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ESPIANDO VAGA-LUMES

Do livro Suspiros Poéticos – a beleza da lira cor, da poetisa Regina Chaves dos Santos

Olhe para o horizonte que habita em ti e deixe fluir

-Espie vaga-lumes!

Busque enxergar entorno e além da tua volta,

– Veja o pôr do sol e aprecie o amanhecer!

Seja a criança dos olhos de um adulto,

– Escute o batuque do coração em silêncio!

Aprecie a natureza.

Leia um livro.

Tome banho de chuva.

Suba em uma árvore.

– Assopre o arranhado da criança!

Tente assoviar feito a passarinhos…

– Observe antes de pensar, e pense,

– Pense com os olhos da mente e com a sapiência do coração!

COMEÇA A CORRIDA E QUE SEJA COM ÉTICA, SERIEDADE E BOAS PROPOSTAS

Sei que neste Brasil, com este sistema eleitoral arcaico, tão desigual, onde a máquina e o dinheiro falam mais alto, é pedir demais que os candidatos a prefeito e às câmaras de vereadores façam suas campanhas eleitorais municipais dentro da ética, da seriedade, honestidade, lisura e propostas para o nosso povo.

No entanto, não custa nada bater nesta tecla para que todos candidatos tomem consciência de que vamos entrar numa corrida eleitoral (começa nesta sexta-feira) até outubro, e não numa “batalha” de facões, foices e ofensas pessoais, porque a população de bem não aguenta mais tantas baixarias, mas, infelizmente, ainda existem aqueles que aprovam esses “espetáculos circenses” sensacionalistas e depois ficam reclamando, sem nenhuma moral.

A coisa descambou tanto para o baixo nível que hoje fica difícil distinguir quem é o pior, se o eleitor inconsciente que vota por favores, blocos de alvenarias, telhas, pagamentos de aniversários e funerais, entre outras doações ilícitas, ou se é o político safado que faz de tudo para ganhar o pleito, inclusive usando de artifícios das mentiras e das promessas vãs.

Depois de tantos tempos assim (nosso eleitor ainda é inculto em sua maioria), quem é mais nojento, o subordinador ou o subornado, o corruptor ou o corrompido? Ficam aí as indagações para sua reflexão. É por essas e outras que muita gente diz que as eleições, embora sejam necessárias no processo democrático, não significam mudanças para o nosso país. É uma triste realidade porque não são justas.

Por sua vez, a verdade é que o jogo democrático é desleal porque os que já estão no cargo usam a máquina eleitoral e a grana a seus favores contra aqueles que não contam com esses instrumentos e querem chegar lá com boas intenções, com programas sérios de mudanças na política.

Quem está fora e quer entrar com objetivos decentes fica complicado concorrer com esse pessoal que está lá dentro.  O mais positivo nisso tudo é que ainda tem muitos que acreditam em mudanças e colocam seus nomes nessa corrida desigual, o que vale dizer que as esperanças estão vivas.

O mais contraditório nisso tudo é que, mesmo diante desse quadro nada favorável (o sistema é bruto), a Justiça Eleitoral se enche de burocracias intrincadas para um candidato realizar o seu registro, pedindo um monte de documentos e exigências, como se isso fosse impedir os inescrupulosos de burlar as leis, cometer fraudes e praticar a ilicitude. Para abrir uma conta, na realidade são três, no banco é outro protocolo que o candidato tem que enfrentar.

Mesmo com essa idade já avançada, decidi enfrentar mais um desafio, dentre tantos outros em minha vida, e me candidatar para galgar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, e testemunhei essa burocracia monstruosa.

Quem conhece minha pessoa sabe quem sou em termos se seriedade, ética e caráter. Sempre ando na cidade de cabeça erguida e a sociedade que faça seu julgamento. Muitos de meus amigos me aconselharam não entrar nessa, com argumento de que a política é suja e não deveria me sujar, mas já estou vacinado com várias doses de reforço para não ser contaminado. Vou fazer meu trabalho com seriedade.

DISSE QUE NÃO SABIA DA DITADURA

A princípio não se deve comemorar a morte de nenhum ser humano, mas não concordo com bajulações depois que a pessoa se vai para o outro além. Tem gente que passa na vida e não deixa rastros, uns são controversos e polêmicos, outros deixam bondade e generosidade, tem os malfeitores e ainda aqueles que se eternizam em suas obras culturais, seja na música, na literatura, no teatro e demais linguagens artísticas.

No caso particular, estou me referindo ao falecimento do economista Delfim Neto, com 96 asnos, que o conheci pessoalmente nas minhas lidas jornalísticas como repórter de economia do jornal A Tarde nos anos 70, 80 e início dos 90 quando vim para chefiar a Sucursal de Vitória da Conquista, precisamente em abril de 1991.

Pois bem, o Delfim já morreu e não pode mais se defender, mas acho uma cara de pau declarar numa entrevista ao jornalista Pedro Bial que não sabia da existência de uma ditadura no Brasil, e mais, que nunca falou que “devemos primeiro crescer o bolo para depois dividir”, como forma de distribuição de renda para os brasileiros.

Que ele era polêmico e controverso não existem dúvidas quanto a isso, mas negar a existência de uma ditadura naqueles anos de chumbo é subestimar demais a inteligência dos outros, principalmente partindo de um homem tão inteligente como era, que fazia parte do staff de ministros nos governos militares de Costa e Silva, Médici e João Figueiredo.

O mais incrível é que Delfim foi um, entre outros do governo de Costa e Silva, que assinou o AI-5 naquele fatídico 13 de dezembro de 1968, que eliminava por completo todos direitos humanos, fechava o Congresso Nacional e proibia, na base da força, a liberdade de expressão. Naquela época, o fato de duas pessoas conversando já era considerado como reunião, e uma reunião era conspiração passível de prisão.

Com toda sua inteligência sagaz e astuta, ele assinou um decreto sem ler ou um papel em branco? Como ministro de vários governos não sabia o que estava acontecendo? Naqueles anos, até um adolescente de 14 ou 15 anos sabia que o Brasil vivia uma ditadura civil-militar-burguesa. O argumento de que não se comentava isso entre os ministros beira a uma inocência incalculável, e até um analfabeto não acredita nesse sofismo singular.

Quanto a “vamos fazer crescer o bolo da economia para depois dividir”, eu sou testemunha viva da sua voz quando cobria suas palestras a empresários em hotéis de luxo em Salvador e em entrevistas coletivas jornalísticas. Com isso, engordou os cofres das empresas e deixou o povo mais pobre, sobretudo o trabalhador que não tinha direito de protestar (os sindicatos eram amordaçados) e era explorado. Nós jornalistas tomamos muitas cotoveladas de seus seguranças.

Com todo esse papo, Delfim Neto, o mais jovem dos ministros, foi o grande mentor da miragem do milagre brasileiro de crescimento de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e sustentáculo do regime.  Foi a época dos petrodólares árabes que entraram no Brasil e deixou o país endividado na crise do petróleo nos anos 1978/79.

Como jornalista, cobri e acompanhei de perto todos aqueles fatos. Tudo não passava de uma farsa e maquiagem de dados, enquanto nos porões da ditadura centenas de presos políticos eram torturados, mortos e desaparecidos. Dá para acreditar que ele não sabia que exista ditadura? Essa é mais uma face do que foi o regime.

Os grandes contratos de obras, como a Rodovia Transamazônica fracassada, que massacrou nossos índios, linhas férreas, ponte Rio -Niteroi, Hidrelétrica Itaipu e tantas outras eram dados aos amigos dos generais, muitos deles colaboradores do regime, que encheram as burras de dinheiro e contribuíram para aumentar mais ainda a concentração de renda. Aliás, ainda convivemos com a herança daqueles tempos. Não nos faça de bestas e idiotas!

UM FRACASSO NAS OLIMPÍADAS?

É claro que a Rede Globo tem que fazer seu estardalhaço para atrair mais audiência e dar satisfação aos seus patrocinadores, mas a posição do Brasil de 20º lugar nas Olimpíadas de Paris 2024 foi mais um fracasso, sendo que em Tóquio 2020 ficou em 12º no ranking mundial, com sete de ouro, seis de prata e oito de bronze. No Rio de Janeiro, em 2016, dentro da sua casa, o país conseguiu a 13ª colocação, com sete de ouro, seis de prata e seis de bronze. Em Londres, 2012, o Brasil ficou na 22ª posição, com três de ouro, cinco de prata e nove de bronze.

Segundo fontes da jornalista Ana Cora Lima, o Comitê Olímpico Brasileiro irá pagar aos medalhistas dos Jogos de Paris um valor de  R$ 4,6 milhões pelas 20 premiações. Rebeca Andrade, o destaque da delegação com quatro medalhas (ouro no solo, duas pratas no individual geral e no salto, e bronze por equipe) é quem vai receber mais do governo no total de R$ 826 mil

A judoca Beatriz Souza, que conquistou o ouro na categoria feminina acima de 78kg e bronze por equipe, vai receber R$ 392 mil. Já a dupla campeã de vôlei de praia Duda e Ana Patrícia irá ganhar R$ 350 mil cada atleta. Esse valor será líquido, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma MP (medida provisória) que isenta os atletas olímpicos de pagarem Imposto de Renda sobre os prêmios recebidos nos Jogos de Paris. É uma boa grana!

Sob outro ponto de vista, alguém pode até avaliar que não foi um fracasso. No entanto, uma coisa é certa que um Brasil tão gigante, oitava ou nona economia do mundo, ainda deixa muito a desejar. Investimos pouco em educação, esportes e cultura, sem contar que nossa gente prima mais pelas algazarras do que focar e concentrar nas competições. Brasileiro leva até cachorro e papagaio para as concentrações, que de certa parte tira o foco.

O Brasil levou uma delegação de 289 atletas, sendo 163 mulheres e 126 homens. Com todo esse aparato a bordo só colocaram no peito três medalhas de ouro (todas das mulheres e nenhum homem), sete de prata e 10 de bronze. Portanto, com relação a Tóquio houve uma regressão e queda no rendimento. Durante as últimas 24 edições, o nosso país só ganhou 170 medalhas, o que dá uma média de pouco mais de sete medalhas. Precisamos evoluir muito mais. Só três medalhas de ouro?

A meta do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) era de pelo menos trazer 22 medalhas e só ficou com 20. Toda vez que terminar uma olimpíada, o Comitê promete melhorar. Quando vamos ter uma meta de pelo menos arrebatar 50 medalhas e ficar entre as dez maiores potências olímpicas? Os Estados Unidos, em Paris, levaram 40 de ouro, 44 de prata e 42 de bronze, seguidos da China com 40 de ouro, 27 de prata e 24 de bronze. Depois vieram o Japão e Austrália.

Como deu aí para ver no quadro, é uma diferença elástica, comparando o Brasil com os primeiros colocados. Foram 6.800 atletas no total de 205 delegações. O vigésimo lugar não é tão vergonhoso, mas poderia ser bem melhor se houvesse mais investimento no esporte amador em geral e o brasileiro fosse mais disciplinado como os orientais e outros países. Menos samba e mais seriedade quando se trata de competir.

Como ficou patente aí no número de atletas brasileiros que foram a Paris, a questão não é de quantidade, mas de qualidade. Muitos desses aí, mais de 90, são bolsistas das forças armas e de outras corporações militares, sem falar de outros benefícios pecuniários que recebem do governo federal. Precisa haver uma maior cobrança aos atletas por parte dos dirigentes, mais estrutura, mais equipamentos e treinamentos.

Como estamos falando da participação do Brasil nas olimpíadas, o nosso país, infelizmente, levaria mais medalhas se fosse na disputa por corrupção e malandragem, bem como em desigualdade social e na educação onde nossos índices são baixos em relação a outros países do mundo. Temos um Brasil tão rico e tão pobre, e isso reflete também nos esportes.

Outra coisa que não cabe, só mesmo no conceito sensacionalista marrom dessa mídia, é chamar os atletas medalhistas de heróis, reis, princesas e rainhas. Herói é o brasileiro das periferias e favelas que têm que matar um leão por dia, para colocar um prato de comida na mesa, ou aqueles que ainda conseguem sobreviver em casebres entre ruelas e becos com esgotos correndo a céu aberto, sem saneamento básico.

Quando um atleta ganha uma medalha, aí lá vem a mídia com seu bordão sensacionalista barato em relatar a miséria da pessoa quando tudo começou expondo as dificuldades durante sua trajetória nos esportes. Ora, todos passam por obstáculos para vencer na vida, não somente na modalidade esportiva, a não ser os safados sem ética, honestidade e escrúpulos que só querem saber de levar vantagem em tudo, passando a rasteira no outro, sem o menor sentimento de culpa.

“FORA DE SERVIÇO”

UM DIÁLOGO ENTRE UM ANTIGO PAPA E ZARATUSTRA SOBRE DEUS E SEU FILHO, NO LIVRO “ASSIM FALAVA ZARATUSTRA”, DE NIETZSCHE

No capítulo “Fora de Serviço”, Zaratustra, personagem do livro de Nietzsche, se encontra, em sua caminhada, com um homem alto e escuro, na verdade o último Papa, um compungido, difamador do mundo, segundo sua avaliação.

Ele praguejava e, então, se dirigiu a Zaratustra que tentou se desviar dele. No entanto ele foi ao seu encontro, dizendo que “isto aqui é um mundo estranho e longínquo. Ouvi rugido de feras. Quem poderia me acolher já não existe.  Procuro um santo, um ermitão, único que ainda não ouvira dizer o que toda gente hoje sabe”.

–  “Que é que toda gente sabe hoje?” – perguntou Zaratustra. Talvez já não esteja vivo o Deus antigo, o Deus em quem antes toda gente acreditava.

O velho Papa respondeu ter servido a este Deus antigo até sua última hora. “Agora, porém, estou fora de serviço. Encontro-me sem amo e, apesar disso, não sou livre. Por isso só tenho alegrias com minhas recordações”.

Logo depois afirmou ter subido até a montanha para celebrar uma festa, pois “sou o último Papa!” , mas morreu o mais piedoso dos homens, o santo do bosque que louvava Deus. Como não encontrou na cabana, o homem ressaltou ter visto dois lobos que uivavam por causa da sua morte.

– Então meu coração decidiu procurar outro, o mais piedoso de todos os que não acreditam em Deus, Zaratustra, que pegou em sua mão e com olhar fixo disse: “Olha reverendo, que bela e longa mão que sempre deu a benção”.

-Eu sou Zaratustra, o ímpio que diz : “Quem há mais ímpio do que eu, para me alegrar com seus ensinamentos?” O Papa afirmou que agora o mais ímpio era ele.

Então Zaratustra indagou se o Papa sabia como ele morreu. “É certo o que se diz, que o asfixiou a compaixão? Ou ver o homem suspenso na cruz e não poder suportar que o amor pelos homens viesse a ser seu inferno e afinal sua morte?”

O antigo Papa não respondeu. – Deixa-o ir, já partiu – acrescentou Zaratustra. “É certamente em tua honra que nada de mal se deva dizer a respeito desse morto, mas tu sabes que ele seguia caminhos singulares”.

O Papa foi um bom servidor ao longo de seus anos e enfatizou que era um Deus oculto, cheio de mistérios, “Na verdade, teve um filho por estranhos caminhos oblíquos. Às portas de sua fé se encontra o adultério”. O velho Papa desatou a conversar:

– Aquele que o louva como Deus do amor, não forma juízo bastante elevado do amor em si. Esse Deus não queria ser juiz também? Mas amar é amar acima do castigo e da recompensa.

– Quando moço, esse Deus do oriente era ríspido e estava sedento de vingança. Criou um inferno para alegria de seus prediletos.

– Por fim, fez-se velho e meigo, terno e compassivo, assemelhando-se mais a um avô do que a um pai e até, mais a uma avó decrépita.

– Lá estava ele sentado, tristonho, ao lado do lume, preocupado com a fraqueza das pernas, cansado do mundo, cansado de querer, e um dia acabou por se afogar em sua excessiva compaixão.

Zaratustra interrompeu o Papa perguntando se tinha visto tudo que ele dizia com seus próprios olhos. “Pode muito bem ter sido assim. Assim e também de outra maneira. Quando os deuses morrem, é sempre de várias espécies de mortes”.

Desta ou de outra maneira já não existe. Era contrário ao gosto dos meus olhos e de meus ouvidos, isso é o pior que tenho a dizer dele – replicou o Papa.

Então, Zaratustra emendou que “gostava de tudo que tem o olhar claro e a fala franca. Ele, porém, bem o sabes, antigo sacerdote, tinha qualquer coisa de tua raça, dos sacerdotes: Era ambíguo”.

– Também era confuso. Quantas coisas não nos lançou no rosto, esse colérico, por falta de compreensão. Mas por que ele não falava mais claro?

– E se a culpa era de nossos ouvidos, por que nos deu ouvidos que o ouvissem tão mal? Se nos nossos ouvidos havia lama, quem a pôs lá? … Basta de um deus desses! É melhor não ter nenhum, é melhor cada um criar os destinos a seu capricho, é melhor ser doido, é melhor sermos nós mesmos deuses”.

O Papa ficou espantado e falou a Zaratustra que, com sua incredulidade, era mais piedoso do que pensava. “Foi algum deus que, convertendo-te fez de ti um sem-deus”. Disse ainda que sua excessiva lealdade iria conduzí-lo mais além do bem e do mal.

– Porque esse Deus antigo já não está vivo. Está morto e bem morto” – assim falou Zaratustra, encerrando sua conversa com o antigo Papa.

 

PSIQUIATRIA: A CURA PELO CANDOMBLÉ (Final)

A posologia do espírito

(Chico Ribeiro Neto)

Para o médium espírita Divaldo Franco, “é essencial estabelecer uma diferença entre enfermidades e obsessões”. Já o psiquiatra e professor Álvaro Rubim de Pinho observa que “na concepção do candomblé, a doença é considerada sobretudo como uma manifestação de infelicidade”. Publico hoje a terceira e última parte da matéria “Psiquiatria: a cura pelo candomblé”, que fiz para a revista “Manchete”, publicada no número 1.250, em 7 de março de 1976. Antigas matérias que continuam atuais.

Segue o texto:“O médium espírita Divaldo Franco, conhecido no Brasil e no exterior, diz que atende a cerca de 15 casos de doenças mentais por semana, no Centro Espírita Caminho da Redenção, situado no bairro da Calçada, em Salvador. Divaldo, segundo os especialistas, possui dons mediúnicos especiais e tem vários livros psicografados. Ele afirma que a média de curas de doenças mentais obtidas em seu centro oscila entre 80 a 85 por cento.

– É essencial – afirma Divaldo – estabelecer uma diferença entre enfermidades e obsessões, porque o que chamamos de obsessões são na realidade interferências de espíritos desencarnados. Os tipos de alienados portadores de obsessões quase nunca encontram cura junto ao psiquiatra. Há distúrbios nervosos que têm origem num problema espiritual. Nestes casos, o médium pode atingir a causa enquanto os médicos ficam apenas ao nível dos efeitos.

Divaldo Franco observa que jamais procura diminuir o respeito que o médico merece e, em geral, os pacientes que são encaminhados ao centro espírita já passaram antes pelo consultório do psiquiatra.

O psiquiatra Álvaro Rubim de Pinho não é por princípio hostil à simultaneidade do tratamento em certos casos de desequilíbrio. Ele observa que em quase todas as comunidades, o atendimento ao rito das religiões tradicionais pode ser um elemento de equilíbrio tanto na vida individual quanto na social. E recorda a eficácia de certas promessas, no catolicismo tradicional, para justificar a influência da crença em certos padrões de saúde mental.

– Existe uma medicina oficial – diz ele – que não exclui as formas da medicina popular cujos processos de tratamento podem muito bem revelar uma certa eficácia incontestável. A adoção das duas medicinas proporciona provavelmente maior segurança ao doente que, em muitos casos, é sobretudo uma pessoa que acredita piamente na orientação dos iniciados nos dois processos.

 

Rubim de Pinho esclarece ainda que, na concepção do candomblé, a doença é considerada sobretudo como uma manifestação de infelicidade. Para afastar essa infelicidade, é essencial obedecer aos tabus, cumprir as obrigações, comportar-se de acordo com os imperativos da moral da seita. Nada indica que a submissão a este tipo de crença seja incompatível com um bom tratamento médico.

E ele tem uma conclusão bastante interessante: “Pessoalmente, entendo que o psiquiatra jamais deverá abdicar do tratamento daqueles casos de doenças realmente bem caracterizadas. No que se refere às reações anormais, aos desvios de comportamento e mesmo a certas neuroses, não tomo a iniciativa de indicar o tratamento religioso, mas entendo-o e respeito, admitindo que, muitas vezes, pode ser útil”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

SARAU 14 ANOS

TEMOS SARAU NO PRÓXIMO DIA 24/08

Tudo começou como uma brincadeira em 2010 entre uns comes e bebes com os amigos Manno Di Souza e José Carlos D´Almeida e disso nasceu a ideia de fazermos um grupo chamado de “Vinho Vinil”, com o propósito de ouvirmos vinis e bebermos só vinho. O fato é que artistas, intelectuais, professores, estudantes, jovens e convidados foram se somando ao entretenimento de finais de semana, até que tudo virou no atual “Sarau A Estrada” que agora está completando 14 anos de vida cultural, com debates de temas importantes em várias áreas, cantorias de viola, contação de causos e declamação de poemas. Tudo é realizado no “Espaço Cultural A Estrada” no formato bimensal, sempre num sábado à noite. São 14 anos de história onde já nos apresentamos em público no Teatro Carlos Jheovah (fechado há três anos pela administração atual da prefeitura), divulgamos um CD de músicas e poemas autorais e dois vídeos de textos poéticos. Agora estamos com um projeto de fazermos um documentário audiovisual sobre a trajetória do Sarau 14 anos. Durante este tempo muitas coisas ocorreram. Uns se foram e outros chegaram para contribuir, mas, como acontece em outros grupos que permanecem unidos e vivos, sempre temos aquelas caras antigas, ou como os próprios membros dizem, familiar. Aliás, o nosso Sarau tornou-se uma família que tem suas brigas, mas sempre estão juntos nos momentos mais difíceis. São noites memoráveis de discussões e aprendizagens na troca de ideias e pensamentos. Alguém aí pode até dizer que ainda é um adolescente de 14 anos, mas por se tratar de grupo cultural, já é longevo. O nosso próximo, com o tema “Que Brasil é Esse, Tão rico e Tão Desigual?, já está marcado para o dia 24 de agosto, a partir das 20 horas, no mesmo local, e temos certeza que será mais um sucesso e gostoso de se ver todos se abraçando e se confraternizando.

ALMA PENITENTE

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Lá fora, a lua prateada,

Dança com o vento a farfalhar

Nos vales e montes,

Com orvalho na relva,

Sereno fino nas fontes,

A anuncia outro dia

De mais um viver,

De vitória e agonia,

E eu aqui nesta cidade,

Em minha loucura solitário,

Bate a tempestade

Do vazio existencial,

Em minha alma penitente,

Vagante indigente

No embate entre o bem e o mal.

 

Afaste para longe de mim

Essa gente egoísta indiferente

Da minha alma penitente.

 

Do meu porto parto,

Em minha velha barca,

Levando minha arca,

De dores passadas,

Vidas atadas,

Pelos mares incertos,

De nevoeiros cobertos,

Numa aventura

À procura de ventura,

Oh, minha alma penitente!

Que mente com a mente,

Que ela não tema o medo

Na busca da razão,

Para curar seu coração.

 

 

 

CÂMARA MUNICIPAL CELEBRA OS 18 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA

Em comemoração aos 18 anos da Lei Maria da Penha que dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista realizou na manhã de ontem (dia 07/08), uma sessão especial para debater as medidas de assistência e proteção às mulheres vítimas de maltratos e assassinatos por parte de seus companheiros.

O ato foi promovido pela vereadora Márcia Viviane (PT) que, ao abrir os trabalhos, lembrou que a sessão é a primeira atividade em comemoração ao Agosto Lilás, dedicado ao combate à violência contra a mulher. Na ocasião, explicou que antes era realizada uma audiência pública para discutir o tema e agora a sessão especial para falar sobre a lei.

Viviane destacou o desafio das mulheres na sociedade de hoje, lembrando que a revolução passa pelas mulheres e propôs ações educativas em empresas, escolas e condomínios da cidade visando o combate contra a violência feminina. A militante Keu Souza falou da importância para as mulheres negras.

Segundo ela, a data poderia ser celebrada com a diminuição dos casos de violência contra a mulher, mas os dados demonstram o contrário. Durante a pandemia da Covid-19 (2020/22), de acordo com Keu, aumentaram os índices de violência, acrescentando que a sociedade vê a mulher a partir da perspectiva do machismo e, por isso, mata as mulheres por não admitir que a mulher tenha vida própria.

A delegada da DEAM (Delegacia da Mulher), Decimaria Cardoso, apresentou dados referentes a 2024, afirmando que a medida protetiva é, sem dúvida, uma das maiores conquistas nos últimos anos. Destacou que muito se tem a comemorar com a lei, mas muito ainda a conquistar.

A representante do Conselho Municipal da Mulher, Maria Otília, ressaltou o importante papel exercido pela polícia na proteção da mulher, sendo uma parceira no combate à violência. Disse que a violência provoca traumas terríveis nas mulheres, que muitas vezes não são superados ao longo da sua vida.

A presidente da União das Mulheres de Vitória da Conquista, Lídia Rodrigues, enfatizou, em seu pronunciamento, um conjunto robusto de leis que visam proteger as mulheres e punir os agressores no Brasil. Citou a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio e a Lei da Importunação Sexual.

Fizeram ainda parte da Mesa, que dirigiu os trabalhos em comemoração aos 18 anos da Lei Maria da Penha, a tenente Joice, coordenadora da Ronda Maria da Penha, a secretária Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, Viviane Santos de Oliveira, o comandante do Comando Regional Sudoeste da Polícia Militar, coronel Paulo Guimarães, a advogada  e candidata a vice-prefeita Luciana Silva, os vereadores Luis Carlos Dudé, Nildo Freitas, dentre outros.

O CRÍTICO CANINO QUE NÃO PARTICIPA

Dizem que o silêncio é ouro, outros que uma boa resposta é o silêncio, que é melhor falar menos e escutar mais porque quem fala muito dá bom dia a jegue, e Martin Lutter King declarou em seu discurso da igualdade para todos que o silêncio dos bons é o que mais incomoda.

Nietzsche afirmou que num encontro de homens (ele não se refere às mulheres), não se pode ficar calado, sobretudo para aqueles que falam muito. No entanto, em nossas vidas existem aqueles que são críticos ferrenhos a tudo, principalmente na política, mas não participam de nada; não dão suas contribuições; e nunca se prontificaram a exercer cargos ou funções dentro da sociedade. Os que agem aprendem.

Esses que criticam e não agem, eu os considero abomináveis. Não devem ser ouvidos, mas afastados do convívio dos outros. Conheço gente, inclusive dito de esquerda, que fica dentro da sua casa metendo o pau na direita, em tudo e em todos amigos. Coloca em primeiro lugar tomar suas cachaças, se entregar ao prazer da vida do que ir a uma convenção ou reunião do seu partido do qual diz ser ardoroso defensor. Não pisa os pés num evento ou encontro social e político.

Já ouvi gente afirmar que não vai em lugar onde tem pessoas de direita. É o chamado absurdo radical que não admite ouvir o outro lado. É o mesmo que não saber viver ou conviver com as adversidades de pensamentos. Nem estou aqui colocando no bojo os extremistas terraplanistas, negativistas, racistas, xenófobos e homofóbicos preconceituosos. Para estes é escasso o diálogo.

É muito dito por aí que é fácil criticar, difícil é fazer e colocar a cara a tapa nessa sociedade onde a grande maioria é comodista e aceita tudo que vem de cima. É preciso ter a coragem e não temer a “porrada”. Conheço pessoa que passa o tempo todo criticando; diz que não vai num local onde tem direita bolsonarista e ainda senta a lenha em amigo que está atuando numa função público visando mudar as coisas. Sempre na sua concepção, o cara que está lá na luta não fez nada, não botou para quebrar e foi frouxo. É o tipo que fica de lá apontando seu dedo, sem agir e nem conhece do riscado.

Em minha idade, por exemplo, já exerci diversos cargos e funções, muitos dos quais sem nada ganhar e levei porrada e traição, tanto que me sinto calejado e nem estou mais aí para críticas. Costumo dizer que tenho meus próprios pensamentos, minhas ideias, meu modo de ver as coisas e não tenho medo de patrulhas ideológicas baratas.

Só aqui em Vitória da Conquista, além de ter sido chefe da Sucursal do jornal A Tarde (setor privado remunerado), já fui diretor da Apae, diretor e vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas da Bahia-Sinjorba e, mais recentemente, presidente do Conselho Municipal de Cultura.

Procurei dar minha contribuição dentro do possível e sei o quanto fui massacrado, xingado e contestado, mas sai de todos de cabeça erguida, com seriedade, honestidade e ética. Na minha autocrítica, tenho total consciência de que poderia ter feito muito mais, mas também sabemos que o sistema é cruel.

O que não dá é para aturar críticas pessoais do tipo que esperava mais de você na função, justamente daquele que mete o pau de quem pensa politicamente contrário a ele e fica enfornado dentro de casa só enchendo a cara. Não tem moral para criticar se não se faz presente nos debates e se recusa a assumir uma função numa entidade de classe.

Vivemos numa sociedade e temos que pensar coletivo, mas a maioria é individualista, egoísta e fala que não vai se meter nisso, ou por medo do fracasso, ou porque já se acostumou viver lá do seu alto abrindo a boca para criticar. Tem gente de esquerda nessa linha que é pior que os de direita, e é por isso que a extrema no Brasil só faz avançar com suas mentiras e tramoias malignas.

Como é que uma pessoa se auto declara petista, não é filiado; mete o cacete na direita bolsonarista, mas não aparece nos movimentos e atividades do seu partido do qual se mostra simpatizante? Não consigo entender essa posição. Melhor seria ficar calado e não sair por aí esbravejando e soltando despautérios contra os outros, com termos chulos e depreciativos.

Devemos fazer alguma coisa, mesmo que seja daquela pequenina beija-flor que passa o tempo todo carregando uma gotícula de água no bico para apagar um incêndio. O crítico que só sabe falar e nada faz, não merece um dedo de prosa; travar com ele um diálogo; e fazer até um contraponto. Melhor se afastar e dizer logo a verdade, coisa que muita gente não gosta de ouvir, sobretudo o crítico contumaz, senão você vai terminar ganhando um inimigo.





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