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FUTEBOL X COVID-19
Carlos González – jornalista
“Nós somos a favor da vida. Não temos condições de retornar aos treinamentos e aos jogos”, protesta Rafael Damasceno, vice-presidente do Jacobina. Sob o argumento de que houve imposição da FBF, o clube recorreu à Justiça para não colocar seu time em campo esta semana; “a CBF quer nos fazer de cobaias, no momento em que aumenta o número de mortes pela Covid-19 na Bahia”, denuncia Roberto Carlos, presidente da Juazeirense. Dispensados em março, os jogadores estão se mantendo com o auxílio emergencial do governo federal.
Os clubes baianos estão programados para voltar aos gramados, após quatro meses de paralisação, no próximo dia 23, pela penúltima rodada da fase de classificação do Campeonato estadual. Bahia, Jacuipense, Bahia de Feira e Vitória estariam hoje classificados para as semifinais; o Jacobina cairia para a segunda divisão. O Vitória da Conquista vai a Juazeiro no meio da semana e no domingo recebe o Jacobina.
Diplomaticamente, o presidente do Vitória da Conquista, Ederlane Amorim, que em março passado se desfez do time profissional, não se manifesta com relação a falta de apoio do poder público municipal. Nesse período de pandemia, com o olhar voltado para a reeleição, Herzem Gusmão, sob pressão de comerciantes e pastores evangélicos, “liberou geral”. Ao mesmo tempo, alimenta seu ego, criando uma rusga com o governo do Estado, num claro propósito de politizar a pandemia.
Sem justificativas, os decretos assinados pelo gestor não se referem às práticas esportivas. Em 120 dias a ajuda financeira ao Conquista se resumiu praticamente nos R$ 120 mil enviados pela CBF, com a finalidade de manter em atividade os 68 clubes da série D do Campeonato Brasileiro, cuja rodada inicial está marcada para 19 de setembro – o representante baiano estreia em casa diante do Coruripe, de Alagoas.
Ederlane compara a situação financeira e estrutural (em termos de agremiação esportiva) do Conquista a alguém sendo tragado numa zona de areia movediça, sem condições de salvamento. Os apelos feitos ao comércio e aos patrocinadores, em busca de recursos, não tiveram a resposta desejada. Antepenúltimo colocado, o time tem menos de 1% de probabilidade de ser rebaixado.
O Conquista tem menos de uma semana para montar um time para fazer apenas duas partidas, oferecendo aos atletas contrato de 30 dias, permitido pela MP 984/2020, assinada pelo presidente Bolsonaro. Depois, tratar de aprimorar a equipe para uma jornada mais longa de, no mínimo, dois meses, na série D, recebendo da CBF transporte, alimentação e hospedagem. Ederlane confessa que, em abril, pensou em desistir do torneio nacional, mas receou uma punição da CBF ao clube.
Antes da bola rolar no “Baianão”, sete jogos serão disputados nos dias 21 e 22 próximos, pela última rodada de classificação da Copa do Nordeste, todos em território baiano (Salvador, Mata de São João, Riachão do Jacuípe e Feira de Santana). Bahia, já classificado para a segunda fase, e Vitória, são os representantes baianos.
A crise provocada pela paralisação do futebol também bateu na porta dos chamados grandes. O Bahia calcula uma perda de R$ 60 milhões na temporada – seu orçamento para este ano seria de R$ 180 milhões. A arrecadação dos três primeiros meses, que oscilou entre R$ 13 e R$ 15 milhões, caiu em abril para R$ 3,7 milhões. Entre 40 mil sócios adimplentes, cerca de 7 mil deixaram de pagar as mensalidades.
O maior pesadelo para o Vitória no momento é começar o Campeonato Brasileiro da série B, no dia 8 próximo, com seis pontos perdidos, ao lado do Cruzeiro, apenado pela FIFA por causa de uma dívida. O rubro-negro deixou de repassar ao Boca Juniors, da Argentina, 347 mil dólares (cerca de R$ 2 milhões), pelo empréstimo do atacante Walter Bou, em 2018. Com dificuldade para se manter, o Vitória desviou para outras finalidades uma ajuda de R$ 120 mil, enviada pela CBF, destinada exclusivamente ao futebol feminino.
O queridinho da direita
Quem poderia imaginar, o Flamengo, o clube do povo, é a nova “menina dos olhos” da direita no país. Essa simbiose teve começo com a visita do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, ao Planalto, levando na mala seu colega do Vasco, Alexandre Campello. No encontro, Jair Bolsonaro orientou os cartolas a apressar a volta do futebol carioca, contrariando organizações e especialistas em saúde.
A VERDADE NOSSA…
É mais um texto do livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, lançado recentemente e que pode ser encontrado na livraria Nobel, na Banca Central, ou através do próprio autor, também da obra “UMA CONQUISTA CASSADA” e outras.
Há mais de dois mil anos Cristo disse: “Eu Sou a Verdade e a Vida”. Na época, quase ninguém acreditou. Terminou sendo flagelado e crucificado em nome desta verdade. Antes Dele, há 2.600 anos, os filósofos gregos ditavam sua verdade, passeando pelas ruas de Atenas. Contam que Sócrates tomou cicuta em nome da sua verdade. Muitos procuraram uma resposta nos deuses e mais tarde se decepcionaram. Os egípcios tinham sua verdade nos faraós. No deserto edificaram suas pirâmides de sabedoria, mas nem por isso se tornaram donos da verdade.
Desde os primórdios dos tempos, os homens se inquietam e se agarram aos sinais, tentando captá-la por aí com suas antenas parabólicas. Transbordam ansiedades. Uns jorram inquietações pelos planetas a fora. Outros preferem ficar no sofismo. Onde está mesmo essa verdade? Entre as estrelas? Qual o sentido de viver? A vida já é uma verdade? Que verdade é essa que nos ensinam valorizar a morte?
Mentira e verdade andam em lados opostos e, às vezes, juntas. Às vezes se confundem. No mundo materialista, a mentira vive camuflada num aparente conceito de verdade, como no prazer a qualquer preço, na estética da beleza e nas propagandas enganosas. A filosofia espiritualista diz que ela tem a verdade na reencarnação. Como encontrá-la? A verdade é uma “metamorfose ambulante”?
A verdade, nada mais que a verdade. Jura dizer só a verdade? Aí vem a mentira como moeda corrente e ofusca a verdade. O filósofo britânico Simon Blackburn conta a história da verdade na cultura ocidental, desde os gregos, passando pelas narrativas bíblicas, os pensadores da Idade Média, o pragmatismo americano e os pós-modernos.
O ex-presidente Bush, o filho, (EUA) mentiu sobre a existência de armas químicas no Iraque. Mesmo assim, foi reeleito. O cidadão deve, a esta altura, estar se perguntando: por que dar tanta atenção á verdade, se a mentira dá tanto resultado? Vivemos mais da mentira, ou da verdade?
Os tempos se evoluíram e a verdade sempre foi imposta sob diversos pontos de vista, com faces diferentes, sombras e dúvidas. Analisem sob a ótica da religião; em termos subjetivos e objetivos; absolutos e relativos; sob os ângulos filosófico, material e científico; e ainda no campo da política e da justiça.
Na sociedade moderna, ela se torna camaleão, de acordo com o meio em que se vive, dando sensação ilusória de que basta lustrar a couraça para se
tornar confiável. No mundo do consumismo ela está sempre mudando de imagem e de cor. Na estética da beleza, a verdade aparece como caminho de sucesso. Uns dizem que é fundamental. Outros que é uma coisa relativa e banal. O medíocre sobrevive e a competência falece. A aparência faz escárnio do conteúdo. Não se valoriza mais o caráter. O mundano virou celebridade. O homem é produto do meio? Carrega na sua essência o DNA do mal? Para uns, sim, para outros, não.
Cada religião, cada seita, cada credo, cada simbolismo, cada slogan, cada código procura transmitir e defender sua verdade, mesmo que seja através de dogmas da fé. Os deuses estão por todos os lugares, com faces e visões diferentes. Cada um com seu caminho de salvação. O vazio faz aumentar a concorrência da crença e da cura do espírito. A busca é incessante.
Nunca se acreditou tanto em tantas coisas fúteis e descartáveis dentro de um materialismo vulgar e adorado. É a “corrida do ouro de tolo”. Será que o entrevistado a uma vaga de emprego fala a verdade? Seu comportamento diante do entrevistador é a sua verdade? Ele foi treinado para seguir um padrão ditado pelo mercado. Quem está com a verdade?
CONHEÇA SUA VIDA CURRICULAR
Filho de lavradores, Jeremias Macário de Oliveira veio lá do sertão agreste de Monte Alegre, hoje Mairí (BA), mas ainda menino fez o primário e foi registrado como filho de Piritiba, no Piemonte da Chapada Diamantina. De lá, por intermédio do pároco de Mundo Novo, foi estudar, em 1962, no Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho, em Amargosa (BA), vocacionado para ser padre. Em 1968 ingressou no Seminário Central de Salvador, concluindo o Clássico, em 1969, quando se afastou do seminário e, em 1970, passou no vestibular para Jornalismo, na Universidade Federal da Bahia.
Para sobreviver e custear seus estudos, morando na Residência Universitária, trabalhou, temporariamente, em várias empresas da capital e concluiu o bacharelado em Jornalismo, em 1973, quando foi admitido pelo jornal “A Tarde” onde atuou como revisor, repórter em vários setores, redator e editor de Economia até 1991, em Salvador.
Neste ano foi indicado pelo próprio jornal “A Tarde” para chefiar a Sucursal de Vitória da Conquista onde permaneceu até o ano de 2005, quando, por decisão pessoal, afastou-se da empresa e se aposentou pelo INSS. Em Conquista exerceu a função de diretor e vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia, diretor da Apae e premiado pela sua atuação na gerência da Sucursal, especialmente no âmbito da produtividade e seriedade na direção do cargo a que foi confiado.
Em Salvador, Jeremias Macário foi premiado na área econômica pela cobertura de várias matérias jornalísticas, e concluiu cursos nos setores do mercado de capitais, na área da petroquímica, comércio lojista, na agricultura, entre outros segmentos. Em 1982 realizou, na Alemanha, através da Fundação Konrad Adenauer, o curso de “Economia de Mercado”.
Além de jornalista, Jeremias é escritor com o lançamento de quatro livros, sendo dois deles equivalentes a seis. Como letrista e poeta, várias de suas composições foram musicadas por artistas locais e do Nordeste. É também fundador do Sarau Cultural A Estrada que neste mês de julho completou dez anos de funcionamento, reunindo artistas, estudantes, intelectuais, professores e demais interessados pela cultural.
UMA CAMPANHA ELEITORAL DIFERENTE
Muitos candidatos a um cargo eletivo, principalmente os novos que almejam uma cadeira no executivo, ou no legislativo devem estar se perguntando como fazer uma campanha eleitoral nesses tempos terríveis da Covid-19. Se antes as pessoas já estavam desinteressadas por política por causa das decepções, imagina agora com tantos problemas de ordem emocional, perdas de parentes pela pandemia e financeira, sem contar outras questões.
Estamos entrando na segunda quinzena de julho e quase nada se tem ouvido na mídia sobre eleições 2020. As atenções estão todas voltadas para os noticiários sobre o coronavírus, seus efeitos e consequências, quando cerca de 75 mil já morreram no país. Se o eleitor vive nesse clima de consternação, imagina o que passa na cabeça do candidato!
Confesso que, como pré-candidato a vereador pelo PSB a uma vaga na Câmara Municipal de Vitória da Conquista, fico a pensar por onde começar e qual discurso a ser abordado, levando-se em consideração o quadro brasileiro e, particularmente, da nossa comunidade, que está sofrendo os danos causados por esse vírus que mudou o mundo.
É preciso ter muito ânimo, sensibilidade, força e mais que seriedade no trato com o problema. Caso seja mesmo candidato efetivado, não pretendo levantar o discurso do passado mais recente que terminou dividindo o pais, criando ódio e intolerância.
Em minha visão, a linha é mostrar o que está ocorrendo no presente no Brasil e defender um trabalho para um futuro próximo, combatendo os retrocessos e as desconstruções. Sei que essa campanha eleitoral vai ser muito difícil, mas cada um deve ter o seu foco.
Muitos amigos meus não têm visto com bons olhos mais esse desafio a enfrentar em minha vida, dizendo que não devo me meter nesse angu de partidos de agrupamentos, e que política é coisa suja. Outros têm dado apoio e me encorajado a seguir em frente. Essa proposição tem me levado a muitas reflexões, mas uma coisa tenho certeza, se encarar mais essa tarefa, vou mais pela nossa educação, pela cultura e gritar contra as desigualdades sociais.
QUARENTENA DA CORONAVID
Desde março, quando a Covid-19 começou a infectar os primeiros brasileiros e entramos no período da quaresma, o jornalista Jeremias Macário, sua esposa, a professora Vandilza Gonçalves e o fotógrafo José Carlos D´Almeida começaram a produzir uma série de vídeos com textos poéticos, abordando diversos assuntos de ordem política, social e cultural sobre o próprio vírus e seus efeitos, a seca e a cultura popular nordestina e temas pessoais do nosso cotidiano.
Fotos de José Carlos D´Almeida
O coronavírus serviu de abertura com o título “Quem é Este Coronavid?, uma fusão do corona com a Covid-19, que deu sequência a outros vídeos, sempre realizados aos domingos e enviados para os grupos do Sarau Cultural A Estrada, Amantes da Música, para os blogs da cidade, artistas, amigos em geral e parentes, como forma de amenizar e aproximar as pessoas nessa fase tão dura de confinamento e isolamento social.
Cenário de “Brasil, Nunca Mais”!
Durante este tempo, de março até julho (em alguns domingos não foram possíveis realizar gravações) produzimos 14 vídeos no formato de declamação com questões diferenciadas. Como não dispomos de recursos humanos e equipamentos suficientes, todos os vídeos foram gravados através do celular, com D´Almeida na câmara, e as interpretações dos textos a cargo de Jeremias e Vandilza. Os cenários e figurinos sempre são improvisados de acordo com o tema, e cada um vai deixando a ideia voar.
Nos intervalos das produções, surgiu a ideia de transformamos os dez vídeos realizados (entre 40 a 50 minutos ao todo) na edição de um curta metragem de 20 minutos, mas faltava pequena verba para tanto. Foi aí que nasceu outra proposta de criarmos um grupo de colaboradores que chegou junto, e o projeto agora está sendo finalizado nos estúdios do nosso amigo Alex Baducha, numa produção em homenagem aos 10 anos do Sarau, completados neste ano e interrompido, temporariamente, por causa da pandemia.
Lembro Ainda Menino, Brasil Saco de Pancada, “Brasil, Nunca Mais”, Quaresma Quarentena, República Cabana Banana, Sequidão, Mente Brasileira, Ninguém Quer Aprender a Lição, Uma Nação em Correrias, Voa Mente Inteligente foram, entre outros, os títulos e os respectivos textos desenvolvidos e declamados pela nossa pequena equipe, com o intuito e o prazer de passarmos uma mensagem para os amigos e companheiros. Sabemos que não podemos agradar a todos, mesmo porque isso é impossível, mas estamos registrando nosso singelo trabalho nestes tempos tão difíceis.
“A NEGA DO LEITE”
Este texto faz parte do mais recente livro “ANDANÇAS”, do escritor e jornalista Jeremias Macário
Têm coisas do tempo de infância que marcam nossas vidas e não saem jamais. Grudam na memória como nódoas na roupa. Para brotar da lembrança, basta uma conversa de estórias e causos entre amigos e a família. Existem aquelas passagens que se tornam segredos nunca revelados. As que deram momentos de felicidade e prazer são contadas várias vezes.
Quem não guarda no seu baú da vida os causos de menino e menina e as broncas e surras (geração mais antiga) que levou dos pais por ter cometido estripulias em casa, na roça ou nas ruas? Pois é, existem aquelas que não se esquece nunca. Muitas se vão e outras ficam na mente, doidas para pularem fora em qualquer ocasião.
Agora mesmo lembro-me daquela “pisa” de chicote que meu pai me deu numa cacimba quando brincava de jogar pedras na água. Era gostoso ver a pedrinha quicando na superfície fazendo redemoinhos. Foi numa manhã quando fui pegar o leite numa fazenda próxima para minha irmãzinha que logo cedo acordava chorando de fome. Ao invés de levar o leite, parei no meio do caminho para me divertir no tanque. Deu no que deu!
Meus pais não me contavam nem liam estorinhas infantis de ninar, mesmo porque eram analfabetos e, com seus jeitos rudes da vida dura da roça, não tinham tempo nem sabiam lidar com essas coisas. No entanto, ouvia prosas dos adultos sobre assombrações, lendas, entidade e mitos a respeito do lobisomem, da mula sem cabeça, do marruá brabo, do saci e do curupira que perambulavam pelas matas.
Adorava os causos dos coronéis e dos vaqueiros valentes do sertão, mas uma das estórias que mais me marcou foi sobre “A Nega do Leite”. Até hoje estou lá no varandado da minha casa, esperando ela passar por aquela estrada de cascalho, toda tagarela, mas sempre caio no sono e não consigo ver o primeiro raio do amanhecer da madrugada trazendo “A Nega do Leite”.
Quando o feijão da roça estava seco, no ponto de ser colhido, meu pai arrancava e empilhava na varanda para depois fazer a debulha no terreiro, às vezes, por meio do chamado adjutório em que várias famílias ajudavam na tarefa de retirada da palha através das batidas de porretes, cadenciadas pelas cantorias tradicionais da terra.
Esse costume herdado dos tempos coloniais é outra história. O bom mesmo era que eu, minhas irmãs e outros coleguinhas da vizinhança adoravam brincar de pula-pula e esconder em noites de luar nas pilhas de feijão seco. O divertimento só dava certo quando meu pai viajava para fazer serviços de carpintaria em outras fazendas. Minha bondosa e santa mãe não ligava para a zoadeira e sempre ia dormir.
Naquelas algazarras havia sempre uns instantes de paradas para contar estórias e histórias de espíritos do além e pessoas que iam sendo espalhadas de boca em boca pelos mais velhos. Algumas nem eram lendas. Nos livros escolares (eram raros) ou na base da escuta, as crianças captavam os enredos e as mais espertas narravam os causos. Todos ficavam atentos para ver o final do personagem.
Um desses causos que mais me marcou foi o da “Nega do Leite” que em noite de muito luar passava naquela estrada em frente da nossa casa. Desde longe se ouvia o cantarolar dela, carregando recipientes cheios de leite. Cantava e falava alto sobre histórias de seus antepassados e fatos de pessoas da região. Era uma repórter da oralidade. Na tradição, a origem do nome remete à pessoa que fala sem parar.
“A Nega do Leite”, como o próprio nome já diz, conversava muito enquanto distribuía leite para os mais necessitados, especialmente para as crianças e os idosos. Depois de certificar que ela não fazia mal a ninguém, naquela noite toda gurizada combinou ficar acordada para ver a “Nega do Leite” que sempre passava ao clarear do dia.
O acerto era ninguém dormir, só que o cansaço do brincar terminou nos colocando nos braços do deus Orfeu e todos caíram no sono profundo. Fomos despertados de manhã cedo pela nossa mãe que nos repreendia por termos ficado ali expostos a noite toda naquelas pilhas de feijão.
Um do grupo, não sei quem, falou que a gente estava ali para conhecer “A Nega do Leite”, conversar com ela e pegar um pouco de leite que trazia consigo. Minha mãe simplesmente riu e respondeu, para frustração terrível de todos, que “A Nega do Leite” já havia passado na estrada há muito tempo. Perdemos a oportunidade de ver a tão decantada e folclórica “Nega do Leite”. Um culpava o outro por ter dormido.
AS PESQUISAS DO ÓBVIO ULULANTE E O VENDEDOR-MÓR DA CLOROQUINA
Temos no Brasil um “garoto propaganda” da cloroquina, para desafogar os estoques, e ele insiste em vender o produto de qualquer jeito, mesmo contrariando as prescrições médicas. As pesquisas óbvias, feitas por desocupados, comprovam o que as pessoas, há muito tempo, com o mínimo de senso e inteligência já sabiam. Concluem que a classe pobre é a mais vitimada pelo coronavírus.
Outro especialista diz que no Brasil não existe planejamento concentrado no combate à pandemia, como se fosse uma grande novidade. Não aguento ouvir tantas besteiras. Há quatro meses, os infectologistas e epidemiologistas repetem as mesmas coisas, mas não chegaram à constatação de que é impossível fazer isolamento social no Brasil aos moldes dos países europeus e asiáticos. As realidades são bem diferentes.
Movimentos negros e outras vozes dizem que afros-descendentes morrem mais que os brancos. Na cabeça dessa gente, não existem brancos pobres. Ou são ricos, ou têm um bom poder aquisitivo. Isso também é uma atitude racista, quando a questão é mais de ordem social. A Covid-19 não escolhe cor, mas ataca os mais vulneráveis, ou seja, os mais pobres de um modo geral. Tem gente defensora da cloroquina falando em confinar e matar os idosos.
NÃO ACREDITO
Para ser sincero, não acredito muito nessa do capitão-presidente ter testado positivo. Não será uma armação de marketing maquiavélico? Prefiro o ceticismo. Até pouco tempo resistiu em divulgar seu teste. A Justiça teve que julgar e determinar que seu resultado fosse levado ao conhecimento público. Por que agora ele foi rápido no gatilho para anunciar, só para a mídia oficial? Nesse pais de hoje, de tantas incertezas, truques, fraudes e tramas, tenho minhas dúvidas, e que me chamem de qualquer coisa.
Se tudo já era confuso antes, com a Covid-19 piorou. Governador baixa um decreto de restrições. Prefeito dá outra ordem contrária. A população inculta e indisciplinada se aglomera nas portas das lojas, bancos e supermercados, sem empatia e respeito ao outro. Os negativistas da ciência, seguidores da morte, não acreditam no vírus e acham que tudo não passa de mentira.
Há 100 anos, durante a gripe espanhola, que matou quase 20 mil na outrora capital do Rio de Janeiro, de cerca de um milhão de habitantes, o secretário da Saúde da época xingava a imprensa escrita de sensacionalista e dizia que tudo era invencionice dos jornalistas. Em novembro de 1918, a pandemia estava no seu maior pico, mas os cariocas fizeram carnaval em janeiro, e todos caíram na folia. Depois de 100 anos, a maluquice, a bagunça e a desordem se repetem. A história não perdoa os retrocessos.
Vivemos num país único no mundo em termos de incertezas e bizarrices, sem uma liderança central para controlar e conduzir, com racionalidade e firmeza, a nau dos insensatos, onde é um tal de abrir e fechar comercio que não para mais, sem contar os regramentos complicados e auxílios sociais que não conseguem chegar a quem mais precisa.
DEU A LOUCA NO BRASIL!
As fraudes e os atos de corrupção se proliferam em cada canto da nação, mesmo diante de quase 70 mil mortes e dois milhões de infectados. Os lobos e as hienas sentem de longe o cheiro de carniças. Todos os dias nos falam de picos e quedas dos infectados que demoram de acontecer. Os números só sobem. A impressão é que esse pico é o próprio vírus quem vai estabelecer por conta própria, quando ele estiver cansado e resolver voar pelos ares.
Deu a louca no Brasil! O governador do Distrito Federal decreta calamidade pública e, ao mesmo tempo, manda abrir o comércio. As aglomerações nas cidades escancaram a falta de noção do povo sobre os riscos de contaminação e mortes. Do outro lado, milhares morrem por falta de leitos de UTIs, e os parentes e amigos das vítimas entram em desespero e desabam em choros e lágrimas, muitos dos quais que não cumpriram as determinações de distanciamento e isolamento.
Ciclones, que no passado não existiam no Brasil, devastam regiões no Sul. Na Amazônia, os índios estão sendo, aos poucos, exterminados pelo coronavírus e, propositalmente, pela falta de políticas públicas do governo federal. O Ministério do Meio Ambiente soltou a “boiada” das normas que facilitam o desmatamento e os incêndios. Os extremistas radicais, apoiadores do capitão-presidente, destilam ódio e propagandas falsas contra a democracia nas redes sociais.
Diante desse caos e de tantas barbaridades, temos hoje um Brasil depressivo e doente, padecendo de outras epidemias. Não sabemos quando vamos retornar à normalidade. Milhões foram arrebatados pela ansiedade, pelo medo e pelo pânico. Outros milhões ainda transitam nas ruas e lugares públicos em plena aglomeração, sem máscaras e sem tomar os devidos cuidados, como se nada estivesse ocorrendo de anormal.
AS TIRADAS TIRANAS DA DITADURA (FINAL)
CANALHA! CANALHA! CANALHA!
No dia 1º de abril (Dia da Mentira), Jango rumou do Rio de Janeiro (Palácio das Laranjeiras) para Brasília. De lá partiu para Porto Alegre e depois para uma estancia em São Borja. Finalmente, voou para o exílio, no Uruguai. De Brasília, o presidente do Congresso, Auro Moura declarou vacância na presidência. Tancredo Neves tascou: “Canalha! Canalha! Canalha”! Era madrugada do dia 2 de abril. O mesmo Auro e um grupo de deputados armados pegaram o Ranieri Mazzilli e disseram: “Vamos para o Palácio, pois o senhor vai ter de assumir a presidência”. Waldir Pires e Darcy ainda imaginavam resistir.
Acompanhou o presidente neste trajeto penoso o general Argemiro de Assis Brasil, chefe da Casa Militar. Depois da missão cumprida, retornou para Brasília. Perdeu patente e pensão. Morreu em 1980 dizendo que o Exército tinha uma dívida para com ele, só que nunca pagou.
Certa vez o general disse que Jango tinha um bom coração; era um boêmio mulherengo bom de copo, mas só sabia governar uma estância. Foi vice-presidente invisível de 1956 a 1961 que todo governante pediu a Deus.
FUGIU PARA MOSCOU
Alardeavam que o Governo tinha um “dispositivo” para abafar qualquer rebelião. O lendário Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, chegou a dizer várias vezes que cabeças seriam cortadas, só que fugiu para Moscou antes do golpe, deixando para trás a mulher grávida Maria, sete filhos e um listão de 74 comunistas que foram indiciados.
O historiador Jacob Gorender relatou em livro vários deslizes e prognósticos calamitosos de Prestes, como seu apoio ao Estado Novo; garantia que seu PCB não seria proibido em 1947; adesão à UDN contra Getúlio em 1954; e em 1964 assegurou a Nikita Kruschev, em Moscou, que no Brasil tinha comunistas até nas Forças Armadas.
Em palestra ao Partido Comunista da União Soviética: Se a reação levantar a cabeça, nós a cortaremos de imediato. Para a Associação Brasileira de Imprensa: Os golpistas terão as cabeças cortadas. No Estádio do Pacaembu, nos 42 anos do PCB, em 29 de março, proferiu a mesma frase. Morreu em 1990 aos 92 anos.
– Dispositivo militar era um exército invisível. O dispositivo que disseram que montei, nunca existiu – confessou o general Assis Brasil 20 anos depois.
Na última hora “do pega pra capar”, os chamados generais do povo e os almirantes vermelhos sumiram de cena. Eram forças invisíveis. Ainda no dia 2 de abril, Brizola defendia resistência à bala. Na casa do general Ladário Telles, comandante do III Exército (Rio Grande do Sul), Jango ouviu dele que tinha muitas armas e homens para acabar com o golpe. “Só preciso que dê ordens”.
– Se for à custa de sangue, prefiro me retirar – respondeu o abatido Goulart.
O general do I Exército, Armando de Moraes Âncora disse que não ia abrir fogo contra os cadetes porque seria um peso que não tiraria mais de cima dos seus ombros. O jornalista do “Correio da Manhã”, Heitor Conny, destacou que o I Exército aderiu aos que se chamavam rebeldes. “Recolho-me ao meu sossego e sinto na boca o gosto azedo da covardia”. Denominou de “Revolução dos Caranguejos”.
Da Câmara, o deputado pelo PSB, Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, incitava: “Quem está nas ruas não é a revolução, é a contrarrevolução. Quem vai salvar o Brasil é o seu povo”. O colega Adauto Cardoso alertou que não anistiaria os promotores da anarquia. Julião ficou trancado no Congresso até o dia 7 de abril e fugiu como carona num taxi de Adauto. Este passou um papel rabiscado para Julião : “Está tudo perdido”.
Consumado o golpe, Castello foi indicado pelo Exército para assumir a presidência da República em votação no Congresso. Aí Tancredo Neves disse para Juscelino: “Eu tenho todos os motivos para votar em Castello e não vou votar. Você tem todos os motivos para não votar e vai”. Quando os militares negaram eleição direta em 1965, Juscelino lamentou: “Cai na armadilha do Castello”.
Tempos depois, numa entrevista em referência ao golpe que derrubou Goulart do governo, Darcy Ribeiro declarou que a culpa foi dos esquerdistas louquinhos que queriam mais caos; queriam sair do caos para o socialismo.
Na imprensa, só o jornal “Última Hora” não celebrou o golpe. O “Correio da Manhã” botou a manchete “FORA!” Uma semana depois, O “Correio” protestava contra a queima de seus exemplares declarando ter sido uma operação com requintes de intolerância e brutalidade de regimes totalitários.
Na marcha da vitória, o arcebispo da Igreja Católica, Dom Jaime Câmara abençoou o movimento dizendo ter contado com o auxílio divino obtido por nossa mãe celestial. O mesmo Dom Jaime abençoou a Passeata dos Cem Mil, em 1968.
Por volta dos anos 80, final do regime, Golbery do Couto, ou “Colt” e Silva deixou o presidente general João Figueiredo, que disse que prendia e arrebentava, mas acobertou os terroristas de farda. O cineasta Glauber Rocha o chamou de “gênio da raça”, enquanto o general Mourão Filho preferiu afirmar que se tratava de um cérebro doentio.
No livro Anatomia das Revoluções, o historiador Crane Brinton cravou que as revoluções começam com esperanças, triunfam sob lideranças moderadas e naufragam no autoritarismo. “A revolução, como saturno, devora os próprios filhos”. Para Hannah Arendt, está fadada ao fracasso toda política de Estado cujo objetivo seja fazer seu adversário desaparecer em silencioso anonimato.
Por que os militares do regime não admitem que os fugitivos, os desaparecidos e suicidas foram barbaramente torturados e assassinados nos porões macabros das casas de terror e nas salas sombrias dos quartéis dos carrascos inquisidores do “Santo Ofício da Ditadura”?
AS TIRADAS EM CONQUISTA
UMA ARTISTA PLÁSTICA COM EXPLOSÃO DE CORES E MUITA VIDA
Numa explosão de cores e traços fortes, com personalidade, o bucólico se encontra com o surrealismo, o expressionismo e o realismo num trabalho feito com alma e que encanta os apreciadores da arte e até daqueles que não são muito amantes da pintura, se é que eles existem. Tudo soa como uma canção aos ouvidos nas paisagens campestres, na negra de ama amamentando uma criança branca dos tempos dos coronéis e do patriarcalismo.
Assim são os quadros da artista plástica conquistense Maria do Rosário de Carvalho Martins que fala do seu trabalho de forma simples e natural. Como autodidata, não acompanha escolas acadêmicas, mas muitos de suas pinturas emitem a expressão viva de grandes artistas dos séculos passados e dos tempos modernos, que não me arriscaria citar nomes para não pecar por falta de muito conhecimento no assunto.
As imagens já dizem tudo, e quem vê os quadros de Maria Rosário Martins (cerca de dois mil que ela tem em sua casa, no Alto Maron) fica impressionado com a sensibilidade expressa em suas pinturas por transmitir fidelidade. Alguns são enigmáticos e surrealistas onde cada um vê figuras e imagens diferentes. Uns são mais clássicos e outros retratam a vida na terra, com cores vivas e realistas.
É um talento e um dom natural transformados em realidade desde jovem quando começou a dar suas primeiras pinceladas. Maria do Rosário Martins já foi premiada em várias exposições, mas, infelizmente, como acontece aos grandes artistas do nosso país, ainda é pouco reconhecida e valorizada pela sociedade e os agentes públicos.
Um dos seus quadros pode ser visto na Prefeitura de Barra do Choça, que fala da história do município. Pena que seu vasto trabalho de grandeza relevante ainda é visto por pouca gente de amigos que visitam sua residência. Seu acervo merecia estar num museu da cidade, numa casa de cultura, ou num ateliê público, para que todos tivessem a oportunidade de se deleitar e apreciar sua arte.
AS TIRADAS TIRANAS DA DITADURA (I)
Este texto faz parte do livro “Andanças”, lançado recentemente pelo jornalista e escritor Jeremias Macário. É bom lembrar os fatos para que nunca mais se repitam
A história das revoluções, levantes, rebeliões e golpes está repleta de citações e tiradas de líderes, chefes, comandantes e tiranos que se tornaram imortais. O golpe civil-militar de 1964 no Brasil que se transformou numa ditadura por mais de 20 anos também teve seus protagonistas que deixaram suas marcas, algumas irônicas e outras divertidas e tristes.
O presidente João Goulart era visto nos círculos militares como um cão leproso. Brizola era o mais afoito e pressionava o cunhado para decretar reforma já. Sob as influências das ideias socialistas, as lideranças de esquerda sacudiram os campos e as cidades. As elites burguesas revidavam.O presidente não sabia se atendia a direita ou acomodava a esquerda em seu ninho.
Semanas antes do Comício da Central do Brasil (13 de março), em meio às agitadas reformas sociais, centenas de mulheres rezadeiras com seus terços em mãos impediram Leonel Brizola de realizar um comício em Belo Horizonte. Encurralado, Brizola escapou do tumulto e, para fugir de vez da ira das senhoras, sequestrou um carro apontando um revólver para o motorista.
No seu jornal “O Panfleto”, Leonel Brizola, eleito deputado federal pela Guanabara, com 270 mil votos, escrevia que não eram rosários que iam combater as reformas anunciadas no dia 13 de março.
No Comício da Central, quando Jango anunciou as reformas pediu ao seu assessor de cerimônia Hércules Corrêa que limitasse o tempo da fala do presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), José Serra.
– Vou te anunciar, você dá boa noite, recebe as palmas e encerra, Serra. Não foi isso o que aconteceu. No discurso Serra chamou o general Amauri Kruel de traidor incestuoso.
O cabo José Anselmo dos Santos, “cabo Anselmo”, discursou para dois mil marinheiros no dia 25 de março, no Sindicato dos Metalúrgicos (Rio de Janeiro). Os manifestantes declararam insurreição. O ministro da Marinha, Silvio Mota pediu para sair. Depois do golpe, o cabo passou dois anos em Cuba. Voltou e foi preso, torturado e cooptado pelo delegado Sérgio Fleury que o apelidou de “Kimble”, do filme “O Fugitivo”. Tempos depois dedurou 73 líderes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), em Recife, inclusive sua mulher Soledad.
No dia 28 de março, o ex-governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, o general Carlos Luis Guedes, o marechal Odílio Denys já tramavam os detalhes do Golpe.
– Medo, o diabo não tem. Se ele fosse medroso, não chegaria ao que chegamos – comentou o general Olímpio Mourão. Dois dias depois queria prender Magalhães que num manifesto não pedia a saída de João Goulart. O general Guedes ignorou a ordem.
Na véspera do golpe, Tancredo Neves aconselhou Jango a não ir à reunião do Automóvel Clube. Os generais tramavam impedir o evento. Já o general Ernesto Geisel disse: Deixem que se faça a reunião. Agora quanto pior melhor para a nossa causa. Ele, Golbery do Couto e Silva e Castello Branco fizeram a “revolução” por telefone.
Darcy Ribeiro, o chefe da Casa Civil, o homem que tinha mania de ser imperador do Brasil, abriu, no dia 31 de março, duas caixas cheias de metralhadoras e convocou um grupo de deputados para acabar com a raça dos Udenistas.
– Doutor Jango, o senhor vai me desculpar, mas se o povo não for para as ruas, não tem governo – declarou o presidente da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e da CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria) Clodesmidt Riani.
– Estou negociando com o general Kruel. – Nós vamos é para a greve – respondeu o sindicalista. O povo e a Igreja aplaudiram os golpistas.
O general Humberto Alencar Castello Branco, o cearense que sempre rejeitou tomar parte nos golpes (tentou voltar aos quartéis a tropa de Mourão Filho), gostava de poesia e como irônico não era bem visto pelos seus pares.“Fuja dos generais intuitivos e emocionais. A hecatombe nunca anda longe deles”.
Foi, no entanto, o primeiro a criar um aparelho clandestino e obedecia a um talCoronel “Y”. Mesmo assim, não possuía a senha do movimento como “o bebê nasceu” ou “o trem partiu da estação”. Tinha 63 anos, mas eram 66, pois o pai dele roubou três para garantir gratuidade no Colégio Militar.
Castello recomendou que Carlos Lacerda, o corvo derrubador de governos, que apoiou o movimento militar, deixasse o Palácio Guanabara.




















