ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS (VI)
Pelo sertão rachado me embreei em direção a Palmeira dos Índios,
Perto de Quebrângulo onde nasceu um menino calado um Aladim,
Até avistar a escultura do mestre das palavras, “sejam bem-vindos”;
Bateu emoção entrevistar o prefeito-escritor Graciliano Ramos,
De “São Bernardo”, preso em “Cárceres” e viu as “Vidas Secas”,
Onde deixou dar uns pitacos no seu personagem andante Fabiano,
E no enredo coloquei seu encontro com um bando de cigano;
Ainda me convidou para em sua ceia comer cuscuz com aipim;
Mostrar o mapa da sequidão da peste bem ao lado da sua Baleia;
Contar suas histórias nordestinas de gente esquelética crucificada,
Tangida como boiada pela estrada pau-de-arara na rota escravista.
Do comunista ateu, bom e justo que dessa gente se compadeceu,
Detido por Getúlio porque tentou socializar nas escolas o ensino;
Anotei tudo como jornalista em meus anais na terra dos marechais;
Dei um nó na alparcata e toquei para a capital Maceió da Pajuçara,
Onde visitei o velho Teodoro da Fonseca, da República dantesca,
E mostrou sua espada que proclamou a coisa pública ser privada.
De Alagoas, fui de barco e Jeep pra abraçar meu Sergipe,
E ver a foz do irmão São Francisco reduzido a um cisco,
Engolido pelo voraz mar, empurrando sal que só faz secar;
Visitei ribeirinhos desolados com seus feixes de redes vazias,
Porque os peixes sumiram do rio nessa vastidão de areias,
E pelo agreste triste viajei pelas veias do litoral até Aracaju,
Pra conversar com o intelectual escritor Tobias Barreto,
Com Calazans Neto comi caranguejos na praia de Atalaia,
Onde tomei mais umas pingas com uma moqueca de arraia,
Para pegar estrada até a histórica cidade de São Cristóvão,
Que foi pedida para entrar de vez na minha querida Bahia,
E beber no cantil de Castro Alves, o maior poeta do Brasil,
Condoreiro das espumas que escreveu o “Navio Negreiros”;
Curti com ele a boemia, com mulheres do mal do século;
Aprendi ser romântico realista falando de deuses e escravos,
E vi Castro declamar pra tribos ao lado de reis e guerreiros.
Nos engaços bagaços galhos de aço entrei na mística Salvador,
A África brasileira que deu bravos heróis para libertar o Brasil
Do jugo português que dessas plagas toda riqueza nos roubou.
Com Ruy Barbosa, o Águia de Haia das palavras, o maior doutor,
Estive e me disse que de ver o homem prevaricar, viria o tempo,
Com seu vento da desonestidade zunindo virar uma brisa normal;
Do mal ser um bem num país sem decência, vergonhoso e imoral.











