“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.
O ESTADO É O INFERNO DE DANTE
Há milhões de anos era o homem da pedra vivendo em cavernas e depois seus descentes formaram tribos. Alguns decidiram ser colhedores e caçadores nômades, os mais livres. Outros optaram por ferir a terra e nela se fixarem como agricultores e domesticadores dos animais.
Até aí tudo bem, mas as tribos foram se espalhando e guerreando entre si, tudo pelo poder do domínio territorial de governar mais e mais gente. Dessa evolução, que durou milênios, nasceu o inferno que é hoje o Estado, com uma sociedade e um sistema cheio de parafernálias e burocracias que controlam todos os passos das pessoas.
A “Divina Comédia”, do italiano Dante Alighieri (século XIV), é uma viagem alegórica, onde Dante, guiado pelo poeta romano Virgílio, desce aos nove círculos concêntricos do inferno, testemunhando os castigos reservados às almas de acordo com seus pecados. O Estado é maquiavélico e tem mais que nove camadas. No inverso, os pecados estão reservados ao Estado contra o povo.
Esse inferno, com suas mudanças cíclicas e suas revoluções industrial e tecnológica, foi cada vez mais ficando pior com suas labaredas de fogo, para nos consumir e extrair nossas tripas através das cobranças de impostos, taxas, obrigações, regras, deveres e um monte de papelada para nos identificar. Inchou demais, cobra o máximo e nos dá o mínimo.
O Estado é como um dragão faminto com seu tridente que nunca se sacia do nosso sangue e só faz limitar a os nossos direitos. Os bons foram sendo nivelados com os maus e aí o inferno se tornou insuportável, ao ponto de os anarquistas terem criado a máxima de que, “se existe Governo, sou contra”.
Criaram diversos regimes, de acordo com cada mandatário dentro das culturas ocidental e oriental. Dividiram as partes em capitalismo e socialismo. Uns autoritários, tiranos, autocráticos, teocráticos, oligárquicos, ditatoriais e democráticos, o melhor dos piores.
Na democracia, nos iludimos que somos totalmente livres e podemos fazer o que nos vem na telha, mas não é bem assim. Mesmo nele, somos vigiados dia a dia, e o Estado continua sendo um inferno, com seus cães da peste, diabos, belzebus e satanais.
Na vida prática, temos que seguir suas normas, não importa se razoáveis, sensatas ou absurdas, ditadas por uma sociedade hipócrita e fariseia que passa o tempo todo censurando o que ela acha o que está certo ou errado.
O Estado inferno estabeleceu os conceitos de normal e anormal que devemos seguir, sob pena de sermos chamados a sentar no banco dos réus. Qualquer pé em falso, somos tratados como excluídos fora da linha e nos chamam de marginais.
Com sua excessiva burocracia, criaram uma montanha de documentos, sempre em constantes processos de mudanças, para provarmos quem somos, o que fazemos, para onde vamos e como estamos nos comportando. É o Estado inferno nos controlando o tempo todo. Com as novas tecnologias, vigia todos nossos passos.
Todos nós somos considerados maus, falsários e estelionatários, até que se prove o contrário. Esse Estado inferno sempre está constantemente nos pedindo uma nova identidade, novo cadastro pessoal e familiar para termos direito a algum benefício-esmola, um novo título eleitoral, uma nova CNH, um novo passaporte, provas de vida e os escambaus.
Os “donos” desse Estado entopem de papeladas e formulários estressantes que nos matam lentamente, principalmente os coitados dos idosos, não importando se tem 100 ou mais anos. Nos obrigam a entrar naquelas filas infernais que começam na madrugada e terminam ao anoitecer. Este inferno não se acaba quando se “bate as botas”.
Para atravessarmos o outro lado do rio, conforme a mitologia grega, e alcançarmos a outra margem dos mortos, as almas penadas pelo Estado inferno têm ainda que pagar uma taxa ao barqueiro Caronte.
Para garantir a viagem, era costume enterrar os mortos com uma moeda (o óbolo) colocada na boca que servia como pagamento. O sinistro barqueiro foi substituído pelo Estado que nos exige uma montanha de trâmites burocráticos e uma grana, senão ficamos fora do barco e viramos carniça de urubu.
PRÊMIO CONHECIMENTO
Em sessão especial, nesta quarta-feira (dia 03/6), a partir das nove horas, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista fará a entrega do Prêmio Conhecimento sobre Conquista, que reconhece os trabalhos acadêmicos e científicos voltados para o desenvolvimento do município.
Durante a programação, em solenidade, serão anunciados e premiados os vencedores entre os trabalhos previamente selecionados pela Comissão Organizadora da Casa.
Além da premiação, serão apreciados projetos que tratam da Política Municipal de Proteção da Infância e da Adolescência e de Prevenção das Violências contra Crianças e Adolescentes; e da Política Municipal de Valorização da Literatura Conquistense e da Produção Literária Regional.
Estará ainda em apreciação a Política Municipal de Enfrentamento da Violência contra Mulheres; bem como da Ampliação da Participação Feminina nos Espaços Sociais, Comunitários e Institucionais.
Serão também debatidas propostas voltadas à segurança alimentar de estudantes da rede pública municipal durante os períodos de recesso e férias escolares, bem como a valorização funcional, bem-estar e apoio alimentar dos profissionais da educação.
Vale lembrar que na noite desta terça-feira (dia 02/06) foi realizada, na Câmara de Vereadores, uma audiência pública sobre teatro amador e profissional onde os artistas da área se fizeram presentes,
Na ocasião, apontaram diversos questionamentos e críticas visando o maior apoio do poder público a este segmento, como a falta de espaços culturais para realização de seus ensaios e apresentação de seus espetáculos.
ESSA TECNOLOGIA…!
Pelo assunto em pauta, sei que já tem muita gente enumerando uma extensa lista de benefícios da tecnologia nos tempos modernos para a humanidade, mas meu propósito aqui é o de mostrar o outro lado dos malefícios. Afinal de contas, o jornalista é sempre um crítico.
O primeiro deles, na minha concepção, é a desumanização, seguida do aumento da burrice, da falta do convívio interpessoal e o fim das tradições populares. Existem mais outros estragos em nossas vidas.
Não sou mais desse mundo e me sinto deletado. Ainda não consigo me introduzir dentro de um celular. Sou mais da prosa, da conversa fora e do papo presencial, na base do olho no olho. Até a ligação telefônica ficou em desuso.
Quando me refiro à tecnologia, coloco na ponta o advento da internet, do celular, das redes sociais e agora da IA, e aí me lembro do filósofo italiano Umberto Eco que lá atrás dizia que o mundo ia ficar mais imbecil.
Há muitos anos ele afirmava que a internet e as plataformas digitais deram voz a “uma legião de imbecis” que antes falavam apenas em bares, sem causar danos à coletividade, mas agora ganharam o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel.
Para Eco, a facilidade de publicar conteúdos na web eliminou o filtro de especialistas e a credibilidade dos jornais, nivelando o debate por baixo. O grande problema não é a falta de informações, mas o excesso onde o usuário se torna incapaz de distinguir a verdade da mentira.
Profetizou e ficou constatado que a rede como um sistema prejudica o aprendizado real, pois as pessoas passam a usar a internet como um “disco rígido externo” para armazenar fatos, ao invés de desenvolver o pensamento crítico e o conhecimento próprio.
Nos países mais desenvolvidos da Europa, pesquisas constataram uma queda no QI humano depois do uso intensivo dessa tecnologia porque os jovens e as pessoas em geral ficaram mais dependentes dessa ferramenta.
Com o decorrer dos anos, o ser humano passou a pensar menos, reduzindo assim o seu raciocínio lógico e, consequentemente, o esforço e o prazer de fazer as coisas por conta própria. Se você já recebe tudo pronto, o natural é sua mente ficar mais preguiçosa, não exigindo muito dos neurônios.
– Atualmente, meu camarada, faço tudo através da IA porque me dá as “soluções” mais rápidas e não perco muito tempo para elaborar um trabalho, como por exemplo, um texto. A IA é uma maravilha. É o que mais se ouve por aí.
Qual o mais prazeroso, fazer uma poesia, no caso sobre amor, com a inspiração, papel e caneta na mão, ou pedir à IA e depois realizar alguns ajustes?
Pode me chamar de velho caduco ultrapassado, mas fico com o analógico, com o conceito tradicional e convencional. Prefiro “quebrar a cabeça”, como se dizia no modo antigo.
Ninguém (somente os mais velhos) quer mais criar uma receita própria de comida saborosa, porque é só clicar na internet. Hoje são raros os livros de receitas das vovós que eram guardados nos baús e tinham um valor inestimável! Nossas tradições vão sendo aniquiladas.
Quando me refiro à tecnologia, não estou apenas especificando a internet, mas ao mundo tecnológico no global das máquinas em geral, inclusive com relação às guerras que deixaram de ser terrestres para serem por ar, através dos mísseis, foguetes e drones voadores, substituindo os fuzis e as metralhadoras. Morrem menos soldados e mais civis.
Criaram os trambolhos dos robores que fazem tudo em sua casa. Os aspiradores são automáticos e a pessoa não precisa mais exercitar o físico e a cabeça. Logo você não vai mais precisar de cozinheira e cozinheiro. Os fogões vão desaparecer.
No campo, milhões foram desempregados da agricultura e empurrados para as periferias das cidades. As semeadoras e colheitadeiras fazem tudo. Costumo dizer que os gênios inventaram a tecnologia para os burros usarem.
POSTO DE SAÚDE DO MIRO CAIRO
Semana passada passei no Posto de Saúde do Miro Cairo para me cadastrar porque estou residindo próximo ao bairro e, para minha surpresa (aliás não é novidade), não consegui. Não havia uma assistente social e nem uma agente de saúde. A atendente respondeu que precisava identificar qual agente assistia em minha rua. Acontece que moro há um ano no Sobradinho e até hoje ninguém da saúde bateu em minha porta. Assim fica muito difícil. No Posto, pouca gente e só um médico atendia. A impressão que tive foi de abandono, o que, mais uma vez, se constata que a saúde em Vitória da Conquista anda aos frangalhos, como outros setores, principalmente a nossa cultura. Como as unidades de saúde vivem nesse estado precário, o poder público e outros órgãos ficam por aí fazendo esses mutirões de ruas com carretas para enganar e enrolar o povo desassistido. Esses mutirões, que até deixam pessoas mais doentes, porque são exames rápidos, sem continuidade, não passam de programas eleitoreiros e atestados de que a saúde vai de mal a pior. Creio que não é somente o Posto do Miro Cairo que apresenta esta carência. Neles, quando um paciente consegue marcar um exame, tem que esperar mais de seis meses para ser chamado para consulta, sobretudo quando se trata de um tratamento mais complexo.
“UM BANDIDO SOCIAL?”
Depois de quase 88 anos de morto, Lampião continua sendo cultuado no Nordeste. Para uns como herói, justiceiro e até generoso. Para outros, um bandido sanguinário que se aliou aos poderosos proprietários de terras, os coronéis e aos chefes políticos.
De qualquer forma, o cangaço foi uma cria do sistema injusto, sem lei e até mesmo das grandes secas, como a de 1877/79 que chegou a ceifar a vida de cerca de 300 mil nordestinos. Para historiadores, entre os bandidos sociais, existiram três tipos, o nobre salteador, o chefe de guerrilhas e o vingador.
Em seu último capítulo “Um Bandido Social? ”, o escritor Billy Jaynes Chandler fecha sua obra “Lampião, o Rei dos Cangaceiros” dizendo que “em geral, as autoridades, e a maior parte do povo, sentiam pena deles, ponto de vista este que se originava da ideia de que o cangaço era o reflexo da ignorância, pobreza e injustiça da sociedade sertaneja: os cangaceiros eram, portanto, criminosos comuns, porém, vítimas das circunstâncias”.
Em falando da questão das cabeças dos chefes terem sido expostas em museu (Lampião, Maria Bonita e outros), Billy cita que nos Estados Unidos, já na década de 1850, uma cabeça, que diziam ser do bandido Joaquim Murieta, foi exibida, conservada em uísque na Califórnia, e sua chegada foi anunciada por uma salva de tiros.
Quanto à sua indagação no capítulo, o escritor destaca a análise feita pelo historiador britânico Eric Hobsbawm que estabeleceu uma teoria para classificar os bandidos segundo suas características e opinião que sobre eles tinham as diferentes pessoas. O historiador incluiu Lampião neste estudo, mas só que ele fez sua crítica mais baseada nas lendas do que nas realidades.
Chandler se fixa mais nos bandidos vingadores que, de acordo com o autor, se distinguem dos verdadeiros bandidos sociais, devido ao seu uso excessivo de violência. Hobsbawm reconhece que Lampião podia ser terrível e, por esta razão, o coloca entre os vingadores. Declara ainda que Lampião não pode se classificar como um verdadeiro bandido social em vista de sua aliança com proprietários.
O britânico chega a afirmar, até de forma contraditória, que o “rei do cangaço” defendia os pobres. Justifica sua violência como involuntária, pois resultava das diversas tensões que marcaram a ruptura social entre o Nordeste tradicional e a nova ordem capitalista e, portanto, era inevitável.
Além de Robin Hood (não se sabe se sua existência foi verdadeira), Hobsbawm, no capítulo sobre os nobres salteadores, do seu livro banditismo, destaca dois tipos, Juro Janosik, da Eslováquia, e Diego Corrientes, da Andaluzia, personagens imprecisos do século XVIII.
Billy Chandler ressalta que o povo humilde dos sertões deu altas notas a Lampião – embora alguns, de má vontade – pelo seu sucesso. Segundo Billy, há uma tendência entre eles, de esquecer parte do horror que acompanhou sua carreira e lembrarem mais de suas ações, muitas delas inventadas.
Na verdade, Lampião nunca desejou alterar a estrutura básica da sociedade em que viveu. Seus laços com ela eram íntimos e profundos, como Hobsbawm reconheceu. O cangaceiro se aproveitou de uma sociedade injusta, para explorá-la brutalmente.
O cangaço teve várias e diferentes origens, umas baseadas na perversidade humana, e outras, nas condições sociais extremamente injustas – completa o autor.
Mesmo assim, foi uma forma de protesto social. Há dúvidas se essa caracterização de banditismo social pode ser aplicada a Lampião. “A preocupação com a opressão dos pobres e dos fracos pelos ricos e poderosos nunca despertou seu interesse”.
CÂMARA LANÇA CONSULTA POPULAR
Além dos debates de propostas e projetos na sessão ordinária, a Câmara Municipal de Vitória da Conquista lançou, nesta sexta-feira (dia29/05/2026), uma nova consulta pública com objetivo de aproximar a população do poder legislativo e fortalecer a participação popular nas decisões que impactam o município.
Por meio de um formulário simples, qualquer cidadão poderá apontar quais melhorias deseja ver em sua rua, bairro ou em toda cidade nos próximos anos. A iniciativa busca ouvir as necessidades da população visando a construção do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).
Entre os pontos que poderão ser sugeridos estão a operação tapa buracos, drenagem pluvial, criação de novos pontos e linhas de ônibus, além de demandas relacionadas com a saúde, a educação, mobilidade urbana, esporte, lazer, dentre outros.
Vale lembrar que o PLDO foi lido na sessão da Câmara da última terça-feira, 27 de maio, dando início à tramitação da matéria. A partir da leitura na plenária, abriu-se o prazo de 30 dias para a realização de audiências públicas e da consulta popular.
Depois desse período, o projeto seguirá para análise das comissões da Casa, incluindo a Comissão de Legislação Participativa, que também acompanhará o processo. De acordo com o presidente do legislativo, Ivan Cordeiro, a proposta é mostrar que a participação popular pode ajudar a mudar os rumos da cidade.
Na sessão ordinária desta sexta, ainda foram apresentados vários projetos, como o que institui o Programa Municipal de Pontos de Parada Seguros para o transporte por aplicativo, bem como requerimentos para sessões itinerantes.
ÀS 5 DA MANHÃ
(Chico Ribeiro Neto)
Acordei pleno às 5 da manhã. Sensação de tudo resolvido e de que a vida caminha em paz.
Já escrevi crônicas e alguns poemas às 5 da manhã. Nesse horário os cachorros dos vizinhos ainda estão dormindo, ainda não ligaram a TV e parece que estou em dia com o mundo.
O dramaturgo e diretor teatral Deolindo Checcucci, de saudosa memória, me disse uma vez que não gostava de acordar tarde: “Tenho a sensação de que o dia andou na minha frente”.
Os passarinhos começam a cantar perto de minha janela e acredito que a vida ainda vale a pena. Outro dia me contaram que o bem-te-vi não canta sozinho, só canta em grupo, tem que ter outro pra responder.
As 5 da manhã têm gosto de viagem, aquele corre-corre de última hora senão vai perder o ônibus. A surpresa do menino de ver o mundo acordar com o galo cantando e o cheiro de café na cozinha da casa 25 da Rua 2 de Julho, em Ipiaú (BA), onde nasci.
É gostoso levantar às 5 da manhã, “acordar com as galinhas”. A gente coloca o passado em dia e fica em calma sintonia com a gente mesmo. O sono passou e a vontade de viver é imensa. Parece que ficamos cheios de graça e que um sorriso de criança alumia o mundo.
O jornalista Carlos Navarro me disse uma vez: “Experimente ver como é bom escrever às 5 da manhã”. Confirmo. A cabeça está zerada.
São 5:50. Volto pra cama, que ninguém é de ferro.
Antigamente, às 5 da manhã, o padeiro e o leiteiro já se preparavam para as entregas de casa em casa. Rubem Braga tem uma crônica maravilhosa, “O Padeiro”, de 1956, cujo trecho transcrevo: “Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando: “Não é ninguém, é o padeiro!”
Escreveu ainda Rubem Braga: “Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos, alegre; ‘não é ninguém, é o padeiro!’ E assobiava pelas escadas”.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
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“NÃO FUI CONVOCADO PORQUE DEUS NÃO PERMITIU”
Sempre se ouve dizer por aí que quando se trata de seleção brasileira, todo torcedor é um técnico nato, mas não sabia que Deus também é um deles que faz escalação. Aliás, Deus está em tudo, e a Bíblia pede para não usar seu nome em vão.
Estou dizendo isto porque nesta semana, em entrevista a um repórter – não me recordo quem foi – perguntado sobre o motivo de ter ficado de fora da escalação, o jogador respondeu, textualmente, que “não fui convocado porque Deus não permitiu”.
Ora, o que tem a ver Deus com isto? Na cultura religiosa, que já está enraizada nas pessoas há séculos, tudo que é de bom ou ruim sempre foi Deus quem quis. É uma mentalidade atrasada. Os jogadores de futebol, por exemplo, misturam religião e crença com o esporte que pratica. É um tal de ajoelhar, se benzer e rezar que esquece de jogar.
Como o assunto do momento é Copa do Mundo e seleção brasileira, de nomes desconhecidos até pelo mais entendidos no assunto, quer dizer que foi Deus quem relacionou o Neymar, e não sabia que ele estava “podre” há muito tempo.
Neymar não é mais aquele atleta cria do Santos, porque preferiu as baladas a cuidar do seu físico. Não me estranha, e não é nenhuma novidade, que ali contou com alguma interferência “política” junto à CBF, e não teve o dedo do técnico, muito menos de Deus.
Pela sua lesão, como sempre foi o procedimento nas outras convocações, o atleta já deveria ter sido cortado, imediatamente, para dar lugar a outro que está em melhores condições. Aliás, nem deveria ter sido chamado.
Vamos deixar o Neymar de lado, porque o moço festeiro está cheio da grana e eu fico aqui “lascado” falando dele. De tantas decepções e escassez de craques, o torcedor brasileiro hoje torce mais para o seu time do coração do que para a própria seleção “perna de pau”.
Até tempos passados, no início dos anos 200, quase todo mundo sabia escalar a seleção canarinho, com seus respectivos nomes e posições.
O entusiasmo de cantar aquelas músicas que colavam como chiclete na cabeça, enfeitar as ruas de bandeirolas e reunir amigos e parentes em casa cederam lugar à desilusão e à desconfiança.
Hoje são atletas que quase ninguém sabe de onde vieram porque o futebol não é mais como antigamente. Naquela época, a equipe era formada por jogadores que atuavam aqui nos clubes do Brasil.
Tudo por dinheiro, logo cedo, o jogador vai para a Europa, para a Ásia e outros continentes e depois aparece como se fosse um estrangeiro, que não tem mais aquele gingado e aquela arte da terra.
A Rede Globo, a manipuladora das transmissões de todas competições continentais, e seus patrocinadores, fazem um esforço danado para atrair o torcedor, mas ele está mais ligado na classificação do seu time. Há muito tempo que o Brasil deixou se ser o país das chuteiras.
CASA DE FARINHA E PARAFUSO
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário (Uma homenagem ao meu pai)
Instrução ele não tinha,
Tinhoso, sim senhor!
Sozinho aprendeu a ler,
Assinar o nome também,
Lavrador e carpinteiro,
Trabalhador como ninguém;
Fazia telhado e curral,
Em fazenda de doutor;
Se metia a marceneiro;
Espantava qualquer dor,
Na busca do seu viver,
E até casa de farinha
O homem aprendeu a fazer.
Ainda menino criança,
Lembro bem daquele tempo,
Ele dizia, meu cumpade!
Nossa vida é uma pajelança:
Existe o certo e o confuso,
É como casa de farinha,
Onde o mais difícil aviamento,
É construir o tal do parafuso.
Com meu facão,
Espingarda e machado,
Carne seca e rapadura,
Agua e um punhado de farinha,
Reza e escapulário de lado,
Embrenho numa mata;
Peço licença ao curupira,
Para encontrar uma baraúna,
Bem roliça, forte e rosa;
Tem que ser formosa;
Não posso ser profuso,
Para no formão, talhar o parafuso.
Às vezes passo uma semana,
Para encontrar a madeira certa,
Como lagoa doce em savana;
A árvore precisa ser reta,
Para encaixar bem na rosca da peça;
No meio, faço um furo;
Sebo não se dispensa,
Com precisão não erro,
Para acochar a prensa,
Que pode ser de pau ferro.
Numa casa de farinha,
A de todas artesanal,
Antes de aparecer o motor,
Pode ser um simples galpão,
Com uma roda feita de cedro,
Alavancas puxadas em parceria,
No compasso da cantoria;
Um reio ligado ao ralador;
Que os índios chamam de caititu,
Com serras afiadas traiçoeiras,
Que podem tragar a mão,
Das mulheres raladeiras.
Para ficar a favor da corrente,
O forno de barro, à lenha,
Com duas ou três bocas,
Deve ficar em direção ao poente;
A pedra para torar a farinha,
Dão nome de atafona ou mó;
Falam também que é “sabão”;
Sei fazer tudo da cabeça,
Quem fizer melhor apareça;
No mais, cochos e peneiras,
Para classificar a farinha:
Grossa ou fina, com tapioca,
A ser testada nas feiras,
Mas tudo depende da mandioca.
Tudo começava na segunda,
E terminava na sexta-feira,
Desde o clarear do dia,
Com o arranque e as raspadeiras:
O melhor mesmo era ao entardecer,
Na chamada boca da noite,
Quando terminavam as trabalheiras:
Farinha quente, ensacada pra vender.
Nas visões da minha memória:
Era hora do prosear,
Tudo na camaradagem;
Contar causos e história,
Conversa fora jogar,
Cachaça e café quente no bule,
Pra comer beijus e biscoitos de tapioca,
Até inspirava um repente de modinha;
Não podia faltar uma fofoca,
Na tradicional casa de farinha.
“QUANDO A ESMOLA É DEMAIS…”
Gosto muito dos provérbios antigos ou ditados populares, se bem que tem alguns que não concordo, como o de que “a voz do povo é a voz de Deus”. Essa não dá mesmo para engolir, principalmente se for levado em conta o lado político das eleições onde a população escolhe errado seus candidatos, na maioria atraída pelas esmolas. Onde está aí a voz de Deus?
Os nossos ancestrais tinham a sabedoria dessas expressões que serviam de aconselhamento, orientações e precauções, como a de que “boa romaria faz, quem em casa fica em paz”. Esta serve para os dias de hoje diante de tantas violências nas grandes cidades.
Muitos ditados têm suas origens na cultura popular religiosa e se eternizaram, como a de que “quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Entendo que esta tem o sentido duplo e pode ser aplicada em diversas circunstâncias da vida.
O provérbio é uma metáfora para alertar que vantagens exageradas, ou ofertas generosas, geralmente escondem segundas intenções. No âmbito religioso, a expressão baseia-se na ideia de que ninguém é extremamente bondoso de forma totalmente desinteressada.
O termo esmola evoca caridade. Santo remete ao receio de que nem mesmo as entidades sagradas cedem a graças tão fáceis sem que houvesse algum motivo por detrás. Algo oferecido sem custos aparentes costuma ter um custo oculto real.
O dizer popular é utilizado como mecanismo de defesa contra fraudes, golpes financeiros, propostas de lucros irreais ou bajulações excessivas. Fique longe do bajulador quando você está “por cima da carne seca” porque o indivíduo é falso.
O santo desconfia quando a esmola é demais porque o doador pode vir a pedir muitos favores, o possível e o impossível, ou então, a caridade fora do normal pode ser falsa e enganosa. Dizem também que “não existe almoço de graça”, e nesta eu acredito.
Nos tempos atuais, esta da esmola demais é muito utilizada pelos golpistas de plantão, e muita gente cai nela de patinho, na ambição de também tirar proveito, levar vantagem em tudo. Termina quebrando a cara. Depois de se tornar vítima do malandro, “não adianta chorar pelo leite derramado”.
Antigamente, os golpes eram analógicos, do tipo da esmola do bilhete premiado, da corrente de “ouro” falsificada bem barata e outros objetos maquiados. Os ciganos, por exemplo, pintavam os dentes dos cavalos, passavam uma escova especial, de forma que o animal ficava com uma aparência de novo e conservado.
E os vendedores de carros velhos? Ah, nestes eu me esborracheia diversas vezes! O safado – o ser humano tem a natureza de esfolar o outro para ganhar vantagens – colocava massa para tapar as ferrugens das latarias e realizava um armengue no motor.
Com aquela lábia de empurrar o automóvel por um preço mais em conta, abaixo do mercado, e dizendo que estava vendendo por aperto financeiro, eu caia na esmola. Dava uma volta com o dono e tudo indicava ser bom negócio.
Somente depois de alguns dias, o veículo começava a se desmanchar. Era aí que me dava conta de que fui um trouxa, vítima do golpista. Não tinha mais jeito. Era prejuízo na certa e arrependimento tardio.
– Quando for comprar um carro usado de muitos anos, a primeira coisa a fazer é levar ao um mecânico e a um chapista da sua confiança (coisa mais difícil de se encontrar), para fazer avaliação – dizia o dono da oficina.
Todas estas esmolas demais, visando ludibriar o outro, são aplicadas atualmente via internet, ou seja, no esquema virtual das redes sociais onde nem se ver ou se conhece o golpista que está do outro lado do balcão lhe oferecendo, aparentemente, uma graciosa vantagem.
– Você foi premiado com um carro, mas precisa passar um pix de mil reais para resolver umas pendências aqui, de ordem burocrática, coisas de umas taxas.
Tem ainda aquela onde o golpista se passa por advogado e avisa ao cliente que o processo dele foi deferido pelo juiz. Depois de anos de espera e todo encalacrado de dívidas, o falsário pega a pessoa de espírito desprevenido, sem desconfiar da esmola.
Muitos estelionatários virtuais vendem imóveis, lotes de terrenos e outros tantos bens que nem existem, e isto por preços atrativos. Por estas e outras, meu amigo, carregue sempre em seu alforje, ou em sua mente, de que quando a esmola é demais, o santo desconfia.














