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:: ‘Notícias’

O GENOCÍDIO DAS BESTAS FERAS

Com o mortal coronavírus em nossa cola diária, a grande mídia esqueceu de divulgar e destacar vários genocídios que estão ocorrendo em nosso território por conta das bestas feras que estão implantando um Estado de exceção na mesma linha da ditadura de 1964. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, está acontecendo um massacre de fazendeiros e milicianos fardados contra os índios guaranis, e até crianças estão sendo vítimas de balas de borracha.

A intenção das bestas feras, cujo chefe maior manda exonerar diretores do Ibama que queimaram tratores e equipamentos dos madeireiros e garimpeiros, é primeiro exterminar os índios e ribeirinhos que vivem dos produtos da floresta e depois transformar a Amazônia numa grande fazenda de gado, soja e extração de minérios, tudo para vender para o exterior. As bestas feras colocam o lucro acima da vida e, em suas veias, correm o sangue da morte. Falam de mortes de CNPJs e esquecem os quase dez mil de CPFs.

PRATICAMENTE CALADOS

Todos sabem muito bem quem são essas bestas feras sociopatas que agem como tiranos em busca do dinheiro, como sanguinários pelo ouro. Os veículos de comunicação em geral, as instituições, o judiciário, o Congresso Nacional, as entidades ambientais, os intelectuais, artistas e a sociedade estão praticamente calados, enquanto eles atuam desmatando e devastando a fauna e a flora amazôniza.

Eles não tiram férias e nem praticam o isolamento social para se protegerem do vírus. São seguidores da morte que negam a ciência e cultuam a feitiçaria do ódio e dos boatos. Dizem até que o rock é satânico; tratam os negros como arrobas; querem uma cultura impositiva patriótica; acham que menino tem que vestir azul e menina veste rosa; desconhecem a escravidão e, se existiu, foi benéfica aos descendentes; condenam a liberdade de expressão; defendem a tortura; declaram que a ditadura civil-militar de 64 foi democrática e que nem houve; e fazem apologia ao fascismo, destilando venenos.

Não somente os índios estão sendo vítimas dessas bestas feras, que já deixaram claro que o propósito é acabar com as reservas indígenas. Os pobres, negros, gays e outras categorias excluídas são desprezíveis para eles. Nem são gentes com alma. Estão inclusos no seu genocídio violento, que aumenta dia a dia, os viventes dos morros, das favelas e das periferias das médias e grandes cidades. O coronavírus passa, e as outras bestas feras vão continuar praticando suas matanças. Pouca coisa está sendo informado sobre esses outros genocídios.

As bestas feras marcham na Praça dos Três Poderes numa disfarçada “visita” ao Supremo Tribunal Federal que se caracterizou como uma invasão intimidatória. Seu chefe quer fechar o STF e criar um de 11 ministros só dele para dizer que existe democracia. Encurralado, ele está agora apelando para o troca-troca do chamado “Centrão” de deputados, que já foi classificado pela sua tropa de mentiroso, bando de ladrões e representante da impunidade.

Os criminosos do genocídio falsificam e superfaturam até respiradores artificiais para salvar vidas. Nesse tempo do coronavírus letal, até os Estados Unidos estão fazendo o papel de besta fera e se transformaram em Piratas do Pacífico, interceptando aparelhos de saúde comprados da China pelo Brasil. Que covardia do Tio Sam contra um pobre país que ele diz ser seu amigo! Quem tem um desse, não precisa de inimigo.

UMA MISTURA DO BELO E DO PROTESTO

Tenho recebido críticas e comentários de que eu devo escrever, fazer letras poéticas e composições sobre as belezas da vida e do sertão nordestino, notas líricas, mais amenas e coisas assim nessa linha, mas digo que não posso me calar diante da dor que os nossos brasileiros estão passando, e não consigo me apartar do protesto. Defendo que devemos mostrar os dois lados, e tenho procurado fazer essa mistura, mas sempre brota a revolta contra as injustiças sociais, sem abraçar nenhuma linha partidária política.

Não quero me virar num cão raivoso intolerante como essas bestas feras do genocídio, mas me comove muito o clamor dos desassistidos quando derramam suas lágrimas de sofrimento e fazem apelos desesperadores de socorro que nunca chegam, ou tardam a chegar em muitos casos. Por isso é que minha linha é muito mais de denúncia. Entendo que o artista nunca pode ser omisso quanto a realidade. Fora disso, a arte fica capenga por mostrar somente uma face. E a outra besta fera fica oculta?

 

NEM ESTÃO AI PARA A COVID-19 E FAZEM PROPAGANDA DO ENEM

O governo federal está mais preocupado em podar a liberdade de expressão e atacar os veículos de comunicação do que com as mais de oito mil mortes da Covid-19. Prossegue com sua linha fascista do tipo Mussolini, quando a Itália estava devastada pela Primeira Guerra Mundial e pregava o combate ao anarquismo e ao comunismo.

O Ministério da Educação, com um chefe da pasta de nome impronunciável, está fazendo propaganda da realização do Enem para novembro, enquanto milhares de brasileiros morrem, e seus familiares choram a perda de seus entes queridos nas portas dos hospitais, sem contar as pás que não param de jogar terra nos caixões dos cemitérios lotados.

A propaganda, com o dinheiro do contribuinte, manda que os jovens estudem em casa para o Enem do final do ano. Sabemos que o ensino no país já é precário. Imagine agora quando as escolas e os cursinhos estão fechados! É uma tremenda insensatez em meio a todo esse caos do coronavírus, quando não se sabe o que pode acontecer até lá. Como estes alunos vão fazer as provas?

A Justiça Eleitoral, também com dinheiro público, faz sua propaganda em nome da democracia, enquanto milhões dormem nas filas desumanas das agências da Caixa Econômica Federal para sacar um auxílio social e matar a fome. Milhares não conseguem e entram em desespero, de barriga vazia. Prefeitos, como o de Vitória da Conquista, tocam obras eleitoreiras em plena pandemia.

A Justiça deveria baixar uma liminar proibindo qualquer governo de fazer propagandas pagas enquanto perdurar essa crise do coronavírus, por considerar uma insensatez, um gesto de indiferença e deboche para com a população. Toda essa montanha de verba jogada em publicidade deveria estar sendo investida na saúde, podendo, inclusive, ser utilizada para campanhas institucionais relacionadas a orientações e informações sobre esse vírus mortal.

QUEREM SANGRAR A DEMOCRACIA

O Brasil não merece ver essas cenas de estupidez, como se fosse um país primitivo de volta às trevas da Idade Média. Um bando de bárbaros e um presidente apoiador querem sangrar a democracia e beber o seu sangue no cálice da morte.

Não temos palavras de revolta para externar o que vem ocorrendo nos últimos dias em frente do Palácio do Planalto, em Brasília, com uma tropa de nazistas lunáticos aglomerados em plena crise do coronavírus, levantando a defesa de uma intervenção militar no país seguida do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. É estarrecedor porque faz lembrar a ação de grupos nazistas no início do regime hitlerista.

Neste domingo último, ultrapassou todos os limites com agressões à imprensa, como aos jornalistas do “Estadão”, diante do apoio do capitão-presidente que foi lá intimidar o povo brasileiro de que as forças armadas estão ao seu lado, no entender dele, para atender o pedido dos “manifestantes” baderneiros, verdadeiros bandidos que não respeitam os mais de oito mil mortos da Covid-19.

UMA BOFETADA NA DEMOCRACIA

O capitão sim, é um Catilina que há mais de um ano vem abusando da nossa paciência, cometendo atentados contra a nossa ainda frágil democracia de cerca de 30 anos depois da macabra ditadura civil-militar que torturou e matou muita gente. Ele sim, neste domingo foi além dos limites, falando de um imaginário povo que não mais o apoia nesse suicídio. Lembra mais o filme “Terra em Transe”, do cineasta Glauber Rocha.

Não contente com seus atos de brutalidade e arrogância, nesta terça-feira, na rampa do Palácio, mandou aos berros, por várias vezes, jornalistas da Folha de São Paulo se calarem. Na verdade, o presidente desequilibrado estava dando uma bofetada na cara da democracia. Será mesmo que “suas forças armadas” apoiam e comungam de suas atitudes contra a nação? O cara mais parece uma besta fera do fim do mundo!

De tanto condenar e atirar suas brutas pedras, o cara quer sim, transformar o Brasil numa verdadeira Venezuela vestida de extrema-direita, como um tirano ditador. É irônico quando ele diz que em nosso vizinho existe uma ditadura e age do mesmo modo, mas abre a boca para dizer que é um “defensor” da nossa democracia. Além do destemperado contestar a ciência, mandando todos para as ruas enfrentar o vírus, ele agora pretende derrubar o conceito de democracia criado na Antiga Grécia.

NÃO SÃO DIGNOS DA NOSSA BANDEIRA

Ele está sim, cercado de generais de pijama que jogaram suas carreiras de anos de trabalho na lata do lixo e já deveriam ter saído de lá do Planalto antes que se queimem ainda mais, ou sejam despejados. Não acredito que as forças armadas embarquem numa loucura dessa, principalmente agora nesse caos da pandemia, da economia e de um total desgoverno, sem liderança.

A tropa de choque de imbecis, que ele chama de meu povo, não é digna de se enrolar na bandeira brasileira porque são um bando de marginais da sociedade e uns covardes que agridem até a área da saúde. Como cães raivosos de dentes afiados, mostraram suas garras contra um grupo de enfermeiros que faziam um protesto pacífico, apelando por melhores condições de trabalho. Eles torcem pelo aumento de mais mortes e calamidades.

Como um presidente da República comete tanta insensatez de participar de um manifesto de nazifascistas que querem detonar com o Brasil? Que eu saiba, na história brasileira nenhum presidente eleito chegou a agir dessa maneira atabalhoada, colocando-se acima da lei e da Constituição. O pior de tudo é que ele ainda conta com muitos seguidores da morte. Ele já foi além do limite, e creio que os comandantes das forças armadas não o acompanham nesse suicídio, ou estaria profundamente enganado e equivocado.

Como jornalista, fica aqui o meu repúdio à tamanha agressão desses brucutus primitivos contra a liberdade de expressão, contra a democracia, contra a mídia e contra a vida. Com a senha de um presidente insano, eles acham que já têm a licença para matar. É necessário, com urgência, que as instituições e a sociedade em geral deem um basta nisso tudo e coloquem esses nazistas na cadeia.

 

FUTEBOL DE LUTO COM A MORTE DE SCHMIDT

Carlos González – jornalista

“Nunca mais o despotismo regerá nossas ações, porque com tiranos não combinam. Tricolores, corações”. No dia 9 de setembro de 2013, ao tomar posse na presidência do Esporte Clube Bahia, Fernando Roth Schmidt, em seu discurso, parafraseou o Hino da Independência da Bahia, de autoria do alferes Ladislau dos Santos Titara, numa alusão ao grupo que impôs ao Tricolor um regime ditatorial que durou 19 anos. Democrata, esportista, administrador, advogado, político e professor universitário, Schmidt faleceu na madrugada de hoje (dia 4), aos 76 anos, no Hospital Jorge Valente, em Salvador, vítima de complicações neurológicas.

Primeiro clube brasileiro a realizar eleições diretas, após anos de batalhas na Justiça, os sócios do Bahia elegeram Fernando Schmidt, com 67% dos votos válidos, para um mandato tampão de pouco mais de um ano. A Arena Fonte Nova recebeu no dia 7 de setembro de 2013, numa democrática festa cívica, mais de 5 mil torcedores. Sócio remido desde outubro de 1983, orgulho-me de ter participado do processo eleitoral do meu clube e de ter sido eleito membro do Conselho Deliberativo.

Foto bahianoar

Cavalheiro, afável no trato social, Schmidt conseguiu reunir em torno de sua administração aqueles que lhe fizeram oposição no pleito de 2013. Apesar do pouco tempo no cargo, conseguiu colocar a casa em ordem, tirando praticamente o clube do zero, pois até uma parte do seu valioso patrimônio, os troféus, estavam no lixo. Além do título de campeão baiano de 2014, Schmidt recuperou o Fazendão, que estava na iminência de ir a leilão, e deu continuidade à construção do novo centro de treinamento, em Dias d’Ávila.

“Em 15 meses pavimentou o processo de recuperação e ampliação do patrimônio azul, vermelho e branco”, registrou hoje o Bahia em nota oficial. Nos anos 70, a década de ouro do heptacampeonato baiano, Schmidt ocupou a presidência entre 1975 e 1979. Durante sua gestão foi adquirido o CT do Fazendão Tricolor, que deu a estrutura necessária para que o Bahia conquistasse seu segundo título brasileiro, em 1988.

Estudante universitário, Fernando Schmidt participou de atos pacíficos contra a ditadura militar (1964 a 1985). Com a volta do regime democrático foi eleito vereador por Salvador. Posteriormente, foi secretário municipal (1986 a 1988), diretor da Codeba, ministro interino do Trabalho (2003) e secretário do governo do estado (2013).

Vestindo a camiseta azul do seu time, com o escudo e as duas estrelinhas do lado esquerdo, Fernando Schmidt está agora ao lado de outros grandes tricolores, como os fundadores e diretores do clube em 1931, capitaneados por Waldemar Costa, o primeiro presidente. Lá estavam outros tricolores, que deixaram o seu nome gravado na história do clube de maior torcida do Nordeste:  Adroaldo Ribeiro Costa, Teixeira Gomes, Rubem Bahia Ribeiro, Lourinho e Jones (chefes de torcida), Osório Villas Boas, Antônio Pithon, Hamilton Simões, Antônio Miranda, Alemão (massagista), Nélson Pinheiro Chaves, José Bahia Ramos, e os jogadores Biriba, Roberto Rebouças, Lessa, Tyrso, Vicente Arenari, Marito, Gílson Porto e outros que vestiram a camisa das três cores.

Fernando Schmidt foi sepultado hoje, às 15 horas, no Cemitério do Campo Santo.

 

 

 

O DESESPERO E A ANGÚSTIA DE UMA POPULAÇÃO NAS HUMILHANTES FILAS

Quando vejo depoimentos de pessoas na televisão que estão trabalhando nessa época do coronavírus, dizendo o quanto se sentem privados (em parte) do convívio familiar, lembro do desespero angustiante das pessoas nas humilhantes filas nas agências bancárias, milhares dormindo ao relento, enfrentando sol e chuva e ainda com fome.  Quem está mesmo em pior situação?

Nesta semana tive que ir à rua, em Vitória da Conquista, e fiquei chocado quando vi de perto aquela multidão na Praça Barão do Rio Branco e na rua direita da Praça Tancredo neves em frente às agências, na esperança de sacar seu auxílio social. O pior é que muitos que não conseguiram acesso aos aplicativos do processo estão ali para obter informações, e outros tantos voltaram sem nada, levando para suas casas um tremendo vazio de frustração e decepção.

O céu está aberto

Estes milhões sofrem muito mais porque, além de se exporem ao vírus, são desempregados, sem trabalho nenhum e passando fome. Entre os grandes males, essa Covid-19 serviu também para mostrar a real cara da pobreza e da miséria no Brasil porque essa gente só estava sendo vista através dos números, cerca de 20 milhões.

Em meio àquela fila, na Barão do Rio Branco, um pastor fazia sua pregação catequética ao estilo religioso mais antigo, gritando que, enquanto o comércio estava fechado, o céu estava aberto para os que sofrem, em nome de Jesus. É a típica cultura da Idade Média do conformismo que, certamente, o Cristo não aprovaria. São palavras de consolo, mas que não resolvem o problema vital.

É muito triste e duro ser filho do Brasil e ver seus irmãos sendo tratados pior que gado em boiada, enquanto lá do alto os poderes se acham donos do país, sob o comando de um despreparado que nem está aí para o que está ocorrendo. Nos meios de comunicação, só notícias ruins com muitos choros e lágrimas. Muitos apelos desesperadores de socorro que não chega.

Temos um povo submisso, conformado e oprimido, há anos vivendo sob a chibata de uma elite que tudo faz para que os pobres não melhorem de vida. Fosse em outro país já teria acontecido uma convulsão social de grandes proporções e estourado uma guerra civil, mas tudo tem o seu limite, e a ira coletiva pode dar um basta nesse sofrimento desumano.

Uma prática comum

As instituições e seus dirigentes, no caso mais específico das filas humilhantes nos bancos, a tudo assistem sem prover uma solução, ou encontrar uma saída para minimizar esse clamor, como de um senhor que dormiu dentro de um carro e não tirou seu dinheiro só porque não tinha a carteira de identidade, mesmo apresentando cópias de outro documento com o número do RG.

São cenas dantescas, e de tanto vermos essas imagens angustiantes todos os dias, elas se tornam normais, como se a injustiça social no Brasil passasse a ser uma prática comum para quem é desprovido de recursos. No nosso país está havendo um genocídio lento através da fome, e agora mais acelerado com as mortes pelo coronavírus porque a saúde pública já estava em colapso há anos. Tudo isso é consequência da falta de educação de qualidade que sempre foi negada ao povo pelos patrões do poder.

As filas burocráticas e humilhantes a que o brasileiro pobre é submetido vão além dessa mortal do coronavírus. Elas existem diariamente nas portas dos hospitais, postos de saúde, INSS, centrais de marcação de consultas e até para matrícula de alunos na rede escolar. Alguém já deve ter esquecido das intermináveis filas que a Justiça Eleitoral criou no ano passado para o recadastramento biométrico.

Até quando vamos ter que presenciar esse massacre criminoso com gente sendo tratada como lixo? Que sociedade burguesa é essa que prefere o silêncio? Pior ainda é a esquerda, os intelectuais, os artistas e os mais esclarecidos que se calam diante de tanto desprezo para com o povo mais necessitado! Se alguém se revolta, é logo preso pela polícia repressora e é tratado como vândalo e bandido. Quem são os verdadeiros bandidos que deveriam estar na cadeia?

OS ABSURDOS E AS “PÉROLAS” DE UM PRESIDENTE QUE ENVERGONHA O BRASIL

Desde que assumiu a presidência da República, há pouco mais de um ano, o capitão coleciona mais de uma centena de frases e palavras absurdas que vão de encontro às normas de conduta inerentes a um chefe de Estado, muitas das quais de cunho racista, homofóbicas e misóginas que deixam a nação estarrecida, menos os seus fiéis seguidores fanáticos.

A mídia vem registrando esses impropérios, denominando-os de “pérolas” que já podem se transformar num best-seller, coisas que prefiro chamá-las de deboches e outras de desdém contra o próprio povo. Até a ciência é contestada e ironizada por ele.

Em toda história brasileira, nenhum presidente ousou proferir tais barbaridades. Essas “pérolas” deixam o Brasil aqui e no exterior (envergonha o país) com uma imagem de brucutus primitivos do tempo da pedra lascada. Parece termos voltado à Idade Média, diante de tantos retrocessos.

Suas tiradas, muitas delas tiranas e grosseiras, de deixar qualquer um de “queixo caído”, não são novidades porque ele já era useiro e vezeiro quando deputado federal. Com seu tom agressivo e preconceituoso, ofendeu muitos colegas, correligionários e até quem votou nele. “Mudou até o curso da história” quando disse que não houve ditadura no Brasil no golpe civil-militar de 64, e sim uma democracia.

No cargo, se posicionou contra o meio ambiente (exonera quem faz o trabalho correto de repressão contra os depredadores), sugerindo transformar Angra dos Reis numa Cancun mexicana; estimulou o desmatamento e o garimpo na Amazônia e quer acabar com as reservas indígenas; discriminou os negros quilombolas, chamando-os de arrobas que não serviam nem para   reprodutores; e restringiu a fiscalização do Ibama.

Foi deselegante com a esposa do presidente francês e criou vários atritos diplomáticos com outros países. Seus ministros da Educação e das Relações Exteriores seguem suas pegadas racistas atacando governos da China e de Israel, com o qual fez acordos de parcerias, sem resultados. É um desastre que leva o país ao deboche e a ser uma piada no exterior.

Reportagem do “Estadão”, autoria de José Fucs, diretor do blog do Fucs, destaca que desde que a pandemia do coronavírus desembarcou para valer no Brasil, no início de março, com a multiplicação do número de casos graves e de mortes, (hoje mais de cinco mil), o presidente Jair Bolsonaro produziu uma série inesgotável de “pérolas” sobre a crise.

“Suas declarações ironizando a gravidade do problema, defendendo a massificação de medicamentos não aprovados pela comunidade científica e se insurgindo contra o isolamento social determinado por governadores e prefeitos em todo o País, tornaram-se tema recorrente dos principais veículos de comunicação do Brasil e do mundo.  A revista The Economist, por exemplo, chamou-o de “Bolsonero”,  e o jornal Washington Post o “elegeu” como o pior líder mundial a lidar com o coronavírus”.

“A seguir, você poderá conferir as principais frases de Bolsonaro sobre a pandemia. Neste período, outras compilações do gênero surgiram por aí. Mas, como a produção de “pérolas” presidenciais cresce em ritmo acelerado, o blog resolveu fazer uma nova compilação, atualizando a lista e incluindo uma breve retrospectiva do que Bolsonaro já falou sobre o assunto”.

Nessa compilação, estou acrescentando as mais novas, mas como o homem é um desastrado nato e “prodigioso”, existem muitas outras tiradas absurdas. Ora ele repele quem se manifesta a favor do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, dizendo fiel seguidor da Constituição, ora ameaça fechar as instituições quando é contrariado. Em seu rompante, acha-se acima da lei e não um súdito dela.

É bom rever as “pérolas”:

  • – “Eu não sou coveiro, tá certo?” (20/4)

“‘Não tem que se acovardar com esse vírus na frente” (18/4)

  • “Os Estados estão quebrados. Falta humildade para essas pessoas que estão bloqueando tudo de forma radical.” 19/4

“Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora essa questão do vírus” (12/4)

  • – “Ninguém vai tolher meu direito de ir e vir” (10/4)
  • – “Esse tratamento (com hidroxicloroquina), que começou aqui no Brasil, tem que ser feito, segundo as pessoas que a gente tem conversado, até o quarto ou quinto dia dos primeiros sintomas” 8/4
  • “Há 40 dias venho falando do uso da hidroxicloroquina no tratamento do covid-19. Cada vez mais o uso da cloroquina se apresenta como algo eficaz” (8/4)
  • “Se o vírus pegar em mim, não vou sentir quase nada. Fui atleta e levei facada” (30/3)
  • “O vírus tá aí, vamos ter de enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, pô, não como moleque” (29/3)
  • “Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. É a vida. Você não pode parar uma fábrica de automóveis porque há mortes nas estradas todos os anos”. 27/3
  • “Não estou acreditando nesses números de São Paulo, até pelas medidas que ele (o governador João Doria) tomou” (27/3)
  • “Sabe quando esse remédio (hidroxicloroquina) começou a ser produzido no Brasil? Ele começou a ser usado no Brasil quando eu nasci, em 1955. Medicado corretamente, não tem efeito colateral” (26/3)
  • “O povo foi enganado esse tempo todo sobre o vírus” (26/3)
  • “O pânico é uma doença e isso foi massificado quase que no mundo todo e no Brasil não foi diferente” (26/3)
  • “O brasileiro tem de ser estudado, não pega nada. O cara pula em esgoto, sai, mergulha e não acontece nada.” (26/3)
  • “São raros os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos” (24/3)
  • “Não podemos nos comparar com a Itália. (…) Esse clima não pode vir para cá porque causa certa agonia e um estado de preocupação enorme. Uma pessoa estressada perde imunidade” (22/3)
  • “De forma alguma usarei do momento para fazer demagogia” (21/3)
  • “Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, tá ok?” (20/3)
  • “Tem certos governadores que estão tomando medidas extremas. Tem um governo de Estado que só faltou declarar independência do mesmo” (20/3
  • “Não se surpreenda se você me ver (sic) no metrô lotado em São Paulo, numa barcaça no Rio. É um risco que um chefe de Estado deve correr. Tenho muito orgulho disso” (18/3)
  • “O que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo. Uma nação como o Brasil só estará livre quando certo número de pessoas for infectado e criar anticorpos” (17/3)
  • “Tem locais, alguns países que já tem saques acontecendo. Isso pode vir para o Brasil. Pode ter um aproveitamento político em cima disso” (17/3)
  • “Eu não vou viver preso no Palácio da Alvorada com problemas grandes para serem resolvidos no Brasil” (16/3)
  • “Muito do que falam é fantasia, isso não é crise” (10/3)
  • “ E daí? Quer que eu faça o que? Sou Messias, mas não faço milagres” – ao responder a pergunta de um repórter sobre o que ele achava do Brasil ter atingido a marca de mais de cinco mil mortes do coronavírus.

“O isolamento social foi inútil” – em ataque aos governadores e prefeitos que não seguiram sua intenção de manter as atividades econômicas em pleno funcionamento no país.

 

TUDO ESTÁ DOMINADO NA DEMOCRACIA ABSOLUTISTA DA PSICOPATIA BRASILEIRA

O NÚMERO DE MORTES SÓ FAZ AUMENTAR. “E DAÍ”…

Infelizmente, ainda tem milhões de brasileiros que acreditam que o capitão-presidente Bozó é um democrata, mesmo com sua explícita negação de que houve uma ditadura civil-militar no país a partir do golpe de 1964. Para ele, foi uma ditadura democrática, como se essa aberração política fosse possível. Estamos vivendo num país surreal.

Com sua “democracia absolutista” tupiniquim, um novo regime excêntrico criado no planeta, agora está ficando tudo dominado. O capitão-presidente também passa a exercer a função de diretor Geral da Polícia Federal, porque o Alexandre Ramagem por ele nomeado, com cara de calango, come na cozinha da família e não vai passar de um boy de recado.

“TERRIVELMENTE EVANGÉLICO”

No Ministério da Justiça e da Segurança Pública, um “terrivelmente” evangélico foi indicado para propagar o seu fundamentalismo em que o Brasil já está vivendo, embora o cara tenha um bom currículo, que está sendo jogado no lixo. O esquema está montado para que logo ele engrosse as fileiras do Supremo Tribunal Federal.

Mesmo assim, os fanáticos acham que o capitão está adotando boas práticas de governo, como a de interferir nas ações e nas investigações da Polícia Federal, que deveria servir apenas ao Estado, e não a um presidente desequilibrado de plantão. Somente alguns ditos da esquerda reagem, enquanto os extremistas conservadores evangélicos e os generais vão armando e ditando seus esquemas absolutistas de poder.

Por muito tempo, “cantei essa pedra” no meio do caminho, como disse o poeta, mas quando falava ninguém levava isso em conta, entendendo que não existia mais terreno para retrocessos tão maléficos para a nossa nação já esbofeteada, dilacerada e ensanguentada por governos passados.

“E DAÍ”

Ao lado dessas estratégias de dominação intervencionista das instituições, inclusive do conservador e oligárquico Congresso Nacional, com a compra de deputados e senadores, a população brasileira assiste estarrecida e em pânico, todos os dias, o aumento exponencial de mortes pelo novo coronavírus, com enterros coletivos em muitos estados.

“E daí” – assim respondeu com indiferença e desdém o capitão-presidente sobre a crítica situação do índice elevado de mortes. Os genocidas e os seguidores da morte, como ele incluso, também nem estão aí, e defendem o fim total do isolamento social que, na verdade, é uma falácia e um faz de conta porque a pobreza está nas ruas, amontoada em filas nas agências bancárias para tirar um auxílio que não é liberado devido a burocracia de códigos e a incompetência do governo federal. Ou será que tudo é proposital para que haja um massacre em massa? “E daí”…

Essa Covid-19 é mortal, mas como disse o meu amigo e companheiro jornalista Carlos Gonzalez em seu comentário, a “fome é a maior pandemia” que há anos vem matando milhões no mundo e no Brasil, principalmente, por ser um país de milhões que vivem na miséria. Como mandar esse povo faminto ficar em suas casas?

O cenário, infelizmente, é assustador, mas os responsáveis criminosos continuam curtindo suas mordomias e tomando seu uísque importado porque sabem que nunca serão punidos pelo crime de lesa-humanidade. Um ministro da Saúde, com a cara de coveiro, esconde os números e segue as orientações do seu chefe, sem apresentar um plano para conter o massacre que já está ocorrendo.

Os fanáticos preferem aplaudir a psicopatia de um governo, porque ainda carregam em seus corações o ódio e o rancor contra o PT, como se estivessem em plena campanha eleitoral. Nem o devastador coronavírus conseguiu aplacar a intolerância. O silêncio é atormentador e a grande maioria se faz de muda, surda e cega.

Não são essas doações, onde muitos fazem questão de aparecer nas imagens, que vão resolver o problema desses milhões que madrugam nas filas humilhantes e desumanas, de tantos choros e lágrimas, para sacar um benefício do alimento para matar a fome.

É duro e dolorido dizer isso, mas no Brasil da democracia absolutista, o número de mortes só tende a crescer. Milhares já estão sendo sepultados por falta de leitos e equipamentos hospitalares. Os que estão trabalhando e ganhando seus salários, mesmo os mínimos, deviam agradecer e se compadecer daqueles que estão passando fome nas filas.

 

 

FOME – A MAIOR DAS PANDEMIAS

  • Carlos González – jornalista

O mundo está mobilizado neste instante numa guerra contra um inimigo invisível a olho nu. As grandes nações têm se mostrado impotentes para contê-lo. O Covid-19, no seu avanço destruidor, já contaminou quase 3 milhões de pessoas e tirou a vida de 180 mil, não respeitando a situação econômica de suas vítimas.

Se hoje os Estados Unidos lideram as estatísticas, as autoridades sanitárias prevêem que, no futuro, se medidas não forem tomadas, o vírus irá dizimar as populações mais pobres, aquelas que, há séculos, convivem com um inimigo muito mais perigoso: a fome.

Fotos – jornalista Jeremias Macário

Conhecida mundialmente como “o maior flagelo da humanidade”, a fome, curiosamente, deixa de ser relacionada por pesquisadores e historiadores entre as maiores pandemias que levaram a desolação ao planeta, a partir do momento em que o homem passou a comercializar o alimento. Essa praga, que “contamina” aqueles que vivem abaixo da linha da pobreza, não necessita de pesquisas e testes em laboratórios para ser eliminada. Já existe uma “vacina”: comida.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 8.500 crianças morrem diariamente por desnutrição no planeta. Os números são imprecisos, mas, de acordo com o último relatório divulgado por cinco agências da Organização das Nações Unidas (ONU), 820 milhões de pessoas no mundo passam fome, responsável pela morte de quatro pessoas por segundo.

Os países do sul da Ásia e da África Oriental são os mais vulneráveis, mas os especialistas projetam um cenário preocupante para a América Latina e Caribe, onde a crise de alimentos afeta 42,5 milhões de pessoas (6,5% da população). O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas prevê que  mais 130 milhões de pessoas passarão este ano a fazer parte desse grupo, devido às conseqüências econômicas causadas pelo novo coronavírus. Ao contrário do que se imagina, a fome não é causada pela falta de alimentos, cuja produção é suficiente para nutrir toda a população do planeta.

No Brasil, somada ao enorme desperdício de alimentos, está a concentração de renda (10% dos mais ricos detêm quase toda a renda nacional), de produção (as terras estão nas mãos de poucos) e de informação. O Brasil que come não enxerga o Brasil que tem fome. Essa tragédia silenciosa está escondida nos rincões do país e nas periferias das cidades.

 

A insegurança alimentar aguda no Brasil afeta 7,2 milhões de pessoas e 32 milhões de subnutridos. Há outros fatores que colocam o país no mapa da fome: a dificuldade de acesso aos alimentos e a exportação da maior parte do que o agronegócio produz. O que causa revolta é saber que a soja e o milho servem como comida dos animais no exterior. O volume das nossas vendas de alimentos – o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo, auferindo anualmente79 bilhões de dólares – daria para nutrir o dobro da nossa população.

Presidente e poeta, vítimas

O mundo tem testemunhado, ao longo dos séculos, o surgimento de micro-organismos (bactérias e vírus) muito mais letais do que o novo coronavírus, embora não possamos fazer uma avaliação do que nos prepara o futuro. Especialistas têm feito previsões alarmantes, que nos transportam, aqui no Brasil, para a maioria dos 5.570 municípios brasileiros, onde a assistência médico-hospitalar se assemelha com as de 1918 e anos subsequentes, quando a gripe espanhola matou 35 mil pessoas. Vale destacar a cidade de Santo Antônio de Jesus, uma das 20 mais populosas da Bahia, que até o momento não registrou nem um infectado pelo covid-19, devido às medidas, algumas de caráter preventivo, adotadas pelo governo municipal.

Há um século o Brasil lutava contra o vírus H1N1, nosso velho conhecido, o agente da gripe espanhola (o nome não condiz com sua origem, que se deu numa base militar dos Estados Unidos, sendo levado para a Europa pelas tropas norte-americanas na Primeira Guerra Mundial), que causou mais de 50 milhões de vítimas, entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920. Pelos dados oficiais, 35 mil pessoas morreram no Brasil; 386 em Salvador.

Sem medicamentos ou vacinas para sanar o mal, a população se valeu de várias fórmulas – uma delas, uma mistura de cachaça, mel e limão, que mais tarde se tornou uma bebida nacional, a caipirinha. As recomendações das autoridades sanitárias, curiosamente, eram as mesmas que hoje são indicadas pela OMS, ministério e secretarias de Saúde.

“Desembarcando” em setembro de 1918 no Rio de Janeiro, vinda de um navio procedente da Europa, o H1N1 encontrou um campo fértil na antiga capital federal, em São Paulo e Salvador. Uma das suas vítimas foi o presidente Rodrigues Alves, falecido em 16 de janeiro de 2019, aos 70 anos, antes de tomar posse para um segundo mandato. No seu primeiro período no cargo – 1902 a 1906 – o quinto presidente da República e seu ministro da Saúde, sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), sufocaram uma rebelião popular contra a lei que obrigava a vacinação contra a varíola. A revolta, que se seguiu a uma tentativa de golpe, durou uma semana, deixando um saldo de 30 mortos, 110 feridos, 945 presos na Ilha das Cobras e 461 deportados para o Acre.

A peste negra ou peste bubônica, ocorrida na antiga Eurásia, entre os anos de 1335 e 1351, é considerada como uma das maiores epidemias registradas pela História. Transmitida pela pulga de roedores, a doença matou mais de 100 milhões de pessoas, reduzindo, consideravelmente, a população mundial.   Passou a ser controlada com medidas de higiene e saneamento adotadas pelas cidades.

Três mil anos foi o tempo estimado de permanência do vírus da varíola no planeta. Na Antiguidade, contaminou o faraó Ramsés II, a rainha Maria II, da Inglaterra, e o rei Luiz XV, da França. No período dos descobrimentos chegou às Américas dizimando populações indígenas. Sua fase mais letal se deu entre 1896 e 1980. Foi erradicada após uma campanha de vacinação em massa.

O bacilo de Koch, causador da tuberculose, não foi completamente eliminado, haja vista que continua colocando em risco de vida os habitantes das regiões mais pobres do mundo. Recentemente, contaminou os portadores do vírus da Aids. A tuberculose privou muito cedo a cultura do nosso maior poeta, Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871). Um tiro acidental no pé, seguido de amputação, agravou o sofrimento do autor de “Navio Negreiro”.

A gripe suína (H1N1) foi a primeira pandemia deste século. Surgiu em 2009, no México, transmitida por porcos, espalhando-se rapidamente pelo mundo e causando a morte de 18 mil infectados. Em agosto de 2010 a OMS declarou o fim da doença. Além de se manifestar nos pacientes das gripes espanhola de suína, o vírus influenza, que ainda não foi totalmente erradicado, se manifestou nas gripes russa (1889-1890), asiática (1957-1958), de Hong-Kong (1968-1969) e aviária (1997 e 2004).

O mundo ainda não se viu livre da sua última tragédia viral. A Aids, causada pelo HIV, continua a fazer vítimas, em menores proporções, em virtude do tratamento com medicamentos – o primeiro deles foi descoberto em 1986 – antirretrovitais, que evitam o enfraquecimento do sistema imunológico. O vírus foi localizado nos Estados Unidos, em junho de 1981. Os infestados somam 76 milhões, com 36,7 milhões de mortos. O compositor e cantor Cazuza (1958-1990) foi um dos brasileiros sacrificados.

 

 

O BRASIL É SÓ TENSÃO

O Brasil é como um paciente com doenças crônicas de diabetes, câncer, pressão arterial alta, problemas coronários e psíquicos, há tempos no corredor de um hospital na espera de uma vaga na UTI. Precisa, urgentemente, uma equipe médica altamente especializada para salvá-lo.

Como um barco à deriva, sem comando e sem guia, o Brasil é só tensão em meio ao coronavírus e à insensatez de um desequilibrado e despreparado capitão-presidente que mistura democracia com autoritarismo e prepotência. O que estava ruim, tornou-se pior e não se sabe quando o país chegará ao fundo do poço para que renasça a esperança da sua emersão.

Depois de jogar o seu currículo no lixo e mostrar a sua cara de ambição pelo poder, como tantos outros que estão no ministério de um governo trapalhão, recheado de generais, o Moro se despede cuspindo fogo pelas ventas e revelando o esquema ditatorial e fascista da família Bozó, que está transformando o Brasil numa nação dos absurdos.

Nero mandou incendiar Roma porque achava sua arquitetura feia, escura e cinzenta. Ao tocar sua harpa desafinada, colocou a culpa nos cristãos. Por essas terras tupiniquins, existe um plano diabólico do comunismo por trás de tudo que acontece de mal, e nem a Covid-19 ficou fora desse “inimigo maléfico” dos extremistas de direita e dos seguidores da morte.

Nesse turbilhão de incertezas e desmandos, o povo caminha em círculo e age como como gado sendo levado para o matadouro. Os mais pobres são as maiores vítimas do massacre em massa, principalmente nessa era do corona, enquanto os ricos e poderosos continuam a faturar. Cada governante faz o seu decreto particular, e lá do alto os mandatários são os primeiros a não dar exemplo, como no caso correto do uso das máscaras, que até há pouco tempo, para nada serviam.

As notícias são as mais macabras e fúnebres. De um lado a rede Globo estampa todos os dias os milhões de reais de doações dos grandes empresários das maiores fortunas, e do outro mostra o colapso na saúde, a escassez de equipamentos hospitalares e as lágrimas das famílias que perdem seus entes queridos e não podem nem acompanhar seus sepultamentos. Para onde está indo tanto dinheiro?

Em tempo de coronavírus, o capitão-presidente reúne seu estafe de bonecos perfilados, um colado ao outro (só o ministro Paulo Guedes usava máscara), para rebater as declarações do ex-ministro Moro que o acusa de falsidade ideológica e interferência na Polícia Federal, para proteger a ele mesmo, seus filhos e seus deputados sob investigação no Supremo Tribunal Federal.

Os imbecis gritam intervenção militar em aglomerada manifestação, e a população mais carente (todos misturados) enfrenta filas intermináveis nas agências bancárias e nas lotéricas, na ansiedade de pegar um auxílio social, para matar a fome. Mandam que todos fiquem em casa, mas “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”. Tudo parece um vale de lágrimas numa nação sem liderança. Todos os dias são dias de tensão e de estresse, com semblante triste de depressão. As informações são as mais desencontradas e controladas, inclusive pelo novo ministro da Saúde, com cara de coveiro. As redes sociais fazem suas apostas nas fake news e nos memes, com “piadas” de humor negro.

Cada um se vira como pode, e nesse faroeste bang-bang, leva a melhor quem for mais rápido no gatilho. É um salve-se quem puder, e sempre perde o mais fraco que é também atingido pelas enchentes e os deslizamentos de terras em decorrência das torrenciais chuvas. Tudo é confusão, e todo dia no Planalto é dia de tensão e atrapalhadas.

 

 

A SAÚDE JÁ VIVIA EM COLAPSO ANTES DA COVID-19 E EM CONQUISTA O COMÉRCIO ESTÁ PRATICAMENTE ABERTO

NUNCA IMAGINEI QUE NO BRASIL EXISTIA TANTA GENTE IDIOTA E DE PENSAMENTO RETRÓGRADO, QUE FOSSE FALAR TANTOS ABSURDOS E BESTEIRAS. ELES ESTAVAM INCUBADOS NUMA CÂMARA FRIGORÍFICA E COMEÇARAM A SE REVELAR HÁ POUCO MAIS DE UM ANO. DENTRE TANTAS IDEIAS ESTARRECEDORAS, O CORONAVÍRUS FOI UM PLANO DE GLOBALIZAÇÃO COMUNISTA.

Este assunto está recheado de declarações aberrantes, inusitadas, preconceituosas, racistas, homofóbicas, xenófobas e misóginas, mas vou direto ao ponto da questão da saúde em nosso país. No meu modesto entendimento, a saúde no Brasil já vivia em colapso bem antes do coronavírus. Tornou-se mais aguda a partir da pandemia desse vírus, que entortou todas as críticas e fez aparecer conceitos inimagináveis em se tratando de ser humano.

Quero dizer que a culpa do esgotamento da capacidade hospitalar não está somente na Covid-19, visto que o sistema como um todo já era precário e altamente deficitário, onde milhares morriam nas portas dos hospitais por falta de vagas. A prova de tudo isso está em imagens registradas por pacientes e em reportagens da própria mídia, mostrando cenas de horror, choros e ranges de dentes.

Acontece que atualmente o foco é o coronavírus que fez aumentar, de forma acelerada, o número de mortes, superlotando mais ainda a rede hospitalar. O vírus apenas, de forma cruel, serviu para agravar mais ainda o caos que já existia por falta de investimentos maciços no setor que já vivia em estado terminal. Nunca se imaginava que viria por aí uma avalanche de doentes para piorar mais ainda o quadro, que já era de calamidade pública.

Até antes da pandemia, a imprensa escancarava, vez por outra, as mazelas do setor e casos desumanos de gente vindo a óbito por falta de atendimento. Até pouco tempo, não se fazia tanto alarme como ocorre agora. Os veículos de comunicação noticiavam a falência do sistema, as sujeiras nos hospitais, a escassez de equipamentos e materiais, o clamor das pessoas na batalha por uma vaga e depois esqueciam tudo por um determinado tempo.

PRATICAMENTO VOLTOU A FUNCIONAR

De uma questão a outra, e esta de cunho mais local, nesta semana o comércio de Vitória da Conquista praticamente voltou a funcionar, com mais lojas abertas, inclusive segmentos que deveriam estar fechados, e muito mais gente e veículos circulando nas ruas, como em dias normais antes do decreto municipal de baixar todas as portas, com exceção dos setores essenciais.

Como a fiscalização é falha, por falta de mais recursos humanos, somente o centro da cidade mostra uma cara de comércio fechado, e olha que não estou me referindo às filas nas lotéricas e agências bancárias. No Bairro Brasil, por exemplo, praticamente tudo está funcionando. Vitória da Conquista é considerada a capital do Sudeste, girando em torno dela cerca de 80 municípios, sem contar que é entroncamento para várias regiões do país. Imagina esse contingente de todas as partes aglomerado na cidade!

Sempre tenho dito que esse isolamento social, de todos em casa, é uma falácia no Brasil, que mal chega a 60 ou, quando muito, a 70% em alguns locais. Em Conquista, por exemplo, se for fazer uma pesquisa, esse isolamento não alcança 40%, e ontem a impressão foi que tudo voltou à normalidade. Defendo o tudo ou nada. Essa tal de flexibilização no Brasil não funciona.

Vários estados e municípios estão abrindo suas porteiras e não se sabe o que pode ainda vir por aí, tendo em vista que especialistas afirmam que o país ainda não chegou ao seu pico da crise, como já ocorreu em diversos países da Europa. Temos um governo confuso que está com o propósito de esconder as informações, pouco dando importância para as mortes.

 

 

 





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