Pelo sertão rachado me embreei em direção a Palmeira dos Índios,

Perto de Quebrângulo onde nasceu um menino calado um Aladim,

Até avistar a escultura do mestre das palavras, “sejam bem-vindos”;

Bateu emoção entrevistar o prefeito-escritor Graciliano Ramos,

De “São Bernardo”, preso em “Cárceres” e viu as “Vidas Secas”,

Onde deixou dar uns pitacos no seu personagem andante Fabiano,

E no enredo coloquei seu encontro com um bando de cigano;

Ainda me convidou para em sua ceia comer cuscuz com aipim;

Mostrar o mapa da sequidão da peste bem ao lado da sua Baleia;

Contar suas histórias nordestinas de gente esquelética crucificada,

Tangida como boiada pela estrada pau-de-arara na rota escravista.

 

Do comunista ateu, bom e justo que dessa gente se compadeceu,

Detido por Getúlio porque tentou socializar nas escolas o ensino;

Anotei tudo como jornalista em meus anais na terra dos marechais;

Dei um nó na alparcata e toquei para a capital Maceió da Pajuçara,

Onde visitei o velho Teodoro da Fonseca, da República dantesca,

E mostrou sua espada que proclamou a coisa pública ser privada.

 

De Alagoas, fui de barco e Jeep pra abraçar meu Sergipe,

E ver a foz do irmão São Francisco reduzido a um cisco,

Engolido pelo voraz mar, empurrando sal que só faz secar;

Visitei ribeirinhos desolados com seus feixes de redes vazias,

Porque os peixes sumiram do rio nessa vastidão de areias,

E pelo agreste triste viajei pelas veias do litoral até Aracaju,

Pra conversar com o intelectual escritor Tobias Barreto,

Com Calazans Neto comi caranguejos na praia de Atalaia,

Onde tomei mais umas pingas com uma moqueca de arraia,

Para pegar estrada até a histórica cidade de São Cristóvão,

Que foi pedida para entrar de vez na minha querida Bahia,

E beber no cantil de Castro Alves, o maior poeta do Brasil,

Condoreiro das espumas que escreveu o “Navio Negreiros”;

Curti com ele a boemia, com mulheres do mal do século;

Aprendi ser romântico realista falando de deuses e escravos,

E vi Castro declamar pra tribos ao lado de reis e guerreiros.

 

Nos engaços bagaços galhos de aço entrei na mística Salvador,

A África brasileira que deu bravos heróis para libertar o Brasil

Do jugo português que dessas plagas toda riqueza nos roubou.

Com Ruy Barbosa, o Águia de Haia das palavras, o maior doutor,

Estive e me disse que de ver o homem prevaricar, viria o tempo,

Com seu vento da desonestidade zunindo virar uma brisa normal;

Do mal ser um bem num país sem decência, vergonhoso e imoral.