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O MASSACRE BRASILEIRO E O EXTERMÍNIO EM MASSA DOS MAIS POBRES

Primeiro é o monstro da corrupção (roubam bilhões dos cofres públicos), que ainda continua a fazer o seu massacre, eliminando, lentamente, a vida de milhões de brasileiros através da precariedade na educação, na saúde e com a disseminação da miséria e da fome.

Agora, num país já em situação de terra arrasada pelos poderosos do capital (acharam de soltar umas migalhas em forma de solidariedade), vem a pandemia do coronavírus que, sem piedade, e de forma dolorosa, espalha medo, pânico e terror, e deixa, rapidamente, o seu rastro maléfico da morte por onde passa.

Numa nação de Terceiro Mundo.

Desde colônia, a história do Brasil está repleta de massacres e teve seus tiranos genocidas, sem falar das pestes e das doenças, típicas de uma nação de Terceiro Mundo. Nesses mais de 500 anos, as maiores vítimas sempre foram os mais pobres que ficaram para trás antes do tempo. No momento atual, não está sendo diferente, e estamos vislumbrando um cenário ainda pior onde poderá haver um extermínio em massa.

Tomara que esteja sendo alarmista, mas num país atrasado em praticamente todos os setores, com suas finanças em frangalhos e com um governo sem unidade federativa, que estimula a debandada de todos para as ruas, contrariando as recomendações da ciência, só posso enxergar um quadro de colapso total, e uma mortandade sem igual nesses mais de cinco séculos desde a chegada de Cabral.

Na verdade, os mais pobres são os maiores grupos de risco, e nem tanto os idosos como se convencionou a dizer desde o início da pandemia, como se fossem portadores do Covid-19. Milhões deles (os pobres e aposentados do salário mínimo) se aglomeram e se arriscam nas filas dos bancos e nos postos de doações de alimentos, na ansiedade de receber algum auxílio social. Outros milhões de desempregados e informais ficaram a ver navios, diante de uma pedra no meio do caminho do passo a passo dos aplicativos e dos telefones que não funcionam.

A falência do sistema de saúde, que já existia desde antes do coronavírus, com pacientes falecendo nos corredores dos hospitais por falta de leitos e atendimento médico, agravou-se ainda mais, e as pessoas choram seus mortos em distância, numa dor ainda mais doida e aguda porque não podem realizar seus rituais de sepultamentos, na maioria coletivos. Do outro lado, a imprensa divulga a criação da telemedicina nas unidades particulares, como grande feito, mas esquece de estampar a outra triste realidade daqueles que dependem da saúde pública e penam por uma consulta presencial.

Num país à deriva

O capitão-presidente, num país à deriva, vivendo um massacre em massa, diz que tudo não passa de uma “gripezinha” e vai às ruas pegar na mão de seus seguidores da morte e pregar o fim do isolamento social que, a esta altura, já é uma falácia quando a pobreza é obrigada a desobedecer a quarentena porque com fome ninguém consegue ficar parado.

Para completar o quadro de horror, o “Bozó” exonera um ministro da Saúde e nomeia outro para encobrir as informações sobre o massacre seletivo. Com todo esse caos, o novo titular da pasta ainda está conversando com seu chefe sobre a montagem do seu gabinete, com a indicação de mais um general para mandar seus soldados baterem continência. Vergonhosamente, vivemos num país submisso às ordens e às posições do destemperado e desequilibrado Trump, dos Estados Unidos, que cortou a ajuda à OMS.

Imagens de terror e o nazifascismo

Na posse, todos se misturam, se abraçam e se beijam, inclusive o demitido que pregou uma coisa e fez outra, dando má exemplo para o povo em polvorosa. Do outro lado, a mídia escancara as imagens macabras nos hospitais e nos cemitérios lotados. São cenas de filmes de ficção apocalípticas que deixam os lares abalados. Aumentam o medo e o pânico, como se todos estivessem num prédio de mais de 50 andares em chamas.

Em meio a todo esse massacre brasileiro, ainda aparecem os aproveitadores, cafajestes e oportunistas de plantão parta superfaturar os preços dos equipamentos hospitalares e obras destinadas a construir novos leitos para atender os contaminados. Milhares estão morrendo por falta de UTIs, principalmente os pobres que só têm o plano do SUS.

Para completar esse “Inferno”, de Dante Alighieri, um grupo de nazifascista, de imbecis e idiotas vai às ruas para pedir uma intervenção militar no Brasil já arrasado, o fechamento do Congresso Nacional e do Tribunal Superior Federal. O capitão vai até lá para elogiar a ação e fala de “democracia”, que ele mesmo menospreza com suas atitudes contra repórteres e as minorias. Na verdade, já vivemos num regime militar disfarçado onde o quartel-general é o Planalto.

Enquanto isso, na surdina, a Amazonas vai sendo derrubada pelos madeireiros e fazendeiros, que nem querem saber se um vírus está devastando o país. Eles preferem o fogo. Os garimpeiros, com suas máquinas assassinas, deixam seus escombros e expulsam os índios de suas terras. A humanidade gasta trilhões de dólares em armas por ano, mas não é capaz de derrubar um vírus maligno. Não é uma ironia? É isso aí, a história está cheia de fatos e exemplos onde os pobres sempre foram massacrados e exterminados.

 

NO VAZIO DO ESPAÇO SEM O NOSSO SARAU

Sei que as preocupações são outras neste momento tão difícil que muitos estão atravessando para enfrentar essa pandemia do coronavírus, que em meus versos chamei de Coronavid, mas o nosso “Espaço Cultural A Estrada” também padece do vazio solitário sem a presença dos companheiros que dão vida ao nosso sarau colaborativo, que neste ano está completando dez anos de existência, trocando ideias, debatendo, declamando, cantando canções e contando causos.

Esse vazio remete à saudade dessa gente amiga alegre, num gostoso bate-papo, bebericando um vinho, uma cerveja gelada, uma cachacinha e um tira-gosto que cada um traz, para falarmos de cultura e ouvirmos as cantorias e os poemas dos artistas. Nesses dez anos, muitos temas, como Educação, Movimentos Revolucionários de 1968, Castro Alves, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Cinema, Cordel, Gregório de Matos, Império Romano, Inquisição, a História da Música Brasileira e tantos outros foram abordados e enriqueceram, sem dúvidas, o nosso conhecimento.

AQUELA SAUDADE

Ainda hoje estava repassando em meu computador, as fotos de diversos saraus, inclusive as dos cinco anos dos eventos, e bateu a saudade de Regina, Nadir, Cleide, Marta Moreno, Lídia Rodrigues, Simone, Céu, Rosânia, Rose, Guimar, Tânia, Edna, Sérgio Fonseca (falecido), Itamar Aguiar, Moacyr Morcego, Manu Di Souza, Baducha, Walter Lajes, Jhesus com seus causos, Dorinho, João, André Cairo, José Silva, José Carlos D´Almeida, Evandro Gomes, Jovino, José Carlos, Clovis Carvalho e muitos outros que me falham a memória no momento, mas que se sintam citados porque fazem parte dos nossos encontros, sempre fraternais.

Não falei da anfitriã Vandilza Gonçalves por motivos óbvios por ser minha esposa, mas ela é também testemunha desse espaço vazio sem o nosso sarau, principalmente aos sábados à noite. Estávamos programando a comemoração dos dez anos para julho, mas veio essa pandemia e nos separou do convívio cultural. Ainda tenho esperanças de realizar esta festa até o final do ano, com mais uma vitória conquistada contra esse vírus que mata.

Nessa fase difícil, cada um tem seus problemas, uns mais e outros menos, especialmente de questão financeira porque a maioria parou suas atividades artísticas e não está tendo o devido amparo dos governantes que são verdadeiros falastrões, mestres na demagogia e enrolação. Gostaria de fazer alguma coisa (também vivo meus apertos) e até acho que deveríamos nos unir através do meio virtual para apoiar quem mais está precisando de ajuda.

Mesmo distantes, devemos estar juntos, nem que seja espiritualmente, ou até de forma material. Sempre tenho dito em meus comentários e por intermédio da poesia, que fortalecer e exercitar a mente é fundamental para que o corpo não enfraqueça e esteja preparado se por acaso alguém de nós for surpreendido por esse “bicho” que veio da China, mas, tenho certeza que isso não vai acontecer.

Por fim, quero saudar a todos, e vamos torcer para que logo possamos dar continuidade aos nossos encontros culturais, com mais fervor ainda, discutindo, declamando, entoando canções e contando causos e piadas. O nosso Espaço Cultura está vazio fisicamente, mas voltaremos a nos abraçar,  nos beijar e a comemorar até altas horas da madrugada.

 

 

FALASTRÕES, DEMAGOGOS E BUROCRATAS LEVAM MULTIDÕES A BATER CABEÇA NAS RUAS

O desabafo emocionante de um senhor na televisão numa fila da Receita Federal para tentar regularizar sua situação e obter um auxílio social, com relatos de penúria para sobreviver, sem emprego e em estado de fome, é o retrato de milhões de brasileiros que correm às agências dos bancos na ânsia de um socorro para minorar seus sofrimentos, principalmente nesta época da pandemia do coronavírus.

Comovidos, muitas pessoas desceram dos prédios onde ele se encontrava e o acudiram com alimentos, e logo apareceu uma empresa lhe concedendo um trabalho. Não que as atitudes não sejam dignas de aplausos, mas o sentimento emocional repentino faz esquecer que o seu desespero não é o único no Brasil dos falastrões, dos hipócritas e burocratas de plantão, que fazem o povo ficar nas ruas a bater cabeça nesse turbilhão de informações desencontradas e enganosas.

EM NOME DE MILHÕES

Aquele senhor da entrevista teve o seu momento de felicidade e, porque não dizer, até de sorte por ter se expressado em nome de milhões de aflitos e angustiados que, aglomerados, arriscam suas vidas ao se dirigirem aos caixas dos bancos. Depois, milhares saem frustrados com o resultado negativo do tão esperado benefício. E quem vai alimentar e oferecer um emprego aos outros milhões de brasileiros invisíveis que vivem nas sarjetas da pobreza?

Com o anúncio do auxílio social pelo governo federal, incluindo uma bateria de normas econômicas e técnicas para ter direito aos 600 reais, a população, a grande maioria inculta e sem instrução para lidar com a tecnologia, correu como gado em manada na ânsia de receber algum dinheiro, ou se informar a respeito do processo. Milhares não têm nem CPF e outros milhares ficaram a ver navios porque não foram atendidos.

Para aqueles necessitados que ficaram de fora, o golpe foi como se tivessem sido vítimas de estelionato desses falastrões e burocratas, no momento de maior desespero, como daquele senhor da entrevista. É sabido que todo esse contingente de CadÚnico, Bolsa Família, de informais, ambulantes e de desempregados está atravessando os piores momentos de suas vidas e ainda têm que passar pelo crivo tecnológico da internet, no qual se depara com os entreves no acesso.

 

Não dá para se fazer uma boa comparação, mas tem um ditado que diz que “a necessidade faz o ladrão”. Com isso, quero simplesmente me referir ao fato de todos irem para as ruas por pura necessidade, quando se recomenda que todos fiquem em casa. Aí, entra a pandemia dos falastrões, mentirosos e burocratas, dizendo que as pessoas não precisam se amontoar em frente das agências, e que liguem para tais e tais números, ou entrem no aplicativo do site.

Agora acharam de criar uma tal conta digital. Entendi como uma forma de zombar e sacanear com a cara do povo que precisa, urgentemente, de dinheiro em espécie para comer, e não de fazer transferências ou outras transações bancárias. O governador do Estado criou um bolsa estudante e pede para o aluno, ou o pai, ligar para a direção da escola, só que o telefone não atende, nem o 0800.

ESTÃO DE OLHO É NAS ELEIÇÕES

Em meio ao falatório, sem organização, o sistema virou uma verdadeira bagunça, e a aglomeração foi formada diante de cadastramentos e agendamentos que não funcionam. Ao invés de simplificar, complicam. Sem acreditar mais nos governos, os ambulantes vão para as ruas na aventura de vender alguma coisa como o ganha pão do dia. Nem máscaras eles distribuem, mas mandam que todos usem, além do álcool gel!

Com toda essa balbúrdia, a mídia pouco mostra a outra face do coronavírus e passou a estampar as empresas e as caras dos ricos, principalmente do setor financeiro, que há séculos nos “roubam” com juros e taxas extorsivas, sem piedade. Sempre foi a categoria empresarial mais privilegiado do país, e agora aparecem como “bonzinhos” doando umas ínfimas parcelas do grande montante de bilhões que levaram de nós.

Somando a tudo isso, temos um capitão-presidente que faz apologia à morte e sai às ruas pregando o fim do isolamento social, contrariando o seu ministro da Saúde e as recomendações dos governadores, prefeitos, médicos, infectologistas e à própria ciência. Conta com um bando de malucos seguidores da morte, e o povo fica nas ruas a bater cabeça diante de toda essa confusão armada pelos falastrões, falsos pregadores, hipócritas e burocratas.

Todos eles estão de olho numa só coisa: Nas eleições que estão se aproximando. Sabem que o povo de hoje esquece de tudo que aconteceu de mal e perverso. No dia, todos saem de suas casas para festejar um falso ato de cidadania e ainda xingam uns aos outros. Mais uma vez, o brasileiro segue a “lição” mentirosa para passar mais quatro ou oito anos penando e engrossando as fileiras da pobreza e da ignorância.

 

 

A CONFUSÃO DOS NÚMEROS E UMA PÁTRIA MALTRATADA

São tantos os números divulgados pelo Ministério da Saúde e pelas secretarias dos estados que deixam a população confusa e servem para os boateiros de fake news fazerem alarmes e pânicos. Por que não se noticia somente os casos testados e confirmados do coronavírus mais as mortes, eliminando os índices suspeitos, ainda os por certificar e outros tantos? Sem bases, a mídia entra com seu DNA sensacionalista, de que os dados podem ser tantas vezes maiores?

Em minha opinião, cria-se um clima de terror, sem contar que muita gente pega os casos suspeitos e os utilizam para propagar boatos, como exemplo os de Vitória da Conquista. Aqui fala-se em pouco mais de 300 suspeições e cerca de 25 a 30 testados, com uma morte. A imprensa adora números como grandeza de audiência. Os boateiros já saem falando que existem na cidade mais de 300 contaminados.

Depois de quase dois meses de pandemia já se percebe um estresse coletivo tomando conta do povo, diante de tantas informações corretas e incorretas, tanto na área da saúde como da economia, com o auxílio social onde milhares correm aos bancos e depois saem de lá frustrados e mais nervosos e irritados. Colocam datas de saque por aniversário e categorias com direito. Depois os prováveis beneficiários ficam decepcionadas.

É tudo uma total desorganização que pode gerar um caos e até uma convulsão social sem controle. Depois dessa pandemia, mais gente tem batido em minha porta pedindo dinheiro e comida, o que demonstra que a fome está literalmente batendo nos lares, ou aliás, nos barrocos e casebres das periferias e favelas. É uma triste realidade e não sabemos aonde tudo isso vai chegar.

UMA PÁTRIA DE PANCADAS

Definitivamente, esta não é uma pátria amada como dizem os fascistas de extrema-direita de plantão, e sim uma pátria que só tem levado pancada, sem comando e sem rumo certo. Quando não são as calamidades públicas provocadas pelas torrenciais chuvas, em decorrência da destruição do meio ambiente, são as doenças de sempre, e agora o Covid-19, num país de finanças falidas.

Para completar as mazelas que sempre atingem os mais pobres, a Amazonas está sendo, impiedosamente, desmatada por madeireiros, grileiros e fazendeiros, e suas águas e rios envenenados por garimpeiros. Os índios estão sendo escorraçados de suas terras. O diretor do Ibama que foi enérgico em suas ações foi “premiado” com uma exoneração pelo seu trabalho que deveria ser feito.

Ainda existem por aí muitos seguidores da morte idiotas e imbecis dizendo que nunca o Brasil esteve tão bem nas mãos do seu capitão-presidente, que está mais para um psicopata, e não para um nacionalista. Mais sete anos no governo e a Amazonas vai virar cinzas, e vão nos transformar numa nação de loucos nazistas que festejam e dançam diante de caixões de brasileiros mortos por armas, doenças virais e fome.

 

 

 

AS REALIDADES SÃO DIFERENTES

É muito importante o isolamento social e que todos fiquem em suas casas, mas as realidades nos países pobres são bem diferentes das dos ricos onde contam com mais recursos financeiros, tecnológicos e o poder aquisitivo é maior, sem falar na questão cultural.

O Brasil e seus vizinhos da América do Sul e Central estão nesse rol das pessoas com atraso tecnológico, apesar da internet, e na linha da pobreza, cujos habitantes precisam se virar para manter o mínimo necessário para se alimentar e não passar tanta fome.

A mídia mostra e critica as filas nas portas dos bancos, na Receita Federal para regularização de dados individuais e até em entidades filantrópicas para cadastramento de cestas básicas (coisa que os governos pouco faz), mas não há como evitar porque toda essa gente está correndo atrás de sua própria sobrevivência. Avalie os países africanos! É o embate entre o coronavírus e a fome.

O caso do CPF na Receita, que informa que o documento pode ser feito pela internet, é um exemplo. A grande maioria não sabe lidar com esses tais sites de aplicativos, sem contar que os equipamentos dispostos a ajudar o trâmite não suportam a carga de acessos. Ah, façam o passo a passo, explicam os técnicos! Ocorre que o passo a passo é interrompido no meio do caminho por uma trava qualquer.

Com relação aos bancos, somente uma pequena minoria tem conta online para realizar transações, e em raríssimos casos se efetua pagamentos através de celulares. A grande maioria pobre tem seu dinheiro curto no banco e é obrigado ir até ele para sacar uma grana, inclusive do auxílio social, para fazer suas compras. Muitos se amontoam à procura de informações.

A outra realidade são as aglomerações para receber doações de alimentos, principalmente nas periferias. Muitos ambulantes ainda saem às ruas na aventura de vender alguma coisa para o sustento. Portanto, é muito difícil segurar todo esse povo em suas casas.

O governador de São Paulo ameaçou prender quem estivesse nas ruas. Só queria saber aonde ele vai jogar esse pessoal, se as cadeias e as penitenciárias estão lotadas de bandidos e criminosos? Por outro lado, o governo não pode simplesmente pegar um cidadão de bem e prender entre bandidos perigosos.

Esse pico do coronavírus é sempre adiado, e os números só sobem na contagem dos setores da saúde. Enquanto isso, venho percebendo um estresse coletivo na população, tanto os que estão em casa como aqueles que vão às ruas por necessidade. Tem gente até quebrando caixa de banco. Outros passam o tempo no celular infernizando a vida das pessoas com fake news e “memes” idiotas de discriminação, ou xingando e destilando ódios e intolerâncias. Falo sempre da importância de exercitar a mente com a leitura de um livro, mas esse hábito no Brasil é raro pela falta de cultura e baixo nível de instrução.

PIORES QUE A PANDEMIA DO CORONA

De um lado essa grande mídia televisiva, principalmente, precisa ser mais serena e controlar seu noticiário sensacionalista de pânico, do tipo esses números de mortes podem ser bem maiores e de que em tal dia vamos chegar ao pico. Nunca se diz que podem ser menores, visto que os testes para confirmar a doença são demorados, de até 15 dias, ou mais.

Do outro lado, temos um capitão-presidente psicopata que sai às ruas passando a mão no nariz e depois apertando a dos seus seguidores da morte, imbecis, fanáticos e idiotas fascistas. Ele está agindo como um criminoso irresponsável, que contraria até o seu ministro da Saúde.

Temos também um grupo de ignorantes e canalhas que passa o tempo nas redes sociais fazendo “memes” contra os idosos, como se fossem portadores natos do coronavírus (o Coronavid), influenciados pelos alarmes da mídia que generalizou, que todos pertencem ao grupo de risco, quando isso não é verdade. Já sugeriram até criar campos de concentração para esta faixa etária.

Para não citar mais outros fatos constrangedores em meio a toda essa bagunça, num país sem comando e desnorteado, esses personagens juntos são piores que a própria pandemia, e deixam muita gente angustiada, revoltada, com medo e pavor.

Além dos cuidados com o corpo, a melhor arma para enfrentar esse terror é exercitar a mente, passando o tempo lendo, escrevendo ou fazendo alguma arte. Infelizmente, poucos são dotados desse nível de instrução, e a maioria fica todo os dias infernizando os outros, inclusive com fake news babacas.

Volto a dizer que no Brasil de profundas desigualdades sociais e de pobreza extrema, é muito difícil fazer um isolamento social a contento como mandam os especialistas da saúde. É complicado e cada país tem sua realidade diferente em termos culturais, sociais e econômicos.

Nas condições de milhões de brasileiros, isso é o mesmo que dizer, fiquem em casa e passem fome, aliás, é outra aliada dessa pandemia, além das doenças crônicas que deixam o organismo vulnerável para o vírus fazer aquele estrago depois de instalado no corpo. Fala-se em prender o cidadão que estiver nas ruas. Vão colocar essas pessoas aonde? Nas cadeias e penitenciárias entre os bandidos?

Acredito que grupo de risco não é por faixa etária como se convencionou dizer desde o início. São todos aqueles com doenças crônicas, como diabetes, pressão arterial alta, problemas coronários, pulmonares, respiratório (asma) e outras enfermidades, bem como os milhões de pobres das periferias, das favelas e os que vivem em barracos apertados, passando fome.

 

POLITIZAÇÃO DA SAÚDE

Carlos Albán González – jornalista 

Prefeito, o senhor, por pouco, não cometeu suicídio político, caso fosse mantida a abertura do comércio esta semana. O repúdio da população de Vitória da Conquista ao seu ato se manifestaria nas eleições marcadas para outubro próximo. O clamor popular impediu o seu gesto trágico e impensado, sob pressão da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), um dos suportes de sua carreira política. Deve também ter pesado na sua disposição de revogar o decreto anterior o cenário caótico que se instalou no Centro da cidade, na manhã/tarde de segunda-feira, com pessoas aglomeradas e o trânsito congestionado, causado pelo fechamento da avenida Lauro de Freitas.

Pesquisa Datafolha mostra que apenas 24% dos brasileiros são contrários ao isolamento social, a principal medida para frear o avanço do Covid-19, defendida pela Organização Mundial de Saúde e pelas mais conceituadas autoridades médicas e científicas do mundo. Mas, entre aqueles que acham que salvar a economia é mais importante do que salvar uma vida humana está o presidente Jair Bolsonaro, o mentor religioso e político do prefeito Herzem Gusmão Pereira.

Antes de Bolsonaro, o prefeito adotou como padrinhos políticos os irmãos Jeddel e Lúcio Vieira Lima, condenados pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Somente Jeddel cumpre pena em regime fechado. O erro na escolha não abriu os olhos nem a mente de Herzem, que transferiu seu devotamento para o ex-presidente Michel Temer, acusado pelo Ministério Público – chegou a passar uma noite na cadeia – de formação de quadrilha.

O momento cruciante que o país atravessa deve servir para promover a união de todos, principalmente dos governantes. Mas, o que estamos assistindo, em Brasília e em Vitória da Conquista, é o ódio aflorando contra os adversários. Estão politizando a saúde. Bolsonaro acusa os governadores Wilson Witzel (Rio) e João Dória (São Paulo) de estarem obstruindo seu projeto político, ao se posicionarem a favor do isolamento social; Herzem imputa ao governo do estado a falta de ajuda para combater o novo coronavírus. Ambos têm um mesmo ideal: um segundo mandato.   

Não se pode negar que Herzem Gusmão teve 85% dos votos dos eleitores das classes A e B, revoltadas, com razão, com os escândalos financeiros praticados por membros do PT. Mas isso não é motivo para ele governar apenas para os ricos, esquecendo-se da periferia.

Há uns quatro meses a prefeitura devolveu aos empresários do comércio as vagas de estacionamento no Centro, deixando de renovar o contrato com a Estacionamento Digital, em prejuízo de centenas de clientes que tinham créditos na empresa, e não receberam seu dinheiro de volta. Há dois anos, a pedido do CDL, o carnaval conquistense saiu das ruas, sob o argumento de que os foliões faziam xixi nas portas das lojas. Há poucos dias, os toldos dos pontos de ônibus do Terminal da Lauro de Freitas foram demolidos e a avenida foi fechada à passagem de veículos, prejudicando as pessoas que usam o transporte coletivo.

O conquistense já observou que as autoridades municipais estão subestimando a força letal do Covid-19, que, até hoje (dia 9), já contaminou 15 pessoas e com mais de 60 aguardando a coleta de material para teste, devido à falta de kits. A prefeitura não se preparou convenientemente para a chegada do vírus, chegando, inclusive, a recusar recursos liberados pelo estado, da mesma forma que se opôs à implantação da Policlínica. Não se viu aumento do número de leitos em UTI, montagem de hospital de campanha, aluguel de hospitais da rede privada, aquisição de respiradores pulmonares, máscaras, luvas e desinfetantes; não monitorou passageiros nos terminais rodoviário e aéreo, e não existe um plano específico de conscientização e ajuda médico-hospitalar para as populações da periferia e zona rural.

Prefeito, o seu mito foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda – uma acusação inicial foi feita à Procuradoria Geral da República que, simplesmente, arquivadou – pela Associação Brasileira de Juristas. Segundo a entidade, Bolsonaro teria cometido os crimes contra a humanidade e de epidemia, incentivando ações que aumentam o risco de proliferação do novo coronavírus.  

 

 

 

 

AOS ARTISTAS SEM SHOWS E COMO MANTER O ISOLAMENTO SOCIAL

Primeiro quero aqui saudar todos meus amigos e não conhecidos artistas, poetas, compositores e músicos que vivem de seus shows do dia a dia em bares, restaurantes e casas de eventos, os quais estão recolhidos em suas casas sem poder expressar sua arte e ganhar uns trocados que, forçosamente, nos privam de ouvir suas belas canções.

Também aos escritores e literatos, como é o meu caso, que estão sem puder vender e lançar seus livros, folhetos e cordéis por aí. Estão parados sem saber quando voltam. O nosso Sarau A Estrada também está de quarentena, e estamos com saudades de todos vocês amigos, mas continuamos produzindo alguma coisa de poesia em vídeo para relaxar e descontrair os companheiros nesses momentos tão difíceis. Nossa mensagem é nesse sentido porque a poesia também é vida, e não de contrariar as medidas de proteção.

Não estou aqui me referindo aos cantores “famosos” dos axés, pagodes, arrochas e lambadas do lixo que engordaram suas panças durante o carnaval e outras festas com o nosso suado dinheiro, e agora estão em suas mansões de luxo, embernados como os ursos polares que se alimentam numa estação e depois se recolhem em suas tocas até a próxima temporada de caça.

Para estes “ídolos” do povo, a mídia televisa faz entrevistas indagando como eles estão vivendo nessa época de crise, quando deveria se dirigir aos artistas que fazem e cantam uma boa música para alegrar aos frequentadores de bares, centros de cultura e casas de shows, que gostam de ouvir uma boa canção. Teve um que respondeu que passava o dia comendo. Quanta ironia! Por que a mídia não indaga como estes artistas de bares estão atravessando essa fase sem ganhar seus mirrados cachês?

Isolamento e a enxurrada de recomendações

Em nosso Brasil de tão profundas desigualdades sociais, de tanta gente carente e doente, de milhões que não sabem lidar com a internet e aplicativos, de mais de 13 milhões de desempregados e necessitados, dos que vivem do subemprego e informais ambulantes, é impossível manter um total isolamento social e mandar que todos fiquem em suas casas.

Os idosos aposentados precisam ir aos bancos para tirar seus proventos, para fazer suas feiras, e agora aqueles outros milhões que precisam sacar a ajuda social do governo federal, sem contar os que procuram um órgão ou entidade para fazer seus cadastramentos no aplicativo e até regularizar seus CPFs na Receita Federal. É difícil deter esse enorme contingente confinado em seus lares e barracos.

É uma realidade bem diferente de países ricos onde, além do econômico, têm outro nível de instrução, e a tecnologia funciona a contento. É verdade que as pessoas precisam manter um distanciamento um do outro nas filas, mas aí entra a questão psicológica e o medo de não ser atendido, ou até aproveitador oportunista passar em sua frente. São tantos os problemas!

Interditar uma agência bancária não pune o banqueiro. Ao contrário, ele se beneficia utilizando o dinheiro do cliente para fazer aplicações no mercado financeiro. Não é como uma casa comercial onde o empresário também perde. Existem nisso tudo muitas medidas feitas de modo atabalhoadas.

Outra coisa que venho observando são as enxurradas de recomendações vindas de epidemiologistas, infectologistas e médicos de vários naipes e instituições (antes condenavam a cloroquine e agora muitos receitam),  que terminam deixando muita gente ainda mais confusa, pirada e em pânico. Não entro nessa pandemia de recomendações, mas não vou me descuidar e deixar de preparar bem o meu corpo e minha mente, sem medo.

Generalizaram todos os idosos por faixa etária acima de 60 anos como grupo de risco, quando existem milhares em condições bem mais saudáveis que muitos abaixo dessa idade que têm doenças crônicas complicadas. Aí, a mídia fica o tempo todo só apontando os idosos que vão às ruas resolver problemas inadiáveis. Criou-se uma discriminação geral, e só falta criarem campos de concentração.

Outra coisa agora inventada pela grande mídia e fazer seu marketing para homenagear aqueles que continuam trabalhando em atividades fora da medicina. Estes deveriam até agradecer porque ainda estão ganhando uma grana para seus sustentos e de suas famílias. E os que estão totalmente fora do mercado, sem nenhuma condição financeira? Por que não entrevistar essa categoria para ver como essas pessoas estão vivendo? É sempre a mídia fazendo sua média. Muitos podem até não concordar comigo, mas procuro ser lógico e racional. Não engulo tudo que me mandam.

 

O ANO PERDIDO QUE NOS SEPAROU, O SÃO JOÃO E O DIA DO JORNALISTA

As imagens televisivas que correm o mundo mais parecem cenas de filmes de ficção apocalípticas no ano perdido que nos separou do convívio entre as pessoas, principalmente as mais próximas, amigas e até parentes. Não sabemos até quando tudo isso vai continuar, quando ainda os especialistas da saúde e cientistas falam em picos e milhões que podem ser contaminados.

Os noticiários, muitos deles até exagerados e sensacionalistas, as fake news, muitas das quais carregadas de intrigas políticas no Brasil, e toda essa gente mascarada em silêncio, de passos lentos, mantendo distância, fazem milhares penetrarem na sombra do medo, do pânico e do terror, quando é um grande mal para a mente.

Exercite a mente

Tanto quanto os cuidados com o corpo, ou até mais ainda, nessa crise de pandemia, a mente sadia, preparada e equilibrada é essencial para enfrentar esse quadro tão adverso da humanidade. Acredito que a leitura é um dos remédios que qualquer médico e psicanalista recomendariam.

Muitos entram em ansiedade e passam os dias em casa clicando redes sociais, ligados na televisão, ou comendo para passar o tempo (quem tem o que comer), o que piora mais ainda o estado geral. Outros poucos aproveitam para ler, escrever, realizar uma atividade física ou exercitar a sua arte, o que é benéfico para fortalecer o espírito e o organismo.

A situação mais grave ainda é dos pobres das periferias, dos informais, desempregados, ambulantes e trabalhadores temporários que têm que se preocupar com a questão da falta de dinheiro e com a possibilidade de serem também contaminados. São os mais vulneráveis que pedem um socorro urgente. Aliás, em qualquer tragédia humanas, são as maiores vítimas.

Não consigo entender como numa ocasião tão grave como esta, tem gente interesseira para se aparecer na mídia quando faz uma doação, e oportunistas para cometer fraudes, falsificações, passar fake news, aumentar preços dos produtos essenciais e furtar dos mais carentes.

Um grupo se juntou na BR-116 para doar quentinhas para os caminhoneiros. Não que seja contra, mas esta ação teria mais valia se fosse revertida para aqueles que estão, de verdade, passando fome porque perderam suas atividades informais do ganha pão. O caminhoneiro tem o seu valor nesse momento, mas está ganhando seu dinheiro e tem muitas condições de se virar. Não seria querer se aparecer demais? É a minha opinião. Enquanto isso, os governantes falastrões e demagogos cruzam os braços.

Sem o nosso São João

De um assunto para outro, mas dentro da mesma abordagem, talvez na história do Nordeste, onde a festa é bem mais forte, este ano seja o único em que não haverá o São João, tão esperado pela grande maioria que ama o evento, para brincar, dançar, soltar fogos, acender fogueiras, tomar quentão e licores, curtir as quadrilhas e ouvir o forró pé de serra numa autêntica sanfona, zabumba e triângulo.

Como vão ficar as maiores cidades de Campina Grande, Caruaru, Aracaju, em Sergipe, e as cidades baianas de Piritiba, Amargosa, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Alagoinhas e tantas outras que passam o ano todo se preparando para receber multidões de vários lugares, até do estrangeiro? É uma pena, mas tudo leva a crer que não teremos a tão sonhada festa do ano!

Eu mesmo vou ficar com muitas saudades, porque todos os anos sempre estou no aconchego da minha querida Piritiba, como amigos (olá Wilson Aragão) e parentes tomando umas geladas, uma cachacinha e comendo aquelas deliciosas comidas nas casas de Roquinho, Róssia, Diltão, João Rico e Leucia (olha aí a farofa d´água). Depois era só seguir o caminho da Praça Getúlio Vargas para forrozar.

O Dia do Jornalista

Para finalizar, o 7 de abril foi o Dia do Jornalista e, para não variar, nenhum veículo de comunicação tocou no assunto, ou fez qualquer referência à data. Em 50 anos de profissão, não tenho nenhum receio de dizer que não tenho nada a comemorar. Primeiro, o Supremo Tribunal Federal tirou a obrigatoriedade do diploma, e até o governo de esquerda tentou amordaçar a imprensa.

Agora veio o capitão-presidente para desclassificar os profissionais com seus xingamentos e preconceitos, esse mesmo fantoche e marionete dos generais, que deixou o pais sem comando nessa crise. Derrubou até a exigência do registro, e hoje qualquer um é jornalista, basta fazer uns textos vagabundos e cheios de erros nas redes sociais.

Infelizmente, nosso sindicato e a Federação Nacional dos Jornalistas entraram em decadência. Podem não concordar com minha opinião, mas é o que sinto. A profissão é nobre e fundamental para a democracia, mas não se faz mais jornalismo como antigamente.

Aqui em Vitória da Conquista, a mídia deixa muito a desejar, com matérias copiadas, requentadas, incompletas e mal elaboradas, mesmo depois da criação da Faculdade de Comunicação em Jornalismo pela Uesb –Universidade Estadual do Sudoeste, em 1998, que muito contribui para seu fortalecimento, quando era diretor e vice-presidente do Sindicato.  Desculpem a sinceridade!

 

 

 

“JANGO E EU” – AS AGITAÇÕES POLÍTICAS NO URUGUAI E SUA IDA PARA ARGENTINA ONDE MORREU (FINAL)

No início de 1970 as reuniões de estudantes no Uruguai eram mais politizadas. O processo de americanização estava bem acelerado. João Vicente já tinha uns 14 anos quando foi a Porto Alegre para o enterro do seu tio Moura do Valle.

Lembra que no Uruguai, as agitações políticas começaram após a morte de Che Guevara, em 1967, na Bolívia. Pelas ruas de Montevidéu já circulavam os tupamaros, contrários aos partidos de direita, como os colorados e os blancos. Os tupamaros começaram a agir na década de 60, inspirados em uma esquerda trotskista, maoísta e socialista. Alguns também foram influenciados pela revolução cubana de 1959. A presença de Guevarra, em 1961, na Universidad de la República, despertou mudanças nos jovens. Jango chegou a conhecer Guevara na base militar Irkutsk, na União Soviética.

As atividades clandestinas no Uruguai começaram no início dos anos 70, durante a presidência de Pacheco Areco, No país, os tupamaros desenvolveram a mais perfeita técnica de guerrilha urbana, com roubos e ataques a entidades de direita. A organização chegou a contar com 10 mil membros, conquistando a simpatia popular.

João Vicente lembra do seu companheiro de prisão Nacho Ignacio Grieco. Em 1970, a luta armada havia tomado dimensões maiores, com apoio estudantil. Pacheco Areco transferiu o combate aos subversivos para as forças armadas. Nesse ano, Vicente ele conheceu Stella com quem se casou em maio de 1976.

Em 1971, o Uruguai já vivia um ano pré-eleitoral e Pacheco Areco governava com medidas de segurança, As eleições foram realizadas numa linha de tensões. O principal adversário de Areco, do Colorado, era Wilson Ferreira Aldunate, do Partido Nacional, que contava com a simpatia das esquerdas, que lançaram o general Líber Seregni. Nas eleições, houve mais votos que eleitores. Com a fraude (apoio da ditadura brasileira através de Geisel), Wilson perdeu para Bordaberry, que depois tomou um pé na bunda dos militares. Aldunate se exilou na Espanha.

Na França em 1972, Glauber e eleições no Uruguai

João Vicente retornaria a França com seu pai em 1972 para refazer os exames, ano em que houve novas eleições uruguaias. Jango foi a França por precaução. Aproveitou para retomar os contatos com alguns brasileiros, como Celso Furtado, Luiz Hildebrando, um grande cientista que chefiou a equipe do Instituto Pasteur, Márcio Moreira Alves, Maurílio Ferreira Lima, Glauber Rocha, Hermano Alves e David Lerner. Comentou também sobre Luis Salmerón, diretor do Instituto de Energia Atômica da França, e tantos outros que deixaram o Brasil.

O governo brasileiro estava numa fase de repressão violenta, com a censura à imprensa, e Médici fazia-se de popular nos estádios com o “milagre brasileiro”, e Delfim adotava a política da economia crescer para depois dividir o bolo, o que nunca aconteceu. Celso Furtado lecionava na Sorbone e tinha saudades do seu sertão da Paraíba. A dívida externa brasileira era de 10 bilhões de dólares. A inflação chegava a 68%. Esperava-se o retorno de Perón e as eleições no Chile, com Salvador Allende.

Num restaurante, em Paris, na Champs-Elysés, Jango encontra com Glauber e David Lerner numa mesa animada. Glauber se dirigiu a Jango com afeto dizendo que “agora vamos encontrar uma solução para derrubar os milicos. Vamos incendiar o caminho deles”. Revelou que estava com vontade de escrever sua primeira peça de teatro e inauguraria o repertório com Jango.

Disse ser uma peça em três atos, numa mistura da história com os personagens, a comoção política e a mudança revolucionária. O terceiro ato seria “teu velório e o povo comendo teu cadáver”. De fato, a peça foi escrita por Glauber, que chamou João Vicente para um canto e o convidou para ir para a Itália onde estava filmando, mas o pai não deixou. Em 1972, Glauber ainda passou em Punta del Este para visitar Jango, e de lá para Cuba. Em 1974 houve outro encontro com Glauber na França.

Quando Jango e seu filho retornaram ao hotel, por volta das dez da noite, tocou o telefone informando que Glauber estava no bar do hotel com algumas convidadas, entre elas Norma Bengell e outras fãs do presidente. Glauber estava muito eufórico, e Jango acreditava nele como um artista intelectual que poderia influenciar uma transformação política e cultural no Brasil.

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