“ANDANÇAS” TAMBÉM É MÚSICA
Não são só causos, contos e histórias, numa mistura de ficção com realidade, o novo livro “Andanças”, do jornalista e escritor Jeremias Macário, também tem poemas, muitos dos quais começam a ser musicados por artistas locais e de outras paragens do Brasil, como de Fortaleza, no Ceará.
Do título “Na Espera da Graça”, que fala do homem nordestino que sempre vive a esperar por tempos melhores, o cantor, músico e compositor Walter Lajes extraiu de sua viola uma bela canção, numa parceria que fez com o autor, com apresentação em vários festivais.
O músico e compositor Papalo Monteiro se interessou por “Nas Ciladas da Lua Cheia”, uma letra forte que descreve os políticos na figura de bichos que, de quatro em quatro anos, aproveitam as eleições com promessas vãs para se elegerem.
Tem “O Balanço do Mar”, um xote que lembra passagens de nossas vidas, e “Lágrimas de Mariana”, um belo poema triste sobre a tragédia do rompimento da barragem da Samarco, lá em Mariana (MG), musicados e cantados pelo amigo parceiro Dorinho Chaves.
Lá de Fortaleza, Ceará, os companheiros Edilson Barros e Heriberto Silva realizaram uma parceria musical aproveitando a letra “A DOR DA FINITUDE”, que versa sobre um tema que pouca gente gosta de abordar, que é a morte, e filosofa que tudo passa, tudo muda e tudo se transforma. Outros poemas estão sendo trabalhados para entrarem no rol das letras musicadas, inclusive do novo livro “ANDANÇAS”.
Essa é uma parceria com o amigo poeta e músico, baiano de Alagoinhas, Antônio Dean, que há muitos anos reside em Campina Grande da Paraíba com sua família, fazendo sucessos e cantando com sua profunda voz, a cultura nordestina para todo o Brasil.
Conheça o Espaço Cultural “A Estrada”
Com 3.483 itens entre livros (1.099), vinis nacionais e internacionais (481), CDs (284), filmes em DVDs (209), peças artesanais (188) e 106 quadros fotográficos, dentre outros objetos, o “Espaço Cultural a Estrada” que está inserido no blog do mesmo nome tem história e um longo caminho que praticamente começou na década de 1970 quando iniciava minha carreira jornalística como repórter em Salvador.
Nos últimos anos o Espaço Cultural vem reunindo amigos artistas e outras personalidades do universo cultural de Vitória da Conquista em encontros colaborativos de saraus de cantorias, recitais poéticos e debates em diversas áreas do conhecimento. Nasceu eclético por iniciativa de um pequeno grupo que resolveu homenagear o vinil e saborear o vinho. Assim pintou o primeiro encontro do “Vinho Vinil” com o cantor e compositor Mano di Sousa, os fotógrafos José Carlos D`Almeida e José Silva entre outros convidados.
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LAMPIÃO TENTOU SE REGENERAR
Durante seus 20 anos de cangaço por vários estados nordestinos (Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia, Alagoas e Sergipe), por diversas vezes, Lampião, o “rei do cangaço”, tentou se regenerar e deixar a vida de bandoleiro que levava. No jeito sertanejo nordestino de ser, foi até considerado um religioso beato, com suas rezas e devoções, especialmente a da “Pedra Cristalina”, para fechar seu corpo.
É vasta a literatura sobre o cangaço a partir dos cordelistas, mas muitos escritos não são confiáveis. O primeiro livro publicado sobre Lampião pela imprensa oficial da Paraíba, em 1926, intitulado “Lampião, sua História”, possivelmente foi escrito por Érico de Almeida. Outros atribuem a João Suassuna, na época governador da Paraíba.
Sobre abandonar o cangaço, de acordo com a maioria dos escritores e historiadores, inclusive Billy Chandler, em “Lampião, o Rei dos Cangaceiros”, seu primeiro lampejo em se regenerar foi quando esteve em Juazeiro do Norte, em 1926, com o padre Cícero Romão, o seu “Padim Ciço”, que lhe deu bons conselhos nesse sentido.
Os sertanejos o admiravam como homem de palavra, embora mudasse muito de opiniões em suas entrevistas. Enquanto dizia ao padre Cícero que queria se regenerar, confidenciava a um jornalista que o cangaço era um bom negócio e que nunca pensara em abandoná-lo. Retornou para falar com seu admirado padre, em 1926, mas este recusou em recebê-lo.
Em outras ocasiões, quando interrogado se planejava continuar pelo resto da vida, afirmou que talvez tentasse outra coisa, como ser grande comerciante ou fazendeiro. Expressou até seu desejo de ser governador e presidente da República, estimulado pela fama de suas façanhas e pela própria imprensa.
Em 1929, porém, em Capela (Sergipe), tornou a repetir que a vida no cangaço era agradável. Antes de fazer esta declaração, entretanto, revelou a um entrevistador, em Tucano, na Bahia, que a vida não era boa. Tenho sofrido, mas, em compensação, gozado bastante.
No início de sua carreira como bandido profissional, em 1921, aconselhou a um grupo de jovens rapazes a não seguir seu exemplo. Em 1925, a algumas pessoas, destacou que sua entrada para o cangaço fora uma desgraça e que nascera para ser fazendeiro e não cangaceiro.
Quando estava se recuperando de seus ferimentos na fazenda de Marcolino, em Princesa (Paraíba), por volta de 1924, entrou em contato com o padre José Kehrle e pediu que levasse um recado ao comandante da tropa de Pernambuco, Teófanes Torres, o tenente que prendeu Antônio Silvino, em 1914.
Segundo o padre, Lampião ofereceu se entregar à polícia em troca da garantia da sua vida e a de seus homens. Teófanes prometeu garantir sua vida, mas não fez a mesma promessa a respeito de seus companheiros, Então, Lampião não aceitou. O próprio padre Kehrle tentou persuadi-lo em deixar o cangaço.
O velho cangaceiro Sebastião Pereira, o “Sinhô Pereira”, que foi chefe e ensinou muita coisa a Lampião, contou que no meado da década de 1930 lhe escrevera, convidando-o a abandonar o cangaço e ir para Minas Gerais, onde seu mestre estava morando, para viver sob a proteção do irmão do governador. Lampião nunca respondeu a carta.
Conforme descreve Billy, teria sido mais fácil Lampião ter saído do cangaço em seus primeiros anos de banditismo quando a campanha de Pernambuco chegou a ser tolerante com ele. Com a morte do pai pela polícia alagoana, chefiada por José Lucena, em meado dos anos 20, Lampião desabafou que iria morrer no cangaço.
Com o reforço das tropas de Pernambuco e outros estados, visando capturá-lo, principalmente depois de 1930, no Governo de Getúlio Vargas, a possibilidade de regeneração tornou-se ainda mais remota.
Em 1928, por exemplo, falou em Tucano (Bahia) que gostaria de deixar o cangaço se encontrasse alguém que o protegesse, mas acrescentou, que não conhecia ninguém nestas condições.
Em Capela (Sergipe) chegou a ser enfático de que era tarde demais para deixar de ser cangaceiro. Como prova desta atitude, segundo Billy Chandler, levava consigo sempre um vidrinho de veneno em seu embornal, para ser usado caso fosse capturado. Este vidro estava com ele em Angicos, quando foi morto em 1938.
Um ano antes, ao seu irmão João, disse que lutaria até morrer. Nesta época, Lampião, com 40 anos, não era mais o mesmo. Além dos problemas nas vistas, sofria dos rins e reumatismo.
João revelou que ele parecia velho e cansado e até o aconselhou a deixar o cangaço e se recolher num lugar distante onde não seria reconhecido. Lampião respondeu que era conhecido demais para se esconder e que não tinha confiança bastante em seus amigos.
Apesar de tudo, acalentava a ideia de voltar a uma vida normal. Dadá, mulher de Corisco, contou, certa vez, que Lampião dissera que deixaria o cangaço se Eronides, governador de Sergipe, seu amigo, fosse eleito presidente da República.
Contam muitas histórias sobre ele, inclusive de que se julgava capaz de ser outra coisa que um simples bandido errante. Falou uma vez em alistar uma tropa de mil homens para lutar com as polícias de Pernambuco e Paraíba, com a finalidade de conseguir anistia para si e para seus homens.
Imaginava ser governador de um novo estado sertanejo, formado de partes da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Expressou até o desejo de ser presidente da República.
Com suas estratégias, liderança e táticas de guerrilha, se Lampião fosse instruído e tivesse consciência político-social teria feito uma verdadeira revolução e até tomado o poder executivo, sempre uma calamidade por muitos que exerceram a função nacional.
“LÁ ELE!”
Chico Ribeiro Neto)
O “lá (ele” é uma expressão tipicamente baiana para reagir a frases de duplo sentido, insinuações sexuais ou brincadeiras. Significa “tô fora”, “não é comigo, é com outra pessoa”.
Fui comprar cinco espigas de milho para cozinhar. Cheguei na loja de hortifrútis e pedi ao empregado para descascar uns milhos para mim. Como sempre gosto de um pouco da palha do milho dentro da panela, pois dá mais gosto, falei pro cara: “Irmão, por favor, deixe um com palha e tire a palha de quatro pra mim”. “Lá ele. Isso eu aí eu não faço, não”. Somente aí caiu a ficha.
Algumas situações que cabem responder com “lá ele”:
“O senhor vai tomar sentado ou em pé?”, pergunta o garçom a quem você pediu uma cerveja.
“Quer receber agora ou pra semana?”, pergunta alguém sobre um pagamento a ser feito.
“Vai levar agora?”
Dois caras montando um sofá: “Você segura que eu empurro”.
O passageiro grita no ônibus: “Motorista, abra o fundo aí”. E o motorista: “Lá ele cinco mil vezes”.
Como diziam os antigos, “esse povo leva tudo pro buraco da maldade”.
“Rapaz, esse negócio entrou com força”.
“Vou ali comer”.
“É pra botar embaixo ou em cima?”, pergunta o empregado com uma caixa na mão.
“Coloco essas compras aí ou posso colocar no fundo?”
“Vai comer aqui ou vai levar?”, pergunta o garçom do bar que serve PF.
O caixa do supermercado vai registrando minhas compras. A bandeja de ovos é o último item e ele me pergunta: “Posso passar até os ovos?”. Um “lá ele” bem dado.
Um amigo foi a uma loja de material de construção comprar um produto similar ao WD, que é mais barato. Uma moça estava no balcão e ele perguntou, sem um pingo de maldade: “Você tem aí um líquido viscoso e penetrante?” “Lá ele”, respondeu ela.
O outro comprou uma caixa de copos e o empacotador perguntou: “O senhor vai levar em pé ou deitado?”
E teve aquele que comprou um pernil e o açougueiro perguntou: “Vai levar inteiro?”
“Quando deita, você dorme logo ou leva um pedaço acordado?”
Segundo a linguística, o “lá ele” é “um marcador pragmático de distanciamento”. Expressão antiga usada na Bahia, pode hoje ser considerada de cunho machista, mas já se entranhou na boca do baiano. Lá ele!
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
DESVIOS DE FUNÇÕES DO GLAUBER
O Espaço Glauber Rocha, na Avenida Brumado, antigo Denit, foi construído no governo de Guilherme Menezes, se não me engano, nos anos 2000, com intuito de ali se tornar numa área voltada basicamente para a cultura, exposições de artes, realização de eventos e shows musicais, como o nosso tradicional São João. Além desses objetivos, o Espaço valorizou a zona oeste. Com o passar dos anos e mudanças de governos, que sempre desfazem as obras de seus antecessores, infelizmente, aquele Espaço sofreu desvios de suas funções, sem falar na festa junina que colocaram lá no Parque de Exposições, sob alegação fajuta de que tem mais capacidade de absorver mais gente. Hoje funcionam outros serviços e boxes de artesanato, pouco visitados. A área aos shows e eventos musicais se tornou num grande vazio e estacionamento de carros de particulares. Praticamente quase nada que lembre a nossa cultura e que faça jus ao nome do cineasta conquistense. A área de alimentação deixou de cumprir sua função. Até nisso a nossa cultura foi entregue às moscas. As pessoas só vão ali quando têm algum problema burocrático para resolver. É assim que querem transformar Conquista numa cidade turística? Pelo menos poderia existir uma sala de cinema, uma cinemateca e oficinas de audiovisuais em homenagem ao Glauber Rocha. Um projeto daquele porte não deveria ser apenas utilizado para prestação de alguns serviços de utilidade pública A impressão que se tem é de abandono de mais um equipamento destinado à cultura.
MODERNIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
Nesta sexta-feira (dia 22/05/2026), a partir das nove horas, a sessão ordinária da Câmara Municipal de Vereadores vai focar seu trabalho nas pautas da modernização administrativa, na educação, na juventude, mobilidade estudantil e no incentivo ao esporte.
Entre os projetos em discussão, está a proposta que dispõe sobre a reforma e atualização do Regimento Interno da Câmara, adequando as normas internas da Casa às diretrizes da Constituição Federal, Estadual e da Lei Orgânica Municipal, buscando modernizar os procedimentos legislativos.
Consta ainda da pauta o projeto de resolução que regulamenta a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados no âmbito da Câmara, estabelecendo diretrizes, competências e mecanismos internos para o tratamento adequado de dados pessoais. A proposta tem o objetivo de ampliar a proteção da privacidade, garantir transparência e reduzir riscos institucionais.
Na área da educação e da cultura, será apreciado o projeto que institui e inclui no calendário oficial do município o Dia Nacional da Juventude. A iniciativa reconhece a data como momento de mobilização social e debate sobre temas ligados à juventude, como cidadania, inclusão, educação e mercado de trabalho.
Outro projeto em análise cria diretrizes para a promoção da educação cidadã na rede pública municipal de ensino, com foco na valorização da história de Vitória da Conquista, da cultura local, do Hino Municipal e dos símbolos oficiais. Visa incentivar o conhecimento dos espaços históricos e culturais da cidade.
Na pauta, outro tema a ser debatido é a proposta que amplia o direito à meia passagem estudantil no transporte público, permitindo que estudantes utilizem benefícios em atividades além do deslocamento escolar, como cursos, capacitações, atividades culturais e esportivas.
Também será analisado o projeto de lei que institui o selo “Empresa Amiga do Esporte do Município”, com objetivo de reconhecer e incentivar empresas que apoiam ações, projetos e iniciativas esportivas na cidade.
NA ESTRADA DO SARAU
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Essa Estrada é você,
Aprender e doar,
Nosso Sarau é só saber,
Para poder chegar.
O grupo “Vinho Vinil,
A Estrada, pavimentou,
E desse cantil,
O Sarau se saciou.
Avante, avante, oh Sarau!
Estradeiros da cultura!
Com sua mensagem universal,
Como água da nascente,
Caudaloso rio corrente.
Vamos todos pra frente,
Que na Estrada vem gente!
Vamos com nossa cantoria,
Na canção da viola,
Na pegada da poesia,
Fazendo a nossa história!
Nessa Estrada do Sarau,
Nosso tema na abertura,
Nas asas do conhecer,
Somos embates e ternura,
Coisas mais lindas de ser ver.
São mais de quinze estações,
Passageiros do mesmo trem,
Cada um com sua bagagem,
Colaborando com o que tem,
Juntos unidos nessa viagem.
Avante, avante, oh Sarau,
Com sua arte no embornal!















