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UMA LEGISLAÇÃO DESIGUAL E INJUSTA
Volto aqui a bater na mesma tecla quanto a necessidade urgente de uma ampla reforma política para colocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento e até extirpar do nosso convívio o câncer da corrupção. A atual legislação eleitoral é desigual, desleal e sempre protege os mais fortes e àqueles que usam a máquina do poder para se reelegerem.
Uma situação bem discrepante é com relação ao tempo de propagando nas redes de televisão e rádio, onde os partidos de maior representação ocupam um espaço bem superior aos pequenos. Pode até haver uma lógica matemática nisso, mas não é justo, porque o tempo é pago pelo contribuinte e o bolo deveria ser dividido em partes iguais, não importando o tamanho da legenda.
ELEIÇÕES E AS DESIGUALDADES SOCIAIS
Eu comparo a propaganda eleitoral no Brasil nas emissoras com o quadro de profundas desigualdades sociais onde o país desponta como o campeão no mundo nesse aspecto. Com essa desproporção absurda, como um candidato sério e competente de boas intenções de um partido pequeno pode disputar uma eleição com outro grande, ou com aquele que já está no poder e usa o aparelho público a seu favor? Este é mais um fator para que não haja mudanças na política, e a nossa democracia continue sem a solidez desejada por todos.
Alguém aí pode dizer que existe um monte de partidos desnecessários no Brasil, um número muito excessivo que pode ser cortado pela metade, ou mais que isso. Concordo plenamente, e isso pode ser feito através de uma reforma política, como já me referi em outras ocasiões. Apenas afirmo que um erro não justifica o outro. No conjunto, o sistema imposto é imoral e favorece as artimanhas da corrupção no caixa 2 e outros malfeitos.
Como nas outras, esta desigualdade ocorre na eleição para prefeito e para o legislativo também, no caso específico das câmaras de vereadores, onde praticamente os mesmos continuam sendo reeleitos por muitos anos (parlamentares já estão lá por mais de 30 anos), com uma Casa velha, ultrapassada e sem a devida representatividade, como acontece em Vitória da Conquista.
AS LIVES NÃO SÃO BEM APROVEITADAS
Com a pandemia da Covid-19, nasceram as lives como mais uma forma de comunicação entre as pessoas isoladas, e também usadas para reuniões de trabalho, seminários e debates de uma maneira geral. Como outros meios de interação da internet, acontece que este instrumento não tem sido bem aproveitado como deveria, levando a certas banalizações. Como diz um amigo meu de Fortaleza (Ceará) a live é uma coagem e muitas saem com ruídos no áudio, sem contar que virou uma mania.
Mesmo assim, a live é bem mais autêntica nas entrevistas jornalística porque o entrevistado está mostrando sua cara, diferente das coberturas por e-mail (caiu em desuso) e pelas redes sociais. Não há dúvida que é mais uma maneira de evitar o contato pessoal diante da possível contaminação pelo coronavírus.
Nestas eleições, as lives viraram uma febre como meio do candidato se apresentar para seu público, mas a grande maioria termina sendo cansativa, enfadonha e monótona por ser longa demais, com temas mais de ordem nacional do que regional. Com isso, cai o interesse do participante internauta, visto que a grande maioria prefere ficar navegando de canal em canal de site em site e de foco em foca.
O eleitor local, como no caso particular de Vitória da Conquista, quer ouvir propostas para sua cidade, e o que o candidato pretende fazer se for eleito, tanto no caso do legislativo, como do poder executivo. No lugar disso, a maioria ideologiza demasiadamente os temas, e passa o tempo fazendo críticas aos seus adversários de partido.
Faltam nas lives, mais foco e objetividade nas discussões. Muitos, com suas vaidades, procuram mais exibir seus conhecimentos teóricos que ninguém está a fim de ouvir. Um candidato a vereador, por exemplo, deve se centrar no seu papel fundamental como legislador e fiscalizador do executivo, e não ficar divagando em ações de competência da prefeitura.
Assuntos como projetos de lei para a cidade, a realidade da nossa Câmara como representante da comunidade, seu nível de conteúdo e as principais prioridades da cidade são pouco focalizados. A discussão tem que ser, exclusivamente, em torno dos nossos problemas locais, no sentido de que haja mais atração e interação do público pela live.
VALE TUDO POR MAIS QUATRO ANOS
Carlos A. González – jornalista
Parabéns, prefeito! Vitória da Conquista – na verdade, sua administração – acaba de ganhar mais uma medalha (de latão), ao ser incluído entre os quatro municípios – os outros são Indaiatuba (SP), Uberaba (MG) e Fortaleza (CE) – que apresentam os índices de contaminação da covid – 19 mais altos do país. A possibilidade de ficar mais quatro anos num emprego agradável transportou Herzem Gusmão para outra galáxia, onde todos gozam de ótima saúde. Esse mimo também é cobiçado por 295 gestores dos 417 municípios baianos. Entre os mais de 500 mil – um recorde – candidatos a vereador, 80% deles buscam um novo mandato, ou seja, continuar na “doce vida”
O quê há de comum entre Donald Trump, Jair Bolsonaro e Herzem Gusmão? Pergunta fácil: todos eles priorizaram, neste trágico ano de 2020, o instituto da reeleição, hoje condenado, no Brasil, pelo seu mentor intelectual, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Simplesmente, não deram o suporte necessário para o combate ao vírus, que facilmente se propagou, tirando a vida de milhares de brasileiros e norte-americanos.
Os dois presidentes e o prefeito criaram uma espécie de corrente, cada um usando métodos diferentes, mas com o objetivo de se manterem no poder. Os elos desse grilhão, que une Washington, Brasília e Vitória da Conquista, só podem ser quebrados pelos eleitores, utilizando a força do voto.
Herzem Gusmão, o elo mais frágil dessa corrente, cometeu nos últimos nove meses o erro de acompanhar os passos do presidente Bolsonaro no enfrentamento da crise sanitária, privilegiando a economia em prejuízo da saúde da população mais pobre. Liberou totalmente as atividades comerciais, mostrando, claramente, que estava agindo em benefício do seu eleitorado: o empresariado, que pôs uma das suas lideranças, a presidente da CDL local, na chapa situacionista.
Nesses oito meses de dor e sofrimento, Estado e município travaram uma guerra de palavras, que já é do conhecimento de todos. A última batalha se deu há poucos dias. Diante das taxas de transmissão do vírus em Conquista, superiores às do Estado, o secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas manifestou sua preocupação, declarando que “é lamentável que o prefeito não tome nenhuma providência para combater o coronavírus. A cidade está abandonada do ponto de vista de dosagem. Nós temos oferecido o RT-PCR (método usado para detectar o vírus) para utilização em toda a região, mas a prefeitura não tem feito a parte dela”.
A prefeitura não respondeu até o momento. Também tem se mantido em silêncio sobre a vacina, não acompanhando o presidente Balsonaro na sua caótica condução da emergência sanitária. Há poucos meses Herzem se deixou levar por decisões ilusórias vindas do Planalto: incentivo às aglomerações, críticas ao uso de máscara, negação ao distanciamento social e prescrição da cloroquina, medicamento que abarrota o almoxarifado municipal.
Nesse afã de permanecer no poder, Herzem cometeu deslizes, punidos com multas pela Justiça Eleitoral, entrou em rota de colisão com os professores da rede municipal, que ameaçam denunciá-lo à Organização Internacional do Trabalho (OIT). Por fim, foi acusado de estar usando a estrutura do Hospital Esaú Matos em troca de votos
“O trabalho deve continuar”. O slogan da campanha da chapa situacionista tem levado moradores da periferia e da zona rural a perguntar: “Que trabalho?”. Convivendo com a poeira e a lama, eles reclamam do fechamento de escolas, da falta de médicos e medicamentos nos postos de saúde, da ausência de saneamento básico, do transporte coletivo inconstante. Quando muito, com a chancela de algum vereador, a rua do desvalido ganha um maldito quebra-mola, uma praga que se alastra por toda a cidade.
Revolta da Vacina
Trinta mortos, 110 feridos, 945 presos na Ilha das Cobras e 461 deportados para o longínquo Acre. Este foi o saldo da Revolta da Vacina, um motim popular ocorrido no Rio de Janeiro entre 10 e 16 de novembro de 1904. Um grupo de militares do Exército tentou se aproveitar do clima de anarquia para invadir o Palácio do Catete, sede do governo federal, sendo repelido pelas tropas leais ao presidente Rodrigues Alves (1848-1919).
A rebelião foi associada à obrigatoriedade da imunização contra a varíola, a peste bubônica e a febre amarela, doenças infecciosas, causa das mortes dos moradores das áreas mais pobres do Rio. Os insurgentes e negativistas interpretaram o ato imperativo presidencial, executado pelo sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), como uma invasão de privacidade.
Estamos vivenciando hoje uma conjuntura parecida com a de 1904, com variantes diferentes. No começo do século passado o Brasil era governado por um estadista, um líder político, que exerceu seu mandato, segundo os historiadores, sem a influência de partidos e ideologias. A firmeza de caráter de Rodrigues Alves não é uma característica dos políticos atuais.
Os que não aprovam a vacinação, obrigatória ou não, contra a Covid-19, são os ideólogos do fascismo, devotos de Jair Bolsonaro. São os insanos que manifestam nas redes sociais a repulsa a tudo que vem da China, inclusive a vacina, ignorando que o país asiático é o maior comprador do que produzimos.
Quando 160 mil brasileiros já morreram, vítimas do coronavírus, pesquisa feita pela revista científica Nature revela que 83% dos brasileiros aguardam ansiosos a chegada de uma vacina, independente do país fabricante.
O Brasil é uma referência mundial em imunização. O Instituto Butantã e a Fundação Oswaldo Cruz, responsáveis pelos programas de testes, gozam da confiança da maioria da população. Anualmente, os dois respeitáveis laboratórios produzem mais de 300 milhões de doses de vacinas contra dezenas de doenças.
O primeiro rompimento na corrente deve acontecer no próximo dia 3, quando será conhecido o futuro presidente dos Estados Unidos. As pesquisas mostram uma ligeira vantagem do democrata Joe Biden. O sistema eleitoral americano é complexo, porque nem sempre o voto popular prevalece sobre dos delegados democratas e republicanos – no pleito de 2016, líder em todas as pesquisas, Hillary Clinton, com 3 milhões de votos a mais, perdeu para Trump.
COMO A MÍDIA NUTRE OS BRUTOS EXTERMINADORES DO NOSSO FUTURO
O politicamente correto (uma linha ilusória e subjetiva) e as ações humanistas do bem não têm tanto espaço na mídia como as declarações dos brutos exterminadores do futuro quando mostram suas garras contra o meio ambiente, contra as conquistas da igualdade de gênero e raça e, de um modo geral, descarregam suas raivas homofóbicas, xenófobas e racistas, incitando a violência e atentando contra a vida.
Para estarem sempre em evidência, usando a controvérsia, os extremistas de plantão, como o Trump e seu filhote no Brasil, só para se situar nesses exemplos, usam diariamente as ferramentas dos veículos de comunicação (redes sociais, jornais, rádios e televisão) para permanecerem sempre visíveis e ganhar notoriedade popular. O mal tornou-se alimento principal dos brutos porque sabem que serão bem mais recompensados e chamam mais a atenção andando na contramão.
MAIS QUESTIONADORA
A mídia precisa ser muito mais questionadora em suas publicações, principalmente nesta era dos ultraconservadores onde muitas nações, através de seus representantes totalitários, optaram em adotar posições retrógradas, como ocorreu recentemente com a declaração extremista de países (o Brasil participou da lista junto com os Estados Unidos), mostrando suas presas homofóbicas em nome da família, da pátria e da vida.
Com seus factoides e mentiras, que vão se tornando verdade para o povo, Donald Trump comanda o extremismo e bate de frente contra a imprensa porque sabe que, com suas polêmicas, é evidência cotidiana confirmada e tem seus dividendos com mais acompanhantes, admiradores e apoiadores. Com suas atitudes masoquistas, sempre estão com suas tiradas tiranas contra a humanidade.
O Brasil tem o seu representante que reza em sua cartilha, desprezando o meio ambiente, tratando a Covid-19 como uma “gripezinha”, ideologizando a vacina e até incitando o povo para não a tomar. Ele segue o mesmo método bruto de xingar a imprensa e os jornalistas, até com ameaças veladas, para histerismo de seus seguidores da morte. E assim ele vai ganhando seu espaço na galeria dos estúpidos, soltando seus petardos em nome da “família, da vida e da pátria”.
São os exterminadores do futuro que vão conquistando seus avanços, dizendo para seus povos que esse é o caminho correto de uma boa moral, a qual para eles está degradada, mesmo discriminando, cortando direitos humanos, oprimindo, censurando a liberdade de expressão, destilando ódio contra os homossexuais, negros e todos aqueles seus contestadores, chamando-os de esquerdistas comunistas e inimigos da pátria. A estratégia deles é sempre estarem expostos na mídia, como o cara valente e corajoso que diz a “verdade”. Mas, qual mesmo a verdade?
CRIMES CONTRA A HUMANIDADE
Como influenciadora e formadora de opinião (também pode deformar), a mídia tem seus grandes pecados, porque falta ao povo em geral, consciência política e discernimento de separar o joio do trigo. O povo gosta do que conhece, mas gosta também daquilo que é desconhecido e que é bom. Faça um show de boas músicas de conteúdo e melodia e o povo vai apreciar.
No caso do Pelé, a mídia o trata como o super-herói da nação, afirmando que todos devem seguir seu exemplo, mas não mostra seu outro lado que chegou a renegar seus filhos com negras, e ainda apoiou a ditadura, só para não ir mais além no que tange ao seu comportamento como pessoa. Agora vem ai as homenagens a Maradona, e ela (a mídia) é capaz de pontuar que ele serve de exemplo para todos nós.
Ele, o Pelé, pode até ser considerado como um dos maiores esportistas do futebol mundial de todos os tempos (é questionável), mas não pode servir de exemplo para nossos jovens, para essa nova geração. Melhor seria ficar apenas com o Pelé, só como jogador. Este é só um exemplo, mas existem outros milhares que a mídia sai por aí criando como falsos heróis, reis, rainhas e príncipes. A música de péssima qualidade, a que deve mesmo ir para o lixo, tem várias personagens que são endeusados pela mídia.
No campo político, estamos diante de fatos estarrecedores de governantes que estão cometendo crimes contra a humanidade, com a complacência de uma grande parte da mídia que falha em seu papel de responsabilidade em criticar, denunciar, explicar, condenar e questionar. Não se pode ficar apenas no campo do factual, como se fosse apenas a divulgação de um boletim de ocorrência. A mídia precisa ser menos superficial e ter mais conteúdo.
No lugar de construir, de respeitar e valorizar a pessoa humana, de proteger a natureza e a vida, de amenizar a violência e combater a intolerância, o que temos como governantes são verdadeiros exterminadores do nosso futuro, do nossos filhos e netos. O bombardeio de palavras e declarações malignas é forte, e eles não tiram férias, crescendo o número de seguidores, enquanto as instituições (nem todas) vacilam em suas posições de protesto e movimentos para aniquilar essa onda de ideias medievais.
AS LÍNGUAS SEMÍTICAS E A AFRO-ASIÁTICA
De acordo com estudiosos, as línguas semíticas formam apenas uma das seis ou mais ramificações de uma família de línguas muito maior que é a afro-asiática, localizadas na África. A própria subfamília semítica é africana (12 de suas 19 línguas sobreviventes estão restritas à Etiópia). As línguas afro-asiáticas surgiram na África.
Segundo o autor do livro “Armas, Germes e Aço”, Jared Diamond, talvez tenham surgido na África as línguas faladas pelos autores do Velho e do Novo Testamento e do Alcorão, os pilares morais da civilização ocidental, com as três maiores religiões cristã, judaica e islã.
SEM LÍNGUAS DISTINTAS
Destaca o cientista que, entre os cinco grupos africanos (negros, brancos, pigmeus, coissãs e indonésio), apenas os pigmeus não têm línguas distintas. O local de suas origens foi tomado por agricultores invasores, cujas línguas foram adotadas por pigmeus sobreviventes. O mesmo ocorreu com os negritos malaios e filipinos, que adotaram línguas austro-asiáticas e austronésia.
Muitos falantes dessas línguas, conforme seus estudos, foram subjugados por falantes das línguas afro-asiática, ou nigero-congoleses. As coissãs ficaram restritas à África meridional. Os coissãs e suas línguas, antes espalhados no extremo norte de sua atual distribuição na África, assim como os pigmeus, foram também subjugados pelos negros e deixaram legados apenas linguísticos de suas presenças.
A família linguística nigero-congolesa está em toda África Ocidental e pela maior parte da África subequatorial, não oferecendo nenhum indício do lugar onde a família se originou. No entanto, um pesquisador reconheceu que todas as línguas nigero-congolesas da África subequatorial pertencem a um único subgrupo chamado de banto, que abrange quase a metade das 1.032 línguas nigero-congolesa e mais da metade de seus falantes.
As línguas bantas mais características, e as não bantas acumulam-se na área de Camarões e da Nigéria Oriental. Todos esses dialetos ingleses, na concepção de Diamond, foram apenas um subgrupo de ordem inferior da família de línguas germânicas. Os demais subgrupos (escandinavas, alemãs e holandesa) aglomeram-se no noroeste da Europa. O inglês surgiu dessa localidade, e de lá espalhou-se pelo mundo.
Registros históricos dão conta que o inglês foi realmente levado de lá para a Inglaterra por invasores anglo-saxões nos séculos V e VI. Nessa linha de raciocínio, os quase 200 milhões de bantos, praticamente expulsos do mapa da África, surgiram em Camarões e na Nigéria. No passado, a área ocupada por pigmeus e coissãs era bem mais ampla, até serem dominados pelos negros.
QUANDO OS EUROPEUS CHEGARAM
A produção de alimentos resultou em altas densidades demográficas, germes, tecnologia, organização política e outros ingredientes do poder. Quando os europeus chegaram à África subsaariana, nos anos 1400, os africanos estavam desenvolvendo cinco grupos de culturas agrícolas, cada qual cheia de significados para a história desse povo.
NAS ASAS DO POETA
ESTE É UM TEXTO EM HOMENAGEM AO POETA QUE TEVE SEU DIA NESTA SEMANA, MAS, INFELIZMENTE, NEM FOI LEMBRADO. CORTARAM AS ASAS DA CULTURA PARA ELA VOAR BEM BAIXO, COMO A GALINHA E A NAMBU. O COMNETÁRIO FAZ PARTE DO LIVRO “ANDANÇAS”, DE AUTORIA DO JORNALISTA E ESCRITOR JEREMIAS MACÁRIO, E PODE SER ENCONTRADO NA LIVRARIA NOBEL, NA BANCA CENTRAL OU DIRETAMENTE NA MÃO DO AUTOR.
O poeta dá sentido às coisas que somente poucos têm capacidade de ver. Tira leite da pedra e transforma um grão de areia numa bela praia de mulheres nuas. Não se contenta com o limite da linha. Quer o universo. Para ele, não existe finito. Saboreia toda essência do fruto. Viola e violenta, com suavidade e delicadeza. Penetra nos porões do misterioso e visita todos seus cômodos secretos.
O poeta é um intruso do real e do abstrato. É domador do tempo e metafísico do concreto. Transforma o subjetivo em objetivo. É o mestre da alquimia e da magia. Sua musa é bela, vestida de camponesa, ou como nobreza. Sabe como deixar uma alma nua. É o arquiteto da régua e do compasso das palavras. Sua missão é viajar nas asas da alegoria e da tristeza. Viaja nas metáforas e revela o invisível.
É o repórter das parábolas. Sabe unir conflitos e harmonia num só cesto. O poeta não deve falar para dentro, nem ser um estranho. Sua poesia tem que ser estridente e, ao mesmo tempo, compreendida pela mente. Tem que atrair, ser social, mesmo lírica, e tocar no espírito do enigmático. O bom poeta é afinado como o “trinca-ferro” que empresta sua melodia para a viola temperar.
POR ONDE VIVE O POETA?
Como e onde vive o poeta de hoje? Falam por aí que respira o gás carbônico e é internauta. Não mete mais os pés no orvalho do sereno da manhã, nem vai ao curral tomar leite no peito das vacas. Não é mais telúrico. O poeta de hoje se empanturra de enlatados. Come fios de aço. Não fala mais do boi puxando o arado, nem da mão que colhe e lavra. É do tempo da máquina que revira o chão com a navalha e engole de uma vez a safra. Não tem mais o ritmo nos pés da cantoria, para debulhar o feijão seco até o clarear do dia. Não tem tinteiro, nem desliza mais sua pena no papel. Conduz as letras no visor feiticeiro da tecnologia.
Nas calçadas indiferentes, está distante do luar rasgando a serra por entre as matas, que leva o caipira pelas veredas de prata. Ao amanhecer, não tem mais em sua mesa a canjica, a abóbora e o cuscuz de milho verde com leite do pasto. Milho do plantio de São José posto em toalha feita pelas rendeiras. Poeta de hoje come empacotado e vive no trânsito engarrafado.
Como não se lembrar das prosas e dos causos de final de tarde dos homens enfadados e suados do campo! Os meninos brincando de esconde-esconde, bambolê, pula-corda, chicotinho-queimado, baleado, cabra-cega, bola-de-gude, pião, boca-de-forno, atirei o pau no gato e cirandas no terreiro da casa e nas ruas das cidades pacatas!
A BORBOLETA DO POETA
É minha borboleta! Só o poeta tem a magia de imortalizar o passado; dar vida e vivê-la, intensamente. Ele pode voltar ao túnel do tempo e nele se fartar. O ser está sendo esmagado pela hegemonia do pensamento. O conceito subjetivo tem sua marca genética. O culto ao corpo, imagem de adoração, está hipnotizando e debilitando o espírito. São vários os deuses nossos de cada dia. No templo da falsa felicidade do consumismo, as cortinas da mídia se abrem para a livre idolatria no altar das oferendas. Ajoelhamos para venerar os bezerros de ouro. Num ato mecânico, o Natal virou comilança e troca de presentes.
A criatura tenta assumir o lugar do criador e acha que pode criar a si mesmo. Predominam as doses de serotonina e o humor da dopamina. O ácido das drogas dopa o neurotransmissor. A endorfina está em baixa. Quando o cara faz uma “Pós”, ou um “PHD” acha-se dono da verdade e se enrosca em teorias e códigos. Fala difícil para um círculo fechado. Sempre é glorificado. É só ter fama para sua frase ser registrada e propagada. O famoso nunca diz bobagens. Se não tiver sentido, se arranja, e ai de quem questionar. Seus versos são sempre “profundos”. O pó vira ouro. A piada da praça tem graça.
Oh borboleta! Quando era menino, parava para admirar seu bailado nos campos floridos. Pousava e levantava vôo ao sutil movimento de alguém por perto. Difícil tê-la nas mãos. Leve como uma pétala de rosa, vai e volta, caindo e ondulando no sopro criador da corrente de ar. Encantadora e bela como o colibri. Eu corria entre as cores das asas da inocente imaginação. Espantava e não conseguia entender seu amor sincero para com a flor. O perfume era tudo para fecundar a vida.
OS 40 ANOS DO “CRISTO CRUCIFICADO”
Carlos A. González – jornalista
No meio da terra árida, com pouca vegetação, ergue-se, magnificente, o Monumento ao Cristo Crucificado, a primeira imagem que surge aos olhos do viajante que está chegando a Vitória da Conquista pela BR-116 (Rio-Bahia interiorana). Erguida na Serra de Periperi, ponto mais alto da cidade, a obra do artista plástico Mário Cravo Júnior (1923-2018), contou com apoio logístico e financeiro da Construtora Odebrecht e da Prefeitura Municipal. Inaugurada em 9 de novembro de 1980, a escultura “contempla” a cidade que cresce, sócio e economicamente, sob seus pés. Desassistida, “lastima”, porque nada foi feito no seu entorno nesses 40 anos.
O “Cristo de Mário Cravo”, como é conhecido pelos moradores de Vitória da Conquista, retrata nos traços do rosto o sofrimento do homem do sertão nordestino, castigado pelo sol, na sua luta permanente contra a seca.
A imagem, esculpida em fibra de vidro, reforçada internamente com estrutura metálica de tubos galvanizados e aço inoxidável, tem 17 metros (a mesma altura do Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, que está fixado a um pedestal mais alto) e 13 metros de largura. A pilastra de apoio e a cruz são de concreto armado. O principal cartão-postal de Vitória da Conquista, considerada como a maior estátua no mundo de um Cristo pregado na cruz, tem 33 metros de altura, e está situada numa altitude de 1.110 metros.
As primeiras conversas entre a administração municipal, na pessoa do prefeito Pedral Sampaio (1925-2014), e Mário Cravo Júnior, datam de 1963, motivadas pelas reclamações das pessoas que tinham o hábito de subir a serra todos os anos, através de trilhas abertas no mato. Os romeiros cobravam do gestor a recuperação de um velho cruzeiro, diante do qual se reuniam para fazer seus pedidos e orações.
Antes de ser deposto no ano seguinte pela ditadura militar, Pedral mostrou interesse em erguer, na Serra de Periperi, um símbolo cristão, em substituição ao Velho Cruzeiro, transformando, ao mesmo tempo o local numa área urbanizada, dedicada ao turismo religioso. Uma das pessoas consultadas pelo prefeito foi o então vereador Raul Ferraz, que julgou o projeto modesto (uma cruz com 10 metros de altura), sugerindo a construção de “algo impactante, que pudesse ser visto de qualquer ponto da cidade”.
Dezessete anos depois Mário Cravo voltou a Conquista para dar continuidade à conversa com a prefeitura, sob a gestão de Raul Ferraz, que havia recrutado Pedral, nomeando-o secretário de Obras. O “Cristo Crucificado” foi relacionado entre as prioridades do governo. Por sugestão do prefeito, o monumento teria as mesmas dimensões da escultura erguida no Morro do Corcovado, no Rio. Nesse sentido, foi contratado o engenheiro calculista estrutural Augusto Franklin Ferraz. O local escolhido, apesar de bastante rústico, é o ponto mais alto da serra, de frente para a Rio-Bahia, de onde pode ser visto.
A grandiosidade da obra exigia uma base de sustentação capaz de garantir a segurança da imensa cruz e a imagem do Cristo, expostas aos ventos, tempestades e raios solares, “por muitos anos ou séculos”, afirmou Ferraz, revelando que o pedestal, “a parte “invisível” do trabalho, foi a de maior desembolso para a prefeitura”. O contrato com Mário Cravo foi assinado em maio de 1980, mas a base de apoio começou a ser construída em 9 novembro de 1979, com o lançamento da pedra fundamental, ato que foi acompanhado por uma multidão.
O preço total dos serviços, objeto do contrato firmado entre as partes, foi fixado em 2,8 milhões de cruzeiros (moeda da época), dividido em quatro parcelas, sendo a última em 30 de outubro, na entrega da escultura.
O município se comprometeu a fornecer torres metálicas para içamento da imagem; hospedagem e alimentação para o contratado e dois operários especializados; instalação de quatro refletores no local de trabalho; transporte dentro da cidade; disponibilizar cinco trabalhadores. O autor da obra, segundo o contrato, ficou responsável pelo fornecimento e guarda do material e ferramentas necessários à operação; aos honorários de dois auxiliares qualificados; e com as despesas de viagens a Salvador.
A DECADÊNCIA DA HUMANIDADE
Nessa nossa sociedade superficial e mercadológica, imitadora do sistema capitalista norte-americana, onde o indivíduo é o tempo todo preparado como uma mercadoria para ser negociada no mercado comprador, a nossa humanidade vive tempos de decadência e nulidade do ser, absolutamente visto como um pedaço de carne, com apenas tutano no cérebro.
Estamos vivendo épocas medievais, meu amigo, ou até pior, onde dilapidaram o saber das ciências humanas, coisa vista hoje sem importância, que não serve para nada. Não mais se estuda filosofia, geografia, história, sociologia, e até o nosso português, a língua do Lácio que foi assassinada à sangue frio.
NULO EM CONHECIMENTO GERAL
Para ganhar dinheiro, e ser exclusivamente escravo do trabalho, o cara sai hoje de uma faculdade universitária apenas como técnico em sua área de especialização, como engenheiro, eletricista, mecânico, médico, arquiteto, economista e nulo em matéria de conhecimento geral. Esse estudante jovem é bitolado hoje a aprender apenas como apertar um parafuso, ou fazer uma ligação elétrica.
No campo das ciências humanas, ele não passa de um ignorante, como um analfabeto em história, geografia, filosofia, pedagogia, educação e português. Botaram na cabeça dele que essas disciplinas nada valem para sua vida real. O que importa é o mercado capital para onde ele é vendido por um preço baixo para ser explorado pelo resto de sua existência.
Talvez na falta de conhecimento em matérias humanas esteja a razão e a explicação de tanto ódio, tanta intolerância, tanto preconceito, tanto individualismo, tanto rancor, homofobia, racismo, xenofobia, misoginia e egoísmo em nossa sociedade. Acho que toda essa questão não está na ausência de religião, de um Deus, como muita gente coloca.
Sem o pensar filosófico, a pessoa se torna um conservador extremista e passa a apoiar ideias retrógradas que nos levam ao retrocesso. Somam-se a tudo isso os milhões de analfabetos que são manipulados como massa de manobra e inocentes úteis para os aventureiros de plantão.
As pessoas hoje desconhecem o seu passado histórico, suas origens e o que ocorreu lá atrás com a humanidade. Talvez por isso é que a história está sempre se repetindo, na maioria das vezes, com tantas atrocidades, tiranias e menosprezo pelo o lado humano.
Por que se defende a volta de uma ditadura para o país? Quase ninguém sabe o que houve, e muitos até dizem que ela nunca existiu. Outros deturpam os fatos porque repetem como papagaios o que ouve de outros que dela ignoram. Vitória da Conquista é um exemplo mais próximo. Poucos conhecem a história do seu município. Nada sabem sobre seu passado.
As escolas, as faculdades e as universidades em geral promovem semanas de robótica, de matemática, de engenharia, de mecânica, de inovações tecnológicas e como vender o seu produto, com disputadas acirradas entre os jovens participantes, mas nada se vê de realização de eventos nas áreas de história, de geografia, no ramo do conhecimento humano e nem, tampouco, em português, hoje uma língua corrompida por expressões inglesadas.
NINGUÉM QUER SABER DE FAZER UMA REFORMA POLÍTICA PARA MUDAR O BRASIL
“NÊGO” CORRE DA REFORMA POLÍTICA, “COMO O CÃO CORRE DA CRUZ”.
É até uma contradição e um absurdo, mas no Brasil é a política que emperra o nosso progresso, quando deveria ser a salvação para que o nosso país tomasse outro rumo desenvolvimentista. Com esse sistema arcaico e coronelista, a política tornou-se um ciclo vicioso de perpetuação no poder, de canal para a corrupção, de voto de cabresto, de mentiras e práticas antiéticas.
Por mais paradoxal que seja, a política é o calcanhar de Aquiles do Brasil. As eleições não são uma festa democrática, como deveria. É uma festa caquética e puída que cheira a mofo. É uma carneirada que se dirige à boca de uma urna para votar nos mesmos de sempre, e até em aventureiros da pátria que se cobrem com a pele de falso moralista e nacionalista. Com essa democracia tupiniquim, a eleição nunca vai ser instrumento de mudança.
A MAIS IMPRESCINDÍVEL
Mais do que as reformas administrativas, previdenciárias, tributárias e outras, a da política, não esses remendos que fazem aí, é a mais imprescindível de todas, mas ninguém quer saber de mudar porque tudo concorre para que os mesmos continuem sendo reeleitos e não haja mudanças com pessoas bem-intencionadas.
Do jeito que está, sempre favorecendo os que têm mais “bala na agulha”, essa política sempre vai ser vista como suja, que não vale a pena nela entrar, embora os eleitores se viciaram com essa velha cultura atrasada e tiram também o seu proveito através de seus pedidos de favores, cargos e até de dinheiro.
Vá falar numa reforma política onde se reduza o número de parlamentares no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais que todos partidos dão um “berro” e se unem – esquerda, direita, centro, extrema-direita, conservadores e ultraconservadores – na mesma panela para derrubar a ideia, com argumentos oportunistas que não convencem.
E a escandalosa figura do senador biônico, que persiste até hoje como herança da ditadura? O cara se candidata a senador e escolhe como seu suplente o filho, a mulher, a amante e até a empregada doméstica. Quando ele é morto ou afastado, como o que foi pego agora com dinheiro na cueca, entra o suplente que nunca recebeu nenhum voto. Não é mais uma excrescência?
Vá falar em cortar gastos, indenizações de verbas, emendas parlamentares e limitar o tempo de reeleição para o legislativo em apenas duas vezes no máximo que os políticos no poder fazem um barulho danado para defender que tudo fique como está, sem mudanças. Na verdade, ninguém, ou quase ninguém, pensa no bem do Brasil, mas em si mesmo próprio, e em continuar mamando nas tetas do povo que, infelizmente, aceita o sistema.
Existe deputado e vereador que já está no cargo há mais de 30 anos, e até 40, sendo reeleito em todas as eleições, não por mérito ou capacidade, mas porque usa a máquina, o assistencialismo e o dinheiro como moedas de troca para impedir que um novo candidato entre e tome o seu lugar.
É UMA DISPUTA COVARDE
A concorrência com quem já está lá é desleal, e é até uma covardia a disputa entre o novo e o velho. Para ser justo, as condições teriam que ser iguais em todos os níveis. A maioria dos deputados e vereadores usa os próprios funcionários de suas casas legislativas, de seus gabinetes, para fazerem campanhas. E quem não tem recursos? A verba do Fundo Partidário e Eleitoral fica para os mesmos donos e mandantes dos diretórios nacionais (muitos embolsam a grana), e os regionais recebem uma merreca para fazer uns “santinhos”.
Por sua vez, tem o eleitor que vota no mesmo candidato há 40 anos, como ocorre a olhos vistos em Vitória da Conquista. A política, do jeito que ela é feita, tornou-se uma carreira profissional, e o povo, com toda sua grande mediocridade e pobreza, tem sua parcela de culpa nessa história macabra.
O sistema, no fundo, continua coronelista através da compra do voto, com outros métodos pouco mais sofisticados. Por que a nossa Câmara de Conquista continua pouco representativa, de baixa produtividade, de raros projetos de lei, baixo conteúdo legislativo e muito amém ao poder executivo? Para que 21 vereadores? Conquista não tem uma Câmara à altura da sua cidade, a terceira maior da Bahia com mais de 300 mil habitantes!
Passa eleição e entra eleição, e nada de reforma política para mudar esse quadro vicioso, primitivista e permissivo para a sociedade. Para enganar os bestas e otários, vez por outra fazem umas emendas aqui e acolá, que só fazem proteger a eles mesmos. O velho coronel continua lá sentado em seu trono apodrecido e fedorento, com seu cajado da oligarquia, da plutocracia e da burguesia, desde os tempos do início da República que já começou anciã.
Por que, mesmo correndo risco de vida por causa da pandemia da Covid-19, uma multidão de eleitores se aglomera nas praças para participar e levantar as bandeiras do seu candidato, com tanto fervor, não importando se ele é ladrão e mau gestor?
Há anos, e até séculos, eles (eleitores) foram talhados culturalmente pelo sistema perverso para assim procederem como robôs. Cada vez mais cortam a educação e o saber para que a grande maioria da população continue analfabeta, inculta e ignorante, para que ela vote nos mesmos de sempre. Como diz o ditado, “nêgo” corre da reforma política, “como o cão corre da cruz”.
“COMO A ÁFRICA TORNOU-SE NEGRA”
Os negros são os únicos africanos nativos que a maioria dos americanos conhece, porque eles foram levados em grandes quantidades como escravos para os Estados Unidos. A afirmação é do cientista Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, mas ele deixou de citar o Brasil que também recebeu levas de africanos.
Ele destaca que, mesmo antes da chegada dos colonizadores brancos, a África já não abrigava só negros, mas cinco das seis principais divisões da humanidade, e três delas restringem-se aos nativos da África. Um quarto das línguas do mundo é falado apenas neste continente. Nenhum outro tem esta diversidade.
GEOGRAFIA VARIADA
Em sua pesquisa concluiu que essa diversidade resultou de sua geografia variada e de sua longa pré-história. É o único continente que se estende da zona temperada do norte à do sul. Abrange alguns dos desertos mais secos do mundo (já foi fértil) e tem as maiores florestas tropicais, e as montanhas equatoriais mais altas.
Era habitada por humanos muito antes do que qualquer outro lugar, isto há sete milhões de anos. O Homo Sapiens pode ter surgido lá, onde aconteceu a expansão dos bantos e a colonização indonésia de Madagascar. Até hoje, sua pré-história continua um enigma.
Por volta do ano 1000, a África já abrigava os negros, brancos, pigmeus africanos, coissãs e asiáticos. Uma quantidade maior de brancos e asiáticos vive fora da África. Segundo o autor, juntar pessoas tão diferentes como os zulus, somalis e ibos, sob a classificação única de negros, é ignorar as diferenças entre eles.
A partir de 1400, os negros ocuparam o Saara, a maior área da África meridional e subsaariana. Enquanto os negros americanos de ascendência africana originaram-se, principalmente, da zona litorânea ocidental da África, povos semelhantes ocupavam a África Oriental, ao norte do Sudão e em torno da África do Sul.
Os brancos, entre egípcios, líbios e marroquinos se localizavam na zona litorânea norte da África e o norte do Saara. A maioria dos negros e brancos dependia das atividades agrícolas e pastoris para sobreviver. Os pigmeus são, principalmente, caçadores-coletores que vivem em grupos espalhados pela floresta tropical da África Central, comerciando com agricultores negros vizinhos, ou trabalhando para eles.
Os europeus dizimaram
Dentre os grupos, os dos khois ficaram reduzidos pelos colonos europeus que os dizimaram, expulsaram e infestaram as populações com suas doenças. A maioria dos sobreviventes misturou-se com os europeus, gerando as várias populações conhecidas na África do Sul como de cor mestiça. Os sans também foram mortos, expulsos e infectados, mas uma pequena quantidade preservou suas características em áreas desertas da Namíbia, impróprias para a agricultura, como foi mostrado no filme “Os Deuses Devem Estar Loucos”.
A atual fragmentação dos pigmeus, em torno de 200 mil, espalhados entre 120 milhões de negros, sugere que os caçadores viveram espalhados pelas florestas equatoriais até serem expulsos e isolados com a chegada dos agricultores negros. A grande ilha de Madagascar fica a pouco mais de 400 quilômetros da costa africana oriental, muito mais para a África do que qualquer outro continente, e separada da Ásia e da Austrália por toda a extensão do Oceano Índico.
A língua falada por toda gente de Madagascar – asiáticos, negros e mestiços – é austronésia, muito parecida com a da ilha de Bornéu, a quase sete mil quilômetros de distância. Estes austronésios já estavam estabelecidos em Madagascar quando os europeus chegaram ali, em 1500. “É o fato mais surpreendente da geografia humana do mundo inteiro”.
De acordo com Diamond, a complexidade intrigante das 1.500 línguas da África foi estabelecida pelo linguista Joseph Greenberg, que reconheceu que todas essas línguas se encaixam apenas em cinco famílias. Os que falam línguas afro-asiáticas, na maioria, são aqueles que estariam classificados como brancos ou negros, os falantes dos grupos Nilo-saariano e nigero-congolês são negros, falantes do coissã, e os falantes do austronésio, indonésios.
Aprendemos que a civilização ocidental se originou no Oriente Próximo, Foi levada ao apogeu na Europa pelos gregos e romanos, e gerou três das grandes religiões do mundo, como o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. Essas religiões surgiram entre povos que falavam três línguas afins, chamadas semíticas, como o aramaico (cristão), o hebraico e o árabe, respectivamente.
A própria subfamília semítica é africana, pois 12 de suas 19 línguas sobreviventes estão restritas à Etiópia. Segundo o autor, talvez tenham surgido na África as línguas faladas pelos autores do Velho e do Novo Testamento e do Alcorão, os pilares maiores da civilização ocidental. Entre os cinco grupos de povos africanos (negros, brancos, pigmeus, coissãs e indonésios), apenas os pigmeus não têm línguas distintas. Existem indícios de que o local de origem dos pigmeus foi tomado por agricultores negros invasores, como os bantos. Também, que os Nilo-saarianos foram subjugados por falantes afro-asiáticos ou nigero-congoleses.
A PROFESSORA NINA QUE EU TIVE
(EM HOMENAGEM A TODOS OS MESTRES)
Este texto foi publicado no livro “Andanças”, de autoria do jornalista, escritor e poeta Jeremias Macário. A obra pode ser encontrada na livraria Nobel, na Banca Central, ou diretamente através do autor pelo e-mail macariojeremias@yahoo.com.br e pelo tel 77 98818-2902.
O homem sem instrução é um homem iludido. Em minha vida nunca imaginei que uma profissão tão linda e nobre fosse se transformar em medo, angústia e pesadelo. O orvalho da manhã está cada vez mais escasso, e a relva e a grama da minha casa estão secas. O prazer de ensinar e levar conhecimento aos rebentos virou uma obrigação. Sem o riso de antes, muitos estão partindo para outras atividades enfadonhas e chatas, seguindo a lei da sobrevivência a qualquer custo.
Aprendi as primeiras letras e a entoar a tabuada para fazer umas continhas de somar, diminuir e multiplicar com a real professora leiga dona Nina, não aquela personagem título de livros, de peças teatrais, crônicas e contos como símbolo da nossa imaginação para identificar a profissão. Como tudo que acontece pela primeira vez na vida, nunca me esqueci daquela frágil, terna e carente mulher. Mas, o que mais me marcou foi a sua extrema pobreza e como arranjava forças para ensinar.
Era meado dos anos 50 do século passado quando tive minha primeira professora Nina. A infância na roça da fazenda Queimadinha, isolada de tudo, não me dava nenhuma noção do porquê tinha que caminhar com minha irmã dois, três quilômetros dentro de um matagal todos os dias para encontrar com a professora, para ler soletrados os textos de uns livros e ouvir o clamor, choros e brigas de uma família de mais de dez pessoas por causa de um prato de comida nas horas do almoço.
A professora Nina morava como agregada de um vasto latifundiário que mais lembrava os condes e duques franceses da pré-revolução. A fazenda de quilômetros e mais quilômetros de capim e gado se situava num território pertencente ao município de Mundo-Novo e depois Piritiba e Tapiramutá. Como meeira, ela dividia com o patrão usurário e opressor os poucos pés de cafés que tinha no quintal da velha casa. O quadro não mudou. O capitalismo se alimenta de carne humana.
Todos definhavam de fome. Um rapaz anêmico vivia chorando pelos cantos da casa e o velho pai era um alcóolatra à beira da morte que pegava vísceras de bois em matadouros da vizinhança para cozinhá-las numa aguada panela de feijão. Meu pai, também pobre, pagava seus préstimos de professora com um pouco de dinheiro e farinha da terra donde colhia a mandioca do roçado. Eram tempos de muita dureza e o homem trabalhava como escravo, sem direitos a nada. Não mudou muito. A fome batia quase todos os dias na nossa porta e nos olhava com aquela careta de monstro.
O velho e o rapaz morreram e, como já viviam na miséria, nem foram notados. Eram lixos deteriorados ocupando o espaço. Como observou Shakespeare, “Quando morre um mendigo nenhum cometa é visto, mas os céus cospem fogo quando morre um príncipe”.
A professora Nina e o restante dos seus filhos pegaram um pau-de-arara e tomaram o rumo de São Paulo. Meu pai vendeu a terrinha e fomos para outro local onde pelo menos tinha um tanque d´água. Passei anos longe das minhas primeiras letras e só depois fiz, com muito sacrifício, o primário em Piritiba. Mais algum tempo parado e somente em 1962 ingressei no Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho, em Amargosa. Bons tempos de estudos e aprendizagem, com professores de qualidade. Ensino puxado!
Passaram-se quase 65 anos e a educação teve suas reviravoltas de altas e baixas, mais que baixas, para cair numa vala lamentável de decadência e menosprezo, numa cruzada de greves, paralizações, ocupações, protestos, desespero, revolta, lamentos e violência nas salas de aulas onde existem mais discórdias que harmonias.
Até o final dos anos 70 e início dos 80, a educação pública era uma referência de qualidade e conteúdo. O professor era o verdadeiro mestre respeitado na sala e os alunos o reverenciavam como um pai, somente abaixo do Eterno. De lá pra cá foi entrando em degradação de promiscuidade total, diferente da missão primordial de transmitir sabedoria e conhecimento.
Aquela imagem da professora Nina e sua família continua viva em mim através de cenas reportadas nos dias atuais de professores comendo bolachas num reservado escondido de uma sala para matar a fome e outros vendendo seus livros de literatura nas ruas para sobreviver, sem contar as agressões sofridas no exercício de suas atividades.
Uma professora chora quando lembra que um dia um aluno colocou um revólver em sua cabeça e lhe intimou que desse uma nota máxima em sua prova para passar de ano. Perdeu, professora! Para não morrer, teve de ceder, mas, traumatizada, nunca mais retornou à sala de aula. Para sobreviver foi ser doceira. Igual a ela, tantos outros se afastaram do ministério de ensinar. De amigo e conselheiro, o professor é visto hoje pelos seus estudantes como um inimigo que merece ser castigado porque escolheu ensinar e formar crianças e adolescentes rebeldes de um lar, cujos pais se ausentaram de suas obrigações, valorizando mais o capital que o humano.
Pelo nível a que chegamos, de baixos índices de aproveitamento escolar que envergonham a nação, com imagem tão negativa lá fora, a pátria como mãe biológica ou adotiva, carece parar com todas suas obras, pontes, estradas, viadutos e projetos de portos e aeroportos, para só cuidar da educação. Esta filha desamparada de mãe desnaturada caiu em desgraça na prostituição das ruas e das drogas.
A figura de um professor qualificado e motivado é o fator mais importante para o sucesso do aluno na escola e na vida, conforme estudos realizados em vários países. No Brasil, quem tira maiores notas nas escolas prefere fazer outros cursos universitários ao invés de pedagogia, isto porque a profissão oferece pouca atratividade, devido à baixa remuneração e más condições de trabalho. O próprio Ministério da Educação constatou que o curso de pedagogia tem sido o destino dos alunos com as piores notas nos exames do ensino médio.
Chegamos ao ponto crucial de que a educação não é mais apenas uma questão de prioridade, mas de salvação de vidas. Milhões são vitimados antes do tempo no Brasil por falta de educação. A professora Nina foi a primeira a me dar régua e compasso para escrever este texto. Outros mestres vieram depois fazendo o demorado processo de lapidação


















