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:: ‘Notícias’

A RELIGIÃO OFICIALIZADA E O SURGIMENTO DOS ESTADOS OPRESSORES

OS SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO, AS FUSÕES E A DENSIDADE POPULACIONAL

Assinala o cientista Jared Diamond em sua obra “Armas, Germes e Aço”, que a tribo centralizada normalmente tem uma ideologia, precursora de uma religião institucionalizada, que sustenta a autoridade do chefe. Quanto aos Estados, afirma que surgiram por volta de 3.700 a. C. na Mesopotâmia, 3000 na Mesoamérica, mais de dois mil anos atrás nos Andes e na China, no sudeste da Ásia e, ao mesmo tempo, na África ocidental, tudo a partir das tribos centralizadas. A escravidão nasceu delas.

Os antigos Estados tinham um líder hereditário, com o título de rei como chefe supremo, que exercia um monopólio maior na tomada de decisões e poder. Um exemplo foi o início do Estado romano que se tornou império através da conquista de outras tribos pela força, cujos capturados se tornavam escravos. O maior número de guerras resultava em mais cativos.

AS TRIBOS CENTRALIZADAS

Estados nativos em contato com os europeus surgiram nos últimos três séculos a partir das tribos centralizadas em Madagascar, Havaí, Taiti, em muitas regiões da Áfricas, no sudeste da América do Norte, noroeste do Pacífico, na Amazônia e na Polinésia

Durante os últimos 13 mil anos, a tendência na sociedade humana foi a substituição de unidades menores e menos complexas por outras maiores e mais complexas. Essas grandes unidades podem se desintegrar, como aconteceu como a União Soviética, a Iugoslávia e a Tchecoslováquia.

No Estado, a especialização econômica é mais acentuada. Quando um governo desmorona, é catastrófico, como aconteceu na Inglaterra na retirada das tropas romanas. Quando Alexandre, o Grande morreu, houve uma divisão do reino, espalhando guerras entre os ambiciosos generais assessores do imperador. Os reis sempre foram os chefes da religião oficial, ou então tinham sumos sacerdotes distintos.

CONDIÇÃO NATURAL

Aristóteles considerava os Estados uma condição natural da sociedade humana que dispensa explicações. Para o autor, o erro dele é compreensível porque as sociedades gregas do século IV a.C. eram Estados. No entanto, sabemos que até 1492 grande parte do mundo era organizado em tribos centralizadas, acéfalas e bandos.

Jean-Jacques Rousseau achava que os Estados são formados por meio de um contrato social, uma decisão racional quando as pessoas pensam em seus interesses próprios. “Mas, a observação e os registros históricos não descobriram um só caso de Estado formado nessa atmosfera etérea de perspicácia imparcial.

Existe ainda a teoria de que na Mesopotâmia, na China e no México, os grandes sistemas de irrigação começaram a ser construídos na época em que os Estados começaram a surgir. Qualquer grande complexo de irrigação requer uma burocracia centralizada para construí-lo e mantê-lo. Pouco se fala sobre a progressão dos bandos para tribos acéfalas e destas para as centralizadas durante os milênios que antecederam a ideia de irrigação em grande escala.

Os iluminados decidiram fundir suas tribos em um Estado capaz de recompensá-los com a irrigação maior. Ressalta o autor, porém, que na Mesopotâmia, na China e no México, os sistemas de irrigação em pequena escala já existiam antes do surgimento dos Estados. Na Mesoamérica, o sistema sempre foi pequeno dentro da capacidade de construir e manter a irrigação.

Na visão de Diamond, o tamanho populacional regional muito contou na construção do Estado. Cita que as tribos centralizadas, com grandes populações, são as mais estratificadas e complexas. Algumas sociedades de caçadores-coletores chegaram a ser tribos centralizadas, mas nenhuma a ser Estado.

QUEM VEIO PRIMEIRO E OS CONFLITOS

Sobre a as relações causais entre a produção de alimentos, variáveis populacionais e complexidade social, ele coloca aquela questão de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Para ele, todos os recursos das sociedades centralizadas intensificaram a produção de alimentos e, consequentemente, o crescimento populacional ao longo da história. A produção de alimentos permite que se adote um sistema de vida sedentário, pré-requisito para se acumular bens, construir obras e desenvolver tecnologias.

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O “MICO” DO MICO-LEÃO

A HISTÓRIA DA HUMANIDADE DE 40 MIL ANOS ATRÁS ESTÁ REPLETA DE DEVASTAÇÕES DO MEIO AMBIENTE E DE EXTERMÍNIO DE NATIVOS DE SUAS TERRAS PELOS MAIS FORTES.

Essa turma retrógrada do governo federal pensa que engana a quem? A nós brasileiros e os estrangeiros investidores, ou a si mesmos, negando os incêndios monstruosos em nossos biomas? No afoite de contemporizar o problema, de que é apenas uma prática cultural, eles terminaram por “pagar o “mico”, transportando o mico-leão da Mata Atlântica para o Amazonas. Aliás, o ministro do Meio Ambiente e o Mourão, do Conselho da Amazônia, nem sabem o que são biomas, nem os distinguir um do outro.

É de doer, de deixar o coração dilacerado e sangrando de tanto ver as imagens das labaredas engolindo o Pantanal e a Amazônia, deixando para trás uma terra arrasada de bichos mortos e a vegetação queimada. É bom falar para eles que o Tuiuiú é do Pantanal, e o Uirapuru é da Amazonas para, mais uma vez, não “pagarem o mico” e o Brasil servir de chacota e piada lá fora.

OMISSÃO DOS BRASILEIROS

Aliás, são todos os brasileiros que estão a “pagar o mico”, e a história um dia vai registrar como omissos por não reagirem energicamente contra a destruição da nossa natureza. Até agora só vejo tímidos falatórios “educados” dos ambientalistas, dos cientistas, biólogos e dos órgãos de defesa do meio ambiente.

Precisamos de mais ação concreta e vigorosa contra esses assassinos, tudo pelo metal vil do nosso continental Brasil, de tantas biodiversidades. O Supremo Tribunal Federal e outras instituições continuam apagados em suas posições enérgicas. Afinal de contas, são nossos representantes, e o Brasil é de todos nós e não de um governo de passagem. É uma questão de Estado. que tem uma Constituição a cumprir.

O que estão fazendo com os nossos biomas é um crime de lesa-pátria que deve ser julgado pelos tribunais internacionais, para que os culpados sejam condenados e punidos com prisão. As queimadas em nossas florestas não é tão somente um problema de soberania nacional, mas de uma agressão a toda humanidade. É uma matança generalizada da fauna e da flora que pertencem ao planeta como um todo, como o elefante, o rinoceronte, o camelo e a zebra não são apenas patrimônios dos continentes africano e asiático.

DA MESMA TREMPE CAPITALISTA

Não acredito muito nesse embargo dos importadores estrangeiros aos produtos agrícolas brasileiros, cujos produtores gananciosos desmatam nossas florestas para expandir suas plantações e criar bois. Com raras exceções, são todos da mesma trempe capitalista que só visa o lucro. A soja, o milho, o algodão, a carne bovina e o ferro continuam sendo exportados para o exterior em grandes quantidades e a valores exorbitantes, mesmo sabendo que são frutos de uma agressão ambiental, sem sustentabilidade.

São todos cúmplices do mesmo crime, e nem estão aí se são produtos sujos e até contaminados com altas cargas de agrotóxicos e venenos. Somente poucos tentam boicotar o consumo, pois quase ninguém nos supermercados se preocupa em olhar suas procedências e origens. A maioria passa batida na hora de comprar a mercadoria.

Os grandes empresários agroindustriais estão se lixando em matar a fome do nosso povo e botar alimento em nossas mesas. Suas preocupações são exportar cada vez mais para ganhar mais e mais dinheiro. Está aí para comprovar isso o exemplo mais recente do arroz, cujos preços foram para as alturas.

Pela alta valorização, os grandes ruralistas preferem jogar tudo no mercado externo, do que abastecer os brasileiros, mesmo sabendo que o Brasil é deficitário nesse produto de consumo. Nenhum é idealista nesse sistema. Por que o governo não proíbe a exportação? É um tremendo paradoxo essa de vender o pouco que tem e depois comprar para repor a falta. Aliás, há 520 anos nosso país permanece atrasado como um dos maiores exportadores de matérias-primas, e importador de industrializados, especialmente da química fina e de tecnologias de ponta.

OS PEQUENOS AGRICULTORES

Os únicos que podem dizer que colocam alimentos em nossas mesas e matam a fome de muitos, por preços razoáveis, são os pequenos agricultores familiares, que não agridem a natureza e tampouco usam agrotóxicos pesados. Mesmo assim, são abandonados pelo governo e explorados pelos atravessadores. Os poderosos dos grãos são demagogos e falsos quando abrem a boca para falar que são alicerces do abastecimento alimentar. Isso é uma deslavada mentira!

Os fazendeiros das megas máquinas são os cupins da nação que destroem as cumeeiras do nosso rico e belo patrimônio ambiental. Eles precisam ser combatidos com inseticidas fortes para que paguem com a mesma moeda de derrubar matas e depois tocar fogo na bagaceira. Conluiados com um governo que compactua com os crimes, ao relaxar a fiscalização, grileiros e garimpeiros sabem que vão ficar impunes para continuar depredando e avançando com o desmatamento e o fogo.

O EXTERMÍNIO DOS INDÍGENAS

Com essas ações destruidoras das derrubadas, seguidas do fogo pelo ruralistas, grileiros, madeireiros e garimpeiros, contando com a complacência nefasta deste governo perverso, a estratégia deles vai muito além de acabar com as florestas. A intenção também é exterminar e expulsar os indígenas de suas terras, levando matanças e doenças para suas tribos e aldeias. Quanto mais desavenças, desgraças e desagregações, melhor para eles.

Na história, assim fizeram os colonos britânicos com os índios norte-americanos nos séculos XVIII e XIX. Assim fizeram os espanhóis com os astecas no México, os maias na América Central e os incas na América do Sul quando aqui chegaram em 1492. Assim fizeram os colonos europeus com os aborígines australianos, bem como, com os papuas da Nova Guiné, com os zulus na África e outros povos nativos e primitivos asiáticos. Tocaram fogo em tudo, levaram doenças, mataram impiedosamente, e escorraçaram seus habitantes para se apropriar das terras mais férteis e ricas em minerais.

 

VOLTA ÀS AULAS E BAJULAÇÃO NO SUPREMO

TUDO CONVERSA FIADA”PRA BOI DORMIR”! ENGANA QUE EU GOSTO!

Como dizia o poeta cancioneiro, eles querem mesmo é bajulação. Todo final de mandato de um ministro do Supremo Tribunal Federal é aquela enxurrada de louvação do Congresso Nacional e do poder executivo federal, com entrega de medalhas, condecorações e direito a um monte de falsidades. Com o Dias Tofolli não poderia ser diferente. É um tal de morde e assopra e, nessa hora, a democracia é a mais “exaltada” depois de pisoteada.

Outro assunto que queria aqui abordar é com relação a volta às aulas nas escolas públicas, como está sendo anunciada pela Prefeitura de Brumado, na Bahia, mesmo contrariando posições dos pais e dos professores. Sinceramente, não consigo entender essa insistência dos governos no retorno ao ensino presencial ainda em plena pandemia, quando as unidades escolares estão fechadas há sete meses!

É uma faz de conta

Qual a intenção desse propósito já no final de ano? Só posso conceber que é para fazer de conta que ano letivo de 200 dias foi cumprido integralmente, colocando aí uma porção de aulas on-line que atingiram poucos alunos, tendo em vista que só poucos têm acesso à internet. Mesmo sem saber, no fim todos vão passar de ano, no faz de conta que o professor ensinou e o aluno aprendeu.

Não seria melhor começar tudo de novo, em pé de “igualdade”, do que adotar esse procedimento de desigualdade entre quem nada captou na aprendizagem e a minoria que conseguiu acompanhar alguma coisa? Para variar, mais uma vez, é o chamado jeitinho brasileiro, inclusive com uma questão tão séria como a educação, que já é deficitária, e esse quadro vem se arrastando há séculos, com alguns altos e baixos.

Além desse problema, temos ainda o mais grave que é a saúde das nossas crianças, dos jovens e, como consequência, a dos mais idosos que são os próprios pais e avós que podem ser contaminados pelo coronavírus. Sabemos que em muitas escolas públicas da nossa Bahia e do Brasil em geral, a estrutura, em termos de higienização, é precária. Muitos lugares, principalmente nas zonas rurais, não têm nem água encanada e potável para os estudantes lavarem as mãos.

Eles, os governantes, prometem seguir com rigor os protocolos recomendados pelos médicos infectologistas, mas sabemos que, na prática, isso não acontece, mesmo porque, sem a Covid-19, sempre faltaram outros produtos nas escolas, inclusive alimentos da merenda. Além disso, como manter um distanciamento entre crianças? É praticamente impossível. O resto é pura demagogia, como a bajulação entre os poderes ao ministro do Supremo que está deixando seu cargo.

Com a queda média móvel nos casos da Covid-19 e também no número de mortes, muita gente está relaxando nos cuidados, inclusive fazendo aglomerações em “paredões” e nas praias (viagens em feriadões), como se a pandemia fosse coisa do passado, o que constitui mais um grande risco na abertura das escolas. Se continuar esse quadro, vamos ter logo mais uma nova alta de contaminações.

Outro evento que pode impactar num retorno do vírus é o das eleições, cujas campanhas começam agora no final do mês. Mesmo sem a oficialização da Justiça Eleitoral, muitos pré-candidatos já estão promovendo aglomerações. Os eleitores que, fora de época, chamam os políticos de sujos e ladrões, como sempre, estão afundando na festa, torcendo para seus corruptos e antiéticos. Verdadeiramente, este não é mesmo um país que se pode levar a sério.

 

BANDOS, TRIBOS ACÉFALAS, AS CENTRALIZADAS E A CRIAÇÃO DO ESTADO

A LUTA DE CLASSES NAS TRIBOS CENTRALIZADAS E NO ESTADO

No capítulo “Do Igualitarismo à Cleptocracia”, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, o cientista Jared Diamond faz uma viagem na história da humanidade há 40 mil anos, descrevendo a vida do homem em bandos, nas tribos acéfalas, nas centralizada onde já aparece a estrutura social e política de organização até a criação do Estado com suas leis, ordens e punições aos cidadãos que cometem delitos.

Primeiro, ele começa citando os bandos nômades da Nova Guiné onde fez suas pesquisas, chamados de fayus. Eles viviam como famílias solitárias, espalhadas pelo pântano e se reuniam uma, ou duas vezes ao ano para negociar a troca de noivas. São formados por cerca de 400 caçadores-coletores, divididos em quatro clãs. Seu número foi reduzido por causa dos assassinatos cometidos entre eles.

MISSIONÁRIOS E PROFESSORES

A incorporação dos bandos e das tribos à sociedade moderna muito se deveu ao trabalho dos missionários, professores, médicos, burocratas e aos soldados colonizadores. “ A disseminação dos governos e da religião sempre esteve interligada ao longo da história que está registrada, quer a disseminação fosse pacífica, como dos fayus, ou pela força.

Como exemplo de bandos, que ainda vivem de modo autônomo confinados, o autor da obra cita os da Nova Guiné e os da Amazônia, mas existem outros que se submeteram ao controle do Estado e até foram exterminados. Entre eles estão a maioria dos pigmeus africanos caçadores-coletores, os aborígines australianos, os esquimós e os índios das Américas.

Todos, de acordo com Diamond, foram caçadores-coletores em vez de produtores de alimentos estabelecidos. Esses humanos viviam, provavelmente, em bandos até pelo menos 40 mil anos atrás. Praticamente, o bando não tem liderança formal, conquista por qualidades, força, inteligência e uso da luta. O “líder” do bando é chamado de o “homem-grande”, como qualquer outro do grupo, sem nenhum privilégio de vida.

Na Nova Guiné, por exemplo, o bando é nômade porque tem que se mudar quando já cortaram os sagueiros maduros em uma área. Lembra o autor do livro que os gorilas, chimpanzés e os macacos bonobos africanos também viviam em bandos. “O bando é a organização política, econômica e social que herdamos de nossos milhões de anos de história evolutiva”.

“A organização tribal é bem representada pelos habitantes das regiões montanhosas da Nova Guiné, cuja unidade política antes da chegada do governo colonial, era uma aldeia, ou grupo de aldeias de pessoas com relações de parentesco”. O pesquisador aponta, como exemplo, os forés com os quais trabalhou, em 1964, com a mesma língua e a mesma cultura.

Em sua opinião, essa organização tribal começou a surgir por volta de 13 mil anos atrás no Crescente Fértil e depois em algumas outras áreas. Além de deferir do bando, em virtude da residência fixa e do maior número de membros, a tribo também é constituída de mais de um grupo de afinidade, denominada de clã.

Na estrutura tribal centralizada em sociedades, as soluções quanto às questões de conflitos entre estranhos são mais complicadas em grupos maiores. Numa tribo acéfala, quase todos são parentes consanguíneos, ou por afinidade. Mesmo assim, ela preserva um sistema de governo informal e igualitário. No bando, o poder do “homem-grande” é limitado.

Nas tribos, nenhum membro, ou bando tradicional, pode enriquecer mais do que os outros pelos próprios esforços, pois cada indivíduo tem deveres e obrigações para com os outros. Como nos bandos, as tribos não têm força policial, burocracia e impostos. Todos os adultos capazes participam do cultivo, da coleta ou da caça dos alimentos.

DESAPARECIMENTO DAS TRIBOS CENTRALIZADAS

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QUEM ROUBOU, ROUBOU, E QUEM…

A Procuradoria Geral da República e o Ministério Público Federal estão derretendo a Força Tarefa da Laja Jato como neve ao sol. Os processos estão sendo arquivados pelos tribunais federais regionais, inclusive os de Lula, José Serra e de outros companheiros, como o próprio Temer. Lembra no que deu o caso do caçador de marajás? A história se repete com o caçador de corruptos.

O Tribunal Superior de Justiça e a Polícia Federal estão dominados, desviando as atenções para o governador do Rio de Janeiro (uma briga vingativa entre o grupo da família bolsonarista), e quem roubou, roubou, e quem ainda não fez isso, pode seguir em frente que as portas estão sendo abertas. Está vencendo a impunidade, como sempre no Brasil!

Não se surpreendam se lá na frente o Lula e o seu PT se coligarem com o bando do capitão-presidente e seus generais. As cachorradas nas ruas, dando seus espetáculos, continuam soltas e não são novidades. O chefe está calado e matutando em seu canto, assuntando a boiada passar com seus vaqueiros enquanto vai sendo poupado das acusações, numa tática armada pela Procuradoria Geral da República.

Por pressão, o coordenador da Força Tarefa Deltan Dallognol jogou a toalha, com a desculpa fajuta de cuidar de uma doença do seu filho. Engana que eu gosto! Como diz o ditado, nesse angu tem caroço. No arrastão, houve uma debandada geral dos procuradores que perceberam que a Lava Jato está se transformando naquele trabalho idiota de enxugamento de gelo, ou melhor, num Lava Gelo.

O BRAÇO DO PODER DO MAIS FORTE

Não conheço e nem estou aqui defendendo suspeitos de corrupção, mas nesse imbróglio, ou rolo do governador do Rio e seus compassas, tem o braço do poder do mais forte. Tudo cheira a um esquema maquiavélico para enganar a opinião pública e encobrir os malfeitos do passado da família do capitão.

O Tribunal Superior Federal, com seus costumeiros ministros da soltura e dos arquivamentos, está aliviando a cara de muita gente. Cabral e outros perigosos logo vão estar livres. Até o Gedel das malas de dinheiro no apartamento voltou para sua mansão, sob o argumento de que poderia pegar Covid-19 na cadeia. Nesse caso, teria que abrir as grades das penitenciárias para todos os bandidos.

O esquema é desviar as atenções para o Rio de Janeiro enquanto vai-se enterrando a Lava Jato e abrindo as cadeias dos que foram presos pela Força Tarefa sob a batuta do juiz Sérgio Moro, que ontem era ovacionado pelos seguidores do Bozó e hoje está sendo excomungado e defenestrado pelos mesmos brutos da direita fascista. O negócio é deletar o juiz “caçador de corruptos”.

Cheira muito estranho esse afastamento tão rápido do governador do Rio de Janeiro pelo Superior Tribunal de Justiça, sem ouvir a defesa, quando o processo deveria primeiro passar pelo crivo da Assembleia Legislativa. Por que outros governadores que estão sendo alvos de investigação idêntica também não foram atingidos?

Longe de mim ser um defensor do governador carioca, muito pelo contrário, mas que o julgamento foi esquisito, isso foi. Estamos diante de mais um caso que foge aos tramites democráticos num estado de direito. Dizia um amigo meu que “neste mato tem coelho”, e dos grandes!

“RENDE BRASIL” COM MAIS VOTOS

Viram a proposta da reforma administrativa enviada pelo executivo ao Congresso Nacional onde deixa de fora as castas dos militares, do legislativo e do judiciário? Nossas praias vão continuar infestadas de tubarões sedentos de sangue brasileiro. A base da pirâmide vai permanecer pagando o pato.

Nesse bojo do conluio entre o poder executivo federal e o legislativo (o Congresso Nacional), que agora estão de lua-de-mel, está sendo lançado o “Renda Brasil”, ou “Rende Brasil”, porque vai render muita fartura e fortuna para os mesmos! A lavoura está sendo bem irrigada!

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OS PARADOXOS BRASIL-BRASÍLIA E A EXPLOSÃO DA COVID-19 NAS ELEIÇÕES

A capital Brasília, de acordo com pesquisas feitas pelo IBGE, apresenta o maior poder aquisitivo do país, que influi, de certa forma, positivamente na qualidade de vida dos cidadãos. Essa constatação vem seguida de uma pergunta sobre o que produz Brasília para alcançar esse nível de destaque, tendo em vista não ser centro industrial e financeiro, sobressaindo mais na área de serviços.

A resposta está nos altos e supersalários dos três poderes executivo, judiciário e legislativo, que mamam, diuturnamente, nas tetas dos contribuintes, isto é, sugam todo nosso dinheiro público. Seu poder aquisitivo não advém do setor privado, e nem a São Paulo industrial, que é o carro-chefe da economia, consegue superar os valores salariais de Brasília.

Inchaço e péssimos serviços públicos

Este é um dos grandes paradoxos do nosso rico-pobre Brasil que contribui para os rombos fiscais e a crescente dívida pública com a emissão de mais e mais títulos para cobrir os déficits. Além dos altos salários, existe o inchaço do quadro de pessoal, feito por indicações políticas em todos os poderes. Como resultado, a prestação de serviços é péssima, deixando muito a desejar em termos de qualidade e produtividade.

É um paradoxo entranhado no outro. Mesmo contrariando a lei, os supersalários de magistrados, funcionários públicos que acumulam uma série de benefícios em suas caixas receptoras, deputados e outros cargos vão além do teto estabelecido e tolerado dos ministros do Supremo Tribunal Federal, de pouco mais de 40 mil reais mensais. Milhares ganham mais de 100 mil reais por mês.

É uma verdadeira farra, e ninguém quer abrir mão de suas mordomias, mesmo num estado de guerra sanitária. Estou falando de supersalários, mas ainda existem as benesses por fora nos três poderes. Cinicamente, ficam lá, vez por outra, “defendendo” dar mais umas migalhas para o povo, como forma de cala boca.

Portanto, Brasília é o monstro sugador do Brasil, um país rico, mas, paradoxalmente, pobre com a pior desigualdade social do mundo. A capital não produz praticamente nada, mas tem o maior poder aquisitivo. Vá explicar isso para um estrangeiro! Interessante que um bando de políticos cobra menos gasto público, justamente montado num Congresso mais caro do mundo. É muita hipocrisia, incoerência e insensatez!

É, minha gente, o Brasil é um poço de paradoxos e, se fosse listá-los aqui, passaria um mês escrevendo e não se esgotariam! Um dos mais escancarados e recentes está vindo do governo fascista e retrógrado que retira dinheiro do orçamento da educação e da saúde para botar na compra de armamentos para as forças armadas.

Lembra do menestrel Juca Chaves quando fala que o Brasil vai à guerra, comprou navios, torpedos, submarinos e vai ser uma potência nuclear? Aprovam arrojados projetos de saneamento básico (mais da metade da população não tem serviços de esgoto); reforçam o Fundeb (ensino básica) com mais recursos e, ao mesmo tempo, o governo corta verbas da educação. Será que alguém aí pode me explicar? Só queria entender!

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A PRIMEIRA LIVE DO SARAU A ESTRADA

Realizamos no último sábado (dia 29/08) a primeira Live do Sarau A Estrada com a participação de José Carlos (coordenação), professor Itamar Aguiar, Edna Brito, Alex Baducha, Regina Chaves, Jeremias Macário e Vandilza Gonçalves. Não foi o ideal em termos de quantidade de pessoas (faltou mais divulgação), mas foi total sucesso no sentido de interação, empatia e quanto aos temas debatidos, com um bom conteúdo e aproveitamento.

Essa foi uma Live para matar a saudade dos nossos eventos presenciais costumeiros que estão sem ser realizados há sete meses (o último foi no início de fevereiro) por causa da pandemia que não vai acabar com o nosso Sarau. A Live de três horas, das oito e meia da noite até por volta de onze e meia do sábado, foi muito prazerosa e até diria emocional, num papo bastante descontraído e informal.

NAÇÃO CIGANA

Durante os debates falamos de muitos assuntos importantes, principalmente na área social e cultural. Discutimos um pouco sobre a tecnologia e suas influências na história da humanidade, moradores de rua, mas o principal assunto que rolou foi sobre as nações ciganas, povo sem pátria, e que sempre foram excluídas das nossas sociedades.

Para completar e temperar ainda mais a Live, ainda sobrou espaço para declamação de poemas, e o músico e cantor Alex Baducha nos animou apresentando várias canções ao som do violão. Podemos dizer que foi uma noite inspirada de muita troca de informações, conhecimentos e aprendizagem, mantendo o mesmo formato do Sarau presencial. Pretendemos fazer outra Live ainda neste mês de setembro com mais participantes. Em breve comunicaremos ao grupo o dia e hora do evento.

Sobre as nações ciganas, o jornalista Jeremias Macário fez um resumo histórico desse povo que tem várias origens, mais precisamente vindos da Ásia, e que depois adentraram na Europa.  Os Calons e os Rum foram os grupos que mais se destacaram. Os primeiros, que viviam mais na Península Ibérica, vieram para o Brasil entre os séculos XVII, XVIII e XIX como degredados, mais por perseguições, exclusão e discriminação do que por crimes cometidos.

O rei D, João V, de Portugal foi um dos maiores perseguidores da nação Calon, também chamados de Kalé, mas no Brasil foram acolhidos até na corte de D. João VI, com apresentações artísticas durante saraus da família real. Como bons empreendedores, tudo fizeram na vida para sobreviver e manter unidos seus grupos, desde a venda de cavalos, consertos de caldeiras nos engenhos de cana, panelas, leitura das mãos pelas mulheres, venda de arreios e até de escravos de segunda mão para pequenos produtores rurais. No Rio de Janeiro, por muito tempo, viveram no Campo de Santana e dali sobressaíram homens ricos. Muitos foram tocados para o interior, para povoar o sertão – conforme ressaltou Itamar.

De acordo com Jeremias, no país por onde andavam sempre foram discriminados e perseguidos, e viviam em correrias tangidos pela polícia de um canto para outro, vistos como trapaceiros, preguiçosos, sujos, arruaceiros e até como bandidos. Quanto aos Rum, mais artísticos e circenses, esse povo chegou ao Brasil no final do século XIX com a leva de imigrantes estrangeiros, como italianos, alemães, poloneses e russos.

Como eram tão discriminados, eles davam nomes diferentes na alfândega. Uma curiosidade que poucos conhecem é que essa gente também tinha uma inclinação para política e, da sua descendência, saiu o primeiro presidente cigano brasileiro que foi Juscelino Kubitschek, neto de um cigano Rum legítimo de Diamantina. Portanto, já tivemos de tudo como presidente da República.

O professor Itamar Aguiar também fez algumas pinceladas sobre o tema, como todos os outros participantes, e até declamou um poema cigano. Logo, por acaso, enveredamos na questão dos moradores de rua através de um poema “No Olho da Rua”, de autoria de Jeremias Macário, declamado por ele mesmo.

Regina pediu a colaboração de todos do grupo para que contribuam com seu artigo que está elaborando para seu curso, falando da importância do Sarau A Estrada, que está completando dez anos de existência. No final da Live, cada um fez suas considerações finais e todos se despediram com emoção, com o gosto de mais outro evento virtual. É bom lembrar que durante essa pandemia, o Sarau vem produzindo uma série de vídeos, culminando numa curta-metragem colaborativa de 22 minutos que está sendo distribuída.

AS TRANSFERÊNCIAS TECNOLÓGICAS E AS QUESTÕES GEOGRÁFICAS E ECOLÓGICAS

Houve transferência de técnicas chinesas de fabricação de papel para o Islã quando o exército árabe derrotou o chinês na batalha do rio Talas. O Islã encontrou alguns artífices entre os prisioneiros de guerra e os levou com a intenção de montar uma fábrica de papel. Existia difusão de ideias proteladas, como foi o caso da porcelana inventada na China por volta do século VII. Chegou à Europa pela Rota da Seda no século XIV.

A narração consta do livro “Armas, Germes e Aço”, do cientista Jared Diamond, no capítulo que trata de “A Mãe da Necessidade”, destacando as questões das transferências tecnológicas e as interferências geográficas e ecológicas na difusão das ideias.

AS INVENÇÕES E LOCALIZAÇÕES GEOGRÁFICAS

Só em 1707 o alquimista Johann Bottger, depois de demoradas experiências, encontrou a solução e iniciou a fabricação das famosas porcelanas de Meissen. Do mesmo modo, os oleiros europeus tiveram que reinventar os métodos chineses de fabricação, por conta própria.

No caso da difusão, de acordo com Diamond, as sociedades diferem na rapidez com que recebem a tecnologia de outras comunidades, dependendo da localização geográfica. Os povos mais isolados da Terra na história recente eram os aborígines tasmanianos, que viviam em embarcações para atravessar oceanos em uma ilha a cerca de 160 quilômetros da Austrália, o continente mais isolado. Durante dez mil anos, os tasmanianos não tiveram nenhum contato com outras sociedades e não adquiriram nenhuma tecnologia diferente.

As sociedades localizadas nos principais continentes evoluíram a tecnologia mais depressa porque acumulavam suas próprias invenções e as de outras comunidades. O Islã medieval, localizada na Eurásia, absorveu invenções da Índia, da China e ainda herdou a cultura grega.

As tecnologias úteis persistem até serem substituídas por outras melhores. Qualquer sociedade passa por movimentos sociais, ou por modismos onde coisas economicamente inúteis se tornam valorizadas, e as úteis perdem, temporariamente, sua importância. Hoje quando todas sociedades estão conectadas umas às outras, não podemos imaginar que um modismo se perca ao ponto de uma tecnologia fundamental ser descartada.

Um exemplo foi o abandono de armas pelo Japão quando elas chegaram em 1543 por dois aventureiros portugueses com arcabuzes. Os japoneses ficaram impressionados e deram início a uma produção, aperfeiçoando a tecnologia. Por volta de 1600 possuíam armas melhores e em maior quantidade que qualquer outro país.

No entanto, existiam fatores contra a aceitação de armas, como a numerosa classe de guerreiros samurais para quem as espadas eram símbolos de status e consideradas obras de arte. A guerra japonesa envolvia combates isolados entre samurais que se orgulhavam de lutar elegantemente. Soldados camponeses atiravam deselegantemente. Além disso, as armas eram invenção estrangeira e passaram a ser menosprezadas. O governo começou a limitar a produção de armas através de uma licença para fabricação. Depois limitou a licença só para armas produzidas para o governo. Esse processo só terminou em 1853 quando uma frota americana cheia de canhões convenceu o Japão da necessidade de retomar a fabricação de armas.

Outros retrocessos desse tipo ocorreram na pré-história, como no caso dos aborígines tasmanianos que abandonaram até as ferramentas feitas de osso. A cerâmica foi abandonada em toda Polinésia. A maioria deixou de usar arcos e flechas na guerra.

A DIFUSÃO DA INVENÇÃO

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A INTENÇÃO É FATURAR MESMO!

A QUESTÃO DO LIMITE

Sou a favor dos radares eletrônicos nas principais vias da cidade e da retirada imediata dos quebra-molas, ou quebra-carros. No entanto, como cidadão, com livre direito de se expressar, não concordo com o limite “maluco” da quilometragem, principalmente nas avenidas Luis Eduardo Magalhães, Juracy Magalhães e na Via Perimetral, entre 50 e 60 quilômetros.

Não me venham com esse papo de reduzir os acidentes porque é subestimar a inteligência dos outros, tentar enganar, como sempre fazem nas propagandas institucionais. Vamos no popular: A intenção é faturar mesmo! Colocar 50 quilômetros na Luis Eduardo é deixar o motorista irritado, sendo obrigado a manter o veículo na terceira, forçando a marcha. Ele vai ter que segurar nos 40 para o ponteiro não ir para os 50 e exceder.

O propósito é provocar o condutor para o ponteiro chegar aos 55 quilômetros. Nessa via, poderia colocar o limite de até 80, sem problemas de acidente, mas aí vai ter menos flagrantes de velocidade e menor faturamento. Esse limite imposto pela prefeitura com seu consórcio pode até provocar batida e lentidão demasiada no trânsito.

Nessas condições, melhor evitar passar pela Luis Eduardo e pela Via Perimetral. Nas subidas e descidas, o motorista vai ter que se segurar na terceira, com mais gasto de combustível. Esse limite obrigatório é um absurdo, feito para faturar mais. O resto é moralismo barato que se ouve todos os dias neste país do Deus verá, do sempre foi assim que Ele quis.

Tem gente que não se sente bem contestar certos tipos de coisa como essa, com medo de ser discriminado, visto como vilão e transgressor das leis e das normas, mas a verdade tem que ser dita. Vamos rodar no compasso tartaruga. Quem mora nessas bandas da Juracy Magalhães e precisa ir às imediações da Olívia Flores e Centro de Cultura, melhor ir mesmo por baixo, pegando o “Gancho” e a Otávio Santos, porque chega mais rápido e não vai passar tanta raiava.

O critério principal nessas mudanças tecnológicas no trânsito, bem-vindas e necessárias, diga-se de passagem, é ganhar dinheiro e menos preservar acidentes e vidas. Fala mais alto a grana que vai cair nos cofres. O resto é enrolação e ôba-ôba. Nas outras avenidas, o limite já é controlado por causa do movimento intenso do dia a dia, a não ser na madrugada quando aparecem uns malucos dirigindo em alta velocidade. Vamos ver no que vai dar!

Já que está se optando pelos meios tecnológicos no controle do trânsito, o que é o correto e veio tarde na terceira maior cidade da Bahia, esperamos que o poder público retire de vez metade dos quebra-molas da cidade que, além de ser um atraso, servem para quebra veículos, gastar mais gasolina e deixar o motorista nervoso e estressado. Vamos deixar de ser a capital do quebra-molas. Assim esperamos que aconteça.

O RELAXAMENTO DA COVID-19

Mudando de assunto, ontem à tarde (sexta-feira), fiquei assustado quando tive que sair da minha casa e ir a um mercadinho na Avenida Filipinas. De cara vi muita gente andando sem máscaras, inclusive dentro dos carros. No mercado me senti mais ainda horrorizado quando me deparei com funcionários e clientes sem proteção. Uma senhora idosa berrava aos gritos com a criança (filho ou neto), expondo gotículas de cuspe no ar.

No caixa do estabelecimento, só a menina usava máscara e, em torno dela, pessoas sem nenhuma proteção contra o vírus. Voltei apressado e percebi que muita gente transitava normalmente, inclusive dentro de uma lanchonete, num açougue e numa borracharia. Foi aí que cai na dura realidade de que as pessoas estão achando que tudo passou como se fosse uma “gripezinha” do Bozó presidente.

A recomendação, ou o protocolo (termo mais repetido nesses tempos de pandemia), é que o uso de máscaras é obrigatório nos supermercados e casas comerciais, mas pelo visto isso só é seguido no centro da cidade. Nos bairros existe um relaxamento, propagando a contaminação, mesmo porque a fiscalização municipal não dá conta de cobrir outras áreas mais distantes. A população está baixando a guarda e é aí que corre o perigo.

O POLÍTICO É PRODUTO DO POVO

Por que o povo tolera a transferência do fruto do seu trabalho árduo para os cleptocratas? A pergunta, levantada por teóricos de Platão a Marx, é feita pelo cientista Jared Diamond em seu livro “Armas, Germes e Aço”. Nos tempos modernos, essa questão é comentada por muitos eleitores em todas as eleições.

No panorama atual brasileiro, diria que um dos motivos é porque os políticos que se desviam de suas funções e enveredam pelo caminho da corrupção, são produtos do povo que os elege. Aqui em nosso país, as cleptocracias não correm o risco de serem destituídas pelo povo oprimido, mas substituídas por novos ricos que buscam apoio público com promessas de proporções maiores de serviços em relação aos frutos roubados. Infelizmente, são atendidos e mantidos pelo voto.

Para conquistar apoio popular, os ricos recorrem a uma mistura de quatro soluções, conforme analisa o cientista. Dentre elas, desarmar a população e armar mais ainda a elite, como vem ocorrendo há séculos em nosso Brasil.

Outra é fazer a massa feliz, redistribuindo boa parte do produto recebido em coisas de apelo popular. A terceira solução é usar o monopólio da força e, por último, elaborar uma ideologia, ou uma religião (em nosso caso os evangélicos) que justifique o governo dos ricos e burgueses capitalistas.

Milhares de anos antes de Cristo, os bandos e as tribos tinham suas crenças sobrenaturais, assim como as religiões modernas. No entanto, as crenças nos bandos não serviam para justificar a autoridade central. Nas tribos centralizadas e no Estado, as crenças foram institucionalizadas e ganharam a função de religião. A partir daí os chefes passaram a ter uma ascendência divina, numa linha direta com os deuses. Eles, então, começaram a alegar que serviam o povo, intercedendo junto aos deuses.

Vivemos numa democracia cleptocrata onde os ricos são substituídos por outros, ou os eleitos governam voltados para as elites, com a promessa de fazer redistribuição de renda e reduzir as profundas desigualdades sociais, mas acabam praticando o populismo assistencialista através de esmolas que atraem o voto popular. O povo atende ao apelo do produto.

Em nossa história eleitoral, o político, que se apropria do fruto do nosso trabalho, tem sido um produto do povo, como o capitão-presidente que atenta contra nossa democracia; chama jornalistas de homossexuais e de bundões; apoia uma intervenção militar e; por outras atitudes, já deveria ter sido guilhotinado pelo impeachment. Por muito menos, Fernando Collor e Dilma foram cassados por uma camada da cleptocracia insatisfeita.

 

 





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