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Quem é este “Coronavid”? . Por Jeremias Macário

“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA

Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.

Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.

O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.

Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.

Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.

Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.

Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”

Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.

espaco cultural a estrada (5)

Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.

CLIQUE AQUI para saber mais sobre o espaço cultural de Jeremias Macário.

A CEGUEIRA IDEOLÓGICA POLÍTICA É COMO FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO

  Um aponta o dedo para o outro e os dois negam seus malfeitos, sujeiras e corrupções. No Brasil de hoje existe uma cegueira ideológica onde pessoas, sejam de esquerda ou de direita, compactuam com o político da sua corrente, do seu partido, mesmo sabendo que ele está envolvido em irregularidades, falcatruas e atos ilícitos.

  Esta cegueira, por questão ideológica, faz o cidadão de bem, de caráter e honestidade perder a razão, trair sua própria formação e apoiar o indivíduo que comete desvio de conduta. Ele coloca sua ideologia acima daquele que age com desonestidade. O radicalismo político é como o fundamentalismo religioso. Os dois são irmãos siameses.

Numa discussão, a pessoa radical procura fazer vistas grossas e argumentar que o corrupto é inocente, que as acusações contra ele são infundadas, que não passam de perseguições políticas e são apenas ilações.

   Ele não consegue aceitar que a nota que recebeu é falsa, mesmo tendo a confirmação de um perito no assunto. O radical não muda de opinião e não tem diálogo porque acha que não deve dar o braço a torcer para seu opositor. Em seu imaginário, tal atitude de reconhecer o erro seria uma fraqueza e humilhação.

  A ideologia cega é um grande mal para os bons, para os sérios e para aqueles que sempre combatem a corrupção. É como consentir que tal governante rouba, mas faz, principalmente se for em prol do desenvolvimento social em nome do povo.

  – Ah, ele está sendo investigado, mas está fazendo um bom trabalho em defesa dos mais pobres, dos excluídos, da democracia e luta pela liberdade de expressão e pelo avanço da igualdade, como se tudo isso justificasse suas ações imorais.

   Confesso que não consigo entender determinados posicionamentos de ideólogos de esquerda que tentam acobertar, negam ou evitam citar crimes praticados por gente da sua mesma ideologia. Isso também acontece no caso inverso quando se trata da direita ou de centro.

  Por muitos anos, membros do Partido Comunista, principalmente o francês, por pressão dos radicais, com medo do expurgo e até de serem mortos, procuraram esconder e desmentir os crimes sanguinários praticados por Stalin na União Soviética contra seus opositores.

  Por ser de esquerda, que por princípio prega a honradez, a seriedade e a justiça social para todos, o ato de corrupção é bem mais grave e merece mais repúdio do que a ladroagem advinda de um elemento de direita não confiável porque deste não se espera muita coisa em termos de lisura.

   Prezo mais pela boa formação, aquela de berço, passada de pai para filho, vinda dos mais antigos que honravam com a palavra dada do que ter ideologia de esquerda e ser salafrário, mentiroso, enganador de promessas, do tipo que fala uma coisa e faz outra por debaixo do pano.

É QUE NEM…

  • (Chico Ribeiro Neto)

    Foi que nem um saco de pipoca domingo de tarde, chupar um caju vermelho e tomar uma cerveja bem gelada.

    É que nem você chegando de viagem, perder o medo de visagem e acender a luz no escuro.

    Foi que nem viajar no por do sol, vestir a velha calça ou tomar um sorvete de cajá.

    Que nem melancia aberta na hora, você chegou em boa hora, e aí rumbora.

    Como a lua chegando, um prato de andu com carne do sol e ver um girassol.

    Foi que nem ver o rio cheio, o coração vazio e o tio que deu um constipio.

    Que nem a curva do rio, a primeira namorada e a estrada esburacada.

    Como a estrela caindo, um cavalo passando e ela mergulhando.

    Foi igual a um beijo roubado, um soco bem dado e um tapa desferido.

    Como a feira de manhã, sonhar com onça e abrir uma manga rosa.

    Que nem acordar achando que a vida é boa, resolver andar à toa e o concerto dos sapos na lagoa.

    É que nem o olho do peixe, o rabo do macaco e o sofrimento da tartaruga.

    Como mordida de marimbondo, o grito furibundo e o olhar do moribundo.

    Foi como a cortina que voa, a água que escoa e aquela canoa.

    Foi que nem o canto do aniversário, o curió na janela e a voz dela.

    Parecia uma cantiga longe, mas estava bem perto.

 

O BAMBUZAL DA UESB

  Não são somente os prédios da Uesb que encantam, se bem que dentro deles brotam o conhecimento e o saber que devem ser compartilhados para os demais e não apenas ficarem fechados entre as quatro paredes dos próprios acadêmicos, o bambuzal, praticamente em sua entrada, passa uma sensação de que se está entrando no fundo de um túnel onde do outro lado está a luz. Sempre que tenho que ir à instituição superior de ensino, vem logo à minha cabeça o prazer de transitar ali por dentro bem devagar para apreciar a beleza poética da natureza. No momento, também me faz lembrar do lindo bambuzal na entrada do Aeroporto Internacional de Salvador, que deveria ter o nome de Castro Alves. É sempre prazeroso e faz bem ao espírito. O bambu, que tem sua origem há cerca de 65 milhões de anos, no final do período Cretáceo e início do Terciário, com dispersão na Ásia e nas Américas, é uma planta que balança, mas não cai, enverga, mas não quebra. Devemos ser como o bambu diante das intempéries da vida passageira, cuja morte a chamamos de a tirana. De acordo com pesquisas científicas, a China foi o primeiro local a cultivar a planta em larga escala, há mais de cinco mil anos. No Brasil existem mais de 260 espécies nativas do bambu, conhecidas como taquaras, usadas por povos indígenas. A palavra veio do Oriente, derivada de um idioma da Malásia. O bambu é uma das matérias primas mais versáteis do planeta. Pela sua resistência, é utilizada na engenharia e até na alimentação. Ele também recebe o nome de “aço verde”, substituindo a madeira e até o ferro em estruturas. Também é aproveitado na fabricação de móveis e objetos decorativos, como luminárias, persianas e cestos. As fibras podem ser transformadas em tecidos macios em roupas, lençóis e toalhas. O broto é um alimento tradicional e nutritivo na culinária asiática. No meio ambiente, o bambu sequestra grandes volumes de carbono e é usado ainda na produção de carvão vegetal de alta qualidade, bem como na industrialização de papel. Na cultural oriental chinesa e japonesa existem diversos provérbios, como “o bambu que se curva é mais forte que o carvalho que resiste”, “ o bambu curva-se, mas não quebra”, “o bambu leva anos para criar raízes, mas depois cresce em semanas”, “Para aprender sobre o bambu, vá até o bambu” e “seja como o bambu: oco por dentro para manter o coração leve”.

ERRANTE…TOCA PRA MIM…

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Queria ser

Um errante mochileiro,

Solitário furando fronteiras,

Girar o mundo inteiro,

Guerrear contra o capital,

Disseminar a paz e o amor,

E combater a injustiça social.

 

Aqui fiquei em meu terreiro,

No riscado do meu facão,

Nesta aldeia de meeiro,

Assistindo passar a procissão.

 

Para curar esta minha dor,

A agonia da minha alma,

Toca pra mim

Uma canção sideral,

Que me faça estrela

A navegar

Neste infinito universal.

 

Toca, toca pra mim

Uma música celestial,

Para que leve seu som

Até meu suspiro final.

 

Serei um viajante errante,

Quem sabe no outro além;

Encontrarei a minha flor,

Para me responder quem sou.

 

Toca, toca pra mim,

Aquele canto divino,

Na guitarra, gaita ou violino.

BATE-BOCA E FALTA DE VERGONHA

 Que coisa horrível, ver uma corte chamada de Supremo e ainda de Guardião da Constituição num lamaçal! O que se viu foi um comitê político dividido em correntes diferentes, num bate-boca onde todos falam ao mesmo tempo. Uma vergonha para a nação!

  O tumulto me fez lembrar daqueles “babas” ou “rachas” de várzeas de pontas de ruas que viram total confusão na disputa da bola quando alguém comete falta na pequena área e o juiz perde o controle da situação.

   Foi pênalti, ou não foi? Para uns sim, para outros, não. Muitos entraram solando na dividida, com chuteiras de pregos. “Saíram faíscas” para todos os lados” dos brutamontes pernas de paus.

   Lembram do julgamento do “Mensalão”, em 2012/13, quando o relator da Ação Penal 470 Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Melo bateram boca? Os dois trocaram ofensas verbais durante uma votação sobre a dosimetria de penas dos réus.

  Num momento de tensão e exaltação, a palavra “salafrário” foi usada no plenário, no que foi repreendido pelo colega Barbosa. As farpas também aconteceram entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski que era revisou do processo e chegou a ser acusado de praticar “chicana”.

  Pelo visto, o Supremo Tribunal Federal (STF) é, por assim dizer, reincidente no crime, mas a sessão desta terça-feira superou todos os limites, ao ponto de ter ocorrido dedo em riste, um chamando o outro de mentiroso, sem contar os palavrões, como se fossem moleques de rua.

   O bafafá foi tão grande que a ministra Carmem Lúcia, atualmente a única mulher a fazer parte do STF, se disse envergonhada e pediu desculpas aos brasileiros pelas cenas tão tristes. Dessa vez, o Supremo abriu suas vísceras contaminadas e sujas para toda nação.

  O presidente Edson Fachin, como árbitro da “pelada”, aparentemente sério e sóbrio, não teve pulso para conter os baderneiros e deixou o falatório correr solto. Não tiveram a mínima decência de seguir a máxima do ditado popular de que “quando um burro fala, o outro fica calado”.

    O pior de tudo é que o “jogo” não terminou e tudo indica que vem aí mais imoralidades, impropérios e xingamentos, e quem sabe, tabefes e murros. Pelo andar da carruagem, os próximos capítulos prometem e vão se tornar no programa de maior audiência na televisão.

  Os cidadãos sérios se sentem envergonhados, mas o ser humano em geral adora assistir esse tipo de espetáculo ao estilo comédia-trágica grega e até torce para quem grita mais. Como no decorrer da Revolução Francesa, a assembleia se dividiu entre esquerda e direita. Me recuso a entrar neste recinto.

  Se essa turma tivesse respeito, tiraria suas togas e pediria para sair de campo, mas isso não vai acontecer porque eles se acham intocáveis e que não devem ser investigados em suas sujeiras e tramoias.

Quem deve mesmo estar dando risadas e gargalhadas da cadeia é o tal do Vocaro que, com seu dinheiro sujo, saiu por aí espalhando lambanças e conseguiu criar todo esse furdunço. Ambição, dinheiro e poder são irresistíveis, do jeito que o satanás gosta!

“QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO”

      Gosto muito dos ditados populares que me fazem lembrar dos mais velhos, dos nossos ancestrais. Sempre ouvi esse quando a pessoa estava no aperto e precisava encontrar uma saída para o problema, só que é complicado caçar com um gato.

  É uma maneira de falar para a gente se virar da forma do possível. Sou também adepto do ditado “antes só que mal acompanhado” e que me perdoem os protetores dos animais, não dá para confiar no gato.

  Tem aquele de “enfiar o pé na jaca” quando alguém numa festividade, evento ou numa roda de bar bebe além do limite e se embriaga. Pode ser comilança exagerada quando a pessoa se empanturra e por aí vai.

   Pise no rabo de um gato, mesmo sendo o dono, e ele avança em você rasgando sua pele com as unhas e ainda morde. No cachorro, ou cão, ele sai de manso e não lhe ataca.

   O felino é por natureza individualista, egoísta, fica na dele e não é amigo fiel do dono. Só não me agrada esse povo chamar o bicho de meu filho, principalmente as madamas, chegando a deixar de lado seu próprio rebento sangue do seu sangue.

Quanto a esse negócio de não ter cachorro e caçar com gato, um matuto sertanejo levou a sério e colocou sua ação em prática. Na falta do cão farejador, ele foi com o gato. Dentro do mato ele soltou o bichano que sumiu sem deixar pistas e miados.

  Ele ficou só com a espingarda e o seu dia não foi da caça. Ao cair da noite, ao pôr-do-sol, voltou para casa de mãos vazias e nada de gato aparecer. Dois ou três dias depois ele surge de soslaio se esgueirando pelos cantos, de barriga cheia, todo envergonhado.

  Na certa se empanturrou de nambus, perdizes e outros animais menores e se esqueceu do dono. Fosse o cachorro, avisava com seu latido e ainda trazia a caça para seu amigo. O caçador olhou para o gato, fez suas matutadas e tratou logo de arranjar um cachorro.

   Essa coisa de fazer arranjos e armengues quando não se tem a ferramenta principal para lhe ajudar, não dá certo. É só pepino! Quando não se tem cachorro, melhor mesmo é ir só, ou não se arriscar, do que levar o gato.

  Talvez essa expressão popular da nossa cultura explique o esquema de fazer “gato” numa rede de energia elétrica puxando um fio ou cabo clandestino para sua casa ou comércio.

Geralmente não dá certo, corre-se o perigo de um incêndio com altos prejuízos, sem contar que é um crime de contravenção. O mesmo se faz com a empresa de água e programas de internet e televisivos via aparelhos contrabandeados.

  Não vá nessa onda de caçar com gato que é uma barca furada. Se não tem o cachorro, melhor usar outros métodos mais confiantes e convencionais do que levar um gato que vai terminar lhe deixando na mão. Melhor mesmo é ser cachorro do que gato, mas dizem que o felino é mais astuto, sagaz e mais rápido para dominar sua presa.

 

O FURDUNÇO NO SUPREMO

Houve tempo em que o Supremo Tribunal Federal (STF) era uma das instituições de maior credibilidade no país junto à Polícia Federal. Hoje se tornou uma vergonha, uma imoralidade e um furdunço que deixou toda nação brasileira estarrecida. Mais parece um comitê político dividido, cada um com seu candidato.

Essa deterioração de desvios de conduta e do princípio maior de guardião da Constituição já vinha ocorrendo nos últimos anos quando os ministros, com raras exceções, deixaram infiltrar em seu seio a política partidária. Ela foi corroendo o ambiente e separando seus membros entre o ódio e a intolerância, como no Brasil atual.

Quando eles mesmos abrem a boca e dizem que o Supremo é um poder independente que julga com isenção e imparcialidade, mentem para si mesmos e para toda sociedade. Virou um grupo político, cada um com sua tendência de esquerda, centro e direita.

Fosse um anjo enviado por Deus para salvar Gomorra da sua perdição orgística, diria ao Supremo Criador que somente livraria do fogo ardente uma mulher e um homem e recomendaria que eles não olhassem para trás se não quisessem se transformar em pedras de sal.

Está difícil arrumar a bagunça e catar os cacos dos destrambelhados e trapalhões. Não queria estar na pele do presidente Edson Fachin. A única solução seria a suspenção ou “demissão” de alguns, que ele não tem essa prerrogativa, de modo a tirar as frutas podres do cesto. Teria que refazer quase toda a corte.

Se tivessem hombridade, vergonha na cara, como o oriental japonês quando comete um malfeito e se sacrifica, no mínimo deixariam suas togas e pediriam para sair pelo bem do país e harmonia dos poderes, mas eles não largam o osso e preferem permanecer desmoralizados.

Se o Supremo é o protetor da Constituição, somente a ela deve satisfação e não ao executivo ou ao legislativo. Em minha opinião, e acho que de todos brasileiros de sã consciência, usando das suas faculdades mentais e razão lógica, ministro nenhum deve se envolver com política partidária. Os julgamentos e as sentenças devem ser técnicos e justos, não importando qual governo seja.

Para evitar essa contaminação pelo vírus letal da política, ministro não deveria ser indicado por presidente nem Senado, não ser vitalício até os 75 anos, de modo a não criar raízes apodrecidas em suas cadeiras ou poltronas confortáveis. Seu tempo seria no máximo de oito anos.

Existem três castas de poderes no Brasil e o Judiciário é uma delas, que há séculos atravancam o desenvolvimento social, aprofunda as desigualdades e concentra a renda nas mãos de poucos. Parem cara pálidas de falar que o povo é o patrão. Não passamos de súditos e escravos submissos.

O povo é apenas inocente útil nessa democracia mambembe tupiniquim. Se a população fosse literalmente patrão, arrancaria de lá os maus elementos, como o Alexandre, o Mendonça, o Gilmar Mendes engavetador de processos, o Tofolli e outros que mais deveriam estar no legislativo fazendo seus conchavos.

Pelas minhas humildes origens de filho de lavradores, sempre fui um socialista de esquerda e, pela minha formação que meus pais me deram, jamais compactuaria com um ministro de Supremo ligado à política partidária. Aquela Casa deve ser um templo sagrado da Constituição, livre das sujeiras mundanas e profanas.

Aquele tapete luxuoso da plenária, que não condiz com a pobreza do país, está cheio de ratos, ácaros e outros insetos. Com esses escândalos e decisões monocráticas de viés tendencioso, não é uma sessão para avaliar as escutas da Polícia Federal que irá restabelecer a ordem e a credibilidade. O estrago já foi feito. Não se cola uma taça de cristal quebrada.

Diante de todo esse furdunço macabro, como na Operação Lava-Jato, corre-se o risco dos processos contra aqueles que atentaram contra a democracia e a favor de uma intervenção militar, com as invasões do oito de janeiro de 2023, serem anulados com mais uma anistia, como aconteceu em 1979, beneficiando até torturadores da ditadura.

Os incautos deveriam baixar a cabeça e humildemente pedir perdão à toda nação por serem os verdadeiros culpados que fizeram do Supremo um furdunço ou num puteiro da Casa de Maria Joana. Estamos numa encruzilhada entre várias veredas que nem macumbeiro dos bons sabe indicar o caminho de saída.

Nem a esquerda e nem a direita devem colocar uma tarja preta nos olhos e defender o seu malfeitor que quebrou seu juramento e não honra a toga que vestiu. Se nem os brasileiros pensam em seu país, e tão somente em seus interesses egoístas individuais, temos uma tropa de traidores, uns explícitos, e outros incubados enrustidos.

OS CANGACEIROS NA VISÃO DA ESQUERDA

  A miséria e as injustiças sociais no Nordeste, a vingança entre famílias, o poder dos latifundiários, o domínio dos chefes políticos e as secas foram os principais fatores que deram origem à violência e ao cangaço. Afinal, o homem é produto do meio.

O cangaço não tinha ideologia política definida de tendência esquerdista comunista. Seus membros eram desprovidos dessa noção revolucionária. Os bandos, especialmente os chefiados por Lampião, eram exímios guerrilheiros das caatingas, mas não revolucionários, com propósito de derrubar o poder constituído.

   Antônio Silvino, o “Rifle de Ouro” (1875-1944) foi um bandoleiro sanguinário que entrou no cangaço movido pela morte do pai e as brigas entre proprietários de terras; Jesuíno Brilhante (1844-1879), o primeiro cangaceiro, tido como “romântico” (Robin Hood do Sertão), roubava dos coronéis para ajudar os famintos da seca; Sinhô Pereira (1896-1979), de família rica e nobre,  ingressou por vingança na briga entre os Pereira e Carvalho; e Lampião (1898-1938) foi instigado a entrar no cangaço pela perseguição do fazendeiro José Saturnino à sua família.

  Nenhum, aparentemente, possuía motivos ideológicos políticos no sentido de lutar para derrubar os poderosos e protestar contra a opressão imposta aos sertanejos, abandonados pela ausência dos governantes, embora suas ações revelassem formas de revolta e rebeldia contra estes senhores. Deles o banditismo tirou proveito para si, cada um usando suas razões individuais para fazer fortunas.

  No entanto, a esquerda daquela época, tendo como expoente Luis Carlos Prestes, e ainda muitos nos tempos atuais, via e vê o bando de Lampião como guerrilheiros revolucionários enfrentando o Governo em defesa dos sofridos camponeses.

Talvez por desconhecimento ou estratégia para reforçar suas tropas, os revolucionários tentaram incorporar os cangaceiros às suas forças. Um grupo isolado chegou a formar um bando, mas fracassou. Dentro do contexto do Nordeste daquela época, messiânico e religioso, era difícil introduzir uma doutrina revolucionária socialista.  Padre Cícero, o senhor do sertão, era inimigo número um de Prestes que poderia ter sucesso se os cangaceiros o seguissem.

  Em 1926, durante sua passagem pelo Nordeste, a Coluna Prestes “paquerou” o “rei do cangaço” várias vezes com seus bilhetes para que ele se engajasse às suas causas, considerando que Lampião também era um guerrilheiro revolucionário e podia derrubar o poder.

Até pelo seu baixo nível de instrução, o bandoleiro não tinha ideia dessa essência ideológica política de Carlos Prestes. Ele foi sendo empurrado pela violência nordestina. Tornou-se cangaceiro cruel não para tirar a pobreza da miséria em que vivia. Não tinha ideais socialistas e usou toda sua força para extorquir políticos e grandes proprietários, inclusive do comércio.

Antônio Silvino, por exemplo, foi o único cangaceiro a atacar os senhores de engenho do litoral nordestino. Todos eles fizeram suas fortunas que depois caíram nas mãos dos soldados e oficiais corruptos. Repartiam migalhas com os pobres para obter deles a admiração como heróis.

Lampião e seu bando, influenciados pelo deputado Floro Bartolomeu e o Padre Cícero, o “Padim Ciço” , inimigos ferrenhos dos comunistas, entraram nos “Batalhões Patrióticos” para combater a Coluna, em troca do título fajuto de “capitão” e dos armamentos.

  Quando a Coluna Prestes se debandou para a Bolívia e Prestes fugiu para Moscou, na Rússia, ele passou a ideia aos bolchevistas de que Lampião e seus cangaceiros poderiam ajudar a fazer a revolução no Brasil pela força que exerciam na região e esta ideia perdurou até a Intentona Comunista de 1935.

  As cabeças decapitadas de Lampião, Maria Bonita e muitos de seus cabras, mortos no combate de Angico, em 1938, ficaram por um tempo em Maceió e depois foram transferidas para o Instituto Nina Rodrigues, em Salvador.

  Em 1959, conforme assinala a jornalista e escritora Adriana Negreiros em sua obra “Maria Bonita”, os jornais dos Diários Associados promoveram uma campanha pelo sepultamento das cabeças, somente ocorrido em 1969.

  Essa campanha contou com figuras ilustres da esquerda, a exemplo do deputado estadual Francisco Julião, de Pernambuco, líder das Ligas Camponesas, movimento em prol da reforma agrária que nunca aconteceu no Brasil.

 Chocado com o que vira em Salvador, em sua visita ao Museu Antropológico Estácio Lima, o deputado Julião defendeu o enterro das cabeças, sobretudo pelo respeito que lhe inspirava a figura histórica de Lampião, para ele, o primeiro homem do Nordeste, oprimido pela injustiça dos poderosos a batalhar contra o latifúndio e a arbitrariedade. Em sua opinião, o cangaceiro chefe foi símbolo de resistência política.

  Interessante que o grande historiador inglês (nasceu em Alexandria, no Egito e viveu na Áustria e Alemanha) Eric Hobsbawm (1917-2012), marxista convicto, em seus escritos, fazia esta mesma leitura em relação a Lampião e outros bandoleiros famosos que agiram em outros países. Hobsbawm os incluía na lista de revolucionários que se levantaram e protestaram contra as injustiças do sistema capitalista.

O BOI QUE PAROU UMA AVENIDA

(Chico Ribeiro Neto)
Um boi na pista causou um engarrafamento de três horas na Avenida 23 de Maio (região central de São Paulo) até ser laçado por um sargento do Corpo de Bombeiros.
O curioso é que, mesmo depois de amarrado, o boi continuou provocando lentidão no trânsito, porque os motoristas passavam devagar para ver o animal capturado.
Uma veterinária foi entrevistada pela Folha de S. Paulo e explicou que “ainda é uma incógnita o trajeto que o boi fez para chegar à avenida”. Engraçado foi o mapinha feito pela Editoria de Arte do jornal, mostrando “as áreas afetadas pelo boi”, citando as vias que tiveram tráfego lento.
O boi mexeu com o centro de São Paulo e chamou a atenção de todo mundo. Muitos, ao verem o engarrafamento que durou das 7 às 10 da manhã, se perguntaram o que era: greve de ônibus? Passeata dos bancários? Algum novo jacaré que veio andando lá do Tietê?
A pergunta da veterinária me deixa matutando sobre de onde teria vindo aquele boi. Será que era o “boi voador” da música de Chico Buarque? “Manda prender esse boi/seja esse boi o que for”.
Os animais surpreendem com suas aparições inesperadas. O gato que desce do muro num salto, os cachorros que resolvem “cruzar” na frente do convento, a galinha que entra pela janela da casa, o passarinho que faz cocô na sua cabeça, o boi que aparece no meio da avenida e o chipanzé que fugiu do caminhão de um circo e pulou de uma vez no capô de um carro.
Estas aparições tiram a gente do sério, é a natureza interferindo na fria rotina dos homens, a nos sacudir para o inesperado da vida.
“Uma flor nasceu na rua”, diz Drummond em seu belíssimo poema lembrando como passa “o rio de aço do tráfego”.
De vez em quando, surge uma novidade,  um animal ou uma flor, para bagunçar o coreto, engarrafar uma avenida e arrancar olhares estupefatos.
Naquele dia, centenas de paulistas chegaram ao trabalho com uma novidade pra contar. Se demora um pouco mais, o boi ganharia nome, camisa do Corinthians e poderia até ser perseguido violentamente por quem nunca mais viu um quilo de carne. Toureiro era o que não faltava para essa “farra do boi”.
O boi que apareceu na Avenida 23 de Maio, na semana passada, tinha uns quatro anos, pesava cerca de 200 quilos e,  segundo a veterinária, estava “passando bem”. Certamente um pouco estressado de ver tanto carro e pouco mato.
O animal foi recolhido ao Centro de Zoonoses da prefeitura. O dono do boi tinha cinco dias para se apresentar e retirá-lo. Caso não aparecesse, o boi seria leiloado. A avenida que foi pasto por três horas retornou à sua vidinha de trânsito.
(Crônica publicada no jornal A Tarde em 2/10/1991).

A UNIVERSIDADE É NOSSA

  Não sei se é coisa só da minha cabeça, uma opinião isolada, mas entendo que a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, criada por decreto em 1980, a partir do curso de Formação de Professores, precisa interagir mais com a sociedade conquistense. A vejo como um corpo acadêmico fechado de pensadores que discutem teorias e teses entre si. Lembro que quando aqui cheguei, em 1991, ir à Uesb era como fazer uma pequena viagem dentro de uma capoeira de chão batido. Tudo isso deixou de existir com a expansão da Avenida Olívia Flores e a instalação de instituições e empresas, conectando a Uesb à cidade em termos físicos. No entanto, a distância do conhecimento e do saber não me parece ter mudado. Sei que a Universidade realiza muitos projetos de extensão e outras atividades no campo econômico, cultural, social e político, mas existe uma sensação de que a comunidade não entra como participe e pouco usufrui de seus programas. Em seu Colegiado ou Conselho não poderia caber representações da sociedade? Como a Universidade é nossa, porque é paga pelo contribuinte, os membros dessa sociedade não deveriam também ter o direito em algumas decisões internas, como na votação da reitoria? Em Vitória da Conquista, infelizmente, só existem dois museus, o Regional, na Praça Tancredo Neves, e o Padre Palmeiras, na Praça Sá Nunes, administrados pela Uesb e poucos eventos são realizados naquelas unidades. Sinto que existem poucos projetos de desenvolvimento do município capitaneados pela instituição de ensino. Isto é falha do poder público, uma questão política que deixa de realizar convênios? É a sociedade que tem que buscar a Uesb, ir até ela, ou vice-versa? São questionamentos que precisam ser esclarecidos, mas Conquista poderia ser mais beneficiada pela Uesb no sentido de melhorias da sua infraestrutura, principalmente com projetos direcionados aos bairros mais carentes das periferias.  A impressão é que a Uesb não faz parte da cidade. É um debate que precisa ser provocado. Sabemos que dentro da Uesb existem correntes políticas que talvez impeçam um melhor relacionamento com a sociedade.





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