O CANGAÇO E A SECA
A nossa literatura, os jornais impressos e as revistas estão repletos de narrativas sobre o cangaço e a seca. De certa forma, esses temas estão entrelaçados ou têm relações intimas com o nosso sofrido Nordeste, principalmente na época dos coronéis mandantes da terra e do povo pobre a partir dos governos da República até 1930 com o golpe de Getúlio Vargas. A impressão que temos é que a seca e a exploração dos poderosos, incluindo aí os políticos, pariram o cangaço, tão bem descritos por escritores nordestinos, como Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, com o livro “O Quinze”, José Lins do Rego e, mais recentemente, por Ariano Suassuna em o “Auto da Compadecida”. Esses assuntos estão também nas poesias e letras de João Cabral de Mello Neto, Manuel Bandeira até em nossos grandes compositores e músicos Zé Ramalho, Elba Ramalho, Geraldo Vandré e tantos outros, sem falar nos cordelistas, com destaque para Patativa do Assaré, com “Triste Partida”. Quando se fala de cangaço logo lembramos de Lampião e seu bando. O cangaço, no entanto, já é por assim dizer uma coisa superada, mas a seca continua a nos castigar e ser instrumento do voto. Ainda existe os coronéis da política com métodos mais sofisticados que aproveitam da pobreza nos tempos de eleições.













