O TEMPO ESTÁ PASSANDO MAIS RÁPIDO?
“SE UM ÚNICO HOMEM ATINGIR A MAIS ELEVADA QUALIDADE DE AMOR, ISTO SERÁ SUFICIENTE PARA ACALMAR O ÓDIO DE MILHARES” – Gandhi
Nos tempos atuais da era tecnológica de muitas correrias, que não derrubou a burocracia, muitos costumam dizer que o tempo está passando rápido, e tem gente que até acredita nisso. O tempo continua no seu mesmo compasso e rotação de milênios. Nós é que estamos vivendo como desesperados angustiados e nos enchemos de problemas que não damos conta de resolvê-los a tempo.
Ele permanece lá girando no seu tic-tac do relógio em seus segundos, minutos, horas e dias nos olhando calmamente, enquanto nós apressados rogamos a ele que ande mais devagar ou até dê uma paradinha para que toda nossa parafernália seja resolvida durante o dia. Quando nem tudo sai a contento e muitas coisas ficam inacabadas, aí dizemos que o tempo está passando rápido. Até o xingamos e esbravejamos contra ele.
Vivemos num mundo desumanizado, dentro de uma bolha gananciosa do ter e do poder, ao ponto de pedirmos mais tempo ao tempo. Nessa confusão maluca que nos deixa cegos da visão das coisas boas, nem enxergamos a velhice bater em nossas portas. Nas grandes cidades, principalmente, passamos do tempo presencial para o virtualizado e é aí que temos a impressão que ele está mais rápido.
Quantas vezes nos desculpamos com o “amigo de que não tivemos tempo de responder sua mensagem do celular, seja escrita ou áudio, porque quase ninguém quer mais perder tempo com ligação telefônica. Por que tudo isso, se somos apenas meros passageiros do tempo entre a vida e morte? Quando lembramos disso, aí já não há mais tempo para recuperar o tempo perdido.
Existem lugares pacatos, como no campo, povoados, pequenas e antigas cidades turísticas onde as pessoas têm a sensação que tudo ali parou no tempo. Uns param para papear com os outros em abraços e apertos de mãos, com o tempo suficiente para uma troca de ideias, saber das notícias, tomar um gelada no bar e até fazer umas fofocas que ninguém é de ferro.
Assim é a vida, meu caro! Para uns, o tempo parece não passar. O dia e o ano ficam mais longos. Para outros, o tempo passa cada vez mais rápido. O Natal e o Ano Novo parecem ter sido ontem e já estamos perto deles novamente. Quem já não ouviu esta frase de alguém? Logo vem o carnaval, Semana Santa, dia das Mães, o São João, Dia dos Pais e não demora as lojas estamparem seus anúncios de Natal.
A semana nos dá a impressão de estar voando, cada vez com mais eventos, festas, encontros e reuniões, e não damos conta que convivemos menos com os amigos, com os familiares e, sobretudo, com os filhos. Como desculpa, ficamos o tempo todo enganando a nós mesmos e dizendo que não temos tempo porque ele está passando rápido.
QUE BRASIL É ESSE? TÃO RICO E TÃO DESIGUAL?
“NÃO HAVERIA CAPITALISMO SE NÃO HOUVESSE EXISTIDO O TRÁFICO NEGREIRO E A INSTITUIÇÃO ESCRAVISTA” – Ângela Davis
A formação colonizadora portuguesa de mentalidade exploratório, a monocultura de acumulação de bens, a escravidão de mais de 300 anos que gerou o capitalismo selvagem e a deficiência na educação foram, entre outros, os principais fatores motivacionais que explicam esse cenário brasileiro de um país tão rico e tão desigual de milhões de pobres, conforme concluíram os participantes do “Sarau a Estrada”, realizado no último sábado (dia 24/08), no Espaço Cultural do mesmo nome.
Com as presenças de mais de 30 pessoas entre artistas, intelectuais, professores e jovens estudantes, os trabalhos sobre o tema foram abertos pelo professor Itamar Aguiar, num clima de cordialidade e amizade. Nesses 14 anos de existência, foi mais uma noite de atividade cultural de muitas cantorias de viola, contação de causos e casos, declamação de poemas e troca de ideias entre as pessoas que abrilhantaram o evento.
O jornalista e escritor Jeremias Macário abriu a discussão do tema pontuando os diversos fatores pelos quais empurraram o Brasil para esse quadro desalentador de ser tão rico e, ao mesmo tempo, tão pobre onde uma pequena minoria domina o capital, em torno de 10%, e uma grande maioria vive na pobreza, inclusive milhões passando fome.
O tema tornou-se mais dinâmico com uma roda de conversas sobre o assunto, com as palavras de Manno Di Souza, o fotógrafo José Carlos D´Almeida, o músico Alex Baducha, o próprio Itamar, Edvaldo, ativista do MST e morador de um assentamento de terra, Eduardo Moraes e tantos outros que apresentaram seus pontos de vista, sempre colocando o déficit educacional como entrave principal que emperra o Brasil para o atraso e dificulta o nosso desenvolvimento com a distribuição de renda.
Pela formação colonizadora brasileira, a partir de 1500, quando Portugal, sob o reino de D. Manuel vivia uma época de decadência, a intenção do conquistador foi tão somente de explorar a terra e não de criar riquezas distributivas, a começar pelo Pau Brasil, segundo D´Almeida, a primeira devastação territorial em solo brasileiro. Depois tivemos os ciclos da cana-de-açúcar, a mineração, o café, a borracha e, por fim, o agronegócio, que criaram uma elite oligárquica com uma visão única de acumulação de bens através da exploração das classes mais pobres.
Por causa desses fatores, ainda temos até hoje, conforme foi discutido pelos presentes, um Brasil exportador de matérias primas, como grãos, aço, óleo bruto de petróleo e outros itens, e importador de produtos industrializados, principalmente maquinários, aparelhos eletrônicos, química fina e remédios.
Baducha disse que ainda carregamos a pecha do “complexo de vira lata” onde se valoriza mais o que vem de foram do que a nossa produção nacional. Durante a roda de conversa, vários autores foram citados, como Buarque de Holanda que escreveu Raízes do Brasil, Caio Prado Júnior e tantos outros. Itamar deixou sua mensagem de lutarmos pela valorização da educação.
Foi mais uma noite proveitosa através da troca de conhecimento e saber, seguida pelas cantorias musicais de Manno Di Souza, Baducha e Dorinho, intercaladas pela declamação de poemas autorais e contação de causos, num clima fraternal, acompanhado de bebidas e comidas, como do “patopira” (pato com galinha caipira), um dos sucessos, preparado pela anfitriã Vandilza Gonçalves.
Na ocasião foi também cantado os parabéns para os aniversariantes Vandilza Gonçalves e Manno Di Souza, com direito a bolo e apagar de velas. Entre as cantorias, Dall Farias citou o conjunto da obra Elomariana e suas vertentes do sertão profundo, cantada por Cleide e acompanha no violão por Baducha e Manno. Cleide ainda nos brindou com “Quem tem bem louve a Deus seu bem, quem não tem peça a Deus que vem…”
As impressões sobre o Sarau foram várias, inclusive de que foi um dos melhores do ano, como do nosso Humberto, de que o evento transcorreu num clima de muita alegria, confraternização e, sobretudo, de expressões culturais. “Foi realmente um momento especial para todos nós, onde a música, a poesia, os debates sobre o tema central e o bate-papo descontraído foram o ponto alto do encontro”.
Adiramélia Mendes agradeceu pelo sarau ter proporcionado momentos de muita cultura e aprendizado. Muitos outros se pronunciaram e sentimos as ausências dos nossos amigos e amigas Marta Moreno Jhesus, Rubens, Regina e Aurelício, Maris Stella e Neto, além, de outros que, por motivos pessoais, não puderam comparecer ao evento.
CIÚMES
Do livro “Suspiros Poéticos” – a beleza da lira cor, da poetisa Regina Chaves dos Santos
O amor é uma unção de beleza e cordialidade!
É uma coisa boa para viver com a pessoa que se ama e divide dos sonhos contigo… a pessoa que se faz presente, – te apoiando e se apoiando em tuas mãos.
Ao contrário, criar contendas sobre a pessoa que está caminhando lado a lado – se chama deslealdade.
O ciúme embota as certezas, deixando no peito, uma triste sensação de esvaziar-se: um grumo na cabeça; uma impaciência na alma; uma angústia no coração; um elo trincado…
Por conta da confiança quebrada e dos porquês não entendidos, não respondidos.
– O amor é uma unção de beleza e cordialidade e os ciúmes, – um misto de mera vaidade!
CHAPÉU NÃO PODE ENTRAR NA URNA ELETRÔNICA ELEITORAL
Confesso que fiquei surpreendido com a notificação do juiz eleitoral de que a foto do candidato com chapéu não pode ser introduzida na urna eletrônica de votação do dia seis de outubro, sob o argumento de que tira a visibilidade do mesmo, alegação esta que não me convence.
Aqui em Vitória da Conquista, a minha foto e a do companheiro Antônio Andrade Leal foram barradas e fomos obrigados a tirar outras fotos sem o chapéu para serem validadas na urna eletrônica eleitoral.
Primeiro, se tira a visibilidade, isso fica por conta do candidato. Segundo é que o chapéu, no meu caso específico, faz parte da minha indumentária cultural nordestina como marca identitária da minha pessoa e, sem esse adorno particular, posso até ser prejudicado.
Terceiro, como já sou sempre conhecido de todos com o uso do meu chapéu, inclusive nas ruas e eventos em geral, (possuo uma coleção), na hora da votação o eleitor pode se confundir e até não reconhecer minha fisionomia.
Tanto eu como meu amigo Leal nos sentimos constrangidos com essa proibição da Justiça Eleitoral. Em minha opinião, demonstra até um preconceito contra uma peça importante e milenar desde os tempos antes de Cristo, como na Mesopotâmia, no Egito e na Grécia.
Na era moderna, a nobreza, reis e rainhas usavam seus estilosos chapéus passando para outros povos. No nosso Nordeste, o chapéu, especialmente o de couro, faz parte da cultura do sertanejo da região. É como se fosse um símbolo da sua pessoa.
Não vamos entrar nessa seara porque trata-se de um tema bastante vasto. Apenas entendo ser frágil o argumento da Justiça Eleitoral, tanto que a proibição foi derrubada pelo deputado federal Douglas Belchior, do PT, de São Paulo.
O parlamentar recorreu após sua foto de boné ter sido barrada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral). A lei proíbe o uso de elementos que possam dificultar a identificação do candidato. Não é permitido usar elementos cênicos e adornos que dificultam a visibilidade da pessoa.
No processo do deputado, o ministro do Tribunal Superior, Sérgio Banhos, autorizou o boné na urna eletrônica. Como negro, Belchior entrou com um pedido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) depois que o TRE deferiu o seu registro fazendo uma ressalva quanto a sua foto.
O deputado de São Paulo é um preto engajado com os movimentos sociais. Argumentou que, dentre as formas de combater o racismo, está o uso do elemento boné na cultura rapper.
De acordo com o magistrado Sérgio, este adorno faz parte de uma característica sociocultural do candidato. Seu boné está ligado à sua imagem, conforme defendeu o juiz, acrescentando que não se tratava de um adorno e não atrapalhava a visualização do seu rosto.
SUPERMERCADO DO MUNDO
(Chico Ribeiro Neto)
Aqui vende quase tudo. Você compra o diabo a quatro, xuxu e quiabo, gato e sapato.
Vendemos culpa e direitos, biscoitos e pratos feitos.
As prateleiras são arrumadas conforme as necessidades, sem esquecer que o mais importante fica no final. Por que é que o feijão não fica nas primeiras prateleiras?
Há gôndolas, mas não são para passear.
Tem prateleiras de dor e de paixão, de saudade e comichão.
Na Semana Santa, tinha um grande balaio de quiabo em promoção, muita gente pegando. Meti a mão e acabei apertando o dedo de uma velhinha pra saber se o quiabo estava novo.
O Supermercado do Mundo vende o bem e o mal, o artista e o igual, o bêbado e o profissional. Tem prateleiras de depressão de 1 e 2 quilos com o aviso, abaixo da tarja preta: “Favor consumir somente após o pagamento.”
O que não se vende no Supermercado do Mundo é a alegria de uma caminhada na praia, o andar da vizinha, o gato num sonho, o vôo de uma andorinha, a companhia dos amigos, uma estrela, o crescer de uma planta… “Caixa livre, o próximo!”
Retiro do meu carrinho um quilo de tristeza. A moça do caixa pergunta: “O senhor vai querer saquinho ou vai levar assim mesmo?”
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
INFLUENCIADORES OU IMPOSTORES?
Com a chegada da internet e das redes sociais surgiram os chamados influenciadores digitais, o que abriu espaço para criminosos e impostores golpistas. Esses indivíduos, por incrível que pareça, chegam a ter milhões de seguidores, muitos dos quais estão sendo vítimas desse pessoal.
Sobre essa questão de influenciador digital já fiz aqui alguns comentários sobre essa nova “profissão” e repito que não vai tardar de as faculdades particulares criarem um curso específico com essa nomenclatura. Será também um engodo para colocar na cabeça dos nossos jovens. Mais uma forma de ganhar dinheiro fácil na educação.
Ninguém me influencia na minha forma de pensar e muito menos quando se trata de linha ideológica. No mínimo pode me convencer, se houver argumentos e dados sólidos, de que determinado fato histórico ou pensamento carecem de correções.
Não consigo entender como essa gente de hoje se deixa ser influenciada por alguém que não tem nenhuma formação e base intelectual e fica num canal falando um monte de baboseiras. A única explicação plausível é a decadência do conhecimento e do saber que hoje sofre a maioria do nosso povo.
Quem cai na lábia desses tais influenciadores digitais são pobres de espíritos, ambiciosos e gananciosos que acham que pode subir na vida de maneira fácil. Tanto esses criminosos como as vítimas ditas “inocentes” são culpadas.
Existem também vários programas de televisão dizendo o que é certo e errado, como se existisse um padrão de verdade. Muitos acompanham e seguem esses apresentadores como se fossem velhos gurus ancestrais. Só posso dizer que é falta de personalidade de quem acredita em tudo que se fala por aí.
Isso nos faz lembrar dos estelionatários e trapaceiros dos golpes dos bilhetes premiados onde a vítima cai no papo do malandro achando quer vai levar vantagem e termina sendo “roubado”, ou como se fala no popular, se ferrando. O mesmo vem ocorrendo nos casos de influenciadores digitais que oferecem sorteios milionários e muitos entram na onda achando que vai ficar rico de uma hora para outra.
Esses tais influenciadores digitais, espertos e de boa expressão, mas sem formação acadêmica, moral e ética, são hoje usados pelo sistema capitalista empresarial, para induzir as pessoas a consumirem mais e mais. Pegam os compulsivos.
A grande maioria entra no esquema e termina se endividando. Uma coisa é ser influenciador digital, a outra é ser formador de opinião, caso do jornalismo sério que lhe orienta, por exemplo, a tomar uma direção correta contra os falsos políticos, economistas e educadores.
QUEM TEM MAIS SAI NA FRENTE
Começou a maratona eleitoral que vai durar pouco mais de um mês. Para muitos é longa e para outros é curta a temporada de caça aos votos. O eleitor já deve estar dizendo que é uma chatice quando começar a propaganda na televisão e no rádio a partir do dia 30 de agosto. A maioria não aguenta o falatório, principalmente quando baixa o nível.
Quem tem mais condições financeiras já saiu na frente com seus “santinhos”, praguinhas, bandeiras, adesivos, folhetos, clips e outros materiais. A maioria dos candidatos a vereador ainda está esperando pela merreca do Fundo Eleitoral, ou Partidário, que não sabe quando vai cair na conta protocolar do Tribunal Eleitoral.
Depois da exigência de tanta burocracia para o registro na Justiça, o candidato ainda é obrigado a abrir três contas (não sei para que tudo isso) num banco e esperar por mais três dias úteis para serem liberadas, isto se não houver pendências. Sempre existe.
O sistema de disputa é totalmente desigual e injusto, mas, lamentavelmente, é a democracia tupiniquim que temos, feita pelos caras do poder lá de cima, para beneficiar os próprios a permanecerem em suas cadeiras, bem como aqueles dotados de mais grana que partem na frente.
Não restam dúvidas que é uma concorrência desleal, sem contar outras intrincadas normas impostas que eliminam aqueles que têm boas intenções, são éticos e honestos na política. No caso de vereadores, outro absurdo é a reeleição por quantas vezes o candidato quiser. A maioria faz da política uma carreira profissional. Conheço parlamentar que já está lá por mais de 40 anos.
Não somente o prefeito, mas também o vereador que já está na Câmara usa a sua máquina por debaixo do pano, e é um dos primeiros a sair na frente dessa maratona. Assim fica difícil para os bons entrarem nessa política tão desproporcional. A justiça faz de conta que vigia e fiscaliza as irregularidades.
Os espertos e astutos de grande poder aquisitivo têm seus advogados e contadores para burlar as regras, como no caso do Imposto de Renda e até nos crimes bárbaros onde o rico e o poderoso nunca são punidos como deveriam ser em igualdade com os pobres. O cara pode até ir para a cadeia, mas não demora muito tempo. Estão aí as operações, Lava-Jato, Mensalão e tantas outras que servem de exemplos.
Por essas e outras é que é raro alguém aconselhar um amigo a participar de um pleito eleitoral, e quando alguém entra é chamado de doido varrido, maluco ou corajoso demais. Não suje suas mãos com isso, salta alguém de lá na tentativa de que você desista.
Quando coloquei meu nome para ser apreciado por Vitória da Conquista, como candidato a vereador, um amigo foi logo me alertando que eu iria ver coisas horríveis e muitas cafajestagens. Cuidado para não ser contaminado!
Apenas lhe respondi que não corria esse risco e, como em tantos outros desafios da minha vida ocupando diversos cargos no setor privado e público, sairia de mais um de cabeça erguida. Sentiria vergonha de mim mesmo se cometesse alguma trapaça nessa corrida, mesmo tendo consciência que é desigual.
Como tantos outros, não sai na frente dessa maratona por falta de recursos, mas vou dentro do meu compasso, de acordo com as minhas condições. Nessa largada, vou na minha marcha dentro dos meus limites, sempre com o pensamento firme de ocupar uma cadeira na chegada, não importando que seja a última.
DINHEIRO E FELICIDADE
É um assunto complicado porque cada um tem sua maneira de ver e sentir as coisas. No entanto, vivemos num sistema capitalista selvagem onde o deus, ou o demônio dinheiro é idolatrado e louvado. Por causa dele muitas tragédias têm ocorrido em famílias, com mortes, sequestros e outros tipos de atrocidades, especialmente quando se trata de heranças.
Conheci e vi muitas famílias aparentemente unidas que se desintegram quando morre um membro rico e deixa fortunas para serem divididas. Acompanhei um caso de envenenamento entre irmãos que foi parar nas páginas de jornais, mas o dinheiro não só traz desgraça.
Existe uma longa discussão filosófica se o dinheiro rende felicidade. Diria que depende da visão de cada um e como usa o dinheiro em suas vidas. Primeiro que um é eminentemente material, quanto o outro está mais no campo espiritual e é um estado de espírito que, na maioria das vezes, não é permanente na pessoa. Não existe felicidade duradora e eterna.
Fazer compras no comércio ou num shopping desperta no ser humano a sensação momentânea de “felicidade”, tanto que o consumidor sente aquela vontade de ir logo para um bar ou uma lanchonete degustar um lanche ou tomar aquele shop gelado entre amigos e parentes. Muitos confundem felicidade com prazer.
O mau humor se transforma em sorrisos, só em olhar as compras nas sacolas. Isso acontece tanto em pessoas ricas, de classe média e pobres, mas essa aparente “felicidade” tende a desaparecer quando retornam os problemas individuais, coletivos e de relacionamentos familiares.
Essa de dinheiro e felicidade é uma questão muito relativa, mas não podemos ser hipócritas ao ponto de dizer que ter ou não dinheiro é o menor dos problemas. No mundo de hoje, onde tudo gira em torno dele, o dinheiro muda seu psicológico e lhe deixa mais leve e disposto para seguir em frente mais forte.
Sem grana, para, pelo menos pagar suas dívidas e fazer uma feira satisfatória do bem-estar, você fica avexado ou avexada, sem rumo e prumo. Já ouvi alguém falar que o homem sem dinheiro não é um homem, é uma merda.
De certa forma tem sentido porque é muito difícil a pessoa conviver e se relacionar bem quando está sem dinheiro, basta se colocar no lugar de um desempregado. Pode até disfarçar, mas dentro de si permanece aquele aperto e angústia no coração, principalmente quando se está só em seu canto.
Não estou aqui falando daquele tipo ambicioso que mata até a mãe e o pai por causa de dinheiro; vira corrupto; comete malfeitos; passa por cima de qualquer um, sem escrúpulos; e suja as mãos de sangue ou de lama fedorenta para ter mais e mais. Este é o abominável animal que até esquece que existe vida e morte.
De um modo geral, os que têm mais conhecimento e saber são mais desapegados ao dinheiro, mas, mesmo assim, o danado é necessário para satisfazer também os seus prazeres carnais e espirituais. O dinheiro pode até gerar sabedoria para muitos e ser fonte do sucesso.
O dinheiro e o poder andam de mãos dadas, mas não se pode traduzir isso em felicidade. Uns dizem que só necessitam do suficiente para viver feliz. Outros querem mais e mais. Tem ainda aqueles que têm muito e não sabem aproveitar para viver enquanto passageiro na terra. O dinheiro pode ser demônio e deus.
Quem já tem o dinheiro tem mais probabilidade de vencer, com menor dificuldade. Um exemplo é a eleição municipal que está aí nas ruas. Quem tem a grana já fez sua decolagem, com bandeiras e impressos para divulgar sua cara ao eleitor, mas não é sinônimo de vitória, sobretudo quando é mal usado e tecnicamente desperdiçado.
ZARATUSTRA E SUA MONTANHA COM SUAS CONTROVÉRSIAS E POLÊMICAS
Os estudiosos da área filosófica de um modo geral consideram o alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900), um filósofo fora da curva, controverso e polêmico, que chegou à sua loucura no final da sua vida, morando recluso com sua irmã.
Ficou órfão de pai aos cinco anos e foi criado, de acordo com nota da Editora Lafonte, que publicou “Assim Falava Zaratustra, pela mãe nos rígidos princípios da religião cristã. Dizem que ele era ateu, mas entendo que morreu intrincado em seu labirinto de dúvidas e certo da morte do Deus antigo, aquele vingativo, ríspido e carrasco idealizado pela religião, daí ter dito que a religião matou Deus.
Nietzsche cursou teologia e filologia na Universidade de Bom e ensinou na Basiléia, na Suíça. Por não conseguir levar a termo uma grande aspiração, a de casar com Lou Salomé, por causa da sífilis, contraída em 1889, isolou-se do mundo, vindo a morrer em 25 de agosto de 1900, em Weimar.
Seu espírito era irrequieto, próprio de um grande pensador. Era poeta por natureza, mas detestava os poetas, para ele mentirosos, dissimuladores e bajuladores. Era sedento por liberdade espiritual e intelectual, bem como apegado ao mundo concreto e real.
Do outro lado, foi um grande defensor da beleza da vida, da terra, dos animais e crítico feroz da fraqueza humana. Vivia uma vida de lutas contra si mesmo, controverso, polêmico e paradoxal.
Em “Assim Falava Zaratustra”, um dos trechos diz que “do alto da montanha, da caverna em que mora com seus animais, Zaratustra perscruta o horizonte, o infinito, o grande mar, o além e paira, junto com sua águia e com sua serpente envolto no pescoço da águia, seus olhares sobre o mundo sobre os pântanos em que se debate a humanidade sem rumo. No topo da sua montanha chegam visitantes desiludidos em busca de solidão, de paz, de sentido da vida”.
Entre os visitantes, o filósofo cita um ilusionista, um mendigo por opção, um viajante, o mais feio dos homens, dois reis, o Papa destronado, um adivinho e um jumento que se tornar novo líder desses homens e adorado como um deus. Eles tentam conviver em harmonia, aprendendo a sorrir, a dançar e sentir suas próprias almas. Terão coragem de se superar, vencer a si mesmos, suas angústias, de se transformar em homens superiores e atingir o ápice de super-homem? – indaga Zaratustra.
Em sua obra, Nietzsche nos deixa vários de seus pensamentos, como a de que a coragem mata a própria morte para recomeçar a vida. Quando o homem mergulha na vida, em seu olhar interior, também mergulha no sofrimento. Toda verdade é sinuosa. No céu e no sol está toda sabedoria, não no homem.
Em sua montanha, Zaratustra chega a fazer uma ode ao sol e ao céu. Ao se referir ao sol, em suas reflexões na caverna da sua montanha, chega a firmar ter desejos de ser fios de ouro como o relâmpago e tocar também em tua pança. Segundo Zaratustra, a liberdade total e a racionalidade são impossíveis e irascíveis.
“OH, DEUS SALVE O ORATÓRIO”
Quando nesta semana podei minha árvore (ainda não sei seu nome, mas minha esposa a chama de Trovão Vermelho) que dá flores durante todo ano para alegria dos pássaros que delas se alimentam, principalmente os beija-flores, descobri uma verdadeira arte da natureza e aí, para a obra ficar completa, tive a ideia de entre os seus trançados de galhos, colocar um oratório. Logo lembrei da música gregoriana do grande artista Milton Nascimento, “Oh, Deus Salve o Oratório”, cantada dentro de uma igreja mineira, num estilo de Terno de Reis. Tudo ficou perfeito, natureza e homem se harmonizando em prece ao criador, só que na realidade tem sido o contrário por parte do ser humano que se tornou bicho destruidor do meio ambiente. Ainda pequena, há uns oito anos, a árvore foi plantada em nosso quintal bem ao lado do coqueiro. Ela foi crescendo e se trançando em torno do coqueiro tornando-se numa obra de arte onde as aves aproveitam para fazer seus ninhos e nos encantar com suas cantorias. Ela se renova rapidamente chegando a invadir parte do quintal. Posso dizer que se trata de uma árvore abençoada. Seus galhos formam várias figuras e letras do nosso alfabeto português e ainda deixou um espaço para encaixar um oratório onde qualquer religioso ou não pode fazer sua oração como se estivesse numa capela dentro de uma árvore. Se fosse numa estrada rústica de chão do nosso sertão catingueiro, tenho certeza que teríamos uma romaria.





















