abril 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  


UM NOBEL PARA OS BOMBEIROS

Carlos González – jornalista

Provavelmente não serei o pai da ideia. Alguém já deve ter levado ao governo federal a relevante candidatura dos bombeiros militares do Brasil ao Prêmio Nobel da Paz de 2024. A concessão da láurea pela Academia Real das Ciências da Suécia significaria uma justa recompensa a homens e mulheres que têm revelado bravura e altruísmo nos momentos em que são convocados para resgatar vidas humanas e de animais. O país tem acompanhado a conduta dos Soldados do Fogo, como eram chamados, na catástrofe que desabou sobre o Rio Grande do Sul.

Expressando-se em diferentes sotaques, bombeiros de todo o país – a equipe de Sergipe sofreu um capotamento na BR-161, mas seguiu em frente numa viatura cedida pela corporação de Poções – foram distribuídos pelas cidades gaúchas alagadas pelos rios que cortam o estado. A representação da Bahia, integrada por 25 militares e pessoal de saúde, viajou no último dia 2 para a Serra Gaúcha, onde ocorreram deslizamentos de terra.

A outorga do Nobel aos bombeiros militares, que têm atuado em outras tragédias, tanto no Brasil como no exterior, não desmereceria a ajuda humanitária de outros dedicados profissionais, civis e militares, muitos deles voluntários, que procuram aliviar o sofrimento de milhares de pessoas que perderam seus bens materiais, além de familiares e amigos. Todos, em conjunto, têm o direito de levantar a taça.

Notícias mentirosas

“Cruéis e abomináveis” foram as expressões usadas pelo general Tomás Paiva, comandante do Exército, para qualificar as fake news, que, segundo ele, exercem um impacto negativo nos trabalhos de resgate e assistência às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

“A desinformação impede a sinergia entre órgãos governamentais para ações que são imprescindíveis nesse momento”, comentou o militar, que não esteve na China, como divulgaram mentirosos compulsivos. Ele tem viajado ultimamente para Porto Alegre, onde orienta os trabalhos de 21 mil militares.

Desde os primeiros dias das enchentes no Rio Grande do Sul, os Bolsonaros (Eduardo, Flávio e Carlos) tentam surfar nas ondas de uma tragédia, como legítimos oportunistas políticos. Trabalham de forma coordenada, espalhando mentiras, pois são doutores na matéria lecionada por seu pai, que já devia ter saído de cena.

Sustentados pela nação (pelo povo, na verdade), os fomentadores do caos estão inserindo nas redes sociais informações mentirosas, com a finalidade de desacreditar o governo federal, tentando falsamente mostrar que os agentes do Estado priorizam o salvamento de animais, deixando mulheres, crianças e idosos para trás.

Num primeiro levantamento, a imprensa identificou sete deputados filiados ao PL, liderados por Eduardo Bolsonaro, como autores das fake news, além do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, do mesmo partido. O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) está com a corda no pescoço. A oposição na Câmara de Vereadores protocolou pedido de impeachment, por suposta falta de ação, antes e durante a inundação da cidade.

Desumanidade

“O bolsonarismo é uma força destrutiva, que só é capaz de prosperar num ambiente de conflagração permanente”, opinou o “Estadão”. Difundir notícias mentirosas é uma desumanidade, prática que o ex-capitão demonstrou durante os quatro anos de seu mandato. Na última semana de 2021, durante a intensificação das chuvas no sul da Bahia, com 75 municípios em situação de emergência, Bolsonaro foi passar férias numa praia em Santa Catarina, onde foi visto passeando de jet ski.

Ao longo da crise sanitária causada pela Covid-19, o ex-presidente propagou afirmações falsas sobre as vacinas, incentivou o uso de medicamentos ineficazes, promoveu aglomerações, deixou os doentes de Manaus sem oxigênio, atrasou a implementação de uma campanha de imunização e zombou dos que morreram contaminados pelo vírus.

Agentes de inteligência do governo (Gabinete de Segurança Institucional e Agência Brasileira de Inteligência) elaboraram entre março de 2020 e julho de 2021 mais de mil relatórios sobre a pandemia, mostrando o aumento do número de casos e de mortes no Brasil. Jair Bolsonaro optou por oferecer medicamentos sem eficácia contra a Covid-19, e desdenhou, chamando-os de idiotas aqueles que ficam em casa.

A edição do último dia 20 da revista Cadernos de Saúde Pública revela que os municípios onde Jair Bolsonaro teve mais votos nas duas últimas eleições presidenciais contabilizaram mais mortes durante os picos da pandemia da Covid-19. As pesquisas foram feitas pelos docentes Everton Lima, da Universidade de Campinas (Unicamp) e Lilia da Costa, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com a colaboração da Fiocruz.

A descrença nos impactos da pandemia e a resistência às medidas sanitárias, recomendadas por cientistas e profissionais de saúde, além da conduta de muitos prefeitos, que preferiram seguir os conselhos do negativista de Brasília, principalmente os seguidores do evangelismo, foram os fatores apontados como determinantes pelos pesquisadores.

A comunidade evangélica de Vitória da Conquista recebeu na semana passada a notícia da morte, em menos de 24 horas, do casal Carlos Lúcio e Chilene Barbosa do Santos, líderes religiosos num templo do bairro da Patagônia. Ambos morreram de complicações (os pulmões estavam 90% comprometidos) causadas pela Covid-19. Os membros da igreja asseguram que o casal não se vacinou contra a doença, orientado pelo presidente, que boicotava medidas de combate ao vírus e o acesso às vacinas.

Os gaúchos assistiram indignados à justificativa do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) para não estar neste momento ajudando as vítimas das inundações. “Estou com 70 anos. Quantos homens com a minha idade estão no meio das águas?”, perguntou a um repórter o vice do governo Bolsonaro, acrescentando que seria “um desvio de sua função”.

Navegando no apoio da maioria dos gaúchos ao bolsonarismo nas eleições de 2022, Mourão obteve uma cadeira na mais alta casa legislativa do país como representante do seu estado. Um militar de carreira, afeito à caserna, repentinamente se converte num senador. Por acaso, não é um desvio de função?

Analogia

O servidor federal Celso Rocha de Barros, na sua coluna na “Folha”, fez uma analogia entre a crise sanitária de 2002-2021 e a tragédia no Rio Grande do Sul, num cenário, felizmente fictício para os gaúchos, com Bolsonaro na Presidência da República.

A atuação do ex-militar no período em que o país perdeu mais de 700 mil vidas já é conhecida dos brasileiros, com exceção dos fundamentalistas e fascistas. Hoje, o “mito” negaria as inundações e as chamaria de “chuvazinha”. Em suas lives acusaria a China e São Pedro como responsáveis.

Depois de ouvir Paulo Guedes, seu ministro da Fazenda, afirmaria que a evacuação das áreas cobertas de água seria desnecessária porque atrapalharia a economia. Declararia guerra ao governador Eduardo Leite, como fez com João Dória, então governador de São Paulo, por ter se antecipado na compra de vacinas.

Aproveitaria a oportunidade para revelar seu lado cômico diante de uma tragédia, imitando um gaúcho morrendo afogado. “Querem que eu faça o que? Não sou salva-vidas”, quando passasse a ser questionado pela mídia. Atribuiria aos que morressem afogados algum problema de saúde, por não conseguirem vencer a correnteza, “o que não aconteceria com os que têm histórico de atleta, como o meu caso”.

O epidemiologista Pedro Halal usou dados estatísticos para mostrar que 95 mil mortes seriam evitadas se Bolsonaro tivesse adquirido as vacinas ofertadas pelo Butantã e pela Pfizer. Contrariando a ciência, ele queimou vacinas e medicamentos, além de ter deixado sem oxigênio os hospitais de Manaus.

Bolsonaro e seu ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, esconderam dados sobre a Covid-19 divulgados nos boletins epidemiológicos. Os principais veículos de comunicação criaram um painel para combater a desinformação. Essa associação foi restabelecida para contestar os fake news que colocam em risco o trabalho de recuperação do Rio Grande do Sul. As denúncias podem ser feitas pelo email folhainformacoes@grupofolha ou pelo whatsapp (11) 99581-6340.

 

 

 

 

PSOL DE CONQUISTA APOIA CANDIDATURA DE WALDENOR A PREFEITO

Em reunião realizada, no Espaço Cultural A Estrada, no último sábado (dia 25/05/24), a diretoria do PSOL (Socialismo e Liberdade) de Vitória da Conquista e demais participantes filiados decidiram em votação apoiar a pré-candidatura de Waldenor Pereira (PT) ao cargo de prefeito nestas eleições de outubro próximo, ao mesmo tempo em que acharam conveniente não indicar um nome do partido para majoritária por questões internas estruturais da própria agremiação política.

Com esta decisão, o partido se une à Federação PSOL/REDE na caminhada da campanha eleitoral visando juntar forças para eleger o pré-candidato do PT à prefeitura de Vitória da Conquista. Esta coligação (apoio crítico), conforme ficou claro nas discussões do PSOL, não está condicionada à negociação de cargos, mas na defesa de uma ação programática de governo que deverá ser tratada nas próximas conversações com o candidato do PT.

“Estamos abertos ao debate na formação da coligação, desde quando mantidos os pontos do nosso programa”- definiram os membros do Partido durante a reunião. Na ocasião, a camarada Zivaneide Santos Silva (Ziva) ressaltou a necessidade de valorizar nossas bandeiras e nossos princípios programáticos.

O presidente justificou a impossibilidade, no momento, de indicar um nome para a majoritária, inclusive o seu, e defendeu o apoio crítico. “O mais importante é a preservação do nosso programa e convido a todos a trabalhar juntos para uma melhor organização do PSOL, em Conquista”.

Além dessas importantes tomadas de posições com relação às próximas eleições municipais, no caso em particular de Vitória da Conquista, o partido também, discutiu os nomes dos prés- candidatos à Câmara de Vereadores, os quais ainda poderão ser alterados e acrescentados outros, para cumprir com a lei de paridade entre homens e mulheres.

Nesse sentido, o PSOL está fazendo um apelo aos demais filiados que compareçam às próximas plenárias do partido que serão em breve anunciadas pelo presidente Ferdinand Maartins. Ele mesmo reforçou a necessidade de mais componentes às reuniões que estão sendo constantes e extraordinárias, no sentido de fortalecer e consolidar o partido em Conquista.

Como pré-candidatos a vereadores (indicações ainda não totalmente fechadas) foram apresentados os nomes de Claudionor Dutra, Zivaneide Santos Silva (Ziva), Jeremias Macário de Oliveira, Ezequias Pereira Dias (ainda não fez sua inscrição), Luciana (mesma situação) e, possivelmente, os nomes de Clodoaldo, Ferdinand e Marcos Ozzy. Como já foi dito acima, essas pré-candidaturas a proporcionais ainda estão sujeitas a alterações.

Outros assuntos foram tratados na reunião, inclusive levantado pelo presidente Ferdinand, como a não homologação de alguns nomes da diretoria regional (Jeremias Macário, Zivaneide, Edivaldo Pereira, Marcos e do próprio Linauro Neto) junto o PSOL estadual e ao Tribunal Eleitoral, bem como a eleição da Federação PSOL/Rede. Estas pendências estão sendo discutidas com o presidente do partido na esfera estadual, o sr. Ronaldo Manssur.

O filiado Claudionor Dutra usou da palavra para dizer que seria interessante o partido ter mais nomes na disputada para vereadores na Câmara Municipal. Ele também chamou a atenção da importância de se chamar mais filiados para as reuniões do PSOL e defendeu a coligação ao candidato do PT.

No mesmo sábado, (dia 25/05), o membro Edvaldo Pereira informou para um grupo do PSOL de Conquista, tendo à frente o seu presidente Ferdinand, participou da reunião do recém-criado PSOL de Anagé que já anunciou suas pré-candidaturas majoritárias para as eleições do município.  O encontro foi bastante proveitoso e contou com cerca de 50 pessoas, com discussões fundamentais no âmbito das eleições de Anagé.

“SÃO COISAS DE DEUS”

O ser humano ainda não caiu na real, ou como se diz no popular, não caiu a ficha de que estamos em pleno aquecimento global, provocado pela própria ação humana, onde a terra está em ebulição. Sobre os desastres no Rio Grande do Sul, um senhor ou uma senhora, respondeu a uma pergunta do repórter que “são coisas de Deus”.

Não consigo imaginar que Deus é esse tão carrasco e tirano que causa tanto sofrimento e dor com chuvas intensas, ventos fortes, deslizamento de terras e enchentes em todo estado que já mataram cerca de trezentas pessoas e deixaram milhares de desalojados, vitimando todos as classes sociais, pobres e ricos.

Que Deus é esse que manda cheias no sul e secas no norte? Que Deus é esse que ceifou a vida de duas mil pessoas em Nova Guiné? Que Deus é esse que manda terremotos, tufões e ciclones em diversos país do planeta e aumenta o nível do mar causado pelo derretimento das geleiras polares?

Os negacionistas de plantão, ou os terraplanistas chamam a tudo isso de fenômenos normais da natureza e ficam fazendo vídeos e citando tragédias isoladas que aconteceram séculos atrás. Ora, o que está ocorrendo agora é um conjunto de catástrofes bem claras de que a natureza está reagindo às agressões que vem sofrendo há séculos.

Os religiosos cristãos, ou não, se apegam à fé cega e colocam a culpa em Deus. Perdoai, oh Senhor, porque eles não sabem o que dizem! A maioria está atolada na ignorância e fala automaticamente o que vem na cabeça, sem refletir e pensar no que a humanidade vem fazendo contra o meio ambiente.

Os outros são os homens do poder, os empresários e gananciosos avarentos que nem se dão conta de ler o que os cientistas vêm alertando há anos. Nas reuniões sobre as mudanças climáticas, eles estão em seus celulares fechando grandes negócios para colocar mais gases tóxicos na natureza, como perfurar poços petrolíferos, desmatar as florestas, explorar combustíveis fósseis, construir mais indústrias poluentes e jogar mais veneno nos rios e mares.

Existem ainda os fanáticos pastores evangélicos, ou os falsos profetas, que botam na cabeça dos incautos sem nenhuma instrução e nos analfabetos de que tudo que está acontecendo de tragédias climáticas no mundo é castigo de Deus. São iguais a torcedores “doentes” que vão aos estádios com os terços nas mãos e as fotos de Cristo rogar para que seu time de futebol saia vencedor.

Na verdade, é o homem quem está pagando pelo seu próprio pecado e, para tirar o seu da reta, coloca Deus no meio das suas atrocidades. Quem faz o mal irá pagar aqui mesmo, e ainda deixa o pior para as próximas gerações de inocentes que estão chegando, que são filhos e netos.

“ASSIM FALAVA ZARATUSTRA”

Difícil de ser entendido, Friedrich Wilheim Nietzsche nasceu em Rocken, na Alemanha, em 15 de outubro de 1844. Ainda jovem virou pastor e tornou-se num dos mais importantes pensadores do século XIX. Aos 24 anos chegou a lecionar filologia na Universidade de Basileia, mas parou seu trabalho, em 1979, por questões de saúde. Passou a levar uma vida marcada por crises e tentativas de suicídio. Em 1882 começou a escrever sua obra famosa “Assim Falava Zaratustra”. Teve intensa produção, interrompida, em 1889, por uma loucura que durou até sua morte, em 25 de agosto de 1900.

Na apresentação do livro, editora Lafonte, escrito pelo tradutor, na palavra de Zaratustra, que viveu dez anos na montanha, Nietzsche diz que o homem e a sociedade vivem em hipocrisia, à sombra de valores que não correspondem às aspirações do ser humano, porquanto marcados e conduzidos por um conjunto de leis, costumes e tradições que já foram comprovados, além de desgastados pelo tempo e pela maldade dos homens, aleatórios e inúteis.

Nietzsche aborda os temas centrais da transformação de valores, da erradicação dos males que afligem a sociedade, da libertação do homem como ser superior e da busca da figura do verdadeiro homem ou super-homem. Quando Zaratustra desce da floresta encontra-se com um grupo de gente da cidade e faz um discurso onde as pessoas não lhe dão ouvidos. Ele se vai frustrado e decepcionado.

Em o equilibrista e o palhaço, afirma que o diabo e o inferno não existem, e que nada perco ao perder a vida. Pontua vários problemas do viver, como o trabalho, a distração e o cansaço. Para ele, pobre e rico são duas coisas penosas, como governar e obedecer. Pastor e rebanho são iguais. Nietzsche foi um tanto anarquista quando declara que o Estado é o mais frio dos frios monstros.

Vou aqui apenas citar alguns pontos da fala de Zaratustra que servem de reflexão, muitas delas confusas, contraditórias e retrógradas como dizer que a mulher não sabe fazer amizades, ao compará-la com uma ave ou uma vaca. Boa parte do seu diálogo requer análise apurada porque ele fala por meio de parábolas, linguagens figuradas e metáforas.

Num dos trechos, diz que não seja o refluxo desse fluxo. O crime mais atroz é ultrajar a terra. O homem é um rio poluído. Nessa sua lógica, é também um poluidor, máximas que servem para os tempos atuais. Tem muita coisa de filosófica e poética em suas pregações, como a de que é preciso ser mar. Seja repugnante para ser limpo. Para sair da conformidade, sua razão anseia por saber.

Em sua conversa para os homens da cidade, em seu primeiro contato após dez anos na montanha, diz que, para se chegar ao alto e o além, seja declínio. O que importa é ser ponte e não meta. Seja flecha e passagem para a outra margem. Tem que conhecer o que quer conhecer e faça da sua virtude o seu destino. Ele questiona o viver e o deixar de viver. Sobre o ser humano, ensina que deve cumprir mais do que promete. Isso serve para os nossos políticos.

A cólera do seu deus pode ser sua perdição. Quanto a alma profunda, ressalta que lhe faz esquecer de si mesmo. Aprenda a ouvir com os olhos. Terei que gritar. Vou falar do que é mais desprezível, e aconselha que o homem deve semear o germe da esperança. No que refere às suas conversações com o outro, o qual não consegue lhe entender, afirma que a minha boca não chega aos seus ouvidos.

No sentido figurado das palavras, ou não dos seus pensamentos, Nietzsche termina tocando no problema do meio ambiente quando destaca que o solo rico se tornará pobre e árido, sem germinar nenhuma árvore. Como profeta do tempo, enfatiza que o homem não mais lançara a flecha do seu desejo. Você tem um caos dentro de si para gerar a dança. A terra se tornará pequena, e insensato é aquele que ainda tropeça nas pedras e nos homens.

Nietzsche, como todos sabem, é um filósofo incompreensível e cada um faz suas interpretações. Zaratustra assinala, por exemplo, que nada tem de desprezível morrer por causa do teu ofício e que a vida humana é desprovida de sentido. Ele é, ao mesmo tempo, profundo, triste, descrente do ser humano e sem religião. Por falar nisso, disse que a religião matou Deus.

Em seus diálogos, fala muito do ser super-homem. Ouço uivos de lobos famintos. O criador sempre procura companheiros. Meu canto é para os solitários e que existe mais perigo entre os humanos do que os animais. Que minha altivez ande ao lado da sabedoria. Vamos ter mais Nietzsche nos próximos capítulos, esse Zaratustra, esse maluco.

No capítulo “Do Amor ao Próximo” em “Assim Falava Zaratustra”, Nietzsche dizia que esse amor é vosso mau por vós mesmo. O Tu foi santificado, mas o Eu não. Mais elevado que o amor ao próximo é o que está por vir, as coisas, os fantasmas. Você tem medo dos fantasmas e procura refúgio junto ao teu próximo. Ele afirma que o convívio com os homens estraga, sobretudo quando não se tem caráter.

O CASTRADOR E O BOI

Estive na fazenda de um amigo meu nesta semana, em Itambé, e tive a oportunidade de acompanhar, com as lentes da minha máquina, o castramento de vários bois numa idade variável de um ano. Pude observar que é um processo doloroso e estressante para o animal. Para o castrador, o pior é que em mais um ano ele será levado ao matadouro. A vida de um boi de corte é de pouco mais de dois anos. Como é tão curta! – Comentei – e o outro ajudante respondeu que ainda mais curta é a vida de um frango, em torno de dois meses. Existem abatedouros clandestinos onde os bichos passam por um grande sofrimento antes de serem sacrificados. Tudo isso para alimentar o ser humano, o maior predador e depredador da terra que agora vem sendo atingido pela natureza, há séculos maltratada, que agora está dando sua resposta, com intempéries, enchentes, secas, ciclones e terremotos.

O processo de castramento do boi exige o trabalho de duas a três pessoas e é por demais sofrido, desde quando ele começa a ser empurrado para o corredor estreito do curral até ser laçado e arrastado numa espécie de enforcamento. O castrador joga uma corda entre a barriga e suas duas pernas traseiras fazendo o animal perder suas forças até cair ao chão. Ele respira ofegante com dificuldade. O mais doido é o corte literalmente dos testículos, ou ovos (bagos) com a faca que faz jorrar o sangue. São retirados alguns nervos e, para não infeccionar, lava-se o local com água e passa um produto parecido com betume. Tem outros que colocam sal grosso para não pousar varejeiras e provocar outras doenças. Para terminar, dá-se uma injeção de antibiótico. Depois das cordas afrouxadas, o boi sai cambaleado e tonto e borrado de dor. Vendo aquilo tudo, os outros que ainda não caíram na faca resistem o possível para não serem capados. Olhando toda aquela cena de tortura e horror, lembrei dos eunucos dos sultões que eram castrados para cuidar dos haréns das mulheres. Como ainda somos estúpidos e primitivos!

NA UTI DA VIDA

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

De cócoras,

Nas indígenas ocas,

Ou pelas mãos da parteira,

Numa cama de hospital,

Seja igual ou desigual,

Sua mãe berra,

Para abrir a porteira,

Se agarra nas raízes

Da sua mãe terra.

Você nasce e cresce,

Civilizado ou nativo,

Da barriga que lhe abriga,

Água e ar,

De nove meses,

Na UTI da vida,

Do Tratamento Intensivo,

E cada um sabe de si,

Vivendo sua UTI.

 

Na labuta da sobrevivência,

Na fé e na ciência,

Ora seu coração acelera,

Jorra sangue e se acalma,

Às vezes vira fera,

Na quimera da alma,

Transborda amor e dor,

Fel e mel,

Inferno e céu,

Na UTI da vida,

Do sentido do existir,

Mar revolto e calmaria,

Seja João, José ou Maria,

Nos arreios das andanças,

No veneno do cascavel,

No corcel da esperança,

Nas labaredas de fogo,

Como sensato e louco,

E tudo é assim:

Vim, vi e venci,

Na UTI da vida:

Porta de entrada e partida.

O OUTRO LADO DAS COTAS

Estou aqui no campo, no sossego de uma fazendinha de um amigo em Itambé e, entre uma conversa e outra, entrou a questão das cotas para negros, mulheres, homossexuais e outras categorias, especialmente quando se trata de concorrência de projetos de editais, como da Lei Paulo Gustavo onde muitos trabalhos ficaram na suplência ou de fora por conta dessa norma que já veio lá de cima.

Estou aqui ouvindo o canto dos pássaros e quem estiver me acompanhando na imaginação já deve, a esta altura, estar me julgando de racista, misógino, homofóbico ou até de direita retrógrada. Não me importo com pechas negativas sobre minha pessoa porque tenho consciência de que todos nós temos o direito de expor seu ponto de vista, sem censuras.

Cada um tem também o direito de fazer o seu julgamento, mas que seja com argumento e não agressividades pessoais de baixo calão e açodadamente emocional e passional, sem o uso de raciocínio lógico.

Em meu entendimento, considero um absurdo um parecerista ou jurado selecionar projetos a partir da extensão das cotas e não pela sua qualificação e conteúdo cultural-artístico, levando ainda em consideração o seu benefício para a comunidade em geral.

Nos Estados Unidos, salvo engano, o sistema de cotas perdurou por um período de dez anos e depois foi abolido pela política do governo. Como o Brasil sempre procurou imitar programas implantados por aquele país, a ideia era que o tempo de duração fosse o mesmo.

No entanto, este não é o cerne da questão propriamente dito. Independente de raça e gênero (raça é uma só, a humana) todos têm a mesma capacidade, embora os níveis de inteligência sejam diferentes, de disputar a concorrência de um projeto, sem essa de cotas que mais parece com reserva de mercado.

Temos que levar em pauta ainda que no Brasil de hoje com a ampliação dos acessos a outras políticas públicas para as chamadas minorias, não cabe mais essa continuidade das cotas que passaram a ser geradoras de preconceito, ódio e intolerância entre as pessoas.

Na disputa política eleitoreira por cargos eletivos, por exemplo, quando da distribuição dos recursos do fundo, tem gente que recebe mais dinheiro que outro pelo direito às cotas. Conheço candidato que entra com três cotas em dinheiro contra o outro que recebe bem menos para concorrer ao mesmo cargo. Isso é uma concorrência desleal e não é justo.

Prego a igualdade para todos, na palavra de Martin Lutter King, sem a distinção de raça ou gênero, mesmo porque todos têm capacidades, sem essa de reparação, porque no presente ninguém é culpado pelo passado que aconteceu de opressão. Por outro lado, em nossa história, os mais massacrados foram os índios.

 

 

O INFERNO É AQUI, E TAMBÉM O CÉU

As religiões (nem todas), pelo menos a judaico-cristã e o islamismo apontam que o céu fica lá em cima e o inferno embaixo. Confesso, e não tenho nada a esconder, que hoje não sou mais religioso (já fui por muito tempo) e tenho meus questionamentos. Acho que o inferno é aqui e também o céu, nos seus devidos momentos e circunstâncias. Não existem as fases boas e complicadas?

Pelo menos é um direito de liberdade de se expressar dessa forma que todos têm porque, em outros aspectos da vida, existe atualmente um patrulhamento do politicamente correto e o incorreto a se seguir, senão, meu amigo, você estará ferrado perante aos olhos dos outros.  Niettzsche diz que o Estado é o mais frio dos frios monstros. “Eu, o Estado, sou povo, é uma mentira”.

Como membro dessa sociedade hipócrita, de leis desiguais entre pobres e ricos, temos que obedecer suas normas, sejam absurdas ou não. Isso é um inferno – diria alguém. O cancioneiro Raul Seixas “criou” a sociedade alternativa onde “fazes tudo quanto queres”. Não é possível porque existem os limites até onde você pode ir. Não pode atravessar a linha do sistema, senão o trem lhe pega.

Sou um descrente em muitas coisas, talvez hábito do jornalismo de ser cético, não acreditar em tudo e nem em todas as pessoas que dão tapinhas em suas costas e lhe chamam amigo-irmão quando se está tomando umas cachaças no botequim. Quando sai, é pura falsidade, cheio de invejas. Infelizmente, é isso que acontece no mundo atual e também do passado milenar.

Mais uma vez, estou fugindo do assunto. Digo que o inferno é aqui, parodiando até Caetano Veloso que em sua canção escreveu que o Haiti é aqui. Quem aqui faz o mal, aqui paga e, quem com o ferro fere, será ferido.  Com seus fantasmas não resolvidos, você pode ser o inferno de si mesmo e também o inferno para os outros, contaminando quem está ao seu redor.

Dizem que tenho um lado macabro de ver as coisas, mas é só dar uma parada para reflexão e verá nos noticiários do dia a dia, nos casos de sofrimentos e problemas das pessoas, nas tragédias e catástrofes, nas guerras, nas discórdias, no ódio e na intolerância, nos preconceitos, nas desavenças entre famílias, nas mentiras e violências hediondas, na luta pela sobrevivência, e chegará à conclusão que o inferno é aqui.

Convencionou-se falar que quando uma celebridade, um famoso ou um ente querido, seja da família ou não, morre, esta pessoa vai direto para o céu, até que sentado ao lado de Deus. Como se tem essa certeza? De forma inconsciente, talvez esteja confirmando que o inferno é aqui pelo qual o falecido passou em vida, convivendo com gente ruim e maldosa, com intrigas infernais, doenças exóticas e tendo que aturar calúnias e infâmias.

A fome e a miséria, as tormentas, torturas nas prisões, a correria desenfreada do dia a dia, principalmente nas grandes cidades congestionadas e abafadas, sem ar para respirar, o medo de sair de casa e não voltar mais, os traumas psíquicos, as desigualdades sociais são verdadeiros infernos na vida de cada um, se bem que a maioria mentaliza que a vida é bela porque impede olhar o outro lado assombroso.

Por uma besteira, coisa fútil e torpe, muitas vezes uma pessoa, vizinha e até “amiga”, passa a atanazar o outro, e aí, então, sua vida vira um inferno e até lhe leva à morte natural e matada. Entendo que foi o próprio ser humano, desde os tempos primitivos da pedra lascada, que criou esse negócio de inferno e céu, um embaixo e o outro lá em cima.

Quem já não ouviu de um companheiro ou amigo falar que sua vida depois de determinado relacionamento, após uma mudança de lugar e endereço, de uma decisão tomada que não deu certo, virou um inferno. Aí você pede calma, dar uns conselhos e conforta que tudo passará e dias melhores virão. O mais comum é que o tempo cura tudo, até de um amor não correspondido ou traído. Nem tudo, meu camarada!

Para outros, o céu também pode ser aqui quando tudo está correndo bem, a mil maravilhas, enquanto não vem a reviravolta de coisas ruins. Então você vive entre o inferno e o céu. Não precisa ser material no sentido literal das palavras, de fogo e tridentes de belzebus, ou anjos de asas passeando com você em campos floridos celestiais na maior felicidade e paz de espírito.

 

 

A “INDÚSTRIA DA MISÉRIA”

Os governantes populistas, ou assistencialistas, derramam todos os anos uma dinheirama para socorrer as chamadas pessoas com vulnerabilidade social, moradores de ruas, por exemplo, dando comidas e abrigos, sem apresentar um programa alternativo que devolva dignidade humana de independência, para que essa gente não se torne viciada em somente receber o peixe sem aprender a pescar.

Eu chamo isso de “indústria da miséria”, ou máquina de fazer votos. Hoje, tanto a esquerda como a direita fazem isso, inclusive essa prática é bem vista e elogiada em Vitória da Conquista. Muita gente não sabe, mas Conquista está cheia de andarilhos que vêm de fora sabendo que aqui serão acolhidos com boa alimentação e dormida.

A questão não é condenar que haja um atendimento para essas pessoas, mas que essa ação não seja permanente ao ponto de cair no vício e na acomodação do beneficiário não querer fazer mais nada para sair dessa miséria. Sei de gente que se desloca de cidades distantes e se abriga aqui com a alegação de que veio tirar documentos.

O assistencialismo cheira muito com a palavra caridade, uma cultura milenar criada pela Igreja Católica que, como consolo para aliviar a situação de penúria, dizia que a pessoa iria ganhar o reino dos céus quando morresse. Ainda tinha aquela pregação de que, quem desse uma esmola também seria abençoado com um lote no céu.

Não somente em Conquista, mas em todo Brasil esse assistencialismo, ou “indústria da miséria”, vai se perpetuando de geração em geração e nunca se acaba. Com isso, cria-se uma camada de povo que vai sempre viver à margem da sociedade como párias que nada fazem e se enterram nas drogas.

Essa prática eleitoreira, que remete aos tempos do coronelismo, gasta bilhões de reais por ano e não apresenta resultados em termos de reduzir a pobreza extrema, bem como eliminar a desgraça humana. Não adianta só dar comida e abrigo se o espírito continua pobre, sem estímulo para reagir e não ser um subjugado e submisso dos oportunistas. Essa “indústria” é como se fosse uma matéria-prima valiosa do poder político que utiliza essa ferramenta para se tornar dono da pessoa vulnerável, como o próprio nome já diz.

Todos esses bilhões gastos por ano nessa política assistencialista poderiam, em boa parte, serem aplicados em investimentos na qualificação da educação e da saúde, sem falar no saneamento básico. Se assim fizessem, em poucos anos iríamos ter uma nova geração de pessoas fora da miséria e da dependência.

Quase ninguém quer pensar e refletir sobre essa realidade nesse país e defende a continuidade desses “programas”, não importando a ideologia que se tenha. Grande parte dessas pessoas, acolhidas em abrigos, recebe o Bolsa Família e tem o melhor celular, quando não usa o dinheiro para comprar drogas.

Não estou falando de famílias que vivem em barracos nas favelas e periferias pobres que até pagam luz, água, gás e lutam para ter uma comida no prato. É outra categoria que vive pior do que os chamados vulneráveis de ruas andarilhos. Para finalizar, gostaria de saber quando essa “indústria da miséria” vai se acabar? Está havendo alguma transformação social? Está se dando dignidade ao ser humano? É tudo enganação, engodo e demagogia.

 

 

“A MÁSCARA DA AFRÍCA” XV

GANDHI NA ÁFRICA DO SUL

  1. V. S. Naipaul narra, em sua obra, “A Máscara da África”, a visita de um grande homem que visitou a África do Sul nos anos de 1890 e terminou ficando 20 anos naquele país para ser a voz do seu povo que era discriminado e menosprezado.

Esse homem era Mohandas Gandhi. Ele saiu de Durban a Joanesburgo e a Pretória, em parte uma versão moderna da Grande Marcha, feita por trem e diligência. Foi um calvário, mas essa viagem modificou sua vida e o colocou no caminho da obra testemunhada em sua país, na Índia.

Existe um monumento para ele em Joanesburgo e em Pretória. Ele foi para África do Sul, em 1893, quando ainda tinha 24 anos por causa de conexões familiares como advogado, a convite de um empresário indiano mulçumano.

Como profissional na Índia só tinha estado no tribunal uma vez, em Bombaim, num caso ridículo de Pequenas Causas. Para Gandhi foi um fiasco porque ele se levantou no momento em que deveria interrogar as pessoas do outro lado, mas se sentiu intimidado.

Em pleno tribunal, ele se sentou e transferiu o caso para outro colega que atuou brilhantemente com a questão. A partir dali ficou mortificado e achou que, como advogado, deveria evitar tribunais e apenas rabiscar petições.

Foi aí que veio a oferta sul-africana de um amigo da sua família para passar um ano na África do Sul, com bilhete de volta na primeira classe. Na sua visão, estava indo mais como um serviçal do que como advogado, mas aceitou a ideia da aventura.

Tudo começou com uma lenta viagem marítima de Lamu, Mombaça, Moçambique e depois Durban. Lá conheceu seu empregador que lhe disse que seria um elefante branco na firma. Gandhi descobriu que o caso legal era de contabilidade. Comprou um livro e começou a estudar. Ficou sabendo tudo que precisava.

Depois de oito dias compraram um bilhete para ele de primeira classe com direito a um leito para Pretória. No entanto, ele preferiu poupar o dinheiro. Foi, então, que seu calvário começou nas paradas entre Maritzburg, Charlestown e Standerton. Nesses locais, Gandhi sofreu insultos, vergonha e medo por causa de um tratamento vil e violento.

Em Maritzburg, o atendente da ferrovia lhe perguntou se ele havia pedido um leito. Gandhi confirmou que sim. Vieram dois agentes e depois um terceiro que lhe disse que deveria se mudar para o compartimento de bagagem. Quando Gandhi se recusou, chamaram um policial que o empurrou para fora. Fazia muito frio. Tinha um casaco na bagagem, mas pensou que se pedisse seria insultado.

Naquela noite, imaginou retornar para a Índia ou seguir para Pretória. Concluiu que devia ficar e lutar contra a doença do preconceito. Decidiu pegar o próximo trem. Era um homem correto e da lei.

Na manhã seguinte enviou um longo telegrama ao gerente geral da ferrovia. O trem em que embarcou, com o bilhete do leito, o levou até Charlestown. Acontece que o calvário continuou. Não havia ferrovia para Joanesburgo, apenas uma diligência. O condutor lhe atormentou não permitindo que Gandhi se sentasse dentro do carro, mas no estribo da carruagem. Passou a viagem toda chutando Gandhi, tanto que os outros passageiros protestaram.

A diligência parou no vilarejo de Standerton para passar a noite. Havia enviados lá a mando do empregador para recebê-lo. Ele aproveitou o tempo para escrever uma longa carta ao agente da empresa de diligências. Recebeu uma resposta encorajadora. A diligência era maior e o funcionário estúpido não estaria nela.

Os indianos do empregador encontraram um bom lugar para ele e, finalmente, chegou a Joanesburgo. Para o trecho final até Pretória, redigiu um bilhete ao chefe da estação dizendo quem era e foi pessoalmente de casaca e gravata comprar o bilhete (existe na África do Sul uma fotografia dele com esses trajes).

O homem da bilheteria era da Holanda e lhe tratou bem. Naquela época, segundo o autor do livro, Gandhi acreditava no Império Britânico. “Acreditava que os indianos na África do Sul eram discriminados porque eram politicamente indiferentes e não eram organizados”.

Quando terminou o seu trabalho, com sucesso, se preparou para retornar para Índia. Foi a Durban esperar um navio e lá viu uma nota no jornal sobre o direito de voto dos indianos onde a Câmara local buscava destituir os indianos de votar. Ele ficou chocado com isso e procurou conversar com os empresários indianos, que não estavam preocupado com a questão.

Gandhi era ainda um jovem tímido e destreinado. Depois de uma discussão, os empresários transferiram o fardo do protesto para Gandhi que adiou sua volta. Então, sua permanência na África do Sul se estendeu por vinte anos.

Estava na meia idade quando partiu, com suas ferramentas políticas e espirituais aperfeiçoadas. Tudo aconteceu naquela longa viagem onde tornou-se um grande líder de homens e passou a ser chamado de mahatma (grande alma).





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia