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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

A SECA DE 1932 E O CANGAÇO

   Sempre tenho dito e repito que o Nordeste precisa ser mais estudado e lido, principalmente pelos nordestinos. Na história do Brasil, não existiu povo que mais sofreu e foi mais relegado ao isolamento e à própria sorte, desde os tempos coloniais.

 Muitos autores escritores, estudiosos do assunto, economistas renomados e acadêmicos em geral se aprofundaram nesta questão. A literatura é vasta e nela está contida cenas de horrores, massacres, barbaridades, matanças indiscriminadas, injustiças sociais, sem contar as secas e o cangaço que deixaram um rastro de destruição.

   A seca de 1877/79 foi a mais cruel e exterminou milhares de nordestinos, que maltrapilhos, quase nus, tombaram nas estradas e morreram de fome e sede. Outras vieram, como a de 1932, que também deixou um rastro de destruição, ao lado do banditismo do cangaço que não dava trégua aos sertanejos.

   Em seu livro “Maria Bonita-sexo, violência e mulheres no cangaço”, a autora Adriana Negreiros mostra esta face cadavérica da seca que até os cangaceiros precisavam lidar com este fenômeno, embora contassem com a conjuntura política a seu favor.

As mulheres (estupros), os idosos e as crianças foram os que mais sofreram com as violências das secas e do cangaço. Sobre a de 32, Adriana cita que os bois estavam morrendo tão esquálidos que os urubus só se serviam de seus intestinos.

  Nas estações ferroviárias, retirantes saqueavam trens que transportavam fardos de charques, na tentativa desesperada de conseguir algum alimento. Tropas tinham que intervir, cometendo todo tipo de espancamentos e torturas.

  “Pelas estradas, famílias que abandonavam suas pequenas propriedades de solo rachado, largavam corpos de parentes próximos, sucumbidos à fome e à sede durante as travessias. Pequenas cidades eram tomadas pelos sertanejos com crianças de pernas tão finas e barrigas tão inchadas que mal conseguiam caminhar”.

  Os bandoleiros passavam dias sem beber água. Lampião, apesar da sua resistência física fora do comum, por vezes se deitava no Raso da Catarina, clamando aos céus por uma gota d´água. Quando existia alguma fonte disponível, ela estava contaminada por besouros, larvas de insetos e fezes de cabras.

  Na Bahia, a seca de 32 se tornou ainda mais mortífera por causa de um plano mirabolante e maluco de combate ao bando de Lampião, criado pelo capitão João Miguel. Sua ideia desastrada foi a de evacuar a caatinga, visando afastar cangaceiros de seus coitos.

  O interventor Juracy Magalhães, nomeado por Getúlio Vargas, decidiu aderir à iniciativa do militar. O resultado foi que as cidades baianas, além der castigadas pela seca, passaram a receber levas e mais levas de sertanejos famintos.

  Contam que cerca de 12 mil sertanejos da zona rural foram obrigados a deixar suas casas e a viver como mendigos nas pontas das ruas, formando batalhões de famintos. Centenas começaram a morar debaixo de árvores e nos adros das igrejas, vivendo de pequenas esmolas.

  Os cangaceiros foram os que menos sentiram o rigor da seca. Eles resolveram passar boas temporadas em Sergipe onde desfrutavam de uma grande rede de coiteiros que incluía duas grandes famílias ricas, os Brito e os Carvalho.

  Enquanto sertanejos morriam de fome, mulheres eram violentadas e crianças vendidas como mercadorias, os bandos de Lampião recebiam boa comidas, inclusive queijo do reino e bebidas importadas.

Eles não paravam de cometer suas atrocidades, principalmente contra aqueles que os denunciavam à polícia, como ocorreu em Uauá e Jeremoabo, onde o senhor Manuel Salinas e seus três filhos foram barbaramente mortos. Salinas teve o sacrifício maior. Lampião cortou suas orelhas e furou seus olhos; arrancou seus testículos; e extirpou seus lábios. Não contente, ordenou aos seus cabras que quebrassem sua dentadura a coronhadas.

O velho foi colocado no lombo de um cavalo e levado até uma propriedade vizinha onde morava Ulisses, seu filho mais velho, executado com dois tiros diante da esposa e das crianças.

   Conforme se espalhou pelo sertão, além de morto a golpes de punhal, o cangaceiro Quixabeira teria aberto o peito de Salinas, arrancado seu coração e arremessado o órgão no meio do mato.

Existem relatos de sertanejos enterrados vivos e criancinhas lançadas ao fogo para punir pais delatores. As volantes também deixavam suas manchas de sangue e brutalidades por onde passavam. O sertanejo ficava entre a cruz e a espada.

CADA ELEIÇÃO SAI PIOR

  É cada um tentando empurrar sua “merda” fedorenta para o outro e ninguém consegue limpar sua sujeira jogada debaixo do tapete. Todos são genéricos; o discurso e o verbo são os mesmos; e não se vê um candidato ao poder executivo com um programa de governo na mão.

   O horário do programa eleitoral na televisão e no rádio é um lixo, bem como as entrevistas e os debates onde eles procuram tergiversar e não respondem as perguntas. Cada eleição sai pior porque o próprio sistema eleitoral é arcaico e se falar em reforma é um palavrão.

  Só do fundo eleitoral são cinco bilhões de reais pagos pelos contribuintes e que são desperdiçados para eles falarem mentiras e um monte de besteirol para os eleitores que não aguentam mais ouvir esses cabras da peste, incluindo os que pleiteiam o legislativo.

   Por menos instrução que tenha, o eleitor já está de saco cheio desse discurso mofo e bolorento, seja da esquerda, do centro ou da direita, mas os caras de paus não se tocam e continuam a nos fazer de otários. O pior é que somos mesmo.

   Sabemos que as eleições fazem parte do regime democrático porque uma ditadura seria bem mais dolorosa, mas temos que reconhecer que elas (as eleições) não trazem mudanças políticas, sociais e administrativas, e isto vem sendo comprovado há séculos no Brasil.

  As eleições não resultam em mudanças, justamente porque todo sistema, parecido com o dos tempos dos coronéis, está podre e viciado. O indivíduo pode ser um cafajeste, corrupto, ultrapassado e até extremista, mas termina sendo eleito se tiver “bala na agulha” e a máquina do poder na mão.

Não passamos de um bando de masoquistas alimentando os sádicos. Até o pobre, o negro, o excluído e a mulher votam naqueles que os detestam e os discriminam. É um faz de conta que tudo vai melhorar.

  Até a propaganda do Tribunal Superior Eleitoral é enganosa quando fala da importância de se exercer a cidadania num país de cultura rasa e de nível educacional baixo, sem consciência política formada. Aliás, candidato nenhum trata da questão da cultura que é vista como um jarro de decoração em suas mesas.

A única coisa que o brasileiro tem é a cultura do voto. O idoso de mais de noventa anos ainda se arruma todo no dia da eleição e vai se arrastando até a urna. Fica feliz da vida.

  Como papagaios, os jovens de 16 anos, a maioria manipulados pelos pais, colegas ou pela religião, repetem os mesmos bordões de sempre nas entrevistas.

 Milhares votam por favores recebidos, o que representa o mesmo que se vender por dinheiro, ou são influenciados pelas famílias. No final, tudo fica como dantes na Casa de Abrantes, com insignificantes renovações nos quadros. Cada eleição sai pior.

DIPLOMA DE POETA! COMO CONSIGO?

   Nos últimos anos só tenho pensado e desejado em me internar num sítio, seja em qualquer lugar, numa mata ou agreste da caatinga nordestina e viver numa loca como mocó, sem ouvir baboseiras e ter que aturar desatinos dessa humanidade desumanizada e decadente.

  Sabe daquela expressão “quero que o mundo pegue fogo”, que se completa com a frase “para eu acender meu cigarro”, ou “sentar em cima das cinzas para comer marshmallow”?

Infelizmente, estou chegando a esta fase da indiferença em relação aos problemas alheios ou a esta situação de caos em que está metida esta fútil sociedade de merda. “Estou de saco cheio” diante de tantas futilidades e barbaridades que mais parecem “fake news”, ou piadas de mau-humor.

Nem sei mais em que acredito, se no certo ou no errado, no legal ou no ilegal, no normal ou no anormal, no moral ou imoral, muito menos nesses candidatos genéricos francos atiradores de pombos ou pardais.

   Como se não bastassem os cientistas desocupados que ficam inventando coisas sem lá essas utilidades práticas, fiquei sabendo e não acreditei que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Flávio Dino querem criar jurisprudência de forma a exigir diploma de poeta para quem faz poesia. Queria saber como obter.

  O Moraes está preocupado com quem posta um soneto nas redes sociais, vindo a ser, segundo ele, um perigo para a mofada Academia Brasileira de Letras.

Neste caso, os pernas de paus do futebol brasileiro também constituem perigo para os raros craques, que nem existem mais. E o diploma para craque? Qualquer bosta hoje se diz jornalista porque foi o próprio STF que lá atrás baniu o diploma para exercer a profissão.

  Não entendi nada, ou sou burro mesmo quanto ao argumento deles de que “a gente quer é a criação de um ambiente poético mais seguro, com regras de conduta, de forma que uma pessoa possa ser criminalmente responsabilizada se rimar “tempão com coração”.

  Com todo respeito, será que esses ministros não fumaram um baseado ou deram uma cheirada num pó batizado e ficaram lelés da cuca? Onde fica o livre pensar de cada um fazer sua rima que quiser?

O poeta é livre para mudar até as regras do português para transmitir sua mensagem; dar asas à sua arte para que ela voe; tirar leite de pedra; e tornar visível o invisível aos olhos dos mortais. Ora, existe poeta, e o poeta, e isto não é diploma que vai definir a categoria, mas sim quem ler e ouve para criticar e julgar a obra.

  Vamos deixar de blábláblá com esse papo furado, senhores ministros, quando temos tantos problemas graves nesse Brasilzão para se resolver e vocês ficam aí tergiversando no mundo da lua. Deixem os poetas poetarem e os prosadores prosearem!

 Vamos criar também diploma para cordelista, repentista, trovador e humorista, na base de quem receber mais aplausos e tiver mais visualizações ou seguidores. No caso de humorista, por exemplo, se numa plateia ninguém rir da sua piada, está desclassificado e não receberá diploma. Nos tempos atuais, somente poucos serão agraciados.

  Palhaçada! Quero mesmo é voltar para o mato, que seja num local bem ermo e inóspito, de difícil acesso, tipo daqueles de Lampião e seu bando, como Raso da Catarina e Serra Vermelha onde volantes tremem de medo em colocar suas tropas para atacar o inimigo.

  Gosto mesmo é da minha simples cabana rústica e natural para ouvir o som da caatinga, a vaca mugir, o cavalo relinchar, o cachorro latir, o galo cantar na madrugada, a onça rugir, a coruja piar e o bicho sorrateiro balançar a folhagem no matagal à procura de víveres para sobreviver.

  Me encanta ver o pássaro voar em liberdade; o vento zunir nas serras e montanhas; cavalgar no campo e sentir o ar bater no rosto; prosear com o matuto e contar uns causos ancestrais; apreciar o luar pratear o terreiro e a campina; e sentir o orvalho da relva molhar meus pés nas veredas das manhãs serenas.

AS CASAS SOMOS NÓS

  • (Chico Ribeiro Neto)

    Gosto de casas antigas. Me comove ver a demolição de uma velha casa já com a imensa foto da torre que vai abrigar e espremer centenas de pessoas.

    Gosto daquelas casas no interior com dois assentos de cimento de cada lado da entrada, junto à parede, uma criança sentada em cada um.

    Gosto da casa 25 da Rua 2 de Julho, em Ipiaú (BA), onde vovô Chico sentava de noite na porta, fechava os olhos e dizia que ia tomar uma sopa em Paris e voltava logo.

    As casas somos nós.

    Gosto do quintal da casa 25, onde fazíamos o nosso mundo e onde a gente achava que cavando um buraco grandão ia chegar no Japão.

    Passava um tempão admirando a trilha das formigas e cavava o chão para ver o eterno movimento das minhocas.

    Gosto do fogão de lenha, onde Tia Nina torrava caroços de abóbora na chapa, bom pra matar lombriga.

    Hoje, o quilo do caroço de abóbora torrado chega a 90 reais ou mais em lojas de produtos naturais.

    A sala de visita da casa 25, sempre trancada e com um pano cobrindo as cadeiras. Só descobre quando chega visita.

    Lembro das manchas nas paredes dos quartos, onde a gente via animais pré-históricos.

    O grande corredor, ao longo dos três quartos, onde nós quatro (eu, Cleomar, Zé Carlos e Luiz) jogávamos bola. Um cabide na parede para pendurar chapéu, capa e guarda-chuva.

    As duas grandes janelas azuis. Foi de uma delas que Cleonice (mamãe) viu Waldemar (papai) pela primeira vez, passeando de cavalo num sábado à tarde, depois de vender na feira de Ipiaú os tomates produzidos pela família em Amargosa.

    A notícia ecoou logo de manhã cedo: tem um jacaré no quintal da casa de doutor Salvador da Matta, perto da casa 25. O fundo da casa dele também dava para o rio e o portão ficava a mais de um palmo do chão. O jacaré entrou por ali e foi dormir.

    Uma vez, na década de 1950, um senhor de Ipiaú, homem da roça, veio a Salvador pela primeira vez. Na volta, perguntaram a ele o que achou da capital. E ele, que nunca tinha visto um edifício, respondeu:

    “Achei uma cidade bonita e grande. O mar é aquela coisa linda. Mas o que me chamou mais atenção foi que tem umas casas muito altas, uma em cima da outra, com um bocado de janela, e só tem uma porta praquele povo todo passar. Tanta janela e uma porta só!”.

 

MONTANHA DE SUCATA

 Essa não é uma montanha da natureza onde você olha no horizonte e ver a beleza do pôr-do-sol se despedir do dia para dar lugar à noite. Trata-se de uma montanha de sucata cheia de fuligens poluidoras do meio ambiente, bem próxima ao muro da minha residência, no loteamento Sobradinho, que por pouco não invade meu quintal e de outros vizinhos. As nossas lentes flagraram esse horror que incomoda centenas de pessoas, inclusive de quem mora nas adjacências.  Comentei esta situação calamitosa muitas vezes aqui sobre a “Sucata Esperança” que está mais para matança lenta de seres hu8manos. Conversei com moradores que me relataram que essa empresa quando aqui se instalou já existiam habitações no local. Como ela não chegou primeiro, a Prefeitura Municipal não deveria ter concedido um alvará para seu funcionamento, sabendo que a unidade de sucateamento seria um atentado à saúde público, como está ocorrendo. O que os moradores pedem é tão somente uma providência do poder público para que ela seja relocalizada para outra área desabitada.  O problema é grave e merece a devida atenção. Além das fuligens, dos barulhos diários das máquinas, essa sucata se tornou uma fonte de insetos, ratos, mosquitos da dengue, escorpiões e outros bichos peçonhentos venenosos que adentram às casas e podem matar gente.

POEMA DE AMOR

De autoria do jornalista e escritor Jeremias  Macário, da sua obra de textos poéticos “Na Espera da Graça”

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor,

Mas minha veia é nordestina,

De sangue catingueiro da sina,

Que tenta aliviar os fios da dor.

 

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor;

Eu já te amo do jeito que sou:

Seco como pedregulho sertanejo;

Te vejo em meu interior,

Com o coração que ainda tem flor.

 

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor;

Eu sigo como viajante,

Errante nas asas do Condor;

Não sou do tipo romântico;

Sou mais fechado lacônico,

Mas ainda fonte de calor.

 

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor;

Perdão, não sei fazer poema de amor;

Só sei falar dessa injustiça social;

De tanta gente viver desigual,

Na cidade e no sertão sem cor.

 

Você sempre me pede,

Para fazer um poema de amor;

Peço que não me leve a mal;

Sou assim meio bruto e rude,

Talvez um sujeito anormal,

Nascido em outra estrela sideral,

Que se alimenta do seu vigor.

 

 

A CONQUISTA DO LIXO E ENTULHOS NOS TERRENOS VAZIOS DAS PERIFERIAS

ALÉM DE ATENTADO À SAÚDE PÚBLICA, A SITUAÇÃO É GRAVE E CRIMINOSA. CERCO AOS PROPRIETÁRIOS!

  A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista está aprovando um projeto-de-lei que obriga a manutenção da limpeza de terrenos privados e proíbe o descarte irregular de resíduos sólidos em áreas públicas e privadas, visando a prevenção de doenças, bem como proteção à saúde pública e à preservação do meio ambiente.

  A iniciativa é mais que louvável porque Conquista, chamada por muitos de a “Suíça Baiana” está se transformando na “capital do lixo”, um atentado à saúde pública, sem contar que leva muita gente, como forma de revolta, a atear fogo nesses matagais e lixeiras. É um crime, como também são criminosos os donos que não são punidos por deixar seus lotes sem murar e cercar.

  No entanto, pelas regras do Código Municipal de Posturas de Conquista, os proprietários de terrenos baldios ou abandonados já são responsabilizados em manter seus lotes limpos e livres de acúmulo de lixo e entulhos. Os donos têm o dever de conservar, limpar e murar seus terrenos.

  A Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Serviços Públicos, tem a obrigação de fiscalizar o proprietário e notificá-lo. Caso não cumpra com a norma estabelecida pelo Código e o poder executivo precise realizar a limpeza, os custos pelos serviços executados são cobrados dos donos, além da aplicação de multas previstas na legislação.

  O descarte irregular de lixo e entulhos configura crime ambiental grave, além de gerar problemas de saúde pública, punível por leis federal e municipal. O cidadão pode denunciar por telefone ou no site oficial da prefeitura.

  Diante do exposto, se já existe a regra imposta pelo Código de Posturas, por que o legislativo ainda tem que aprovar um projeto que obriga a manutenção e a limpeza desses terrenos, proibindo o descarte irregular de lixo e resíduos sólidos? Não caberia a Prefeitura Municipal fazer seu papel, conforme estabelece a lei?

  Como é grave a situação de lixo e entulhos acumulados em terrenos abandonados, a conclusão que se tem é que a maior culpada pelo problema é a própria Prefeitura Municipal que não segue com rigor o Código por ela sancionado. Trata-se, então, de uma lei morta?  Como acreditar e confiar que esse projeto da Câmara vá funcionar?

   O poder executivo faz vistas grossas com relação aos proprietários de imóveis relapsos e sujos. Nesse caso, o prefeito, ou prefeita, tem que ser responsabilizado e punido pelo Ministério Público, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e órgãos competentes. Se a Justiça não faz isso, também tem sido negligente, bem como a sociedade que não cobra o cumprimento da lei.

  Pela lógica, existe uma cadeia de culpados, enquanto o meio ambiente está sendo impactado e as pessoas adoecem com as sujeiras dos lixos e entulhos despejados pelo povo mal-educado que não respeita os outros.

   Em frente da minha porta, na Avenida Sérgio Vieira de Melo (Sobradinho-Zabelê), por exemplo, existe um grande terreno abandonado em condições deploráveis onde moradores estúpidos e ignorantes descartam todo tipo de lixo todos os dias, desde restos de comidas, portas, janelas velhas, armários, sofás, latas de tintas, garrafas, pneus, cadeiras, plásticos e entulhos em geral.

  Toda sujeira está invadindo a rua, sem falar nos ratos, baratas, mosquitos e outros insetos que invadem as casas mais próximas.  Em outros locais da cidade, sobretudo nos bairros periféricos, o quadro de calamidade pública é o mesmo, e o poder executivo apenas cruza os braços.

   Além desse triste cenário que mancha a imagem da cidade, os moradores do loteamento Sobradinho e adjacências (Miro Cairo) sofrem com o funcionamento da “Sucata Esperança” que  está mais para matança. Além do barulho diário ensurdecedor das máquinas, polui as residências de fuligem originária dos ferros velhos.

Muitos, principalmente idosos e crianças, apresentam doenças pulmonares e sofrem com problemas respiratórios por causa dessa sucata maligna. Quando ela se instalou aqui já existiam moradores no local. Por que, então, o prefeito da época autorizou sua implantação?  Os moradores pedem providências urgentes.

AS VISÕES DOS DOIS LADOS OPOSTOS

Tivemos um tempo em que o artista músico-compositor, o teatrólogo, o roteirista de cinema, o escritor, o poeta, o cronista e as artes plásticas em geral se preocupavam mais com o político-social, com manifestações de protestos, mostrando a realidade do povo brasileiro de forma direta, realista, nua e crua.

Mesmo com a democratização do pós-ditadura, raramente vemos letras e textos de protestos, a não ser expressões de ódio e intolerância numa polarização canina entre a direita e a esquerda, cujos discursos não conscientizam o povo, hoje inculto, analfabeto, do tipo inocente úteis facilmente manipulado.

Quando não existe autocrítica, a divisão é certa e a separação é doída, inclusive entre familiares. Vivemos numa sociedade individualista, egoísta onde cada um só pensa em seus interesses particulares, a começar por aqueles que estão no topo da pirâmide.

Na verdade, não é propriamente a este ponto que eu quero chegar e atingir. As letras poéticas e os textos atuais, por exemplo, só apresentam o lado romântico da vida, as coisas boas e positivas, de que a vida é bela, um amor angelical e esquece do outro lado negativo, coisas ruins que acontecem a todos nós, como se elas não existissem.

A impressão que tenho é que a grande maioria procura, especialmente compositores e letristas, escrever aquilo que agrada o público, numa espécie de produto mercadológico comercial para ganhar dinheiro.

“Agora só faço arte com mensagens positivas e otimistas” – disse para mim um amigo, como se não existisse o outro lado do sofrimento e do aperreio da vida que lhe deixa para baixo, muitas vezes em depressão acachapante. Não é fugindo que se escapa do problema.

Entendo que a arte em geral deve também ter o seu lado de contrariar, de fazer o contraponto, de revolta e protestos contra as mazelas, mesmo se tratando dos sentimentos humanos de perdas e da transição de dores e alegrias entre a vida e a morte, este percurso passageiro, esta estrada pedregulhosa cheia de curvas e encruzilhadas.

A vida nunca foi “um mar de rosas”, mesmo porque debaixo delas estão os espinhos que nos arranham. Prefiro ser mais realista (às vezes até pessimista em certos temas), cruel, instigador, polêmico, contestador; falar do político-social; ser duro, objetivo, direto e seco no estilo Graciliano Ramos, que ser lírico e romântico sonhador.

Não consigo, por exemplo, fazer um poema de amor, daqueles melosos, apaixonantes e sentimentalistas repletos de floreios com finais felizes e eternos. Sou mais o lado bruto que desagrada muita gente, se bem que os brutos também amam do seu jeito, torto ou não.

Quando estou escrevendo qualquer gênero, seja um artigo, comentário, crônica ou um verso qualquer, imagino fazendo um pacto com deus e o diabo. Afasta-te de mim, oh satanás! Mesmo assim, ele deixa o seu rastro de cão em meus rabiscos!

Este último costuma buzinar e azucrinar em meu ouvido para não deixar o outro lado considerado ruim. Afinal de contas, o ser humano é profano e religioso. Tem também o seu lado santo, demoníaco e bárbaro.

Como jornalista, quando estava na ativa, ele estava sempre me atanazando ao meu lado para que na matéria tomasse partido nos fatos, mostrasse minha ideologia e terminasse sendo parcial. Talvez por isso não exista imparcialidade total. Esses bichos chifrudos adoram frequentar as redações e perseguem os artistas, sobretudo nos momentos de inspiração.

Aprecio os autores sofridos, do humano rastejante como barata, do lado perverso e cruel, do insignificante inseto, como Dostoievski, Kafka e tantos outros que estampam esse lado demoníaco.

Não me agrada esse final feliz das novelas onde os vilões e bandidos se tornam mocinhos, com casamentos, bênçãos e crianças nascendo como se fossem dádivas para viver nessa humanidade decadente, tão estúpida medieval, violenta e autodestrutiva.

LIMPEZA DE TERRENOS PRIVADOS

  A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista desta quarta-feira (dia 26/08) vai apreciar, a partir das nove horas, diversos projetos nas áreas da saúde, da educação, meio ambiente como a manutenção e limpeza de terrenos privados, dentre outros de importância para a sociedade.

   Entre os projetos, destacamos a implementação da “Sala Lilás” no Sistema Único de Saúde-SUS visando o atendimento exclusivo, especializado, humanizado e integrado às mulheres vítimas de violência.

  Também está em pauta a proposta que autoriza a distribuição, pelo Sistema Único de Saúde- SUS, de medicamentos prescritos à base de canabis, que contenham em sua fórmula canabidiol, ou tetraidrocanabinol.

   Outro projeto obriga a manutenção da limpeza de terrenos privados e proíbe o descarte irregular de resíduos sólidos em áreas públicas e privadas, visando a prevenção de doenças, a proteção da saúde pública e à preservação do meio ambiente.

   Os vereadores ainda vão regulamentar a criação, reprodução, comercialização e exposição de animais domésticos por criadouros e criadores.

Na pauta consta também o projeto quer vai tratar da instituição do Programa de Incentivo à Denúncia de Infrações Ambientais – PIDIA, no sentido de criar mecanismos de recompensa aos denunciantes.

  A Câmara ainda quer aprovar o reconhecimento e garantir os direitos dos animais comunitários no município de Conquista, bem como, proibir agressões e remoções forçadas. Dentro desse bojo, o projeto estabelece penalidades administrativas e dispõe sobre destinação dos recursos provenientes das multas.

   A plenária do legislativo deve ainda avaliar a instituição e implementar o Programa “Lápis e Borracha na Mão”, destinado a promover o acesso a materiais escolares pelos alunos da rede pública municipal, incentivando a economia local por meio do credenciamento de livrarias e papelarias do município.

  Além de moções de aplausos, título de cidadão conquistense, denominação de ruas, requerimento da Tribuna Livre, solicitada pelo Sarau A Estrada, que completou 16 anos de existência, os parlamentares pretendem regulamentar a instalação e manutenção da infraestrutura de cabos suspensos.

O SARAU E O CANGAÇO NA BAHIA

   Numa noite de muitas cantorias, sob a direção do compositor e músico Paulinho Monteiro, declamação de poemas, contação de causos e outras apresentações, tivemos mais uma edição do Sarau A Estrada, na noite do último sábado (dia 22/07/2026), realizado no Espaço Cultural do mesmo nome.

  Além dos informes gerais, sugestões de pautas, avaliação do “Sarau na Rua”, no dia 24 de julho, na Praça Nove de Novembro, o evento discutiu a questão do Cangaço na Bahia, tendo como expoente o bando de Lampião.

  A conversa informal, no estilo bate-papo, teve como expositor o jornalista e escritor Jeremias Macário que fez uma viagem no tempo durante os mais de 50 anos de cangaço no Nordeste, entre o final do século XIX até 1940.

  O isolamento da região durante muitos séculos pelos governantes, as secas inclementes, o poderio dos coronéis e dos grandes fazendeiros, o domínio dos chefes políticos e as injustiças sociais, principalmente, foram fatores essenciais para a criação da violência no sertão e o consequente surgimento do banditismo e do cangaço, um dos flagelos nordestinos.

  Em agosto de 1928, acossado pelas tropas pernambucanas que fechou o cerco contra os bandidos e depois da derrota de Lampião, em Mossoró (Rio Grande do Norte, Lampião resolveu atravessar o Rio São Francisco e se internar na Bahia através do município de Santo Antônio de Glória (região de Paulo Afonso).

   Como praticamente as volantes não agiam na Bahia contra o banditismo no interior, Lampião encontrou no estado um pouso de tranquilidade e, como estava enfraquecido, aproveitou o tempo para se fortalecer, acoitado na fazendo dos coronéis Petronilio Reis (Santo Antônio de Glória) e João Sá, em Jeremoabo.

   Por uns seis meses ou mais, Lampião se juntou a Corisco, Labareda, Zé Bahiano, Volta Seca e outros cabras para conhecer o terreno e como agir, enquanto fazia suas festas nas cidades, como Pombal (Bahia) e Capela (Sergipe), muito bem recebido por prefeitos e autoridades.

   Quando o coronel Petronilio denunciou na imprensa e ao governo sua presença na Bahia, escondido em suas propriedades, Lampião ficou irado e invadiu fazendeiros das redondezas, matando animais e praticando atrocidades contra os sertanejos. Petronilio caiu em desgraça.

    Em meados de 1929, sua maior crueldade na Bahia foi contra a cidade de Queimadas onde fuzilou e sangrou de forma brutal e sem motivos aparentes, sete soldados; amedrontou os moradores que entraram em pânico; e à noite deu uma festa de gala no clube social.

  A partir daí seu bando não parou de invadir vilarejos, povoados e cidades, usando da força bruta para matar e estuprar mulheres, inclusive jovens de menor, como ocorreu em Mirandela, Abóbora onde realizou o “baile dos nus”, Itiúba, próximo a Senhor do Bonfim e região. Como Jaguarari. Além da Bahia, ele transitou por cidades de Sergipe e Alagoas.

    Seu maior esconderijo era o Raso da Catarina, uma zona inóspita onde soldados temiam e não estavam preparados para entrar e perseguir os bandidos. Somente uma tropa de Liberato de Carvalho (Bahia) e Manuel Neto (Pernambuco) conseguiu atacar o bando, mas fracassou.

   As Revoluções de 1930, a Constitucionalista de 32 e a Intentona Comunista de 35 lhe deram mais sossego, pois Getúlio Vargas estava mais preocupado em censurar a imprensa, dissolver o Congresso, assembleias estaduais, perseguir os comunistas e nomear interventores, do que acabar com o cangaço.

   Como as forças baianas não eram suficientes para dar cabo aos cangaceiros, o governo, na pessoa de Juracy Magalhães e, através do plano maluco do capitão João Miguel, resolveu desarmar os sertanejos e ainda retirar os camponeses de suas terras e escorraçá-los para as cidades.

  Mais de dez mil pessoas sofreram esse tipo obrigatório de êxodo rural e tiveram fim triste nas pontas das ruas, sem nenhuma assistência social e monetária. Sem muita opção de sobrevivência, o nordestino só tinha duas opções, ser coiteiro de Lampião ou soldado, sem contar que ainda era duramente castigado pelas secas.

  Nessa temporada, Lampião subdividiu seu grupo em vários, para driblar a ação das tropas, e ficou na Bahia por cerca de quatro anos, partindo depois para Pernambuco e Paraíba.

  Sempre retornava ao nosso estado, com suas investidas cruéis em Sergipe e Alagoas, sendo abatido na gruta de Angico (Sergipe), em julho de 1938 pela força do tenente João Bezerra.

   Quis o destino que as cabeças decapitadas de Lampião e Maria Bonita fossem parar no Instituto Nina Rodrigues, na Faculdade de Medicina da Bahia, para estudos frenológicos e antropométricos do antropologista e criminalista Estácio de Lima. Por coincidência, essas cabeças que somente foram enterradas em 1969, eram vigiadas por ex-cangaceiros presos e depois libertados.

  O tema foi bastante dissecado e debatido, seguido também das cantorias com Alex Baducha, Dorinho Chaves e Manno di Souza, sem falar das participações de poetas e poetisas, bem como das   homenagens de parabéns aos aniversariantes do mês Vandilza Gonçalves, Odete e Manno.

 Tudo planejado pela Comissão Organizadora, foi mais uma noite cultural memorável entre artistas, intelectuais, professores e pessoas interessadas pela arte, não faltando as comidas, petiscos e bebidas colaborativas.

   Além dos saraus no Espaço Cultural A Estrada até o final do ano (outubro e dezembro), os organizadores estão programando uma atividade do sarau na rua e aguardando a solicitação de um Tribuna Livre na Câmara Municipal de Vereadores. O pedido foi protocolado e dirigido ao presidente da Casa, Ivan Cordeiro, para seu devido deferimento.





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