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ATÉ QUANDO OS JUDEUS VÃO CONTINUAR SEU GENOCÍDIO CONTRA OS PALESTINOS?

“O QUE MAIS PREOCUPA NÃO É O GRITO DOS VIOLENTOS, NEM DOS CORRUPTOS, NEM DOS DESONESTOS, NEM DOS SEM ÉTICAS. O QUE MAIS PREOCUPA É O SILÊNCIO DOS BONS” – MARTIM LUTHER KING.

Por várias vezes já coloquei este assunto da carnificina na Palestina (Alô meu companheiro Carlos Gonzalez) em pauta em nosso blog e acho que o tema tem que ser debatido diariamente, como forma de repúdio e revolta pelo que vem acontecendo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. São cenas de horror que vão ficar marcadas pelo resto da história.

Aquilo é um holocausto mesmo, como bem expressou o antropólogo e estudioso da história da humanidade Ordep Serpa. Segundo ele, holocausto é uma metáfora para o genocídio. É um tipo de sacrifício tendo como vítima um animal.

Na Uganda antiga de 1840 os reis kabakas Sunna e Mutesa praticavam sacríficos humanos, inclusive em suas coroações. O Mutesa deu um surto, entrou em seu harém e matou mais de 20 mulheres e, para cumprir os rituais ancestrais, todas foram queimadas. É só um exemplo para caracterizar um holocausto. Hitler, na Segunda Guerra Mundial, usou outros métodos contra os judeus que agora estão realizando um holocausto contra os palestinos.

A maioria dos gregos e judeus faziam essas oferendas aos deuses ou a um deus e depois o animal era   consumido – destaca o antropólogo. No holocausto, como explicou, a vítima é queimada e se torna cinzas. Holo no grego é todo, inteiro, Kaustos queimado, o que equivale consumar o ato de exterminar a vítima.

Não concordo com determinadas opiniões quando afirmam que não existe nenhuma outra correlação do holocausto judeu com genocídios de guerras, como da Bósnia contra os muçulmanos, no início da década de 90, e o que a Turquia fez contra os armênios, sem falar no holocausto contra os índios na América do Sul pelos espanhóis no final do século XV e início do XVI.

Dentro de toda esta carnificina estarrecedora, que os chefes de Estado (Estados Unidos e Europa) preferem se omitir, é bom que se registre a resistência das mulheres palestinas que se recusaram a permanecer caladas enquanto seu território era colonizado.

São lutadoras e heroínas que devem ser lembradas neste 8 de março dedicado às mulheres. É uma luta por solidariedade contra o extermínio cruel desse povo, onde mais de 70% dos assassinatos são de mulheres e crianças.

A pretexto do que fez o Hamas, em outubro, os judeus também podem ser considerados como bárbaros, termo empregado na história antiga greco-romana, que agora leva a nomenclatura de terroristas. Só mudam os nomes, como holocausto e genocídio.

“A VIDA COMO ELA É”

Hoje (ontem – dia 05/03/24) tive um dia corrido e agitado. Até a tecnologia resolveu me sacanear, invalidando uma senha do meu cartão que, na verdade, não estava incorreta. Alguém diria que é coisa da idade e lhe trata como velho. Quando se é jovem não se tem esse preconceito e essa discriminação.

Lembrei do filme “Um Dia de Cão” quando o cara fica engarrafado no trânsito e abandona seu carro na pista. Ele resolve sair agredindo as pessoas que encontra pela frente, num estilo psicopata. Por ser um tanto violento, o sujeito era separado da mulher e só queria chegar na hora do aniversário da sua filha para lhe dar um urso de pelúcia.

Passou também pela minha cabeça “A Vida Como Ela É”, do nosso grande cronista Nelson Rodrigues, tão criticado e até execrado pelos moralistas de plantão. O escritor abre as cortinas das vidas em famílias, muitas aparentemente decentes, unidas e cordiais, mas com pesadas cargas de hipocrisias e sodomias por parte de alguns membros. Ele cita até casos de incestos. Agora está passando uma novela cujo título é “A Família é Tudo”, termo muito usado no dia a dia pelos brasileiros. Nem sempre é assim.

Uma coisa talvez não tenha nada a ver com a outra. Só quis pegar esse “gancho” para confirmar o que retrata Nelson Rodrigues na “Vida como Ela É” onde cada um tem o seu próprio roteiro diário para, como se diz no popular, “matar um leão todo dia, ou de cada vez”. Outro aspecto a refletir é que sobre a vida, cada ser humano tem a sua própria definição sobre ela, seja psicológica, social, filosófica ou política.

A grande maioria, como no filme de Scorsese, se não me engano, afirma que “A Vida é Bela”, mas existe quem discorde disso, e devemos respeitar porque uns vivem a padecer, a sofrer com suas graves doenças, dores, pobrezas e outras mazelas, enquanto outros curtem bonanças, riquezas e prazeres. Tem os que mesmo no sofrimento conseguem ver a vida sobre o ângulo bom e não andam se lamuriando pelos cantos. Tem aqueles que questionam a existência de Deus por existir esses dois lados, o do bem e do mal.

Dizem que a vida é passageira, e por ser curta, deve ser bem aproveitada em todos os seus momentos. Há quem defina as etapas da vida como as diversas paradas de um trem nas estações até chegar ao seu final. Uns descem e outros entram para continuar a jornada.

Cada um segue caminhos diferentes para se encontrar no mesmo lugar, na margem do rio, onde o barqueiro lhe transporta para o outro lado, isto se você estiver com a moeda da passagem. Sobre “A Vida Como Ela É”, meu amigo, você vai encontrar milhares e milhões de interpretações nas linguagens de filósofos, psicólogos, escritores, poetas e artistas os mais diversos, mas você tem a sua.

Por que uns vivem rindo e distribuindo o bem, mesmo nos momentos mais difíceis e cruéis, enquanto outros são carrancudos, amargurados, do tipo coração de pedra. Existem os extremos, o bom, o mau e o feio, como no filme de faroeste de Sérgio Leone.

Parodiando Nelson Rodrigues, eu diria que a vida é como ela é e não adianta querer decifrar o seu mistério. Uns acreditam no destino e que nada acontece por acaso. Tem a sorte e o azar, e a que os astros, os búzios regem a vida.

O cristianismo ensina que a vida não se acaba na morte e que ela pode ir para o inferno, o purgatório ou o céu. Algumas culturas africanas veneram seus ancestrais, cujos espíritos vivem nas florestas e nas montanhas mais altas.

O espírita crer na reencarnação da alma e não na morte. Até no plano sobrenatural e teológico, a vida é como ela é. No mundo perverso de hoje, você sai e não sabe se volta. Não adianta mais falar dos bons tempos de paz, harmonia e solidariedade humana.

UMA EPIDEMIA ANUNCIADA

O povo sempre é o maior culpado e termina levando a pior em tudo. Os governantes, sempre negligentes, sem planos, na base do improviso, são os maiores responsáveis e ainda vão para a mídia com suas medidas demagógicas de que estão empenhados em resolver o problem. Sempre saem de boa, com aparência de preocupados; enganam o povo direitinho. A imprensa não questiona e só noticia os fatos, por linhas tortas.

Estou falando da dengue (mais de um milhão de casos neste ano) que já matou muita gente neste país doente, que agora se vangloria de ser a décima economia do mundo onde a concentração de renda das elites aprofunda ainda mais as desigualdades sociais que fazem aumentar a fome da extrema pobreza. Discutir essas questões degradantes é ser chamado de esquerdista comunista. Ainda estamos nesse nível de mentalidade brucutu.

Quase metade do Brasil não tem saneamento básico e milhões vivem em barracos cheios de vielas de esgotos correndo a céu aberto. Era a Covid-19 que matou mais de 700 mil criaturas e agora é a dengue. Somos um país doente de sarampo, catapora e outras pestes, vírus e bactérias. O sistema de saúde é precário.

Fala-se tanto em prevenção da saúde, mas o governo é o primeiro a não fazer sua parte. No ano passado tivemos altas temperaturas e dizem que foi o El Nino o vilão das mudanças climáticas (o homem sim, é que foi o carrasco da natureza), desmatamentos das florestas, enchentes, catástrofes e tragédias.

Sem obras de drenagens adequadas, nas médias e grandes cidades, principalmente nas periferias, as águas ficaram empoçadas por muito tempo em locais abertos. Os terrenos vazios de propriedades de particulares e até públicas servem de criadouros do mosquito da dengue. Ficam abandonados e não se cumpre a lei de limpá-los e cercá-los sob pena de multas. Vitória da Conquista é um clássico exemplo desse descumprimento.

Tudo isso anunciado e os governos municipal, estadual e federal não tomaram nenhuma providência antecipada para evitar a proliferação desse inseto mortífero. Só agora, com seus longos blablabás, aparecem na televisão, nas rádios e nos jornais com campanhas de combate, vacinas atrasadas e ainda colocando o povo como os maiores propagadores da doença.

Para completar o enredo macabro da história, tem a cara de pau de falar de prevenção, e que a população procure de imediato os médicos nos órgãos de saúde. Quando o doente chega lá, os corredores dos hospitais, das UPAS, dos postos da família dos bairros estão simplesmente superlotados e a pessoa fica horas para ser atendida. Muitas vezes nem é examinada e volta para casa gemendo de dores, febre e outros sintomas agudos no corpo.

Em muitas cidades brasileiras, como aqui em Vitória da Conquista, existem postos sem médicos. Então o pobre desgraçado, que só serve para dar o voto, é largado à própria sorte. Muitas vezes nem consegue o pedido para fazer o teste num laboratório público, que leva 10 e até 15 dias para sair o resultado. Durante este período, ou o paciente fica bom, ou morre.

Não aguento mais esse papo furado de que nos primeiros sintomas, procure o médico, como se cada um neste Brasil sem planejamentos e feio na fita da educação e da saúde, tivesse seu próprio médico. Outra coisa é “não tome medicação sem a recomendação médica”, como se todos tivessem essa assistência na hora. Isso é uma tremenda hipocrisia e estelionato dos governos.

Infelizmente, a nossa mídia não questiona essa situação e não cobra mais ação dos responsáveis que nunca são responsabilizados e punidos. Não se sabe se por preguiça ou incompetência, as grandes empresas de comunicação, principalmente, rezam na mesma cartilha; fazem só o factual; e não mostram o outro lado. Passam o tempo todo condenando o povo, a maioria sem educação, pobres moribundos morando em favelas ao lado dos focos do mosquito.

Vivemos numa pátria que não cuida de seus filhos. Muitos até argumentam que é um exagero e que tem uns, como eu, que são pessimistas e que deturpam e rebaixam a imagem do Brasil. Repudiam a verdade e preferem ficar no limbo da mentira, da enganação e do faz de conta que tudo é uma maravilha.

Que adianta sermos os maiores exportadores de grãos com a fama de depredadores do meio ambiente e de sermos ainda uma nação atrasada? Não temos parques avançados da indústria de química fina e a ampola de um remédio para uma doença grave chega a custar 10 e até mais de 100 mil reais. Pena, mas o nosso nível ainda é de uma colônia provinciana produtora de matérias-primas que imita os países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos.

“A MÁSCARA DA ÁFRICA” II

No capítulo de “Lugares Sagrados”, do livro “A Máscara da África”, o escritor V. S. Naipaul viaja até Lagos, na Nigéria, entre 2008/09, onde narra as tradições do sagrado africano num diálogo com seus guias turísticos e o executivo Adesina, diretor de uma multinacional. Visita babalaôs, fala das religiões estrangeiras do cristianismo e do islamismo. Ouve pessoas sobre as tradições culturais e mitos dos antepassados. As igrejas cristãs não conseguiram se fixar no norte da Nigéria onde predomina o muçulmano.

Naipaul afirma que os nigerianos têm sua própria noção de status. Eles se divertem com coisas que outras pessoas levariam a sério. Um passaporte diplomático, com suas várias imunidades, era um dos brinquedos que tinham chegado com a independência e a criação do Estado. Em sua visita, em Lagos e outras cidades, ele observa de perto a miséria de um povo nos bairros mais pobres, mesmo com a chegada do petróleo.

Destaca que o edifício do aeroporto, conforme observou em sua chegada, era caótico por dentro. Nas ruas, mendigos saiam da escuridão. No hotel havia um aviso de que todo cuidado era pouco antes de entrar num taxi. No saguão do hotel ele se fixou numa escultura atraente e misteriosa africana. Me disseram que era uma figura de baile de máscaras.

O escritor cita passagens do viajante e pesquisador Mungo Park (1771-1806). Na época das guerras napoleônicas, por volta de 1790, Park descreve as crueldades e privações, na maior parte provocadas por mercadores de escravos que conduziam seus cativos acorrentados desde o interior, levando-os semidoentes e mal alimentados ao longo de 800 quilômetros até a costa, para serem vendidos e guardados nos porões dos navios atlânticos.

No livro de Park, aparece a figura do Munbo Jumbo. Na cidade de Kolor, Naipaul viu uma roupa mascarada, pendendo do alto de uma árvore. Disseram pertencer a Mumbo Jumbo, um tipo de bicho-papão, comum a todas aldeias dingas, muito empregado pelos nativos para manter suas mulheres submissas. A África era polígama nessa época.

Diz a tradição que, quando a mulher não obedecia ao marido ou fazia coisas erradas, ele chamava o Mumbo Jumbo que saia da floresta com todo seu disfarce até um ponto da aldeia onde os moradores se reuniam. Muitas vezes era o próprio marido. Canta-se e dança-se até à meia noite. Mumbo declara que a mulher é culpada. Ela é agarrada, suas roupas são arrancadas e, nua, é amarrada a um poste e espancada até o amanhecer por Mumbo e seu cajado. Os aldeões gritam de prazer e não demonstram misericórdia.

A África hoje não é mais polígama, só os muçulmanos. A Nigéria agora é rica por causa do petróleo. Essa Nigéria moderna tem a idade de oito ou dez gerações. Alguns maias dotados carregam esse fardo da juventude do país. O escritor conhece um tal de Edun que nascera em Manchester, na Inglaterra. Era um imigrante que não conhecera a tradição de cem anos atrás. Edun foi poupado do outro lado da mentalidade nigeriana que mergulha bem fundo em antigas crenças e magias, que resiste à racionalidade.

O autor também conversa com um empreiteiro que diz ser cristão iorubá. Ele veio de uma família católica e disse ter visto uma menina possuída pelo Espírito Santo, sendo purificada. Aquilo lhe deixou mais espiritual ao ponto de acreditar que existe um alfa e um ômega que nos vigia. Em sua visão, quando o homem tem educação, ele pode racionalizar melhor.

Sobre as divindades tradicionais, afirmou serem bem conhecidas internacionalmente. Existem sítios sagrados ou santuários e festivais. Edun citou um bosque onde se realiza o festival de Oxum, em Osogbo. Seguidores do orixá se reúnem ali em hordas e rezam pelo que querem com os pais e as mães de santo. Para o festival vem gente do Brasil, de Cuba, dos Estados Unidos e do Haiti e dura uma semana. No último dia, uma virgem com uma grande cabaça sobre a cabeça caminha até o rio (Oxum que também é o nome de um estado da Nigéria, cuja capital é Osogbo).

Naipaul ressalta que são muitos os orixás (deuses e deusas iorubanos) e suas histórias se entrelaçam. O empreiteiro narra muitas histórias da Nigéria, como a de pastores das igrejas que vão discretamente a um pai de santo tradicional num santuário. Havia um rei de Lagos que era chamado de obá. Existem obás (chefes) por toda Nigéria, uns hereditários e outros pagos pelo governo.

A Nigéria, antes de ser britânica, foi portuguesa. Os seus guias de viagem contam que nos velhos tempos, o obá e os chefes sentavam em esteiras e falavam uns com os outros no pátio aberto. Um amigo do norte, de Kano, lhe confidenciou que o nigeriano pode ter uma cultura equina, mas não tem amor pelos animais. Naipaul observou que não haviam cães e gatos comuns perambulando nas ruas.

Em sua viagem, o escritor também conheceu Adesina, um executivo financeiro, com qual trocou experiências e ideias sobre a Nigéria. Com ele conheceu vários santuários. O pai de Adesina, que era católico, se converteu ao islamismo por causa dos árabes comerciantes do norte. Eles traduziram o Corão para o iorubá e pregavam na mesma língua.

Quando Adesina ainda era menino, seus pais perderam todos os bens. A tribo da família foi acusada de usar amuletos para matar um homem poderoso de outra tribo. Pela tradição, ele teve que trabalhar e tomar conta da família. Ele se especializou em cálculos.

Em conversa com o escritor, Adesina revelou que todas as pessoas ricas e os guerreiros da sua tribo consultam seu adivinho ou babalaô antes de irem a qualquer lugar ou fazer qualquer transação. Até mesmo os obás têm seus babalaôs, que ocupam o nível mais alto entre os adivinhos e são chamados de arabas na terra iorubana. Se houver algum problema, o babalaô vai dizer que é preciso consultar o ifá (o rosário-de-ifá e as dezesseis sementes de dendê). No ritual, o babalaô jogo um ou o outro e lê a mensagem do oráculo.

O EMBARQUE DA DOR

(Chico Ribeiro Neto)

Marinheiros soturnos carregam o navio “Amargura” com caixas de dores e de maus humores. Um marinheiro pirata consegue infiltrar, no meio dessa carga pesada, uma caixa de Esperança.

O capitão Cinzento, comandante do navio, que também tem uma perna de pau (a outra o tubarão comeu), berra as últimas ordens ameaçando jogar ao mar quem o desobedecer. Ninguém também ousa desafiar as ordens do Imediato, Carne de Pescoço.

O “Amargura” zarpa do Porto da Vida com o barulho dos seus motores. No cais poucos homens de cinza acenam com lenços cinza. Ninguém chora, só olham e acenam.

O apito do navio é mais triste do que o canto do “rasga-mortalha”, um tipo de coruja do Nordeste que, quando passa piando sobre uma casa, é sinal de que ali tem alguém prestes a morrer.

O capitão Cinzento ameaça jogar ao mar, com as mãos amarradas, aquele que perguntar para onde vai o navio, e depois vai catar cupim na sua perna de pau.

As caixas das dores balançam muito. As embalagens não contêm etiquetas de remetente nem destinatário. Nenhuma diz “Este lado para cima”. A única etiqueta é “Cuidado, Frágil”.

Há dores de todo tipo: de amor, de tristeza, de angústia, de cotovelo, de dedão do pé e de dente.

Os marinheiros do “Amargura”, quando bebem à noite, não cantam animados; dão gritos roucos, grunhidos de angústia e fazem uma dança sem graça que mais parece uma procissão.

Os que bebem demais pensam em jogar no mar a perna de pau que o capitão Cinzento tira pra dormir.

Pendurados no “Amargura”, os quatro botes salva-vidas se chamam “Medo”, “Fuga”, “Remédio” e “Queixa”.

Passa um navio que parece ter outro destino. Seu mome é “X do Problema”. Mais adiante passa o saveiro “Sonho”, tripulado por três crianças.

O “Amargura” cruza o Mar da Alma numa noite terrível. Uma tempestade varre o convés e faz o navio “jogar” muito. Com o balanço, as caixas no porão correm de um lado pra outro. A caixa da Esperança se parte e ela vai rolando até cair no mar. A Esperança não tem as mãos amarradas e sabe nadar.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

LEIAMAISBA.COM

www.leiamaisba.com

 

“O ESTRANHO”

Não consegui um dedo de prosa com esse senhor solitário sentado numa cadeira com seu acampamento ao lado, ou uma espécie de barraca, na Avenida Bartolomeu de Gusmão, por isso que resolvi chamá-lo de “O Estranho”, como se fosse seu nome. Cheguei com minha máquina e tentei emplacar uma conversa para saber da sua graça, de onde vinha e o que fazia ali naquela tarde nublada costurando, se não me engano, uma camisa, calça ou calção. Mal me respondeu e não me deu nenhuma atenção. Quando se está com um problema ou aperreio na vida, cada ser humano age de uma forma diferente. Tem uns que vão logo se abrindo, contam sua história e pede uma ajuda para sobreviver. Outros são introspectivos, se fecham e não querem papo com ninguém. Tem   suas próprias razões para assim se comportar. Na minha jornada jornalística de 50 anos como profissional tenho, em alguns momentos, feito o dublê de psicólogo. Na grande maioria das vezes consegui arrancar até um bom papo e fazer uma entrevista, mas não com “O Estranho”, por mais que tenha tentado, e olha que sou insistente. No entanto, senti que melhor seria dizer um “tá bem” e desejar-lhe sorte. “O Estranho” estava “enfezado” ou banzo e, com certeza, passando por uma situação difícil que a nossa sociedade nem quer saber. Seu gesto foi de protesto e de menosprezo com a minha aproximação. Achei mais sensato não o importunar, se ele deu a entender que o deixasse em paz com sua dor, sua mágoa e sofrimento. “ vida é como ela é” – lembrei de Nelson Rodrigues.

VI O AGUACEIRO BATER

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Como num beijo elétrico,

As nuvens pesadas escuras,

Riscam raios na serra,

Lembro da minha querida terra,

E o trovão celebra as aberturas,

Das chuvas de verão,

Das danças indígenas tupãs,

Chamando seus ancestrais xamãs.

 

Naquela tarde calorosa,

Vi o aguaceiro bater,

Na roça do meu gravatá,

O verde todo florescer,

Ao lado de você,

Toda linda charmosa,

E a nambu alegre cantar,

Na campina a perdiz e a juriti,

Vi o sonho clarear.

 

Vi o aguaceiro bater,

O facão brandir no terreiro,

No Nordeste faroeste inteiro,

Senti o cheiro do solo encharcar,

O mandacaru florar,

O mato viçoso exuberante,

O sertanejo forte gigante,

Na escola a criança,

Renascer a fé e a esperança.

 

Vi o aguaceiro bater,

Dentro de mim,

Com alma de poesia,

Minha deusa guia,

Do não e do sim,

Depois da seca danada,

Vi o lavrador com sua enxada,

O chão molhado cavar,

Para a semente semear.

 

Vi a lavoura nascer,

No milagre da natureza,

Espantar toda tristeza,

No aguaceiro a bater.

 

PARDOS-BRANCOS E OUTROS ASSUNTOS

A esta altura no Brasil ainda estamos discutindo, brigando e xingando por causa da cor da pele, se branco, negro, pardo, amarelo, cabo-verde ou caboclo. Não se prega que todos somos iguais perante a Constituição? Dizem que o sertão vai virar mar. Digo que o sertão vai é virar deserto. Não concordo que a voz do povo é a voz de Deus, e que tudo que acontece foi Ele que assim quis.

Essa política de cotas no país, inclusive para LGBT e mulheres, é puro populismo eleitoreiro que, ao invés de unir, só faz separar e criar mais ódio. Desprezamos a meritocracia dos mais esforçados, inclusive do pobre, seja lá qual for o tom da sua cútis, que derramam suor, lágrimas e sacrifícios para alcançar seus objetivos e premiamos muitos que terminam se acomodando com essa reserva de mercado.

Deixamos de enaltecer o mérito e preferimos o contraditório. O patrulhamento nos vigia dia e noite e não podemos emitir nossa opinião contrária, senão seremos logo rotulados de politicamente incorretos, racistas ou outra coisa bem pior.

Nesse entrevero da moléstia, o pardo não pode entrar com um pedido de cota senão ele será processado e execrado como branco oportunista. É o pardo-branco. Num Brasil tão miscigenado, como distinguir que o indivíduo é branco ou pardo? Seus antepassados não contam?

Meu companheiro jornalista Carlos Gonzalez me disse ter consultado a página do IBGE na internet e constatado que os pardos em Vitória da Conquista são maioria. “Na questão da premiação do edital da Lei Paulo Gustavo (citação dele), o beneficiado deveria ser o branco, com apenas 15%”. Não é contraditório e paradoxal?

Para as eleições municipais aprovaram uma carreta de 5 bilhões de reais para os partidos esbanjarem. Os maiores, cujos políticos com mandatos têm uma máquina de benesses e privilégios nas mãos, são os que levam a maior fatia do bolo. Isso é justo?

Não deveria ser o contrário? Como o pequeno vai disputar com esse grande? Ainda existem as cotas. Como resultado, temos a perpetuação no poder por 30, 40 e até 50 anos e, quando o político “velha raposa” larga o osso, deixa para seu herdeiro. As ditas “reformas” são tapa-buracos num barco apodrecido comandado pelos coronéis, não importando se de esquerda, direita, centro ou de extrema.

É a vida como ela é, meu amigo, de um sistema retrógrado que nunca vai mudar esse país. É esse esquema bruto que mantém as profundas desigualdades sociais, a pobreza e a miséria. Eles não querem incentivar a cultura, mas injetar mais ignorância e analfabetismo nas veias do povo. O menor de idade não pode ser responsabilizado pelos seus atos criminalmente, mas tem o direito de votar porque essa categoria é fácil de ser manipulada.

Outra questão que não consigo engolir são esses programas de Fies, Prouni, Sisu e outros que só fazem encher as burras de dinheiro das faculdades privadas. Por que não pegar esses bilhões de reais e investir nas universidades públicas, qualificá-las melhor, ampliar as vagas e torná-las mais atrativas para que todos nelas estudem, sem distinção de cor e gênero? Só queria entender!

Na verdade, a intenção é fazer a política do pai dos pobres ou das minorias e mãe dos ricos e da elite para agradar a todos. O jogo é ficar bem na fita, e ai de quem contestar! O nosso QI é abaixo da média internacional e vamos levando aquela vidinha de pataca.

Quem manda nesse Brasil (o maior problema) é o sistema financeiro bancário. Os quatro maiores bancos tiveram um lucro de 25 bilhões de reais no último trimestre. Por dia, essas instituições lucram 400 milhões de reais e dois bilhões por semana. Os outros não passam de idiotas otários sem capacidade para refletir ou discernir o certo do errado.

Quem comunga e concorda com essas pontuações feitas por mim (não me incomoda a ira e podem jogar suas pedras que não me atingem) é considerado portador de uma linguagem direitista e atrasada porque toca na ferida deles. Preferem que as coisas continuem como estão. Confundem o que é esquerda progressista e o que é direita conservadora. Muitas ideias parecem ser de esquerda, mas não são, e vice-versa.

Para finalizar minha salada de questionamentos, as pessoas hoje estão sendo classificadas e rotuladas através de siglas e letras como se fossem placas de veículos. Não vai demorar e logo nossos nomes vão ser trocados por esses ícones nas certidões de nascimentos. Não temos mais privacidades. As câmaras vigiam nossos passos e logo a inteligência artificial vai revelar nossos pensamentos.

 

RELIGIÃO, EDUCAÇÃO E SAÚDE

Carlos Alberto González

O Brasil tem mais instituições religiosas do que a soma de organizações escolares e de saúde. Os dados foram apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o Censo 2022/2023. Os números não chegam a surpreender às pessoas que, por diferentes motivos, visitam os bairros das periferias das grandes cidades, ou viajam pelo interior do Brasil. A percepção que têm é de o evangelismo de matriz pentecostal está evoluindo, no sentido de que, a partir da próxima década, deixemos de ser “a nação mais católica do mundo”.

O último recenseamento revelou que o Brasil possui 579.800 entidades religiosas (igrejas, templos, terreiros, centros espíritas, sinagogas, mesquitas e outros), ante 264.400 unidades de ensino e 247.400 clínicas médicas, postos de saúde e hospitais. Essa desigualdade numa escala de valores – excetuam-se São Paulo, Piauí e os três estados do Sul – não deixa dúvidas de que nossos governantes não priorizam as necessidades básicas das populações, mesmo levando em conta o aumento daqueles que abraçam a “doutrina do dízimo”.

A coleta de dados pelo IBGE deveria merecer uma análise dos poderes públicos. Por exemplo, uma média de 17 templos evangélicos é aberta diariamente nos 5.568 municípios brasileiros, muitos deles sem alvarás de funcionamento da prefeitura e do Corpo de Bombeiros, e sem o CNPJ fornecido pela Receita Federal. Como as fundações criadas por jogadores de futebol e artistas famosos, essas casas, adjetivadas de religiosas, isentas do pagamento de impostos, assumem as despesas do seu dono.

Quando apuramos os números da Bahia verificamos que dos nove milhões de endereços encontrados nos 417 municípios do Estado, 52.939 pertencem a instituições religiosas, o dobro dos estabelecimentos de ensino (28.315) e o triplo dos relacionados como de saúde (16.347). A média é maior do que a nacional. Segundo as coordenadas, seis em cada 10 municípios, incluindo Salvador, a soma de escolas e de unidades médicas e hospitalares é inferior a de igrejas e templos.

Ao analisarmos Salvador, observamos que 6.032 imóveis rotulados de religiosos (média de 2,5 para cada 1.000 habitantes) configuram o dobro dos estabelecimentos de ensino (3.018) e quatro vezes os de saúde (1.509). Este último dado é assustador, porque revela que nos dias atuais o soteropolitano, principalmente aqueles que dependem de assistência médica do Estado ou do município, está permanentemente sujeito a contrair uma doença virótica. O Carnaval acabou, mas as festas com aglomerações continuam, incentivadas ou organizadas pela prefeitura, o que resulta na propagação da dengue.

Os números coletados pelo último Censo em Vitória da Conquista são um reflexo do quadro nacional. Cristãos, umbandistas e espíritas contam com 1.162 locais para professar sua fé ou crença, ante 430 que se ocupam do ensino e 488 unidades de saúde (postos, hospitais e clínicas). Não há necessidade do uso da calculadora para ver que o conquistense está se dedicando mais à salvação da alma do que do corpo, e que há milhares de crianças e jovens longe dos bancos escolares.

Na opinião do demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, essa transição religiosa – hoje há 50% de católicos e 30% de protestantes, incluindo missionários (Batista, Presbiteriana e Metodista), pentecostais (Assembleia de Deus, Congregação Cristã do Brasil e Deus é Amor) e neopentecostais (Universal e Renascer em Cristo) – se deve a um enfraquecimento do catolicismo, notadamente nas periferias das cidades, onde as igrejas permanecem fechadas por falta de um padre.

Pentecostais e neopentecostais se aproveitam dessa ausência para introduzir a sua doutrina, que consiste, basicamente, em vender a felicidade ao homem fragilizado pela pobreza e abandonado pelo poder público. Em troca, aquele humilde de espírito faz sua doação, em dinheiro ou em bens, para a igreja. No Brasil e nos países africanos – a Igreja Universal e a TV Record foram expulsas de Angola, acusadas de vários crimes – os “mercadores da fé” encontram terreno fértil para plantar a doutrina da conversão e da salvação.

Em centenas de municípios brasileiros, localizados em sua maioria no Norte e Nordeste, o dinheiro circulante é fruto das aposentadorias pelo Funrural ou dos auxílios do governo federal. O dízimo doado mensalmente para quem ganha um salário mínimo corresponde a R$141, o preço de um botijão de gás de cozinha. Uma semente de feijão foi vendida por um “apóstolo” a R$ 1.000 como remédio para a cura da Covid-19. Fundada em julho de 1977 pelo bispo Edir Macedo – sua fortuna é avaliada em R$ 6 bi -, a IURD possui 12.500 templos em 143 países. No Brasil está em 2.319 cidades, totalizando 5.500 edificações.

Há 10 anos um líder da Igreja Anglicana no Brasil denunciava um plano, que qualificamos de terrorista, agregando religião e política, e arquitetado por influenciadores evangélicos, com o objetivo de tomar o poder no Brasil. Aqui seria criado um estado fundamentalista, com abolição de práticas de outras religiões, perseguição aos adeptos dos cultos de raízes africanas e limitação dos direitos humanos às mulheres, que seriam obrigadas a usar a burka e “aposentar” o biquini. Jair Bolsonaro emerge do baixo clero da Câmara dos Deputados para assumir a chefia do talisbã tupiniquim. A pandemia impediu (ou adiou) a execução do plano delatado pelo bispo anglicano.

 

APROVAR O ALUNO SEM SABER PODE LHE RENDER UMA REPROVAÇÃO LÁ NA FRENTE

Quando falamos de um passado feliz de brincadeiras de criança e como funcionava o sistema de ensino nas escolas públicas, o respeito aos professores, aos pais e aos mais velhos, logo aparece alguém para dizer que as coisas mudaram e até que você é um atrasado.

Não vou aqui questionar de que as mudanças são inevitáveis e muitas são até salutares, advindas do progresso e agora com o avanço das novas tecnologias da informática. No entanto, por razões diferentes, como a deficiência escolar, a maioria das mudanças vieram para piorar o ser humano, hoje tão desumano.

Essa abertura serviu apenas para entrarmos no assunto principal que é a aprovação do estudante de um ano para o outro, mesmo que suas notas nas matérias ou disciplinas não sejam suficientes para tanto. A fala do governador Jerônimo, do PT, deixou claro que a escola que reprova é uma instituição arbitrária e condenou a reprovação.

Em minha opinião, acho isso um absurdo dos absurdos e até mesmo uma maldade contra a criança e o jovem, além de ser um desrespeito ao professor. O estudante de hoje, que pouco interesse tem pelos estudos (nem todos), e isso é sim uma falha da Educação, deve concordar com o governador, mas não tem a capacidade de refletir que ele será o maior prejudicado no futuro.

Como o próprio título do meu comentário já diz, aprovar o aluno sem saber pode lhe render uma tremenda dor de cabeça lá na frente. O que adianta ele tirar um diploma de ensino médio, por exemplo, sem conhecimento básico, principalmente do português e da matemática, e depois ser reprovado pelo mercado de trabalho por ser um semianalfabeto?

Quem será o mais prejudicado nessa história? Isso o jovem só vai constatar e descobrir quando se sentir rejeitado em qualquer contratação de trabalho por não saber escrever um parágrafo e não fazer as principais operações de matemática. Como se diz no popular, aí é que sua ficha vai cair de verdade, de que foi enganado e lesado. Ele vai cair na zona escura do subemprego, ficar de fora ou ter que tomar  um curso.  Essa tese da não reprovação, sr. Governador, não passa de um estelionato.

Se o estudante não pode ser reprovado, então ele não precisa mais frequentar a escola, fazer provas, exercícios escolares ou pegar num livro para ler. A criança já entra no primeiro ano sabendo que não vai ser reprovado. É mais um incentivo à evasão escolar.

É também um estímulo à preguiça de estudar. Por sua vez, o professor não pode fazer nenhuma advertência (isso hoje já é até proibido) porque o aluno vai responder que ele não pode lhe reprovar. As notas em si não têm nenhum valor. Se já temos uma geração de alienados, com essa vamos ter uma país de ignorantes em sua totalidade.

Não vou aqui ficar enchendo o saco de vocês para descrever como a escola pública era eficiente nos anos 40, 50 e 60, ao ponto da demanda dos pais por esta ser maior do que pelo ensino particular. De lá para cá houve uma degradação e uma inversão de valores.

O resultado de tudo isso todos sabem hoje no comportamento das pessoas, especialmente da nossa juventude, onde poucos querem saber de cultura e ler a obra de um escritor. O que temos hoje nas escolas é violência, desacato ao mestre e desobediência aos país. O comando hoje é do celular, e a grande maioria vira a cara quando ver um idoso.

E as brincadeiras de meninos e meninas naquele tempo! Sem essa de saudosismos baratos, mas éramos felizes e não sabíamos. Havia brigas e apelidos, mas depois todos estavam se abraçando. O maior medo era tirar uma nota vermelha ou praticar alguma desordem na escola. Os pais chegavam juntos para repreender. No mais, a velha geração sabe contar causos, casos e histórias de como era bom aqueles tempos.





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