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É MUITO DESESPERO PARA SE REFUGIAR LOGO NUM PAÍS EM RUÍNAS!

Fico aqui a pensar com meus botões. O que os refugiados venezuelanos vêm fazer em terras brasileiras, numa situação tão crítica de milhões de desempregados, inflação alta, milhões passando fome e, acima de tudo, com um facínora no governo? A única explicação é o desespero ou falta de conhecimento sobre o nosso país.

Dividir o pão da pobreza só aumenta mais ainda a miséria. É como cobrir um para deixar o outro descoberto. Não se trata de questão de xenofobia ou ser contrário à entrada de refugiados no Brasil. Eles entram de forma clandestina pela fronteira do Norte e, simplesmente, viram moradores de rua se somando aos brasileiros. São cenas degradantes.

As prefeituras locais não têm recursos para acolhê-los de forma digna. Soldados do exército e funcionários fazem o cadastramento da esperança e tocam os refugiados em lotes para outros estados. Alguns conseguem uns bicos e outros são explorados como escravos ou caem na prostituição, no caso das mulheres. Ainda tem aqueles que ficam a vagar nas sinaleiras como pedintes com um cartaz, “ajude, tô com fome”.

Aqui em Vitória da Conquista, por exemplo, muitos deles são vistos por aí nos semáforos e esquinas rogando por uns trocados. Praticamente, a totalidade desses refugiados tem baixo nível de instrução e já chega aqui com uma mão na frente e outra atrás. Que tipo de trabalho eles conseguem num mercado que não tem condições de abrigar os 15 milhões de desempregados brasileiros?

Vamos ser racionais. No momento atual, o Brasil seria um dos últimos lugares do mundo propício a receber refugiados. Se estivesse numa boa, os daqui não estariam furando o cerco das fronteiras para irem para os Estados Unidos e até países da Europa por outras vias.

Ver esses venezuelanos chegando aos montes no Brasil é mais sofrimento humano. É mais aflição social e mais miséria para se administrar. As campanhas de doações já não estão dando conta para socorrer os que estão aqui sem o pão para comer. A fila da pobreza parece não ter fim.

Eles saem de lá com o sonho de uma vida melhor, justamente em um Brasil dividido pelo ódio e a intolerância. Num Brasil onde a extrema-direita fanática religiosa é símbolo da negação da ciência e prega a xenofobia, a homofobia e o racismo. Um Brasil onde o capitão-presidente quer rasgar a Constituição e fazer uma só dele na base do arbítrio e da tirania. É o mesmo que sair de um curral para entrar em outro ainda pior. Não sabem o que vão encontrar pela frente em suas vidas. Não adianta tentar fugir da realidade e querer tapar o céu com uma peneira.

“O DECANO DA FILOSOFIA AFRICANA: PAULIN JIDNENU HOUNTONDJI”

No livro “Intelectuais das Áfricas”, o professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Itamar Pereira de Aguiar escreve um artigo em que fala do filósofo Paulin Jidnenu Hountondji, que nasceu na Costa do Marfim, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. Concluiu seus primeiros anos de estudos em Porto Novo no Daomé, em 1960. Essas regiões sofreram administração colonial francesa.

No período de declínio colonial, Paulin mudou-se para Paris onde acompanhou a movimentação política que promoveu a derrocada do colonialismo francês. Matriculou-se no curso de Filosofia na conhecida École Normale Supérieure onde se formou em 1970. Depois chegou a ministrar aulas em universidades da França, dos Estados Unidos e da própria África.

De acordo com Itamar, durante o mandato do ditador Mobutu, no Zaire (Congo), o filósofo procurou, em silêncio, observar como atuava o nacionalismo dito republicano em uma ditadura ao modo africano. Como ativista político, Paulin se opõe ao regime militarista em vigor, “cujos defensores se proclamavam revolucionários”.

Em Benin, sob a direção do Alto Conselho da República, em março de 1990, Paulin foi nomeado ministro da Educação. Diz o professor Itamar que, “o conjunto da sua obra recebeu influência da Filosofia Moderna Ocidental, do Iluminismo, mais especificamente, dos pensadores marxistas Althusser e Derrida”.

Enquanto intelectual, Paulin voltou-se mais para a filosofia política. “porém cioso da importância dos elementos culturais e históricos do continente africano, torna-se postulante do pensamento endógeno, crítico da filosofia enquanto visão de mundo em países da África”.

As suas obras (mais de vinte), segundo o professor Itamar, “revelam sua intensa e diversificada atividade acadêmica, assim como os temas por ele explorado enquanto pesquisador engajado política, cultural e filosoficamente nas questões essenciais e existenciais dos africanos na contemporaneidade, especialmente dos povos da Costa do Marfim, onde nasceram seus ancestrais…”

Em sua primeira obra Remarques sur la philosophie africaine contemporaine, Paulin procura colocar em prática a filosofia africana, voltando-se para os problemas das condições de vida de seu povo. Ele passa a abordar as graves questões que afligem as nações africanas.

Ao estabelecer comparativo entre a filosofia africana e a europeia, afirma que muitas posições dos filósofos do continente fazem parte da mesma estratégia dos colonizadores em desqualificar e de considerar os africanos incapazes de refletir por si e sobre si, e de produzir pensamentos lógicos. “Em últimas palavras, de filosofar”.

“Eu chamo de filosofia africana um conjunto de textos: precisamente, os textos escritos por autores africanos e qualificados por eles mesmos como filosóficos – ressalta Paulin em seu livro. Ele convoca os pesquisadores conterrâneos a produzirem sobre e para os africanos que ali nasceram, ou que ali vivem.

Paulin defende que os africanos, confiantes em si mesmos e de modo autônomo, se ocupem com as investigações e conhecimentos que respondam aos problemas e questões de interesse direta ou indiretamente dos africanos.

Em seu texto, o professor Itamar enfatiza que o “colonialismo, a escravização e a diáspora praticados por franceses, belgas, alemães, ingleses, portugueses e outros, ocasionaram movimentos de resistência diversas, principalmente nas Américas para onde foram levados aos milhões de indivíduos na condição de mercadorias, comprados e vendidos como animais de tração para serviços nas plantações, mineração, criação de gado, nos serviços domésticos e de ganho, em países como Brasil, Cuba, Estados Unidos, Haiti, México e outros, no lapso temporal do século XVI ao XIX, quando se efetivou atrás das lutas libertárias, a abolição da escravidão, sendo o Brasil o último a efetivá-la em 13 de maio de 1888”.

NOSSOS RIOS ESTÃO MORRENDO

Há uns dois anos, ou pouco mais que isso, o nosso cansado Rio São Francisco, mais conhecido como o “Velho Chico” ocupava manchetes na mídia em geral pelo seu estado terminal de falência de seus órgãos devido a uma prolongada estiagem, mas a causa principal era a mão destruidora e facínora do homem que dele tudo tira e quase nada repõe para sua proteção. Era grande o clamor dos ambientalistas, ribeirinhos e defensores dos nossos rios, exigindo dos governantes a realização de projetos de revitalização. Foi só São Pedro mandar cair chuvas dos céus e não mais se ouviu cobranças em favor do “Velho Chico”, que deu uma revigorada, mas vulnerável a qualquer seca. Com a crise hídrica batendo na porta dos brasileiros onde nossos rios estão morrendo, com os reservatórios em níveis mais baixos dos últimos tempos, volta-se à mesma questão que logo pode ser esquecida com novas enchentes. O homem, a maior praga do planeta, é mesmo cruel, perverso e ingrato, mas um dia tudo vai se acabar porque os desmatamentos, as queimadas, as retiradas da vegetação e areias de suas nascentes e margens avançam pelo vil lucro de se ganhar mais dinheiro. Novamente, o nosso “Velho Chico” pede socorro, e ainda tem parlamentar baiano que nega aprovação de recursos para que ele continue a viver, mesmo nas adversidades do tempo. Suas margens, como a de outros rios pelo Brasil a fora, estão depenadas pela ação humana. Suas águas baixaram, e o país pode sofrer apagões, o que significa ficar às escuras. Não é só a falta de energia, mas também a escassez de alimento quando os nossos rios começam a morrer, caso específico do “Velho Chico” onde grande parte da sua foz é de água salgada. É o mar invadindo e empurrando o rio de volta até a morte.

VISÕES DAS ÁFRICAS

Poema acabado de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Nasci na Região dos Grandes Lagos,

Ao pé do Baobá da Montanha da Lua,

Entre reis e adivinhos de Muzagos,

Onde a livre aldeia da mãe terra flutua,

No triângulo dourado da escravidão,

Nas visões geográficas das Áfricas.

 

Sou do Congo belga sanguinário,

Da Etiópia do Mussolini ditador,

Da Argélia dos tambores da dor.

Da Península Ibérica das Áfricas

 

Cresci bantu-ketu-jeje Magrebe,

Lamento negro criado no arado,

Sou do Crescente Fértil sumério,

Um lambuzo do império mulato,

Nas visões lendárias das Áfricas.

 

Não mais gado domado do colonizador,

Sou a voz de Mandela, sim Senghor,

Soynka, Mia Couto, Diop, Chebel e Cabral,

Fela-Kuti, Fanon, Mudimbe e Fatema,

Pan-africano com minha raiz cultural,

Na arte da escrita, da música e do cinema,

Nas visões dos “Intelectuais das Áfricas”.

 

Sou da Guiné, Benin, Angola e Senegal,

Rota das correntes, massacres de horror,

Carnes da negritude curadas com sal,

Forte como as ondas do mar Orixá Criador,

Nas visões históricas islã das Áfricas.

 

 

 

CIGANOS PRESTAM DEPOIMENTO

A pedido do Instituto dos Ciganos do Brasil-ICB, os ciganos vítimas de violências e ameaças depois da morte de dois policiais no dia 13 de julho deste ano, no distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista, estão prestando depoimentos à Justiça em audiências fechadas sem a presença da imprensa devido ao sigilo das testemunhas.  Nove pessoas serão ouvidas, mas outras deverão ser incluídas ao longo do processo.

O ICB preparou um relatório minucioso e encaminhou para várias instituições de direitos humanos no Brasil e no exterior, inclusive solicitou a federalização dos crimes em Vitoria da Conquista e região. Com exceção do ICB, da equipe de trabalho e dos depoentes, ninguém está tendo autorização a participar das audiências.

Na manhã do dia 13/07, numa terça-feira, dois policiais militares, 1ª Cl PM Robson Brito de Matos, 30 anos, e o 1º Ten PM Luciano Libarino Neves, 34 anos, morreram após troca de tiros com os ciganos no município de Vitória da Conquista, no distrito de José Gonçalves. As unidades de cidades vizinhas da PM, com apoio da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT/Rondesp Sudoeste), e de outras Companhias Especializadas fizeram um cerco na região para capturar os ciganos, que fugiram em veículos.

Na caça aos ciganos, oito deles foram mortos, inclusive menores. De acordo com a versão do comando da polícia militar, em todas as operações houve reação dos suspeitos pelas mortes dos soldados. O pai dos ciganos chegou a ser baleado e preso. A matriarca com os netos e outros familiares foram obrigados a fugir de Conquista por causa de ameaças e atos de violência.

Como forma de apoio, o Instituto implantou o Grupo de Apoio as Comunidades Ciganas Solidariedade, Respeito, Esperança e Responsabilidade (Gacoc) dentro de um acordo ético de sigilo. Esse Grupo foi formado a partir da necessidade de se criar uma comissão de proteção e incentivo às famílias enlutadas pelas mortes dos ciganos, bem como, em prol das mulheres ciganas e suas crianças, que foram inseridas no Provita/SP, no dia (26/07) e, por falhas no processo deste acolhimento, causando insegurança para estes vulneráveis, que temendo represálias, abandonaram o programa e foram acolhidas, no dia (2/08), pelo ICB.

De acordo com nota do Instituto, os excessos da polícia, no entanto, se espalharam por toda comunidade. As famílias foram desalojadas e perderam todos seus bens. O ICB luta contra toda e qualquer forma de preconceito, como homofobia, anti-ciganismo, ciganofobia, racismo, sexismo e machismo.

A questão agrária

Na data dos acontecimentos, em 13 de julho, consta ainda da nota que o cigano Solon Mattos revelou à matriarca que o acampamento do seu povo estava correndo perigo. Na ocasião, houve troca de tiros e dois policiais foram mortos.

A matriarca narra que a cigana Rita Mendes e seu filho Solon tinham informado dois dias antes do 13 de julho que algumas pessoas da redondeza estavam incomodadas com o acampamento e que os vinte e dois lotes que comprados era de outra pessoa poderosa, e que iriam dá um jeito para tirar nossa terra.

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O BUFÃO DA INDEPENDÊNCIA

Nunca vi manifestações brasileiras com cartazes em inglês. O que é que é isso, minha gente! Outras atitudes estúpidas, por centenas de vezes repetidas, são as faixas pedindo intervenção militar, mas com o Bozó capitão no poder. Esses apoiadores imbecis, que são minorias do nosso povo, ou são ingênuos demais, ou ignorantes que não conhecem nada da nossa história da ditadura.

O mais provável é que eles não têm memória. Só têm meleca nos cérebros. No golpe civil-militar de 1964, os maiores cabeças que incitaram as forças armadas a derrubar o governo constitucional de Jango Goulart, como Ademar de Barros, Carlos Lacerda e outros, foram cassados, presos e até mortos.

Se houver uma ruptura no Estado de Direito pelos generais da ativa, o primeiro a ser detido será o capitão-presidente, seguido dos que estão à frente dessa intentona contra a democracia. Ai, meu amigo, esse bando que vomita ódio e intolerância, solta fake news nas redes sociais e comete atentados contra as instituições vai ficar calado, sem liberdade de expressão e não mais fazer barulho nas ruas.

Outra loucura é a proposta esdruxula de depor os ministros do Supremo Tribunal Federal e o próprio Bozó escolher os dele, o que significa que ele vai ter uma corte só para ele fazer o que bem quiser. Nesse caso, ele vira uma espécie de ditador tirano, ou até mesmo decrete uma monarquia imperial, passando de pai para filho, de Neros para Calígulas.

Há muito tempo, esse maligno se tornou num tremendo falastrão que diz que vai arrebentar, enquadrar ministros e acabar com as eleições. Os mais malucos, fanáticos e doentes mentais são os que o seguem cegamente, numa mistura de evangélicos, homofóbicos, racistas e zumbis saídos das covas.

De tanto prometer que vai dar golpe e nada ocorre, passou a ser um desacreditado bufão, e agora em plena comemoração da independência do país, que não merece tanto escárnio. Os maiores culpados disso tudo são os avestruzes prepotentes de passado recente que enterraram a cabeça na terra e deixaram sair dos túmulos os extremistas bárbaros verdes-amarelos integralistas de Pátria, Família e Tradição.

Esses generais e coronéis de pijama que ainda mijam e cagam no penico deveriam colocar a mão na consciência, se é que ainda têm isso, e cair fora o quanto antes porque estão sujando de sangue a farda do exército, da marinha e da aeronáutica. Estão prestando um enorme deserviço à pátria,  e a história um dia vai cobrar seus desvios de conduta, tudo por vaidades, dinheiro, status e mordomias. Deviam se envergonhar do que estão fazendo, servindo um governo que é inimigo da nação.

Agora está berrando que vai convocar o Conselho da República. Não passa de mais um blefe e se fizer isso vai, mais uma vez, quebrar a cara. As forças armadas não vão entrar nessa doideira num país nessa situação caótica em todos os aspectos, desde o âmbito interno até no clima externo onde o Brasil está isolado das outras nações. Esse cara é a encarnação do AntiCristo. Temos que dar um basta nessa aberração!

QUE INDEPENDÊNCIA?

Dizem os historiadores e muitos estudiosos que a nossa “independência” de Portugal, chamada de “Grito do Ipiranga” (serviu até de galhofas e deboches) não aconteceu nenhum tiro, assim como na Proclamação da República, em 1889, coisas inéditas no planeta. Esse é o nosso Brasil varonil, deitado em berço esplêndido.

No entanto, a história não foi bem assim. Até antes da data de 1822, principalmente a partir do século XVIII, ocorreram muitos levantes, movimentos e rebeliões em vários cantos – Confidência Mineira, Alfaiates, a Revolução Pernambucana e tantas outras manifestações – em favor da libertação do jugo de Portugal.

Não podemos esquecer que em 1823 – sete meses depois – houve sim, lutas na Bahia, e sangrentas, para expulsar em definitivo os portugueses do território brasileiro. Então, não foi tão assim na chacota, de que não houve tiros e batalhas. No 7 de setembro, D. João VI já não queria mais bancar a colônia depois dos conquistadores terem levado tudo de nós. Rasparam o tacho, como se diz no popular.

Quinhentos e vinte e um anos depois continuamos vivendo nessa tremenda confusão de incertezas e indecisões, como um adolescente ou uma pessoa que ainda não encontrou o seu caminho. Vivemos ainda no sofá do divã do psicanalista, sem saber quem somos e para onde vamos. É triste dizer isso, mas é uma realidade nua e crua.

Ainda estamos lutando pela nossa independência social e econômica, principalmente. Hoje, os maiores inimigos estão dentro do nosso próprio país e são aqueles contrários à liberdade e a igualdade. Existe uma elite atrasada, com a mesma mentalidade de há mais de 500 anos, que não aceita o pobre crescer na vida.

Depois de mais de 500 anos ainda continuamos sendo exportadores de matérias-primas (ferro, petróleo cru, soja, milho, café, algodão e carnes), dependentes de produtos industriais, tecnologia sofisticada, da química fina e da pesquisa vindos de outros países. Nossa educação é uma das piores do mundo, bem como as desigualdades sociais.

Depois de mais de 500 anos ainda valorizamos mais a cultura de fora do que a nossa, estampando camisas de super-heróis norte americanos com letreiros em inglês, ao invés dos nossos personagens e animais dos nossos biomas. Seguimos derrubando as matas e destruindo nosso ecossistema.

Nesses mais de 500 anos nos acostumamos a conviver mais com a opressão do que com a liberdade democrática, e agora monstros do retrocesso e do golpe rondam as nossas vidas. A corrupção se tornou na maior praga da nossa terra, e mais de 30 milhões de brasileiros passam fome. A cidadania está longe do alcance da grande maioria.

Depois de mais de 500 anos permanecemos emergentes, vivendo num capitalismo selvagem onde o trabalhador não passa de um escravo disfarçado de colaborador. Não bastou o grito de independência, e não atravessamos ainda o portal da Velha República para uma sociedade nova e mais igualitária.

“FRAGMENTOS”

O lançamento do livro “Fragmentos”, da advogada, poeta e psicanalista em formação, Ana Priscila C. Luz, ontem (dia 03/09), sexta-feira, às 17 horas, marcou a reabertura das atividades da Biblioteca Municipal José de Sá Nunes, que ocorrerá oficialmente no próximo dia 8 (terça-feira) depois de uma temporada praticamente fechada por causa da pandemia.

A poetisa conquistense, estudiosa de idiomas e cozinheira autodidata, como ela mesmo se expressa, sempre foi apaixonada pela literatura desde criança. Suas influências vão de Adélia Prado e Francesco Petrarca. Ela é também autora de “Poeta em Pânico” e editora-chefe da Rádio Melodia.

Júlia Cândido Viera escreve na orelha da obra que o leitor vai mergulhar no interior da autora, “reconhecendo em cada verso, o resultado da sua busca por localizar-se nessa existência”.

“Ao ler seus poemas somos levados a imergir para seu Eu e saborear tudo aquilo quem a torna quem é, uma mulher inquieta, que não se contenta com o óbvio e que já compreendeu que a dúvida é aquilo que nos leva a encontrar nossa melhor versão” – destaca.

A apresentadora de Ana Priscila diz que este livro é uma forma de mostrar ao mundo que, mesmo em situações adversas, é possível tornar belo aquilo que nos fere. Afirma ainda que os estudos da psicanálise a levou a tornar verso tudo aquilo que um dia foi tormenta.

Dentre alguns de seus poemas podemos citar “Cena Primitiva” onde a poetisa escreve: O mundo inteiro transa/menos nossos pais/Essa imagem mental/já é demais. Em “Nessun dorma” – O sono cai como uma luva/no meu corpo/É meu cismar torto/que resiste. Noutro verso intitulado “Liv e Ingmar” – Viviam em ilha recôndita./Juntos, eram a pangeia./Imersos, solidão ontogênica./Tão definitivos/quanto impermanentes. “Quando me apaixonei”, Ana narra Invadiu minha fronteira,/se instalou de vez. /Sem eira nem beira,/coisa de tez.

O evento foi realizado na Biblioteca Municipal, hoje dirigida pela atriz Jean Marie que, durante este período da pandemia, operou várias mudanças e deixou o ambiente mais aprazível para a leitura. Ela e sua equipe recuperaram todo material referente à memória de Vitória da Conquista e abriram um espaço de exposição de livros só de escritores da terra.

O funcionamento da Biblioteca, após mais de um ano com atendimento limitado, ficará restrito a 50% da ocupação do espaço, dentro de todos os regramentos recomendados contra a Covid-19. A sua sede está localizada no Bairro Conquistinha, próximo ao centro da cidade.

Fotos da Biblioteca Municipal, cujas atividades serão oficialmente reabertas no próximo dia 08/09 (terça-feira) com limitação de 50% da sua ocupação por causa da pandemia. Fotos de Jeremias Macário

AS NUVENS E O TEMPO

Do meu quintal cercado de plantas (algumas floridas), pássaros a cantar, o beija-flor a bailar e entre hortas da terra viçosa, fico a mirar as nuvens e o tempo que sempre estão mudando de posições, de acordo com a direção do vento, ora forte e fraco, do sul, do oeste, leste e norte como se fossem nossas vidas cotidianas. A depender do tempo, as nuvens mudam, ficam leves esparsas e pesadas, cuspindo suas rajadas como que anunciando tempestade, como nas imagens captadas pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. São imprevisíveis como os seres humanos dos tempos atuais, que sempre mudam de roupagem. É a metamorfose ambulante como na canção do poeta compositor Raul Seixas. Com as bruscas mudanças climáticas, decorrentes da intervenção humana na natureza, o vento quente, repentinamente, se torna frio. Assim vivemos no Brasil de hoje onde predominam as incertezas, com nuvens sombrias e tempos de medo e falta de esperança. Quando o céu está limpo, dizem que é céu de brigadeiro, de se voar tranquilo. Na atualidade, quando olhamos para o alto, só enxergamos nuvens carregadas, ventos incertos de trovoadas de correntes elétricas, num tempo de divisões, com imagens e figuras estranhas como as nuvens que cortam nossas cabeças.

NÃO VIM PARA CONSTRUIR

Versos satíricos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Não vou mais comprar arroz e feijão,

Vou comprar fuzil pra matar meu irmão,

Ser um idiota ignorante nesta terra plana,

Não vou usar máscara e tomar vacina,

Pra você uma banana, fela da puta sacana.

 

Sou AntiCristo ladrão de palmito,

Tenho o meu direito individual,

De cagar na corte do Supremo Federal,

Canalhas jornalistas, gays comunistas,

Meus seguidores me chamam de “mito”.

 

Não vim como o messias construir,

E sim com minha loucura destruir,

Essa maldita subversiva cultura,

Derrubar cada pau dessa Amazônia,

Com minha democrata ditadura.

 

Negro se vende por quilo e arroba,

Índio tem que ser expulso e morto,

Cada dia falo minha merda ôba-ôba,

Rio tem que ser enterrado com mercúrio,

Sou Deus pelo caminho curvo e torto,

Militar bom é quem atira e rouba.

 

Vou detonar todo esse Pantanal,

Acabar com essa bicharada no lamaçal,

Com esse Mané, José e Juvenal,

Estourar essa tal camada de ozônio,

Com minha bombinha de plutônio.

 

Tenho meus generais de pijama,

Que ora urinam no pinico e na cama,

Todos são uns velhos frangotes,

Iludo meus apoiadores com lorotas,

Que acreditam que ainda tenho botas.

 

Sou o capitão expulso da negação,

Desmascarado da moto da morte,

Os malucos ainda entram na minha,

E na dos meus filhos da rachadinha

Que morra o fraco e viva o forte.

 

Fui até contrabandista garimpeiro,

Detesto todo cabra do estrangeiro,

Menos meu Tio Sam Trampeiro,

Meu Brasil dourado, Pátria Amada,

Eu sou a pregação besta fera do nada.

 

Que morram todos de fome e pandemia,

Alegria, Alegria e viva a mordomia,

O sol não bate mais nas bancas de jornais,

Bate nas fake news das redes sociais,

E o Brasil do dia a dia conta seus mortais.

 

Povo armado jamais será escravizado,

Atiro em quem não estiver do meu lado,

O coletivo social que vá pro espaço,

Sou o tirano desse povo colonizado,

E para vocês mando chupar o bagaço.

 

 

 





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