MUITAS ATIVIDADES NA FLICONQUISTA E UM ESVAZIAMENTO NAS PALESTRAS
PRODUTOS ORGÂNICOS E ARTESANATO TAMBÉM SÃO CULTURA NA FLICONQUISTA NAS FOTOS DE BASTIDORES DE JOSÉ CARLOS D´ALMEIDA E JEREMIAS MACÁRIO
É muito agradável entrar numa feira literária e passear entre os mais variados livros de autores com os títulos os mais chamativos possíveis contemplando gêneros desde o romance, contos, ensaios, biografias, poesias, histórias, entre outros, além dos infantis que deixam a criançada curiosa e ávida pela leitura.
Como jornalista e escritor, confesso que tudo isso me deixa mais esperançoso e fortalecido, como está sendo agora com a I Feira Literária de Vitória da Conquista- A Fliconquista que está sendo realizada no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e se encerra neste domingo dia 19/11. Sem dúvida foi o acontecimento cultural mais marcante do ano, esperado há muito tempo pelos escritores das letras conquistenses.
É bom encontrar com os amigos artistas e bater aquele papo cultural sobre novas obras e sentir de perto o cheiro do papel saído das editoras e gráficas repleto de ideias. Não deixa de ser uma viagem que eleva nossos espíritos. Queremos ouvir de perto as vozes que ecoam neste Sertão da Ressaca, como foi a coletânea organizada por Chirles Oliveira e Ybeane Moreira que abriu as portas para outros lançamentos.
Observei nessa primeira Feira Literária a junção de muitas atividades nas rodas de conversas em torno do Centro de Cultura nos estandes e tendas e isto é saudável e salutar. Do outro lado, no entanto, houve um esvaziamento nas palestras (bate-papo) no auditório porque as pessoas não conseguiram acompanhar tudo ao mesmo tempo.
Sobre este assunto, conversando com um amigo, ele me respondeu que é nestas ocasiões onde o muito se torna menos. Falava que a organização poderia ter dado mais atenção para os temas escolhidos, de modo a valorizar o palestrante que muitas vezes chega lá e não tem quase ninguém na plateia porque existem outras atividades ocorrendo no mesmo horário.
Uma das saídas seria encontrar uma forma de divisão do trabalho de maneira que as palestras não fiquem ofuscadas e terminem sendo apenas um ponto decorativo da festa. Outra alternativa seria reduzir as palestras, encaixando-as em horários compatíveis, para que não ocorra conflitos com as outras ações da feira. As reuniões, os encontros, lançamentos de obras e as oficinas são importantes e necessários, contanto que não anulem as palestras.
Entendo que possa haver uma conciliação entre os horários e se abra um espaço de prioridade para os chamados bate-papos no auditório principal, para que o palestrante não seja diminuído em sua fala, especialmente quando não se trata de uma celebridade nacional, muitas vezes da mídia, da política e das artes. Quando é um personagem famoso como palestrante, acontece o contrário: São as outras atividades que ficam prejudicadas.
“Cenas de Resistência na História de Vitória da Conquista” foi um tema bem sacado pela curadoria, que deveria ter sido preservado e mais divulgado para atrair mais gente, justamente porque a feira está se realizando na própria cidade. Trata-se da história de um povo que precisa ser contada e escutada por todos nós.
HISTÓRIAS DA BAHIA GUARDADAS NO MOCÓ (2)
(Algumas notas de Hildegardes Vianna no final do livro “A Bahia já foi assim”)
(Chico Ribeiro Neto)
Publico hoje a segunda parte da crônica sobre o livro “A Bahia já foi assim” (Editora Itapuã, 1973), da folclorista Hildegardes Vianna.
Na crônica “O quarto dos santos” ela comenta: “Quarto de santo é atualmente expressão dúbia. Pode significar casa de orixá de candomblé para a maioria dos leitores. Lugar de oração para uns poucos. Afinal, hoje não há cômodos suficientes nas residências, começando a rarear os devotos empenhados em reunir várias imagens em seus nichos particulares”.
Depois de ressaltar que “imagem nunca se compra, troca-se”, Hildegardes explica: “Há uma superstição que não permite que alguém diga que comprou uma imagem ou um santo. Consideram apenas como uma troca por dinheiro, porque só Judas vendeu um Santo”.
Na crônica “Todo mundo gosta de abará” ela lembra do “abará que já vinha com a pimenta temperando a massa, que se desmanchava na boca como pão-de-ló” e lamenta que é “bem diferente do abará que se modificou pela exigência do consumidor e não somente por culpa das vendedeiras. Abará que nem sempre traz camarão na massa, recheado como um sanduíche qualquer, com molhos de vários aspectos e procedências, entupido com o vatapá, que nem sempre é vatapá, será que ainda é abará?”. Lembro que este livro é de 1973.
Para ela, “era fácil identificar uma lavadeira. A visão de uma mulher descalça, com uma trouxa de roupa à cabeça, nos dias de segunda-feira, era trivial.”. Hildegardes escreve na crônica “As lavadeiras faziam assim”: “As lavadeiras podem ser classificadas de várias formas: as que lavavam na casa da patroa e as que lavavam na fonte; as que lavavam por peça e as que lavavam por mês; as que apenas lavavam e as que lavavam e passavam, além das que lavavam e engomavam”.
Em “As mãos das baianas” diz Hildegardes: “Enquanto não aparece um poeta, deixem que eu fale das mãos das baianas que vestem suas roupas repolhudas nos dias de festa”, e poetiza: “Reparem nas suas mãos que, agitando um galhinho de mangericão ou coisa que valha à guisa de abanador, vão e vêm sobre o tabuleiro lentamente, num ritmo certo. São mãos nodosas, de unhas incertas. Estragadas, mas limpas. Contrastam com os braços sedosos e roliços de suas donas. Mãos de quem trabalha não são atraentes nem desejáveis, mas são mãos encantadas. Mãos de fada”.
Antigamente, o xaréu era um peixe farto em Salvador. Dizem que o xaréu sumiu ou ficou raro nas nossas praias porque ele é um peixe que não gosta de zoada e o barulho dos carros na orla o afastou. A crônica “No tempo do xaréu” diz assim: “Xaréu era o peixe mais popular, mais barato, mais gostoso, mais consumido nesta nossa cidade. Xaréu fresquinho, pegado em Amaralina, comprado inteiro por preço mais irrisório que o de uma única posta de outro pescado. (As ovas, vendidas separadamente, constituem iguarias preciosas quando devidamente fritas)”.
Antigamente, no estádio da Fonte Nova, quando faltavam 10 ou 15 minutos para o final do jogo, os portões eram abertos para a entrada do “xaréu”, o pessoal que não podia pagar o ingresso.
O jornalista José de Jesus Barreto conta que teve uma vez em que o “xaréu” assistiu todo o segundo tempo. Foi no jogo Bahia x Santa Cruz, pela Taça de Prata, antigo nome dado ao campeonato brasileiro. O Bahia havia tomado 4 x 0 no primeiro jogo e precisava fazer 5 x 0 para se classificar às oitavas de final. Foi na noite de 5 de abril de 1981. Acabou o primeiro tempo com 3 x 0 para o Bahia e aí o presidente do tricolor, Paulo Maracajá, no intervalo do jogo mandou abrir os portões para entrar o “xaréu”, uma multidão que lotou a Fonte Nova, aumentou a pressão da torcida e o Bahia deu os 5 x 0 que precisava, auxiliado pelo árbitro Carlos Rosa Martins, que deixou de marcar “um impedimento escandaloso” no último gol do Bahia, aos 43 minutos do segundo tempo, lembra Barreto. A Fonte Nova explodiu de alegria e o “xaréu” teve um peso importante.
Segundo José de Jesus Barrreto, outro fator que certamente ajudou o Bahia foi o que um radialista (o repórter de pista) perguntou ao juiz, quando este retornou do intervalo e se espantou diante da Fonte Nova lotada para o segundo tempo: “O senhor vai ter coragem de anular um gol ou de marcar um pênalti contra esse time?”
Na crônica “Palavras más” Hildegardes escreve: “As horas eram boas e más. A pior de todas, a do meio-dia, quando o diabo saía do inferno para a sua ronda diária”. Mais adiante, observa: “O que eram palavras ruins? Coitado era uma. Não se lamentava alguém, impunemente, exclamando: Coitado! “Coitado do diabo que perdeu a graça de Deus, não eu que sou criatura de Deus, Padre todo poderoso. Coitado, por que?”
Hildegardes assinala: “Espreguiçar-se com o gemido “Ai-Ai” sem acrescentar “meu Deus” era caso para reprimenda. “Ai-Ai” era o diabo mais velho do inferno”. Ela ainda observa: “Quem tinha coragem de viver repetindo o nome de miséria, de desgraça, apenas para descarregar o seu gênio?”
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
POESIA E FELICIDADE
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
O poeta canta a felicidade,
Manda valorizar cada dia,
O existir do viver,
Debulhar do alto o sinal,
Mas como alcançar essa felicidade,
Num Brasil tão desigual?
Felicidade! Felicidade!
Perdão meu poeta/poesia,
Numa festa tudo é alegria,
Utopia e distopia:
Não dá para rimar,
Amor com sofrer e dor,
Nesse turbilhão de maldade.
Felicidade! Felicidade!
Não consigo captar sua poesia,
Sua mensagem nessa viagem,
Se minha alma está em agonia,
De ver tanta gente encarcerada,
Meu povo andar como manada,
Nesse capital do gastar consumir,
Onde o pobre nem mais rir,
Passando fome pelos cantos,
Que mal dorme e come
Nos afogados da periferia.
Felicidade! Felicidade!
Liberdade! Igualdade!
Cadê minha soberania?
Finjo estar encantado,
No acalanto da sua poesia.
COMEÇOU A I FEIRA LITERÁRIA DE CONQUISTA EM HOMENAGEM A JESUS LIMA
Esperada por muitos anos pelos escritores, intelectuais, estudantes e artistas em geral, começou ontem (dia15/11) e vai até domingo 19/11, a 1ª Feira Literária de Vitória da Conquista – A Fliconquista numa homenagem ao poeta e escritor Camilo de Jesus Lima, tendo como tema a liberdade no ano do bicentenário da Independência da Bahia no Brasil.
Foi uma abertura memorável em grande estilo, com o primeiro lançamento de livros através da coletânea “Vozes que Ecoam na Joia do Sertão Baiano”, uma coletânea de 21 poetas e escritores, organizada por Chlirles Oliveira e Ybeane Moreira. A obra foi publicada pela editora “Versejar”, de São Paulo.
Ainda na parte da manhã e da tarde foram realizadas oficinas literárias, clubes de leitura, mostra de trabalhos artísticos das escolas, expografias temáticas de Madalena Santos (um quintal de telas) e tapeçarias para o mundo de Victória Vieira.
A sessão oficial de abertura se deu com a Camarata Neojibá, conferência sobre ideais da liberdade da Bahia na obra de Camilo de Jesus Lima, conferida pelo advogado, historiador e escritor Ruy Medeiros. Logo após aconteceu o espetáculo do artista musical “Gutemba” que cantou diversos poemas do homenageado da festa.
Com as presenças de artistas e escritores, como Zezé Mota, do jornalista premiado e ex-deputado federal, Jean Wyllys, Daniel Munduruku, ganhador do prêmio Jabuti e Paulo César Araújo, biógrafo do cantor Roberto Carlos, uma vasta programação de lançamentos e bate-papos está marcada para até o próximo domingo, com encontros literários, shows musicais e visitações guaidas.
Durante a Fliconquista, que conta com patrocínio do Governo do Estado da Bahia, recursos de emendas parlamentares de iniciativa do deputado federal Waldenor Pereira, produção do Coletivo Barravento, curadoria de Ester Figieiredo, curadoria adjunta de Elton Becker e diversas parcerias, inclusive da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), estarão expostas obras de escritores locais e de outros estados, sem contar a participação de bibliotecas comunitárias, como a Donaraça, de Juliana e Josué Brito, dentre outras, além da tenda do Sarau Multiverso, de Renas, abrangendo diversas linguagens do mundo cultural conquistense e de fora.
A 1ª Fliconquista é um acontecimento cultural que, sem dúvida, vai ficar marcado na história de Conquista. A expectativa dos participantes é que no próximo ano essa mesma festa seja repetida, com maior força e representação. A feira é um instrumento de incentivo de novos talentos voltados para a arte de escrever e também visa estimular a leitura, principalmente nos mais jovens.
O CINISMO DA PREVENÇÃO DA SAÚDE
Nos últimos tempos, a nossa mídia abriu mão de questionar os fatos e apenas faz aquela mesmice do factual na base do concordar com informações que, na verdade, não condizem com a realidade.
Em minha modesta análise, ela entra na onda por acomodação (não proposital e intencional) e termina desinformando a opinião pública, quando deveria ser o contrário. Isso é pecar por omissão, o que é tão maléfico como mentir.
Uma dessas coisas que sempre acompanho são matérias na área da saúde, especialmente em campanhas dos meses rosas, azuis e outras cores correspondentes ao tratamento de determinadas doenças, como do coração, do diabetes, da próstata e agora do câncer da mama.
Os repórteres se colocam, muitas vezes, no lugar dos médicos-cientistas (arrogância) e aconselham que a prevenção do tratamento é a melhor saída. Não é que esta recomendação não seja verdadeira, mas esquecem de explorar o outro lado do Brasil desigual onde a maioria dos brasileiros, dependentes do SUS, não tem acesso fácil aos exames mais importantes e caros.
É o que chamo de cinismo da prevenção da saúde onde a ordem geral é que todos procurem o seu médico e façam suas consultas regulamente, inclusive dos exames solicitados pelo profissional. Até parece que neste país a saúde é de alto nível e qualidade. É só marcar o exame e no outro dia a pessoa já é atendida.
Tenho exemplos, aqui mesmo em Vitória da Conquista, de mulheres que pediram uma mamografia no posto de saúde e estão na espera da fila há quase um ano. Eu mesmo marquei um otorrino e tem mais de um ano sem me chamar. Nem preciso mais. Imagina se fosse uma coisa grave, como um câncer! Teria virado uma metátese e morrido. Basta ser um procedimento de média a alta complexidade para tudo ficar emperrado!
Por que a mídia não mostra a outra face da moeda penosa do pobre que depende do SUS? A mesma coisa é quando se diz para não se comprar remédio na farmácia sem receita médica. Para complementar, acrescenta-se que procure seu médico. Isso é uma tremenda piada, para não dizer utopia. O que vemos muito são reportagens enganosas no estilo propagandista dos políticos governantes.
Será que os jornalistas acham que o povo é tão burro assim ao ponto de não perceber e ficar revoltado? Aprendemos a subestimar a inteligência dos outros. Vamos ser mais criteriosos, éticos e responsáveis com a verdade. Condena-se tanto as fake news e termina-se divulgando elas de outra forma, porque não existem mais editores, redatores e chefes de reportagem como antigamente.
ONDE ESTÁ A FELICIDADE?
Poetas, escritores e filósofos falam muito de felicidade, estar de bem com a vida, valorizar o existir de cada dia, amar e viver em paz. Quando ouço canções positivistas sobre manter sempre este estado de espírito de ser feliz, passa pela minha cabeça o quanto é difícil ter esta felicidade num Brasil tão desigual, de tanta pobreza, violações dos direitos humanos e injustiças.
Não quero ser pessimista e, ao mesmo tempo sendo, muita coisa disso é utópico. O estado de felicidade pode ser uma festa entre amigos quando todos estão ali juntos confraternizando num bar, em casa ou em outro lugar qualquer comemorando alguma coisa, como um aniversário, um casamento e até mesmo num sarau cultural.
Mesmo cada um com suas angústias e problemas, nesses momentos de prazer todos procuram transbordar felicidade, mas depois que tudo passa e se cai na realidade da vida, esse ser feliz, em muitas pessoas, não é mais o mesmo, e estamos falando de uma classe de gente com maior poder aquisitivo.
Muito se fala que o dinheiro não é tudo. Não deixa de ser uma verdade, mais vamos ser mais realistas. Nesse mundo capitalista e concentrador de rendas, a grana é uma peça chave para se alcançar a tão sonhada felicidade. Não vamos ser ingênuos e fazer de conta que não é assim. Me desculpem por estar aqui fazendo o papel de advogado do diabo.
Quando o ser humano está “liso”, modo de se dizer quando se está de bolso vazio e endividado, ele fica atordoado, desnorteado, sem rumo e sem a anima, do latim, a alma, o ânimo. Nesse ponto, lá se vai a felicidade e até o prazer de viver, em algumas ocasiões.
É difícil superar essa situação e se manter sorridente como se nada estivesse acontecendo. Podemos até disfarçar entre amigos, mas quando se está só, bate no peito o desânimo. Fico a imaginar, por certos momentos, que a nossa vida é feita de dívidas, principalmente para aqueles que têm integridade e caráter.
Para muitos, o consumo de bens, na maioria de supérfluos, num shopping, é uma felicidade, pelo menos momentânea. No entanto, como imaginar a felicidade no corpo de um encarcerado numa prisão, no pobre nos afogados das periferias e alagados, passando fome porque não tem o dinheiro para adquirir o alimento?
Como ter essa felicidade em meio a uma guerra de bombas por tosos os lados? E os refugiados que só saem com a roupa do corpo e ainda são enxotados em outro país? Como o pai ou uma mãe podem ser felizes quando ver seus filhos a chorar de fome? Como viver em felicidade sem ter educação e saúde decentes? E os doentes jogados nos corredores dos hospitais?
Por tudo isso e muito mais, é que entendo que cantar felicidade e pedir que todos a vivam, em grande parte não passa de uma utopia nessa distopia. Meu caro poeta/poesia que me perdoe o meu contraponto. Sei que não agrado com essa conversa, mas tenho que ser sincero, pelo menos para comigo.
Não sei viver nesse nível, nesse nirvana, talvez por não ter a capacidade de anular todos problemas individuais e coletivos e fazer de conta que tudo está bem. Bem que já tentei! Com tantas violências brutais e cruéis, matanças e massacres, sempre questiono esse tal sentido da vida. Sei que deveria pensar menos e viver mais, mas é que sou assim.
Onde está a felicidade? Dentro de cada um, ao seu modo, ou somente em poucos que são mais sonhadores e não se deixam afogar nos males da humanidade? As canções são bonitas e poéticas, mas essa felicidade é uma danada que anda por aí vagando perdida, que pousa em algum lugar como uma borboleta e depois voa para outras bandas. É como um perfume que se vai com o tempo.
Complicada essa felicidade sem liberdade e igualdade numa sociedade tão dividida pelo ódio e a intolerância racista, homofóbica, xenófoba e religiosa. Nessa vida passageira, além de outras lutas que temos pela frente, ainda precisamos conquistar essa felicidade, mesmo diante de tantas adversidades.
LAGOA DAS BATEIAS, ANIVERSÁRIO E OS EQUIPAMENTOS CULTURAIS
Não propriamente pela ordem, se me permitem, primeiro queria aqui questionar os 183 anos de emancipação política de Vitória da Conquista como sendo o 9 de novembro de 1840 quando foi instalado o Conselho Municipal, ainda na posição de vila. Na verdade, Conquista se tornou cidade através de decreto da República, em 1º de junho de 1891 há 132 anos.
O 9 de novembro foi indicado por um grupo de intelectuais sob o argumento de que o Conselho deu autonomia à vila. O projeto foi aprovado pela Câmara de Vereadores tempos depois. Essa pauta é tão polêmica que os sábios conquistenses se recusam a tocar no assunto por considerar sem fundamento.
Por essa data de emancipação de 183 anos, Conquista é mais velha do que Cachoeira, o que não dá para entender. Até pouco tempo Caetité também era mais nova e aí seguiu os mesmos passos para ultrapassar a idade de Conquista porque não tinha cabimento.
Bem, quem sou eu para contestar! Trata-se apenas de uma provocação e nem sou historiador. Meu ponto de discussão é outro: Aplaudir e dizer que foi muito salutar e importante a revitalização da Lagoa das Bateias, um local que já era chamado de esgoto fedorento pela comunidade.
Para ser mais direto, do outro lado, deixo aqui o meu repúdio de que nesta data de aniversário a senhora prefeita não tenha entregue as reformas dos equipamentos culturais do Teatro Carlos Jheovah, do antigo Cine Madrigal e da Casa Glauber Rocha que há anos continuam fechados. Essas obras são tão fundamentais quanto a Lagoa.
A reforma destes três equipamentos vem sendo cobrada e pleiteada há dois anos pelo Conselho Municipal de Cultura, cujo mandato se encerrou em setembro passado (período de 2021/23). O Teatro, na Praça da Bandeira, foi fechado desde o início da pandemia por volta de 2020. O Cine Madrigal foi adquirido com recursos da Secretaria de Educação no governo do PT, de Guilherme Menezes, ao custo de um milhão e 100 mil reais. Portanto, são mais de oito anos fechado. A Casa Glauber Rocha, se não me engano, foi comprada no mandato de Hérzem Gusmão.
Para completar o sepultamento da nossa cultura na terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 400 mil habitantes, corre notícias nas redes sociais que neste ano não haverá festejos natalinos em Conquista, com apresentações artísticas no Espaço Glauber Rocha, no Bairro Brasil.
Uma pena que os nossos governantes em geral pensem que a cultura não dá voto. Por essa vertente política, eles não a colocam em seu merecido pedestal entre as prioridades, mas apenas como objeto de decoração em suas mesas.
Mais lamentável ainda é que os festejos passaram e não se viu nenhuma manifestação de cobrança e repúdio por parte da classe artísticas e dos intelectuais conquistenses, ora somente envolvidos com os editais da Lei Paulo Gustavo e com a realização da Feira Literária de Conquista, a Fliconquista, uma iniciativa que não é municipal.
A impressão que se tem é que a cultura em Conquista está indo de vento em popa ou em mil maravilhas onde todas as linguagens estão sendo bem contempladas. Enquanto isso, nossos equipamentos estão sendo desgastados pelo tempo e os artistas nem têm espaço para realizar seus ensaios, quanto mais para apresentar seus projetos para a população que não vive só de comida, de lagoa e calçamento de ruas.
“AS ABOLIÇÕES DA ESCRAVATURA NO BRASIL E NO MUNDO”
Marcel Dorigny – Editora Contexto
“…Quem pretende transformar um ser humano em coisa, também se coisifica”. Este pensar está na abertura do prefácio da obra de Marcel Dorigny, um historiador do Departamento de História da Universidade de Paris VIII.
Marcel delineia as diferenças entre antirracista, antirracismo, abolicionista e abolicionismo, cujas ideias tiveram início no século XVIII na França e na Inglaterra. Destaca as primeiras rebeliões ou resistência dos escravos africanos. Os embates amadureceram no século XIX.
O historiador, de acordo com seus estudos, nos oferece uma série de fatores que resultaram no fim da escravidão, como o desenvolvimento da indústria, a necessidade de ampliação do mercado consumidor, o fenômeno da urbanização, a consciência dos intelectuais em decorrência das ideias da Revolução Francesa, mas, sobretudo, a resistência dos cativos africanos.
Ao se referir aos países mais “avançados” da Europa, assinala que as ideias de tolerância e afirmação dos direitos naturais do homem (liberdade e igualdade) foram uma poderosa força no processo que levou à condenação da escravidão.
“Do mesmo modo, as novas teorias de economia política da segunda metade do século XVIII contribuíram para tornar a escravidão cada vez mais desnecessária para o desenvolvimento da nova economia”.
Sobre as “resistências à escravidão”, o historiador cita o debate parlamentar das Leis de Mackau, de 1845, enquanto os defensores da continuidade nas colônias diziam que os escravos eram mais felizes que os operários das minas ou das fábricas. Um dos dirigentes da Sociedade Francesa pela Abolição da Escravatura (1834), Agénor de Gasparin, contestou esse absurdo com dados sobre a venda de escravos, as rebeliões e a manutenção da força de repressão, cada vez mais onerosa. Lembra que o movimento em São Domingos (Haiti), no final do século XVIII, representava um constante perigo de uma concentração maior de “não livres”.
Em 1840, Victor Schoelcher observou que para evitar um levante a solução era a abolição imediata. Em contraste com as belas pinturas e ilustrações, existia um trabalho pesado nas plantações de cana-de-açúcar ou de algodão, o trabalho braçal nas cidades, os castigos dos chicotes, do pelourinho e da prisão.
Quanto as resistências à escravidão, o autor do livro aponta que o primeiro navio a levar escravos africanos a São Domingos chegou em 1503. A resistência tinha início nos embarques dos escravos nos porões dos navios e continuava na recusa ao trabalho forçado (uma prova do arcaísmo), o suicídio, a recusa de gerar filhos (abortos e assassinatos), a fuga das plantações e desleixo na execução dos serviços. Só o chicote do capataz os estimulava.
Na resistência ainda ocorriam o envenenamento dos animais, dos poços de água ou dos próprios senhores nas tarefas domésticas. Tudo era resultado de uma opressão insuportável. Os fugitivos se refugiavam em zonas de difícil acesso para as forças de repressão, como nas Montanhas Azuis, na Jamaica (lugares de memória da marronagem, os marrons), que se transformaram em centros de fortificações semelhantes aos nossos quilombos.
Os ingleses perderam a guerra contra eles em 1739. Um tratado deu autonomia ao enclave das Montanhas Azuis. O mesmo aconteceu no Suriname Holandês e na Guiana Francesa. “ Em São Domingos, em meados do século XVIII, essa grande marronagem foi liderada por Makandal, que semeou o terror nas plantações, culminando depois com a Revolução Haitiana, entre 1791 e 1803.
No Brasil, os fugitivos se escondiam no coração das florestas, fora do alcance das tropas portuguesas. Ali se formaram os famosos quilombos, como dos Palmares. Marcel cita a famosa frase de Diderot: “Aquele que justifica um tal sistema merece do filósofo um profundo desprezo, e do negro, uma facada”.
No capítulo “As contestações ao Tráfico e à Escravidão”, o autor da obra fala sobre os antiescravistas, abolicionistas e reformadores coloniais, bem como, no emprego da palavra antiescravista e antiescravismo, abolicionista e abolicionismo. O primeiro limita sua ação a uma condenação moral da escravidão, que pode ser religiosa, ética ou econômica, sem dar uma solução.
O abolicionista é um ato político que prevê modalidades concretas de abolição e o tipo de sociedade que se criará depois. O abolicionista (moderado e radical) queria a destruição da escravidão. O moderado considerava a abolição por etapas e o radical recusava a ideia do fim progressivo. Entre servidão e liberdade não poderia haver categorias jurídicas intermediárias – defendia.
O historiador faz uma distinção entre o antiescravismo, que estabelece as bases da condenação de um sistema, e o abolicionismo que dá um passo a mais e propõe as modalidades da própria abolição, além de prevê as formas de transição entre o trabalho forçado e o livre. Existia ainda o reformador colonial na primeira metade do século XIX, que defendia a manutenção da escravidão por um curto prazo. Propunha “arranjos” e não a destruição radical.
Houve um antiescravismo cristão, cuja origem filosófica se baseava no igualitarismo evangélico (os quarkers), fundado no Gênesis, onde Adão e Eva representam a origem da humanidade, vinda da mesma fonte primitiva, o que condena de início a ideia de hierarquia entre as raças humanas, isto é, a exploração de uns contra os outros.
Essa concepção igualitária eliminava as justificativas da escravidão por natureza, que se baseavam no pressuposto da desigualdade entre os diferentes ramos da espécie humana, ou na maldição de Cam. A corrente do igualitarismo, de inspiração evangélica, foi dominante na Inglaterra e nos Estados Unidos, numa dissidência da Igreja Anglicana. Assim surgiu o movimento antiescravista e depois o abolicionista inglês e americano até o século XIX, liderado por pastores, tendo como maior exemplo os quakers, primeiros a proibir por parte dos seus membros a escravidão na Pensilvânia. “Não se pode ser Quaker e dono de escravo ao mesmo tempo”.
Marcel afirma que a teoria da extinção da escravidão ficou explicita no discurso de Mirabeau (um dos precursores do fim do cativeiro foi Montesquieu) e seu grupo, entre agosto de 1789 e março de 1790, onde propõe à Assembleia Constituinte votar a abolição do tráfico, num acordo franco-inglês. Ele mantinha troca de ideias com o abolicionista inglês Thomas Clarhson que apresentava a tese de um fim gradual da escravidão.
No século XVIII os abolicionistas eram minoritários e isolados, pois imaginar o futuro das colônias sem cativos era uma audácia, denunciada como contrária aos interesses nacionais. Eram considerados inimigos das colônias e da França. A Sociedade dos Amigos dos Negros, na França, foi acusada de instrumento nas mãos da Inglaterra para destruir a França. Os colonos e armadores denunciaram os deputados da Assembleia que votaram a favor da igualdade de direitos políticos aos “livres de cor” das colônias.
No fundamento da igualdade entre os homens (Iluminismo) sobre a igualdade natural, Diderot, Raynal e Voltaire são exemplos dessa corrente de pensamento. A Igreja Católica jamais condenou a escravidão enquanto instituição. Nem o Antigo e o Novo Testamento condenam a redução dos povos vencidos na guerra à escravidão, mas apresentam como uma prática que poupava a vida dos vencidos que o direito da guerra permitia matar.
Existiram exceções individuais, como do abade Grégoire, excomungado pela Igreja de Roma. A Europa foi a primeira a formular uma condenação filosófica, religiosa e econômica da escravidão. Na trajetória do antiescravismo para o abolicionismo, essa primeira etapa ocorreu até o início dos anos 1770. No antiescravismo, o argumento era de que o fim da escravidão não seria o fim das colônias, mas permitira, ao contrário, um aumento de prosperidade e a fundação de novas colônias, organizadas nas relações de igualdade entre os povos. Novas correntes foram desenvolvidas a partir do final dos anos 1750. Para os filósofos, a escravidão era uma forma de trabalho ultrapassado, arcaica e pouco produtiva, ao contrário de trabalho livre.
Diderot e o abade Raynal escreveram os textos mais radicais. Segundo eles, o fim da escravidão se dará pela violência da revolta e não por uma série de reformas que abram o caminho para sua extinção pacífica.
Esses dois nomes foram objetos de ódio e de rancor nos meios coloniais, principalmente após a revolta dos escravos em São Domingos, em 1791. Eles propunham soluções de abolições graduais. A sociedade colonial vivia no temor constante de revoltas, mais numerosas na segunda metade do século XVIII.
Foi nessa lógica que, já nos anos 1770, na América do Norte, e nos anos 1780, na Inglaterra e na França criaram-se as primeiras sociedades antiescravistas, com projetos políticos de um movimento abolicionista.
Em 1775, foi fundada a primeira sociedade antiescravista na Filadélfia, sob a égide do próprio Benjamim Franklin. Diante disso, os ingleses e os franceses acreditavam que o fim da escravidão começaria nos Estados Unidos
O EXTERMÍNIO DA PALESTINA E O NAZI-SIONISMO NO ESTADO DE ISRAEL
Em nome do holocausto praticado por Hitler (1939-1945), o mundo vem assistindo estarrecido um verdadeiro extermínio dos palestinos na Faixa de Gaza por um governo nazi-sionista de extrema direita judaica que se estabeleceu em Israel, transformando a pequena região mais densa em população do mundo num cemitério de crianças. É uma das maiores catástrofes humanitária já vista nos últimos tempos.
Todo esse terror e barbárie, iniciado a partir de sete de outubro com o ataque do Hamas, conta com o beneplácito apoio dos Estados Unidos, da ONU (Organização das Nações Unidas), que perdeu sua voz, força e poder, e de grande parte do ocidente europeu. A palestina tornou-se uma zona de carnificina humana que a história está registrando. Os maiores culpados são aqueles que não criaram o Estado da Palestina, em 1948, ao lado de Israel.
Há 75 anos, quando foi instituído o Estado de Israel (o território estava sob domínio da Inglaterra) pela ONU, logo após a Segunda Guerra Mundial, depois da ocupação dos judeus numa guerra de terrorismo, os palestinos foram empurrados para a Faixa de Gaza, sem autonomia e, de lá para cá, vêm sendo perseguidos e massacrados impiedosamente pelo exército israelita.
Os primeiros humanos chegaram à região por volta de seis mil anos atrás. Há cinco mil anos, os primeiros assentamentos foram estabelecidos no local, e em torno de 1.400 a.C. durante o domínio egípcio do Levante (Fortaleza do Egito), a cidade se tornaria na atual Gaza que começou a se desenvolver.
Com o fim do domínio egípcio, em 1.200 a.C., Gaza foi conquistada pelos filisteus, a Filisteia. Logo depois foi tomada pelos israelitas, pelos assírios, babilônicos, persas, gregos e romanos. Em 70 a. C., os romanos fizeram um dos piores massacres da sua história nesse território, talvez o mais cruel pelo general Tibério, um dos mais aterrorizantes de todas as guerras onde os mortos eram comidos pelos abutres e a cidade foi toda cercada. Conta que com fome, famílias e mães sacrificavam as crianças para se alimentarem.
Com a divisão do Império Romano, no século IV, Gaza passou a fazer parte do Império Bizantino. A cidade foi convertida ao cristianismo e conseguiu prosperar. No século VII, a região foi conquistada pelos árabes. Sob o controle dos califados, tempos depois, Gaza foi atacada pelos Cruzados e mongóis. Esteve também nas mãos dos aiúbidas e mamelucos.
No século XIV, gaza experimentou seu último período de prosperidade. Após a Primeira Guerra Mundial, os ingleses se apropriaram do território. Um ano depois do Estado de Israel, em 1949, a Faixa de Gaza foi estabelecida e se tornou palco de conflitos que ocorrem até os dias atuais. Os judeus invadiram a região na Guerra de 1967 (Guerra dos Seis Dias), instalaram colônias, impuseram pelas armas seu poderio opressivo e construíram um muro de separação.
Se hoje fosse um país, com 365 quilômetros quadrados, seria o terceiro mais populoso do planeta, com cerca de 2 milhões e 400 mil habitantes. Com esta brutal invasão dos judeus, os números (nem sempre são precisos) os bombardeios na Faixa de Gaza já mataram cerca de 11 mil palestinos, mas pode ser bem maior. As maiores vítimas são as crianças, cuja maioria vive em campos de concentração com seus pais, como na época do nazismo.
É muito irônico os judeus hoje falarem em paz e justiça e que não toleram discriminação e preconceitos quando, ao mesmo tempo, jogam bombas contra os palestinos, dizendo que o alvo tem sido somente o Hamas. Fazem suas propagandas de vítimas declarando que o Brasil é um país acolhedor.
Li um texto do filósofo Peter Pál Pelbart onde ele diz ser judeu húngaro e que por sorte não vive na Hungria e nem Israel, acrescentando ter renunciado o passaporte de cidadania de ambos. Peter descreve ainda a escalada xenófoba e fundamentalista de Israel ao longo dos últimos anos, e que nada parece mais abjeto do que o fascismo.
O filósofo condena os 55 anos de domínio sobre os palestinos e que o “Bibi” exerce um papel de carrasco que se diz herdeiro das vítimas do nazismo. A violência praticada contra os palestinos, em sua visão, se naturalizou para o Estado de Israel.
O húngaro faz um relato amplo sobre o triste passado do nazismo quando judeus, judias, ciganos, artistas e intelectuais foram vítimas do genocídio de Hitler e lamenta o ocorrido, mas afirma ser uma pena que esses fatos estejam reaparecendo através de práticas semelhantes por um governo extremista de Israel.
Peter Pál faz um histórico sobre o judeu errante, uma figura vista como negativa de estrangeiro infiel traidor, cujo objetivo era corromper a cultura, sempre suspeito de um complô, que representava um perigo para a civilização ocidental. Tem também segundo ele, o chamado nômade que não carece de terra e vive nas margens do império, do deserto e no exílio. Este subverte os códigos.
Ele fala dos primeiros judeus que chegaram ao Brasil na época colonial e, por motivos de perseguição da Inquisição, tiveram que simular como cristãos novos. Cita que a primeira sinagoga no país foi construída em Recife por judeus sefaraditas de origem portuguesa durante a invasão holandesa, entre 1630 a 1654.
Em sua longa narrativa sobre seu povo, aponta ainda a comunidade que aportou no Brasil no século XX, vinda do Leste Europeu e que aqui criaram um grupo unido no Bairro Bom Retiro, em São Paulo, onde deixaram muitas obras beneficentes.
No entanto, reconhece que o Estado Judeu de hoje com o primeiro ministro Bibi Nethanyan não é mais uma terra prometida de paz e justiça. Os judeus de hoje, em sua opinião, se acham arrogantes, superiores, como se fossem os eleitos de Deus.
Para Peter, houve uma grande guinada direitista que defende governos autoritários, diferente do judeu diaspórico. Nessa linha, cita os grupos de extrema direita que se tornaram seguidores do governo passado numa clara referência ao ex-presidente Bolsonaro, com instinto perverso, colonialista que venera o Estado e a supremacia do exército. Nisso, ressalta o efeito dos judeus brasileiros com o candidato do capitão, com propagandas inspiradas no marqueteiro Goebbels que assessorou o nazista Hitler.
O CANGAÇO E A SECA
A nossa literatura, os jornais impressos e as revistas estão repletos de narrativas sobre o cangaço e a seca. De certa forma, esses temas estão entrelaçados ou têm relações intimas com o nosso sofrido Nordeste, principalmente na época dos coronéis mandantes da terra e do povo pobre a partir dos governos da República até 1930 com o golpe de Getúlio Vargas. A impressão que temos é que a seca e a exploração dos poderosos, incluindo aí os políticos, pariram o cangaço, tão bem descritos por escritores nordestinos, como Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, com o livro “O Quinze”, José Lins do Rego e, mais recentemente, por Ariano Suassuna em o “Auto da Compadecida”. Esses assuntos estão também nas poesias e letras de João Cabral de Mello Neto, Manuel Bandeira até em nossos grandes compositores e músicos Zé Ramalho, Elba Ramalho, Geraldo Vandré e tantos outros, sem falar nos cordelistas, com destaque para Patativa do Assaré, com “Triste Partida”. Quando se fala de cangaço logo lembramos de Lampião e seu bando. O cangaço, no entanto, já é por assim dizer uma coisa superada, mas a seca continua a nos castigar e ser instrumento do voto. Ainda existe os coronéis da política com métodos mais sofisticados que aproveitam da pobreza nos tempos de eleições.































