte desse dinheiro pertence ao contribuinte. Enquanto isso, permanecem fechados, sendo destruídos pela poeira do tempo, os nossos valiosos equipamentos culturais, como Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha. Agora temos a Carreta da Cultura, mas nunca vai substituir nossos centros.
Conquista já teve fama de cidade cultural, isto pelos idos dos anos 50,60 e 70, e não adianta aqui citar nomes que foram ícones nacionais e internacionais, porque temos que viver a realidade dos nossos tempos e encarar que perdeu esta sua pluralidade cultural.
Voltando à vaca fria, como diz o matuto tabaréu, nos últimos anos, na época das festas juninas, passou a existir uma disputa acirrada entre as maiores cidades nordestinas, para ver quem contrata as bandas de arrocha, sertanejas, de pagodes, lambadas, de axés e sofrências mais caras do país, somente para competir quem atrai mais público e ganha mais votos.
Além dos altos custos, quando a maioria das cidades está destruída pelas fortes chuvas (passei em várias delas e vi a situação), muitos prefeitos e prefeitas superfaturam e desperdiçam nosso suado dinheiro dos impostos. Alô Ministério Público, tribunais de contas e outros órgãos fiscalizadores!
Para completar esta bagaceira anticultura, aparece a mídia televisada, falada e escrita que também leva uma boa grana como anunciantes, para divulgar as festas e apelar ao povo que compareça aos shows porque são grátis.
Isto é uma grande fake news e um desserviço à opinião público. Nada que vem dos governos é de graça. É mais uma disputa entre quem mais mente na propaganda. Mesmo que tenha um patrocinador, aqui ou acolá, lá está o nosso dinheiro para pagar os famosos ricos, enquanto nossos artistas locais estendem suas cuias em pequenas apresentações em bares e restaurantes.
Deveria ter uma lei federal rígida, onde em festa junina, só forrozeiro, comprovadamente autêntico com anos de estrada, poderia tocar sua sanfona, seu zabumba e seu triângulo. Houve vários movimentos neste sentido, mas a força política interesseira desprezou e engavetou os apelos incessantes dos artistas.
NOITE CULTURAL DE MACHADO DE ASSIS ENCANTOU “SARAU A ESTRADA”
A professora Viviane Gama encantou a todos do “Sarau A Estrada” com sua aula primorosa sobre o escritor brasileiro Machado de Assis. Estudiosa do assunto e grande admiradora da sua obra, Viviane fez uma espécie de autópsia sobre a vida do autor, sua literatura que correu o mundo e seu poder de penetração na alma humana.
Sua palestra abriu os trabalhos do Sarau A Estrada, na noite do último sábado (dia 18/04/26), no Espaço Cultural do mesmo nome, com a presença de mais de 40 pessoas entre artistas, professores, estudantes e interessados pela cultura. O evento contou ainda com a participação do cantor, poeta, compositor e músico Pappalo Monteiro, que também abrilhantou o momento com suas canções autorais e de outros representantes da música popular brasileira.
Em sua fala, Viviane afirmou que “Machado de Assis é o autor brasileiro mais estudado no mundo. Tem tese de doutorado sobre Dom Casmurro até em japonês! Sinal de que ele acertou em cheio a alma humana. Traduzido em mais de 30 línguas, só perde para Paulo Coelho e Jorge Amado em número de traduções entre os brasileiros, mas em prestígio crítico, ganha de lavada”!
Destacou ainda que “Machado viveu num Brasil escravocrata que fingia ser Paris, e usou a pena para desmascarar tudo, sem levantar a voz. Ele pegou a estrutura maluca de Sterne, o tédio filosófico de Xavier de Maistre, o ciúme de Shakespeare e a crítica social de Eça, misturou tudo, botou molho de pessimismo brasileiro e criou um jeito de narrar que ele só tinha”.
“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito “ – assim dizem os maiores críticos literários ter sido a frase mais famosa de Joaquim Maria Machado de Assis, menino franzino do Rio de Janeiro que nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, de uma família pobre e faleceu em 29 de setembro de 1908. Mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade.
Machado era filho do mulato Francisco José de Assis, pintor de paredes, e da portuguesa Maria Leopoldina. Ainda pequeno ficou órfão de mãe. O pai casa-se novamente e a madrasta lavadeira e doceira Maria Inês cuida do menino com todo carinho como se fosse mãe verdadeira. Machado, como qualquer menino pobre do Rio, nos idos de 1840, passa a vender doces nas portas dos colégios que não podia frequentar.
Ainda jovem, o escritor começou a se aproximar de intelectuais e jornalistas que lhe deram as primeiras oportunidades na vida. Aos 16 anos, Paulo Brito, dono de uma tipografia e livraria, publicou um soneto de Machado, com o título “Ela”, na “Marmota Fluminense”, onde trabalhou como revisor de textos. Nas horas vagas, se virava como caixeiro, vendendo livros.
Outros contatos na livraria abriram novas portas para nascer o futuro autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e outras obras de notável importância em sua carreira, como “O Alienista”, “Quincas Borba”, Dom Casmurro, o mais célebre, e tantos outros. Não se imaginava que aquele menino mirrado seria um dia fundador e presidente perpétuo da Academia Brasileira de Letras.
Em 12 de novembro de 1869, aos 30 anos, casou-se com a portuguesa Carolina Novaes, com quem teve um casamento feliz, mas não tiveram filhos. Machado faleceu cercado por Mário de Alencar, José Veríssimo, Euclides da Cunha, Coelho Neto, Raimundo Correia e Rodrigo Otávio, seus companheiros mais chegados. Consta como causa da morte uma lesão neoplásica em sua língua. Ele sofreu de epilepsia desde sua infância.
O escritor falava fluentemente o francês que aprendeu com um padeiro, além do alemão e do inglês, estudando sozinho. Por que era chamado de bruxo? A lenda teve origem em uma superstição popular que atribuiu a ele a prática de queimar cartas em um caldeirão em sua casa no Bairro do Cosme Velho, na zona sul do Rio de Janeiro. Dizem que ele fazia esse ritual para obter inspiração.
Além das cantorias de Papalo, Manno Di Souza, Fabrício, Alex e outros músicos, como sempre acontece, o Sarau, conduzido pelo nossos companheiros e companheiras Dal Farias, Cleu Flor, Eduardo Morais e Viviane, abriu espaço para debates, declamação de poemas autorais, contação de causos, bem como, uma exposição dos trabalhos da artista plástica Beth David, com miniaturas de quadros e objetos artesanais.
De acordo com os participantes e frequentadores mais assíduos, foi mais uma noite memorável, num clima fraternal e numa prosa de troca de ideias, conhecimento e saber, tudo isso acompanhado de bebidas (vinho, cerveja, uma cachacinha brasileira) e comidas saborosas.
Foi mais um encontro para matar a saudade, mas em junho temos mais um “Sarau A Estrada”, que está completando 16 anos de existência, mesmo diante dos obstáculos, tropeços e dificuldades. Trata-se de um sarau colaborativo que já tem vida própria e em breve terá seu registro legalizado como associação, sem fins lucrativos.
CÂMARA DEBATE PROJETOS
Na sessão ordinária de sexta-feira (dia 17/04), a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista debateu diversos projetos de interesse da população, como a implantação do Programa de Reabilitação em Fisioterapia Pélvica na rede municipal de saúde.
Outras propostas trataram-se da criação de campanhas educativas para o uso seguro da bicicleta no município; inclusão da capoeira como atividade curricular no ensino fundamental das escolas públicas; bem como, a instalação der pranchas de comunicação em espaços públicos.
O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, abriu as falas aos vereadores presentes. Adnilson Pereira falou do seu trabalho e indicação visando a manutenção e reforma do colégio no bairro Conveima II. Sobre os bairros Lagoa das Flores e Povoado do Choça deverão receber parolamento de suas vias.
Na ocasião, também destacou que teve uma reunião com os moradores de Abelhas quando ficou acetada a reforma da antiga escola e construção de uma nova prometida pela prefeita Sheila Lemos. Disse que o morador Juarez fez a doação do terreno onde será erguida a unidade.
O vereador Andreson informou sobre entrevista concedida na Rádio Band quando foram tratados diversos problemas referentes a Conquista. Na oportunidade, elogiou a iniciativa do presidente Lula de enviar ao Congresso Nacional decreto pondo fim à escala 6 x1, beneficiando milhões de trabalhadores. A intenção é adotar a escala 5x 2.
Marcio de Vivi citou sua indicação feita ao secretário Breno, no sentido de melhorias da estrada no Riachinho passando por Bonito até a Fazendinha. Disse que esteve com o secretário Luis pedindo a extensão da rede de energia para algumas comunidades do Bairro Boa Vista.
A parlamentar Leia de Quinho, Dirleia Santos Meira, informou ter ido a Salvador onde solicitou da Cerb a abertura de poços artesianos em Furadinho, Lagoa Formosa II, Poço Cumprido e Farinha Molhada. Falou do seu encontro com a prefeita tratando de melhorias para o Bairro Conveima II, inclusiva sobre a construção de uma nova escola municipal.
CURISCO RESOLVE SE VINGAR DOS DELATORES E RETOMAR O BASTÃO
“Se entrega Curisco, eu não me entrego não…” diz o cancioneiro em referência ao cangaceiro valente, “Diabo Louro”, quando recebeu voz de prisão do tenente José Rufino, em Barro Alto, na Bahia, próximo de Miguel Calmon, em 1940, dois anos depois da morte de Lampião, pela tropa de João Bezerra, na gruta de Angicos (Sergipe).
Curisco ficou sentido e furioso com a morte do seu amigo “cumpade” e prometeu se vingar dos delatores, Domingos, o homem de duas profissões (vaqueiro e embarcadiço a serviço de Deus e do Diabo) e Pedro da Cândida, o pivô das delações. Sua mulher Dadá teria dito, agora é o “fim de quase tudo”. Os dois delatores tiveram um fim trágico.
Depois de tudo consumado em Angicos, Curisco atravessou o Rio São Francisco, na companhia de Dadá, e pensava na sucessão do chefe, mas num embate sofreu ferimentos sérios que atingiram seus braços, deixando quase impossibilitado de manejar uma arma, conforme narra o médico e antropólogo Estácio Lima, em sua obra “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”.
Com “macacos” por todo lado e Zé Rufino em seu encalço, Curisco vivia amargurado. “Não largava eu, a procura de Curisco. De quando em vez, tomava ele um sumiço, sem que a perseguição esmorecesse” – disse o militar em entrevista ao autor do livro.
Conta que uma vez chegou a Barro Alto, em dia de feira, onde perguntou a todos se haviam visto dois homens, duas mulheres e uma menina. Pouca coisa de informações, mas encontrou na ponta da rua um rapaz galopando num cavalo melado. Indagado, disse que ia para Pulgas.
Zé Rufino quis saber do paradeiro do pessoal e disse logo que não eram ladrões (o sertanejo tem raiva dessa classe) e sim parentes. O rapaz confirmou que tinha um pessoal em sua casa e veio ao povoado para fazer comprar para as visitas.
O tenente chamou o moço para tomar uma cerveja num bar com o motorista do caminhão Zé Cláudio, que conhecia o local. Todos rumaram para a fazenda Juá. O caminhão parou uma légua antes da chegada para pegar os cangaceiros de surpresa, mas Curisco ouviu o barulho do motor.
Como guia involuntário, o rapaz pressentiu ter caído numa armadilha, mas já era tarde. O tenente seguiu com um mosquetão e seu soldado Mulundu com uma metralhadora belga de 32 tiros. Formaram o cerco à casa do velho Pacheco, com a estratégia de distribuir a força em pontos diferentes.
Dadá foi a primeira a ver os macacos da janela e avisou ao marido que mandou que lhe acompanhasse. Curisco pulou a cerca de quiabentos e Dadá a do fundo. Zé Rufino atirou nos fugitivos para intimidar, mas o casal tocou em frente.
O soldado “Campanha” atirou e baleou Dadá que caiu. Ela logo avisou a Curisco que havia sido alvejada. “Maiores são os poderes de Deus” – respondeu o marido. O tenente alcançou o cangaceiro e gritou para ele se entregar que garantia sua vida. A resposta dele foi bala.
O soldado rastejador Gervásio ficou frente a frente com Curisco. “Gervásio fez um tango-lomango da peste e a bala não pegou. Rufino correu para dar ajuda e Curisco manobrou dando as costas. Os dois militares atiraram pelas costas. O tenente confessou que não gostava de fazer fogo pelas costas, quanto mais contra um cabra valente, mas acrescentou que não havia outro jeito.
Os tiros arrombaram o buxo de Curisco, e o soldado cuidou de colocá-lo para dentro. “Deus lhe pague” – foi a palavra de Curisco. Zé Rufino mandou colocar os dois em redes diferentes e tocaram para a casa de farinha.
Como Curisco ainda estava com vida. Dada indagou se Zé Rufino garantia suas vidas. Pegaram a menina Rufina debaixo da cama. Nisso, Dadá que estava com o osso da perna espatifada, deu um grande gemido de dor.
“Cala a boca, égua safada” – disse um soldado. “Me respeite macaco filho da puta, filho de uma égua. Puta é sua mãe. Respeite que sou casada” – respondeu Dadá.
O tenente providenciou transportar os dois até Barro Alto. Ainda em vida numa esteira, Curisco topou tomar uma cachacinha com a mulher. De lá seguiram para Ventura numa estrada ruim, mas Curisco não resistiu. Com mais um dia chegaram a Miguel Calmon onde a perna de Dadá foi amputada pelo doutor Reinaldo, só que deu gangrena.
Zé Rufino, então, a entregou para o coronel Felipe que a levou para Salvador, pois os côtôcos continuavam ruins. A cabeça de Curisco se juntou às de Lampião e Maria Bonita, no Museu Estácio de Lima.
Depois de Curisco, ainda surgiu um tal de Antônio de Dina, mas este não passava de um marginal, de um delinquente e não possuía os atributos de um cangaceiro. Chegou a ser preso e fugiu da Casa de Detenção da Bahia indo parar em Pernambuco.






















