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A COMERCIALIZAÇÃO DOS ESCRAVOS CRISTÃOS, RESGATES E A CONVERSÃO AO ISLÃ

As investidas dos muçulmanos da Berbéria (Argel, Túnis e Tripoli) na captura de escravos brancos ou cristãos na costa da Espanha e da Itália, por mar e por terra, tiveram seus picos durante o século XVI e uma queda a partir dos séculos seguintes porque as províncias costeiras se estruturaram melhor para combater os corsários reis, sem contar a queda populacional dessas regiões.

Muitos cristãos escravizados se convertiam ao islã, livremente ou forçados pelos turcos muçulmanos. Outros, por vingança contra os nobres da terra retornavam como renegados traidores se integrando o grupo de captores. Os corsários em terra, às vezes, optavam em pedir os regates nos próprios locais das apreensões. Como a maioria não tinha dinheiro para pagar, terminava recorrendo a intermediários que se apossavam dos bens dos capturados.

Esses relatos estão no livro “Escravos Cristãos, Senhores Muçulmanos”, do historiador e escritor Robert Davis, especialmente no capítulo “Captura e Comercialização dos Escravos” onde ele cita que nos tempos do cônsul inglês em Trípoli, Thomas Baker, o rapto de escravos no Mediterrâneo era de fato algo como uma “vocação legítima”.

“Ao longo de todo século anterior (XVI), essa foi uma prática desempenhada em larga escala por cristãos e muçulmanos (hostilidade imperial entre os Habsburgos e Otomanos), para quem a captura de prisioneiros escravos em campo de batalha era a recompensa tradicional em razão da vitória nos conflitos inter-religiosos armados”.

Os confrontos armados entre os turcos e seus aliados e as forças cristãs da Espanha, Itália e Portugal levaram milhares de cativos para os mercados de escravos em Fez, Argel, Constantinopla, Malta, Livorno, Lisboa e Marselha. Por parte turca, segundo ele, a prática de escravização de cristãos foi elevada a uma espécie de política estatal, principalmente entre os anos 1530 e 1570, quando Kheir-ed-din Barbarosa e Dragut Reis foram nomeados pelo sultão de Constantinopla e os vice-reis da Berbéria como almirantes de suas frotas.

Eles podiam atacar o Mediterrâneo quando bem quisessem, bloqueando portos, como Gênova e Nápolis, ameaçando Roma e saqueando dezenas de cidades litorâneas de médio porte na Espanha e na Itália. As incursões eram praticamente anuais, como a do Hassan Pasha, em 1582, um renegado Veneziano, paxá de Argel, e comandante de 22 galés e galeotas com pelo menos 1500 janízaros soldados.

De acordo com Robert, “os traficantes de escravos do Atlântico se especializaram em transportar e vender cativos, mas raramente se envolviam em outros tipos de comércio ou no trabalho sujo e potencialmente perigoso de capturar sua própria mercadoria para despachar na Passagem do Meio”.  Em sua visão, essa atividade era deixada para Estados Africanos rivais ávidos para vender negros cativos, capturados em batalhas ou incursões.

No entanto, não era isso que os historiadores narravam. Os capitães de navios e armadores de escravos africanos também se envolviam em outras negociatas arriscadas na venda de produtos clandestinos e até armas.  Quanto aos berberes, conforme o autor do livro, nunca conseguiram criar uma logística tão diversificada de abastecimento ou distribuição.

Na questão da escravidão branca, existia um clima de conflito imperial e jihad que predominou na Bacia do Mediterrâneo ao longo do século XVI, bem como pela liberdade individual de empreender durante o século XVII. Quando o comércio era frutífero, não era difícil atrair uma boa tripulação. Muitos homens entravam na empreitada até mesmo sem salário.

Uma viagem bem-sucedida que trazia navios, bens e escravos podia transformar todas as partes envolvidas em pessoas ricas, até mesmo os escravos que recebiam uma quantia suficiente para depois comprar suas liberdades.

O historiador conta que a grande maioria dos cristãos escravizados na Berbéria era apanhada quando os corsários tomavam os navios em que eles viajavam ou raptados durante as incursões nas ilhas mediterrâneas ou nas costas da Espanha, Itália e na Grécia.

No século XVI os ataques terrestres eram mais frequentes e deixavam os povoados e cidades em pânico. Muitos fugiam para as montanhas deixando bens para trás. Províncias ficaram despovoadas por muitos anos. Milhares de aldeões começaram um grande êxodo para as grandes cidades, como Nápoles e Palermo. Muitas vezes, as investidas litorâneas costumavam render mais do que os ataques às embarcações. As defesas costeiras eram pouco guarnecidas.

 

 

 

O GAVIÃO E O AGRESTE

Tanto o Gavião como o Carcará são típicos do sertão nordestino. São pássaros predadores que me fazem lembrar do agreste seco, voando alto e baixo na caça de uma presa, como pintinhos seguindo suas mães em quintais e terreiros na zona rural.  Como repórter-jornalista, em matérias sobre seca na região sudoeste, por exemplo, com meu companheiro fotógrafo Zé Silva, flagrava muito a presença do gavião na paisagem cinzenta cortando o céu azul da sequidão, ou em altas árvores na espreita de um animal menor rastejante no chão árido, como um calango qualquer. Por falar em agreste, nessa onda calorenta, provocada há anos pela ação destruidora do homem ao meio ambiente, o nosso Nordeste, inclusive Vitória da Conquista, é o que mais sofre com o aquecimento global, atingindo em cheio os pobres do campo. Somente na Bahia são 90 municípios que decretaram situação de emergência por causa da seca. O gado e outros animais menores já estão morrendo de fome e sede, sem falar no ser humano que também é alvo da falta de água e alimentos para sua sobrevivência. A esta altura, sem chuvas há meses, as plantações foram perdidas e não existe mais água nas cacimbas, nos tanques e nos pequenos açudes. Até o gavião sofre com esse tempo castigante dos tradicionais carros-pipas eleitoreiros que nunca atendem a demanda do sertanejo. Há séculos que o quadro continua o mesmo de penúria.

NA BOCA DA NOITE

Poeminha de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

O pôr-do-sol tabaréu,

Como fogaréu em chama,

Naquela montanha,

Se desfaz em dama,

No coito do açoite,

Na boca da noite.

 

Depois da capineira,

O camponês toca suas vaquinhas,

Como se fossem sua corte,

Do leite, suas rainhas,

E a nambu canta na capoeira,

As aves voam pro seus ninhos,

No ar que exala cheiro de vinhos,

Na boca da noite,

No pernoite do rancheiro tropeiro,

Que glorifica o nascer do dia,

Da natureza sabedoria.

 

Na boca da noite,

No urbano de agonia,

Multidões vivem em correria,

Entre o sensato e o insano,

Encanto e desencanto,

Nos lotados metrôs,

Ou na festa que começa,

Nos palcos dos shows,

No teatro, a peça,

No cabaré,

Do entra quem quer.

Pode ainda vagar pelas esquinas,

Pelos corpos das meninas,

No asfalto do assalto,

Na boca da noite.

 

 

AINDA EXISTE, E NÃO EXISTE MAIS…

Desde a invasão programada de Cabral com suas naus, lotadas de depravados, corruptos e tarados que aportaram em terras brasis, passando pelo período colonial e do império, ainda existe o banho de cuia, o homem que chama a mulher de intuia e imprestável, a casa que não tem energia elétrica e água encanada, o candeeiro e o fifó, a lata d´agua na cabeça, os esgotos a céu aberto nos casebres e favelas, o sarampo, a catapora, a papeira, a diarreia, outras doenças antigas e as mazelas sociais.

Ainda existe a corrupção e o suborno, a burocracia que emperra o processo de desenvolvimento do país, o patrão que ainda trata o empregado de escravo, o noivo que usa o cravo na lapela, a malandragem maliciosa, o gado que berra no agreste nordestino com fome e sede, a cacimba barrenta e a seca, os carros-pipas eleitorais, um Nordeste ainda atrasado, o retirante e milhões que ainda não têm o que comer.

Ainda existe a parteira, o curandeiro, a rezadeira, a feira livre e o escambo de mercadorias. Ainda existe para o criminoso o “não sei, o não vi” e o “eu sou inocente”. Ainda existe o “amigo da onça” que bate em suas costas e lhe chama de irmão. Ainda existe a procissão e o artesão de santos, o croché, o bordado e outros itens.

Ainda existe a injustiça e a profunda desigualdade social, a violação dos direitos humanos, o racismo, a homofobia, a discriminação e o preconceito. Ainda existe o relojoeiro, o sapateiro, o ferreiro, o alfaiate, o amolador de faca, o funileiro, o trapaceiro do conto do vigário do falso bilhete sorteado, o golpista e a falta de educação com milhões de analfabetos.

Ainda existe o voto de cabresto praticado pelos novos coronéis da política que prometem e nada fazem, as castas dos três poderes, as eleições compradas, as leis que são quebradas, a Constituição vilipendiada, o marido que bate na esposa e mata para limpar a honra, o estupro, a pedofilia, o encesto e o Severino que é enterrado em cova rasa. Ainda existe o namoro proibido e os vinis para tocar aquelas inesquecíveis, imortais e eternas canções.

Não existe mais a criança e o jovem que respeita e obedece ao professor e o idoso, o filho que dá benção ao pai e à mãe quando vai dormir e acorda de manhã, o gosto e o hábito pela leitura, a admiração pelos escritores, a carta escrita no papel para um parente distante, a vergonha na cara, o amigo sincero (coisa rara em extinção) e a moça donzela, nem o casamento virgem.

Não existe mais a preservação da natureza, das nascentes, sem a devastação das matas, a precisão das estações do ano, os ventos e as nuvens certas que anunciam a chegada das chuvas, o menino e a menina que brincam de ciranda, de roda, de esconde-esconde, de pião, de bola de gude no buraco, de peteca e nem o homem que vende o quebra-queixo na rua.

Não existe mais a máquina de datilografia, a montaria em jumentos para ir às cidades (agora são as motos), o casamento para sempre, a palavra como acerto de um acordo, tendo como aval o fio do bigode, as tropas que cortavam as trilhas dos sertões, as boiadas e os boiadeiros nas estradas, as rancharias no campo, a saudade dos berrantes e a vida em calmaria.

Não existe mais os trens de passageiros transportando gente, bruacas e bugigangas. Não existe mais o agueiro, o vendedor de lenha nas ruas das cidades, o carregador de malas, o médico da família, a pessoa de total confiança, o andar a pé nas ruas das grandes cidades nas madrugadas e as serestas para as amadas. Não existe mais o telefone fixo e nem o gravador tamanho tijolo, quanto mais aquele objeto, produto ou peça que não se acabava.

DIA NACIONAL DO FORRÓ

Não poderia deixar de registrar e passar em branco o Dia Nacional do Forró, pouco comemorado na data de 13 de dezembro. Na verdade, forró virou sinônimo de Luiz Gonzaga, o rei do baião que, se vivo fosse, estaria completando 111 anos.

É o nordestino “cabra da peste” que saiu daqui e foi divulgar nossa cultura no Rio de Janeiro, na Feira de São Cristóvão. Aliás, ele levou o nosso forró para todo Brasil e para o mundo com canções memoráveis e eternas, como Asa Branca, Triste Partida e tantas outras.

Por ser um ritmo principal das festas juninas do Nordeste, mais ainda me identifico porque me sinto orgulhoso de ter nascido nessa região, tão rica culturalmente. No entanto, quando se fala do “Gonzagão”, temos que lembrar também de seus parceiros Humberto Teixeira e Zé Dantas, sem esquecer Patativa do Assaré, que fizeram com ele lindas canções.

O Dia Nacional do Forró não é tão celebrado quanto o samba quando ritmistas deste estilo fazem festas em vários cantos do país, inclusive com “arrastões” e carros de som pelas ruas e avenidas atraindo multidões. Por que será? Entendo que o samba tem tanto seu valor quanto o forró, dois ritmos populares que estão ligados às raízes da nossa gente ancestral.

Aproveitando a ocasião, quero deixar aqui o meu recado, como sempre faço em meus comentários na época dos festejos juninos. Trata-se do meu repúdio sobre a descaracterização que vem sofrendo o nosso forró ao longo dos últimos anos numa mistura de lambada, arrocha, axé, pagode e até rock, não que seja contra quem gosta desses sons.

Fico muito triste quando vejo prefeitos em pleno São João contratarem bandas a preços altos, com o dinheiro do contribuinte, que nada têm a ver com o nosso forró. Deveria haver uma lei nacional rígida aprovada pelo Congresso, proibindo esse tipo de coisa, com punição severa para qualquer executivo municipal que colocasse no palco cantor ou banda que não fosse forrozeira.

Não me venha com essa que tal artista “famoso” de outro ritmo atrai mais a população. Muitas vezes são lixos musicais sem letra e conteúdo que deformam mais ainda o nosso povo e os levam a esquecer das nossas origens. Sem memória não temos identidade.

Coloquem enredos de qualidade do nosso forró legítimo, chamado “forró pé de serra”, que enche qualquer praça, como já aconteceu aqui em Vitória da Conquista. Tudo depende de uma decisão política com seu coordenador ou secretário de Cultura.

Vamos sim, valorizar o nosso forró que nasceu no Nordeste e encanta os nordestinos nas festas. Não adianta decretar o Dia Nacional do Forró se não houver por detrás uma campanha dos governantes e de todos artistas no sentido de valorizar o nosso patrimônio imaterial.

Forró é Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí, Ceará, Paraíba, Sergipe, Alagoas e Bahia. Forró é a sanfona, o zabumba e o triângulo. São dois pra lá, e dois pra cá. São letras que falam da nossa terra, das tradições e dos costumes da nossa gente.

 

DEU A LOUCA NO MUNDO

Se o nosso “Maluco Beleza” baiano Raul Seixas estivesse vivo tinha muitas coisas para falar em suas canções. Como se diz no popular: Pratos cheios para compor. Deu uma loucura no clima com o aquecimento global de quase 50 graus, provocado pelo homem, mas o culpado é o El Nino. Parece que toda humanidade tomou algum lisérgico daquele bem pesado. Estamos viajando no surreal.

O Brasil ninguém leva a sério e tome leis e decretos para acabar com as segregações, com os ódios e as intolerâncias. O Governo do PT continua cometendo os mesmos erros de sempre. Só se fala em falas pretas, músicas pretas, literatura preta, empoderamentos e outros movimentos equivocados que, ao invés de unir, só fazem nos dividir e separar. Não mais as lutas de classes, mas de gênero e cores.

Nossa língua portuguesa está virando um “portuinglês” com a incorporação de tantos termos dos ianques. Coisa de louco nas fachadas e vitrines das lojas! Nossa mídia também entrou nessa onda. A tendência é o português virar uma língua morta como o latim. Nas redes sociais, todos escrevem errado com suas besteiras de fofocas e boatos. A mediocridade destronou a meritocracia. O Malafaia só falta vestir uma saia para enganar seus seguidores doentes mentais e incultos. Viva a lavagem cerebral evangélica!

E a nossa literatura? O escritor e o poeta ficam catando um leitor aqui e acolá com seu livrinho na mão mendigando uns trocados. Os “artistas” da música só fazem lixo com letras banais porque é “disso que o povo gosta” – como dizem por aí. O pintor e o escultor não passam de seres solitários porque somente poucos apreciam suas artes. O ator está sem palco e “pouca merda”.

Nossa velha geração da cultura, do pensar, ler, filosofar e refletir está morrendo e, seu lugar, está sendo ocupado por uma multidão de jovens que só querem aprender apertar um parafuso ou fazer um robô, uma máquina qualquer para servir ao mercado do consumo. Sociologia, geografia, história, filosofia, letras e outras matérias de humanas não têm mais valor. O homem sapiens está se acabando. Estamos trocando o iluminismo pelas trevas do obscurantismo.

No decadente superficial Estados Unidos, o Baden ainda que ser presidente e o maluco do Trump quer voltar ao poder. Na Rússia, o Putin encarnou-se num Stalin do Kremlin, ou Czar imperador e manda massacrar os ucranianos. O “Bibi” dos judeus de Israel está exterminando os palestinos com suas bombas assassinas em nome do holocausto. A ONU não tem voz e virou uma piada.

Os ditadores estão espalhados por todos lugares disseminando crueldade, como na Hungria, Bielorrússia, na Turquia de Erdogan e outros países asiáticos (Malásia). Na América do Sul, o Maduro apodreceu no galho e agora quer invadir a região de Essequibo, na Guiana, que vive na extrema pobreza com três mil soldados.

Na Argentina vizinha (eu serei você amanhã), o povo em desespero elege o maluco Mileit, cópia do Trump e do Bozó brasileiro. Em plena evolução tecnológica da internet do mundo virtual que invadiu nossa privacidade (agora está aí a inteligência artificial), vivemos no escuro humano do terror e da violência brutal primitiva. Aliás, estamos só regredindo.

Deu a louca no mundo do PIB (Produto Interno Bruto) onde só importa o crescer a produção, o concentrar de rendas, como se isso significasse desenvolvimento social. Enquanto isso, o planeta padece com a destruição em massa de gases tóxicos, lixos e sujeiras. A supremacia, a seletividade e a tirania vão matando de fome e doenças os milhões de pobres, como na África. Estamos em plena loucura coletiva!

Quer ser louco também? Junte-se a eles, ou fique de fora como um excluído renegado, arcaico, nojento e decadente que não acompanhou o processo evolutivo da competição a qualquer custo. Você que não concorda com tudo isso não passa de um marginal e anormal. Tem que entrar na loucura total, ou morrer. Você não é um terráqueo. Você é um extraterrestre, um ET de Varginha.

SARAU A ESTRADA DISCUTE “TROPEIRISMO E CAMINHOS NO BRASIL IMPÉRIO”

Eles iam abrindo trilhas, fazendo caminhos e estradas para comercializar suas mercadorias em locais distantes do nosso Brasil, principalmente no Nordeste. Suas lidas eram cheias de obstáculos e tinham uma alimentação diferenciada, como a farofa de farinha, o feijão, a carne seca e a rapadura. Entre os ingredientes inventaram o feijão tropeiro até hoje apreciado por todos.

Estamos falando dos tropeiros, tema que foi debatido no último Sarau A Estrada do ano e que teve como palestrante a estudiosa no assunto Maris Stella, da Catrop, que abriu os trabalhos na noite de sábado (dia 9/12), no Espaço Cultural A Estrada, e fez uma ampla explanação sobre o tropeirismo no Brasil e em Vitória da Conquista.

De acordo com o livro-cartilha “Memória Histórica do Tropeirismo em Vitória da Conquista”, patrocinado pelo IPAC, Governo do Estado e apoio de outras entidades, tropa, na definição da própria palestrante, é um sistema de transporte composto por animais cargueiros. Eram utilizados jegues ou jegas para cargas mesmo pesadas e distâncias curtas, enquanto burros e mulas serviam para lugares mais longe com maiores cargas. Este conjunto era conduzido por tropeiros.

O tropeiro, segundo Maris Stella, poderia ser o dono ou o condutor dos animais. Conduzia a exportação de produções agrícolas locais como cachaça, açúcar, farinha, couro, rapadura, dentre outros. Trazia sal, cerveja, querosene em latas, tecidos, grãos, produtos manufaturados pelas indústrias europeias, como óculos, leques, livros, chapéus, bebidas em geral, dentre outros utensílios. “Nesse trânsito, valores e culturas eram compartilhadas em ranchos e povoados ao longo dos caminhos”.

O livro fala ainda sobre o que é tropeirismo? Um fenômeno sócio-histórico e cultural decorrente do trânsito e das mediações estabelecidas entre os tropeiros e as populações com que estiveram em contato. O capítulo segundo destaca a Composição e Funcionamento de uma Tropa, composta de homens e animais. Em geral trabalhavam duas ou mais pessoas, cada um com suas funções   e 12 animais formavam uma tropa.

A obra ainda descreve sobre de que forma se transportava as cargas, ensina como se faz uma bruaca (peça artesanal, cuja matéria-prima era o couro), diz como era a jornada diária de um tropeiro, fala das rancharias, como se alimentavam, se vestiam, como os tropeiros transmitiam e aprendiam conhecimentos e, por fim, o tropeirismo em Vitória da Conquista e região.

Maris Stella informou que o tropeirismo em Conquista começou a partir da formação do arraial pelo seu fundador João Gonçalves da Costa. Na pontuação do professor Itamar Aguiar, João Gonçalves foi um dos maiores abridores de estradas no Brasil, a mando do próprio rei de Portugal, para o transporte do ouro e das mercadorias, muitas das quais vindas do litoral a partir de Cachoeira e Nazaré.

Aqui, como assinala a palestrante, eles faziam rancharias na antiga Rua Grande (Centro da cidade), inclusive num barracão onde hoje é a primeira Igreja Batista. Sobre o tema, Maris Stella falou também do tropeirismo que ocorreu em Sorocaba, em São Paulo, um centro que recebia tropeiros vindos do sul (Paraná, Rio Grande do Sul) e até mesmo do Nordeste.

Fim dos debates, o Sarau continuou com seu formato de treze anos, com cantorias de viola do nosso músico e compositor Walter Lajes, com os causos do nosso companheiro Jhesus, declamações de poemas por Edna, Jeremias Macário, Vandilza, a anfitriã que a todos recebeu com um delicioso bode cozido, nosso Dall Farias e outros poetas.

Luis Altério postou no grupo de escritores conquistenses, no Zap, que “o sarau foi maravilhoso e a palestrante foi o ponto alto. Aqui parabenizo o professor Itamar, Vandilza, Jeremias e outros que fomentam este sarau. Vida longa ao Sarau A Estrada!. Temos que valorizar estes eventos. São coisas que fazem a diferença… Vivam os encontros e a vivacidade da arte e do conhecimento!” Nós agradecemos as presenças de todos e que em 2024 venham outros saraus já nos seus 14 anos de existência.

Como sempre, o evento transcorreu num clima fraternal de bate-papo cultural, troca de conhecimentos e varou a madrugada com os comes e bebes de tira-gostos, cerveja e vinho entre a biblioteca e o quintal. Foi uma passagem dos treze para os 14 anos, com o próximo já marcado para fevereiro, com o tema sobre a ditadura civil-militar de 1964 quando completa 60 anos, tendo como foco a resistência que aconteceu em Vitória da Conquista contra o regime de opressão.

Fizeram parte do nosso tradicional evento, Juanice Flor, Luis Altério, Lidia, Manoel Domingos, Nilde, Adiramélia, Clovis Carvalho, Lucas Carvalho, Humberto, Rosângela, Viviane Gama, Igor Brito, Maria das Graças, Odete, Caique Santos, Neto, Rozane Martins, Cleo, Maria das Graças Bispo Santana e outros que abrilhantaram nossa festa.

 

UM BRASILEIRÃO FORA DE SÉRIE

Carlos González – jornalista

Eu arriscaria a afirmar que, desde 1959, quando foi disputado o primeiro Campeonato Brasileiro com o nome de Taça Brasil, conquistado pelo Bahia, nenhuma das edições posteriores foi mais arrebatadora do que a deste ano. Independente do interesse despertado no público até a última rodada, o torneio promovido pela CBF foi marcado por fatos surpreendentes, que somente podem ser explicados pelo Sobrenatural do Almeida, personagem criado pelo jornalista tricolor Nélson Rodrigues.

O torcedor brasileiro tem conhecimento de sobra da derrocada do Botafogo depois de virar o turno com 47 pontos, um recorde no Brasileirão. Toda a “gordura” – 14 pontos na frente do segundo colocado – derreteu nos 19 jogos restantes, e o time alvinegro, que está há 28 anos na fila, caiu para a 5ª posição, que lhe dá o direito de disputar em 2024 uma pré-Libertadores  contra dois adversários.

Se duas das figuras mais populares da história do Bahia (o chefe de torcida “Lourinho” e o massagista “Alemão”) estivessem vivos eu diria que eles colocaram um galo (o símbolo do Atlético Mineiro) de bozó em alguma encruzilhada. O “trabalho” teria dado o resultado esperado, mantendo o Bahia na 1ª divisão do futebol brasileiro. Sua torcida estava desiludida; os seguidores de Exu (orixá que tem as cores vermelha e preta) já comemoravam; santistas e vascaínos  gratificavam via pix nas últimas rodadas os adversários do clube baiano. Senhor do Bonfim e Oxalá receberam os agradecimentos dos tricolores.

Um detalhe passou despercebido no jogo em que o Fortaleza venceu o Santos na Vila Belmiro, resultado que manteve o Bahia na divisão de elite nacional. Na minha opinião o clube cearense pagou uma dívida que tinha com Rogério Ceni. Entre 2018 e 2019, o ex-goleiro do São Paulo, iniciando na função de treinador, ganhou o Brasileirão da série B, a Copa do Nordeste e o Campeonato estadual, projetando o Fortaleza no cenário internacional – a Sul-Americana – e a liderança do futebol do Nordeste, mantida até hoje. O mais importante foi que Ceni ganhou o apreço dos desportistas cearenses.

Na realidade, não foi um campeonato onde os times esbanjaram técnica, uma virtude que o Brasil perdeu desde 1982. A exportação de jovens jogadores para a Europa tem sido cada vez maior e os clubes não têm como barrar esse comércio. A imprensa esportiva tece elogios ao palmeirense Endrick,  de 17 anos, negociado no ano passado com o Real Madri por 60 milhões de euros (R$ 316 milhões). Se uma empresa está com déficit em caixa é obrigada a se desfazer do seu patrimônio. O Flamengo gastou em contratações este ano R$ 746 milhões e não ganhou nada; o Corinthians recorre ao seu mais influente torcedor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para saldar um débito de R$ 600 milhões com a Caixa.

Sejamos mais uma vez realistas, os estádios “encolheram” (um público hoje de 50 mil pessoas é destaque no noticiário) e a “fábrica de craques” fechou. Não veremos mais um Bahia de Osni, Douglas e Bobô; um Fluminense de Carlos Alberto e Rivelino; um São Paulo de Raí; um Palmeiras de Ademir da Guia; um Flamengo de Zico e Adílio; um Cruzeiro de Tostão e Nelinho; um Vasco de Roberto Dinamite e Romário; um Corinthians de Sócrates.

O Fluminense viaja para a Arábia Saudita onde a partir do dia 18 vai disputar o Mundial de Clubes. Não leva as bênçãos dos seus coirmãos. Pelo contrário. Rubro-negros, vascaínos e botafoguenses acusam o Tricolor de traidor, por ter escalado um time alternativo nas últimas rodadas do Brasileirão, sob a justificativa, sem a menor contestação, de que não ia arriscar seus melhores jogadores em jogos que não alterariam sua posição na tabela. Depois de ganhar a Libertadores, o Fluminense vai em busca de seu maior troféu.

Esse atípico Brasileirão de 2023 projetou no cenário nacional um clube do interior do país. O Bragantino, da cidade paulista de Bragança Paulista, garantiu como sexto colocado uma vaga na pré-Libertadores. Fundado em 1928, o clube alvirrubro, apelidado de Massa Bruta, mudou de identidade em 2019 ao se associar à indústria de bebidas energéticas Red Bull. Uma dica para os clubes do interior baiano, em especial ao Conquista.

O Vitória conseguiu finalmente se livrar do estigma de vice que carregava há 124 anos. Campeão da 2ª divisão do Brasileirão este ano, o rubro-negro está em dúvida se coloca uma estrela na camisa Outra indagação está relacionada à troca de identidade, mediante a quantia de R$300 milhões, oferecida pela Fatal Model, uma agência de aluguel de acompanhantes. Na consulta feita aos torcedores cerca de 90% se mostraram contrários.

CBF fragilizada

Um dia depois de ter participado de seu último ato oficial (entrega da taça de campeão brasileiro ao Palmeiras), Ednaldo Rodrigues é afastado da presidência da CBF, por decisão de três desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sob justificativa de irregularidades no ritual da última eleição. Um interventor foi nomeado para o cargo, com orientação de promover nova eleição dentro de 30 dias.

O processo, sob sigilo, teria sido movido por Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero, duas das principais peças na engrenagem corrompida da CBF, juntamente com o falecido João Havelange, José Maria Marin e Rogério Caboclo (acusado de assédio sexual). Marin chegou a ser preso na Suíça e condenado nos Estados Unidos. Por décadas, receberam o apoio das federações estaduais, cujos presidentes se tornaram vitalícios.

Se ficar comprovada a ilegalidade no processo que levou Ednaldo Rodrigues à presidência do futebol brasileiro, a CBF será suspensa pela Conmebol e pela FIFA. Em consequência, os times brasileiros estarão fora da Libertadores e da Sul-Americana de 2024. A FIFA garantiu a participação do Fluminense no Mundial de Clubes este mês.

Do nosso observatório, vínhamos notando a má vontade da imprensa carioca e paulista com o baiano aqui de Vitória da Conquista, que um dia chegou a declarar ter sido vítima de preconceito, por ser nordestino e negro. Na noite em que a Seleção da Argentina voltou para o vestiário do Maracanã, ameaçando não jogar contra o Brasil pelas Eliminatórias, o hoje colunista Galvão Bueno bradou: “Peça pra sair Ednaldo”. Responsabilizou o dirigente pelas três derrotas consecutivas do time nacional.

A Associação Nacional de Árbitros de Futebol do Brasil (ANAF) divulgou ontem nota parabenizando a Justiça por ter afastado “o pior presidente que a CBF já teve em sua história recente”. Assinada pelo presidente Salmo Valentim, a nota ressalta que chegou a hora da arbitragem andar sozinha e conclama clubes e federações a cortarem “o cordão umbilical que os unem à CBF”.

 

“ESCRAVOS CRISTÃOS, SENHORES MUÇULMANOS”

“Escravidão Branca no Mediterrâneo, na Costa da Berbéria e na Itália, de 1500 a 1800”.

“Qualquer um que diga hoje que a escravidão branca chegou a proporções tão significativas quanto às da escravidão negra será invariavelmente tachado de supremacista branco e revisionista histórico”.

O comentário é da editora Vide Editorial, responsável pela publicação de “Escravos Cristãos, Senhores Muçulmanos”, uma obra de autoria do historiador e professor emérito da Ohio State University, PhD em história do Mediterrâneo e da Itália, Robert C. Davis.

Na introdução do seu livro, Robert procura esclarecer que a escravidão branca ou dos cristãos, paralela à escravidão africana, foi uma forma de vingança dos muçulmanos em resposta às perseguições que os islâmicos sofreram durante as Cruzadas (séculos XI e XII) e a expulsão dos mouros pela Espanha (final do século XV).

Essa escravidão se deu na região da Berbéria (Túnis, Argel e Trípoli), praticada por corsários e piratas do mar que saqueavam impiedosamente embarcações da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Irlanda, França, Portugal e da Itália. Muitas vezes eles adentravam o continente e os prisioneiros se tornavam escravos nas galés, nas lavouras, na mineração e até em fábricas.

Segundo o autor, “ao expulsar os mouros do sul da Espanha, Ferdinando e Isabel conceberam um inimigo implacável para seu reino ressurgente, e que veio a se estabelecer bem perto deles, em Marrocos, Argélia e, por fim, ao longo de todo o Magreb”.

O historiador também afirma que “na Berbéria, aqueles que caçavam e comercializavam escravos certamente esperavam obter lucro, mas, ao traficar cristãos, também havia sempre um elemento de vingança, quase de jihad, pelas injustiças de 1492, pelos séculos de violência nas Cruzadas que as precederam e pelas contínuas batalhas entre cristãos e muçulmanos que continuaram a assolar o mundo mediterrâneo até os tempos modernos”.

O próprio autor da obra reconhece que os números sobre a escravidão branca ou de cristãos, que ocorreu com maior intensidade entre os séculos XVI e XVII, são desencontrados por falta de notificações mais precisas. As estatísticas são mais baseadas nos relatos dos cônsules dos diversos país vítimas e de pessoas que sofreram esse tipo de servidão.

Robert destaca que até mesmo os ingleses, apesar de distantes da Berbéria, e eles próprios já figurando entre os captores de escravos mais agressivos nos anos 1630, foram escravizados por corsários muçulmanos operando a partir de Túnis, Argel e Marrocos.

De acordo com ele, os piratas de Argel e Salé podem ter escravizados cerca de mil britânicos por ano, praticamente o mesmo número de africanos cativos. Diz que, por volta de 1640, mais de três mil foram escravizados só em Argel e cerca de 1500 em Túnis.

“Foi dito que os argelinos tomaram, ao menos, 353 navios britânicos entre 1672 e 1682 – o que representaria que eles ainda agrilhoavam entre 290 e 430 novos escravos britânicos todos os anos”.

O historiador assinala ainda que os corsários berberes foram uma ameaça muito mais expressiva àquelas localidades mais próximas de seus litorais, como os povos flamengos, franceses, espanhóis, portugueses e italianos. Tudo isso ocorria, segundo ele, ao mesmo tempo em que acontecia o comércio de escravos africanos.

O escritor descreve, através de outro pesquisador no assunto, que o Mediterrâneo era “um mar abarrotado de piratas selvagens” e que “o papel perverso desempenhado pelos piratas muçulmanos em geral, e pelos corsários da Berbéria em particular, foi muito exagerado”.

Em seu livro, Robert ressalta que relatórios diplomáticos, jornais da época e o simples boca a boca contavam histórias sobre cristãos sendo capturados às centenas e milhares em alto mar ou durante surtidas litorâneas. Diziam que eles eram acorrentados e submetidos a uma morte em vida de tanto trabalhar em Marrocos, Argel, Túnis e Trípoli.

Fontes contemporâneas, conforme dito por ele, entre novembro de 1593 e agosto de 1594 os tunisianos trouxeram cerca de 28 espólios com 1.722 prisioneiros. Entre 1628 e 1634, os argelinos capturaram, só dos franceses, 80 navios mercantes, levando 986 cativos. Dos ingleses tomaram 131 navios e embarcações entre 1628 e 164, totalizando 2.555 cativos. Os viajantes de Trípoli tomaram 75 navios cristãos com 1.085 prisioneiros entre 1677 e 1685.

RETALHOS ESCRITOS (MEUS E DOS OUTROS)

(Chico Ribeiro Neto)

O relógio de parede da casa de vovô Chico em Ipiaú, Bahia. O tempo mora ali e quem toma conta é o passarinho.

O RELÓGIO DE “TRISTEZA”

O melhor goleiro da turma da Rua Gabriel Soares, em Salvador, era “Tristeza”. Voava nos paralelepípedos durante os “babas”, se ralava todo mas a bola não entrava. O apelido vem do fato dele nunca sorrir.

“Tristeza” tinha um relógio de pulso que só vivia quebrando. Levava ao relojoeiro e uma semana depois o bicho parava novamente de funcionar. Um dia, depois de umas quatro idas ao relojoeiro e do bicho parar mais uma vez, “Tristeza” botou o relógio em cima do meio-fio, pegou um paralelepípedo, ergueu-o no alto, gritou “agora você não vai mais aborrecer ninguém” e jogou-o com toda força sobre o relógio quebrão.

DESPONGAR DO BONDE

Ainda peguei o bonde em Salvador. Tinha o bonde aberto e o bonde fechado. No aberto era mais fácil viajar sem pagar, porque a gente fugia do cobrador andando pelos estribos.

Eu, com uns 11 anos, e meu irmão Cleomar, com uns 13, íamos para o Cine Pax, na Baixa dos Sapateiros, que passava dois filmes de cobói. A gente pegava um bonde, saltava na Praça da Sé e descia uma ladeira vizinha à Igreja de São Francisco, que ia dar no Pax.

Era um bonde aberto. Cleomar propôs que a gente despongasse (saltar do bonde ainda em movimento)  antes do bonde fazer a curva na Praça da Sé. Eu não sabia despongar. Tem que  ter uma arte pra isso: tem que pular do bonde com o corpo inclinado para trás porque senão você cai pra frente. Pulei reto, que nem uma vara em pé, todo duro. Não deu outra: saí “catando ficha” e fui me estabacar numa velhinha, derrubando-a. Ela gritou “socorro” e só ouvi o grito de Cleomar “corre, Chico” e me piquei ainda ouvindo os xingamentos da velhinha que me freou.

DO ATO DE ESCREVER

“Remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas esperanças mais descabidas…no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto”. (Do escritor Caio Fernando Abreu).

BALCÃO DE UMA VENDA

O escritor José J. Veiga, em seu excelente livro “A Hora dos Ruminantes”, descreve na página 19 o balcão de uma venda na pequena cidade de Manarairema: “O chão precisava de vassoura, o balcão precisava de uma limpeza com pano molhado para tirar aquelas argolas do fundo de copo de cachaça, os derramados de açúcar, a gordura salgada dos pesos de carne seca, os farelos de rapadura e farinha”.

O TRATOR DO NATAL

Nunca esqueço do trator que ganhei do meu pai Waldemar quando tinha uns quatro anos, em Ipiaú. O trator soltava fagulhas enquanto andava e fiz sucesso no passeio da Rua 2 de Julho. Todo menino queria pegar no brinquedo encantador.

Natal dorme na lembrança e sempre acorda quando dezembro começa. O pisca-pisca da fachada do Shopping Barra só me lembra o trator, e dá vontade de chorar.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br

 





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