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:: 5/fev/2026 . 23:04

COISAS DO “ARCO DA VELHA”!

Interessante, quando expressamos o termo “Arco da Velha”, conhecido por muitos, lembramos logo daquelas histórias, estórias e causos inusitados e extraordinários contados pelos mais antigos. “Lá vem o “véio cumpadi” com o papo do Arco da Velha”. Tem muita gente que sabe florear, temperar e viajar na imaginação do saber. Sempre gostei de escutar e ficar bem atento porque são preciosidades valiosas.

Depois da contação de um fato surpreendente numa roda de conversas, você já deve ter ouvido alguém dizer, poxa, “isso aí é coisa do Arco da Velha”, isto é, dos antepassados ou dos nossos ancestrais. É parecido com “é pra inglês ver”, ou “onde tem fumaça, tem fogo”. No fundo, existem mais verdades que mentiras.

Bem, vale a pena uma pequena explicação sobre esse negócio de “Arco da Velha” e suas origens. Muitos termos têm suas relações com as culturas judaicas e cristãs. No caso, o arco-íris está ligado ao sinal do arco bíblico da Velha Aliança com Deus depois do dilúvio. No âmbito pagão, o arco fala de crenças sobre uma feiticeira. Pode ser também com o diabo. Também vale ser contos antigos, histórias de bruxas ou baús de fantásticos tesouros.

Tenho a convicção de que a região que tem mais coisas do Arco da Velha é o Nordeste, com seus causos e casos sobre os coronéis perversos, episódios do cangaço, crendices, a cultura popular e o próprio misticismo religioso. Ariano Suassuna e Câmara Cascudo, dentre outros, são os maiores representantes do Arco da Velha.

Aqui em Vitória da Conquista temos o nosso professor Durval Menezes que conta coisas do Arco da Velha. Tem ainda o professor Itamar Aguiar sobre as lendas garimpeiras de Lençóis. Pensem bem, o fundador da cidade, João Gonçalves da Costa, deixou uma fortuna imensurável. Falam que ele possuía barras de ouros e pedras preciosas que foram enterradas na Serra do Periperi.

Muita gente chegou a sonhar com esses tesouros e resolveu fazer escavações, como o geólogo autodidata alemão Maia Hoffman, vindo lá de Caetité. Relatam ainda que um tal geólogo Melquisedeque, chefe do IBGE, adquiriu muitas terras da Serra pelas bandas de quem vai para Barra do Choça e decidiu fazer o mesmo.

Não satisfeito, foi até Manoel Vitorino, onde João Gonçalves viveu seus últimos dias de vida, e deu uma de tatu, esburacando terrenos. Só deixou escombros. Será que esses tesouros ainda não estão por aí em algum lugar, inclusive nas sepulturas desses coronéis, como faziam os faraós do Egito?

Quem também sabia coisas do Arco da Velha foi Ernesto Dantas, que veio de Caetité e falava várias línguas. Foi o fundador do espiritismo em Conquista. Naquela “época do ronca”, o coronel José Zeferino Correia foi a Salvador reivindicar uma estrada Conquista-Poções-Jequié.

O Governo não atendeu, mas eles se juntaram e construíram a obra, tendo como engenheiro o pai de Pedral Sampaio. Pediu uma agência bancária e conseguiu a do Econômico, a segunda unidade instalada na Bahia. Como um dedo de prosa puxa outro, o patrimônio arquitetônico da nossa cidade, embora a maior parte tenha sido demolida, ainda conserva muitas histórias do Arco da Velha.

Não deixam de ser fatos do Arco da Velha, mas, como são relatos inusitados, vamos para o moderno do mundo tecnológico da internet e do Brasil de hoje. O Congresso Nacional, por exemplo, o pior da nossa história, aprova projetos do Arco da Velha, como o mais recente aumento salarial dos seus servidores, repleto de penduricalhos, bem como as verbas de gabinete, logo seus membros que exigem cortes de gastos do poder executivo!

As fake news (falsas notícias, fotos e vídeos montados), os bárbaros crimes, o político que rouba o dinheiro da merenda escolar e medicamentos de hospitais, as artes dos golpistas que substituíram os contos do vigário e dos bilhetes premiados, não deixam de ser também coisas do Arco da Velha. Roubar gado e cavalo no pasto, bater carteira (não tem mais dinheiro), assalto a mão armada são literalmente arcaicos delitos do Arco da Velha diante dos avanços nas modalidades criminais.

A Polícia Rodoviária Federal acaba de criar um Arco da Velha ao apreender uma ambulância que estava irregular e deixar um velho moribundo estirado no chão até que outro veículo viesse busca-lo. Existem muitos outros Arcos das Velhas vagando por aí que nos deixam estonteados.

A Inteligência Artificial, meus camaradas, ressuscita até mortos, cantando, tocando, escrevendo e falando seus casos do Arco da Velha. É assombroso e pavoroso! Experimente mandar ela narrar uma história do Arco da Velha, como mula sem cabeça, vaca voadora, mãe do ouro, lobisomem em noite de lua cheia, ou mesmo fatos hilários que ocorreram em Conquista! A IA vai lhe dar tudo do Arco da Velha.

Estava aqui a pensar com meus botões, por que a IA e os vídeos falsos não invertem as falas e pronunciamentos desses pregadores extremistas fanáticos do ódio e da intolerância, passando a expressar coisas boas e dando uma de bonzinhos, inclusive incentivando a vacinação e elogiando seus opositores?

Imaginou o cachorro louco do Trump fazendo tudo ao contrário, abraçando o Maduro, da Venezuela, condenando as invasões e defendendo os imigrantes! O Putin, da Rússia, parando de jogar bombas na Ucrânia e devolvendo os territórios invadidos! O Benjamin Netanyahu, o “Bibi”, de Israel, reconhecendo o Estado Palestino! O Xi Jinping, da China, trocando seu regime de ditador para a democracia e a liberdade de expressão!

Qual nada, meu amigo, esses personagens são reencarnações das histórias medievais do Arco da Velha, como Hitler, Stalin e tantos outros tiranos. As inquisições da Igreja Católica, as Cruzadas, os Templários estão cheias de fatos do Arco da Velha, numa dita aliança com Deus. Do Antigo Testamento, nem se fala! São mais que do Arco da Velha!

Melhor mesmo é voltar a contar e a prosear os nossos casos do Arco da Velha, de preferência saídos dos mágicos baús do agreste nordestino de João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego e Manuel Bandeira que decidiu ir para Passárgada onde também tinha e tem muitas histórias encantadoras de reis, rainhas e heróis conquistadores.

 

 

 

TERRENOS BALDIOS

Matagais, entulhos, garrafas, plásticos, lixo de moradores, camas, sofás, pneus velhos, ferragens e outros objetos servem para atrair ratos, escorpiões, cobras, mosquitos da dengue e insetos diversos se acumulam nos terrenos baldios e abandonados pelos donos desses imóveis que não são fiscalizados, conforme determina a lei do código de postura. As próprias imagens extraídas das nossas lentes mostram esta calamidade pública em Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, pejorativamente chamada de a “Suíça Baiana”. A situação chega a ser tão caótica em algumas ruas e bairros que muita gente toca fogo para minimizar o problema, que se agrava com as fumaças. Não tem dúvidas que o maior culpado por tudo isso é o poder público, e não adianta dizer que é falta de educação das pessoas que despejam todas sujeiras nesses terrenos. Vamos esperar que todos se eduquem, ou exigir que os proprietários murem ou cerquem suas áreas, aplicando as punições cabíveis? Por que a Prefeitura Municipal não toma logo uma providência urgente? Acho que a maioria tem uma resposta certa para esta pergunta. Além da incompetência, tem o poder econômico do setor imobiliário que o executivo prefere não bater de frente. A própria prefeitura não dá o exemplo, pois nem ela cuida devidamente de seus terrenos. Cadê a Câmara de Vereadores, o Ministério Público, a mídia e outros órgãos que não cobram o cumprimento da lei? Trata-se de uma questão de atentado à saúde pública.

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Oh Senhor, Criador Supremo!

Sua criatura só destrói,

O planeta vive no extremo,

O sistema só nos corrói,

Mas nem tudo está perdido!

Ainda tem muita gente,

Que faz aquela diferença:

Lança na terra a sua semente

Do amor, da paz e da crença.

 

Nem tudo está perdido!

O bem ainda bate na porta,

Para abraçar o desvalido;

Tem aquele que importa,

Com a injustiça social,

Que é amigo certo leal.

 

Nem tudo está perdido!

Tem filhos que amam os pais,

Mãos que afagam o esquecido,

Não desejam o mal, jamais!

São como a excelência

Nessa humanidade em decadência.

 

Tem a alma companheira,

Que na tristeza nos aquece,

Tem a canção sonora da viola,

Que do peito arranca a banzeira,

Como chuva que renasce a flora.





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