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CONSERVADORES, RICOS E POBRES

Em todas as eleições o que mais se houve da mídia, dos juízes e dos eleitores são as palavras “dever cívico”, “cidadania”, “exercício da cidadania” e por aí vai, que correm soltas como se apenas o ato de votar já complementa tudo como dever do cidadão. Pode até ser um dever cívico se a expressão de escolher o candidato for consciente, sem manipulação e compra do voto, direta e indiretamente. Quem se vende e é manipulado não está fazendo o “dever cívico”.

Bem, mas não é isso que proponha falar. Embora não seja especialista político, ou cientista-político como dizem por aí, os resultados das últimas eleições veem demonstrando um avanço acentuado dos evangélicos que, na grande maioria, adotam uma linha conservadora e muitos deles até de extrema-direita com o velho discurso de tradição, família e pátria, elogios às forças armadas e até apoio à ditadura militar.

Os homofóbicos declarados, contra a descriminalização das drogas e do aborto, Jair Bolsonaro, o filho dele, Marco Feliciano, sargento Isidoro, na Bahia, e muitos outros do mesmo naipe, sem falar no pastor Marcelo Crivella, candidato a governador no Rio de Janeiro, foram o mais votados no Brasil. Os partidos alinhados às correntes evangélicas  tiveram votação estrondosa. Que tudo isso sirva de reflexão para que a história não repita.

Várias correntes cortam este mar eleitoral de 32 partidos onde a indiferença à política também cresce de tamanho, em detrimento dos escândalos de corrupção, malfeitos e promessas não cumpridas.

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É BOM DEMAIS ROUBAR NESTE PAÍS!

Para o rico de colarinho branco é bom demais roubar neste país do conto do desconto da energia elétrica. Os ricos sempre são alojados em cadeias da Polícia Federal que, se comparadas com as penitenciárias medievais para onde vão os pobres que pegam um pedaço de pão, podem ser consideradas como regalias.

O caso mais recente e exemplar é o do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa que ainda teve o direito à chamada delação premiada, com retorno à sua mansão de luxo, escoltado por viaturas, aviões, helicópteros e agentes, sem contar a segurança que vai ter dia e noite.

A sua mansão na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, conta com três funcionários, quadras esportivas e bosques arborizados e ainda chamam isso de prisão. O mais irônico é que para ter toda essa mordomia, Paulo Roberto Costa aceitou pagar R$5 milhões em multa, ou seja, o próprio dinheiro roubado, e devolver R$23 milhões das falcatruas, quando ele mesmo confessou ter surrupiado dos cofres públicos R$50milhões.

Além de ter renunciado ao cargo, o ex-diretor ainda foi elogiado pelos serviços prestados e teve uma baita recepção em sua casa da mulher e de suas duas filhas laranjas. Para o rico, é bom demais roubar neste país, e vem aí mais um delação premiada, o doleiro Alberto Youssef, para voltar para sua bela mansão.

O pobre quando rouba é trancafiado numa masmorra fedorenta, sem direito a advogado, além de ser sentenciado antes de ser julgado. A sua vida vira um verdadeiro inferno nas mãos dos carrascos, sem contar a sociedade que defende a tortura e sua morte sumária.

O CONTO DO DESCONTO

Uma vez a presidente de uma nação rica de pobre, onde não existe indignação, anunciou aos seus súditos o desconto de 20% na conta de luz. Logo depois, essa estorinha de ninar escafedeu-se; foi-se para o ralo das mentiras escabrosas.

Nesse reino de tantas estorinhas, farras e festas, um tribunal chamado de contas da união constatou que houve falhas evidentes nos últimos dois anos na gestão do setor elétrico, o que gerou um custo de R$61 bilhões a ser pago pelo consumidor que acreditou no conto do desconto da rainha fada.

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AS DISTORÇÕES NO FUTEBOL BRASILEIRO

Carlos González – jornalista

A Copa do Mundo não conseguiu colocar um freio na queda de popularidade do futebol brasileiro. As novas arenas (Manaus, Brasília, Cuiabá e Natal) estão servindo de mando de campo para clubes do Rio e São Paulo, porque Flamengo, Fluminense, Corinthians e Botafogo não empolgam mais os torcedores locais. O registro de um público de 40 mil pessoas, recorde na nova Fonte Nova, no jogo Bahia x Flamengo, foi motivo de comentários da imprensa esportiva nacional.

Sem outras fontes de renda, pois até mesmo os seus jogadores de ponta estão sendo negociados para o exterior por empresários e bancos de investimentos, os clubes estão estendendo o chapéu à caridade pública, recorrendo aos torcedores mais abastados em busca de dinheiro para pagar os salários dos atletas e promovendo redução nos preços dos ingressos. A título de colaboração, a Arena Fonte Nova está vendendo duas latinhas de cerveja (a periguete) por cinco reais.

Em mais uma tentativa de empurrar o futebol para o fundo do poço, a justiça desportiva pune um clube simplesmente porque um torcedor jogou um copo plástico na pista, marcando jogos com portões fechados dos estádios, ou determinando a transferência de partidas para locais distantes.

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LENDÁRIO SERTÃO

Jeremias Macário

O meu sertão catingueiro, com espécies vegetais e animais exclusivos, é bem diferente do cerrado e da mata. Ora está retorcido, cinzento, desértico e árido, mas de repente fica florido e cheio de vida, de cores e encantos quando batem as chuvas. Aí arrebenta o aroma da terra molhada para o plantio.

O olhar dessa gente sertaneja é uma mistura de lealdade humilhada, cismado, doído, castigado, sofrido, resistente, bruto e pacato. Pode ser exótico matreiro tabaréu, mas não é o mesmo olhar do mateiro do sul ou de outras plagas do litoral. Nesse sertão, toda final de tarde ouço o canto cadenciado do nambu, como igual não existe em lugar nenhum.

Para o sertanejo, a simplicidade é a sua filosofia; a natureza sua arquitetura divina onde de tudo brota poesia; o pedaço de terra sua geografia; do barro faz-se a escultura; da seca sua prova de luta; e a chuva é o seu show da vida. A caatinga é mais fera e pantera que o deserto. Um tem caminho para o interior e o outro é tortura. A caatinga tem o cordel e seu boi encantado.

FOTOS DIVERSAS 028 - Cópia - Cópia

O sertão da caatinga, das palmas e dos mandacarus, é carregado de mistérios, contos e lendas (algumas ainda vivas) dos coronéis, dos pistoleiros, jagunços e vaqueiros bravos. Nesse descambado sem fim de espinhos de unhas-de-gato, tocas e malocas, rasgando serras e morros, o temido Lampião e sua tropa de coriscos conseguiam sair de seus labirintos e enganar as volantes.

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NA ESTRADA COM A POESIA

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TERRA ARRASADA

Jeremias Macário

A geleira se derrete e o planeta treme e aquece;

o ancião olha o chão rachado e faz a sua prece;

o verde vira inferno nas carvoarias lambuzadas;

queimadas matam as matas pra entrar manadas.

 

Furacões e tempestades retorcem vilas e cidades,

no flagelo de povos apodrecidos nas calamidades,

e o ranger das placas explodem fogo terremotos;

numa terra arrasada de pestes e famélicos mortos.

 

Rios secam poluídos de metais escuros e sangue;

o mar avança no galope dos ventos da noite fria,

e o pintor do mangue risca a paisagem que existia.

 

Raios e meteoritos deslizam na escuridão do dia,

e Deus recria outra esfera com raiz forte e sadia,

recompondo os seres para cumprir a sua profecia.

SOBRE NOSSAS FERROVIAS (Final)

“ÁLBUNS DE LEMBRANÇAS”

O pesquisador paulistano João Emílio Gerodetti e o jornalista chileno Carlos Cornejo fizeram um levantamento histórico sobre o apogeu dos trens e das estradas de ferro no Brasil. Diz em seu trabalho que durante muitos anos o apito do trem significou desenvolvimento, cultura e civilização. “Ao redor das estações e próximos à malha ferroviária, nasceram e cresceram sonhos, amores e cidades”.

O livro “As Ferrovias do Brasil nos Cartões-Postais e Álbuns de Lembranças” foi patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce, através da lei de incentivo do Ministério da Cultura.  Como declarou o autor e pesquisador, também comigo o trem faz parte da minha infância. O trem fica sempre na nossa imaginação.

Minha pequena Piritiba, nas cercanias da Chapada Diamantina, onde passei pequena parte da infância quando ainda moleque, vivia os primeiros anos de emancipação política, mas já contava com a linha férrea.

Máquinas paradas - Cópia

Repito as mesmas palavras do autor: Não sei quem veio primeiro. Foi também a partir do trem que deixei minha infância para estudar em Amargosa, no Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho. Ia até Itaberaba no “Trem Groteiro” e, às vezes, até Iaçu. De lá seguia de Rural para Amargosa.

O livro traz depoimentos de pessoas que viajaram de trem, além de informações sobre a história da implantação das ferrovias no país. Campinas é lembrada no livro através da Estação da Companhia Paulista (hoje Estação Cultural). Também em Piritiba, na Bahia, a Estação se transformou num Centro Cultural. Mas, em outras cidades, as velhas instalações estão abandonadas e depredadas, servindo de esconderijo de marginais e drogados.

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TERROR E MENTIRAS

Alguém já disse que na guerra a primeira vítima é a verdade. Poderia ter acrescentado que o mesmo ocorre nas eleições brasileiras onde predominam o terror e as mentiras. Boa parte da população, pobre e de baixo nível de instrução, está garroteada pelo Bolsa Família, pelas cotas, pelas casas populares, pelos cargos e temem perder os benefícios sociais diante de boatos de que se votar contra o governo vão perder tudo.

Depois de morto rasgaram suas vestes e dividiram entre si. Assim está sendo feito com a Petrobrás. Quanto a privatização da estatal, a maioria inculta nem sabe muito bem o que é isso. Para o povo necessitado, tanto faz. O que importa mesmo é ter um pouco de comida na mesa.

Há 20 ou 30 anos os escândalos de corrupção derrotavam qualquer candidato por mais aprovação que tivesse dos eleitores. De tão comum que se tornaram os fatos, hoje eles não abalam mais as campanhas. Se a pobreza, infelizmente, se contenta com pouca coisa, do outro lado o analfabetismo e a indiferença são tão agudos que pouca gente entende os noticiários e as denúncias da mídia.

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ITAMAR INDICA E COMENTA ARTIGO DE ORLANDO SENNA

Faltam poucos dias para as eleições presidenciais do Brasil e não creio que, até lá, apareçam novidades importantes sobre a questão audiovisual, seja nas manifestações do setor, seja nos programas de governo das principais candidatas, Dilma e Marina. Os artistas, trabalhadores e empresários do ramo fizeram sugestões e reivindicações, as mais recentes no Festival de Brasília (o documento “Por uma primavera do audiovisual brasileiro”, com divulgação na internet). As candidatas não fizeram mudanças no que já estava dito em seus planos de governo, também bastante divulgados e resenhados neste blog, onde dediquei dois artigos sobre o assunto.

A minha opinião é que o próximo governo deve fortalecer ainda mais a Ancine-Agência Nacional de Cinema e sua política de expansão da atividade e, ao mesmo tempo, debelar a crise de crescimento da instituição, promovendo ajustes preventivos e cirúrgicos principalmente no que se refere à burocracia; que a prioridade da agência seja a veiculação do conteúdo brasileiro em todas as mídias; que a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura volte a ter importância estratégica e política, com foco na cultura audiovisual e exercendo complementaridade com a Ancine, com foco no mercado; que o novo governo tenha a plena compreensão da importância medular do audiovisual na economia e nas soberanias nacionais no século que vivemos e a inteligência de promover um marco regulatório da atividade, abrangente, contemporâneo e democrático.

E que a aposta maior seja no poder de criação, invenção e coragem de nossos artistas. Disto tive mais uma prova contundente nos últimos dias, participando do 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A curadoria do festival decidiu selecionar para a premiação oficial apenas filmes representativos da mais recente onda artística nacional, uma geração com novas propostas quando ainda estamos saboreando a onda anterior, o impactante cinema de Cláudio Assis, Karim Ainoux, Sérgio Machado, Marcelo Gomes, Lírio Ferreira, Paulo Caldas, Cléber Mendonça Filho, Hilton Lacerda, Cao Guimarães, José Padilha e outros brilhantes cineastas.

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OS IRMÃOS SIAMESES

No campeonato baiano os times do Bahia e do Vitória deitam e rolam com direito a cartolagens e erros graves dos despreparados árbitros.  Nem é preciso ter bola cristal para saber que sempre disputam a final do certame, com raras exceções de uma ou outra agremiação do interior, e isso leva anos para acontecer. Ainda chamam isso de “Baianão”.

Pela estrutura futebolística, tirando o Bahia e o Vitória, que no brasileiro podem ser considerados como médios, os times pequenos do interior são amadores que se arrastam em dívidas, mesmo com uma folha de pagamento que equivale ao melhor jogador de um dos dois da capital. O Vitória da Conquista, por exemplo, foi uma decepção na divisão “D” do brasileiro.

No campeonato brasileiro, o BAVI é um vexame e uma vergonha só. Os dois mais parecem irmãos siameses de tão grudados e ligados que ficam na tabela de rebaixamento. Um sobe e outro desce em cada disputa. Tem 26 anos que o Bahia foi campeão nacional e o Vitória já tentou, mas nunca chegou lá. Todo início de temporada contratam uma carreta de jogadores que não valem por um craque de verdade.

Não quero entrar aqui na questão da educação, da cultura, da música e do desemprego, mas a Bahia está lá embaixo da tabela até no futebol. Aí vão dizer que a Bahia tem dois times na primeira divisão, só que pelo que fazem em campo nem deveriam estar lá. Servem de piadas para a mídia do sul.

O mais hilário de tudo isso são os jornalistas e cronistas baianos que tentam, de toda forma, empurrar e torcer pelos “representantes baianos” no campeonato. Quando começa a rolar a bola é um tal de fazer contas de matemática e geometria que se os antigos gregos e egípcios retornassem ao mundo teriam muito o que aprender! É um tal de secar os adversários que até esquecem de jogar!

Quando perdem, o juiz, o estádio e até a grama são os verdadeiros vilões. Na mídia esportiva, o clássico BA X VI é a maior sensação do planeta e quando um vence até parece um final de campeonato de tantas comemorações dos atletas e torcedores. Quando um jogador faz um gol da vitória vira logo herói e é notícia para toda semana. Suas famílias e suas origens são reviradas e dessecadas.

A crônica esportiva sempre se esquece de falar do outro lado da realidade como fez com a seleção brasileira na Copa do Mundo quando perdeu de 7 a 1 para a Alemanha e depois tudo permaneceu como antes, iniciando com o Dunga retranqueiro e cabeça dura como o Filipão. Triste futebol! Triste Bahia e Vitória!

 

NA ESTRADA COM A POESIA

FOTOS DIVERSAS 072 - Cópia

A DOR DO RETIRANTE

Jeremias Macário

 

Ai, meu Deus!

O açude secou,

e só ficou o mandacaru,

nessa solidão do tempo,

sem o sapo cururu,

nem o sinal do vento,

nem no campo uma flor.

 

Ai, meu Deus!

Vou embora do Nordeste,

vou deixar o meu sertão,

pedir a benção da minha mãe,

pra noutra terra ser peão,

cortar cana nos canaviais,

ser escravo de bacana,

e vagar nas transversais.

 

Ai, meu Deus!

Que dor doída danada,

misturada com lamento,

ver toda a minha gente,

partir como retirante,

sem água, sem lavoura,

perder todo alimento,

o rebanho e a semente,

nesse sol escaldante,

sem nascer um rebento.

 

Ai, meu Deus!

Tudo aqui virou ruínas,

de famílias amontoadas,

filhos soltos desgarrados,

vivendo como marginais,

nas esquinas das esmolas,

como alvo das chacinas,

sujos e cheirando colas,

nas cidades infernais.

 

Aí, meu Deus!

Proteja nosso povo,

para um dia nós voltar,

quando o tempo melhorar;

cuidar das nossas roças;

fartura para vender e dar;

aumentar nossos ganhos,

sem nunca mais  na vida,

em terras de estranhos,

viver de mendigar.

 

 

 





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