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SONHO DE PESADELO

Às vezes temos a impressão que ingerimos um pesado alucinógeno que faz a cabeça ferver como num pesadelo em meio a escombros e monstros alucinados de chifres a nos perseguir. Corremos desesperadamente entre labirintos para fugir dos horrores, e as saídas que imaginamos se fecham.

Em algum ponto da agonia de morte, acordamos suados de tanto esforço para nos salvar. Somos uma massa de desumanizados, embora se fale muito em solidariedade e se arrecade cestas básicas para os famintos. Temos um Natal de mesas cheias para poucos, e vazias para uma grande maioria. As festas de fogos coloridos nos finais de ano não me encantam mais. Sou mais os foguetórios de São João, quando alguém se casa ou nasce uma criança.

Quando ainda menino, meu pai dizia para não ficar na roça no cabo da enxada porque aquilo era o maior atraso para o homem. Passados muitos anos, cá estou na grande cidade agitada, de multidões apressadas que se cruzam indiferentes na luta pela sobrevivência. Olho para o alto e só vejo edifícios. A minha selva de árvores é de pedras num céu sombrio de nuvens raras e sem cores. Com as luzes incandescentes dos postes que deslizam no asfalto e fios embaralhados, não vejo mais a lua dos enamorados. Meu sonho virou um pesadelo.

Cada um tem algum problema para resolver porque as faturas e os boletos das contas chegam todo final de mês para pagar. O telefone sempre toca do outro lado de algum call center oferecendo um produto. Aquela musiquinha chata nos irrita. Fico estressado e desligo. A grande maioria virou freguês cativo do sistema que não perdoa quem sair das regras emanadas lá do alto do grande escalão das castas.

O cérebro arde quando a inflação aparece nos letreiros das prateleiras dos supermercados e das feiras. Os números sobem nas bombas de combustíveis, milhões vagam desempregados, um homem de terno com um livro na mão prega o fanatismo na praça e condena aqueles que ele considera de infiéis, pagãos e depravados. Acelero meus passos entre camelôs que gritam para vender suas mercadorias, e nas sinaleiras a fome pede comida.

Meu pai também comentava que no final dos tempos (acho que se referia ao juízo final), o mundo ia virar um formigueiro de um movimento acelerado de pessoas indo e voltando. Uma mulher caiu na calçada, mas ninguém viu. Os letreiros me convidam para entrar. Às vezes fixo o olhar na labuta do vaivém das formigas em meu quintal, e logo lembro dos dizeres do meu pai.

Basta um toque no buraco para elas se espalharem perdidas e nervosas. Até se atacam como no chamado feromônio, mas depois com o tempo se acalmam e voltam ao ritmo de antes para a entrada e saída da toca. Refazem os estragos, e o formigueiro volta a funcionar. São incansáveis trabalhadoras que cortam nossas lavouras, mas a natureza sabe o que faz.

O planeta já deve ter cerca de oito bilhões dessas formigas humanas gigantes e, mesmo com bombardeios, pestes, venenos de agrotóxicos e escassez de alimentos para os mais fracos, o número só faz crescer. O que será quando tiver 15 ou 20 bilhões em terras quase desérticas? A profecia do meu pai estará se concretizando. A paisagem poderá se tornar árida na terra dos homens predadores.

Do pesadelo alucinógeno e dos formigueiros das cidades grandes, a vida é real quando se acorda com as ruas e avenidas cheias de neurônios enlouquecidos que cada vez mais se odeiam nas redes sociais. Cada um cuida de si, e o outro é um concorrente que precisa ser expelido. Vale o levar vantagem em tudo, não importam os métodos. Os fins justificam os meios.

Não seria melhor ter ficado na roça no cabo da enxada, ouvindo o cantarolar livre dos pássaros, ou tomando café no bule torrado no pilão numa conversa animada de compadres noite a dentro até o galo cantar, sem pensar no existencialismo e outras filosofias do tipo, ser ou não ser? Quem quer saber do Eu Profundo, ou do saber humanista? Mergulhar em si só se for numa piscina, no rio ou no mar.

Moro hoje isolado num pedaço gigante de uma terra chamada de Brasil onde se vive um pesadelo coletivo de intolerâncias, instigadas por um tamanduá faminto sugador de sonhos e esperanças. Parece que todos foram contaminados pela droga da destruição onde optaram pela separação e a divisão entre nós e eles. Nos chamam de terráqueos bárbaros como cães raivosos. Nos olham de longe como se fossem ferozes e contagiosos.

“EXPOSIÇÃO ARTE CONQUISTA”

Em homenagem ao centenário da Semana da Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, um marco divisor das linguagens artísticas no Brasil, culminando com o movimento antropofágico de Oswaldo de Andrade, a prefeita Sheila Lemos e o secretário de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer, Xangai abriram, ontem (dia 17/12), a “Exposição Arte Conquista”, no Memorial Régis Pacheco, em frente à Praça Tancredo Neves.

O evento, com a participação de 25 artistas conquistenses de diversas áreas e cerca de 80 obras, ficará aberto ao público até o dia 28 de fevereiro de 2022. Literatura, pintura, escultura, cordel, fotografia e outras linguagens fazem parte da mostra que celebra os 100 anos da Semana da Arte Moderna. A prefeita falou da importância da exposição para a cultura de Vitória da Conquista e elogiou os trabalhos dos artistas da terra.

Logo após a abertura da solenidade, o violeiro, compositor e cantor Xangai apresentou suas cantorias e também destacou a importância do evento para a cidade, ao convidar as pessoas, principalmente estudantes, professores, intelectuais e interessados a conhecerem as obras durante sua permanência na Casa Régis Pacheco. A artista e cantora Rosa Aurich falou da Semana da Arte Moderna e ainda abrilhantou o público com alguns números musicais.

Estão participando da Exposição Arte Conquista, os artistas Alan de Kard, Alex Emmanuel, Alberto David, Ailton Dias, Cassiano Ribeiro, Domícios Campos, Edméia de Oliveira, Geraldo Bope, Jeremias Macário, João Marcos Oliveira, Lilian Morais, Liva Andrade, Marisa Correia, Mida Magnavita, Mozart Tanajura Júnior, Orlando Sena, Romeu Ferreira, Rosa Aurich, Sérgio Souto, Sílvio Jessé, Tina Rocha, Valy Matos, Valéria Vidigal e Yamanu.

“JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO E O DESENVOLVIMENTO SOCIAL”

Desigualdade e vulnerabilidade social, a inclusão do jovem nas leis de aprendizagem e do estágio no mercado de trabalho, a empresa que não segue os ritos da lei, a informalidade, a evasão escolar e a necessidade do emprego para o sustento familiar são questões pertinentes e atuais abordadas pelo professor, conselheiro-presidente do Instituto Alfam, gestor e consultor empresarial Fabrício Vieira Silva em um dos capítulos do livro “Relações Humanas-desafios e perspectivas”.

Todos esses problemas, como aponta o mestre em Desenvolvimento e Gestão Social pela Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia, terminam refletindo no desenvolvimento do país, detentor de grandes riquezas, mas com instabilidade econômica e social de toda ordem, bem como escassez de recursos para assegurar as condições básicas à população (educação, saúde precárias) menos favorecidas- assinalou.

Fabrício diz estar longe de apresentar soluções para situações tão complexas, mas deixa claro que a saída é a educação completa do jovem para enfrentar a competitividade do mercado, cada vez mais exigente em termos de qualificação da mão-de-obra. “O abandono escolar perpetua o ciclo de pobreza e a vulnerabilidade social”, termo sempre repetido por ele em seu artigo.

Quando se discute o aspecto do trabalho, Vieira destaca que o país tem características peculiares em relação a outras nações do mesmo porte, por dispor de instrumentos de inserção dos jovens no mercado formal de trabalho, como o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, a lei de aprendizagem (Lei do Jovem Aprendiz) e a lei do estágio. “Mesmo assim, o país patina na tentativa de encontrar as soluções para tornar-se mais igualitário e com melhor desempenho no mundo do trabalho”.

Ele salienta que, “embora o estágio não seja considerado regime formal de trabalho, o destacamos como uma oportunidade disponível de inserção dos jovens no mercado de trabalho, desde que a prática não seja utilizada pelas empresas como mera substituição precarizada do empregado formal, que respeite a área de atuação na qual o estagiário esteja estudando e também o quantitativo máximo estabelecido pela lei”.

O articulista ressalta que em suas atividades profissionais tem captado diálogos empresariais, dentre algumas, que lhe intrigam, tais como, há vagas no mercado, o que falta é gente qualificada! A legislação é muito rigorosa quanto as exigências à inserção dos jovens! Eu não consigo “aproveitar” os jovens que passam por aqui, pois estão “verdes” e despreparados! Não tenho condições de fazer da minha empresa uma escola, pois fica caro fazer o jovem aprendiz, e acabo cumprindo a lei para não ser multado.

Em sua opinião, Fabrício entende que existe um distanciamento entre a formação profissional e acadêmica e o mercado de trabalho formal. O mercado carece de pessoas mais qualificadas, muitas vezes mais comportamentais e psicológicas do que técnicas, sem negligenciar o conhecimento do ofício – destaca

Um ponto que sempre o professor chama a atenção é quanto a vulnerabilidade social das famílias. “Um país como o Brasil, em desenvolvimento, ainda amarga um elevado número de famílias em condições de pobreza ou de extrema pobreza que vivem se deparando com diversas carências”…

De acordo com o IBGE, conforme cita, em 2018 o país tinha 13,5 milhões de pessoas com renda mensal per capita inferior a 145 reais, critério adotado pelo Banco Mundial para identificar a condição de extrema pobreza.

Ainda sobre o tema vulnerabilidade social, Vieira aponta dois pensadores Richard Castell e Carolina Moser. Para o primeiro, os indivíduos passam a integrar à sociedade por meio de dois processos: O mundo do trabalho e as proximidades pelas relações familiares de vizinhança. Essas relações proporcionam sensação de pertencimento (proteção e segurança). Sobre a questão do trabalho, Castell apresenta as possibilidades de inserção pelo trabalho estável, assegurando direitos, e o precário, sem contratos, sem vínculos formais e garantias e, por fim, a não inserção por compor o quadro de desempregado ou incapacidade para o exercício.

Para Moser, a vulnerabilidade teria duas origens, por ausência ou escassez de ativos; ou por uso inapropriado dos recursos que se tem por parte dos indivíduos, famílias e comunidades. Segundo ela, as estratégias de enfrentamento centram-se na disponibilização de ativos às pessoas e no apoio para a adequada utilização dos recursos de que se dispõe.

Em seu trabalho, Fabricio enfatiza que o Brasil tem uma mão-de-obra bastante jovem e que, se bem preparada, poderia dar saltos na contribuição para um país bem mais estruturado no campo social e econômico. No entanto, existe uma oscilação crescente no número de desemprego de 2012 a 2019, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

O crescimento do desemprego, segundo Fabrício, empurra o jovem para o mercado de trabalho informal de baixa qualidade, de vínculos empregatícios precários e de menor remuneração, ou infantil. Conforme o IPEA, “trabalhar na informalidade no início da carreira pode comprometer toda a sua trajetória profissional”. O consultor Fabrício vai mais além quando afirma que quando o jovem entra na informalidade sofre a real possibilidade de abandono dos estudos para ajudar a família. “Não hesita em abrir mão da escola quando vislumbra ter mais ganho mediante o aumento da carga de trabalho”.

O professor diz que a atividade remunerada na vida desses jovens representa, sobretudo, uma renda para o complemento do ganho familiar, bem como a satisfação de consumo desses próprios jovens. “Com isso, os jovens trabalhadores se sentem úteis e importantes em seu meio social. A valorização é maior quando se trata de trabalho formal, fazendo o emprego assumir mais importância na sua vida (Moura, 2009, p. 11).

Ainda sobre a evasão escolar, Vieira alerta que esse fato faz diminuir as expectativas de um futuro melhor e mais digno para o jovem e sua família e, com isso perpetua o ciclo de pobreza e vulnerabilidade social. Ainda no mesmo artigo, o professor Fabrício discorre sobre família, trabalho, escola e desenvolvimento social, destacando que famílias com vulnerabilidade social tendem a estimular os jovens ao trabalho como saída para ampliação da renda, por questão de sobrevivência.

 

 

ENTRE A POBREZA E A RIQUEZA

A imagem que brotou das lentes do jornalista e escritor Jeremias Macário já diz tudo sobre o nosso Brasil tão desigual, onde 1% da nossa população de cerca de 230 milhões de brasileiros detém 99% da riqueza do país. Nem necessita de mais comentários. O índice por si só já é uma grande vergonha! Entre a pobreza, ou mesmo a miséria, de uma criança sentada na calçada enquanto o pai e a mãe pedem uma esmola na sinaleira entre os veículos, muitos dos quais luxuosos passam indiferentes com suas janelas fechadas. Alguns abrem e dão uns trocados que mal dão para matar a fome, que sempre volta mais tarde. A cena é de um triste sistema capitalista selvagem onde as elites ainda resistem dividir ou distribuir um pouco da renda para os pobres. Infelizmente, esse é o meu país que traz consigo a marca da desigualdade social, uma das maiores do planeta. Os governos com uns tais de auxílios esmolas eleitoreiras, que matam o homem de vergonha, e as doações de campanha são apenas paliativos, sem perspectivas para um futuro melhor, pois é negada a educação, o saber e o conhecimento. Entre a pobreza e a riqueza é um quadro que não se apaga, se essa política cão desumana não for revertida.

VIELAS NOTURNAS

Poeminha inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

Pelas esquinas e avenidas curvas,

Raios de luzes deslizam no asfalto,

Cada alma busca suas curas,

E o sangue humano risca no assalto,

Saído das veias das vielas noturnas.

 

Nesse existir só valem as fortunas,

Na mente aquela senhora calma serena,

Que via o invisível atrás da sua lente,

E a câmara da antena meus passos vigia,

Rogo ao tempo que não nasce o dia,

Para vagar eterno nessas vielas noturnas.

 

A noite invade a madrugada,

No lixo eu colho uma salada,

Os prédios são caixões de urnas,

Na solitária dor das vielas noturnas.

PREFEITURA VAI CONTRATAR 400 MILHÕES PARA SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA

Antes das solenidades de homenagens e moções de aplausos (coisas de final de ano), o presidente da Câmara de Vereadores, Luis Carlos Dudé abriu os trabalhos da sessão ordinário desta quarta-feira (dia 15/12) anunciando que a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, com o aval do Ministério da Economia, vai contratar junto ao Banco de Desenvolvimento Latino Americano, 400 milhões de reais que serão investidos em obras de infraestrutura para a cidade.

Em sua fala, a vereadora Lúcia Rocha também fez referência ao contrato de empréstimo que, segundo ela, será benéfico para o município, e chegou a apontar as ruas e avenidas de bairros periféricos mais necessitados para receber serviços de infraestrutura e pavimentações com esses recursos, que devem contar com a aprovação da Câmara Municipal.

O parlamentar Alexandre Xandó preferiu comentar sobre os estragos das chuvas na Bahia, principalmente no extremo-sul, e as providências que o Governo do Estado vem tomando para socorrer as vítimas das inundações de rios e enxurradas. Citou também os problemas que essas enchentes causaram em Vitória da Conquista, especialmente nos bairros mais carentes e desprovidos de estrutura para suportar tanta água nos últimos dias.

Na abertura da sessão aconteceram várias homenagens prestadas pela Câmara a diversas personagens de Conquista, entidades, instituições e órgãos que contribuíram com seus relevantes serviços voltados para a comunidade. O primeiro a receber um diploma foi o médico ortopedista Lafaiete Santos Neto pelo seu destaque na área da medicina.

Também foram homenageados o núcleo regional do INSS de Vitória da Conquista que atende 73 municípios da região e um grande contingente de pensionistas, o Ciretran pelo trabalho no setor de coordenação  e controle na emissão de documentos de habilitação e veicular, a regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional da Bahia, inclusive com um diploma para a advogada Luciana Silva, a primeira mulher eleita para comandar a OAB de Conquista, o Colégio Oficina na área da educação, a TV Cabrália, a primeira a se instalar no interior do Estado. Filiada da TV Record, dentre outras pessoas.

EM NOME DE DEUS…

De tantos pedidos e de tudo ser a Ele atribuído, lá do seu alto, ou do ponto em que estiver, Deus, Alá, Javé, Tupã ou Jeová deve ter entrado em depressão e há muito tempo faz análise com Lacan. Ditadores, tiranos e sanguinários praticaram e ainda praticam suas maldades em seu nome. A Inquisição da Igreja Católica mandou sábios, cientistas e estudiosos para arderem nas fogueiras em nome de Deus, assim como os Cruzados e os islâmicos fanáticos com suas “guerras santas” e o terrorismo.

Em terra brasis, os jesuítas com suas catequeses, em nome de Deus, castigaram e escravizaram índios, considerados pagãos porque adoravam seus deuses da natureza. Quem Nele não acreditava estava condenado ao fogo do inferno. Na ditadura civil-militar, Deus já foi até comunista nas comunidades eclesiais de base e entre os adeptos padres da Teologia da Libertação, que defendiam a pobreza e os excluídos das bonanças dos ricos. A repressão e a tortura foram brutais em nome de Deus.

“O Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” é o slogan usado para praticar o genocídio, o ódio, a divisão e a destruição do meio ambiente. Como os reis Luizes e monarcas, ele foi o escolhido por Deus. Saíram os católicos e entraram as seitas pentecostais e neopentecostais para, em nome de Deus, destilar a homofobia, o racismo, a misoginia e a intolerância religiosa. No Superior Tribunal Federal um “terrivelmente evangélico” conservador. O retrocesso é feito em nome de Deus.

No campo de futebol, nessa República de Bananas, os atletas evangélicos rezam a Deus para fazer um gol. Aliás, Deus é torcedor de todos os times, mas somente um consegue ser campeão, e ainda rebaixa outros tantos.  “Se Deus ajudar vamos conseguir a vitória”, ou “Se Deus quiser vamos virar o jogo”. “Graças a Deus que saímos vitoriosos”. “Que Deus me ajude ganhar na loteria”. “Fiz o gol, graças a Deus”. Se bate a miséria, ou a enchente e a tempestade destruíram sua casa, foi Deus quem assim quis, como ter dez filhos foi Ele quem mandou. Fazer o quê, meu filho!

Em 1890, Ele deve ter se sentido um pouco aliviado quando o Brasil se tornou oficialmente um país laico, mas até Ele foi enganado. Foi tudo de mentira. A Igreja Católica continuou ligada ao Estado. Agora são os evangélicos que mandam e ditam os extremismos. Eles agora misturam religião e política nas câmaras de vereadores, nas assembleias dos deputados e até no Congresso Nacional. Se juntam para fazer malfeitos e defender seus interesses particulares, em nome de Deus.

As nações que se fizeram menos dependentes do Pai, prosperaram mais. Se bate a chuva, foi ele quem mandou. Se assola a seca, também. Na cultura judaica, o Deus do Antigo Testamento só falava com seus eleitos reis e profetas. Sempre foi descrito como punitivo, vingativo e carrasco. Na cristã ensinaram aos pobres serem humildes porque seriam os escolhidos para ganharem o reino dos céus. Os ricos pagavam indulgências e deixavam fortunas para a Igreja em troca de terem seus pecados e atrocidades perdoados. Tudo em nome de Deus.

Os homens com suas ambições e consumismo destroem o planeta, e o fanático religioso ignorante diz que as catástrofes e a tragédias são castigos de Deus, bem como a peste. Com a vacinação criada pela ciência, a Covid-19 reduziu seu contágio e, como consequência, o número de mortes e casos. Quer dizer que depois de Deus ter matado milhões, ficou cansado de tanta mortandade e resolveu dar um tempo para tirar umas férias.

Para se dar bem em tudo, em nome de Deus, as pessoas passam rasteiras nos outros, roubam e entram no mundo da corrupção. “Graças ao meu esforço, foi Deus quem me ajudou a ficar rico”. Até o pistoleiro quando vai assassinar outro, faz sua oração e pede a Deus que lhe proteja de todo mal. Não foi ele quem matou. Foi Deus quem ordenou.  Tudo é feito em nome de Deus, não importa se é mal ou bem.

 

 

MERCADO DE ARTESANATO SOB AMEAÇA DE FECHAMENTO

Tem um ditado popular que diz “onde tem fumaça, tem fogo”. Isso serve para o “boato” que correu no início do ano com relação a uma possível demolição do Teatro Carlos Jehovah e do Mercado de Artesanato Rachel Flores.

Um grupo de jovens vem se mobilizando para que esse fato não se consuma, embora o poder executivo, através de um ofício, negue qualquer coisa nesse sentido, e que a intenção é fazer uma reforma para reparar danos em suas instalações físicas.

No entanto, artesões, que preferem não revelar seus nomes, contam que de fato houve uma conversa entre três empresários conquistenses e prepostos da Prefeitura Municipal, os quais se mostraram interessados em derrubar aquele espaço e nele construir um shopping center.

Então, a ameaça de fechamento não se trata de um simples boato, mas existe a intenção do setor imobiliário de aproveitar a situação precária em que se encontram os equipamentos e ali construir lojas de departamentos.

Numa reunião para tratar do assunto, provocada pelo Conselho Municipal de Cultura, em que estiveram presentes vários artistas, o secretário de Cultura Xangai e o chefe de Gabinete da prefeita, uma artesã denunciou que no início do ano, em pleno avanço da pandemia, funcionários da prefeitura estiveram no local tentando desalojar artesãos.

Aparentemente não existem danos na estrutura do mercado, mas o telhado e o forro encontram-se em péssimas condições e, quando chove, existem pingueiras por todo canto, estragando mercadorias e prejudicando o trabalho dos artistas. De acordo com os usuários, a área precisa é de uma urgente reforma, mas basta a Defesa Civil condenar o prédio, para o mercado ser fechado.

A questão é que a Prefeitura Municipal nega a demolição, mas ainda não existe um projeto, nem no papel, para realizar a reforma, conforme prometido. O temor é que o quadro se agrave ainda mais, ao ponto do funcionamento do mercado se tornar inviável.

Com receio de serem despejados do local, um grupo de artesãos e jovens do teatro estão apelando para que a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista faça uma intermediação junto ao executivo, visando acelerar o processo de reforma e defenda a não demolição do edifício.

Para amenizar o problema e conter a ideia de demolição, alguns vereadores se dispuseram a alocar os recursos de suas emendas (pouco mais de 27 mil reais de cada parlamentar), previstas no orçamento, para serem investidos no projeto de reforma.

Chegou-se a aventar um pedido de tombamento do teatro e do mercado. Os artesãos também estão requerendo o apoio de outras instituições da sociedade, como da regional da OAB, em favor da reforma e não da propalada derrubada dos equipamentos.

O RACISMO E A DOMINAÇÃO COLONIAL NA VISÃO DE FRANTZ FANON

No livro “Pele Negra, Máscaras Brancas” (1951), do psiquiatra martiniquense Frantz Fanon, o racismo não é visto como algo específico de certas sociedades, como costumava analisar à época. Na obra, o autor examina o racismo dos franceses.

De acordo com o professor Muryatan Barbosa, em “Intelectuais das Áfricas”, Fanon chega à conclusão de que, na verdade, existe uma essência racista, que pode se apresentar na aparência de formas diversas. Isso ocorre, ainda conforme o autor, porque os processos de racialização são sistêmicos. “Eles prenderiam tanto negros quanto brancos em uma lógica binária e maniqueísta”.

Ao abordar a questão natural da inferioridade de uns negros em relação a outros brancos, para Fanon, o racismo nega a dialética do Eu e do Outro, que seria a base da vida ética. “A consequência disso é que todo processo de desumanização é aceitável”. Ele entende que o racismo é fruto do colonialismo.

“Se há um complexo de inferioridade, este surge após um processo duplo: econômico, inicialmente; em seguida, pela interiorização, ou melhor, epidermização dessa inferioridade” – destaca Fanon.

Na análise do professor Barbosa, em 1952, o Partido Comunista Francês ainda possuía uma posição dúbia quanto a questão colonial francesa, sem defender abertamente a necessidade das descolonizações africanas. Diante desse aspecto, muitos intelectuais negros saíram do partido, como Aimé Césaire, em 1956.

Em sua luta revolucionária na libertação da Argélia, Fanon sempre se colocou contra a exploração, a miséria e a fome. No início da guerra, o psiquiatra tratava cada vez mais pacientes colonialistas e colonizados, que tinham passado por processo de violência extrema, torturados e torturadores, dada a insanidade da insurgência francesa.

Em 1956 escreveu uma carta pública se demitindo do hospital argelino onde trabalhava. Isto foi o início de um novo ciclo revolucionário, afastando-se das relações com a maior parte da esquerda francesa, que não se posicionava contra o colonialismo.

A partir dali, Fanon buscou só manter relações pessoais com os que tinham o mesmo compromisso político que ele, ou que poderiam ser importantes para divulgar a revolução argelina no exterior. Em 1957 se entregou de vez à Frente de Libertação Nacional (FLN), como ministro da Informação e representante do Governo Provisório Argelino no Exterior.

Mesmo assim, ele e outras lideranças, entre 1958 e 1959, foram secundarizados pelo grupo hegemônico do primeiro presidente argelino Bem Bella. Nesses anos, exerceu com afinco a função de editor do jornal El Moudjahid.

No I Congresso dos Escritores e Artistas Negros, em Paris (1956), Fanou escreveu o texto Racismo e Cultura onde defendeu uma questão primordial: o racismo deve ser entendido desde uma abordagem sistêmica e histórica. “Ele é parte integrante de uma condição de hierarquização sistêmica, perseguida de maneira implacável, visando um trabalho de escravização econômica, ou mesmo biológica, de um grupo populacional sobre outro”.

Em seu entendimento, o elemento mais visível do racismo está na opressão sistematizada de um povo. “Ele é a norma desta sociedade e desta cultura que busca inferiorizar e desumanizar povos subalternizados”. Em seus ensaios, Fanon afirmou que o racismo é próprio de um processo de opressão, de desumanização e de hierarquização sistêmica num sistema determinado. O colonialismo é uma das formas dessa opressão, mas não a única.

Em um trecho de seus textos, ele chegou a dizer que a opressão militar e econômica precede, possibilita e legitima o racismo. Fanon aponta duas características de racismo, a capacidade de introjeção e naturalização, bem como, por ser funcional. Nesse caso, o racismo precisa estar sempre se remodelando. Antes justificava-se com argumentos biológicos. Nos tempos atuais são justificativas mais sofisticadas, como culturais e ou psicológicas atribuídas aos grupos inferiorizados – assinala o escritor.

Fanon faz um paralelismo entre as sociedades coloniais e racista. Para ele, ambas são fruto de um mesmo processo de subjugação de alguns grupos populacionais sobre outros. Os termos usados por ele seriam parte de um mesmo processo de dominação que possuiria um mesmo caráter  estrutural, num sistema determinado, que nasce com o colonialismo, mas não morre com ele.

 

TEATRO PEDE SOCORRO

É tanta falta de sensibilidade para com a cultura (a alma da vida) neste país, que o “Teatro Carlos Jheovah”, em Vitória da Conquista, na Praça da Bandeira, construído em 1982, está em péssimas condições físicas, ao ponto do seu uso não ser recomendado, pois corre risco de desabamento. Por fora ainda corre boatos, por conta de especulações do setor imobiliário, de que o equipamento pode ser demolido pela Prefeitura Municipal. Seria mais um ato insano e a morte de uma alma cultural que alimenta saber, conhecimento e entretenimentos. Ao seu lado, o mercado de artesanato também se encontra em grave situação, e muitos artistas denunciam ações de despejos por parte de prepostos do poder público. Para salvar esses sagrados locais, um grupo de jovens está se mobilizando, inclusive junto à sociedade, entidades, Câmara de Vereadores e outras instituições, no sentido de que o executivo agilize, com urgência, a reforma do teatro e do mercado. É triste ver mais uma vez um espaço cultural pedir socorro para não desaparecer. A cultura deveria ser a nossa joia mais preciosa, quando, na verdade, não passa de um pato manco nos gabinetes dos governantes. Todos os dias ela está sendo ultrajada, como se fosse uma criminosa de alto risco para o nosso povo.





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