APROVAR O ALUNO SEM SABER PODE LHE RENDER UMA REPROVAÇÃO LÁ NA FRENTE
Quando falamos de um passado feliz de brincadeiras de criança e como funcionava o sistema de ensino nas escolas públicas, o respeito aos professores, aos pais e aos mais velhos, logo aparece alguém para dizer que as coisas mudaram e até que você é um atrasado.
Não vou aqui questionar de que as mudanças são inevitáveis e muitas são até salutares, advindas do progresso e agora com o avanço das novas tecnologias da informática. No entanto, por razões diferentes, como a deficiência escolar, a maioria das mudanças vieram para piorar o ser humano, hoje tão desumano.
Essa abertura serviu apenas para entrarmos no assunto principal que é a aprovação do estudante de um ano para o outro, mesmo que suas notas nas matérias ou disciplinas não sejam suficientes para tanto. A fala do governador Jerônimo, do PT, deixou claro que a escola que reprova é uma instituição arbitrária e condenou a reprovação.
Em minha opinião, acho isso um absurdo dos absurdos e até mesmo uma maldade contra a criança e o jovem, além de ser um desrespeito ao professor. O estudante de hoje, que pouco interesse tem pelos estudos (nem todos), e isso é sim uma falha da Educação, deve concordar com o governador, mas não tem a capacidade de refletir que ele será o maior prejudicado no futuro.
Como o próprio título do meu comentário já diz, aprovar o aluno sem saber pode lhe render uma tremenda dor de cabeça lá na frente. O que adianta ele tirar um diploma de ensino médio, por exemplo, sem conhecimento básico, principalmente do português e da matemática, e depois ser reprovado pelo mercado de trabalho por ser um semianalfabeto?
Quem será o mais prejudicado nessa história? Isso o jovem só vai constatar e descobrir quando se sentir rejeitado em qualquer contratação de trabalho por não saber escrever um parágrafo e não fazer as principais operações de matemática. Como se diz no popular, aí é que sua ficha vai cair de verdade, de que foi enganado e lesado. Ele vai cair na zona escura do subemprego, ficar de fora ou ter que tomar um curso. Essa tese da não reprovação, sr. Governador, não passa de um estelionato.
Se o estudante não pode ser reprovado, então ele não precisa mais frequentar a escola, fazer provas, exercícios escolares ou pegar num livro para ler. A criança já entra no primeiro ano sabendo que não vai ser reprovado. É mais um incentivo à evasão escolar.
É também um estímulo à preguiça de estudar. Por sua vez, o professor não pode fazer nenhuma advertência (isso hoje já é até proibido) porque o aluno vai responder que ele não pode lhe reprovar. As notas em si não têm nenhum valor. Se já temos uma geração de alienados, com essa vamos ter uma país de ignorantes em sua totalidade.
Não vou aqui ficar enchendo o saco de vocês para descrever como a escola pública era eficiente nos anos 40, 50 e 60, ao ponto da demanda dos pais por esta ser maior do que pelo ensino particular. De lá para cá houve uma degradação e uma inversão de valores.
O resultado de tudo isso todos sabem hoje no comportamento das pessoas, especialmente da nossa juventude, onde poucos querem saber de cultura e ler a obra de um escritor. O que temos hoje nas escolas é violência, desacato ao mestre e desobediência aos país. O comando hoje é do celular, e a grande maioria vira a cara quando ver um idoso.
E as brincadeiras de meninos e meninas naquele tempo! Sem essa de saudosismos baratos, mas éramos felizes e não sabíamos. Havia brigas e apelidos, mas depois todos estavam se abraçando. O maior medo era tirar uma nota vermelha ou praticar alguma desordem na escola. Os pais chegavam juntos para repreender. No mais, a velha geração sabe contar causos, casos e histórias de como era bom aqueles tempos.
SÓ FALTAM INSTALAR AS CÂMARAS DE GÁS PARA COMPLETAR O HOLOCAUSTO
É um espetáculo dantesco do inferno de Dante. Os expectadores são os extremistas de plantão, os chefes de Estado e seus súditos. Nesses mais de 100 dias de bombardeios na Palestina, o exército de Israel já matou mais de 30 mil pessoas, dos quais 10 mil crianças, a maior taxa registrada no século XXI. O pequeno território virou um cemitério de crianças, segundo a Unicef.
Nesses mais de 100 dias foram lançadas milhares de bombas de duas mil libras; 80% dos famintos do mundo estão em Gaza; 169 escritórios da imprensa desalojados e 100 jornalistas mortos; 400 mil casas estão em ruínas, bem como todo sistema de saúde (637 médicos alvejados); dois milhões de pessoas deslocadas, o que equivale a 90% da população “vivendo” em gaiolas ou guetos; e mais de 300 escolas bombardeadas.
Não vou entrar aqui na questão histórica da formação dos povos judeus e palestinos, mesmo porque já tratei, como muitos outros, desse assunto em meus comentários. Na realidade atual, o que menos importa agora é o debate academicistas das origens. Não adianta ficar divagando ou fazendo conjecturas filosóficas e teológicas.
Desde o ataque do Hamas, há mais de 100 dias, o que o mundo tem presenciado estarrecido é um banho de sangue dos judeus, comandados pelo neonazista Benjamin Natanyahu, o “Bibi”. Digo dos judeus porque, de um modo geral, estão consentindo e apoiando esse genocídio, com raras personalidades que se posicionaram contra.
Não me venham com essa de que toda culpa é a do “Bibi”, como sempre assim julgaram o Hitler, que contou com a adesão dos poderosos empresários e de quase toda população alemã. Vocês acham que Hitler, Stalin e outros tirânicos facínoras fizeram tudo sozinhos? Todos são culpados, como somos pelas mazelas existentes em nossa sociedade em que vivemos.
Não tenho visto manifestações em Israel condenando a ação do tirano “Bibi”. Então, sem essa de inocentes. Um grupo só aparece para pedir de volta os reféns e, a grande maioria, acata esse extermínio e o fim dos palestinos. Não vejo protestos nas praças de Israel pedindo um basta nessa guerra genocida. O governo corrupto de extrema direita está é cada vez mais forte e firme.
Todos sabem muito bem que os judeus sempre colocaram o holocausto de seis milhões como marketing político para praticar mortes, invadir território palestino com suas colônias, erguer muros e justificar suas atrocidades na base das pesadas armas de destruição, como tanques e bombas.
Eles ficam furiosos quando se compara massacres dessa natureza com o holocausto, como o que está ocorrendo na Palestina onde mais de trinta mil foram mortos cruelmente pelas bombas assassinas, sem contar os campos de concentração onde o povo fica vagando com fome e sede de um canto para o outro. Até a entrada de ajuda humanitária de alimentos as forças israelenses vêm barrando.
Que está existindo um criminoso genocídio não restam mais dúvidas. Para se tornar um holocausto verdadeiro como dos judeus na Segunda Guerra Mundial, só está faltando o “Bibi” instalar as câmaras de gás, mas nem é preciso fazer isso porque aí seria a loucura das loucuras.
Para completar sua maldade de carrasco, ele agora está com um plano de anexar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com sua militarização indefinida, o que implica em acabar de vez com os palestinos. Aliás, desde o início sua intenção era essa mesma. O estopim e o pretexto para tal foi o ataque do Hamas em sete de outubro. Os judeus, com poucas exceções, não querem um Estado Palestino, e não é só o “Bibi”.
Ficam falando por aí, para contemporizar, e com medo de dizer a verdade, que nada se pode comprar ao holocausto judeu. Em minha opinião, não concordo. Façam um retrospecto histórico dos massacres e das matanças perpetrados pelos tirânicos ditadores.
O que aconteceu na Bósnia no início dos anos 90 do século passado? Os genocídios do imperialismo espanhol contra os índios na América do Sul foi um holocausto nas mesmas proporções. A invasão da Itália na Etiópia. Os belgas no Congo. Os colonizadores (Inglaterra, França, Espanha e Portugal) contra os povos africanos. O próprio Tibério, 40 anos antes de Cristo, fez uma carnificina em Jerusalém naquele mesmo chão de sangue de hoje. E o que os turcos fizeram contra os armênios?
Mais recentemente, os próprios sírios opositores de Bashar al-Assad foram vítimas de um holocausto e ainda são. Cenas e imagens estarrecedoras correram o mundo mostrando os refugiados, furando fronteiras de armes farpados e procurando abrigo em outros países e sendo escorraçados como bichos animais. A fome africana e de outros milhões (quase um bilhão) de miseráveis pelo planeta a fora é um holocausto.
Existem tantos outros exemplos de terror e matanças em massa na história da humanidade, mas o holocausto é reivindicado só pelos judeus. Sem essa de que não se pode fazer correlações. Se fizer você é linchado político e moralmente, sem falar que corre o risco de ser fuzilado como antissemita. Os próprios judeus se esquecem que usaram do terrorismo após a II Guerra para conquistar seu Estado.
“A MÁSCARA DA ÁFRICA-VISLUMBRES DAS CRENÇAS AFRICANAS”
OS REIS OU OS KABAKAS (CHEFES) CRUEIS DE UGANDA (BUGANDA) DO POVO BAGANDA DO SÉCULO XIX, A CULTURA TRADICIONAL DO CULTO AOS ESPÍRITOS ANCESTRAIS, OS SACRIFÍCIOS HUMANOS E A INVSÃO DAS RELIGIÕES ESTRANGEIRAS (O CRISTIANISMO E O ISLAMISMO).
O Prêmio Nobel de literatura de 2021, V. S. Naipaul, que escreveu “A Máscara da África” empreendeu uma viagem pelo continente em 1966 (revisitada 40 anos depois) e sentiu as mudanças, resultantes do progresso e da influência exercida pelo mundo exterior. Uganda virou uma bagunça e aumentou consideravelmente a pobreza e a miséria.
Mesmo expostos às grandes religiões do cristianismo e do islamismo, o sistema antigo de crenças, herdadas dos antepassados, ainda persistem. De Uganda, depois de mais de 40 anos, o escritor passou pela Nigéria, Gana, Costa do Marfim, Gabão e África do Sul, entre 2008 e 2009, visitando locais sagrados e conversando com intelectuais, autoridades políticas, chefes religiosos e pessoas comuns.
Em sua observação, constatou que ainda existem os laços que vinculam às crenças e práticas religiosas ancestrais. Neste livro, Naipaul, nascido na ilha de Trinidad, em 1932, graduado na Universidade de Oxford, nos oferece um amplo panorama dos dilemas enfrentados pela África de hoje. Seu romance mais famoso foi “Uma Casa para o Sr. Biswas”, escrito em 1961. Vale a pena viajar nas obras desse escritor.
“A Tumba de Kasubi” é o primeiro capítulo da obra “A Máscara da África” onde ele descreve sobre os kabakas cruéis Sunna e seu filho Mutesa, passando por Idi Amim, entre 1971 até 1979 (dizem que matou mais de 150 mil pessoas), e pelo governo do feroz Milton Obete, de 1981 a 1985. Entre 2008 e 2009, apesar do deslocamento de 1,5 milhão de pessoas e da epidemia da aids ainda havia 30 a 40 milhões de habitantes vivendo em Uganda (Buganda).
Nesse capítulo “A Tumba de Kasubi”, vamos falar um pouco de Sunna e Mutesa, bem como das mudanças com a invasão das religiões estrangeiras (anglicana, a presbiteriana e o islã) que chegaram prometendo a vida além da morte, enquanto o povo tradicional praticava a cultura de venerar os espíritos ancestrais que viviam nas florestas e eram seus guias. Foi aí que Uganda se deteriorou.
Em sua viagem por Uganda, Naipaul fala do kabaka Sunna, do meado do século XIX, conhecido pela sua grande crueldade, e a chegada dos árabes que espalharam o islamismo. Depois vieram as igrejas eclesiásticas narradas pelo escritor, em 2008/09. “Nas áreas nobres superconstruídas havia estruturas cristãs “evangélicas”. Também havia mesquitas concorrentes de vários tipos, como sunitas, xiitas e ismaelitas”.
De acordo com Naipaul, até os anos 1840, Uganda tinha ficado isolada, vivendo para si mesma, até a chegada dos mercadores árabes que foram bem acolhidos por Sunna. Seu filho sucessor Mutesa, que chegou a receber o explorador John Hanning Speke, em 1861/62, era tão cruel quanto o pai.
Speke presenteou o kabaka com armas, bússola, espelho e outros instrumentos, mas o povo baganda, com seu dom para a organização social e disciplina militar, possuía sua própria civilização. “Construíam estradas tão retas quanto as dos romanos; tinham a higiene em alta conta; e dispunham de uma frota no Lago Vitória, o maior da África.
“O fruto dessa decisão de mais de 139 anos atrás podia ser visto agora em Kampala (capital). A religião estrangeira, a julgar pelos edifícios eclesiásticos que competiam entre si nos morros, era como uma doença impregnada e contagiosa, que não curava nada, não oferecia nenhuma resposta definitiva, mantinha a todos num estado de nervos, travando batalhas erradas e estreitando a mente”. Essas religiões estrangeiras, segundo Naipaul, possuíam uma teologia complexa.
O príncipe Kassim, no entanto, tinha uma outra interpretação. Em uma conversa, o príncipe disse que ambas as religiões ofereciam para os africanos um além-vida, davam às pessoas uma visão de si mesmas vivendo depois da morte. A religião africana era mais etérea, oferecendo apenas o mundo dos espíritos e os ancestrais.
Em sua visita à Tumba de Kasubi, ele conheceu uma velha guardiã do túmulo de um kabaka, considerada privilegiada por ser uma das esposas. “Os kabakas não morriam. Desapareciam e iam para a floresta, que ficava bem em frente, na parte interna da tumba”.
Quanto ao funeral de um kabaka, conta em sua narração de viagem, que envolvia rituais que teriam vindo do passado distante. O cadáver do rei tinha que ser dessecado sobre um fogo brando durante três meses. O maxilar era retirado e adornado com contas ou cauris (conchas).
Nos velhos tempos, o sacrifício humano era uma prática comum quando se levantavam as pilastras ou se assentavam as fundações de uma tumba. Ressaltou que, quando Speke veio a Uganda, em 1861, Mutesa era kabaka, exercendo o mais despótico tipo de poder em sua corte, matando pessoas “feito galinhas”.
Certa vez, numa histeria, sem nenhum motivo aparente, levou a lança consigo ao harém e matou mulheres até que sua sede de sangue fosse saciada. Nessa época, nem havia sido coroado. Em 1886, o jovem sucessor de Mutesa, Mwanga, farto das novas religiões tão inconvenientes, ordenou que seus 22 pajens cristãos fossem queimados. Antes foram espancados a pauladas e chicoteados pelos carrascos do palácio e logo picotados a machadadas.
A tradição baganda ditava que o sangue de príncipes não era algo que pudesse ser espalhado. Era uma proibição religiosa e, por isso, não poderia haver pauladas e chicotadas para eles. Só podiam ser queimados em esteiras de junco.
A LEI PAULO GUSTAVO E O PROJETO SOBRE A MEMÓRIA DA FOTOGRAFIA
Estive na Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel (deveria ter sido desmembrada para abrigar só a Cultura) para ver minhas notas a respeito do projeto sobre a “Memória da Fotografia em Vitória da Conquista”, no edital da Lei Paulo Gustavo. Comprovei ter ficado de fora ou na suplência dos pareceristas por causa da questão de cotas destinadas a negros e a gênero, o que considero um absurdo dos absurdos.
Não entrei com nenhum recurso como muitos me recomendaram por considerar ainda mais irritante e estressante nesta minha idade. Além do mais, não iria haver nenhuma mudança e, para mim, basta a plena consciência de que minha proposição foi inédita, bem fundamentada e seria um bom projeto para a cidade. Repito, mais uma vez, que não sou eu quem vai perder.
Bem, vamos aos fatos concretos para demonstrar que fui “eliminado” por outros motivos fixados pela própria Lei Paulo Gustavo, os quais, na minha concepção, não justificam. Nas notas dadas pelos pareceristas no âmbito da Pontuação Qualidade foi dez; Relevância da Ação, dez; Aspectos de Integração, nove; Orçamento (quinze mil reais), oito; Coerência, Objetivos e Metas, dez; Ficha Técnica da Atividade, nove; Trajetória Artística Cultural (curriculum vitae), dez; e Contrapartida, dez, sem contar o cinco que é o peso por idade.
No entanto, nada de pontuação no campo gênero e no relacionado a negros e indígenas, embora eu seja pardo para todos efeitos, inclusive científicos. Como o projeto foi na área de literatura, no lugar da obra sobre a História da Fotografia em Conquista optaram em escolher a proposta de um livro de poesia, se não me engano, sobre a Mulher Cordial.
Não tenho nada contra a poesia, muito pelo contrário. É uma das vertentes artísticas que eu mais admiro ao lado da música. Até entendo que o mundo conturbado e desmano de hoje precisa de muita poesia. Não se trata de desqualificação. O que não consigo engolir e aceitar é que um projeto cultural para ser aprovado tenha como diferencial a cor da pele e o gênero. Até quando vamos continuar adotando esses métodos como critérios de qualificação para um projeto?
Para ser sincero, também não concordo com esse peso cinco por conta de ser idoso. O que tem que ser levado em consideração é a importância e o mérito do trabalho proposto, inclusive seu benefício para a memória e a cultura da cidade. Conforme soube, todos pareceristas foram de fora.
Não se trata de uma questão de contestar por ter sido “reprovado”, mesmo com boas notas. Sempre fui um crítico desses editais, primeira pela sua própria natureza burocrática que aqui denominei de “burrocrático” pelas suas intrincadas exigências, Como se não bastasse, agora colocam um percentual para as cotas.
DE UM TUDO
(Chico Ribeiro Neto)
Eu e meu irmão Cleomar, meninos no Porto da Barra, cavamos um túnel na areia da praia. Um cavando de cada lado até nossas mãos se encontrarem. “Como vai o senhor?”, nos cumprimentamos embaixo do túnel, sorrimos e mergulhamos.
XXX
De um punhado de farinha apareceu uma rainha que tem que contar sete histórias para sobreviver.
XXX
Descobri que a lágrima é salgada e que há sorrisos doces e sorrisos amargos.
XXX
Descobri que gosto das pontes pequenas, principalmente daquelas pontes japonesas.
XXX
– Do que foi que senhor mais gostou?
– De um, tudo.
XXX
Aquele cisco doía no olho ou na alma?
XXX
Tinha (ou ainda tem) uma bolacha chamada Paciência.
XXX
Aprendi que se apontar para uma estrela nasce uma verruga na mão, que o mistério está dentro do peixe e que o melhor silêncio está no fundo do mar.
XXX
“De tudo ficou um pouco.
Do meu medo.
Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
– vazio – de cigarros, ficou um pouco (…)”
(Trecho do poema “Resíduo”, de Carlos Drummond de Andrade).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
O VELHO E O RIO
Oh quantos ensinamentos! Um com sua idade avançada de humano ancião que aprendeu muitas coisas da vida e ainda procura se renovar até a sua finitude. O outro tem milênios de anos e também se renova continuamente, nunca sendo sempre o mesmo. Ambos com suas finitudes. O velho e o rio estão unidos e se respeitam através do prazer de um servir ao outro. Banhar-se no rio e ser banhado por ele, apesar do ser humano não ter tanta consciência disso, ao ponto de estar sempre agredindo com sua ação destruidora e egoísta de só querer receber sem dar em troca o que o seu irmão rio necessita para continuar vigoroso e novo. No entanto, o velho, com sua sabedoria de anos, ao se banhar deve agradecer suas águas que limpam, refrescam seu corpo e confortam sua alma. Deve também pedir perdão pelos males praticados em vida, e os dois, o velho e o rio, seguem sua jornada, cada um procurando ensinar que homem e natureza precisam estar unidos para que não haja retrocessos. Por coincidência, a imagem é um flagrante do encontro do velho ou do idoso, como queiram, com o “Velho Chico”, o nosso conhecido São Francisco, amigo dos nordestinos.
ALEGRA-TE COMIGO!
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Alegra-te comigo:
Familiar ou amigo
Na vida e na morte,
Na perda e na sorte.
Alegra-te comigo,
Abra tua porta,
E deixa eu injetar,
O meu sangue
Entre tua aorta.
Alegra-te comigo,
Não importa a cor,
Gênero ou dor,
Que te atormenta,
Sem essa de inimigo,
Dessa ideologia nojenta.
Alegra-te comigo,
Ajuda-me a enxergar o amor,
Sentir o sentido do existir;
Admirar a beleza da flor;
Navegar em teu mar,
Juntar as mãos,
Caminhar, sonhar,
Como peregrinos irmãos.
SE BEBER NÃO DIRIJA E TAMBÉM…
Um amigo meu jornalista de longas datas (olá Chico Ribeiro!), desde quando atuamos juntos em Salvador na labuta das notícias, fez uma crônica sobre essa questão que está aí nas campanhas para advertir os motoristas que ainda insistem em beber e dirigir, mas o slogan serve também para outras coisas, conforme seus comentários espirituosos.
Nas propagandas de bebidas (deveriam ser proibidas como no caso dos cigarros) aparecem aquelas hipocrisias mercadológicas de que “beba com moderação, não exagere ou beba com sabedoria”. Tudo é esquema do capital para embromar, tapear e tentar “justificar” a propagação de seus produtos alcoólicos que matam mais que o cigarro, mas a mídia não faz essa correlação. Essa de beber com sabedoria é do caralho!
Todos sabem que são poucos ou raros os que bebem com moderação e sabedoria. Besteiras! Quando se senta com os amigos num bar ou se está numa festa qualquer, quase ninguém fica apenas nas primeiras. A maioria entorna e mete o pé na jaca, e aí é onde está o perigo de se cometer os desastres humanos da vida.
Além de, “se beber não dirija”, também não se dever fazer outras coisas, como ficar clicando no celular, mesmo os mais expertos na tecnologia. Melhor deixar o aparelho de lado porque você pode clicar errado e cometer uma merda, como trocar uma mensagem e cair num desconhecido ou desconhecida. Digo isso por experiência própria.
Se beber e já estiver chumbado, melhor não falar muito para não arrotar “cargas d´águas”, “dar bom dia a jegue” e “trocar as bolas”, só que tem uns bêbados que abrem a boca demais, sem refletir, e terminam se expondo ao máximo, isto é, dizem coisas que não deveria. Terminam se comprometendo. Trocam datas, citam poetas, autores e pensadores errados. É aquela confusão dos diabos.
Se beber demais, o melhor é chegar em casa calado, pegar seu rango e cair na cama para tirar uma soneca. Nada de tentar transar. Isso serve tanto para o homem como para a mulher. Mais para o homem que pode brochar, encruar ou trocar os nomes da patroa pela da amante. Antes, dê uma curada na bebedeira. Melhor cair nos braços de Orfeu e dar uma boa roncada dionisíaca.
Se beber procure evitar discussões de ordem política, filosófica, de religião, de raça e gênero. Pode sair chamuscado e trocar Sócrates por Platão, confundir as cores e até cometer impropérios, bem como sair da linha do politicamente correto. Aí você sabe o que pode acontecer. “Nêgo” não lhe perdoa. Nem adianta mais pedir desculpas ou afirmar que não se lembrava de nada.
Se beber fale apenas de futebol, coisas amenas e futilidades que não lhe comprometa muito, mas não fofoque a vida alheia, nem tão pouco da sua ex-mulher, namorada ou ex-marido. Não exponha muito sua vida pessoal e não chore diante dos outros com lamúrias. Pode servir de chacotas e ser visto como um fraco coitado de pena.
Tem uns que entornam todas, e não estou me referindo somente daqueles bebuns de botequins, e fica rico de comprar tudo, falastrão e se torna num tremendo chato insuportável de galocha. Outros ficam valentões e querem quebrar tudo. Procure ficar longe desses indivíduos que até chegam em casa e batem na mulher e nos filhos.
Tem aquele, e este tipo eu o conheci e convivi por uns tempos curtos, que fica pegajoso, não para de pegar em sua mão, lhe tocar e abraçar, lhe elogiar exageradamente, até beijar (sai até do armário), com aquela clássica toada de que “você é meu amigo-irmão do coração”. Esse é o mais falso.
Portanto, meu amigo, se beber não dirija, e se sentir meio grogue, sai de fininho, tipo saideira à la francesa. Mais uma vez, só para reforçar, nada de ficar clicando no celular, ligando, fazendo áudios e rodando como peru nas redes sociais. É perigo e bronca na certa, além de arranhar sua reputação. Pode até levar um processo na justiça.
PARA ISRAEL, A MELHOR DEFESA É O ATAQUE
Carlos González – jornalista
A estrela de David caiu sobre a cabeça de Lula. Mais uma vez, o presidente se manifesta como um mandatário que analisa friamente o clima de medo e o caos humanitário no Oriente Médio. Dessa vez, Luiz Inácio mexeu com os brios do primeiro-ministro de Israel, o todo poderoso Benjamin Netaniahu, cujo sonho expansionista ninguém neste mundo consegue impedir.
Na contramão de outras entidades representativas da comunidade judaica no Brasil, o grupo “Vozes Judaicas por Libertação”, com sede em São Paulo, escreveu que “Lula externou o que há no imaginário de muitos de nós”.
Para bolsonaristas e evangélicos, a palavra do presidente a respeito do massacre de palestinos no Oriente Médio foi o combustível que estavam precisando para dar continuidade aos discursos de ódio. Com a assinatura de 91 deputados (71 do PL e 20 de partidos da base governista), foi entregue à Mesa da Câmara um pedido de impeachment do presidente Lula, “por ato de hostilidade a outra nação”. Dois deputados baianos do PL (Capitão Alden e Roberta Roma) assinaram o documento.
Fábio Wajngarten e Silas Malafaia, organizadores da manifestação marcada para o próximo domingo na Avenida Paulista, discutem o envio de convite ao embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine. A finalidade da reunião é dar ao negacionista Jair Bolsonaro uma tribuna para se defender das acusações de golpista. Alden e Roberta – sempre eles – vão “representar” a Bahia.
Na opinião de um diplomata brasileiro, Israel promoveu um show no Museu do Holocausto, em Jerusalém, para “passar uma reprimenda” no embaixador do Brasil, Frederico Meyer. O Itamaraty reputou como uma humilhação ao Brasil. Ao final do ato ultrajante, Lula foi sentenciado como “persona non grata ao Estado de Israel”.
O Brasil foi um dos primeiros países a condenar o ataque no dia 7 de outubro do grupo terrorista Hamas a civis israelenses, que causou a morte de 1.200 pessoas e o sequestro de 250. A FAB realizou seis voos a Tel Aviv, logo após o início da ofensiva do exército israelense contra o povo palestino, onde resgatou cerca de 1.200 judeus brasileiros. Devemos lembrar sempre que foi um brasileiro, o diplomata Osvaldo Aranha, que, em 1948, na condição de presidente da Assembleia Geral da ONU, conduziu o povo judeu ao recém-criado Estado de Israel.
A proposta aprovada pela ONU concedeu aos judeus 78% das terras que há séculos eram ocupadas pelos palestinos. Cerca de 800 mil deles foram expulsos de suas casas, passando a ocupar a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, o que corresponde a 22%. Com o passar dos anos, a ONU e as grandes nações fecharam os olhos para as ações expansionistas de um estado fortemente armado pelos Estados Unidos.
A diáspora palestina não tem similar na história da humanidade. Cansados de clamar por uma pátria, milhões de palestinos estão espalhados por todos os continentes – no Brasil são 59 mil. Os que ficaram são submetidos a um regime de apartheid, impossibilitados de ir e vir, sempre vigiados pelo exército de Israel. Há 2.873 palestinos, inclusive crianças, sem culpa formada, nas prisões israelenses.
Com o voto – pela terceira vez – contrário dos Estados Unidos e a abstenção do Reino Unido, o Conselho de Segurança da ONU não pôde apreciar nessa terça-feira (dia 20) o pedido redigido pela Argélia e aprovado por 13 nações, para um cessar-fogo em Gaza.
Em Haia, a Corte Internacional de Justiça, com base na Convenção para a Prevenção de Genocídios, aprecia pedido da África do Sul para que declare ilegal a ocupação do território palestino por forças de Israel. “O apartheid israelense é pior do que o vivido por meu país”, afirmou o embaixador africano Vuzumuzi Madonsela, acreditado na Holanda.
Sem dar importância às decisões de organismos internacionais e à condenação do mundo às suas ações belicistas, Netaniahu ordena ao seu “exército de defesa” a invasão do sul de Gaza, onde estão amontoados, em precárias condições de saúde e higiene, mais de dois milhões de palestinos. Não há mais para onde fugir das bombas israelenses. No norte, as mortes estão se dando por fome e doenças.
O jornal francês “Le Figaro” publica um relato do medico e professor francês Raphael Pitti, que retornou de Gaza, onde prestou assistência no Hospital Europeu, juntamente com mais 20 colegas. “Os civis não têm onde se abrigar. Com fome e com sede, vagueiam pelas ruas para tentar fugir das bombas. O cenário é pior do que aquele vivido pelos judeus nos guetos criados pelos nazistas”, declarou Pitti.
SARAU A ESTRADA DEBATEU OS 60 ANOS DA DITADURA CIVIL-MILITAR
Com a participação de intelectuais, estudantes, professores e artistas em geral, o “Sarau Colaborativo A Estrada”, que está entrando nos seus 14 anos de existência, colocou em pauta no último sábado (dia 17/02/24, no Espaço Cultural do mesmo nome, o tema dos 60 anos da ditadura civil-militar de 1964 que durou mais de 20 anos e, durante este período, além de amordaçar a liberdade de expressão, torturou milhares de brasileiros, matou e desapareceu com cerca de 500 presos políticos.
Lembrar este triste episódio que aconteceu em nosso país é fundamental para que este fato de terror não mais se repita em nossas vidas, conforme frisaram os presentes. O assunto é tão importante que os participantes do Sarau aprovaram continuar com a discussão no próximo evento, tendo como foco a ação do regime dos generais em Vitória da Conquista, no dia 6 de maio de 1964, quando o prefeito Pedral Sampaio, eleito pelo povo, foi cassado e cerca de 100 conquistenses foram presos.
O presidente da comissão do Sarau, professor Itamar Aguiar abriu os trabalhos culturais da noite e deu a palavra ao jornalista e escritor Jeremias Macário que fez um histórico geral de como se deu o golpe de 64, começando pelo suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954.
Antes disso já havia sido criada a Escola Superior de Guerra (ESG), em 1950, que já tramava um regime ditatorial junto com o serviço de inteligência da CIA norte-americana, tendo como maior inimigo a ameaça de um comunismo num país da América Latina. Era o tempo da Guerra Fria num cenário geopolítico polarizado entre Estados Unidos e União Soviética. Era o medo das influências socialistas das revoluções na Rússia (1917), na China (1949) e em Cuba (1959).
De acordo com Macário, que escreveu o livro “Uma Conquista Cassada”, quando Getúlio se suicidou os militares golpistas entraram em ação logo que Café Filho assumiu o poder e sofreu um enfarto. O presidente da Câmara, Carlos Luz, que ficou na presidência, chegou a aderir ao grupo de militares a favor de um golpe, mas foi impedido pelo general Henrique Teixeira Lott e Nereu Ramos governou sob o regime de Estado de Sítio até as eleições de 1955 vencidas por Juscelino Kubistchek.
Juscelino tomou posse em 1956 e, mesmo assim, tentaram dar um golpe entre o meado e final do seu mandato. Nas eleições de 1960, Jânio Quadros foi o vencedor, empossado em 1961, só que renunciou em 25 de agosto do mesmo ano. No momento, seu vice João Goulart, o Jango, estava numa viagem de negociação em Pequim, na China.
A rejeição contra Jango, herdeiro do populismo getulista, era grande nos meios militares e a UNE (União Nacional dos Estudantes), a classe operária, a Igreja Católica (a Polop –Política Operária) e as ligas camponesas já clamavam por reformas de base no campo e nas cidades.
Os generais tentaram impedir a posse de Jango, mas o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, enfrentou a tropa a favor de um golpe, com a criação da Campanha da Legalidade e da força do Grupo dos Onze. A reação dos militares foi forte contra o que eles chamavam de República Sindicalista.
Jango retornou ao país através do Uruguai (Montevidéu) e num acordo com o general Amaury Kruel e Tancredo Neves aceitou governar sob o regime parlamentarista que teve o seu fim com um plebiscito popular, em 1963. Goulart tinha o apoio do 18º Regimento de Infantaria do RGS, do III Exército, do governador de Goiás, Mauro Borges e de outros comandos militares e voou de Porto Alegre a Brasília no início de setembro de 1961 para tomar posse (Ranieri Mazzilli era o presidente interino).
Apesar de tudo acertado, um grupo de oficiais (Operação Mosquito) tentou derrubar o avião de Jango, mas a ação foi abortada por sargentos da aeronáutica. Do final de 1961 a março de 1964 Jango governou diante de um turbilhão de acontecimentos com as esquerdas – Leonel Brizola, Miguel Arraes, governador de Pernambuco, o deputado Francisco Julião e o Partido Comunista Brasileiro – pressionando o presidente para colocar em prática as reformas prometidas.
A Igreja Católica fazia seus movimentos sociais, mas se posicionava contra uma possível implantação do comunismo no país. A classe média, a própria Igreja e as elites burguesas reacionárias, principalmente fazendeiros latifundiários, se colocaram ao lado de um golpe militar, daí a ditadura ter sido civil-militar.
O comício do presidente na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, o discurso dos sargentos e fuzileiros navais no mesmo mês, as pressões de Carlos Lacerda (RJ), Magalhães Pinto (MG) e Adhemar de Barros (SP), a fala de Jango no Automóvel Clube, em 30 de março de 64, foram os principais estopins para estourar o golpe com a marcha do general Olímpio Mourão Filho que desceu de Juiz de Fora até o Rio de Janeiro, no dia 31/03, mas o ato só se consolidou mesmo no dia 1º de abril do mesmo ano.
O palestrante citou ainda o golpe sobre o golpe que ocorreu em 1968 quando todos direitos humanos foram suspensos através do AI-5 e a ditadura se tornou mais tirânica no governo do general Médici. O professor José Carlos pontou sobre as torturas, as mortes cruéis e o desaparecimento de presos políticos. Também falaram sobre a questão os professores Itamar Aguiar e José Rubens, o “Binho” ambos da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, dentre outros que fizeram suas intervenções.
Logo após os debates, o músico e compositor Manno di Souza nos abrilhantou com suas cantorias ao lado da cantora Marta Moreno e seu Armando Santos. Jhesus, mais uma vez, nos encantou com seus causos de autoria do poeta Jessier Querino. Houve também declamações de poemas autorais de Jeremias Macário, Edna Brito, da Casa da Cultura, Eliene Teles, Rubens, dentre outros, num clima de amizade, troca de ideias e muita cultura.
Maris Stella aproveitou a ocasião para lembrar o falecimento dos professores Caetano e Nivaldo, da Uesb, que deixaram um grande legado para nossa cidade de Conquista, para a Bahia e até a nível nacional. No mais, o papo rolou descontraído sobre diversos temas até a madrugada numa noite rica culturalmente e acompanhada de um bom vinho, umas geladas, petiscos e um bode cozido preparado pela anfitriã da casa, Vandilza Gonçalves.
Participaram ainda do Sarau Colaborativo o galego espanhol Fernando, Rogério Mascarenhas, José Rubens (novos componentes), Rose Emília, Dall Farias, Cleu Flor, Cleide Teles, Manoel Domingues Neto, o português Luís Altério, Odete Alves, Karine Grisi, Giovana, João Victor, Maria Clara, o músico Baducha e sua esposa Céu.























