Só porque minhas folhas e meus frutos caem na calçada da pracinha da Tapera, distrito charmoso e pacato de Encruzilhada, estão querendo tirar a minha vida, me deixar só no toco, logo eu que produzo oxigênio para purificar o ar que respira essa gente!

Isso é uma grande maldade que querem fazer comigo, sem contar que é um crime ambiental! Vivo aqui nessa pracinha há muitos anos, sem mal nenhum a fazer para ninguém. Por que decapitar o frondoso Jamelão? Isso é insano.

Dou sombra ao fatigante do sol e ainda acolho com prazer a todos aqueles que gostam de prosear debaixo da minha árvore. Ouço casos, causos e histórias do “arco da velha”. Guardo segredos. Acredito que todos aqui gostam de mim e me apreciam. Peço veemência e me deixem viver porque também sou vida.

É um apelo do Jamelão, e toda comunidade deve se juntar e se unir em defesa dessa boa causa porque correm boatos de que a Prefeitura Municipal pretende cortar essa árvore bondosa, com o argumento simplista de que “suja” a praça, ao invés de estar sempre fazendo a devida limpeza. Para isso, paga o contribuinte, e o poder executivo deve sim ser guardião da natureza e não o vilão. Senhor prefeito, salve nosso Jamelão.

O morador “Tonio”, do mercadinho, está indignado com esse possível atentado e apela a todos que salvem o nosso Jamelão, fazendo uma corrente de proteção, inclusive com um abaixo-assinado para evitar que ocorra mais uma destruição à natureza pelo homem predador.

Como se não bastassem os desmatamentos das florestas Amazônica, da Mata Atlântica, do Pantanal e do Cerrado, agora querem tirar um Jamelão da pracinha da Tapera que tanto encanta os moradores, principalmente os mais antigos.

Não passam de criminosos insensíveis ao aquecimento global, às mudanças climáticas, que estão causando tragédias e catástrofes na humanidade. Em público, para ficarem bem na imagem, “defendem” o meio ambiente, mas às escondidas se atrevem a cortar uma árvore, sem motivos que convençam.

Como o ser humano, mesmo se uma planta está doente ou com pragas, existe o recurso de tratamento medicinal com remédios. A solução não é tirar sua vida. Portanto, vamos salvar o Jamelão da Tapera que já é um patrimônio do distrito.

Sou jornalista, escritor, poeta e compositor. Sempre frequento a Tapera como cunhado e amigo de “Tonio”, casado com Vandilza Gonçalves. Conheço o imponente Jamelão, lá na pracinha, dando boas-vindas a quem chega, inclusive a mim visitante. Portanto, vamos todos juntos salvar nosso amigo Jamelão, e que tenha vida longa.