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“CIGANOS NO BRASIL – UMA BREVE HISTÓRIA (II)
A lembrança que tenho quando ainda era menino sobre os bandos de ciganos pelas estradas a vagar foi de meu pai com um facão em riste a bradar no milharal contra aquela gente diferente que estava a colher espigas de milho na maior algazarra. Meu pai, depois de dar muito duro nas plantações, chamava-os de “ladrões” e “vagabundos” e os escorraçava da roça aos gritos. Eles o xingavam de “gajão” usurário.
Sempre ficou em minha mente a imagem de um povo errante, e que todos nas redondezas temiam sua passagem por aquelas bandas, e uns avisavam os outros quando eles estavam vindo, como forma de ficarem atentos e impedir suas investidas. Homens, mulheres e crianças se arrastavam com cavalos e mulas carregadas com badulaques. Aquelas cenas me fascinavam, e mais tarde me despertaram a curiosidade de conhecê-los melhor.
De um povo trapaceiro
O estereótipo sempre foi de um povo trapaceiro que agia como ladrões, adivinhos do futuro, que vivia de lugar em lugar armando e levantando suas tendas à beira das estradas e fazendas. Na verdade, o que havia era muito preconceito da sociedade e visão errada contra uma nação que sempre viveu em correrias pelo mundo porque adotou suas próprias regras e modos de sobrevivência, e só quer ter o direito de ir e vir, sem serem perseguidos.
Com a leitura de “Ciganos no Brasil – uma breve história”, de Rodrigo Correia Teixeira, passei a ter um outro conceito dos ciganos, diferente do estigma que sempre carregaram por causa de uma sociedade tida civilizatória que não aceita a diferença, achando que existe um padrão único de vida. No primeiro comentário, falamos de suas origens, grupos e como chegaram ao Brasil trazidos como cargas de Portugal.
Políticas anti-ciganas portuguesas
Rodrigo Teixeira prossegue em sua pesquisa descrevendo que as perseguições aos ciganos portugueses se acentuaram a partir do reinado de D. João V, de 1706 a 1750, quando centenas foram degredados para as colônias ultramarinas, inclusive o Brasil. A deportação continuou até final do século XVIII. De 1780 a 1786 foram enviados grupos de 400 ciganos anualmente para o Brasil. É até impossível determinar quantos vieram para aqui. No entanto, segundo Teixeira, os primeiros que aportaram ao Brasil eram portugueses e não embarcaram voluntariamente.
Foi o que ocorreu com João de Torres e sua mulher Angelina, só pelo fato de serem ciganos. Insinua o autor que ele deve ter pago um suborno porque sua pena foi mudada para cinco anos no Brasil. Não se tem certeza se ele embarcou, ou quanto tempo ficou aqui. De acordo com o historiador, com base em documentos, a deportação mesmo para valer começou a partir de 1685, e que eles deveriam ir para o Maranhão (antes iam para as colônias africanas).
Teixeira cita o pesquisador Donavan, destacando que uma forma de D. João V expor publicamente sua determinação era ordenar a deportação de uma pequena quantidade, em torno de 50 homens, 40 mulheres e 43 crianças presos em Limoeiro. Tudo indica que uma parte foi para a Capitania de Pernambuco, outra para o Ceará e outra para Angola. A ordem era que não deixassem retornar para Portugal.
A Câmara de Olinda remeteu depois uma carta ao rei, comunicando que eles viviam espalhados pela capitania cometendo toda sorte de crimes, principalmente de furtos e assassinatos. A câmara pedia que eles fossem para o Ceará. Também, em 1718, consta que muitas famílias foram enviadas para a Bahia “por causa do escandaloso procedimento no reinado”. A primeira capital colonial tornou-se uma das mais importantes cidades para os ciganos do Brasil. Em Salvador, tudo indica que foram alojados nos bairros da Mouraria e Santo Antônio d´Além do Carmo.
Inquisição do Santo Ofício e em Minas
Historiadores apontam ainda a presença de ciganos nas Minas de Ouro em fins do século XVII, na busca do metal, e também por ser um lugar difícil para a inquisição do Santo Ofício. Augusto de Lima Júnior relata que houve grande escassez de alimentos em Ouro Preto por volta de 1700. No ambiente de desespero, negros escravos e bandos de ciganos armados saltearam vivos e saquearam os mortos. João Dornas Filho diz que eles chegaram a Minas através do Rio São Francisco.
No entanto, o estudioso do livro, afirma que foi somente a partir de 1718 que várias famílias de ciganos foram para Minas. A presença deles é registrada desde início dom século XVIII, o que contrariava as intenções da coroa portuguesa que ordenou que fossem remetidos para o Rio de Janeiro de onde então seriam mandados para Angola. O documento os chamava de “ladrões salteadores”. A ordem se estendia a quem os hospedassem em suas casas ou fazendas. No entanto, o governador de Minas advertia que as queixas eram somente por serem ciganos. Dornas Filho acrescenta narrações, sem fontes, sobre a ação de salteadores na Serra da Mantiqueira.
O que conta o autor da obra é que, aproveitando da fama, bandidos se faziam passar por ciganos, usando seus nomes e até agindo próximo onde eles se acampavam. Consta que, em 1726, em São Paulo, foram solicitadas medidas contra os ciganos. A política era que eles se mantivessem em movimento. “Minas Gerais expulsa seus ciganos para São Paulo, que os expulsa para o Rio de Janeiro, que os expulsa para Espírito Santo e de lá para a Bahia, que manda novamente para Minas Gerais” e voltam para a Bahia.
Entregues aos mestres
As ordens judiciais determinavam que os rapazes de pequena idade fossem entregues aos mestres, para aprenderem algum ofício e artes mecânicas. Quanto aos adultos, que assentassem praça de soldados, ou trabalhassem em obras públicas, proibindo o comércio de bestas e escravos, de modo que não ficassem juntos por muito tempo e vivessem em bairros separados. As mulheres deviam ficar recolhidas, ocupando os mesmos afazeres que usam as do país. Quem transgredisse as leis deveriam ser degredados por toda vida para a ilha de São Tomé, ou do Príncipe
CENAS DEGRADANTES E O SUICÍDIO COLETIVO DE UM POVO IRRACIONAL
LOUVÁVEL A POSIÇÃO DA MULHER ELEITORA QUE LAMENTOU AS MORTES BRASILEIRAS PELO CORONAVÍRUS E SE DISSE TRAÍDA PELO PRESIDENTE-CAPITÃO QUE PREGOU ACABAR COM A VELHA POLÍTICA E ESTÁ FAZENDO ACORDOS COM O “CENTRÃO”, NA BASE DO “TOMA LÁ, DÁ CÁ”, SEGUINDO A MESMA LINHA DO PT DE LULA, QUE ELE TANTO CONDENOU. FOI ESCORRAÇADA, MAS DEU SEU RECADO E VOZ A TODOS AQUELES QUE VOTARAM NELE E HOJE ESTÃO ARREPENDIDOS.
Enquanto milhares morrem pela Covid-19 e outros passam fome e choram por uma cesta básicas, muitos pegam filas nas portas das lojas para comprar supérfluos. Pregar isolamento social no Brasil é como pregar no deserto. As lágrimas estão secando, e poucos importam para os sofrimentos alheios. Assim caminha a humanidade brasileira…fingindo que sente dor.
O povo brasileiro, infelizmente, já se habituou a ver os maiores absurdos e histórias macabras que, em outros países desenvolvidos, não se admitiria e nem se imaginaria que acontecessem com seres humanos. Não nos chocamos mais com o tratamento abaixo do nível desumano. Muitas coisas parecem mentiras.
De tão repetidos, os horrores da vida se tornaram normais porque outros piores logo aparecem nas telas da mídia para se superarem. Não há reação de revolta, não há indignação, e as lágrimas, as dores e os gemidos parecem não tocar os corações e mover sentimentos. As mentes mentem e estão entorpecidas pela hipnose da insensibilidade. É um povo que vaga desgarrado em caminhos perdidos e diferentes. São tantas as encruzilhadas da morte, sem ser trágico e dramático! Até a esperança e a fé estão se esvaindo! As lágrimas estão secando.
No exterior, as pessoas devem estar estarrecidas e a perguntar o que está acontecendo com o nosso tão rico Brasil ao presenciarem tantas desgraças que se abatem sobre essa gente, principalmente agora com a pandemia do coronavírus que, a cada dia, estampa cenas degradantes e deprimentes, coisas típicas dos tempos medievais dos séculos XV ao XVIII. Sem educação e cultura, o nosso país ainda é uma mistura desses séculos, e ainda não saiu do XIX nas questões da dignidade humana.
A última dos horrores das vítimas da Covid-19 foi a imagem de um pai preparando sua criança no caixão em plena rua, ao lado de um container de lixo. Essa foi a mais recente de tantas outras desumanas nesses tempos da pandemia, como a de corpos mortos enrolados ao lado de doentes em camas e UTIs de hospitais, o sepultamento em valas comuns como se fossem meras carniças e tantas outras que não mais despertam empatia e compaixão, como se fossem normais. A sensação é que o Brasil está descendo as escadas mais inferiores do inferno de Dante.
O Brasil vive uma barbárie e é o único no mundo mais despreparado, desorganizado e precário para combater o coronavírus que só faz avançar. Além dessa pandemia mortal, existem outras de ordem social, na área da saúde em colapso, na desastrosa política de um sádico psicopata, no baixo nível educacional e cultural, na economia, na depredação ambiental, na violência policial e na falta de saneamento básico que ceifam vidas diariamente.
Tudo junto forma um cenário aterrador apocalíptico com tendência de acelerar ainda mais o número de vítimas pela Covid-19, que pode duplicar e até triplicar. Já está havendo um genocídio em massa, sobretudo nas classes mais pobres e entre os que vivem na linha da miséria.
Se o Brasil fosse um país sério e gozasse de uma plena democracia, o presidente, não só estaria cassado, como preso numa cadeia de segurança máxima. Por menos, o primeiro ministro da Itália está sendo investigado por negligência por não ter tomado medidas antecipadas de isolamento numa província.
UM POVO DESEMBESTADO COMO GADO
Diante desse quadro confuso, desarrumado e de incertezas, não existe espaço para o otimismo, pelo menos a curto e médio prazo quando temos um povo, em sua grande maioria, desprovido de educação e cultura, que só segue as normas de isolamento e distanciamento social se for na base do ferrão de vaqueiro brabo, ou do policiamento repressivo.
Existe pouca consciência humanitária, e pior ainda no âmbito político de saber revidar as atrocidades e dar um basta. Chega de tantas calamidades! O povo parece gado desembestado quando se abrem as porteiras de uma flexibilização que não deveria ocorrer, como está acontecendo em Vitória da Conquista, aqui em nossa casa.
O modo individualista e egoísta de se comportar leva a atitudes irresponsáveis de desobediência civil que só é controlável através da força policial. Não dá para entender como tem gente que invade as praias para curtir um banho de mar e praticar lazer e esportes nas areias, mesmo diante de uma placa de interditado por um decreto municipal. A impressão é que todos foram induzidos a um suicídio coletivo de maiores proporções.
Como tem gente que faz filas nas portas das lojas de confecções, de perfumes, de sapatarias, móveis, de utensílios eletrônicos e outros ramos para comprar produtos como se fossem essenciais e imprescindíveis à vida? Para essas pessoas, uma camisa, uma calça ou um sapato são objetos de primeira necessidade, cujas compras não podem ser adiadas. Nem estão aí para aglomerações nas ruas e entram irracionalmente de cabeça no consumismo, como se fossem imunes ao vírus. É uma massa irracional!
Tudo isso reflete a falta de educação e cultura, muito diferente da mentalidade racional de países europeus e orientais asiáticos que cumprem e incorporam as regras de isolamento, sem precisar de repressão policial. Aqui, o fechamento de ruas e bairros, os toques de recolher, as campanhas e os decretos surtem pouco efeito porque não existe consciência coletiva no sentido de cada um se proteger para proteger os outros e vencer o vírus.
É lamentável o que está acontecendo no Brasil! De um lado a pobreza, a miséria, milhares morrendo nos hospitais precários (mais de 40 mil), muita gente desesperada sem emprego e passando fome e, do outro, pessoas com dinheiro contado, mas preocupadas em consumir coisas supérfluas, como se fossem essenciais. Nem estão aí para a situação de crise e caos em que vive a nação. Nem estão aí para os que estão perdendo suas vidas para a pandemia! Não dá para entender tanta insensibilidade, tanta falta de solidariedade e tanto egoísmo acumulado! Parece que todos estão correndo em disparada para um suicídio coletivo!
DA DEMOCRACIA À DITADURA NO BRASIL
A nova Medida Provisória autorizando que o ministro da Educação nomeei os reitores das universidades públicas, a sonegação de dados na saúde sobre as mortes de brasileiros pela Covid-19, a intervenção na Polícia Federal e o apoio do capitão-presidente às manifestações a favor de uma intervenção militar no país com o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal são indicações incontestáveis de que o Brasil está assassinando a democracia para ressuscitar a ditadura e o autoritarismo.
Não há mais dúvidas de que a intenção e a estratégia do governo federal são de calar a liberdade de expressão, implantar a censura, cassar políticos e governadores através de um novo Ato Institucional aos moldes do tenebroso AI-5 da ditadura de 13 de dezembro de 1968 que asfixiou o país por mais de 20 anos. As ações de retrocesso estão aí bem visíveis e demonstram que já estamos entrando nesse túnel das trevas. Estamos na boca da maldita ditadura!
Só não ver quem não quiser ou se faz de mudo, surdo ou cego. Existem ainda aqueles que acham que nada têm a ver com isso e não dão nenhum valor à liberdade. Outros são alienados, incultos e tem aqueles milhões de brasileiros que hoje estão mais preocupados em matar a fome. Existe ainda o silêncio dos bons, dos intelectuais e da elite burguesa que está mais preocupada com os lucros e aproveita para massacrar os trabalhadores.
Enquanto isso, os radicais nazifascistas brutos saem de seus buracos sujos e esgotos, de onde estavam escondidos, para destruir a democracia, chamando de terroristas e esquerdistas comunistas todos aqueles que ainda estão na trincheira em defesa do livre pensa dentro das leis constitucionais. Na verdade, quem são mesmo os terroristas da nação?
Muitas instituições e entidades estão reagindo contra as investidas desses trogloditas que querem derrubar a nossa frágil democracia, mas as vozes ainda são tímidas e esparsas, enquanto a deles já nos ensurdecem e causam pânico e terror. Precisamos de mais força e vigor de todos os segmentos da sociedade para dizer que não vamos permitir que eles violem os nossos direitos.
Cadê os estudantes, os professores, os trabalhadores, os sindicatos que ainda duramente sobrevivem, os próprios jornalistas e todos os injustiçados e pobres, para gritar bem alto que eles não vão passar por cima do nosso Estado de Direito. Como no poema de Maiakovski, vamos expulsá-los enquanto estão em nosso quintal roubando nossas flores. Não vamos permitir que entrem como ladrões e roubem nossa casa sagrada. A democracia precisa de vigilância constante de 24 horas, porque esses caras não tiram férias.
“CIGANOS NO BRASIL – UMA BREVE HISTÓRIA” (I)
O autor da obra, Rodrigo Correia Teixeira, desmistifica o estigma da visão estereotipada dos ciganos como sujos, embusteiros, baderneiros, trapaceiros e preguiçosos. Eram vítimas de uma sociedade segregacionista. Nascer cigano era ter seu destino marcado do lado oposto da “boa sociedade”. Sempre foram prejulgados, inclusive por crimes não cometidos, como de ladrões, assassinos, salteadores e até sequestradores de crianças.
Perseguidos por D. João V, de Portugal, muitas das vezes condenados injustamente, eram embarcados para o Brasil Colônia, mas até certo ponto bem aceitos na corte de D. João VI e no primeiro Império, como artistas dançarinos, músicos e circenses. Muitos ficaram ricos como negociantes de escravos, mas suas atividades mais fortes eram no ramo do comércio de cavalos, bestas e a prática da “buena dicha” (leitura das mãos), no caso das mulheres.
Caminhos inóspitos e as correrias
Afirma o escritor, na conclusão do seu livro, que, “como nômades ou sedentarizados, perambulavam por caminhos inóspitos, acampavam em áreas pouco propícias e se estabeleciam em espaços insalubres nas cidades”, como é o caso do Campo de Santana, ou Rua dos Ciganos (Constituição – Praça da República, no Rio de Janeiro).
Destaca que “a sobrevivência foi a realização mais duradoura, o grande evento da história cigana”. Ele cita Angus Fraser, como maior historiador sobre o assunto, quando diz que, quando se consideram as vicissitudes que eles encontraram, deve-se concluir que a sua principal façanha foi a de ter sobrevivido”. Teixeira acrescenta que “o universo cigano, mais que de duplicidade, é repleto de multiplicidades, entre as quais estão as relações com os não-ciganos, as identidades dos grupos e as imagens que se formaram dos ciganos”.
Fraser critica os que fizeram história para destruir a diversidade cigana. “Eram vistos como de natureza perigosa, uma encarnação da imoralidade”. Já o autor, que viajou em sua pesquisa desde o Brasil Colônia ao século XIX, declara que o discurso oitocentista projetava uma sociedade sem conflito e sem mudança cultural que não fosse o progresso de criação do “ser brasileiro”, como estratégia para o controle da população.
Mesmo diante de tantas discriminações, segundo o escritor, eles se adaptaram, penetrando nas lacunas que a economia criava, como grande trunfo. A solução das autoridades políticas, através das posturas municipais, era expulsar os bandos de ciganos de uma cidade para outra, de província em província, como ocorria entre Bahia e Minas Gerais e vice-versa. Na verdade, eles viviam em correrias. As municipalidades usavam seus códigos de posturas e, uma vez burlados, partia-se para a violência e perseguição dos bandos, provocando pânicos. Assim surgiram as correrias, com sangramentos e tiroteios.
Sobre suas origens
O estudo de Rodrigo Teixeira é uma versão modificada da sua dissertação de mestrado em História “Correrias de ciganos pelo território mineiro (1808-1903)”, defendida em 1998 na Fafich/UFMG. De acordo com ele, não existe uma precisão sobre as origens dessa gente. Dizem terem vindo da Ásia onde os atos de trapaçarias e malandragens não eram considerados crimes.
Esse povo terminou penetrando na Europa Central e nos Balcãs com a denominação de Rom (majoritários), de Romani (portadores da verdadeira língua cigana), ou Roma no plural. O Rom é subdividido em natsia (nação), Kalderash (mais autênticos e nobres), Matchuara, Lovara e Tchurara. Alguns estudiosos consideram esse grupo como verdadeiros ciganos. Existiam ainda os Macwaia, mais sedentários. Os Rudari, provenientes da Romênia onde muitos foram escravos.
O grupo é dos Senti (Manouch), expressivos na Alemanha, Itália e França. Vieram para o Brasil no final do século XIX. Os Calon, de língua Caló, são originários da Península Ibérica (Espanha e Portugal) e migaram para países europeus e das Américas. Muitos deles eram fabricantes e consertadores de caldeiras, alambiques e outros utensílios de cobre, zinco e latão, mas o forte era o negócio de cavalos e bestas, bem como outras bugigangas, ouro e bijuterias. Chegaram ao Brasil deportados de Portugal desde o século XVI. Todos eles foram perseguidos por serem diferenciados da sociedade e viverem livres das normas impostas pela sociedade.
Degredados de Portugal e como imigrantes
No reinado de D. João V, de Portugal, milhares de calons presos e acusados por crimes (muitos não cometidos) foram forçados a virem para o Brasil e colônias portuguesas africanas, como Angola e Moçambique. Espertos, muitos driblaram as ordens de irem para África e entraram em navios com destino ao Brasil. Já os Rom chegaram em nosso pais no final do século XIX, misturados com os imigrantes italianos, poloneses, alemães e até russos. Aqui eles arrumavam um jeito de se confundir como imigrantes e até mudavam seus nomes.
“Cada cigano tem uma forte identificação com seu grupo familiar, ou com as famílias que têm o mesmo ofício”. Para o autor, “cada cigano é portador de um conjunto singular de elementos dessa identidade, embora não haja uma noção de individualidade tal como no mundo ocidental”. Tais diferenças não impediam que houvesse solidariedade, um fator de fortalecimento. É difícil calcular a população de ciganos brasileiros. Conforme dados oficiais, de 1819 a 1959, migraram para o Brasil 5,3 milhões de europeus. No desembarque registrava-se apenas a nacionalidade do imigrante.
“Amaldiçoados”
Historiadores apontam também os ciganos como de origem grega, e até eles próprios falavam ter vindos do Egito e do Oriente Médio. Quanto ao aspecto de serem tipicamente nômades, os ciganos chegam a contar um tipo de lenda de que foram amaldiçoados a andarem perdidos pelo mundo porque um bando não acolheu Maria, José e o menino Jesus em suas tendas quando a Família Sagrada fugia para o Egito.
Em termos de comportamento e posição ideológica, os ciganos estão mais para anarquistas pelo próprio desregramento contra as leis, e por terem seus próprios hábitos e costumes. Para a Igreja Católica, eles são pagãos e vivem em concubinato porque adotam seus rituais nos casamentos e nos sepultamentos de seus irmãos. As relações deles com a sociedade nunca foram tranquilas, conforme relata o autor da obra “Ciganos no Brasil”.
NÃO VIM PARA CONSTRUIR, MAS PARA DESTRUIR
O título lembra uma parábola bíblica do Messias Salvador, mas é uma parábola do mal, vinda de um cara apagado, de passado sombrio e tenebroso, que saiu das trevas demoníacas dantescas, para destruir de vez o Brasil e deixar como rastro uma terra arrasada. Foi escolhido por uma gente desiludida, traída em suas esperanças de justiça e honestidade, dividida, vítimas de lavagens cerebrais de falsos pastores, de seguidores nazifascistas e fardados que brotaram de seus quartéis para aniquilar de vez os excluídos e praticar o genocídio em massa.
Não veio para construir, mas para destruir através da desarmonia, da desagregação e impor a força da violência por meio das armas, para realizar seus desejos mais psicopatas e terríveis, começando por cortar todas cabeças viventes do conhecimento e do saber. Sua missão é extirpar todas ideias evoluídas civilizatórias, tidas por ele como maléficas, terroristas e esquerdistas comunistas que precisam ser degoladas pela lâmina afiada da sua guilhotina. Ele representa o grande e temeroso inquisidor do “Santo Ofício”.
A TIRANIA DA DITADURA
Com sua capa preta, uma foice e uma caveira na mão, ele prega a tirania da ditadura e a morte a quem não for seu fiel seguidor. Solta palavrões e xingamentos contra os escribas da imprensa e a todos aqueles que defendem a liberdade de expressão. Discrimina negros, gays; menospreza as mulheres e todas as classes “inferiores”, na sua concepção, colocando todos no cesto de lixo como vagabundos imprestáveis. Estão transformando o Brasil num inferno.
Em seu disfarce desprezível e cínico, chama o Brasil de Pátria Amada Idolatrada, mas escolheu os ministros mais incapazes e preconceituosos para concluir sua tarefa de vim para destruir, e não para construir. O ministro da Educação é um analfabeto e racista que usa isso como liberdade de expressão, e ainda chama os ministros do Tribunal Superior Federal de bandidos. Em plena pandemia, insiste em realizar o Enem para eliminar os mais fracos.
Esse capitão destrói a saúde quando coloca no Ministério um general para sonegar informações do setor. Aliás, depois do Mandetta e do outro médico que ficou na pasta apenas um mês, o próprio capitão-presidente é o ministro que manda retirar programas destinados à preservação da saúde da mulher e demite técnicos da área, alegando que eles querem derrubar seu governo.
O ministro do Meio Ambiente é outro grande destruidor das florestas que quer transformar a Amazônia numa fazenda de gado e numa extensão livre de garimpos para desterrar os índios que, na visão do governo, não é gente e nem faz parte da nação brasileira. O próprio ministro disse que era hora de passar a boiada das normas de regramentos, sem o crivo do Congresso Nacional e da sociedade, no momento em que todos estão focados na Covid-19.
A ministra dos Direitos Humanos manda menino vestir azul e menina vestir rosa, e que os jovens mantenham suas virgindades. Em relação às medidas restritivas de isolamento social decretadas por governadores e prefeitos, prometeu que vai mandar prendê-los porque, simplesmente, acha que eles, em seu papel de salvar vidas, violaram os direitos humanos.
Outro exterminador dos mais pobres e dos que já vivem no purgatório da miséria é o ministro da Cidadania que, por ordem do seu chefe maior da capa preta, manda cortar milhões em verbas do Bolsa Família, como numa espécie de extermínio seletivo das vítimas do racismo estrutural social que já perdura há séculos no país. Para completar, desvia recursos do próprio programa para a Secretaria de Comunicação fazer propagandas institucionais de cunho retrógrado e conservador.
Destrói a Fundação Palmares quando indica uma pessoa altamente racista para o cargo, visando acabar com os movimentos negros. Em gravação, o diretor da Fundação chama seus irmãos da mesma cor de escória maldita e xinga, com palavrão, o Zumbi dos Palmares. Declara que não vai haver mais Dia da Consciência negra. A estratégia montada é dividir para destruir.
Nessa linha de, não vim para construir, mas para destruir, o capitão está conseguindo acabar de vez com a cultura e com as artes em nosso país, quando extinguiu o Ministério da Cultura. A Secretaria da Cultura não funciona, restando apenas a Cinemateca que está perdendo seus audiovisuais.
Como o que importa é mesmo destruir, implodiu o Ministério do Trabalho, deixando os trabalhadores, sem sindicatos e organização, ainda mais vulneráveis e enfraquecidos para negociar diretamente com os patrões capitalistas. Sem poder de barganha e com mais de 13 milhões de desempregados, os trabalhadores passaram a ser reféns de um regime escravista dos séculos XVII e XIX.
Não foi por falta de aviso, mas, através de seus pronunciamentos estapafúrdios e preconceituosos, ele já dizia que sua missão quando eleito seria destruir, e não construir. De presidente, o cara virou ministro de todos os ministérios, sem falar das diretorias, das quais ele é diretor, como da Polícia Federal e outras instituições. “Dou liberdade aos ministros, mas sou eu que mando”. Assim segue a parábola do mal, de não vim para construir, mas para destruir.
PRECÁRIO E EM DESARMONIA SOCIAL
DIZ O DITADO QUE “BRASILEIRO SÓ FECHA A PORTA DEPOIS DE ROUBADO”
O Brasil de hoje é um dos únicos países do mundo mais desarrumado e vulnerável no combate à pandemia do coronavírus. Sem uma coordenação central de firme liderança nacional, num país onde tudo é precário e confuso, estamos vivendo uma desarmonia social, com extermínio em massa da pobreza e da miséria, que pode ter os números de vítimas mortais do vírus mais que dobrados dos atuais existentes (mais de 30 mil e quase 600 mil infectados).
Não quero ser nenhuma ave agourenta como o corvo ou a cauã que farejam cadáveres, mas o quadro caótico brasileiro no âmbito político, social e econômico que vivenciamos hoje, dá muito medo e pavor, em meio a todo esse panorama apocalíptico global. Vivemos aqui uma desarrumação única no planeta nas tomadas de decisões, quando deveria ser o momento de maior ordenamento, união e planejamento científico, visando a destruição do maior inimigo de todos.
AMBIENTE PROPÍCIO
Com um capitão-presidente que, ao invés de somar, desagrega com suas psicopatias e tendências genocidas, essa Covid-19 letal encontrou aqui no Brasil um ambiente propício e um terreno “fértil” para a sua propagação. Basta acompanhar os noticiários e tudo estampa confuso, turvo e gerador de pânico em nossas mentes, porque as medidas são feitas de forma experimental de toques de recolher, feriados antecipados, fechamentos e aberturas, sem uma disciplina correta e certeira. As imagens não negam.
Em minha opinião, esse negócio de abrir o comércio por setores e em horários diferenciados em quase nada influencia a contenção no surgimento de mais vítimas do vírus, pois as pessoas vão para as ruas como se tudo estivesse acabado. A maioria das cidades ainda está com índices alarmantes de duplicação e até triplicação de casos, quando não devia optar pela abertura.
Como o Brasil adora em tudo imitar os países ricos e desenvolvidos, até no modo de se vestir, comer e gastar, só imagino que seja mais uma cultura da imitação e do complexo de superioridade. Acontece que na Europa e na Ásia, o coronavírus chegou mais cedo, junto com o isolamento social que é levado a sério nesses continentes, porque a mentalidade da população em seguir normas é bem diferente da nossa, sem contar que são sociedades mais organizadas e conscientes.
PRECÁRIO EM TODOS OS SETORES
Quando falo precário, me refiro a todos setores da vida brasileira, especialmente no âmbito da saúde onde unidades hospitalares de muitos estados entraram em colapso, e muitas pessoas estão morrendo por falta de infraestrutura e recursos humanos para o devido atendimento no momento necessário.
Precário na economia que já vinha há muitos anos em estado de recessão, com o desemprego de mais de 13 milhões de pessoas e mais outros milhões vivendo na informalidade. Com a chegada do vírus, veio o caos social, piorando mais ainda a pobreza e levando um grande contingente a morar nas ruas. Isso significa que milhões estão passando fome e, sem alimentação adequada, o organismo fica sem anticorpos para lutar contra o vírus.
Precário na educação e, consequentemente, na cultura. Sem educação e cultura, as pessoas são desprovidas de consciência no devido tratamento da higiene e na prevenção de não deixarem ser contaminados e nem contaminar os outros. Culturalmente, o brasileiro é indisciplinado e não tolera seguir normas, ao contrário dos povos europeus e orientais asiáticos.
O Brasil é precário no saneamento básico onde mais da metade da população não possuem serviços de esgotamento sanitário e moram em casebres e favelas apertadas, expostas a todo tipo de doenças. Precário nos transportes coletivos nas médias e grandes cidades onde ônibus e metrôs circulam lotados, num espaço favorável à expansão do vírus.
CALÇAS CURTAS
Por tudo isso e muito mais de precariedades e deficiências, sem falar de um governo sem Ministério da Saúde (a pasta é comandada por um general) e que contraria as recomendações científicas (muitos sentem orgulho da ignorância), criando um clima de desarmonia e incertezas, o distanciamento e o isolamento social no Brasil são como calças curtas abaixo dos 50% do seu tamanho, ou bermudas pela metade.
Nesse momento mais difícil da nação, quando todos deveriam estar irmanados para vencer o inimigo comum, grupos de extrema-direita (nazifascistas) vão para as ruas pedir ditadura militar, e o presidente destrambelhado e desembestado participa da insensatez e apoia o trancamento do Congresso Nacional e do Tribunal Superior Federal. Para se vingar, veta uma verba de oito bilhões de reais para estados e municípios estruturarem o setor da saúde.
Diante de todo esse quadro aterrador, não é preciso ser especialista em infectologia ou na medicina, para se prever que a tendência é crescente de muito mais mortes e de casos de contaminação. Oxalá minha visão esteja equivocada, mas, infelizmente, vamos ver mais sofrimentos, mais perdas de vidas, mais covas se abrirem nos cemitérios e mais choros e lágrimas nessa pátria tão maltratada, vilipendiada e precária.
TORCEDORES UNIDOS PEDEM DEMOCRACIA
Carlos González – jornalista
Jair Bolsonaro conseguiu, no final de semana, o que até então era considerado como improvável: unir os torcedores arquirrivais do São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos, que até já cometeram assassinatos entre si, num movimento em favor da democracia. O ato realizado na Avenida Paulista tende a se expandir por outras partes do país. No domingo, em Salvador, integrantes da principal organizada do Vitória, “Os Imbatíveis”, ensaiaram um protesto nas ruas da Mouraria; aficionados do Flamengo se defrontaram com bolsonaristas na Praia de Copacabana; a Praça da Bandeira, em Belo Horizonte, foi o local de encontro entre atleticanos e cruzeirenses.
A mobilização de torcedores coincide com o aceno do presidente da República ao clube mais popular do Brasil, em mais uma investida para acabar com o isolamento social, aconselhado pela OMS e pelos mais renomados cientistas e pesquisadores do mundo, e decretado por governadores e prefeitos, como o método mais eficaz para impedir a expansão do novo coronavírus. Os 30 mil brasileiros que não desapareceram nos porões da ditadura militar (1964-1985) vão morrer vítimas da pandemia.
Sem uma consulta prévia à chamada nação rubro-negra, principalmente ao Departamento Médico do clube, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, fez rapidamente as malas e rumou para Brasília, levando na bagagem seu colega do Vasco da Gama, Alexandre Campello. Com a adesão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, Bolsonaro ofereceu aos clubes cariocas, para treinos e jogos, o Estádio Mané Garrincha. O Flamengo vem realizando há semanas treinos presenciais, descumprindo decreto do prefeito Marcelo Crivella.
Pressionada pelos seus dois principais filiados , a Federação Carioca, com o apoio dos clubes do interior do estado, decidiu marcar o reinício do campeonato para 14 de junho. Fluminense e Botafogo se posicionaram contra, sob o argumento de que o retorno dos jogos este mês colocaria em risco funcionários, comissão técnica, atletas e seus familiares, no momento em que o Rio registra cerca de 70 mortes diárias de infectados pelo vírus. Ao mesmo tempo, o governador fluminense, Wilson Witzel, assinava decreto, prorrogando as medidas preventivas e de enfrentamento ao Covid 19.
Prefeitos têm feito apelos – alguns até instituíram a cobrança de multas – para que seus munícipes fiquem em casa. Ocorre que, o brasileiro, ou não acredita na existência da pandemia, que já faz do seu país o segundo do mundo em número de mortes, ou é dotado de uma demasiada insensibilidade, que se revela desprovido de conhecimentos, cultura e recursos financeiros.
Essa indiferença, que impede que a taxa de isolamento social nas cidades chegue a 70%, facilita a propagação do vírus, levando o sistema de saúde a um colapso. No entanto, estamos assistindo, com perplexidade, a reabertura do comércio em municípios do interior do país, onde a fiscalização do poder público está ausente. Estudos constataram que pequenas cidades do Nordeste elevaram os índices de contaminação a partir da chegada de ônibus clandestinos, procedentes de São Paulo. Em Vitória da Conquista esse índice não chegou aos 40%.
Pressionado, Herzem Gusmão avalizou a reabertura do comércio. Resistiu até quando pôde, mas teve que se dobrar àqueles que “choram de barriga cheia” e que põem a vida humana em segundo plano. Buzinaços interromperam seu descanso; lojista acusado de financiar a indústria de fake news resgatou o verde do movimento integralista (fascista), usando seus empregados em manifestações de protesto; pastores evangélicos, preocupados com a perda da fonte de renda dos seus templos, pleitearam o acesso dos fieis aos cultos; o vereador David Salomão impediu a interdição de uma barbearia, dirigindo ofensas ao prefeito. O ato de Herzem acendeu o sinal vermelho no Comitê Científico do Consórcio Nordeste, criado para auxiliar os governadores da região no enfrentamento à Covid 19.
Voltando ao futebol, treinos e jogos na Bahia estão proibidos, pelo menos, até o dia 21 deste mês, por decisão do governo do Estado. Federação e clubes não têm intenção de se insurgir contra o decreto governamental. A Arena Fonte Nova, assim como o Maracanã e Pacaembu, foi transformada num hospital de campanha para receber os infectados pelo coronavírus.
Logo após a suspensão do campeonato, em 17 de março, o Vitória da Conquista dispensou todos os integrantes do Departamento de Futebol, incluindo os atletas, minorando uma crise financeira, que vem afetando grandes clubes brasileiros e europeus. Impediu também o surgimento de casos – no Vasco foram 75, sendo 16 jogadores – de infectados pelo Covid 19. O clube conquistense e os outros 67 participantes do Brasileiro deste ano da série D receberam da CBF uma ajuda de R$ 120 mil, e a promessa de transporte, hospedagem e alimentação durante a disputa do torneio, que ainda não tem data marcada. O presidente Ederlane Amorim agradeceu o auxílio, revelando que pensou em abrir mão da vaga, mas foi avisado de que o clube poderia ser punido pela CBF.
SEM ROMARIAS EM UMA ANO PERDIDO
Em mais de 320 anos de romarias religiosas em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, talvez este ano seja o primeiro de toda sua história que os peregrinos deixarão de marchar de várias partes do Brasil para testemunhar sua fé e pagar suas promessas numa das grutas mais visitadas do país.
As romarias começam a agora em julho e vão praticamente até o final do ano, como a Procissão das Águas e a Nossa Senhora da Soledade, sem falar da maior ao Bom Jesus. Não há dúvida que não somente a Igreja Católica, mas toda economia do município vai entrar em colapso, principalmente o setor hoteleiro.
MAIS DE UM MILHÃO
Todos os anos, conforme as estimativas feitas pelos organizadores das festas, Bom Jesus da Lapa recebe mais de um milhão de pessoas, não apenas da Bahia, mas também de outros estados da Federação. Tudo leva a crer que os fiéis vão ter que professar sua fé de distância, ou de maneira virtual.
Quem já esteve na Romaria do Bom Jesus, como eu que já fiz várias coberturas jornalísticas, sabe como a cidade ferve no maior dia, com hotéis totalmente lotados e o comércio cheio de consumidores nas lojas de lembranças, artesanatos e nos bares e restaurantes. É um formigueiro de gente.
Esse vazio vai, com certeza, provocar uma situação de crise financeira em todos os setores da economia do município, especialmente no segmento de serviços, inclusive artistas locais e muita gente de fora que viaja de longas distâncias para ganhar uns trocados para a sobrevivência.
Não vai ser somente Bom Jesus da Lapa que vai sofrer os impactos, mas todas as cidades que estão no roteiro das romarias, sobretudo as da região sudoeste a partir de Vitória da Conquista, como Brumado, Caetité, Igaporã, Riacho de Santana e municípios vizinhos que fazem caravanas utilizando o transporte de vans e ônibus.
Claro que toda essa ausência dos tradicionais romeiros e até mesmo turistas que se deslocam para Bom Jesus da Lapa nessa época do ano se refere ao letal coronavírus que deixou estragos irrecuperáveis por muito tempo e transformou 2020 num ano perdido para o futebol, para o ensino educacional já precário, para as festas juninas, para a cultura de um modo geral e outras atividades que movimentam o Brasil.
PARECE UMA MALDIÇÃO
Além das perdas nos eventos religiosos e culturais, a propagação da Covid-19, particularmente em nosso país pobre, desgovernado e politicamente em caos, deixa em todos nós um sentimento de tristeza, medo, pavor, dor e lágrimas pelos mais de 30 mil brasileiros abatidos por essa pandemia que continua a avançar pelos rincões do nosso território já arrasado por outros desmandos.
Você não sabe o que é pior! Parece mais uma maldição que caiu sobre nós. De um lado, o terror do vírus. Do outro, um capitão-presidente desatinado e sem postura, que sai de helicóptero com o nosso suado dinheiro para apoiar um grupo de nazistas e fascistas de carteirinha pedindo ditadura no Brasil.
Ele escancarou de vez, se misturando entre os contras à democracia, montado num cavalo em plena pandemia! Não respeita nem os mortos! Faz acordos com deputados ladrões e corruptos. Aquilo mais pareceu uma encenação da proclamação nazista de Hitler em 1933. O que será do nosso país, em terra arrasada? A nação unida tem que d
SEMPRE SOBRA PARA OS POBRES
DIZ O VELHO DITADO QUE “CACHORRO QUE LATE MUITO, NÃO MORDE”.
Não é necessário fazer pesquisas para constatar que a pandemia do coronavírus está matando as classes sociais daqueles que estão na linha da pobreza, os abaixo dela e os que vivem em estado de miséria. Sempre são os mais vulneráveis, a começar pela falta de educação e, consequentemente, desprovidos de poder aquisitivo.
A mídia praticamente não atentou para este lado e, desde o início, focou o alvo somente nos idosos, como se fossem os únicos vetores. Isso serviu para que jovens e adultos até os 50 anos abrissem a guarda, e agora estão sendo as maiores vítimas do vírus. Mesmo entre idosos e jovens, a grande maioria é de pobres que vivem nas periferias e favelas, em barracos apertados, sem condições de sobrevivência e cumprir com o isolamento social.
Sem educação, consciência política e social, essa categoria vive todo tempo exposta, em decorrência da situação financeira e porque não tem a cultura da higienização. Por outro lado, a maioria precisa sair de suas casas ou casebres para ganhar o pão de cada dia através da informalidade, como ambulantes ou outras atividades, como se diz na gíria, “se virar nos 30”, ou “fazer um bico”.
Aliás, como sempre venho comentando, as catástrofes, as tragédias, as enchentes, os deslizamentos de terras e outras pandemias sempre atingem os mais pobres, daí o Brasil, que aparece no mundo como um dos países com maior desigualdade social, ser hoje o quinto do planeta mais contaminado pelo coronavírus.
Esse é um fato histórico que vem se arrastando há séculos, e cada governo que passa é pior que o outro. O atual do capitão-presidente sofre de psicopatia contra a ciência e o conhecimento, chegando a alguns de seus membros defender a maluca tese medieval de que a terra é plana. Outros têm o DNA nazifascista, racista, homofóbico e misógino.
É uma mistura indigesta onde o pobre é quem mais padece, inclusive seguindo os comportamentos bárbaros, se bem que tem gente com outro nível mais alto que acompanha as proposições retrógradas, autoritárias e arcaicas. O Brasil de hoje é único no mundo nesse aspecto, sobretudo no momento atual no que concerne o tratamento contra esse vírus letal.
Os abonados têm suas clínicas e hospitais particulares com maior estrutura em termos de equipamentos de primeiro mundo, sem contar que vivem em suas casas de luxo e se alimentam bem. Vivem mais despreocupados psicologicamente, e isso fortalece a mente que, por sua vez, protege o corpo. O rico tem o organismo mais imunizado e possui mais anticorpos para enfrentar a doença. O pobre já tem a mente e o físico mais enfraquecidos e vulneráveis.











