PIRÂMIDES E MÚMIAS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
“Toda gente teme o tempo,
Mas o tempo teme as pirâmides”
Provérbio árabe,
De realidade única imutável,
Como dizia o filósofo Parmênides:
“O ser é e o não ser, não é”,
Ontologia racionável.
Quépes, a grande,
Revestida de mármore,
Numa paisagem sem árvore;
Quéfren, com corpo de leão,
Asas de águia,
Que encanta nossa visão;
Miquerinos aos seus pés,
Das rainhas dos faraós;
Nelas viviam as múmias,
No complexo dos Gizés,
Conservando a imortalidade,
Por toda eternidade,
Até dos felinos,
Animais de estimação,
Assim cantavam os poetas,
Nos bailes e nas festas,
De seus violinos, a canção.
Trinta dinastias,
Trinta séculos de lutas e amor,
Entre o Saara e o Mar Vermelho,
Com suas barragens,
Canais e vias:
Plantaram as pirâmides,
Nas areias da morte,
Chamadas de vermelhas,
Onde não nascia uma flor,
Nem pousavam as abelhas.
Menés
Que não era daqui,
Nossos idiotas Manés,
Foi o unificador,
Do Alto e Baixo Egito,
Dirigiu seus monarcas,
Como um bom pastor;
Acabou com o conflito,
Com a guerra e o horror.
Pirâmides são túmulos,
Das múmias em acúmulos;
Das ventas extraiam os miolos,
Infusão de drogas;
Cortavam o abdome,
Da mulher e do homem,
Vinho da palmeira,
Perfume de erva caseira,
Câmara sepulcral,
Alma Ka imortal.
Teve até uma pirâmide negra.
Amenemhat
Mudou Mênfis para Tebas,
Com ritual e Ação de Graça,
Disse que “um homem
Não tem amigos
No dia da desgraça”.
Duas raças semíticas,
Destruíram os egípcios:
Os descendentes de Abraão,
Os bárbaros hicsos,
Com os cavalos, deuses míticos,
Acabaram com a união.
Após milênios veio Napoleão,
Com seus sábios arqueólogos,
Como o gênio Champollion,
Decifrador dos diálogos,
Da preta Pedra da Roseta,
Que ficou com os ingleses,
Depois de vencerem os franceses.
A religião é uma expressão,
Do querer viver,
Do se tornar eterno,
Mas sabe que vai morrer;
A tudo se dá sentido,
Mesmo que não haja sentido,
Aí o cara se torna surreal,
Na briga entre o bem e o mal.
O cristão com sua vida eterna,
Da Idade Média a Moderna,
Levanta sua catedral,
O hebreu com seu Juízo Final,
O muçulmano, sua mesquita
Diz ganhar o Sétimo Céu,
Cobre a esposa de véu;
O monge buda vira eremita,
A múmia se eterniza,
E a história fica real,
Na pirâmide do jornal.
POR QUE É PROIBIDO VENDER SANGUE?
É um tema controverso, mas sempre estamos assistindo e lendo matérias na mídia sobre a situação de escassez de sangue nos Hemobas (25/11 é o Dia do Doador) por falta de doadores voluntários suficientes para atender a demanda de pacientes nos hospitais e clínicas.
Toda vez fico a me perguntar por que é proibido vender sangue no Brasil se os hospitais privados fazem o uso desse material cobrando uma fortuna quando faz um procedimento cirúrgico? Existem também os hemocentros particulares. Nesse caso, as indústrias farmacêuticas não poderiam comercializar medicamentos caros extraídos do plasma do sangue que é doado.
Tudo isso não é contraditório, hipócrita e moralista? Pelo que eu saiba, nos Estados Unidos não existe essa proibição quando a venda de quem quer disponibilizar seu sangue. A empresa Ambrósia Health paga 30 mil reais por um litro de sangue de jovens de 16 a 25 anos.
Existem mexicanos do norte do país que entram nos EUA com vistos temporários para vender seu sangue. Dizem que o mercado global com a venda de sangue chega a 21 bilhões de dólares. O México, por exemplo, é o maior fornecedor de plasma.
Sei que se trata de um assunto polêmico quando envolve questão voluntária que envolve socorrer vidas humanas, mas até 2001 (25 anos) pela lei 10.205 era permitida a remuneração, e aí entrou o artigo 199 da Constituição Federal e proibiu. Existe uma PEC no Congresso Nacional para liberar a remuneração, mas o Ministério da Saúde tem procurado emperrar sua aprovação.
De acordo com pesquisas, a taxa de doação é de 1,8% da população brasileira, bem aquém dos 3% recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Esse índice não poderia ser elevado se houvesse o pagamento?
Existe um outro argumento para quem defende a doação, a de que o vendedor pode mentir com relação às normas estabelecidas para doação, somente visando o dinheiro. Ora, a ciência hoje já está bem avançada para detectar possíveis mentiras, eliminar o sangue do doador e ainda punir a pessoa. A comercialização não impediria quem quisesse fazer a doação de forma voluntária.
Enquanto isso, o que mais se ouve é essa lamúria da falta de sangue para salvar vidas. Não vejo nenhum problema a pessoa vender seu sangue, principalmente aquele de menor poder aquisitivo que precisa de uma grana para sua subsistência.
No lugar de não ser liberada a venda, quem doa recebe benefícios através da folga no trabalho, se não me engano, somente concedido aos servidores públicos e militares que fazem três doações por ano. É necessário ter a carteira de doador. Li também em algum lugar que o doador estadual pode ter oito dias de folga quando fizer quatro doações anuais.
SÓ IMBECILIDADES E IDIOTICES
Ao invés de melhorar o nível, só piora. Estou me referindo aos áudios e vídeos que ultimamente têm saído nas redes sociais e ainda tem gente que posta essas porcarias em grupos que se dizem formados de pessoas letradas. A impressão que se tem é que, quanto mais avança a tecnologia, mais a humanidade se torna mais decadente e idiota, com tantas imbecilidades.
Hoje mesmo recebi um vídeo onde o sujeito parece estar chapado de bêbado, tudo indica dentro de um carro, falando coisa sem coisa, sem nenhum argumento lógico, repetindo as mesmas palavras e dizendo que nunca imaginaria em sua vida ver bandidos prendendo militares, na visão dele, mocinhos.
Só entendi que os bandidos na concepção dele são o presidente da República, seu vice e o ministro do Supremo Tribunal Federal. Os militares trapalhões conspiradores contra a democracia são os golpistas. Lembrei de Catilina e suas conspirações contra o império romano.
O pior de tudo é o linguajar chulo e repetitivo, sem nenhuma base lógica e argumentativa. Como dialogar com um indivíduo desse que, entre uma besteira e outra, generaliza a palavra comunista, coisa do tempo da guerra fria quando a ditadura civil-militar tinha como inimigo número um o comunismo. Dá para se perceber que ele nada sabe sobre comunismo.
É triste ver crescer no mundo de hoje essa onda extremista, do tipo canina raivosa fanática, homofóbica, racista e misógina, o que só demonstra o quanto a nossa humanidade vem caindo de raciocínio nos últimos anos, principalmente em termos de ideias. O QI só faz decrescer.
Como é ridículo o cara chamar o outro de comunista, como se fosse um bandido marginal criminoso, só porque sua ideologia é de esquerda, progressista e humanista! A questão não é concordar ou discordar do pensamento do outro, mesmo porque cada um tem direito ao contraditório.
O problema é a nítida pobreza de neurônios, conhecimento e saber, para um argumento que possa abrir espaço para um diálogo. O que se tem visto nesses vídeos é uma verborreia violenta, agressiva e até desrespeitosa, que nada tem a ver com democracia e liberdade de expressão.
Nessas conversas não existe nada de racionalidade lógica, mas uma espécie de violência verbal que dá nojo e repugnância. O pior é que essas postagens têm aparecido muito em grupos presumivelmente composto de intelectuais em diversas áreas da nossa cultura.
Mais espantoso ainda é quem faz esse tipo de postagem de baixo nível quando deveria ter o mínimo de respeito com os outros participantes. É por essas e outras que estou procurando evitar ser componente de certos grupos porque, além de carregar demais o celular, me deixa constrangido e enojado.
O RELÓGIO E O TELEFONE
No gancho jornalístico do meu amigo, colega e ex-companheiro de trabalho no jornal A Tarde, Chico Ribeiro, nosso conhecido “Titio”, queria falar de duas peças onde uma ainda resiste ao tempo e o outro praticamente foi extinto do nosso uso com a chegada da tecnologia da internet e do celular móvel.
Tratam-se do relógio e do telefone fixo. O primeiro continua a ser utilizado nos braços dos homens e mulheres como se fosse uma joia, um colar, uma corrente na forma de elegância corporal. Ainda existem relojoarias e relojoeiros. Mesmo com o celular na mão, que aponta as precisas horas, as pessoas continuam com o velho costume tradicional do relógio no braço.
Tem gente que gosta daqueles grandes estilosos de meio quilo e até faz coleção. Ostros são mais discretos e apreciam os mais modernos sofisticados para exibir como peça. Os mais ricos compram os de ouro, inclusive branco, cravejado de pedras preciosas. O capitão ex-presidente quis ficar com um presenteado pelo rei da Arábia Saudita.
O relógio continua sendo um objeto símbolo de poder. Muitos ainda lhe param nas ruas para pedir as horas. Nunca mais eu vi aqueles de bolso usados por coronéis que precisavam dar corda de hora em hora. Tem os bons e os chamados patachos. Existem aqueles grandes de paredes que você ouvia de longe o tic-tac do badalo do tempo, bem como os do cuco.
Estes viraram peças de museu e ainda são encontrados como relíquias para vendas em casas de antiguidades. Uma vez, em Tiradentes – Minas Gerais, fiquei encantado com uma coleção desses relógios, todos estilosos e impressionantes. Lembrei das casas dos poderosos fazendeiros.
Relógio, que nos faz recordar da Suíça, ainda é uma coisa fascinante porque está ligado ao tempo, é vida e morte. Desde quando pude adquirir um, nunca mais deixei de ter um relógio no braço. Sem ele, parece que está faltando alguma coisa em meu corpo. É como o chapéu, minha marca ainda não registrada em cartório.
Quanto ao telefone fixo, antes muito caro e não era para todos, caiu em desuso com o surgimento do celular onde as pessoas preferem passar suas mensagens, áudios e vídeos e raramente ligar. Para conseguir um fixo na Telebahia, tinha-se que entrar num fila e pagar um monte de prestações. Tinha também o alugado.
Era um bom investimento que rendia mais que uma ação na bolsa de valores, uma conta na poupança, no setor imobiliário ou um CDC. Existiam ainda os orelhões nas ruas, com fichas e cartões, que me salvaram muitas vezes do aperto na hora de passar uma matéria do interior do sertão para a redação.
O telefone fixo também servia como despertador para você acordar cedo para o trabalho ou para uma viagem. A pessoa ligava para a moça da Telebahia e pedia para lhe acordar. Na hora certa ela tocava e ainda repetia o aviso cinco minutos depois para certificar que a pessoa havia levantado da cama. Não dava para você ficar enrolado na coberta da preguiça.
É isso aí, meu amigo, a tecnologia fez desaparecer coisas boas do passado quando a gente era feliz e não sabia. No entanto, o relógio ainda cai bem no braço de uma mulher elegante e a maioria gosta de ganhar um de presente. A maioria dos homens também não dispensa um relógio e sou um deles. Só não gosto de parar para dar as horas.
O REI REBELDE DO EGITO E O EDIFÍCIO MAIS ANTIGO DA HISTÓRIA HUMANA
O Egito foi uma civilização que surgiu depois dos sumérios e sua grandeza foi forjada ao longo do rio Nilo, conforme relata o jornalista e escritor David Coimbra em “Uma História do Mundo”. Como já citei aqui antes, Akhenaton foi o único rei egípcio que se rebelou contra um mundo antigo. Foi, por assim dizer, um revolucionário.
O grego Heródoto, que visitou a região, escreveu que o Egito foi uma dádiva do Nilo. O país está ali no Oriente Médio, no nordeste do chamado Continente Negro, ao lado de Israel, da Jordânia, do Líbano e da minúscula Faixa de Gaza, num ponto nevrálgico onde hoje o Benjamim Netanyahu, o “Bibi” carniceiro, já exterminou mais de 40 mil palestinos.
Para entrar na terra prometida por Deus, os hebreus que saíram fugidos dos faraós ficaram 40 anos circulando pelo deserto em círculos. Alguns historiadores dizem que foi uma determinação de Moisés enquanto Josué, o estrategista militar, conseguia uma brecha para invadir Jericó.
David Coimbra afirma que foi por causa do Javé ciumento, possessivo e vingativo dos hebreus. Deus pretendia purgar o povo dos seus vícios. No Egito eram escravos e depois homens livres e, para que a Terra Prometida fosse habitada por eles, Javé esperou a extinção de toda uma geração que tinha sido escravizada.
Outra questão controversa é quanto a construção das pirâmides, de que elas foram erguidas por escravos. O autor da obra contesta esta versão e ressalta que foram feitas por agricultores assalariados durante as enchentes anuais do Nilo.
Nesse período eles recuavam para lugares mais altos e iam trabalhar para os faraós. Contam que a primeira greve registrada pela história foi promovida por operários de pirâmides que estavam com os salários atrasados. Os egípcios tinham dificuldade de lidar com a terra e é aí que entram os sumérios com suas técnicas, isto há uns 5,5 mil anos a.C.
Outro fato diz respeito ao edifício mais antigo do mundo. Os arqueólogos continuam nos tempos atuais escavando ruínas. Nas pesquisas encontraram o Gobekli Tepe, uma estrutura de pilares e esculturas parecidas com a inglesa Stonehenge, situada na Turquia. Acreditam ser o mais antigo edifício da história humana.
Os cientistas estão intrigados porque o Gobekli não foi construído às margens do Nilo e nem do Tigre e do Eufrates, na Mesopotâmia, onde nasceu a civilização. Na concepção deles, houve uma mudança fundamental no espírito dos seres humanos que se estabeleceram na Mesopotâmia por volta de oito mil anos a. C. e que isso os empurrou para a civilização.
A história, por não ser uma ciência exata, tem seus pontos controversos. Como assinala Coimbra, na escola aprendemos que Bartolomeu Dias foi o primeiro a dobrar o Cabo da Boa Esperança com suas caravelas.
Historiadores destacam que está errado. Quem primeiro dobrou o Cabo da Boa Esperança foram os fenícios, vinte séculos antes dele, a mando dos egípcios. Por volta de 600 a.C., o faraó Necho II queria descobrir uma forma de navegar a África, na época chamada Líbia. A ideia era sair do Mar Vermelho em direção ao sul e chegar ao Delta do Nilo, no norte do Egito.
Os fenícios eram ótimos marinheiros. Saíram e se foram. Por meses continuaram descendo até que cruzaram o Trópico de Capricórnio. Eles se espantaram quando viram o sol ao norte e, foi por isso, que cruzaram o Cabo da Boa Esperança, no século VI a. C. Subiram pela costa da África e depois de três anos de viagem entraram pelas Colunas de Hércules (Gibraltar) de volta para casa.
NO TIC-TAC DO CORAÇÃO
(Chico Ribeiro Neto)
Meu avô Chico tinha um relógio cuco. Com 5 anos, eu ficava esperando para ver o cuco sair da casinha. Era emocionante. Ali morava o tempo.
Vovô também tinha um relógio de bolso que, se não me engano, usava no bolso do colete. Ali morava a elegância.
O relógio sempre atraiu as crianças. Era bom encostar o ouvido para ouvir o tic-tac. A gente ganhava uns reloginhos de brinquedo, como se dá hoje celular de plástico às crianças.
Seu Zé, numa cidade do interior baiano, comprou um relojão de ouro, mas não sabia ver as horas. O povo descobriu isso porque toda vez que alguém lhe perguntava as horas, ele saía pela tangente: “Moço, não tô conseguindo olhar direito, porque minha vista tá meio anuviada”. A meninada logo descobriu isso e gritava pra ele no meio da rua: “Seu Zé, que horas são?” “Vai olhar embaixo da saia de tua mãe, seu moleque”.
Havia também essa brincadeira: “Que horas são?” “Falta um tiquinho pra daqui a pouco”.
Quando criança, eu ouvia dizer que o Big Ben era o maior relógio do mundo e que “não atrasa nunca”.
Adolescente, adorava dançar ao som de “El Reloj”, do mexicano Alberto Cantoral: “Reloj, no marques las horas/ Porque voy a enloquecer…”
Relógio de pulso tinha que ser à prova de choque e à prova d’água. E tinha que dar corda todo dia. O relógio estava atrasando, você levava no relojoeiro e ele voltava adiantando. Relógio muito barato e que quebrava sempre era chamado de “patacho”.
Além de matar o relógio de pulso, o celular matou também o despertador, além de muitas outras coisas. Em Salvador, na década de 70, a Telebahia tinha o Serviço Despertador. Você ligava do telefone fixo e dizia a que horas queria ser acordado. A telefonista ligava no horário solicitado e também 5 minutos depois, para confirmar se você acordou mesmo. Esse serviço era cobrado extra, à parte de sua assinatura. Lembro que tive um telefone fixo alugado. Comprar uma linha era caro e todo mês eu ia na Barra entregar o cheque do aluguel do telefone. Quem hoje ainda usa telefone fixo?
“O tic tic tic tac do meu coração
Marca o compasso do meu grande amor
Na alegria bate muito forte
E na tristeza bate fraco porque sente dor”
(Trecho da música “Tic Tac do Meu Coração”, de Carmen Miranda).
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
AS BELEZAS DA NATUREZA
Num final de tarde, mistura dos pingos leves da chuva com a luz solar, no sertão da cidade de Anagé, as lentes da minha máquina conseguiram flagrar este belo arco-íris quando vinha de uma viagem de Juazeiro-Ba para Vitória da Conquista. São os encantos e belezas da natureza que os antigos nativos dessa terra consideravam como sinais dos deuses, de castigo ou algum aviso bom ou ruim para suas tribos. Eles deviam se inclinar e fazer suas preces ou rituais de dança. Com a evolução do conhecimento, hoje sabemos que se trata de um fenômeno natural da física, ou reflexo da luz do sol que se explode em cores, as quais, de tanta beleza e alegria, se transformaram em símbolo do gênero LGBT e mais. Bem, não sou físico, mas sei que o arco-íris, como um lindo pôr-do-sol rajado no horizonte, seja no mar ou no sertão, é pura poesia e, quando acontece, todos saem de onde estão para admirá-lo e tirar uma foto, agora mais fácil com o invento da câmara de um celular. Há bem pouco tempo era um privilégio dos fotógrafos profissionais que exibiam e ainda exibem belas imagens dessa nossa natureza cheia de mistérios, infelizmente tão agredida e maltratada pela ação do ser humano. O índio costuma dizer que uma foto rouba a alma da pessoa. Então eu roubei a alma do arco-íris, e o melhor, em pleno agreste nordestino. O arco-íris é uma pintura, não feita pelos pinceis do artista humano, mas pelas mãos do criador universal.
LÁ VEM OS SUMÉRIOS
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Salve! Salve!
Lá vem os sumérios,
Há dez mil anos,
Brutos rebeldes, insanos,
Caçadores e coletores,
Voando como falcons,
Das montanhas do Cáucaso,
Outros do Balcãs;
Invadiram o paraíso
De Eva e Adão,
Do pecado veio a infâmia,
No vale da Mesopotâmia;
Criaram o Crescente Fértil,
Onde espreguiça,
O Tigre e o Eufrates;
Inventaram a agricultura,
Depois a roda e a irrigação,
Canais em toda região,
A escrita cuneiforme,
Da argila do barro,
A divisória uniforme;
Desvendaram os mistérios,
E de lá saiu Abraão,
Para fundar outra nação.
Salve! Salve!
Lá vem os sumérios,
Da Revolução Neolítica,
Que desenharam as palavras,
Fizeram a primeira escola,
Palácios, templos e santuários,
Ritos litúrgicos e política,
Com seus sacerdotes de estola,
E o rei Sargão,
Tirado do cesto das águas,
Enfrentou a maldição;
Fez seu primeiro império,
E assim nasceu a civilização.
Salve! Salve!
Lá vem os sumérios,
Das lendas, mitos e impérios,
Com seus reis sanguinários,
Como narram os fatos,
Dos deuses imaginários:
Tomaram a Síria e a Judéia,
Um deles expulso pelos ratos,
E a espada de Nabucodonosor,
Escravizou os judeus,
Na gloriosa Babilônia,
Dos suspensos jardins,
E Ciro, o persa pastor,
Vindo das glebas sem fins,
Tentou selar a paz e o amor.
Salve! Salve!
Lá vem os sumérios,
Senhores guerreiros da tirania,
Onde hoje é a islâmica terra:
Irã, Iraque e Turquia,
De poeira árida desértica,
Sangue, quizilas e guerra,
Até os cedros do Líbano,
Antigos navegadores fenícios,
Descobridores do além-mares,
Dobraram o Cabo da Esperança;
Juntaram línguas e sílabas,
Com traços, pontos e vírgulas,
Formaram seus lares,
As crianças sem vícios,
No labor de cada dia,
E assim me despeço,
Com meu verso poesia.
TODA TRAMA GOLPISTA DITATORIAL É MARCADA COM BANHO DE SANGUE
Na história da humanidade, todo golpe, seja de direita ou de esquerda, é marcado com banho de sangue, no início ou durante o processo do regime implantado. A tentativa brasileira, agora denunciada pela Polícia Federal, começaria por eliminar os três principais representantes dos poderes executivo, o presidente e o vice, e um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Esse procedimento tirânico e sanguinário é muito parecido com os golpes que costumeiramente acontecem em certos governos africanos. É também semelhante aos russos na Revolução de 1917 com a família do czar Nicolau II e depois com o próprio Lenin. Existe uma tese de que Lenin tenha sido envenenado a mando do próprio Stalin.
Na América do Sul ocorreu em 1973 quando o general Pinochet ordenou a execução do presidente Salvador Alende em seu Palácio através de um bombardeio, com apoio dos Estados Unidos. Houve também casos desse tipo na América Central e na Ásia. Na antiguidade e entre os séculos XIV, XV até o XVIII e XIX, chefes tribais exterminavam primeiro seus adversários no comando.
No Brasil, essa trama golpista, inclusive prevendo possíveis envenenamentos, com mortes antecipadas de membros mais importantes da instituição do poder, eleitos democraticamente pelo voto popular, pelo que eu saiba, é a primeira vez que entra no cardápio de assassinatos. Então, trata-se de um grupo tirânico aos moldes antigos de crueldade.
Os golpes no Brasil, como da República sobre o Império, em 1889, a tentativa de uma ditadura, em 1954, com o suicídio de Getúlio Vargas, e a mais recente de 1964, não estavam em seus scripts a matança de representantes do poder, como João Goulart, Waldir Pires, Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e outros, mas a destituição, prisão e exilamento.
Claro que a partir dali e durante os mais de vintes anos da ditadura civil-militar-burguesa de 64 houve um banho de sangue, com torturas, mortes e desaparecimentos de presos políticos, inclusive Jango, Juscelino Kubistchek e Carlos Lacerda foram eliminados no final do regime para que eles não se candidatassem ao poder.
No caso do ex-presidente capitão, expulso da sua corporação por indisciplina e outras irregularidades, e do seu grupo extremista de tenentes-coronéis e generais, foi uma trama diabólica atípica, diferente dos outros métodos, justamente porque eles não contavam com o apoio geral de comandantes da ativa e tropos das forças armadas do exército, da marinha e da aeronáutica.
Se o bárbaro fato fosse consumado, a maior parte dos brasileiros e do mundo ficariam estarrecidos e chocados. Tenho minhas dúvidas se o “Bozó” não seria também sacrificado, e assumiria, por pouco tempo, uma junta militar de generais e coronéis de pijama. Poderia até acontecer um golpe sobre o golpe.
Com o consentimento e aval do chefão, os caras são uns malucos instigados por extremistas que bem antes foram às ruas pedir uma intervenção militar no Brasil e depois acamparam na frente dos quartéis urrando contra as eleições e a democracia com seus “punhais verde-amarelos”.
Depois do resultado do pleito, em outubro de 2022, o capitão derrotado sumiu de cena. Lembro que alguém me perguntou sobre seu sumiço e respondi que estava conspirando um golpe. Alertei que vinha bomba por aí. A trama já vinha sendo arquitetada antes com as fakes news de fraude nas eleições, mas eles ficaram novembro e início de dezembro armando literalmente o banho de sangue.
Deram com os “burros n´água” e, talvez, seus planos tenham sido atrapalhados pelas próprias manifestações na posse de Lula e Geraldo Alkmin, no dia 12 de dezembro de 2022. Depois teve o oito de janeiro com a invasão do Congresso Nacional, do Supremo e do Palácio do Planalto.
Quanto ao ministro Alexandre de Moraes, este já vinha sendo jurado de morte. Não passam de uns trapalhões perdedores fanáticos do “punhal verde amarelo”, coisa de cangaceiros contra a democracia, a exemplo do primeiro homem bomba tupiniquim do Brasil que nem conseguiu acerta a estátua da Justiça com suas bombas e fogos juninos.
O PRIMEIRO HOMEM BOMBA TUPINIQUIM
Na história da humanidade não sei qual foi o primeiro homem bomba, mas foi coisa do sapiens há 30 mil anos. Pode ter iniciado a partir dos chineses, os inventores da pólvora. De qualquer forma, é uma ação de fanatismo suicida, bem como uma forma “corajosa” de protesto, como do vietnamita nos anos 60 contra a invasão norte-americana.
Os primeiros suicidas que explodiam o próprio corpo apareceram entre os séculos XIV e XVI. Mais recente, na Segunda Guerra Mundial, tivemos os soldados kamikazes japoneses bem treinados que explodiam seus aviões cheios de bombas em terra para destruir seus inimigos, sem promessa de ganhar um lugar no reino dos céus com várias donzelas. O prêmio era se eternizar como heróis pelo imperador.
Existe também o japona que se suicida com sua espada quando se sente envergonhado ao cometer uma ofensa social ou um ato de corrupção. Ele se sente destruído por dentro pelo que fez de errado e prefere tirar a própria vida. Imaginou se os brasileiros topassem fazer isso? A maioria se suicidaria. Não sobraria quase ninguém em Brasília.
No entanto, foram os fanáticos islâmicos do grupo Al-Qaeda, de Osama Bin Laden, que botaram para quebrar, com direito a um harém nos céus. Depois vieram os islâmicos radicais que tentaram criar um califado entre o Iraque e a Síria.
Todos os escolhidos passam por uma lavagem cerebral, são instruídos em escolas e bem treinados para a missão. Tem que ser cabra macho, ou cabra da peste! O assunto aqui é sério, gente, mas vamos tornar mais leve deixando a questão política de lado.
Bem, vamos parar de ôba-ôba e falar do primeiro homem bomba brasileiro tupiniquim, um extremista trapalhão que não conseguiu nem acertar a estátua da Justiça em frente ao Superior Tribunal Federal. Não me importa aqui sua ideologia ou propósito político, mas o cara era uma besta fera mesmo com seus fogos de artifício que nem sabia manejá-los.
Na fuga, o catarinense Francisco Wanderley Luiz, dizem que ele era um chaveiro, depois de várias tentativas, tropeçou e as bombas explodiram em seu corpo. Primeiro foi para Ceilândia, depois alugou um trailer em Brasília e lá foi ele com seus fogos de São João antes do tempo. Um péssimo fogueteiro fazedor de chaves.
Acho que nem tinha intenção de se suicidar. Se ele queria mesmo fazer essa loucura, primeiro tinha que passar por um campo de treinamento no Iêmen, no Afeganistão ou no Paquistão, mas não falou com os caras antes e nem tinha grana para receber uma consultoria profissional! Coisa de doido amador!
Francisco não passava de um marinheiro de primeira viagem que enjoou no mar. Trágico e cômico, não passa de uma história cheia de trapalhadas. Já reparou que o Brasil gosta de imitar as outras civilizações desde os tempos coloniais! Pois é, copia atrasado e também acaba com a imitação tempos depois. Veja o caso dos celulares nas escolas.
Um “terrorista” falso, como a nossa Black Friday (“sexta-feira negra”), um invento comercial dos ianques no século XIX, ligado ao Dia de Ação de Graças. No Brasil começou a aparecer nas lojas em 2010 e virou um mês de enganação ao consumidor. Como tudo aqui se leva na gozação e na piada, passaram a chamar de Black Fraude.
O “Chico” se deu mal em sua intentona revoltosa e levou uma lapada de fogos. Sei que não devemos debochar da miséria dos outros, mas o moço era um tonto perturbado da cabeça. Bem que o Zorro avisou que não ia dar certo e os islâmicos radicais fanáticos devem ter rido das cenas. O super-homem e o Batman não gostaram do que viram, nem o Homem Aranha.
Foi um “auê” de soldados no Planalto, correndo pra lá e pra cá. Nunca tinham visto aquilo de homem bomba no Brasil! Se a moda pega, na próxima vão chamar um instrutor islâmico, mas antes vai ter que decorar o alcorão para ter a recompensa de um pedaço no reino celestial com belas mulheres, de preferência brasileiras.














