Quando pessoas aparentemente sérias e honestas se juntam com outras permissivas e predadoras visando os mesmos interesses para manter suas posições no poder, ou defender seu quinhão, costumamos dizer que elas são farinha do mesmo saco. Com o tempo essa farinha virou farelo de validade vencida.

No entanto, farinha é hoje um alimento que está com preço alto nas feiras por causa da inflação. Essa gente nem é mais farinha. No caso específico do Congresso Nacional entre os partidos de esquerda (nem todos), direita, extrema-direita, o “centrão” e outras bancadas “ideológicas” do mal, podemos falar que eles, ou elas, são farelos de animais do mesmo saco.

A recente votação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados (um calote das dívidas do governo federal) para liberar o “Auxílio Eleitoral do Voto” é o fato mais recente desse ajuntamento de farelos do mesmo saco de partidos entre elementos da dita esquerda (PT, PSB e PDT, principalmente) com a laia de oportunistas do “centrão” facínora do capitão-presidente.

Esses farelos do mesmo saco da maldade não são bagaços escassos e isolados. Essa mistura intragável e indigesta, sem princípios e caráter, tem se repetido no Brasil há séculos, na base do toma lá, dá cá. Portanto, não é coisa nova esse negócio de conchavos esdrúxulos quando entram em cena as benesses e os ganhos, inclusive muita grana pública.

Quando se colocou o projeto de lei de enfraquecimento político e cortes na autonomia dos promotores e defensores públicos, deputados de esquerda se uniram com o que existe de pior no Congresso. O mesmo ocorreu quando se conluiaram para desmoronar a Operação Lava Jato e deixar a porta aberta para a corrupção; dificultaram as investigações dos crimes de improbidade administrativa; e colocaram leis subjetivas em relação ao julgamento de atos de abuso de autoridade.

A maior aberração de todas elas foi quando parlamentares de esquerda, de direita, extrema-direita e conservadores neoliberais do retrocesso votaram o aumento dos fundos partidário e eleitoral bem acima dos 100%, cortando verbas da educação, da saúde, do saneamento básico, da ciência e da pesquisa. A quem interessa o voto dos analfabetos e dos menores de 16 anos? Interessa a todos eles, os farelos do mesmo saco.

Nenhum partido apoia um projeto de reforma eleitoral de verdade que reduza o número de parlamentares da Câmara Federal, do Senado e nem das Câmaras de Vereadores. Ninguém do PT e de seus aliados concorda que se vote um plano de corte das verbas indenizatórias, dos penduricalhos, das mordomias, das emendas vergonhosas e, muito menos, de seus polpudos salários. Ninguém quer acabar com essa reeleição que o ex-presidente Fernando Henrique criou.

No momento de defender seus cabedais, seus loteamentos, seus latifúndios colonialistas, suas falcatruas, seus esquemas escusos contra a nação e malfeitos, todos se tornam farelos do mesmo saco. Nesses casos, apagam de suas memórias sujas as ideologias socialistas, os direitos humanos, a justiça para todos, os pobres e a luta pela igualdade social. Com seus jargões e bordões, eles falam de um país igualitário e justo, que estão ao lado do povo, contanto que seu poder político não seja ameaçado de perdas.

Nosso país se assemelha à maioria dos territórios africanos onde saíram os colonizadores sanguinários e arbitrários sanguessugas e entraram governos ainda mais cruéis, ditadores, fascistas e nefastos que antes se posicionavam “nacionalistas e patriotas” a favor da renovação para dar ao seu povo o que sempre lhe foi de direito. Essas mazelas se arrastam desde os tempos ancestrais, reencarnados no presente. Os crimes continuam sendo perpetrados contra nossa população que por cima acredita neles.

Não se é contra colocar comida na mesa dos milhões de famintos miseráveis brasileiros, mas não dessa forma dando calote até no dinheiro que iria para o Fundo da Educação, nem tampouco enchendo as burras dos políticos com os orçamentos secretos das emendas dos balcões de compras de votos, elevando em bilhões o Fundo Eleitoral e Partidário, sem cortar as mordomias deles.

Ao orçamento de 2022, as comissões permanentes do Senado e do Congresso Nacional apresentaram 29,3 bilhões de reais em emendas. É o chamado orçamento secreto. As 14 comissões temáticas em funcionamento no Senado apresentaram um total de 24,7 bilhões de reais. No mesmo modus operandi do PT, esse auxílio de um ano visa comprar o voto de mais de 30 ou 40 milhões de pobres. A cena se repete e o Brasil só faz piorar.

Confesso que me dá náuseas, como ao se ver corpos em decomposição, quando aparecem esses “morotós” nojentos pegajosos na mídia falando da necessidade de matar a fome do pobre, de socorrer os mais necessitados e de se colocar o social acima de tudo, quando todos esses mais de 40 milhões estão sendo usados como meros objetos do voto que depois serão jogados fora como restos podres. Verdadeiramente, eles não são nada humanos. São espíritos malignos em peles de cordeiros.