ESSA NOVELA DO TELEMARKETING NUNCA SE ACABA E NÃO TERÁ FINAL FELIZ
Há muito tempo, os órgãos do governo e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) anunciam medidas para as empresas de telemarketings pararem de atanazar as pessoas com ligações e mensagens indevidas nos celulares. Elas se fazem de ouvidos moucos e passam por cima das tais leis nos tirando do sério e nos estressando.
Os representantes desses organismos recomendam que os usuários e consumidores façam suas reclamações e notificações junto à Anatel, aos Procons e juizados de primeiras causas. Ameaçam com multas pesadas, como se fosse mesmo para valer. É tudo um faz de conta. Mais parece uma novela sem final.
Ora, neste país, sabemos muito bem que os poderosos não pagam multas, só os pobres que não têm advogados para recorrer. Contra agressores do meio ambiente, por exemplo, “aplicam” multas de milhões de reais, mas sabemos que não pagam. Isso também é fake news. Se fosse tudo verdade, a empresa entraria em falência. Nos fazem de bestas e subestimam nossa inteligência.
As pessoas hoje vivem em correrias, preocupadas com seus problemas e preferem a simples ação do recusar e deletar do que passar mais raiva se deslocando de seus lugares para dar queixas, sabendo que o processo é lento, burocrático e termina apenas numa advertência à empresa abusadora. Além do mais, nossa Justiça continua sendo morosa para os mais pobres e cega para os ricos.
Na verdade, poucos se atrevem a fazer suas reclamações e terminam se decepcionando porque não conseguem os resultados esperados depois de tanta perda de tempo e se irritar. Por sua vez, fazer uma reclamação virtual à Anatel via internet é um terror. O sistema não funciona e a pessoas passa horas para ser atendida. Depois de muito tempo, seu protocolo fica lá esquecido no sistema, ou no lixo como antigamente.
Na grande maioria, funcionário público no Brasil presta um péssimo serviço ao usuário por causa da maldita estabilidade vitalícia. Por que muita gente tira um diploma somente com intuito de fazer um concurso público? A resposta está na ponta da língua.
Depois de um determinado tempo, o servidor concursado se acomoda e trata o consumidor em geral com desdém e menosprezo. Ainda existe uma lei onde o brasileiro não pode “desacatar” quem está do outro lado do balcão, mas quem está fora para resolver seu problema tem que ficar calado e aguentar a falta de humor do estabilizado no emprego, que só pode ser demitido por justa causa, em casos raros.
Nem todos, mas muitos optam pelo concurso público porque não têm coragem de enfrentar uma empresa privada onde o empregado tem que mostrar produtividade e se for relapso pode ser demitido. Terminei enveredando por outro assunto, mas uma coisa puxa outra.
O profissional do telemarketing só cumpre ordens do patrão para no final do mês dar resultados, senão vai para o olho da rua. Com seu corpo de advogados, a empresa sabe muito bem como burlar as leis, feitas para os poderosos. Os representantes dos órgãos governamentais falam duro para ficarem bem na fita e nós ficamos com caras de abestalhados acreditando neles.
UMA SOCIEDADE FÚTIL E IMBECIL
Há noventa anos nascia o escritor e filósofo italiano Umberto Eco e, em uma de suas tantas entrevistas, disse que, com o advento da internet, do celular e das redes sociais, a nossa sociedade se tornaria mais fútil e superficial. Ele era também um estudioso da comunicação midiática.
A sua visão não pode ser considerada como uma profecia, mas uma reflexão sobre os rumos do ser humano e sua decadência mental frente ao avanço da revolução tecnológica da informática, não que ela não seja benéfica se bem utilizada.
Sobre a internet, ele afirmou que produz muito ruído, pois há muita gente a falar ao mesmo tempo. “Faz-me lembrar quando na ópera italiana é necessário imitar o ruído da multidão e o que todos pronunciam é a palavra “rabarbaro”.
“As mídias sociais deram o direito à fala de legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito a fala que um ganhador do Prêmio Nobel”.
Bem, citei aqui alguns pensamentos de Eco sobre internet e redes sociais, para colocar meu ponto de vista sobre como eu vejo o mundo de hoje sobre esta questão. Como uma onda de besteirol consegue arrastar milhões de seguidores imbecis? Como chegamos a este nível? Será o vazio humano espiritual?
Uma “blogueirinha” consegue atrair mais público numa plateia de qualquer evento cultural do que um Prêmio Nobel de Literatura, ou o maior pensador filosófico. O tal do influenciador digital se tornou numa “profissão” mais admirada. Se Cristo surgisse na era atual com seus ensinamentos profundos, será que teria tantos seguidores na internet?
Entendo que a revolução da informática, como a industrial, pegou a humanidade desprevenida, isto é, numa curva descendente do ler e saber pensar em termos de conhecimento, principalmente em se tratando da nossa juventude, ainda uma criança entusiasmada com seu brinquedinho, ou um adolescente eufórico quando se depara com coisas novas. Quando a internet chegará à sua idade de maturidade? Ainda vivemos na adolescência.
A internet tornou-se o mundo da fantasia para uma grande maioria que, sem sentido para a vida, ou pelo menos para sua existência como criatura, viu nela o seu deus material para realizar suas ilusões, sem perceber que tudo é efêmero e passageiro.
Por esse prisma, na ponga de uma humanidade em decadência de saber e de lideranças espirituais e políticas, a inversão de valores ocupou sua supremacia na história onde o fútil passou a ser o mais admirado e seguido.
Dia desses estava vendo na tv um lutador, que fica nos ringues tirando sangue e dando pancadas na cabeça e por todo corpo do seu adversário, como dois selvagens primitivos dos tempos dos gladiadores romanos, se glorificar que teve 250 mil visualizações nas redes sócias enquanto fazia uma tatuagem no braço, no formato de uma mordida humana.
O mais irônico é que a nossa grande mídia, a qual se coloca como combatente da linha de frente contra as mentiras e fake news nas redes sociais, é a maior incentivadora e divulgadora desses fúteis influenciadores digitais que deixam nossos jovens mais histéricos e até se tornam imorais. É essa mesma mídia a maior criadora dessa sociedade fútil, que faz questão de manchetar o besteirol.
COMO PARTICIPAR DESSA POLÍTICA?
O NOSSO SISTEMA ELEITORAL É COMO SE FOSSE UM VELHO BARCO CHEIO DE BURACOS POR TODOS OS LADOS EM ALTO MAR.
Na minha concepção, política deveria ser, acima de tudo, seriedade, lealdade e compromisso para com a população, com a sociedade e sua comunidade. No entanto, infelizmente, não tem sido assim que funciona. Sempre é feita de conchavos, negociatas escusas e traição contra o povo porque não se cumpre as promessas feitas em campanhas.
Por tudo isso, as pessoas boas têm procurado se afastar da política e tem muitos que nem querem falar nesse assunto, quando ela poderia ser a mola propulsora para a solução dos problemas do país. Nos bons tempo, nas décadas de 50 e 60, os jovens já começavam cedo a fazer política nas escolas através dos grêmios, das associações dos estudantes secundaristas e da própria UNE (União Nacional dos Estudantes).
Nos tempos atuais, esta categoria está afastada por vários fatores, como alienação, em decorrência do baixo nível educacional, e consequente rebaixamento cultural (falta de leitura com o advento do celular), mas, sobretudo, porque nossos políticos, a partir da redemocratização do Brasil após a ditadura civil-militar-burguesa, transformaram a política em jogo de interesses particulares, fizeram do público coisa privado e deram as costas para o povo.
Os partidos políticos cresceram como uma praga do Egito e muitos viraram barrigas de aluguel. Dentro dessas agremiações políticas existe uma espécie de ditadura interna, tanto da direita como da esquerda, e o pior, com várias correntes e tendências de pensamento “ideológico” que só fazem separar ao invés de unir os membros em torno do seu princípio programático.
Pertenço, por exemplo, ao PSOL de Vitória da Conquista, mas não estou aqui falando em nome do partido que está enfraquecido, desorganizado (muitos caíram fora) e agora vem sendo teleguiado pela estadual, cujo presidente quer impor sua ditadura e mandar no diretório municipal. Isso desgosta, decepciona e frustra as pessoas sérias que intencionam dar sua contribuição como militante.
A esquerda de hoje não faz mais política em suas bases de origens, como junto aos estudantes, ao operariado e dentro dos movimentos sociais que foram abandonados pela militância que passou da cachaça para o uísque escocês. Ela hoje se enroscou com a burguesia e a elite para se manter no poder. Dá apenas umas cestas e uns auxílios como caridade.
A esquerda condena tanto a ditadura, mas entra em contradição quando seus dirigentes e diretórios usam esses métodos condenáveis dentro do próprio partido, como se fossem donos. Na maioria das vezes, quando dos apoios a determinados candidatos, as decisões saem de cima para baixo sem ouvir seus membros filiados. Passam o rolo compressor nas representações regionais e até intervém quando não aceitam o que eles querem.
É aí que as pessoas mais sérias e bem-intencionadas caem fora dessa bandalheira, dessa falta de respeito com as bases onde a democracia é alijada do processo. Temos um Congresso Nacional conservador, dominado pelas maracutais, penduricalhos e interesses próprios. Diante desse cenário nada alentador, os jovens, os honestos e éticos se afastam dessa política, ou politicagem. Esse cesto de frutas podres deixa de fora quem tem pretensão de entrar na política.
Temos ainda um sistema político eleitoral arcaico, desleal, desproporcional, burocrático, que se requer muitos milhões de reais para se eleger. É outro fator negativo para o afastamento da política. É difícil para quem está de fora, com boas intenções, entrar nesse esquema bruto e competir de igual a igual contra aqueles que já estão lá dentro com a máquina na mão, sem contar ainda com esse negócio de cotas que só faz criar mais ódio e intolerância.
Não estou aqui para ser o arauto da verdade, do exemplo de pessoa correta que tem a razão como única e absoluta, mas meu propósito é só fazer uma reflexão e indagar do porquê a quase maioria não quer mais saber de política e nem se engajar nela? Confesso que eu mesmo me sinto decepcionado e desestimulado com o que vejo e tenho consciência de que minha voz não tem eco nesse árido deserto.
Agora mesmo vem aí mais uma eleição municipal e já começaram as negociatas por cargos, as mentiras, as imposições de nomes, os xingamentos, as propagandas falsas e os esquemas inescrupulosos.
O mais desrespeitado é o eleitor, embora continue a ir à urna votar por favores, sem consciência política e manipulado como nos tempos dos coronéis. Na verdade, meu amigo e amiga, o voto ainda é comprado e vendido.
Permanece o voto de cabresto, e nossos jovens não estão preparados para escolhas conscientes e livres. Sei que é difícil dizer isso, e posso ser execrado com antiquado, mas não tenho medo de falar o que penso, mesmo com o risco dos julgamentos contrários.
Nessa nossa democracia, repleta de falhas e vulnerável, é pura balela se falar em eleições livres neste nosso país. O eleitor que vota por um favor recebido, por simpatia ou porque o candidato ou candidata são bonitos, não está sendo livre, mas induzido por uma ilusão de que está exercendo sua cidadania de liberdade democrática.
“ASSIM FALAVA ZARATUSTRA”
Na obra famosa de Friedrich Nietzsche, no capítulo “Dos Caminhos do Criador”, o filósofo, na palavra de Zaratustra, fala do solitário, aquele que procura a busca de si mesmo. Seu pensamento é complexo com muitos anunciados que nos faz refletir ainda nos tempos contemporâneos.
O filósofo escreveu no século XIX e sobre as mulheres ele seria hoje esconjurado, machista e retrógrado pelo seu menosprezo ao gênero feminino, mas este é outro assunto. Zaratustra dialogo com uma velha senhora quando seguia seu caminho. No final da conversa a velha lhe diz que ele não conhece bastante as mulheres, se bem que tem razão no que prega. Será porque para a mulher nada é impossível?
Sobre a morte, ressalta que uns morrem cedo e outros tarde, daí o preceito de que morre a tempo. “Se nunca vive a tempo, como há de morrer a tempo? Para ele, morrer ainda não é uma festa. Morre sua morte aquele que cumpre seu destino, vitorioso, rodeado daqueles que esperam e prometem. Fala do aprender a morrer no combate, abençoando os vivos. Combatente e vitorioso odeiam a morte “que vai se arrastando como uma ladra e, contudo, chega como soberana”.
Com referência ao solitário e a solidão, Zaratustra diz que, mesmo com toda tua força e coragem, um dia te há de cansar. Algum dia se abaterá teu orgulho, e tua coragem vai cerrar os dentes. Um dia clamarás: Estou só, tudo é falso!
Em sua reflexão, ele afirma que há sentimentos que querem matar o solitário. Se não conseguirem, eles mesmos terão de morrer! Quanto ao desprezo dos outros e a procura de ser justo com aqueles que te menosprezam, Nietzsche acrescenta que o solitário obriga muitos a mudarem de opinião a seu respeito. Por isso, “te odeiam com todas as forças”.
Acima deles te elevaste, mas quanto mais alto sobes, tanto menor te vêem os olhos da inveja. Ninguém é tão odiado como aquele que voa diante de todos. “Sobre o solitário, atiram baixeza e injustiça”. Zaratustra aconselha que o solitário se livre dos impulsos do amor porque ele estende depressa a mão ao primeiro que encontra.
“Há homens a quem não deves dar a mão, mas tão somente a pata. Além disso, quero que tua pata tenha garras. O pior inimigo, todavia, que poderás encontrar, és tu mesmo. Nas cavernas e nos bosques és tu que te espreitas a ti mesmo. Serás herege para ti mesmo, serás feiticeiro, adivinho, doido, incrédulo, ímpio e malvado”.
De acordo com sua fala, o solitário segue o caminho daqueles que amam. “Vai para tua solidão, com minhas lágrimas, meu irmão, com teu amor e com teu ato criador. Somente mais tarde, com passo claudicante, a justiça chegará a ti”.
No que se refere ao ser humano, Zaratustra o compara com o camelo, o leão e a criança, e afirma que existem coisas pesadas para o espírito sólido. Quanto ao camelo, o espírito é uma besta de carga a escalar altas montanhas. Padece fome na alma, ama os que nos desprezam e estende a mão aos fantasmas.
Com sua carga, conforme seus ensinamentos, o camelo corre ao deserto. Assim é o espírito. Na extrema solidão, o espírito se transforma em leão, rei do seu próprio deserto, e luta como um dragão. Tu deves brilhar nesse caminho de escamas de ouro.
Em sua concepção, somente o leão poderá criar a liberdade. Já o espírito dócil pensa criar novos valores. Para o jogo da criação é preciso uma santa afirmação de criança. Ensina que deves reconciliar contigo mesmo, manter-se sempre acordado, apesar da fadiga e conservar a alma serena.
As coisas ruins não combinam com um bom sono, o senhor das virtudes. “Existem sábios que pensam no sono sem sonhos”. Mantenha paz com o diabo do teu próximo. Com relação ao poder, Nietzsche, na fala de Zaratustra, ressalta que ele gosta de andar com pernas tortas. Em seus diálogos filosóficos, muitas vezes ele entra em contradição, ou parece ser isso.
ÊITA QUE AGORA MELARAM NOSSO FORRÓ!
TROCARAM O GONZAGÃO PELO SAFADÃO!
Dessa vez, com o São João gordo das eleições, estão lascando com o nosso forró ou forrobodó! Quem estão mandando nessa farra são Safadão, o maior faturador das festas juninas, Amado Batista, Calcinha Preta, Cueca Branca, duplas sertanejas, de arrocha, pagode, bregas e outros ritmos porcarias. No meio, para disfarçar, colocam algum forrozeiro.
Até os governos do PT, que tanto pregaram em seu programa partidário a defesa da cultura popular de raiz, entraram na onda, como no caso do São João de Salvador, no Parque de Exposições Agropecuárias, bancado pelo estado. Aqui em Vitória da Conquista, onde a prefeita sepultou nossa cultura, sem ritual fúnebre, já não é tanta novidade. Tem até o Amado Batista. Nos outros municípios a toada não é diferente.
Nas propagandas, os prefeitos colocam as grades das grandes “atrações” com os nomes dos pesos pesados dos cachês, mas quase nada das bandas regionais que fazem suas músicas durante o ano todo para ganhar uma graninha merreca paga meses depois. Esses têm que entrar nos editais burocráticos da concorrência. É uma tremenda luta para conseguir um espaço.
Estão divulgando aí um concurso das melhores músicas que pouco falam das raízes, dos costumes, do nosso forró, da terra e da vida do nosso povo nordestino, com o título de Zelito Miranda que deve estar se revirando no caixão. As letras têm um sotaque do axé music, dos arrochas e dos “sertanejos” melosos de amor vazio e fútil.
É isso aí, meu amigo, o nosso forró, que até já se tornou patrimônio imaterial nacional, está virando num grande carnaval fora de época, com guitarras, baterias e rebolados de mulheres nos palcos, jogando no lixo a sanfona, o triângulo e a zabumba. Esse negócio de forró pé de serra está se tornando coisa antiga e arcaica.
Para fazer média com o público alienado, o cara chega no palco falando de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e outros nomes do nosso verdadeiro forró, baião e xaxado (devia lavar a boca) e depois arrasta o som miserável estrangeirado, misturado do tipo “tira o pé do chão galera”, com músicas de duplo sentido que agridem nossos ouvidos.
A mídia diz que é tudo de graça, a multidão ignara cai na folia e aplaude os prefeitos dos safadões e companhias. Tudo preparado para um pouco mais na frente, em outubro, pescar o voto do eleitor que depois da festa continua na mesma situação de dependência e submissão aos poderosos. Se eu ou você critica, sua voz ecoa no deserto. Será que adianta lutar contra a maré?
É assim que as coisas funcionam e não adianta resistir, meu camarada, porque será criticado como caduco, antiquado e saudosista. As coisas mudaram, seu babaca; são novos tempos da tecnologia; e que vá a memória e a história para as “cucuias” e os quintos dos infernos. É assim que eles dizem.
O Ministério Público anuncia que está vigiando e fiscalizando as grandes contratações e os superfaturamentos das prefeituras, observando os critérios dos investimentos em saúde, programas sociais e educação. É tudo conversa fiada, no faz de conta.
Os artistas e as bandas da terra pegam as migalhas, sem quase nada de visibilidade. São utilizados para apresentações nos intervalos dos grandes shows e nas pontas dos bairros. Dão um dinheiro tipo cala boca para as quadrilhas, para dizer que elas não morreram. A mídia faz sua média e dá destaque para os safadões da vida.
TUDO É 3
(Chico Ribeiro Neto)
Pai, Filho e Espírito Santo. Os 3 Reis Magos, os 3 Mosqueteiros, os 3 Porquinhos e, no céu, as 3 Marias. Somos divididos em cabeça, tronco e membros.
“Se temos duas pessoas, temos um debate; se temos 3, temos uma decisão”. (Autor desconhecido).
Cristo foi crucificado junto a dois ladrões e ressuscitou no terceiro dia.
O 3 é um número considerado sagrado e também um número de tempo: passado, presente e futuro; princípio, meio e fim. O triângulo é o mais importante símbolo da Maçonaria. E há também o “triângulo do prazer”.
“As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me bouleversam, me hipnotizam”. (Verso inicial do poema “Balada das Três Mulheres do Sabonete Araxá”, de Manuel Bandeira).
Um velho espanhol costumava alertar o sobrinho: “Nunca beba em 3 bares, pois no terceiro sempre dá alguma merda: briga ou discussão. Vá pra casa depois do segundo bar”.
Escova de dente sempre teve 3 tamanhos: pequena, média e grande. Agora tem a frescura de escova Plus, Ultrafina e até escova elétrica.
O número 3 aparece 467 vezes na Bíblia. Os 3 Patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó. Pedro negou Cristo 3 vezes.
“Então vi três espíritos imundos que pareciam rãs, que saíam da boca do dragão, da boca do monstro e da boca do falso profeta. Eles são os espíritos maus que fazem milagres. Esses três espíritos vão aos reis do mundo inteiro a fim de os ajuntar para a batalha do grande Dia de Deus, o Todo-Poderoso”. (Apocalipse, 16:13-14).
Além de Cosme e Damião havia o irmão Doum. Conta-se que Cosme, Damião e Doum eram trigêmeos e com a morte de Doum os outros irmãos se tornaram médicos para curar as crianças. Então eram 3.
Lamento não existir a cédula de 3 reais. Muitos técnicos de futebol armam o time na tática 4-3-3. Dão uma vezinha ao 4.
Um, dois, três e já. Já tem casal de 3 (trisal).
Até quando morre você tem 3 opções: céu, inferno e purgatório.
“Três, três, passará
Derradeiro ficará”.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
UM MACACO GORILA OU UM ÍNDIO?
Você já se deteve por algum tempo a olhar o movimento das nuvens? Se já fez isso deve ter visto imagens e figuras diferentes de animais, pessoas, montes, plantas, árvores, um avião, um carro e outros objetos estranhos. Tudo vai depender da sua imaginação. Cada um vê uma coisa diferente como se fosse uma pintura do artista num quadro. Tudo é poético e subjetivo. O mesmo acontece quando se mira um conjunto de pedras num morro ou montanha. Existem também inúmeras figuras semelhantes dentro das cavernas, moldadas pelas águas do mar ou pelo tempo há milhões de anos. Em Itambé, na fazenda de um amigo, no declínio do entardecer, minha máquina teve a sorte de clicar esta imagem enigmática no alto de uma pedra na forma de um gorila ou de um índio cacique deitado. Poderia muito bem ser chamada de pedra do índio ou do macaco. Outros poderiam dar outra denominação. O azul para um pode ser um verde para o outro. Na vida real ocorre o mesmo: Cada pessoa tem o seu ponto de vista que precisa ser considerado. Fica aí a imagem fotográfica para sua imaginação: Um macaco gorila ou um índio?
TUAS PALAVRAS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Na poesia das tuas palavras,
O garimpeiro bamburra,
Atrás do ouro nas lavras,
Ainda leva surra,
Dos coronéis e do nobre,
E o pobre atrevido
Vive sem sentido.
Os sábios se eternizam,
Na esteira da sabedoria,
E tuas poéticas palavras
Viram escrita-partitura,
Canção e cantoria,
Que nunca morrem,
Nem no tronco da tortura.
Tuas palavras
São fluxo e refluxo,
Sons divinais;
Não têm travas;
Brotam dos deuses astrais.
Tuas palavras
São como vinhedos,
De finos vinhos,
Que embriagam a alma,
Alinhavadas como ninhos
Dos passarinhos,
Ventos do ar a respirar,
Cachoeiras e ondas do mar,
Que batem nos rochedos,
Moldam as pedras,
Em polidas estalactites,
Amansam as feras,
E duram séculos de eras.
O NOSSO CONGRESSO É UM CANCRO SÍMBOLO DO RETROCESSO BRASILEIRO
Se é que se pode dizer que é nosso, por que mais pertence a eles como propriedade privada do que a nós que pagamos caro, com algumas exceções dos seus membros, o Congresso Nacional não passa de um cancro que simboliza o atraso no Brasil com seus projetos de retrocesso que emperram os avanços nas áreas social, educacional, cultural, política e econômica.
Na falta de outras palavras mais fortes para definir sua atuação, é uma instituição vergonhosa e altamente conservadora de extrema direita, cujas propostas deixam os brasileiros estarrecidos, como a tentativa de emplacar uma PEC à Constituição que vai levar a privatização das nossas praias e, consequentemente, provocar sérios impactos ao meio ambiente que já está destroçado.
A ideia da emenda de extinguir as áreas terrestres da marinha no entorno de 33 metros da maré alta, de rios e lagos e passar para foreiros e concessionários é altamente nociva, não somente para nosso ecossistema, como para a população em geral que terá que pagar se quiser ir à praia para ter seus momentos de lazer e entretenimento.
É um absurdo dos absurdos. Aliás já vivemos acostumados com tantos absurdos que muita gente nem liga mais e não toma partido, como se não lhe atingisse. Tudo isso significa privatizar uma extensão da nossa costa marítima de 8.500 quilômetros impedindo o livre acesso do povo às praias.
Trata-se de mais um ataque ao meio ambiente que será explorado pelos poderosos com a instalação de suas mansões, numa visível agressão ao que ainda resta da nossa Mata Atlântica, da flora e da fauna.
Outra proposta, em avaliação na CJC (Comissão de Justiça e Constituição) do Congresso Nacional, composto de 513 deputados e 81 senadores, cheira a ditadura, com métodos diferentes. Os extremistas conservadores, numa forma de revanchismo, querem cortar os benefícios do Bolsa Família e outras ajudas do governo federal aos mais necessitados para quem participar de invasões de terras e prédios, bem como de manifestações reivindicatórias em defesa de suas categorias. É como proibir protestos de movimentos sociais.
Sem falar aqui da bancada ruralista que aprova a utilização de mais agrotóxicos venenosos proibidos na agricultura, contaminando solos e rios; flexibilização das licenças ambientais; mais desmatamentos florestais; e leis protetivas ao garimpo na Amazônia, é este o Congresso sujo, mais caro do mundo, que temos e eles ainda abrem a boca para dizer que tudo está sendo feito pelo bem do pais, no sentido de desburocratizar e facilitar o avanço do progresso.
São esses caras de paus do retrocesso que se dizem patriotas representantes do povo; falam de família, tradição e pátria; e se colocam como arautos de Deus, na maioria evangélicos conservadores e fanáticos negacionistas. Na verdade, não passam de criminosos que estão a serviço do diabo na criação de fake news e travam o desenvolvimento do Brasil.
Esse bando de salteadores, muitos ligados a traficantes e milicianos, que mandam matar quem atravessar seus caminhos, também pertence à bancada da bala que defende a matança dos mais pobres, a exclusão social e mais armas nas mãos dos bandidos. Estamos vivendo numa linha perigosa do extremismo, graças à manipulação dos eleitores, a grande maioria alienada e sem nenhuma consciência política por falta de educação.
Além de ser o cancro do Brasil, com suas leis retrógradas e medievais de terraplanistas, é um Congresso de bilhões de reais, composto por uma elite burguesa atrasada que prima pela morte da nossa gente pobre e do meio ambiente.
É um Congresso racista, homofóbico, xenófobo, misógino e, acima de tudo, antipatriótico que bate continência para as bandeiras imperialistas. Essa turma é enganadora do nosso povo incauto, subjugado e submisso. Eles representam o que existe de mais pior como ser humano. Temos um monstro dos monstros, mais frio dos frios. Em nosso Brasil de hoje, infelizmente, este Congresso está agindo como um Estado autoritário.
QUEM VAI DETER ESTE EXTERMINADOR DE PALESTINOS COM SEUS MASSACRES?
Como se não bastassem as tragédias da natureza, em decorrência do aquecimento global, com terremotos, tornados, ciclones, secas e enchentes torrenciais, ceifando milhares de vidas, o mundo assisti estarrecido o exterminador de palestinos, o premier Benjamin Netanyahu, o “Bibi”, que desobedece ao veredicto da Corte Internacional de Justiça e continua a bombardear, impiedosamente, os palestinos de Rafah.
Seus apoiadores e coligados antigos desse holocausto de terror e atrocidades, como os Estados Unidos e países da Europa, só fazem condenar as ações de matanças indiscriminadas e ele continua a agir passando por cima da lei. O próprio “Bibi”, o genocida, aparece na televisão reconhecendo que foi um ato trágico, mas permanece firme praticando o extermínio dos palestinos, tornando a Faixa de Gaza num inferno. Ninguém tolera mais os blábláblás desses governantes coniventes.
Quem vai deter este exterminador de palestinos que quer dominar todo território e anexá-lo ao seu país? Quanto ao Hitler, na Segunda Guerra Mundial, que mandou matar, inclusive seis milhões de judeus, os aliados agiram na base da força e acabaram com seu instinto sanguinário e dominador. Com o escudo do holocausto, Israel está fazendo o mesmo com os palestinos que estão vivendo o terror das bombas, da fome e das mortes de crianças e dos idosos.
Os Estados Unidos são os primeiros a soltar notas diplomáticas hipócritas de pesar e sentimentos, mas continuam enviando armas para ajudar Israel com seus massacres hediondos. É até uma ironia, para não dizer um escárnio e ultraje, quando se vê os ianques construindo um porto para ajuda humanitária e, ao mesmo tempo, mandando bombas para o primeiro ministro.
A história já está registrando este genocídio, do qual toda humanidade é culpada pelo que está acontecendo de horror e sofrimento na palestina. Todos os judeus israelenses estão apoiando esta “guerra” insana onde só um lado tem tanques, armamentos pesados e bombas para encurralar os palestinos como se fossem animais ferozes num apertado sem saída, sem água e alimentos. Milhares estão morrendo de fome pelos criminosos.
A única coisa que se vê dos israelenses são manifestações dos familiares dos reféns do Hamas – também condenável pelos seus atos em outubro passado – exigindo a libertação dos prisioneiros, mas não um protesto condenando o que o seu primeiro ministro vem fazendo contra um povo indefeso que desde 1948 sofre também o terrorismo de Estado.
Os universitários dos Estados Unidos se levantaram nos campi de suas unidades de ensino em apoio aos palestinos e contra esse massacre desumano. No entanto, suas vozes foram abafadas pela ditadura norte-americana que tanto fala em democracia, enquanto se alia a governos tirânicos por interesses capitalistas de poder.
Infelizmente, em pleno século XXI, os países dominados ainda vivem no tronco e na chibata colonialista dos imperialistas do mundo que só visam a defesa, a qualquer custo, do capitalismo exploratório dos mais fracos. Eles nem estão aí para reverter o aquecimento global e só pensam em aumentar os PIBs de seus países e fabricar armas sofisticadas para lucrar mais e mais.
Até no Conselho da ONU são eles quem mandam. Essa organização internacional perdeu seu sentido de existência, tanto é que o próprio carniceiro “Bibi” nem está aí para suas decisões de parar com os bombardeios. A fala do secretário Geral Gutierre ecoa no deserto de fogo.
Pode parecer derrotismo e terror, falta de fé e esperança de tempos melhores, mas o próprio ser humano está se encarregando de destruir a humanidade e abreviar o apocalipse final. Não temos mais líderes para seguir, só falsos profetas, fanáticos religiosos e mentes diabólicas do mal.












