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A SECA E A CHUVA

Fotos de Jeremias Macário

Há pouco tempo, a paisagem no sertão era assim, só sequidão e desolação. Desesperado, com tudo perdido, o sertanejo rogava pela chuva. Rezava para São José e São Pedro. Aí, vem chuva em demasia, e o sertão seco vira mar, como na profecia do Conselheiro. Não se sabe qual dos dois castiga mais. A diferença é que na estiagem prolongada, o sofrimento é mais lento do que nas enchentes que logo se vão. No entanto, ambos geram fome e tristeza diante das perdas físicas e humanas. São justamente as adversidades que fazem do sertanejo um forte, como dizia Euclides da Cunha em seu livro “Sertões”. Esses desastres climáticos, provenientes do aquecimento global, poderiam ser minimizados se houvesse prevenções antecipadas, porque a ciência já faz suas previsões. Em outros países que investem em tecnologia e pesquisa, esses efeitos causam menos danos às pessoas. A situação é bem mais controlada. Os governantes aqui só pensam no poder e se apropriar da coisa pública, como se fosse privada. Agora são as inundações que deixaram um rastro de terra arrasada. As plantações foram perdidas, como acontece no período da seca. É pau de todo lado!

LA VIE EST AUSSI

Poeminha do jornalista e escrito Jeremias Macário

La vie est aussi,

Comme toujours, c´est fini.

O venal é um avestruz avarento,

Como se não existisse finitude,

Quer mudar a direção do vento,

E imola os ideais da juventude.

 

La vie est aussi,

Comme toujours, c´est fini.

 

Tem o passageiro farsante peru,

Almofadinha na linha do metrô,

Que imagina ser do capital guru

E não passa do sistema um gigolô.

 

La vie est toujours aussi,

Feita de sonho e de amor,

Às vezes nascida da violência,

Nas favelas dos morros da milícia,

Ou no fuzil rasante da polícia,

Que rouba da criança a inocência,

Suga o seu sangue até o fim,

E vota no patrão, sim senhor.

 

La vie est toujours aussi,

Vinda do campo ou da cidade,

Com seu tempo limite de idade,

Uns sofrendo na danada seca,

Outros no torpeço da travessia,

A vida é assim na máquina moída,

Do império ao marechal Fonseca,

Nessa república nua sem saída.

 

CHUVAS, BUROCRACIA E FESTAS

Depois das chuvas e os estragos físicos e humanos, o sofrimento das vítimas tende a se agravar. É como uma grande ressaca depois de uma bebedeira. O socorro de alimentos, vestuário e objetos de uso pessoal feito através de doações serve de alívio nos primeiros dias, mas aí entra a burocracia que impede a recuperação de prejuízos e danos materiais para quem tinha pequenos negócios como meio de sobrevivência.

A mídia faz a cobertura jornalística dos fatos que acontecem no dia-a-dia, muitas vezes até com certa dose de sensacionalismo, mas esquece de pautar matérias para averiguar se as famílias foram mesmo atendidas como prometeram os governantes. Dentro de mais um mês, ninguém fala mais nisso e nem retorna aos mesmos lugares das catástrofes e das tragédias.

Infelizmente, essa prática é um dos maiores defeitos da nossa imprensa, inclusive a nível internacional. Em nosso Brasil, ainda com maior gravidade   por causa do fantasma da burocracia que deixa muita gente para trás quando tenta recorrer ao recurso do governo para erguer sua casa, seu comércio ou adquirir utensílios valiosos que foram destruídos.

Quando se vai bater à porta da verba anunciada, o processo é sempre emperrado nas exigências de papéis e provas de que a família perdeu seus pertences. Essa medida de liberação do FGTS para o trabalhador é sempre praxe nessas ocasiões, só que milhares não dispõem desse dinheiro porque são desempregados e informais.  Se for o caso de auxílio, tem que ter o Cadastro Único, e aí muita gente fica de fora do programa.

A Bahia, o estado mais afetado, como cerca de 100 mil desabrigados e quase 700 mil afetados pelos temporais, vai ficar com uma merreca dos 80 milhões de reais do governo federal destinados para o Nordeste. Essa conversa de que é só no início, não convence. Os prejuízos são incalculáveis, e o Governo do Estado não tem condições de arcar com tudo, como conserto das estradas.

Outro fato que a nossa mídia deixa de questionar são as festas de final de ano que muitos prefeitos vão realizar. Além de ser um tremendo desrespeito diante da situação calamitosa, tem o lado da contradição com a tão decantada solidariedade do povo brasileiro, que confunde doação de cestas básicas com sentimento humano.

A prefeitura de Salvador está anunciando shows pirotécnicos em 20 pontos da capital, sem contar os gastos com músicos e cantores. O município de Porto Seguro, no sul, região mais castigada pelas chuvas, vai realizar a maior queima de fogos de artifícios de todos os tempos. Vivemos no país das contradições e dos absurdos, principalmente na Bahia, cujo cenário atual é de terra arrasada pelas enchentes.

Todo esse dinheiro que está sendo investido nas festas de final de ano não poderia ser revertido para as milhares de famílias que hoje estão sem nada e vivendo em abrigos improvisados, expostos a todo tipo de doenças, inclusive da Covid-19 e da gripe influenza? Cadê o sentido de solidariedade? Tudo isso não passa de um grande paradoxo, pouco comentado pelos veículos de comunicação, porque eles também lucram com as festividades.

 

AS CHUVAS E O DESEQUILÍBRIO CLIMÁTICO

A Bahia e Minas Gerais sendo arrasados pelas chuvas e ele de férias em Santa Catarina se aglomerando com seus malucos seguidores e declarando que não vai vacinar sua filha de 11 anos. Mais parece coisa do anticristo na figura de um Herodes que mandou matar as crianças na Judéia. O pior é que ainda fala em pátria amada.

Sem mais comentários sobre essa personagem amaldiçoada num Brasil que sofre hoje todos os tipos de mazelas. Sobre as chuvas torrenciais em pleno mês de dezembro, prefiro classificá-las como desastre ecológico ou desequilíbrio climático de tanto o ser humano castigar e poluir o meio ambiente. Sobe o nível do mar e as catástrofes varrem a terra, impiedosamente.

O pior em tudo isso é que são sempre os pobres os mais atingidos pelas tragédias, como dessa natureza que leva tudo pela frente e deixa um rastro de destruição e mortes. Nesses casos, a mídia foca na força das águas e nos alagamentos que expulsam os moradores de suas casas, mas existe um conjunto de fatores lá atrás que, somados um ao outro, agravaram mais ainda a situação. As consequências só poderiam ser desastrosas.

O homem pratica o mal contra a natureza e esquece do que faz. Na hora de pagar a conta sempre lembra de pedir socorro a Deus, e ainda diz que tudo está sob o seu controle, como se fosse Ele o causador da desgraça. Quando o temporal passa e as águas baixam, foi Deus que assim quis. É a cultura do homem religioso que não se previne.

Primeiro polui o ar de gazes tóxicos; despeja todo tipo de lixo no planeta para satisfazer seu consumismo desvairado; desmata as margens dos rios; levanta habitações em locais inadequados; constrói barragens de barro e acha que nunca virá o castigo.

Os governantes do passado e do presente continuam cometendo os mesmos erros, e o quadro só tende a piorar, com custos cada vez mais altos porque não se fez o devido controle lá na frente. Nessas horas, uns aparecem para capitalizar mais votos e outros somem, mas sempre quem leva a bordoada é o povo pobre que perde tudo, até a vida, mesmo com as ajudas que logo são relegadas.

Estava demorando a imprensa fazer seu sensacionalismo barato através de um “herói” dos resgastes, como do idoso em Itabuna que, sozinho e teimoso, insistiu em ficar dentro de casa, mesmo com a água subindo. Visivelmente uma pessoa desorientada e sem parentes para lhe cuidar. Não vi a repórter entrevistando algum filho ou neto do senhor que foi socorrido por alguns moradores.

Há quase 30 anos, ainda na atividade jornalística, acompanhei volume de chuvas desse porte, em 1992, quando testemunhei, como repórter, cidades como Guanambi, Ibiassucê, Caculé, Caetité, Malhada e outras invadidas pelas águas, mas não no final de ano.

Lembro o quanto foi difícil fazer as coberturas enfrentando correntezas de rios em cima de tambores e passando de barco quase no nível das copas das árvores, com cobras caindo dos galhos.  Registrei, com o fotógrafo José Silva, pontes caiando e bairros dentro d´água onde o povo chorava com as perdas.

 

NÃO GOSTO DE FINAL DE ANO

A televisão anuncia a ceia de Natal com peru, chester, nozes, ameixas, castanhas, lentilhas para dar sorte, produtos importados e vinhos na farta mesa. Os preços subiram, mas isso não faz diferença para a elite. Do outro lado, o pobre deve imaginar que a sua “ceia” é feita de feijão com arroz quando ele é um dos felizardos das doações da cesta básica. O barraco, na maioria, fica lá na encosta da periferia ou no alto do morro, sem nenhum sistema de saneamento. As crianças correm de pés no chão em pleno esgoto a céu aberto.

Nas lojas e shoppings, os movimentos de compras de presentes superam todos os anos, evidenciando um consumismo exagerado. Milhões nem passam por lá porque são malvistos. Alguns meninos e meninas ganham uns brinquedos doados, e assim a cena se repte todos os anos. Alguém diz que a cesta significa também uma esperança, mas que esperança, se não lhe é oferecido a instrução e o emprego? Se não lhe é dado uma alternativa, uma saída?

Por isso que não gosto desse final de ano de Natal tão desigual, e da queima de fogos de artifícios que brilham nos céus, desse estampido dos champanhes, dos comes e bebes luxuosos e dos uísques festejantes. Lá fora, nas marquises e viadutos, os moradores de rua dormem ao relento, e o número deles só faz crescer.

Não gosto desse Natal, nem desse final de ano porque não aguento mais ouvir bordões de amor e paz, de Feliz Natal e Ano Novo, de que as coisas vão melhorar, como se ao amanhecer, em questões de horas, a vida tomasse outra forma. Nisso tudo, existe mais falsidade que sinceridade. Dizem por aí que nesse período a pessoa fica mais sensível, mas no amanhã se volta a ser uma multidão invisível.

O solstício de inverno do hemisfério Norte, quando o sol faz os dias mais longos, virou Natal dos anos 300 da era cristã imperial dos romanos, instituído por Julius I. Era uma antiga festa pagã dos celtas e dos druidas. Era também festa de Mitra, o deus persa da luz e do Hanukkah entre os judeus.

O cristianismo escolheu uma data mais próxima às crenças de todas religiões para atrair mais seguidores, mas queria que esse Natal fosse de todos os irmãos da fome. Assim nasceu o Natal, “natale domini”, e São Francisco criou o presépio de um Deus Menino de olhos azuis, numa manjedoura cercada de animais e dos reis magos.

O Papai Noel veio lá dos gelados países nórdicos com seu trenó que só passava na casa dos ricos, como até hoje. Os pobres miseráveis nem têm acesso a um shopping ou a uma loja de consumo. De um lado, as reuniões do clima onde os reis assinam papéis para reduzir o aquecimento global. Do outro, o incentivo consumista do capital guloso para crescer o tal do PIB (Produto Interno Bruto), cujo bolo nunca é dividido entre os mais pobres. Ainda continua sendo o Natal do esbanjamento para alguns, e frustração para muitos, mesmo com as campanhas de doações.

Esse Natal só me faz lembrar daquele menino retraído ao pé do fogão a lenha, ao lado da mãe cozinhando um feijão sem carne. O pai que vive de bicos foi à rua logo cedo para tentar ganhar uns trocados, para fazer umas comprinhas. Desiludido e sem nada, passou no boteco e encheu a cara de pinga. Chegou tarde à noite revoltado por sua condição social e quebrou tudo.

Na confusão, a polícia passou e levou aquele homem para a cadeia, e lá deram-lhe umas bordoadas. Sem dinheiro e sem emprego, a família foi despejada do casebre porque não pode pagar o aluguel e passou a engrossar a lista dos moradores de rua. O menino daquela triste noite nunca mais gostou desse Natal, nem eu.

Enquanto isso, os bilionários em foguetes potentes festejam passeio no espaço para, das alturas, ver uma parte do universo cheio de estrelas, e lá embaixo a terra azul a navegar com seus oito bilhões de habitantes, dos quais, quase um bilhão vivendo em extrema pobreza. Nela está o Brasil isolado viajando na contramão, detentor de títulos negativos na educação e um dos maiores índices de desigualdade humana e social.

 

“ESCRAVIDÃO”

Em tempos de tanto preconceito racial, ódio e intolerância entre brasileiros, envolvidos numa polarização bestial, o jornalista e escritor premiado com os livros 1808, 1822 e 1889, Laurentino Gomes acaba de lançar a trilogia ESCRAVIDÂO (o último sai agora em 2022), que durou 350 anos no Brasil, o último país ocidental a decretar a abolição. Deve ser lido para se entender a história, a vergonha e as agruras do tráfico negreiro.

Foram seis anos de pesquisas que incluíram doze países e três continentes por onde Laurentino passou, além de centenas de entrevistas. O primeiro volume cobre um período de 250 anos, desde o primeiro leilão de escravos africanos em Portugal, no dia 8 de agosto de 1444, até a morte de zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695.

A obra também explica as raízes da escravidão humana na antiguidade (Grécia antiga, Império Romano, Turco-Otomano) e na própria África antes da chegada dos portugueses; o início do tráfico para as Américas; os números; os bastidores; e os lucros do negócio negreiro. Fala também da trajetória do baiano mulato claro Francisco Felix de Souza, o mais rico, famoso e influente mercador de gente na costa africana do Benin.

Outro personagem descrito por Laurentino é o do infante Dom Henrique, patrono das grandes navegações e descobrimentos do século XV, tido também como um dos grandes traficantes no Atlântico. É uma história de dor que continua com suas marcas em Luanda (Angola), Ajudá (Benin), Cidade Velha, em Cabo Verde, Liverpool, na Inglaterra e cais do Velongo (Pequena África), no Rio de Janeiro.

Os dois últimos volumes de um trabalho profundo são dedicados aos séculos XVIII, auge do tráfico de escravos, e ao movimento abolicionista que resultou na lei áurea de 13 de maio de 1888. Na verdade, os escravos não tiveram a liberdade de verdade porque foram abandonados à própria sorte, sem serem indenizados pelos anos de sofrimentos.

Esse fantasma da escravidão continua a nos perseguir com o racismo que ainda persiste no Brasil, sem falar na questão social de pobreza entre os negros, onde os índices de acesso ao emprego, à educação, à saúde e outros serviços são baixos em relação aos brancos.

Laurentino começou sua obra em Ajudá, na República do Benin (não confundir com o Reino do Benin que fica na Nigéria), em frente a uma grande gameleira, conversando com Marcelin Norberto, de 92 anos, patriarca da nona geração da família Souza, dinastia fundada no Reino do Daomé (colônia francesa até 1975).

Ao morrer, em 1848, com 94 anos, o baiano Francisco de Souza deixou 53 mulheres viúvas, mais de 80 filhos e dois mil escravos. Teria acumulado uma fortuna de mais de 120 milhões de dólares. Ele ganhou do rei Guezo, do Daomé, o título de chachá.  Em seu livro-reportagem, o autor narra que, a centenas de metros da casa de Marcelin, ergue-se a antiga Fortaleza de São João de Ajudá, o mais importante entreposto de tráfico negreiro português e brasileiro no Golfo de Benin até metade do século XIX. A poucos quilômetros, no litoral, lá está a Porta do Não Retorno onde começou a Rota dos Escravos. Pela porta de Ajudá, passaram cerca de um milhão de escravos.

Na África, existem dezenas dessas portas por onde foram embarcados nos navios negreiros mais de 12 milhões de africanos que nunca tiveram a oportunidade de retornar às suas origens. Desses, estima-se que cinco milhões vieram parar no Brasil. Segundo Laurentino, o banco de dados Slave Voyages, cataloga 36 mil viagens dos navios negreiros ao longo dos 350 anos, num total de 188 portos de partida de cativos, sendo que 20 deles responderam por 93% do total do tráfico no Atlântico.

A história é longa e triste que vale a pena ser lida e até relida para que conheçamos as origens dos nossos antepassados e sepultemos para sempre o racismo. Paranaense de Maringá, premiado seis vezes com o Jabuti de Literatura, Laurentino é formado em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação pela Universidade de São Paulo e membro da Academia Paranaense de Letras.

 

O PASSARINHO PENSADOR

Sempre costumo ler em meu quintal para aproveitar o ambiente mais aprazível da natureza que me acolhe com seu cheiro único do chão e das plantas. Mesmo concentrado na leitura, observo pela fresta do meu pensamento os pássaros nos galhos fazendo também a sua função de predador de alguns pequenos insetos e retirando do néctar das flores algo doce para se alimentar. Alguns cantam e tem até uns que tentam se acasalar. Numa tarde, quando me encontrava absorto no tempo existencialista da vida, apareceu um passarinho pensador e pousou bem próximo a mim no varal de roupa. Era um pequeno colibri que ali ficou por uns cinco minutos me fitando e, como numa hipnose, penetrou em minha mente para acalmar a minha aflita alma nesses tempos tão difíceis. Como estava com minha máquina ao lado (lente de pouco alcance) deixou que desse alguns cliques, abriu as asas e se despediu de mim deixando a sua mensagem de que não adianta tentar desvendar os mistérios da vida. Ela segue o seu curso natural e pede para nunca desistir, mesmo diante das dificuldades.

CONSCIÊNCIA DE PAPEL

Versos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Nessa consciência de papel.

 

Consciência só uma, a humana,

Não tem cor, mas sente dor;

Pode estar na jura da aliança,

Na inocência do sorriso da criança,

No bailado doce da bela Serena,

Ou nos predadores da savana.

 

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Dessa consciência de papel.

 

Pode estar no açoite da chibata,

Do ancestral a se arrastar pelo tempo,

No vento venal do poder imperial,

Ou na assinatura da assassina ata.

 

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Nessa consciência de papel.

HOMENAGENS E “TODO PODER EMANA DO POVO”…

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista de ontem (dia 22/12), uma das últimas do final de ano antes do recesso parlamentar, concedeu mais homenagens e moções de aplausos a diversas personagens e entidades da cidade, como à prestada à enfermeira Ana Caroline que trabalha na Atenção Básica de Saúde, cuidando de pessoas em situação de risco.

A prática de esportes também foi reconhecida na área do ciclismo para Erivelton Ramos pela realização do VI Trilhão. O Instituto Conquistense de Oncologia foi agraciado pelos seus 22 anos de atuação, bem como a gerência do CRAS. De Itapetinga, o homenageado foi o vereador Romildo Teixeira Santos que falou da sua luta para aumentar o número de parlamentares nas câmaras municipais quando o Supremo Tribunal Federal reduziu as cadeiras, isto há uns cinco ou seis anos.

Enquanto ele falava dessa necessidade de ter mais vereadores nas Câmaras (em Conquista são 21 e Itapetinga 14) mirei na frase escrita na entrada da plenária com os dizeres “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos”, artigo extraído da Constituição Federal.

O aumento no número de vereadores foi aprovado pelo Senado Federal, contrariando a vontade popular que fez críticas à votação dos congressistas. O vereador de Itapetinga estava, então, advogando em causa própria, e não em nome do povo. Todos sabem que muitos projetos aprovados no Congresso Nacional, nas assembleias e nas câmaras municipais são mais de interesses deles e não da população.

A frase da Constituição só tem sentido teórico, porque na prática acontece o inverso: Eles usurpam esse poder e votam contrário aos eleitores. Por acaso, nessa situação crítica atual do país em pandemia e com mais de 20 milhões passando fome, o povo aprovaria aumentar o Fundão Eleitoral de R$1,7 bilhão para R$ 5 bilhões?

Há muito tempo que rasgaram toda nossa Constituição. É mais um artigo que foi jogado no lixo. No quadro atual, poder nenhum emana do povo e, praticamente, nada exerce porque os representantes eleitos nem estão aí para a opinião pública, nem dão bola para o que o povo pensa. Será que a sociedade aprova essa verba de quase 17 bilhões de reais para as emendas parlamentares, chamadas de orçamento secreto?

A deputada estadual Talita Oliveira (PSL) entregou ao Ministério Público da Bahia um pedido para suspender o decreto número 20.907 do Governo do Estado, que condiciona o acesso a órgãos do executivo baiano à vacinação contra a Covid-19.  Será que ela, como eleita, está representando a vontade popular? O artigo da Constituição é mais uma balela, como aquela expressão de que todos somos iguais, num país tão desigual!

A DOR DA INGRATIDÃO

Nesse sistema perverso onde você vale o quanto “pesa” em termos de projeção, algum cargo importante na sociedade e dinheiro, você é sempre procurado, elogiado e “respeitado”, visto como aquele cara legal. Quando se perde tudo, as pessoas, aos poucos, vão se afastando. Por mais que se tenha feito, bate em sua alma a dor da ingratidão e da falta de consideração.

Diz que a vida nos ensina isso e, quanto mais se vive, se descobre as falsidades. A gente vai com isso perdendo a fé no ser humano. Esse negócio de amigo é coisa rara, e o meu velho uma vez me chamou a atenção para esse fato quando um dia lhe apresentei um “companheiro” como sendo meu “amigo”. Amigo certo só aquele das horas incertas, e isso é coisa difícil de se encontrar nos tempos atuais.

Podem até dizer que é ressentimento da minha parte, mas não se pode fugir dessa dura realidade. A grande maioria é egoísta e só pensa em si. Existem aqueles que só querem ser servidos, e ainda abre a boca para afirmar e dar palminhas em suas costas com mentirosa expressão de que você é seu amigo irmão.

São coisas que vão endurecendo o nosso coração e nos fazem ser mais fechados e retraídos. É muito doido quando se trata bem, com educação, com carinho e lá na frente se é esquecido. O tempo nos faz ver que não existe essa de solidariedade, com alguma exceção. O interesse fala mais alto. Não existe almoço grátis – como já declarou alguém por aí.

Não vou aqui citar os casos de ingratidões e falta de consideração de pessoas que durante anos mantivemos um convívio saudável, de declarações comoventes de amizades e depois desaparecem. O mais horrível e repugnante são aquelas desculpas fajutas de ausência, como se o outro fosse um burro, desprovido de qualquer nível de inteligência. Não subestime os outros. A sinceridade eterna não existe.

Não estou aqui falando de questão ideológica, de polarização política ou posições antagônicas em termos de pensamento de ideias. O cerne do problema está na ingratidão que o ser humano em geral carrega dentro de si e nos causa decepção. Quando isso acontece, o melhor que se pode fazer é se afastar e se recolher em sua loca como ocorre com aquele animalzinho chamado de mocó.





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