dezembro 2021
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  


UM GUERRILHEIRO QUE DENUNCIOU OS ESQUEMAS DE CORRUPÇÃO EM ANGOLA

UM PAÍS AFRICANO QUE É A CARA DO BRASIL, SÓ QUE NUNCA EXPERIMENTOU O SOCIALISMO. A QUESTÃO ESTÁ NO SER HUMANO QUE É NEFASTO, DESTRUIDOR E MALÉFICO. TUDO PELO PODER.

As obras “Predadores”, “O Cão e os Caluandas”, “A Geração da Utopia” e “O Desejo de Kianda”, de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, o Pepetela, representam uma forte carga de críticas contra os desvios de conduta e os esquemas de corrupção do governo do Movimento pela Libertação de Angola (MPLA) quando o país foi emancipado por volta de 1975, e depois a partir da transição do socialismo para o capitalismo.

Quem faz comentários sobre Pepetela no livro “Intelectuais das Áfricas” é o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Sílvio de Almeida Carvalho Filho, que mapeia toda trajetória de um guerrilheiro que participou da luta pela independência e depois se desligou do poder para se dedicar à literatura da denúncia na área política e social contra os malfeitos do novo governo “socialista” que propunha dar voz aos trabalhadores e à população mais pobre.

Não abandonou seu país

Pepetela, branco num país majoritariamente de negros, nasceu em 1941 ao sul de Angola, na cidade de Benguela, em uma família pequeno-burguesa. Depois da emancipação, não abandonou sua terra como fez a maior parte dos portugueses e descendentes.

Como assinalou o professor Sílvio, sempre repudiou o racismo em Angola, como fez no livro “O Cão e os Caluandas”, no qual ressaltava que os cachorros, ao guardar as casas dos colonos mordiam os negros, rosnavam nos mulatos, lambiam as mãos dos brancos ou portavam o vírus do ódio ao negro, da desconfiança ao mulato, do respeito ao branco.

Desde cedo, o angolano se manifestou interessado pelas questões sociais brasileiras, especialmente pelas obras de Jorge Amado. Ainda jovem encantou-se com a leitura de um livro do anarquista Proudhhon, e depois entrou em contato com o pensamento de Marx e seus seguidores.

Em Argel, no Centro de Estudos Angolanos, escreveu os diálogos da história em quadrinhos (primeira história em quadrinhos de Angola), intitulada “Contra a Escravidão: Pela Liberdade”. Publicada em 1967, a obra foi muito apreciada pelos guerrilheiros e nas escolas mantidas pelo MPLA. Em 1969, retoma sua verve literária escrevendo em Argel seu primeiro livro “Muana Puó”, lançado em 1978.

Conforme conta Sílvio de Almeida, enquanto participava da luta armada, não deixou de escrever romances, como “Mayombe”, entre 1970 e 71, em Cabinda, e “As Aventuras de Ngunga”, em 1972. Foi membro do Estado-Maior da Frente Centro das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA). Com uma grave hepatite, retornou a Luanda em novembro de 1975, no momento da independência do país. Recuperado, foi para Lubango dar aulas.

Entre os anos de 1983 a 2008 lecionou Sociologia Geral e a Urbana na Faculdade de Arquitetura da Universidade Agostinho Neto, em Luanda. Gradativamente tornou-se em o mais importante literato angolano em virtude da editoração de 24 livros. Além da sua luta no MPLA, participou também da repressão à Revolta Nitista, em 1977. Ele contava que, quando era criança lhe obrigavam ir à missa, e agora ir à reunião da célula do partido.

Como disse o professor Sílvio, ao longo da sua vida, passou a perceber que a maior parte da crítica na agremiação partidária, muitas vezes, quando atingia as cúpulas do poder, acomodava-se à linha oficialmente estabelecida, sem rupturas. Afastou-se do partido, e um dos motivos foi a consolidação de um novo staff no poder, ligado ao novo presidente José Eduardo dos Santos, mais afeito à sociedade de mercado.

O crítico Silvio de Almeida afirma que sua literatura confirma que o MPLA, frente às ameaças externas e internas, constituiu num regime autoritário, tornando-se um Partido-Estado, concentrando todo poder em sua mão. “Essa capacidade de crítica às práticas sociais e políticas angolanas encontrava-se presente em “O Cão e as Caluandas” (1978/84)… Com o abandono dos ideais socialistas pela cúpula governamental e com a contínua expansão da corrupção e do autoritarismo, seu juízo vai se tornando mais mordaz, como se expressa nos livros “A Geração da Utopia” (1992), “O Desejo de Kianda” (1995) e “Predadores” (2005).

Ainda um guerrilheiro, em 1969, Pepetela dizia que a rebeldia supunha realizar transformações profundas das estruturas econômicas e sociais para formar o homem novo. Supunha um governo dos trabalhadores que conduziria o Estado: “Que maravilhoso será o mundo quando os que constroem, comandarem!”.

No enredo de “Yaka”, escrito em 1983, através de um personagem contestador, asseverava que “a propriedade suja, emporcalhada, torna os homens piores que bichos. A propriedade é o roubo, afirmava Proudhon, é isso. Mas é mais. Basta a miragem da propriedade para um homem decente se tornar prepotente, um tirano. Ou ainda: O mal era a propriedade(…) mesmo pequena torna o indivíduo escravo dela”.

No início de 1970, destacava que certos quadros do MPLA aplicavam uma série de rótulos àqueles que não tinham exatamente a mesma opinião. Esse rotulismo, segundo ele, era resultado duma preguiça intelectual… ou falta de cultura, predominante em vários guerrilheiros. Dez anos após a independência, em “O Cão e os Caluandas” escrevia em tom irônico que o Estado angolano, ao se declarar “socialista” utilizou essa qualificação de forma leviana nos discursos…

Pepetela observava em seus textos que a propaganda ideológica homogeneizava enunciados de forma superficial, não estimulando um pensamento socialista autêntico e criativo, sendo um desserviço à concretização de uma nação realmente proletária. Ele denunciava os fingimentos das falas, mais preocupadas com rótulos socializantes do que com o seu conteúdo, demonstrando o reverso do prescrito pelo ideal marxista.

O intelectual angolano criticava certos militantes que se preocupavam apenas em tirar proveito escuso das mudanças políticas quando da Retificação partidária. Em muitos locais houve jogos sujos, próprios da luta pelo poder, mesmo o mais pequeno poder. Denunciava que houve subordinados que aprovaram um chefe incapaz para não serem depois exigidos nos seus serviços. Dizia que os oportunistas conseguiram durante a Retificação obter o cartão de membro do partido para auferirem vantagens e privilégios no aparelho do Estado.

Textos literários em jornais denunciavam que muitos que compactuaram com o capitalismo, e mesmo com a repressão colonial, adotaram o discurso revolucionário, ingressando no governo com intuito de se manter no poder e angariar prestígio social. Muitos burocratas foram denunciados como revolucionários de última hora.

Em os “Predadores”, comentava que alguns estavam mais interessados em se apossar dos bens deixados pelos portugueses em fuga do país do que preocupados com a implantação do socialismo. Pepetela satirizou aqueles que, não tendo uma participação na luta pela independência, inventavam um codinome revolucionário só para ter prestígio político, caso de Vladimiro Caposso em uma de suas obras.

A crítica ferrenha à ineficiência da burocracia apareceu em “O Cão e os Caluandas”, repetida também em “O Desejo de Kianda”. Afirmava que o funcionalismo estatal não trabalhava o bastante e desperdiçava meios e mobilizava estruturas por pequenas questões do dia a dia. Confrontava os excessos de reuniões e de discursos. Era o mal da “reunite”. “O poder burocrático era invisível, porém poderoso e autoritário. As práticas burocráticas geravam uma rejeição popular não apenas aos burocratas, mas ao “socialismo” tal como se instituía”.

O escritor nunca poupou aqueles que dentro do MPLA se aburguesaram. Em 1977, o próprio Comitê Central admitiu que setores da pequena burguesia, aproveitando-se da falta de quadros dentro do Movimento, tentavam aumentar seus privilégios apoderando-se dos cargos de liderança no aparelho estatal. Existia, na verdade, uma mera troca de senhores.

Entre 1978 e 1984, Pepetela condenava a ostentação de privilégios peculiares ao colonialismo por parte de autoridades nacionais e de diretores de fábricas estatais, assim como regalias no setor habitacional, usufruídas por altos funcionários partidários. Havia uma corrupção generalizada que contaminou toda camada social.

Deplorou o patrimonialismo e o clientelismo angolano, quando a burocracia, através de pistolões, reservava para si os bens escassos numa sociedade subdesenvolvida e sofrida pelos efeitos da guerra. Denunciou a obtenção de cargos públicos, não pela competência, mas por meio de afinidades pessoais com os líderes políticos. Declarava que o Estado foi capturado por uma burocracia corrupta que não concorria para uma boa gestão pública.

Mesmo com a transição do “socialismo” para uma economia liberal de mercado, iniciada em 1985, e do abandono formal do marxismo-leninismo no Terceiro Congresso do MPLA, em 1991, toda sujeira se perpetuou no governo, conforme relata Pepetela em seus livros. Angola foi classificada por organismos internacionais com um dos países mais corruptos da África.

 

 

 

GRUPO “APODIO” DISCUTE SITUAÇÃO DO TEATRO CARLOS JEHOVAH

Desde outubro, um grupo de jovens denominado de “Apodio” vem discutindo e chamando a atenção da sociedade conquistense para a situação do Teatro Carlos Jehovah. O movimento tem realizado reuniões presenciais em frente ao equipamento cultural, colocando em pauta vários assuntos e produzindo vídeos, desenhos e imagens, inclusive com proposta de uma ação judicial em defesa do teatro.

O grupo tem mantido contatos com artistas e influenciadores da cidade, inclusive com a diretoria do Conselho Municipal de Cultura. De acordo com os participantes, o local onde está o mercado popular é de bastante visibilidade, sendo necessário saber como a prefeita está se articulando com relação ao espaço, pois existem conversas de uma possível demolição.

CONSULTA POPULAR

Qualquer decisão, segundo o grupo, precisa haver uma consulta popular, argumentando não ser a primeira vez que há a intenção de mudar a cultura para um lugar menos visível. “Não há investimento em cultura e na história da cidade. Tinha um grupo que contava a história de Conquista em uma peça de teatro e passei a entender a cidade através dessas pessoas” – diz um integrante do grupo.

Eles relatam que o teatro foi construído, em 1982, (tecnicamente bem planejado em termos de luz, espaço e acústica) como parte de um movimento do próprio Carlos Jeovah, que promovia festivais e elaborava espaços artísticos, influenciando muito no cenário cultural da cidade. Lembram que 20 anos depois, o teatro foi desativado por falta de iluminação e deficiência em suas instalações físicas.

Agora, conforme assinala o grupo, O teatro volta à mesma situação, e muitos nem sabem que existe. O “Apodio” defende a melhoria do espaço (existem poucos equipamentos) e a não demolição como se tem cogitado. Entre as melhorias, apontam a necessidade de mais mesas com canais e placa de sinalização mais visível onde está situado o estacionamento. “A cultura não precisa só de talentos e amor à arte, mas também de políticas públicas para continuar a existir”.

Para o grupo, ampliar o Carlos Jehovah não é uma boa ideia, pois a estrutura dele proporciona uma relação única com o público. A proposta é que o teatro esteja sempre aberto durante o dia para que as pessoas possam visitá-lo. Outra sugestão é melhorar o mercado de artesanato. Os membros do grupo querem saber sobre a proposta concreta do poder executivo sobre o destino do espaço, criticando as outras administrações que não deram importância para o teatro.

RESPONSABILIDADE E TOMBAMENTO

O grupo “Apodio” defende uma agenda construída pela sociedade onde o poder público assuma a responsabilidade pelo seu funcionamento, porque se trata de um espaço público. “Ficamos num ciclo em que os movimentos se formam, as pessoas vão para fora em busca de novas oportunidades, e o movimento morre de novo”.

A presidente do Conselho de Cultura, Hendye Graciele, presente em um dos encontros, parabenizou o trabalho do grupo e prestou seu apoio a todos que estão nessa articulação de reativar o teatro. “O espaço tem uma dimensão simbólica, econômica e cidadã, e é importante por estar no centro da cidade. O teatro e o Centro de Cultura não anulam um ao outro. Ele tem sua função para outros tipos de apresentação, necessária para os artistas. Não precisa destruir um equipamento cultural para construir outro. Temos que caminhar no sentido da utopia de ter um teatro em cada esquina” – afirmou.

Hendye assinalou que a gestão anterior do Conselho se aproximou muito dos artistas, “e eu acompanhei muito o trabalho de implementação da Lei Aldir Blanc e outras ações. Estamos atentos para dar continuidade a este trabalho”. Declarou ser importante levar essa discussão para dentro do Conselho de Cultura no sentido de que a Secretaria de Cultura abrace essa causa do grupo. Na ocasião, comunicou que foi enviado um ofício à prefeita solicitando informações sobre a situação do teatro.

O grupo imagina que a prefeitura pode argumentar que o espaço é subutilizado, mas isso não justifica sua possível desativação, rebatendo que a relação com o poder executivo tem sido difícil. Alega falta de apoio suficiente para que os artistas possam sobreviver. “A estrutura física do músico para trabalhar é mais simples do que a do pessoal que atua com teatro. Cada expressão artística precisa de instrumentos diferentes”.

Para Eduardo Nunes, quando um espaço público não tem política pública de manutenção, como equipamentos, circulação de obras/fomento (espaço de ensaios, por exemplo) e formação de novos artistas, fortalecimento da formação dos que já tem experiência/conhecimento e de formação de plateia, fica-se refém desse processo que não avança.

Gustavo Cirino considera que se perdeu uma boa oportunidade de reformar o espaço durante a pandemia. “Foram meses sem poder reunir as pessoas para assistir espetáculos naquele espaço”. Na oportunidade, Eduardo lembrou que o Cine Madrigal está sob a gestão da Secretaria de Educação, quando o aparelho deveria estar com a Secretaria de Cultura. Em sua opinião, o movimento deve ser ampliado para a retomada dos espaços públicos culturais.

Nas falas, comentou-se que a antiga gestão do Conselho de Cultura construiu um diálogo com a associação dos artesãos, e que o momento é oportuno para se pensar em conjunto com o setor para que o mercado de artesanato seja também contemplado nas mobilizações. O tombamento de vários espaços seria um instrumento de proteção para evitar qualquer derrubada de um equipamento cultural da importância como é a do Teatro Carlos Jheováh – destacou integrantes do grupo.

 

“O ÚLTIMO DOS MOICANOS”

Fotos de Jeremias Macário

Por que o Cine Madrigal, o último dos moicanos dos cinemas de rua de Vitória da Conquista, dentre tantos outros que fizeram história na cidade e na Bahia, está sob a gestão da Secretaria de Educação e não com a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer? É uma pergunta que somente o poder público municipal pode responder, porque não tem cabimento se o equipamento tem tudo para estar no setor da cultura. Quando aqui cheguei era o último que ainda resistia à crise provocada pelos DVDs, onde as pessoas passaram a preferir assistir filmes no conforto de suas casas. Assisti grandes filmes no saudoso Cine Madrigal, que há anos está fechado, mesmo depois da aquisição do equipamento pela Prefeitura Municipal. Soube que seria reativado nos festejos dos 181 anos do aniversário de Conquista, o que não ocorreu. A sociedade continua na expectativa sobre o seu destino o quanto antes. Lamentável que essas decisões não contam com uma consulta popular, inclusive dos segmentos que representam a arte e cultura.

ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS (VI)

Pelo sertão rachado me embreei em direção a Palmeira dos Índios,

Perto de Quebrângulo onde nasceu um menino calado um Aladim,

Até avistar a escultura do mestre das palavras, “sejam bem-vindos”;

Bateu emoção entrevistar o prefeito-escritor Graciliano Ramos,

De “São Bernardo”, preso em “Cárceres” e viu as “Vidas Secas”,

Onde deixou dar uns pitacos no seu personagem andante Fabiano,

E no enredo coloquei seu encontro com um bando de cigano;

Ainda me convidou para em sua ceia comer cuscuz com aipim;

Mostrar o mapa da sequidão da peste bem ao lado da sua Baleia;

Contar suas histórias nordestinas de gente esquelética crucificada,

Tangida como boiada pela estrada pau-de-arara na rota escravista.

 

Do comunista ateu, bom e justo que dessa gente se compadeceu,

Detido por Getúlio porque tentou socializar nas escolas o ensino;

Anotei tudo como jornalista em meus anais na terra dos marechais;

Dei um nó na alparcata e toquei para a capital Maceió da Pajuçara,

Onde visitei o velho Teodoro da Fonseca, da República dantesca,

E mostrou sua espada que proclamou a coisa pública ser privada.

 

De Alagoas, fui de barco e Jeep pra abraçar meu Sergipe,

E ver a foz do irmão São Francisco reduzido a um cisco,

Engolido pelo voraz mar, empurrando sal que só faz secar;

Visitei ribeirinhos desolados com seus feixes de redes vazias,

Porque os peixes sumiram do rio nessa vastidão de areias,

E pelo agreste triste viajei pelas veias do litoral até Aracaju,

Pra conversar com o intelectual escritor Tobias Barreto,

Com Calazans Neto comi caranguejos na praia de Atalaia,

Onde tomei mais umas pingas com uma moqueca de arraia,

Para pegar estrada até a histórica cidade de São Cristóvão,

Que foi pedida para entrar de vez na minha querida Bahia,

E beber no cantil de Castro Alves, o maior poeta do Brasil,

Condoreiro das espumas que escreveu o “Navio Negreiros”;

Curti com ele a boemia, com mulheres do mal do século;

Aprendi ser romântico realista falando de deuses e escravos,

E vi Castro declamar pra tribos ao lado de reis e guerreiros.

 

Nos engaços bagaços galhos de aço entrei na mística Salvador,

A África brasileira que deu bravos heróis para libertar o Brasil

Do jugo português que dessas plagas toda riqueza nos roubou.

Com Ruy Barbosa, o Águia de Haia das palavras, o maior doutor,

Estive e me disse que de ver o homem prevaricar, viria o tempo,

Com seu vento da desonestidade zunindo virar uma brisa normal;

Do mal ser um bem num país sem decência, vergonhoso e imoral.

 

UM PLANO PARA NOSSA CULTURA ESTÁ NA PAUTA DO NOVO CONSELHO

Com propostas de interação com a sociedade e contemplar todas as linguagens artísticas, num movimento de resgate da nossa cultura, que tem sido desgastada nos últimos anos, a nova composição do Conselho Municipal de Cultura, eleita para o biênio 2021/2023, já tem como uma de suas principais metas de trabalho a criação de um Plano Cultural para Vitória da Conquista, que irá proporcionar suporte e direcionamento para as diversas atividades das políticas públicas do setor.

Nesse sentido, a ideia, de acordo com a presidente Hendey Graciele e da nova diretoria, é começar o planejamento das Conferências Municipais de Cultura que devem acontecer em 2022, das quais resulte num documento, que será apreciado, discutido e aprovado em sessões que contarão com a participação da comunidade e dos diversos segmentos culturais do município.

Com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer, isso demandará certo tempo para ser colocado em prática, mas as conselheiras e os conselheiros estão convictos de que o projeto representará um grande legado na definição de uma nova política cultural para a cidade, o que interessa não somente aos artistas, mas à sociedade em geral.

Além dessa visão de implantar políticas públicas e um Plano Municipal de Cultura para Conquista, com respeito à diversidade de expressões culturais, com ações estabelecidas para seus diversos eixos constituídos, como a literatura, a dança, o teatro, a música, as artes plásticas, o audiovisual, cinema, o patrimônio material e imaterial, o novo Conselho já está trabalhando na renovação do seu Regimento Interno e na melhoria da comunicação com a mídia em geral, com total transparência de suas atividades.

Para tanto, foi designada uma comissão para fazer as propostas de atualização do Regimento, que serão debatidas em plenárias e aprovadas nas próximas reuniões. Também já está instalada uma comissão responsável pelo processo de comunicação com a sociedade por intermédio da mídia local, com a qual esperamos contar com o apoio.

Em reuniões ordinárias nas cinco sessões realizadas com os novos membros, o novo Conselho já discutiu diversos assuntos de interesse da população, como o caso do Teatro Carlos Jehovah localizado no Mercado de Artesanato, procurando saber qual será o destino desse equipamento cultural, e se há algum planejamento para sua reforma e revitalização, principalmente agora com a liberação de eventos através das flexibilizações nesse período de queda da pandemia.

Nesse sentido, buscando esclarecimentos sobre o assunto, foi encaminhada uma minuta, ou ofício, à prefeita Sheila Lemos, requerendo uma posição mais concreta por parte do poder executivo. O Conselho está no aguardo para poder debater, dialogar com a sociedade e acompanhar as ações planejadas para o local, bem como se posicionar em reunião com os conselheiros.  A intenção do Conselho é sempre estar próximo das demandas das diversas categorias artísticas.

Nesse sentido, será realizada uma sessão extraordinária, no próximo dia 22 (segunda-feira), cuja pauta exclusiva versa sobre o Teatro Carlos Jehovah e o Mercado de Artesanato Raquel Flores.

Outra decisão prevista é agendar um encontro com o presidente da Câmara Municipal de Vereadores, Luis Carlos Dudé e componentes da Mesa Diretora, para tratarmos de assuntos de interesse da cultura do município e, ao mesmo tempo, solicitar o apoio do legislativo para que possamos realizar um trabalho conjunto em prol da nossa cultura, num elo com o poder público, os artistas e a comunidade.

 

O REPENTE É PATRIMÔNIO NACIONAL

Quando era menino e frequentava as feiras em Piritiba e suas redondezas com meu pai, ficava encantado com os repentistas com suas violas e pandeiros nordestinos trocando versos num embate para ver quem se saia melhor em suas estórias e histórias, envolvendo personagens importantes, o cotidiano da vida, a seca, os retirantes, os causos de coronéis, os compadres e as comadres e até de pessoas ali presentes.

  Nem entendia aquela arte milenar cultural e popular da oralidade, típica do Nordeste, vinda da Península Ibérica (Portugal e Espanha), mas vibrava mesmo era com as improvisações e as rimas trocadas que fechavam os versos. Era uma admiração de menino que continua até os dias atuais da minha vida. Pena que pouco estudada pelos acadêmicos da cultura erudita, só que o repente também é erudito.

Só depois de séculos de história, principalmente pelo chão árido nordestino, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu, na semana passada, o repente como patrimônio cultural do Brasil. O repente é reconhecido também como cantoria e tem como fundamento versos, rimas e oração. Os cantadores se espelham pelas cidades do interior do nosso Nordeste e ainda em regiões onde receberam migrações nordestinas.

A votação foi feita pelos 22 membros do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão do Iphan. O pedido foi feito pela Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do Distrito Federal e Entorno. Pelo menos alguma coisa boa acontece nesse governo destruidor da nossa cultura e que procura impor aos nossos jovens uma ideologia do atraso, do retrocesso, do negacionismo e do preconceito.

No repente, a rima é a marca da espontaneidade poética do artista que faz uma espécie de repórter do sertão e historiador do cotidiano. Os repentistas empolgam e atraem anônimos que passam para apreciar as emboladas, um estilo que não deixa de ser repente, irmã do cordel. Eles são, acima de tudo, irreverentes e criativos, resultando em relatos carregados de figuras de humor.

Essa cultura vem dos poetas dos tempos gregos de Homero e Hesíodo, falando das intrigas dos deuses, dos heróis e mortais. Essa cultura da oralidade foi passando de geração em geração até a Europa antiga e chegando depois ao nosso Nordeste.

A Bahia desponta como um celeiro de repentistas (Alô Bule-Bule), grandes duelistas com suas violas, aboios e emboladas. Contam os historiadores que o berço do repente veio de lá da Serra do Teixeira, seguindo pelo Vale do Pajeú pernambucano até alcançar o Seridó, em terras potiguares. São mais de 50 modalidades, com acentuação tônica obrigatória, espalhadas por todos estados nordestinos, com suas belezas de prosas poéticas que engrandecem ainda mais a nossa rica cultura.

FARELOS DO MESMO SACO

Quando pessoas aparentemente sérias e honestas se juntam com outras permissivas e predadoras visando os mesmos interesses para manter suas posições no poder, ou defender seu quinhão, costumamos dizer que elas são farinha do mesmo saco. Com o tempo essa farinha virou farelo de validade vencida.

No entanto, farinha é hoje um alimento que está com preço alto nas feiras por causa da inflação. Essa gente nem é mais farinha. No caso específico do Congresso Nacional entre os partidos de esquerda (nem todos), direita, extrema-direita, o “centrão” e outras bancadas “ideológicas” do mal, podemos falar que eles, ou elas, são farelos de animais do mesmo saco.

A recente votação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados (um calote das dívidas do governo federal) para liberar o “Auxílio Eleitoral do Voto” é o fato mais recente desse ajuntamento de farelos do mesmo saco de partidos entre elementos da dita esquerda (PT, PSB e PDT, principalmente) com a laia de oportunistas do “centrão” facínora do capitão-presidente.

Esses farelos do mesmo saco da maldade não são bagaços escassos e isolados. Essa mistura intragável e indigesta, sem princípios e caráter, tem se repetido no Brasil há séculos, na base do toma lá, dá cá. Portanto, não é coisa nova esse negócio de conchavos esdrúxulos quando entram em cena as benesses e os ganhos, inclusive muita grana pública.

Quando se colocou o projeto de lei de enfraquecimento político e cortes na autonomia dos promotores e defensores públicos, deputados de esquerda se uniram com o que existe de pior no Congresso. O mesmo ocorreu quando se conluiaram para desmoronar a Operação Lava Jato e deixar a porta aberta para a corrupção; dificultaram as investigações dos crimes de improbidade administrativa; e colocaram leis subjetivas em relação ao julgamento de atos de abuso de autoridade.

A maior aberração de todas elas foi quando parlamentares de esquerda, de direita, extrema-direita e conservadores neoliberais do retrocesso votaram o aumento dos fundos partidário e eleitoral bem acima dos 100%, cortando verbas da educação, da saúde, do saneamento básico, da ciência e da pesquisa. A quem interessa o voto dos analfabetos e dos menores de 16 anos? Interessa a todos eles, os farelos do mesmo saco.

Nenhum partido apoia um projeto de reforma eleitoral de verdade que reduza o número de parlamentares da Câmara Federal, do Senado e nem das Câmaras de Vereadores. Ninguém do PT e de seus aliados concorda que se vote um plano de corte das verbas indenizatórias, dos penduricalhos, das mordomias, das emendas vergonhosas e, muito menos, de seus polpudos salários. Ninguém quer acabar com essa reeleição que o ex-presidente Fernando Henrique criou.

No momento de defender seus cabedais, seus loteamentos, seus latifúndios colonialistas, suas falcatruas, seus esquemas escusos contra a nação e malfeitos, todos se tornam farelos do mesmo saco. Nesses casos, apagam de suas memórias sujas as ideologias socialistas, os direitos humanos, a justiça para todos, os pobres e a luta pela igualdade social. Com seus jargões e bordões, eles falam de um país igualitário e justo, que estão ao lado do povo, contanto que seu poder político não seja ameaçado de perdas.

Nosso país se assemelha à maioria dos territórios africanos onde saíram os colonizadores sanguinários e arbitrários sanguessugas e entraram governos ainda mais cruéis, ditadores, fascistas e nefastos que antes se posicionavam “nacionalistas e patriotas” a favor da renovação para dar ao seu povo o que sempre lhe foi de direito. Essas mazelas se arrastam desde os tempos ancestrais, reencarnados no presente. Os crimes continuam sendo perpetrados contra nossa população que por cima acredita neles.

Não se é contra colocar comida na mesa dos milhões de famintos miseráveis brasileiros, mas não dessa forma dando calote até no dinheiro que iria para o Fundo da Educação, nem tampouco enchendo as burras dos políticos com os orçamentos secretos das emendas dos balcões de compras de votos, elevando em bilhões o Fundo Eleitoral e Partidário, sem cortar as mordomias deles.

Ao orçamento de 2022, as comissões permanentes do Senado e do Congresso Nacional apresentaram 29,3 bilhões de reais em emendas. É o chamado orçamento secreto. As 14 comissões temáticas em funcionamento no Senado apresentaram um total de 24,7 bilhões de reais. No mesmo modus operandi do PT, esse auxílio de um ano visa comprar o voto de mais de 30 ou 40 milhões de pobres. A cena se repete e o Brasil só faz piorar.

Confesso que me dá náuseas, como ao se ver corpos em decomposição, quando aparecem esses “morotós” nojentos pegajosos na mídia falando da necessidade de matar a fome do pobre, de socorrer os mais necessitados e de se colocar o social acima de tudo, quando todos esses mais de 40 milhões estão sendo usados como meros objetos do voto que depois serão jogados fora como restos podres. Verdadeiramente, eles não são nada humanos. São espíritos malignos em peles de cordeiros.

UMA INTELECTUAL NIGERIANA FEMINISTA CONTADORA DE BOAS HISTÓRIAS

A nigeriana contadora de histórias, radicada nos Estados Unidos, Chimamanda Adichie, está no livro “Intelectuais das Áfricas” no capítulo escrito pela professora Izabel de Fátima Brandão, titular da Universidade Federal de Alagoas, que analisa a literatura de autoria feminista.

De acordo com Izabel, sua obra já foi traduzida para mais de trinta línguas, incluindo a portuguesa. No Brasil foram traduzidos seus romances Purple Hibiscus e Americanah. Adichie publicou ainda Half of a Yellow Sun, The Thing Around Your Neck entre outros, além de uma peça teatral.

A professora ressalta que seu pensamento feminista choca e atrai seu público leitor, com seu senso de humor e também pela forte identidade com suas origens africanas nigerianas, embora já esteja nos Estados Unidos desde 1996. Adichie fez mestrado em literatura africana na Universidade de Yale.

Com seus heróis e heroínas brancas, posição que a professora confessa que ainda lhe deixou atordoada, a nigeriana fala, entre outros assuntos, da relevância do cabelo para as mulheres negras. Na sua visão, trata-se de um tema de natureza política, conforme disse certa vez numa entrevista.

Adichie conta, segundo a professora Izabel, que quando se mudou para os Estados Unidos, sua colega de quarto, na Universidade da Filadélfia, não conhecia nada sobre a África, e o sentimento dela sobre a jovem nigeriana foi de “pena condescendente”, porque tudo o que se sabe sobre a África é que lá existe muita gente pobre.

Perguntada numa entrevista sobre a questão da mutilação genital das mulheres em certas etnias, e se elas têm como recusar (a sua é da Ibo e não tem esse procedimento), Adichie respondeu que a cultura muda; sua preservação não implica a exclusão das mulheres. “Essa consciência sobre a possibilidade de mudança cultural indica o seu engajamento político”- destaca a professora.

A escritora nigeriana se define como uma contadora de histórias, que ouve, absorve e reconta, à sua maneira. Diz ser acima de tudo, uma grande observadora. “Como sou escritora, sempre me senti a um passo atrás de tudo, observando”.

Em um de seus romances (Half of a Yellow) ela fala das gêmeas Olanna e Kainene, filhas da elite Ibo, onde trata dos três anos da Guerra do Biafra, na década de 60; dos massacres e violências cometidos, envolvendo forças muçulmanas do norte em conflito com os cristão ibos do sul.

A questão religiosa é outro tema abordado pela escritora. No conto “A Historiadora Impetuosa”, ela escreve sobre choques e rupturas entre as tradições seculares do país e as imposições da educação católica fomentada pelos missionários estrangeiros aos filhos de famílias nigerianas.

Por meio da sua literatura, ela defende que se respeite a cultura de seu povo, sem julgá-la primitiva ou inferior. Seu único livro de contos (The Thing Around Your Neck – 2009) aborda o universo de mulheres africanas. Uma temática recorrente em sua obra é a opressão localizada em várias frentes, como na família, na profissão, na religião, raça, etnia e na política.

As histórias deste livro tratam de homens e mulheres, jovens e adultos, novos e velhos, em situações as mais diversas, mas que, fundamentalmente, abordam questões culturais e identitárias localizadas não apenas no contexto do ambiente africano, mas também relacionadas à diáspora africana, especialmente da Nigéria para os Estados Unidos.

UMA GRANDE PERDA PARA CONQUISTA E A BAHIA

O Conselho Municipal de Cultura, em nome da sua diretoria, expressa seus sentimentos de pesar, extensivo a toda sua família e amigos, pelo falecimento, nesta quinta-feira (11/11), da fotógrafa-jornalista e advogada, diretora regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) Edna Nolasco, 63, como dedicada profissional em defesa da categoria, bem como ser humano sensível com as questões sociais dos nossos tempos.

Edna representa uma grande perda para Vitória da Conquista e para a Bahia, não somente pelos seus serviços prestados à comunidade local, mas também como grande fotógrafa e dirigente sindical sempre atenta aos problemas da classe. Vítima da Covid-19, a morte de Edna, por ser muito querida em nossa sociedade, pegou a todos de surpresa, e o Conselho só tem a lamentar a sua partida do nosso convívio.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa companheira zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima. Fica aqui nossa singela homenagem à nossa querida Edna, e temos certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um legado de ética, seriedade e honestidade em sua vida, um exemplo que todos nós devemos seguir.

Hendye Gracielle (presidente), Jeremias Macário (vice-presidente) e Marley Vital (secretário-executivo)

CONQUISTA PERDE UMA GRANDE FOTÓGRAFA E UMA PESSOA HUMANA

Mesmo há dias intubada numa UTI de hospital, em decorrência da Concid-19, o falecimento da fotógrafa-jornalista e advogada Edna Nolasco, de 63 anos, nesta quinta-feira, dia 11/11, pegou toda a classe de surpresa, não somente pela profissional que era, mas também como pessoa humana, dócil e sensível com as questões sociais e sempre se posicionando contra as injustiças dos poderosos.

Um exemplo dessa sua característica como ser humano foi sua posição, em julho deste ano, em favor da família de ciganos que teve vários de seus membros mortos por uma ação intempestiva por parte da polícia militar em represália ao assassinato de dois soldados, no distrito de José Gonçalves. Ela contestou versões dadas pela corporação e criticou a violenta repressão.

Recebi a notícia com muito pesar porque era uma grande amiga que me acolheu quando aqui cheguei em 1991 para assumir a chefia da Sucursal “A Tarde” de Vitória da Conquista. Como dirigente por alguns anos do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), Edna esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis, dando apoio ao meu trabalho de moralização e proteção da categoria quando esta era atingida.

Ao longo da minha atividade profissional em Conquista, inclusive em matérias investigativas de denúncias de irregularidades de autoridades, recordo que Edna, com seu conhecimento e contatos no meio jurídico, me passou informações valiosas que tornaram minhas matérias mais fundamentadas e calcadas em fatos verídicos.

Como fotógrafa tinha uma enorme sensibilidade no manuseio da máquina, com aquele olhar clínico único dela atrás das lentes. Como ninguém, sabia extrair sentimento e alegria das pessoas por ela fotografadas. Da natureza, do campo, do cotidiano da vida urbana, das paisagens, construções e objetos, Edna sabia enxergar o invisível aos outros olhos, e sempre foi respeitada pela sua categoria profissional.

Teria muito mais para falar da nossa amiga zelosa com os colegas nesses tempos de pandemia, da qual foi vítima, mas tive a honra, como jornalista, de registrar sua última exposição sobre LGBT realizada da Casa dos Idosos. As fotos expressivas tinham o DNA da sua sensibilidade quando estava com sua máquina na mão e uma ideia na cabeça. Sabia captar e harmonizar a imagem com a luz no tempo certo.

Fica aqui a minha homenagem Edna, e tenho certeza que sempre estará em nossos corações e em nossas lembranças como uma pessoa que soube deixar sua marca nessa passagem transitória da vida. É a dor da finitude, da qual todos nós somos dela candidatos. O mais importante é que ela deixou um sentido e exemplo de ética, seriedade, honestidade e compromisso com a vida que todos nós devemos seguir. Você estará sempre em nossas lembranças como colega amada que nos conquistou com sua singular simplicidade e empatia com os outros.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia