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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

UM LAMPIÃO MULTIFACETADO

   Em seu livro “Lampião, o Rei dos Cangaceiros”, o escritor Billy Jaynes Chandler, diplomado em bacharel na Austin University, com mestrado em Texas e doutorado na University of Flórida, com base em matérias de jornais nordestinos da época, documentos de arquivos públicos e entrevistas, descreve um Lampião multifacetado, cruel, perverso, estrategista, tocador de sanfona, letrista, com sede de vingança, às vezes contestado pelos companheiros e até generoso em algumas ocasiões.

  Às vezes, Lampião era como um raio, em outras, como uma nuvem passageira de chuva fina, com seu jeito matreiro de espião vasculhando sorrateiramente o terreno para depois dar o bote fatal. Em paz, com gestos humanitários, se sentindo como um governador do sertão, era recebido como um rei, uma celebridade famosa que arrastava multidões por onde passava.

  Um exemplo dessa sua arte foi sua visita à cidade sergipana de Carira, digna de nota, isto no início de 1929. Lampião e seu bando de sete chegaram montados em mulas. Dos seis soldados, quatro fugiram. Foi recebido pelo chefe de polícia em sua casa, que, ao seu pedido, serviu um jantar.

   Lampião mandou cerveja e cigarros para os dois soldados que ficaram na delegacia. Elogiou-os pela coragem e disse que só estava ali para conhecer o estado. Beberam e cantaram. Para onde os cangaceiros iam, uma multidão os acompanhava.  Lampião era alvo de atenção e admiração de todos. Sua cartucheira tinha dois palmos de largura e continham quatro fileiras de cartuchos, e duas mais de botões de ouro e prata.

 Falou da sua vida e indagou sobre as cidades dos arredores e quantos soldados possuíam. Como não tinha sanfoneiro para tocar e fazer uma festa, horas depois pegaram suas mulas e partiram.

“GOVERNADOR DO SERTÃO”    

  Em suas andanças pelos sertões de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia, o cangaceiro que mais estados transitou no Nordeste, foi alvo de grandes façanhas e até chamado pela imprensa de “Governador do Sertão”, mas também sofreu fracassos e decepções.

   Seu maior erro foi ter tentado invadir Mossoró, no Rio Grande do Norte, e sua maior glória foi sua visita triunfal ao padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço”, em Juazeiro do Norte, em março de 1926, quando de lá saiu cheio de munições do exército e com uma patente de capitão (não oficial), integrado aos “Batalhões Patrióticos”, para combater a marcha de Luis Carlos Prestes, cujos soldados eram chamados de revoltosos.

   Depois de uns aconselhamentos do padre, Lampião saiu de lá, passando por Barbalha, no encalço de Prestes, até pensando em se regenerar e deixar de vez o cangaço, mas quis o destino que mudasse de ideia depois de sofrer perseguições das volantes de Pernambuco.

  Sua ira voltou à tona com mais força, e entre 1926/27 foi o período em que Lampião mais se mostrou facínora, vingativo, violento, com vários ataques a vilas, povoados e deixando para trás um rastro de mortes, com requintes de perversidades.

 O governador de Pernambuco, na época, Estácio Coimbra, resolveu realizar uma perseguição implacável ao “rei do cangaço” a partir das prisões dos coiteiros, aqueles que não tinham muita influência e força no cenário político da região, como os grandes fazendeiros, coronéis de prestígio e chefes políticos.       

   Lampião enfrentou várias batalhas com até 100 homens contra forças compostas de 400 e 500 soldados, mas no final dos anos 27 e início de 1928, foi se enfraquecendo, dividiu seu bando em várias partes para confundir a polícia até se decidir atravessar o Rio São Francisco e se internar na Bahia.

  Quando estava com força e incensado pela imprensa, teve a ousadia de propor ao governador de Pernambuco uma divisão do estado onde ele se tornaria governo a partir da cidade de Arcoverde. Claro que o governador não o levou a sério e botou mais soldados em seu encalço.

  Com seus momentos de bondade e crueldade, enfrentou os espinhos cruentos da caatinga, fez festa, passou fome e sede, mas teve seus momentos de fartura quando se banqueteava com grandes fazendeiros e coronéis aliados. Esperto, subornou oficiais que fizeram vistas grosas e compunham sua rede no tráfico de armas e munições que sustentavam suas lutas e embates.

  Em sua obra, Billy Chandler escreve sobre O banditismo no Sertão, Virgulino, Lampião, Capitão Lampião e o Padre Cícero, Serra Grande, Mossoró, Queimadas (Bahia), Maria Bonita, A Campanha e os Coiteiros, Em Sergipe com o Governador Eronides, A Grandeza de um Homem, Angicos e um Bandido Social?

SERRA GRANDE

  Entre suas invasões, mortes, queimadas de casas e currais, extorsões, sequestros de reféns, fugas e batalhas, vamos falar um pouco sobre “Serra Grande”, uma terrível carnificina, relatada pelo autor do livro, lançado pela editora Paz e Terra, em 1981. 

   Durante os meses de abril e maio de 1926, Lampião e seu bando, como relata Billy, limitaram seu campo de ação à fronteira entre Pernambuco e a Paraíba, com assaltos a vilas. O pior ataque foi em Algodões, um lugarejo perto da estrada de rodagem de Recife. O bando saqueou as pessoas, casas comerciais e estupraram mocinhas e senhoras.

  O mais bárbaro e sangrento foi perto de Serra Grande em final de novembro de 1926. O major Teófanes Tores, o mesmo que prendeu o cangaceiro Antônio Silvino, e era suspeito de traficar armas e fazer corpo mole, preparou um ataque com 295 soldados contra cerca de 100 de Lampião.

   Contam que foi a maior batalha daquele tempo. Como estavam sendo perseguidos, os cangaceiros atravessaram a serra íngreme e armaram uma emboscada em condições de acabar com a tropa. Foi difícil quebrar a resistência do “terrível general do cangaço”.

    O combate começou por volta de nove horas da manhã e só terminou na escuridão, deixando 10 soldados e seis cangaceiros mortos, além de dezenas de feridos. O major não estava presente e quando resolveu chegar com mais reforços, a luta já havia terminado com a fuga dos cangaceiros.     

      

O VOO DA FEIJOADA

(Chico Ribeiro Neto)

Sempre gostei das seções de achados e perdidos, onde você vê de tudo. Além da vergonha, as pessoas perdem as coisas mais incríveis. Guarda-chuva e sombrinha, nem fale. Uma vez li que no setor de achados e perdidos de uma grande loja uma dentadura se encontrava à espera do dono.

Tem gente que perde documento, cachorro, gato, perde até o menino.

Na década de 70, Osmar Macedo, o criador do trio elétrico ao lado de Dodô, aparecia com uma sacola na Redação do jornal A Tarde, depois do Carnaval. Levava documentos (identidade, carteira funcional, carteira de habilitação, etc.) que os ladrões arremessavam para dentro do trio elétrico, que era bem mais baixo do que atualmente. Alguns ainda gritavam ao atirar o documento: “Segura aí, Osmar!” Ladrão não gosta de ficar com documento de quem roubou, pois o compromete. Procura logo se desvencilhar dele.

O jornal A Tarde publicava a relação dos documentos trazidos por Osmar e os interessados iam pegá-los na Redação.

Algo me fez lembrar a crônica “Calcinhas Secretas”, de Ignácio de Loyola Brandão. Um cara compra calcinhas baratas no camelô e, secretamente. as espalha pelos cinemas durante a sessão. Ao final do filme, assiste às reações dos espectadores e funcionários.

“Esgotados os cinemas do centro, ele foi para o shopping. Os resultados foram melhores. No primeiro dia, deu a maior repercussão. Um pai ia sentar-se com as filhas, percebeu a calcinha no chão. Chamou o gerente, chamou todo mundo, fez escândalo, chamou o administrador do shopping, gritou que ia processar, retirou-se empurrando as jovens que riam, excitadas”, diz a crônica.

Em avião não se serve feijoada. A comida foi junto com a bagagem. Uma feijoada despachada de Salvador para Curitiba.

Há alguns anos, a jornalista Sônia Araújo recebeu em Salvador um casal amigo de Curitiba.  “Caprichei numa feijoada, gostaram muito, aí prometi mandar uma depois”. Eles não acreditaram muito.

Sônia embalou a feijoada para 5 pessoas muito bem embalada e despachou o pacote de avião para Curitiba. Dois dias depois, nada de chegar. Somente no quinto dia foram encontrar o delicioso pacote: estava num depósito do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, onde o avião fez escala.

Feijoada perdida, Sônia pediu indenização à empresa de aviação. Recebeu a grana e comentou: “O dinheiro dava pra fazer umas dez feijoadas da que mandei”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

FIAÇÕES NAS REDES

Como se não bastassem os matagais nos terrenos abandonados pelos proprietários, a buraqueira nas ruas, poluição sonora dos carros de som, com músicas do tipo bate estaca, locais de lixo que servem como fonte para a procriação dos mosquitos da dengue, além de outros transtornos que temos que conviver na cidade grande, temos o emaranhado de fios na rede elétrica da Coelba, um risco de vida. É o preço que se paga pelas negligências dos órgãos e poderes públicos. Aqui mesmo no final da Avenida Sérgio Vieira de Melo, há dias deixaram um amontados de fios na rede, num poste esquisito onde tem uma parafernália e uma luminária no meio. Por achar tudo estranho, ligamos para a Coelba e, por incrível que pareça, a atendente recomendou que a gente procurasse a polícia. O que tem a ver a polícia com isso? Só pode ser gozação! Nessa rede, cada um instala aparelhos clandestinos, fiações e outros trambolhos, e a Coelba não toma providências. Outro problema é a queda constante de energia nesta área próxima do tormento de uma sucata que é um verdadeiro atentado à saúde pública, com barulho de máquinas, poluição, local de ferros velhos que servem de coito de ratos, mosquitos e animais peçonhentos. O cidadão paga imposto alto e não tem o direito de reclamar, além de ser tratado com deboche, como fez a atendente da Coelba quanto ao monte de fiação no poste. Quando ocorre o pior, ninguém é responsável. Cada um empurra o problema para o outro.

CORPO FECHADO

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Meu fuzil faísca,

Como relâmpago

Em noite de luar,

Nos engaços do açoite,  

Não fiz pacto com o demo,

Na encruzilhada da meia-noite,

Nem com o boi preto marruá,

Carrego em meu emborná,

Meu “Lunário Perpétuo”,

Minhas missangas e rezas,

E meu amuleto patuá.

Meu corpo é fechado

Pela “Pedra Cristalina”,

Pelo “Salvador do Mundo”,

No olhar da doce menina,

Pela força prodigiosa,

Das “Virgens das Virgens”,

Mãe sublime amorosa.

Como bandoleiro dos sertões,

Respeito minhas crendices,

Nas coisas das minhas raízes;

Ouço o estalar do graveto,

O piar das perdizes,

E o pulsar dos corações,

Nas “Treze Palavras Ditas e Retornadas”,

Nas preciosas pedras das lavras,

Do Nosso Senhor Jesus Cristo,

Nos combates e persigas,

Assim nem sou visto;

Pelas forças inimigas,

Rezo a Santa Catarina,

Para Heli, Heli!

Que proteja minha sina.

A prece de Deus Padre,

Leio na manhã de sexta-feira,

No clarear de uma vela,

Ao lado da minha cartucheira,

Se molhar meu papel,

Será minha sentinela.

Não me picam os cascavéis,

Espremo doze limões,

Numa gema de ovo;

Não me separo de meus anéis;

Não posso esperar a hora,

Tomo tudo de uma vez,

Antes do deus sol,

Botar a cabeça de fora;

Não monto em cavalo russo;

Não tolero pilhérias,

Antes de ficar confuso,

A bebida é para doenças venéreas.

Para não perder a tezão,

Farinha na água do sereno,

Mata qualquer veneno.

Para mula e sezão (paludismo),

Cavo um buraco no chão,

Fecho com areia ou barro,

Em cima um feixe de lenha,

E digo a minha senha:

“Sezão ti interro aqui,

Ti afasto de mim,

Tu só torna vortá,

Se di novo eu aqui vim”.

Para catarro, água dormida,

De casca de angico,

Dor de barriga, alixi paregóro,

No chá de Pai Pêdo – cidreira,

O cabra fica bom de carreira.

Tripa furada de bala,

Fedeu a cocô, fedeu a cimitêro,

Vai direto para a vala.

Lesões pulmonares,

Com falta de ares,

Nada de rede,

Só esteira de chão duro;

Não pode cantar e falar,

Pra tudo ficar bem seguro.  

Para ter corpo fechado,

Não quebre o resguardo,

Não pise em rastro de corno,

E é por isso, seu doutor,

Sem o nosso Redentor,

Tem moléstia de supetão,

Espalhada nesse mundão.

Se está doente,

Livre-se de carne fresca,

De mulher descascando mandioca,

Se afaste da alcoviteira,

Da proxeneta alcagueta,

E longe da fofoqueira.   

Para ter corpo fechado,

Neste mundo moderno,

Não existe reza e remédio,

Esconjure o bandido tarado,

Que rouba o nosso trocado.

Livrai-nos desses demônios satanais,

Cangacistas e corruptos salafrários,

Jagunços, capangas e sicários,

Cães loucos dos verões e invernos,

Vão todos queimar suas almas,

Nas labaredas dos quintos dos infernos.   

   

A CAATINGA É MÁGICA E MISTERIOSA

HOMENAGEM AO DIA NACIONAL DA CAATINGA

  Quando falamos da caatinga, logo nos lembramos do Nordeste, do homem retirante do seu torrão natal para fugir das secas, do rei do Baião, Luiz Gonzaga, com suas canções, de Patativa do Assaré, de Catulo Cearense, da lua enluarada, dos grandes cancioneiros, trovadores e repentistas, de Lampião, dos cangaceiros nos embates e cortando espinhos para fugir das volantes, da marcha de Luis Carlos Prestes e da terra árida.

 A caatinga também nos faz lembrar do isolamento da sua gente durante séculos, dos coronéis opressores dos oprimidos, dos grileiros da terra, dos chefes políticos mandatários, dos jagunços e pistoleiros, das homéricas brigas entre as famílias, das injustiças sociais contra o povo, do misticismo, das crendices e messianismo religioso, do homem forte e valente e até do sangue jorrando das vinganças.

  Você é única e não está em nenhum outro lugar, mas também tem suas subdivisões, suas características próprias, ás vezes mais agreste, fechada, mais rala, com árvores baixas e outras altas e até pedregulhosa, com suas colinas, morros e um pôr-do-sol encantador, poético e sublime.

  Ah minha caatinga onde nasci e me sinto com orgulho em ser seu filho legitimo! Você é mágica e guarda seus mistérios, lendas e mitos, cinzenta nas secas e florida nas chuvas, quando de si exala o cheiro da terra. Nas aguadas, a flora dá sua flor e a bicharada faz sua festa. Você é a única no mundo onde o sertanejo é o desbravador, valente e destemido.

  Dia 28 de abril é comemorado o Dia Nacional da Caatinga, instituída para conscientizar sobre sua preservação, mas, infelizmente, continua sendo devastada e, em alguns lugares, se tornou desértica onde a terra vira sal.

Seu nome, do tupi-guarani, significa mata-branca, devido a cor da vegetação durante as estiagens. Possui mais de cinco mil espécies diferentes e exclusivas. Lá estão o juazeiro, a jurema, o umbuzeiro, que gera o saboroso fruto e água de suas raíses, a macambira, a baraúna, a aroeira-do-sertão, o angico, a catingueira, a barriguda, a quixabeira, a palma, o cacto e o imponente mandacaru, o mais resistente e símbolo da região.    

  O dia também foi criado para homenagear o professor e ambientalista João Vasconcelos Sobrinho, pioneiro nos estudos ecológicos no Brasil. Pena que atualmente, conforme as pesquisas, tem sido o bioma onde mais se desmata e o que mais perde sua vegetação, mas é nordestina com todo seu potencial cultural que encanta o Brasil e o mundo.       

PREFEITURA MUNICIPAL CRIA MAIS CARGOS E AUMENTA AS DESPESAS

   Num cenário onde o município de Vitória da Conquista necessita da implementação de projetos estruturantes, como macrodrenagem para escoamentos das águas provenientes das fortes chuvas, melhorias no transporte urbano, limpeza e tapagem de buracos na cidade, o poder executivo envia um projeto-de-lei à Câmara de Vereadores onde cria 74 cargos comissionados, elevando as despesas anuais em mais de três milhões de reais.

  Esse projeto foi aprovado ontem (dia 29/04/2026) em primeira votação pelos parlamentares durante a realização da sessão ordinária, que analisou o PLC de número 05/2026 que reestrutura e altera a denominação da Secretaria Municipal de Governo, passando a se chamar Secretaria Municipal de Governo e Participação Social, além de estabelecer sua organização administrativa.

   Foram também discutidas as propostas de substituição de sinais sonoros convencionais por músicas adequadas nas unidades de ensino da rede municipal, visando a inclusão e o bem-estar dos estudantes, especialmente aqueles com Transtorno do Espectro Autista; a que trata do gerenciamento adequado de resíduos sólidos gerados em eventos públicos, privados e mistos, bem como a inclusão do símbolo mundial da fibromialogia nas sinalizações de atendimento prioritário e vagas reservadas. 

   Quanto ao projeto que cria mais cargos comissionados e eleva os gastos, foi alvo de polêmicas e críticas por parte dos vereadores, principalmente da oposição, argumentando ser legal, mas imoral diante da atual situação carente de mais investimentos de infraestrutura no município.

  Os parlamentares da situação que votaram no projeto, como Edivaldo Ferreira, justificam que se trata de qualificação na gestão municipal visando melhor atender os usuários, o que não convence, conforme rebateu a vereadora Viviane Sampaio. Ela afirmou que a Prefeitura Municipal vem realizando mudanças de nomes de secretaria, criando umas e desmembrando outras e até agora não se tem registrado melhorias palpáveis para a população.

   O vereador Ricardo Gordo subiu à tribuna dizendo que estava ali em defesa do povo. Ele fez um desabafo de que não tem recebido o devido apoio do seu grupo político, mas somente cobranças. Relatou que chegou a Conquista em 1995. “Em 2000 ingressei na política e só sirvo ao meu grupo”. No entanto, ressaltou que ninguém liga para saber se estou precisando de recursos para realizar meus projetos.

  O parlamentar Andreson destacou que vem trazendo pautas importantes para Conquista. Na ocasião, se referiu ao campeonato interbairros realizado domingo passado no Jardim Valéria com muita integração.  “Uma pena que ao longo dos anos os desportistas conquistenses ainda não têm espaços adequados para as práticas esportivas, principalmente para nossos jovens”.

   A vereadora Gabriela Garrido falou sobre o Dia da Dança que valoriza a nossa cultura e parabenizar os artistas do setor. “A nossa cidade tem crescido em termos de eventos que geram resíduos sólidos e precisam de regulamentos para não agredir o meio ambiente”.       

NA DISPUTA DE QUEM MAIS GRITA E A “RACHADINHA” DE CONQUISTA

   Com tantos escândalos, extremismos, radicalizações, máfias e falatórios imbecis, principalmente desses evangélicos conservadores moralistas que usam o nome de Deus, pátria e família em vão, confesso que ando entediado em falar de política. Sobre excrementos, do tipo Trump e outros da mesma linha em nosso país, melhor dar descarga e depois jogar creolina para desinfetar.

   As eleições, que significam mudanças para pior, estão chegando na base da gritaria. Sinto que toda ela vai ser pautada no grito. Quem falar mais alto, leva seu troféu, e meus ouvidos não são pinicos. Não tenho mais idade para isso. Lá se foram os projetos e programas para melhorar a cara amassada e ressaqueada desse nosso Brasil.

   As instituições dos três poderes estão desgastadas, desmoralizadas e até infiltradas de bandidos. O próprio Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o guardião da nossa Constituição, está pisando na casca da banana, ou com o pé na jaca, diante das más condutas de muitos de seus membros.

  Deixou de ser técnico, isento e imparcial para ser político. Basta acompanhar o caso do Banco Master. Todos os órgãos estão infestados de corrupções. Encontrar um setor limpo neste país é o mesmo que achar uma agulha no palheiro.

 O brasileiro vive num corredor polonês, só levando porrada, e não se tem a quem apelar, a não ser para o Papa. O povo está cada vez mais alienado, ignorante e acreditando nos falsos profetas de Deus. O pobre lenhado, os oprimidos e os mais discriminados se transformaram em direitona.

 No campo internacional, temos o cachorro louco do Trump que a mídia fica todo dia analisando seus excrementos e ainda se submete a participar de uma festa de gala com ele, justamente o cara que a abomina. Como dizia o cancioneiro baiano Raul Seixas, o jornalista quer é bajulação. Regredimos ao primitivismo bárbaro.

  A NOSSA ALDEIA

   Mas, vamos deixar o campo nacional e internacional dos facínoras e tiranos, para falarmos da nossa aldeia de Vitória da Conquista, onde imbecis o chamam de “Suíça Baiana”, sem cultura, de periferias de pobreza e miséria, ruas esburacadas, carente de projetos de infraestrutura, destruidora das nossas tradições populares, como o São João, cracolândia e outras mazelas.

   Bastam de tantos bairrismos e glorificações baratos! Vamos encarar a nossa realidade na busca de melhorias. Que “Suíça Baiana” é esta que deixa seu único campo profissional de futebol em estado lamentável, que não pode ser usado pelo único time que poucos apoiam?

   Agora mesmo fomos surpreendidos com a denúncia de “rachadinha”, ou rachadona” praticada pelo vereador Dinho dos Campinhos (não é somente ele) e nesse pirão tem mais osso. As “rachadinhas” na Câmara não são novidades.

Enquanto isso, cada um está mais preocupado em defender seus lotes de eleitores pobres, ou seus currais, como nos tempos do coronelismo, para indicar obras e se esquece dos macros problema do município. A maioria dos discursos é na linha das indicações. Vereador virou construtor de obras.

Essa política brasileira inverteu as funções entre legislativo e executivo. Esse maldito Congresso Nacional é o maior exemplo disso. Além das bandidagens, as emendas parlamentares são uma farra, e os ratos fazem suas festas com o nosso suado dinheiro. O governo faz de conta que governa, e o legislativo faz de conta que legisla.

  UM REPRESENTANTE DA CULTURA

  Em Conquista, de 21 cadeiras, passamos para 23, com a demagogia de que o aumento desse número representaria mais benefícios para a população. Uma deslavada mentira e demagogia. A partir de 2025 aumentaram seus salários de R$12.025,40 para R$18.742,91, elevação de cerca de 55,86%, comparado ao período de 2013 a 2024.

  A verba de gabinete é de 50 mil reais, representando um aumento significativo no custo do legislativo municipal. O dinheiro é destinado a gastos com contratação de assessores, aluguel de escritório e outros itens. Tem ainda a proposta do ticket alimentação de R$1.800,00 para os vereadores. Absurdo dos absurdos. Vivemos numa sociedade degenerada onde o anormal se tornou normal, e o imoral em legal.

  Por sua vez, a esquerda de outrora continua com sua linguagem e discurso arcaicos que não alcançam mais as massas. Suas bases foram esquecidas. Da cachaça, passou-se para o uísque. Uma ala também acha que vale a pena elevar o seu grito de guerra para superar a extrema direita.

   Dentro de mais dois anos temos eleições municipais e precisamos preparar o terreno para um nome alternativo a fim de derrubar este esquema destruidor que aí está. Os intelectuais, os artistas em geral, estudantes, professores e todo setor cultural, principalmente, precisam se conscientizar e se unir para apresentar um nome alternativo, para mudar esse quadro de terra arrasada dessa falsa “Suíça Baiana”.

   Está na hora dos movimentos culturais em geral deixar suas diferenças ideológicas de lado, suas vaidades, individualismos, suas brigas internas e unir forças para apresentar um nome forte, sério, idôneo e que seja à altura do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 400 mil habitantes.        

MESA DIRETORA DIVULGA NOTA SOBRE “RACHADINHA” DE VEREADOR

  Sobre a denúncia de “rachadinha” no gabinete do vereador Gilvan Nunes Pereira, o Dinho dos Campinhos, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Vitória da Conquista emitiu uma nota à imprensa dizendo que expediu um ofício de número 023/2026 que encaminha requerimento de apuração do caso à Corregedoria da Casa e à Comissão de Ética.

   Diz a nota que, “no pleno exercício de suas atribuições legais e em comprimento com a ética que rege esta Casa Legislativa, vem a público esclarecer os fatos relativos à denúncia de possível quebra de decoro parlamentar envolvendo o vereador, do Partido Republicanos. ”

  Destaca ainda que a decisão de acionar a Corregedoria e a Comissão de Ética Parlamentar demonstra que esta gestão não se omitirá diante de indícios que possam comprometer a dignidade, a moralidade e regular funcionamento do Poder Legislativo Conquistense.

  Afirma a nota que “a Casa assegura à população que todos os encaminhamentos serão dados em tempo hábil, respeitando rigorosamente o rito processual”. Ressalta que o procedimento será pautado pela observância do direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme os princípios básicos da democracia”.

 Por fim, termina declarando que “esta Mesa Diretora se compromete com a maior transparência possível em todos os seus atos, zelando pelo direito constitucional de informação à população e pela preservação da honra desta instituição legislativa.”  

    

LABUTAR COM GENTE É COMPLICADO

 Quem não já ouviu essa frase de alguém se queixando dos comportamentos atravessados e desrespeitosos de pessoas do seu grupo, ou comunidade que lidera?

  – Eu aqui tenho que decidi o que é correto ou errado, para seguir o que determina a lei, senão cada um sai aí fazendo o que bem entende e acha que deve. Labutar com gente é pior do que com os animais.

  O desabafo foi de um índio cacique ao falar da sua tribo em referência às culturas que deveriam ser plantadas na terra e os cuidados que se devem ter para não agredir o meio ambiente. “É melhor cuidar de animais”.

  Mesmo com normas e regulamentos, sempre aparece gente para quebrar os princípios básicos, realizar coisas diferentes e ainda acha que está com a razão.

   O argumento tolo e irracional é que estamos numa democracia, que seu procedimento é liberdade de expressão e que o chefe, ou o líder, é um ditador, censor, coronel ou autoritário.

Não quer compreender que sua liberdade termina quando agride a do outro, e que democracia não é libertinagem. Esperneia, contesta e ainda vai para cima com “quatro pedras na mão”, como nas eras primitivas das cavernas.

    A democracia tem dessas fragilidades, ou até diria este seu lado benéfico, porque é tolerante, mas até seus limites, visto que se o cara transgrede a lei é punido, excluído ou deletado, no caso moderno das redes sociais. Numa ditadura não existe escapatória.

  Percebo isso nos grupos de ZAP, principalmente, onde são estabelecidas as normas, mas uns aparecem para passar por cima. Ora, a pessoa é livre para entrar naquele grupo e antes é sabedor das regras, mas, mesmo assim infringe. Qual razão faz ele fazer o contrário do que está escrito? Não é melhor pedir para sair, ou não ter aceito participar da turma!

   Falam que a melhor obra de Deus foi ter criado o ser humano, o mais inteligente dos outros animais, dotado do saber criativo e dominador da terra. Tenho minhas dúvidas, mas me calo diante da maioria. Ele não é onipotente e sabia que lá na frente ia dar uma merda? Terá sido esse tal de livre arbítrio que esculhambou com tudo?

  Para conter o ímpeto e a desordem humana, os povos das civilizações antigas tiveram que criar suas leis, umas duras e outras mais brandas. Uma das que temos maior conhecimento foi o Código de Humurabi, escrito pelo rei do mesmo nome na Babilônia (Mesopotâmia), por volta de 1772 a. C.

  Eram 282 leis baseadas na “Lei de Talião” (olho por olho, dente por dente), visando unificar o Império. Tratava-se do direito comercial, familiar, propriedades e crimes. Mesmo com toda sua rigidez, muitos burlavam e eram severamente castigados.

   Outra muito conhecida do Antigo Testamento foi a Lei dos Dez Mandamentos. Diz que foi entregue por Deus a Moises, no Monte Sinai, após a libertação dos hebreus do Egito, isto em torno de 1250 a 1200 a. C.

O povo estava ficando rebelde e cometendo desatinos no deserto, e aí Moisés criou esse conjunto de princípios para colocar ordem na casa, ou nas cabanas. Era gente roubando cabra do outro e marido traindo mulher, e vice-versa, que Moisés resolveu terminar com a bagunça. Estas leis não eram nada democráticas, mas eram necessárias.

   Dizem que a nossa Constituição é democrática e a de outros países que adotam o mesmo regime. No Brasil, por exemplo, apesar da democracia, muitos artigos não são cumpridos, inclusive por parte dos três poderes instituídos pela Carta Magna.

  Mas, voltando à vaca fria, labutar com gente é complicado, meu amigo! Por mais que seja condescendente, tem aquele (a) que não vê o líder, chefe ou seu comandante com bons olhos. Pode ser inveja ou pelo belo prazer de contrariar as normas.

   É que o ser humano é um intrincado de problemas, de infortúnios, formações diferentes, traumas, soberbas, vaidades e inclinado a não aceitar o proibido. Até o líder, que adverte o seu subordinado, comete seus pecados na sociedade, muitos dos quais horrorosos e cabeludos. 

O BANDITISMO NORDESTINO NA VISÃO DE BILLY JAYNES CHANDLER

   A literatura sobre o cangaço, Lampião e outros cangaceiros, é muito vasta. Para falar do assunto, todos autores procuram abrir seus trabalhos descrevendo sobre como era o Nordeste do século XVII até o início do século XX. Os escritores fazem uma espécie de mapeamento sobre o solo, a caatinga dos sertões, as crendices, o misticismo e todos fatores que contribuíram para o banditismo no sertão.  

  A região vivia isolada do resto do país, abandonada, castigada pelas secas, pela pobreza extrema, pelas brigas entre famílias, pelo mando dos chefes políticos e dos coronéis e pela falta total da justiça para impor a lei. Enfim, o Nordeste era uma terra de ninguém onde o poder era quem mandava. O opressor massacrava o oprimido.

 O CANGAÇO

  O autor de “Lampião, o Rei dos Cangaceiros”, Billy Jaynes Chandler segue esta linha de raciocínio. De acordo com ele, nas sociedades rurais subdesenvolvidas, o banditismo sempre captou o interesse e a fantasia do povo. No Nordeste, o cangaceirismo e, sobretudo Lampião, eram vistos como “heróis” e um fenômeno de rebeldia contra aquele sistema cruel de exclusão social, política e econômica.

   Os que viviam fora da lei, aparentemente livres das restrições sociais, despertavam uma certa imaginação. Desse modo, Billy cita a vibração dos ingleses com os feitos de Robin Hood; os mexicanos com as façanhas de Pancho Villa; e os brasileiros com Lampião.

  As vidas desses homens serviam de matéria-prima para trovadores, cantores, literatos e repentistas das histórias populares. Exageravam e, de certa forma, omitiam a realidade. Alguns historiadores e cientistas, movidos pela obra de Eric Hobsbawm encontraram interesse no estudo do banditismo.

  Lampião, por exemplo, nascido no sertão decadente do Nordeste, fez sua entrada no banditismo, em 1916, quando contava com 19 anos, devido a uma disputa com a família de Saturnino (José Alves Borges). Cinco anos depois, quando a polícia – José Lucena – matou seu pai, em Alagoas, ele declarou que ia viver e morrer como bandido.

  Foi leal, generoso e até praticava ações de compaixão com aqueles que tinham conquistado sua confiança, mas cruel e sanguinário com os que despertavam sua inimizade. Fazia acordos com chefes políticos, coronéis, fazendeiros e até com a polícia para sobreviver.

   Com suas táticas e astúcias, foi um guerrilheiro hábil ao ponto de o povo do sertão acreditar que tinha poderes extraordinários que provinham do seu fervor religioso. Tornou-se objeto de medo e respeito e chegou a ser amigo de um governador.

  Segundo Billy, as palavras cangaceiro e cangaço começaram a ser usados na década de 30, e se relacionavam à canga, cangalho, jugo dos bois. Talvez era assim chamado por carregar o rifle nas costas, como o boi puxa a sua canga. A partir do final do século XVIII significava um grupo de homens armados a serviço de um fazendeiro. Depois se tornaram independentes e a palavra cangaceiro começou a ser usada.

   Foi um fenômeno social. Os cangaceiros andavam em bandos, com seu modo de se vestir especial, como um lenço colorido no pescoço e um chapéu de couro, tipo cawboy do sertão, cuja aba era virada para frente cheia de enfeites (estrelas de Salomão). Conhecedores dos sertões, suas táticas de guerra deixavam as volantes atordoadas.

A DESORGANIZAÇÃO SOCIAL E AS SECAS

  Sobre o Nordeste, Billy descreve que no Sertão, as chuvas fortes caiam numa estação chamada de inverno pelos nativos, num período entre cinco a seis meses, de dezembro a março. A temperatura variava entre 17 a 38 graus, mas hoje chega até mais de 40.

  Quando se fala do Nordeste, muitos imaginam como uma região plana e ´desértica, mas ele tem suas colinas, matas, chapadas, numa mistura de savana floresta. Nos locais planos, vê-se a caatinga, uma vegetação retorcida, nodosa de pequena altura, própria da terra quente e seca. Predominam árvores de pequeno porte, com variedade de cactos, como o facheiro ou mandacaru.

   Os primeiros portugueses não se estabeleceram no sertão, mas nas zonas úmidas do litoral ao longo da costa até Natal (Rio Grande do Norte). Durante o século XVI surgiu uma sociedade agrícola, baseada na cana-de-açúcar. Os índios foram aculturados e, na maioria, exterminados. O escravo chegou a ser a maior força de trabalho.

  Dominava a colônia, uma elite aristocrata, branca e arrogante situada nas áreas férteis (Salvador e Olinda). A produção de gêneros alimentícios foi renegada, surgindo daí o interesse pelo interior, com boas terras para a criação do gado e agricultura em geral.

  Os sertões, então, começaram a ser desbravados a partir do século XVIII até em regiões longínquas. No litoral predominavam as sociedades racistas. Grandes extensões de terras foram entregues pelos oficiais da colônia, nascendo assim os latifúndios. Os fazendeiros eram potentados do sertão, iguais aos senhores de engenho. Governavam seus dependentes com mão de ferro, delegando poderes.

  Como as riquezas eram escassas, Portugal praticamente não exercia domínio. Desde sua origem, conforme análise de Billy, a sociedade dos sertões foi deixada ao discernimento. A independência do Brasil, passando pelo Império (1822-1889) e depois a República Velha (1889-1930), pouco alteraram os fatos.

  A maioria do povo vivia em completa penúria de vida. Mesmo assim, desbravou a região. Foi dessa classe que saíram os cangaceiros, como Lampião. Alguns eram vaqueiros e outros combatiam os índios, incluindo uma pequena parte de escravos negros e mulatos.

  Devido a miscigenação, brancos, negros, mulatos e índios formaram uma categoria de pobres submissos. No início da conquista, os índios sofreram grandes baixas. Existiam pessoas livres, de descendência mista, que eram os senhores vindos da costa. Muitos ancestrais pobres chegaram a ser donos da terra.

  Com o tempo, as grandes propriedades se fragmentaram, divididas entre herdeiros. Essa divisão causou o empobrecimento de muitos. As adversidades das secas também ajudaram a dizimar rebanhos e outros recursos dos fazendeiros.

    No entanto, com o casamento de conveniências, muitos conseguiram deter a desintegração e reconstruir suas fortunas. O latifúndio ainda persistia, apesar das circunstâncias nas pessoas dos coronéis e dos chefes políticos.

   A principal atividade era a pecuária que abastecia as capitais litorâneas. O agregado procurava tirar da terra sua magra subsistência através da agricultura, muita parte destinada à população litorânea.

  Esta situação só começou a mudar no século XVIII com o cultivo do algodão, se bem que os lucros não compensavam devido a falta de estradas e a flutuação dos preços no mercado internacional.

A Abertura de estradas de ferro, no final do século XIX e começo do século XX, estimulou a cultura de gêneros alimentícios de exportação, mas tudo isto foi anulado pelos grandes proprietários que começaram a exigir uma parte pela terra alugada. Houve o surgimento do algodão, mas teve pouca duração.

As áreas agricultáveis se tornaram superlotadas, resultando na fragmentação das propriedades através das heranças. O grupo econômico que mais lucrou com a comercialização dos produtos foi o do intermediário que era o fazendeiro empreendedor. O resultado foi o declínio econômico das populações dos sertões, com o empobrecimento.

    Com o fim da Guerra Civil na América do Norte, em 1865, cessou a procura pelo algodão e afetou também o mercado açucareiro. Logo depois veio o fim do ciclo da borracha, no Amazonas, na segunda e terceira décadas do século XX. 

  Dizem que este conjunto de fatores gerou o cangaço, mas houve outras influências, como a fragilidade das instituições responsáveis pela lei, ordem e justiça, implantadas desde a colonização, quando as autoridades entregaram a região aos potentados.

   No império tentou-se reverter a situação, confiando a ordem aos chefes de polícia, mas não funcionou por causa da política entre os dois partidos que sempre nomeavam seus aliados. O sistema de júri também fracassou porque o jurado votava de conformidade com o coronel ou do chefe político. Partidos políticos antagônicos incentivaram os conflitos, bem como as guerras entre famílias.

  A República, em 1889, criou o federalismo delegando poderes aos estados, que estimularam o desenvolvimento das máquinas políticas, assegurando que o coronel votasse a seu favor. Em troca, os coronéis mantinham seu domínio. A força da polícia apoiava os coronéis, mas, aos poucos, foram perdendo poder.

  Com o enfraquecimento das instituições do estado, que sempre estavam a favor da facção local vigente no momento, criou-se um clima de desordem, sem justiça e proteção aos desfavorecidos. Sem garantia de proteção nem do patrão, nem do estado, povoações do sertão se transformaram em verdadeiras selvas onde imperavam a ilegalidade e a desordem.

“Parece, portanto, certo que o aparecimento do cangaço esteja intimamente ligado a este estado de desorganização social” – aponta o escritor Billy Chandler, mas ele acrescenta também as secas calamitosas que se repetiram naqueles anos, entre final do século XIX e nas primeiras décadas de 1900.

  Billy ainda cita o messianismo e o fanatismo religioso que desagregaram a sociedade, só que estes fenômenos ocorreram paralelamente ao cangaço. No entanto, em sua visão, as estiagens prolongadas contribuíram para aumentar a violência. “Com a seca de 1919, o cangaço atingiu seu ponto máximo”. “Tanto o banditismo como o messianismo são produtos do mesmo complexo de condições”      





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