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A PROFESSORA NINA QUE EU TIVE
(EM HOMENAGEM A TODOS OS MESTRES)
Este texto foi publicado no livro “Andanças”, de autoria do jornalista, escritor e poeta Jeremias Macário. A obra pode ser encontrada na livraria Nobel, na Banca Central, ou diretamente através do autor pelo e-mail macariojeremias@yahoo.com.br e pelo tel 77 98818-2902.
O homem sem instrução é um homem iludido. Em minha vida nunca imaginei que uma profissão tão linda e nobre fosse se transformar em medo, angústia e pesadelo. O orvalho da manhã está cada vez mais escasso, e a relva e a grama da minha casa estão secas. O prazer de ensinar e levar conhecimento aos rebentos virou uma obrigação. Sem o riso de antes, muitos estão partindo para outras atividades enfadonhas e chatas, seguindo a lei da sobrevivência a qualquer custo.
Aprendi as primeiras letras e a entoar a tabuada para fazer umas continhas de somar, diminuir e multiplicar com a real professora leiga dona Nina, não aquela personagem título de livros, de peças teatrais, crônicas e contos como símbolo da nossa imaginação para identificar a profissão. Como tudo que acontece pela primeira vez na vida, nunca me esqueci daquela frágil, terna e carente mulher. Mas, o que mais me marcou foi a sua extrema pobreza e como arranjava forças para ensinar.
Era meado dos anos 50 do século passado quando tive minha primeira professora Nina. A infância na roça da fazenda Queimadinha, isolada de tudo, não me dava nenhuma noção do porquê tinha que caminhar com minha irmã dois, três quilômetros dentro de um matagal todos os dias para encontrar com a professora, para ler soletrados os textos de uns livros e ouvir o clamor, choros e brigas de uma família de mais de dez pessoas por causa de um prato de comida nas horas do almoço.
A professora Nina morava como agregada de um vasto latifundiário que mais lembrava os condes e duques franceses da pré-revolução. A fazenda de quilômetros e mais quilômetros de capim e gado se situava num território pertencente ao município de Mundo-Novo e depois Piritiba e Tapiramutá. Como meeira, ela dividia com o patrão usurário e opressor os poucos pés de cafés que tinha no quintal da velha casa. O quadro não mudou. O capitalismo se alimenta de carne humana.
Todos definhavam de fome. Um rapaz anêmico vivia chorando pelos cantos da casa e o velho pai era um alcóolatra à beira da morte que pegava vísceras de bois em matadouros da vizinhança para cozinhá-las numa aguada panela de feijão. Meu pai, também pobre, pagava seus préstimos de professora com um pouco de dinheiro e farinha da terra donde colhia a mandioca do roçado. Eram tempos de muita dureza e o homem trabalhava como escravo, sem direitos a nada. Não mudou muito. A fome batia quase todos os dias na nossa porta e nos olhava com aquela careta de monstro.
O velho e o rapaz morreram e, como já viviam na miséria, nem foram notados. Eram lixos deteriorados ocupando o espaço. Como observou Shakespeare, “Quando morre um mendigo nenhum cometa é visto, mas os céus cospem fogo quando morre um príncipe”.
A professora Nina e o restante dos seus filhos pegaram um pau-de-arara e tomaram o rumo de São Paulo. Meu pai vendeu a terrinha e fomos para outro local onde pelo menos tinha um tanque d´água. Passei anos longe das minhas primeiras letras e só depois fiz, com muito sacrifício, o primário em Piritiba. Mais algum tempo parado e somente em 1962 ingressei no Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho, em Amargosa. Bons tempos de estudos e aprendizagem, com professores de qualidade. Ensino puxado!
Passaram-se quase 65 anos e a educação teve suas reviravoltas de altas e baixas, mais que baixas, para cair numa vala lamentável de decadência e menosprezo, numa cruzada de greves, paralizações, ocupações, protestos, desespero, revolta, lamentos e violência nas salas de aulas onde existem mais discórdias que harmonias.
Até o final dos anos 70 e início dos 80, a educação pública era uma referência de qualidade e conteúdo. O professor era o verdadeiro mestre respeitado na sala e os alunos o reverenciavam como um pai, somente abaixo do Eterno. De lá pra cá foi entrando em degradação de promiscuidade total, diferente da missão primordial de transmitir sabedoria e conhecimento.
Aquela imagem da professora Nina e sua família continua viva em mim através de cenas reportadas nos dias atuais de professores comendo bolachas num reservado escondido de uma sala para matar a fome e outros vendendo seus livros de literatura nas ruas para sobreviver, sem contar as agressões sofridas no exercício de suas atividades.
Uma professora chora quando lembra que um dia um aluno colocou um revólver em sua cabeça e lhe intimou que desse uma nota máxima em sua prova para passar de ano. Perdeu, professora! Para não morrer, teve de ceder, mas, traumatizada, nunca mais retornou à sala de aula. Para sobreviver foi ser doceira. Igual a ela, tantos outros se afastaram do ministério de ensinar. De amigo e conselheiro, o professor é visto hoje pelos seus estudantes como um inimigo que merece ser castigado porque escolheu ensinar e formar crianças e adolescentes rebeldes de um lar, cujos pais se ausentaram de suas obrigações, valorizando mais o capital que o humano.
Pelo nível a que chegamos, de baixos índices de aproveitamento escolar que envergonham a nação, com imagem tão negativa lá fora, a pátria como mãe biológica ou adotiva, carece parar com todas suas obras, pontes, estradas, viadutos e projetos de portos e aeroportos, para só cuidar da educação. Esta filha desamparada de mãe desnaturada caiu em desgraça na prostituição das ruas e das drogas.
A figura de um professor qualificado e motivado é o fator mais importante para o sucesso do aluno na escola e na vida, conforme estudos realizados em vários países. No Brasil, quem tira maiores notas nas escolas prefere fazer outros cursos universitários ao invés de pedagogia, isto porque a profissão oferece pouca atratividade, devido à baixa remuneração e más condições de trabalho. O próprio Ministério da Educação constatou que o curso de pedagogia tem sido o destino dos alunos com as piores notas nos exames do ensino médio.
Chegamos ao ponto crucial de que a educação não é mais apenas uma questão de prioridade, mas de salvação de vidas. Milhões são vitimados antes do tempo no Brasil por falta de educação. A professora Nina foi a primeira a me dar régua e compasso para escrever este texto. Outros mestres vieram depois fazendo o demorado processo de lapidação
NUMA CAMPANHA ELEITORAL A MENTIRA É A MAIOR VENCEDORA
Como numa guerra, onde a maior vítima é a verdade, numa campanha eleitoral, a maior vencedora é a mentira, e o pior é que geralmente seus mentores terminam ganhando o pleito porque os eleitores têm memória curta, a maioria é ignorante, ou ficam cegos quando estão ao lado de seus candidatos. Cada apoiador acha que deve ser assim mesmo para derrubar seu adversário que, por sua vez, usa do mesmo artifício e mente.
É um festival de mentiras quando começa o embate, sem falar das promessas vãs. Todos são pelo social e pela melhoria de vida dos cidadãos, tudo num plano genérico mentiroso. As propostas e os projetos viáveis de serem realizados são as maiores vítimas. Antes, o povo diz que detesta toda essa sujeira política, mas na hora cada um está lá defendendo seu preferido nas ruas, em plena aglomeração, desrespeitando o protocolo de distanciamento por causa da pandemia do coronavírus.
É IMORAL
A Justiça Eleitoral pouco dá as caras, e sempre faz vistas grossas. Vez por outra pega um bode expiatório e aplica umas multazinhas para passar a impressão que está atenta e atuando. Tudo é imoral e prevalece a mentira, que conta com a cobertura da impunidade. Sem uma reforma política séria (eles nem querem falar nisso) de punição com rigor, os candidatos correm soltos praticando suas ilegalidades, e até acontece compra de votos por fora.
O candidato à reeleição, Hérzem Gusmão, diz abertamente que entregou a Via Perimetral J. Pedral, como se fosse uma obra exclusiva dele, quando apenas em seu início de governo fez os acabamentos finais, ou seja os arremates que faltavam. Do outro lado, Zé Raimundo fala da construção do Aeroporto Glauber Rocha que levou mais de 15 anos para ser concluído e teve várias pais como “criadores da criança”.
Quando tratam de números nas áreas da educação e da saúde, sobretudo, o volume de mentiras e contradições explode. A tática é maquiar dados e um rouba o feito do outro. A verdade sobre os fracassos da má gestão sempre é camuflada. Nada de ética nas informações, tão pouco seriedade e mea culpa no que deixou de ser feito, ou nos erros cometidos. Prefiro o termo mentiras à brasileira do que essa tal de “fake news” inglesada norte-americanizada.
A BARRAGEM É OUTRA MENTIRA
Há quantos anos eles estão mentindo para os conquistenses quanto a construção da barragem de abastecimento de água? Quantos aditivos já foram assinados para a concretização do projeto que ainda não saiu do papel? Mentem para os servidores públicos, para os professores, para os usuários do transporte coletivo e, lamentavelmente, traem a educação, a saúde e a cultura.
Aliás, no conjunto da obra, nós eleitores temos uma grande parcela de culpa porque alimentamos e aceitamos as mentiras, a negação da ética e a falta de compromisso, tendo em vista que depois das eleições passamos mais quatro anos sem fazer as devidas cobranças e fiscalizando de perto os seus atos,
Por sua vez, sem uma consciência política formada, votamos numa Câmara de Vereadores de 21 membros (um absurdo de parlamentares) que se torna refém do executivo e a tudo diz amém para conseguir uma obra para seu bairro ou zona rural. O vereador não mais legisla e cumpre o seu papel de fiscalizador.
Mais uma vez, nosso povo é cumplice de todas essas mentiras porque só quer tirar proveito próprio e não pensa na coletividade. Um eleitor quando vai ao gabinete de um vereador é para pedir favor, um cargo, uma ajuda financeira e um emprego para ele, ou para a sua família. Assim se fecha o ciclo da cultura do coronelismo, e todos contribuem para engordar, cada vez mais, as mentiras.
Em tempos de pandemia, a maioria dos candidatos promovem aglomerações, sem nenhum pudor, e os eleitores fundam dentro, colocando a possível vitória do seu político safado e desleal acima da vida, lembrando aquele torcedor fanático e idiota que abre a boca para afirmar que o seu time é a sua vida.
Em Vitória da Conquista, na escolha dos temas, proposto por um veículo de comunicação, os eleitores excluem da pauta das discussões com os candidatos a prefeito, as questões da educação, da cultura e da saúde. Preferem animais nas ruas, calçamentos de ruas e outros secundários. É uma total pobreza de prioridades, mas, pelo população que temos, é compreensível.
AS DIFERENÇAS ENTRE EURASIANOS E AMERÍNDIOS NA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA
No final da Idade Média, ou no Renascimento, a maior parte da Eurásia já era governada por Estados organizados, como os dos Habsburgos, otomanos, chineses, o mogol na Índia e o mongol em seu auge no século XIII. As Américas tinham dois impérios, o dos astecas e dos incas, correspondentes aos eurasianos em tamanho, população, composição política, religiões oficiais e origens.
Até aí tudo bem, conforme relata o autor do livro “Armas, Germes e Aço”, de Jared Diamond, mas os sete Estados europeus (Espanha, Portugal, Inglaterra, França, Holanda, Suécia e Dinamarca) dispuseram de recursos para conquistar colônias americanas entre 1492 e 1666. O uso da escrita nas Américas era restrito às elites em uma pequena região da Mesoamérica.
OS EURASIANOS ERAM SUPERIORES
No tempo de Colombo, segundo o cientista, as sociedades eurasianas, com a escrita, eram muito superiores aos ameríndios na produção de alimentos, germes, tecnologia, armas e organização política. Esses fatores influíram no resultado dos confrontos pós-colombianos. A produção de alimentos começou a suprir uma grande parcela das dietas humana nas pátrias eurasianas cerca de cinco mil anos mais cedo do que nas pátrias das Américas.
A produção de alimentos começou a se expandir, inicialmente, no Crescente Fértil, na China, na Eurásia, nos Andes, na Amazônia, na Mesoamérica e no Leste dos Estados Unidos. Depois do Crescente Fértil, os avanços chegaram com atraso em outras partes do hemisfério.
Quatro motivos que explicam esses atrasos, como conjunto mais limitado de animais e plantas selvagens disponíveis para domesticação, maiores barreiras à difusão e áreas mais isoladas de populações humanas densas nas Américas do que na Eurásia.
Quanto as vantagens, os humanos já habitavam a Eurásia por cerca de um milhão de anos. De acordo com indícios arqueológicos, os humanos só entraram nas Américas pelo Alasca, por volta de 12000 a.C. Espalharam-se pelo sul do Canadá como caçadores Clovis alguns séculos antes de 11000 e chegaram ao extremo meridional da América do Sul em 10000 a.C.
A produção de alimentos já estava surgindo no Crescente Fértil apenas 1.500 anos depois da época em que os caçadores-coletores derivados dos Clovis chegavam ao sul da América do Sul. Houve cinco mil anos de atraso das aldeias produtoras de alimentos das Américas, que foram ocupadas por caçadores-coletores num período de poucos séculos depois da chegada dos primeiros colonos.
O ALASCA E O ATRASO TECNOLÓGICO
Diz o autor do livro, que os antigos agricultores do Crescente Fértil e da China herdaram as técnicas que o Homo Sapiens desenvolvera para explorar os recursos nessas áreas durante milhares de anos. Por outro lado, os primeiros colonos das Américas chegaram ao Alasca com equipamentos apropriados à tundra do Ártico siberiano. Tiveram que inventar equipamentos adequados a cada novo habitat. “Esse atraso tecnológico pode ter contribuído para a demora no progresso dos ameríndios”
Diamond esclarece que a produção inicial de alimentos competia menos com o estilo caçador-coletor nas Américas do que no Crescente Fértil, ou na China, em parte porque quase não havia mamíferos selvagens domesticáveis nas Américas.
No Crescente Fértil e na China, a domesticação de animais veio logo depois da domesticação de plantas, criando um pacote de alimentos que prevaleceu sobre o estilo caçador-coletor. Os animais tornaram a agricultura no Crescente mais competitiva por fornecerem fertilizantes e puxarem arados.
A pequena quantidade de plantas e animais disponíveis no Novo Mundo é exemplificada pelas transformações das próprias sociedades ameríndias após a chegada de outras culturas, como o milho, a lhama e o cavalo.
Os progressos na Eurásia foram também acelerados pela difusão mais fácil nesse continente de animais, plantas, ideias, tecnologia e povos por causa de vários fatores geográficos e ecológicos. O eixo principal leste-oeste da Eurásia permitia a difusão sem mudança de latitude e de suas variáveis ambientais, ao contrário das Américas.
O Novo Mundo era espremido em toda a extensão da América Central, principalmente no Panamá, com suas florestas tropicais, separando as sociedades da Mesoamérica das andinas e amazônicas. Os desertos do |México separam a Mesoamérica das sociedades do sudoeste e do sudeste dos Estados Unidos. Como consequência, não houve difusão de animais, da escrita, ou de entidades políticas. Houve uma propagação limitada e lenta da agricultura e da tecnologia.
A lhama, o porquinho-da-índia e a batata das regiões andinas jamais chegaram às montanhas mexicanas. Por isso, a Mesoamérica e a América do Norte continuaram sem mamíferos domésticos, com exceção dos cães. O girassol domesticado no leste dos Estados Unidos nunca chegou à Mesoamérica, e o peru dessa região não alcançou a América do Sul, ou ao leste dos Estados Unidos. O milho e o feijão, como a abóbora da Mesoamérica levaram mais de três mil anos para percorrer os mil e cem quilômetros de terra cultivada do México ao leste dos Estados Unidos.
CULTURAS E ALFABETOS
Por sua vez, as culturas do Crescente Fértil espalharam-se para o leste e oeste com rapidez suficiente para evitar a domesticação independente da mesma espécie, ou a domesticação de espécies relacionadas. As barreiras dentro das Américas propiciaram o surgimento de muitas dessas domesticações paralelas de culturas.
UM MENINO PRODÍGIO QUE DEIXOU SUA MENSAGEM DE CONHECIMENTO
Uma criança que com sua genialidade de dez anos de vida discutiu ideias importantes e deixou sua mensagem de conteúdo cultural em várias esferas do conhecimento no campo da filosofia, da literatura, do social, da poesia, da música e outros temas da nossa história. Foi, por assim dizer, um gênio que nos deixou muitas lições para a evolução do ser humano que não deve parar de crescer no tempo.
Estou me referindo ao “Sarau Cultural A Estrada” que, depois de dez anos, está partindo porque ele sentiu um esvaziamento de seus participantes que foram deixando aos poucos de atender ao seu chamamento em troca de outros compromissos, ou mesmo pelo desinteresse pelo nosso maior bem da alma que é a cultura. Ele estava se sentindo como uma entidade esvaziada, de segundo ou terceiro plano, mas parte feliz por ter cumprido sua missão.
PERSONAGEM PRÓPRIA
Quero aqui deixar bem claro para todos que o “Sarau A Estrada”, ao longo desses dez anos, adquiriu por si mesmo, sua própria personagem quando todos contribuíram para isso. Com o passar do tempo, ele deixou de ter dono, porque as pessoas, artistas, intelectuais, professores, interessados e até jovens deram-lhe vida com suas canções populares e autorais, com seus poemas, causos e a troca de conhecimento através dos papos descontraídos.
Houve divergência, discussões acaloradas e acirradas, momentos de dificuldades, mas tudo é normal como numa família onde logo depois todos se acertam e se abraçam. No entanto, nos últimos encontros, antes mesmo da pandemia, se constatou um esvaziamento e falta de interesse, com as ausências e não muito apegamento aos assuntos em abordagem.
No último dia 10 (sábado), o Espaço Cultural foi preparado com carinho para receber os amigos do Sarau, mas, lamentavelmente, poucos compareceram ao evento. Em nome dele, agradecemos aqui as presenças de Baducha, Céu, Aline, Jhesus, Rose e João que prestaram suas homenagens. Muitos alegaram compromissos e outros simplesmente não apareceram.
Quando passei minha mensagem neste domingo (dia 11) sobre sua despedida, ouvi muitas respostas, colocando a Covid-19 como pivô desse esfriamento e desistência, mas, mesmo respeitando as opiniões, discordo porque todos estão saindo, com os devidos cuidados e protocolo, para seus afazeres e até outros eventos de festividades, como aniversários e casamentos.
POUCA CULTURA
A questão é outra, talvez porque as pessoas hoje, de uns tempos para cá, (nem todas) resolveram se afastar da cultura e não colocar mais ela como sua fonte de evolução. Como disse nosso amigo e companheiro Dorinho, poucos ainda a tratam como aliada e preferem mais o outro lado divertido e superficial.
Infelizmente, estamos numa época de trevas onde muitos estão queimando livros de autores consagrados porque eles criticam a linha política atual conservadora do governo. Preferem o ódio e a intolerância, colocando na fogueira o saber e o conhecimento, como acontecia na Idade Média.
A tendência e o correto de todo ser humano é a evolução, com mudanças de pensamento e conceitos – sem abandonar, é claro, os princípios e o caráter – mas muitos pararam no tempo e regrediram, como do jacaré para a lagartixa. Não estou aqui me referindo a preferência político-partidária de lado “A” ou “B”.
Não quero entrar nesse campo perigoso de discussão, mas acho que não foi a pandemia que fez o menino Sarau encerrar aqui sua missão. Está partindo com seu semblante de felicidade porque valeu a pena ter deixado sua marca na história, com reuniões proveitosas, realização de um CD, shows e até de um vídeo curta-metragem quando ele esteve vivendo em confinamento de quarentena. Ele se vai, mas ficam para sempre as gratas amizades que nunca mais serão desfeitas.
Não vou aqui citar o nome de todos porque a lista é extensa e poderia pecar por omissão, mas, como já disse o poeta, “o amor é eterno enquanto dura”, ou até preferindo o outro cancioneiro, “tente outra vez”. Esse menino sabe o quanto se dedicou e se esforçou para prolongar sua existência, mas sempre tem o momento certo de se sair de cena.
Ele espera que todos continuem na trincheira da resistência fazendo cultura, para impedir que ela seja tão maltratada e pisoteada como na época atual. O maior trunfo é que ficou sua mensagem de conhecimento nos tantos debates que nos proporcionou com alegres noites de canções, poesias, causos e histórias de vida.
Vai-se o Sarau, mas o nosso Espaço Cultural continua aberto para receber a todos que amam a cultura, para um dedo de prosa, a troca de conhecimento e até a realização de projetos que poderão contribuir para o nosso progresso. Será um prazer abrir essas as portas para os amigos que aqui deixaram suas ideias durante esse tempo de convivência saudável onde todos ensinaram alguma coisa e também saíram aprendendo.
LENDÁRIO SERTÃO
Este texto, que se encontra no livro “ANDANÇAS”, de autoria do jornalista, escritor e poeta Jeremias Macário, é uma homenagem ao Dia do Nordestino, na figura do legítimo sertanejo. É uma descrição sobre seu perfil, costumes, sua vida diária na labuta da roça, suas crenças e sua cultura popular.
O meu sertão catingueiro, com espécies vegetais e animais exclusivos, é bem diferente do cerrado e da mata. Ora está retorcido, cinzento, desértico e árido, mas de repente fica florido e cheio de vida, de cores e encantos quando batem as chuvas. Aí arrebenta o aroma da terra molhada para o plantio.
O olhar dessa gente sertaneja é uma mistura de lealdade humilhada, cismado, doído, castigado, sofrido, resistente, bruto e pacato. Pode ser exótico matreiro tabaréu, mas não é o mesmo olhar do mateiro do sul ou de outras plagas do litoral. Nesse sertão, toda final de tarde ouço o canto cadenciado do nambu, como igual não existe em lugar nenhum.
Para o sertanejo, a simplicidade é a sua filosofia; a natureza sua arquitetura divina onde de tudo brota poesia; o pedaço de terra sua geografia; do barro faz-se a escultura; da seca sua prova de luta; e a chuva é o seu show da vida. A caatinga é mais fera e pantera que o deserto. Um tem caminho para o interior e o outro é tortura. A caatinga tem o cordel e seu boi encantado.
O sertão da caatinga, das palmas e dos mandacarus, é carregado de mistérios, contos e lendas (algumas ainda vivas) dos coronéis, dos pistoleiros, jagunços e vaqueiros bravos. Nesse descambado sem fim de espinhos de unhas-de-gato, tocas e malocas, rasgando serras e morros, o temido Lampião e sua tropa de coriscos conseguiam sair de seus labirintos e enganar as volantes.
Os encourados cavaleiros lendários são os verdadeiros guerreiros legionários desse agreste inóspito, esquecido e supersticioso cheio de emboscadas e armadilhas. Eles partem para suas cruzadas sem nenhuma benção do vigário-mor. São vaqueiros guardiões das tradições seculares de perseguir a rês até conduzi-la ao rebanho ou ao curral. A bravura não teme a morte. É uma questão de honra.
Em homenagem a esse chão, exclusivo do Brasil, e o mais degradado de todos, foi instituído, por decreto presidencial, o 28 de abril como o “Dia Nacional da Caatinga”, no intuito de preservar seu bioma, mas não é isso que acontece. Seu folclore e suas comidas, feitas do milho e da mandioca, têm características próprias, mas quando a seca bate à porta, o êxodo rouba sua magia e perde-se o encanto.
É assim a luta do sertão catingueiro das procissões, dos paus-de-arara rumo a São Paulo, dos carros-pipa eleitoreiros, das cisternas, das barragens, aguadas, das cacimbas e poços salobros erguidos para juntar um pouco de água, para enfrentar as estiagens. Os olhos marejam de dor e as lágrimas ficam presas nas gargantas. As crianças choram de fome e os animais tombam ao chão, virando carcaças que se tornam postais da crueldade de um cenário desolador.
Corta o coração ver o sertanejo lacrimar quando sua safra se perde na sequidão. Das tragédias da natureza é a que menos comove e sensibiliza as campanhas humanitárias de solidariedade e de socorro às suas vítimas. As enchentes e os desmoronamentos de terras no sul e sudeste do país ganham mais espaço na mídia do que esta devastação de morte mais penada e lenta.
É o sertão do Assum Preto e da Asa Branca nas cantigas de lamento da terra do Luiz Gonzaga “Rei do Baião”, e da “Triste Partida”, do poeta maior Patativa do Assaré, que continuam batendo suas eternas asas pelo mundo afora. É o sertão da sanfona “sankafa” chamando para o arrasta-pé do forró. É o sertão sertanejo dos cabras valentes do “Padim Ciço” e de Antônio Conselheiro. É o sertão da Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire, dos guerreiros jagunços, de Euclides da Cunha, de “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, do “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna e do “O 13”, de Raquel de Queiroz em suas histórias engraçadas e tristes. È o sertão bodeiro da “Casa dos Carneiros” na cantoria de Elomar. Foi cenário escaldante de “deus e o diabo na terra do sol” e o “dragão da maldade contra o santo guerreiro”, de Glauber Rocha.
SARAU COMEMORA SEUS DEZ ANOS
Depois de sete meses no isolamento por causa da pandemia, com todos regramentos e protocolos recomendados, o nosso “Sarau Colaborativo A Estrada” vai dar as caras neste sábado (dia 10/10) para matar a saudade do grupo que sempre se fez presente aos nossos eventos, respirando cultura, saber e conhecimento.
Vamos procurar fazer tudo dentro do distanciamento, com todos os cuidados possíveis entre os participantes que já estão conscientes do momento que ainda não é de relaxamento. No entanto, vamos manter o nosso formato com dois temas a serem escolhidos sobre a “Nação Cigana” e o “Exílio de Jango”, a partir de 1964, no Uruguai.
Além do debate, vamos ter a apresentação de artistas locais da música, com canções variadas, declamação de poemas, causos e o bate-papo descontraído que sempre acontecem em todos os nossos saraus. Nesta edição, vamos aproveitar a ocasião para comemorar os dez anos da atividade cultural, que completou em julho passado, mas não pode ser festejado por causa da Covid-19.
Durante esses dez anos, muita gente passou pelo nosso Espaço Cultural, inclusive de outras regiões e estados. Nesse tempo, discutimos diversos assuntos nas áreas da literatura, da educação, da política e no âmbito social, como Castro Alves, Graciliano Ramos, os movimentos revolucionários de 1968, Cordel, Cultura e Costumes Nordestinos, Gregório de Mattos, Carnaval, A História da Música Brasileira, O Império Romano, dentre outros.
Esse próximo de sábado vai ser diferenciado, em decorrência do coronavírus, que distanciou e separou as pessoas. Depois de sete meses, vamos rever os amigos para mais uma troca de ideias e conhecimento, mas, principalmente, para matar a saudade. Esperamos contar com a compreensão de todos quanto aos protocolos de distanciamento e respeito mútuo. Na verdade, a grande maioria já estava cobrando por esse momento de encontro.
A CIDADE DOS QUEBRA-MOLAS
Além do trânsito que já é complicado, principalmente no centro e imediações, os quebra-molas nas ruas e avenidas de Vitória da Conquista deixam qualquer motorista estressado e com os nervos em frangalhos. A Prefeitura Municipal prometeu retirar esses trambolhos nos locais onde implantou os radares e as lombadas eletrônicas, mas até agora nada foi feito.
Como se considerasse que têm poucos, a Secretaria de Mobilidade Urbana (de Trânsito mesmo) construiu mais nas avenidas Filipinas e Bartolomeu de Gusmão, sem necessidades. Nas avenidas Juracy Magalhães, Integração, Pará, Maranhão, Frei Benjamim, Brumado e outras lá estão eles espalhados de 50 a 50 metros para tortura de todos.
CRIMINOSO
Na descida da Bartolomeu, em direção ao centro, tem um bem criminoso. Esse quebra-molas foi levantado onde foi aberto um desvio na subida do lado oposto e, depois de fechado o retorno, lá ficou o elevado para arrebentar o motorista desavisado, ou visitante que não conhece nada da cidade. Aquilo ali é um absurdo e de uma estupidez sem tamanho.
Nem é preciso dizer aqui o mal que fazem esses horríveis quebra-molas em termos de prejuízos para os veículos, sem contar o consumo de combustível, que está com seus preços nas alturas. Conquista pode até ganhar um prêmio de cidade que tem o maior do mundo, que é o “bigode” de Pedral, na Avenida Regis Pacheco.
Basta acontecer um acidente numa esquina qualquer com vítima e aí os moradores logo pedem a instalação do maldito. No outro dia o poder público está lá com seus homens para fazer mais um. O paradoxal é que em todos lugares de quebra-molas existem sinalizações de “PARE” e avisos de preferencial, sem contar os verticais de entradas liberadas e proibidas.
Tenho a curiosidade de saber quantos quebra-molas existem em Conquista, só para comprar com outras cidades do mesmo porte. Na minha imaginação, passam de dois mil, se não tiver mais que isso. Acho que nem a Secretaria sabe quantos são os monstrengos, que são desaprovados pelo próprio Conselho Nacional de Trânsito. E aqueles que próprios moradores fazem por conta própria?
VERDADEIRAS PRAGAS
Eles vão aparecendo como verdadeiras pragas, como vírus a contaminar nosso sistema neurológico. É um tal de reduzir marcha nessa cidade que, ao fim do dia, as molas e suspensões dos carros estão arrebentados, principalmente os dos taxistas, vans e ônibus. Por mais que a pessoa esteja atenta, sempre se esbarra em um, e aí já está feito o estrago.
Não poderia, pelo menos, reduzir o número deles e se tomar uma decisão de não mais construir outros. Será que lá dentro da Prefeitura existe a política do quebra-molas? Não sabia que dava tantos votos! Não é dessa maneira que se educa o motorista para que dirija com atenção e com velocidade mais moderada na cidade.
Quem ultrapassa os limites e não obedece aos sinais deve ser rigorosamente punido, mas aqui no Brasil existe a cultura de se conter os excessos na base da brutalidade, da força policial, ou de outro instrumento coercitivo como são esses infernais quebra-molas assassinos.
Outro problema sério no nosso trânsito são as faixas apagadas de pedestres. A grande maioria nem tem mais listas. O mais difícil é você encontrar uma faixa pintada, colocando em risco o transeunte e o próprio motorista, especialmente daquele visitante que está passando pela cidad
UMA COMPARAÇÃO ENTRE AS SOCIEDADES EURASIANAS E AMERÍNDIAS A PARTIR DE 1492
No capítulo “A Colisão dos Hemisférios”, o cientista e pesquisador Jared Diamond, em seu livro “Armas, Germes e Aço”, fala do encontro dos povos ameríndios e eurasianos, dizendo que tudo começou quando o exército de Pizarro capturou o imperador inca Ataualpa, governante absoluto do maior, mais rico, mais populoso e avançado Estado americano nativo.
Destaca que a diferença mais marcante entre a produção de alimentos americana e a eurasiana eram as espécies de grandes mamíferos domésticos. Até que as rodas hidráulicas e os cataventos começassem a substituir os mamíferos da Eurásia na época medieval, esses grandes animais também foram fonte principal da força industrial, movendo os moinhos e puxando água.
A LHAMA/ALPACA
Quanto as Américas, só existia a Lhama/Alpaca numa pequena área dos Andes. Embora sua carne e lã fossem aproveitados e utilizadas para o transporte de mercadorias, nunca produziu leite para o consumo humano, não carregava o nativo, não puxava arado, nem servia como fonte de energia.
De acordo com Jared, existem muitas diferenças entre os ameríndios e os eurasianos, em parte causada pela extinção da maioria das espécies da América do Norte e do Sul. Não fosse isso, a história moderna poderia ter tomado outro rumo. Quando Cortez desembarcou na costa mexicana, em 1519, poderia ter sido mandado de volta ao mar pelos milhares de nativos montados em seus cavalos.
“Essas extinções acabaram deixando a Eurásia com muito mais candidatos selvagens à domesticação do que as Américas. Os dois hemisférios haviam domesticado pequenos mamíferos. O peru, porquinho-da-índia, o pato-do mato e o cão nas Américas. Galinhas, gansos, patos, gatos, cães, abelhas e bichos-da-seda na Eurásia.
O autor da obra conta que, em 1492, a agricultura estava difundida na Eurásia. Entre os caçadores-coletores estavam os ainos do norte do Japão, as sociedades siberianas sem renas e os pequenos grupos espalhados pelas florestas da Índia e do sudeste da Ásia, comerciando com vizinhos. A agricultura também estava nas Américas, mas os caçadores ocupavam espaços maiores do que na Eurásia.
A América do Sul, as planícies canadenses e parte setentrional da América do Norte não tinham produção de alimentos. Depois da chegada dos europeus, essas partes passaram a ser produtivas, inclusive o trigo no Canadá, na Argentina e no Chile na zona temperada. A inexistência na produção de alimentos era em razão da escassez de animais, de plantas domésticas e as barreiras geográficas e ecológicas nas Américas.
Essas terras tornaram-se produtivas para os colonos europeus e também para ameríndios, assim que os invasores introduziram culturas agrícolas e animais domésticos. Nas regiões das Américas, a agricultura era refreada por desvantagens em face da lavoura eurasiana. O milho das Américas tinha baixo teor proteico, em vez dos cereais da Eurásia. Contava ainda o trabalho manual individual, em vez de amplas semeaduras com o arado.
MAIS CALORIAS
“Essas diferenças sugerem que a agricultura eurasiana, a partir de 1492, deve ter produzido, na média, mais calorias e proteínas por homem/hora trabalhada do que a ameríndia. Essas diferenças representam causa importante e decisiva das desigualdades entre as duas sociedades”. Entre os fatores imediatos por trás das conquistas, o mais importante incluía diferenças nos germes, na tecnologia, organização política e na escrita. Os germes foram os que mais pesaram.
Contra os germes, como a gripe, varíola, sarampo, peste bubônica, tuberculose, tifo, cólera e malárias, os eurasianos desenvolveram resistência. Foram os maiores assassinos da história que contaminaram os ameríndios, os quais contraíram poucos micróbios porque as aldeias só surgiram milhares de anos depois de seu aparecimento na Eurásia.
Outro motivo dos ameríndios serem livres dessas doenças é que as regiões dos Andes, a Mesoamérica e o sudeste dos Estados Unidos não eram ligadas entre si por um comércio volumoso como o que levou a peste, a gripe e a varíola da Ásia para a Europa.
As diferenças tecnológicas entre um hemisfério e outro estavam na história mais longa da Eurásia com sociedades populosas, economicamente especializadas, politicamente centralizada, baseada na produção de alimentos, interagindo e competindo entre si.
CINCO ÁREAS DA TECNOLOGIA
Nesse aspecto, o autor destaca cinco áreas da tecnologia, como os metais (cobre, bronze e o ferro), que eram usados para fabricar ferramentas nas sociedades eurasianas complexas a partir de 1492. Nos Andes ainda se usava a pedra, a madeira e o osso. O cobre era limitado.
Outra questão de superioridade era a tecnologia militar. As armas europeias eram espadas de aço, lanças, punhais, de fogo e artilharia, enquanto os ameríndios utilizavam bastões e machados de pedra e madeira, fundas, arcos, flechas e armaduras acolchoadas.
Em terceiro lugar, os eurasianos tinham uma vantagem, imensa nas suas fontes de energia para operar as máquinas. Outro avanço era o uso de animais (cavalos e burros), para puxar arados e girar as rodas para moer grãos, irrigar e drenar os campos.
Uma revolução industrial, baseada na força da água e do vento, já havia começado na era medieval, bem antes da utilização do vapor como energia no século XVIII, na Inglaterra. Ainda na área da tecnologia, Jared cita o transporte marítimo. Muitas sociedades eurasianas criaram grandes embarcações, capazes de navegar contra o vento e cruzar o oceano, bem equipadas (bússolas, lemes de poupa e canhões).
As duas sociedades eram diferentes no que tange à organização política. No final da Idade Média, a maior parte da Eurásia já era governada por Estados organizados, como dos Habsburgo, otomano, chineses, mogol na Índia e o mongol em seu auge no século XIII.
LULA À DIREITA NA RENDA CIDADÃ E A CORRUPÇÃO DE VENTO EM POPA
Sempre se ouve por aí que política é pura sujeira e costumam incluir todos no mesmo saco dos corruptos e oportunistas, sem caráter, princípios e ética, mas quando começam as eleições, todos, por interesses particulares, caem dentro como porcos em lavagem, cada um para defender seu ladrão. Nós brasileiros, nos alimentamos da incoerência e seguimos aquela cultura secular do assistencialismo, para permanecermos no país da pobreza e da miséria.
Mesmo no curso da pandemia, as imagens das aglomerações nas campanhas pelo interior a fora não negam. Até mesmo antes da corrida oficial, todos estão lá no ajuntamento, pulando, soltando fogos e fazendo suas zoeiras na torcida pelos seus candidatos, tudo por um lugar ao sol, ou à doce sombra na sua Prefeitura e na Câmara. Definitivamente, não existe essa de ideologia. Fazemos de conta que a briga é por um país melhor e sem injustiças sociais. O negócio mesmo é mamar nas tetas da nação.
UMA VERSÃO MELHORADA
No embalo da festa, que muitos “entendidos do riscado” chamam de cívica e democrática, o Bozó, lá do alto do seu trono, resolveu, que ele também não é besta, dar uma de Lula à direita, anunciando seu Renda Cidadã, uma versão melhorada do Bolsa Família, com mais “dindim”, para cair mais votos nas urnas a seu favor e levantar sua popularidade de “mãe dos pobres”.
Para justificar os fins e sobrar uma grana para seu populismo, o governo federal falou em tirar recursos do Ministério da Educação e em dar um calote nas dívidas dos precatórios. Afinal de contas, para que educação e cultura nesse país onde os próprios brasileiros preferem sepultar o conhecimento e sair por aí proferindo um monte de besteiras nos botecos da vida, desde que tenham um dinheirinho no bolso para tomar umas geladas e comprar um carrinho e um celular.
A briga agora é entre os ministros fura-tetos e os contra. Lembra aquele animal que popularmente é conhecido como furão. Enquanto isso, cada semana sai mais um retrocesso contra as conquistas da sociedade. Do lado do Ministério do Meio Ambiente retira-se a proteção às áreas de restingas e manguezais. Por sua vez, o Ministério da Educação, chefiado por um homofóbico, baixa um decreto excluindo as pessoas com deficiência a frequentarem escolas do ensino normal, ou inclusivas.
O saber dá muita canseira e queima os neurônios. O conhecer é coisa de esquerda comunista metido a intelectual. Melhor mesmo é ser teleguiado, sem consciência política e massa de manobra, mas com uma renda esmola. Para que progredir na vida com seu próprio esforço e trabalho, se ela é mesmo passageira? Vamos mesmo no varejo, na mesma toada de sempre, tocando a mula ao estilo brasileiro, ou dançando conforme a música, sem pressa de avançar! Melhor ficar na roça no cabo da enxada, do que ir para escola aprender a lição!
QUEREM É QUEIMAR O FILME DELE
Diante de tudo isso, campeia, ou navega a corrupção em mar aberto, de vento em popa, sem mais essa de investigações dessa Força Tarefa da Lava Jato. Deixa os meninos curtirem suas estripulias de pestinhas danados e ficarem bem escolados nas roubalheiras! O povo já se acostumou com esse jogo, e até gosta da brincadeira! Acha divertida a competição cheia de truques, tramas e golpes de mestre, como acontece num filme de efeitos especiais.
Os esquemas de estratégias de roubo têm audiências garantidas com milhões de visualizações para os mais espertos que conseguem sair do fogo cruzado. No final, os arquivos vão ser mesmo arquivados! Tudo começa novamente, e todos serão felizes para sempre! Agora, a tática política é inocentar Lula de todos os processos para queimar de vez o filme do ex-juiz Sérgio Moro, e eliminar suas pretensões de se candidatar a presidente da República. Quem é seu maior desafeto, depois de ter sido endeusado?
NO PAÍS DA IMPUNIDADE
Carlos González – jornalista
Dissimulados, embiocados, camuflados e submetidos a cirurgias plásticas faciais; morando em luxuosas mansões, apartamentos e em fazendas-modelo; levando uma vida de nababo; evitando os olhares curiosos dos vizinhos e o assédio da imprensa; fazem voto de silêncio, Assim vive uma casta de brasileiros. Investigados por crimes contra o erário público, – raros são os que passam alguns dias numa cela – porque logo são transferidos para o regime da prisão domiciliar. Eles têm consciência de que vivem no país da impunidade.
Nessa lista de privilegiados figuram presidentes, governadores e prefeitos, seus ministros e secretários, políticos, diretores de estatais, assessores parlamentares, empresários, magistrados, funcionários públicos do alto escalão, lideranças neopentecostais e dirigentes esportivos. A maioria continua a receber gordas aposentadorias.
Alguns desses endinheirados cidadãos contaram na sua vitoriosa carreira criminosa com fieis auxiliares, os chamados testas-de-ferro, também apelidados de “laranjas”. O silêncio é a arma de defesa dos acusados. Denunciar (ou ameaçar) quem está por detrás dos desvios de verbas públicas e de lavagem de dinheiro pode significar a morte.
Dessa extensa lista lembro os nomes dos ex-policiais Ronnie Lessa e Elcio Queiroz, genuínos bodes expiatórios, acusados de autoria dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes; vítima de “queima de arquivo”, capitão PM Adriano Nóbrega, morto em Esplanada, na Bahia, antes de revelar uma suposta ligação dos Bolsonaro com a milícia carioca; sequestro e morte, em janeiro de 2002, do prefeito Celso Daniel, de Santo André (SP), crime praticamente insolúvel, que colocou o PT como suspeito.
PC e Fabrício
Tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello às eleições presidências de 1989, o empresário PC Farias exorbitou de suas funções na captação de recursos. Após a posse de Collor, a sede de poder do assessor e amigo se estendeu por toda a cadeia governamental, envolvendo o presidente, que passou a ser alvo de protestos populares, estimulados pela delação do irmão Pedro Collor. Pressionado, renunciou em 29 de dezembro de 1992, horas antes de o Congresso aprovar o impeachment.
Acusado de extorsão e formação de quadrilha, PC fugiu do país. Preso em novembro de 93, em Bangcoc, na Tailândia, foi condenado a sete anos de prisão; em dezembro de 95 ganhou a liberdade condicional; em 23 de junho de 96 foi morto, junto com a namorada Suzana Marcolino. Suicídio, crime passional, duplo homicídio. A dúvida perdura até hoje. Quatro dos seus seguranças foram indiciados como autores, mas, posteriormente, absolvidos por um júri popular.
Muito se discute a semelhança entre os dois “tesoureiros” Além da calvície e da estatura mediana, Fabrício Queiroz e PC Farias estiveram e estão ligados ao poder central. O alagoano foi, de fato, o principal assessor de Fernando Collor, que não vê analogia nos dois casos; Fabrício goza da confiança do clã Bolsonaro, haja vista que fez do silêncio um juramento, mesmo tendo experimentado por quase dois meses a dura vida numa prisão.
Fabrício e a mulher Márcia Aguiar (levou um período foragida) cumprem prisão domiciliar, concedida pelo ministro Gilmar Mendes, da STF, e sob a proteção do advogado bolsonarista Frederico Wassef, o Anjo, numa rua discreta em Jacarepaguá.
Segurança e motorista dos Bolsonaro desde 1984, o ex-PM foi acusado de operar a “rachadinha” (apropriação de parte dos salários dos funcionários do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje ocupando uma cadeira no Senado).
O dinheiro arrecadado entre os assessores parlamentares, incluindo suas duas filhas, apontadas como “laranjas” do esquema criminoso, era “lavado” no mercado imobiliário ou repassado para diversas contas bancárias. Uma delas, pertencente a Michelle Bolsonaro, recebeu cheques no valor total de R$ 89 mil. Essa transação inspirou o roqueiro Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, a compor a música “Micheque”.
Dizendo-se vítima de ofensa, calúnia, injúria e difamação, Michelle procurou a Delegacia de Crimes Eletrônicos, de São Paulo, solicitando que a obra satírica seja retirada das plataformas digitais e que se proíba sua execução em locais públicos e privados.
Antes de se refazer de uma contrariedade, a primeira-dama volta às páginas dos jornais. Segundo o noticiário dessa quinta-feira, os R$ 7,5 milhões doados pelo frigorífico Marfrig para a realização de 100 mil testes rápidos da Covid 19, foram desviados para o programa “Pátria Voluntária”, administrado por Michelle, e repassados pela ministra Damares Alves, a que encontrou Jesus no alto da goiabeira, para distribuição, sem concorrência, entre instituições evangélicas.




















