agosto 2026
D S T Q Q S S
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  


PROJETOS NA PAUTA DA CÂMARA

Nesta quarta-feira (dia 15/10), a partir das nove horas, mais uma sessão da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista vai debater diversos projetos de interesse da comunidade, como a instituição da Semana Municipal do Aleitamento Humano, dentre muitos outros.

Da parte do parlamentar Miguel Cortês, será instituído o dia cinco de outubro como o Dia Municipal do Rock, celebrado anualmente nesta data. Deverá também ser instituída a Política Municipal de Atenção Integral à Saúde da Mulher com Endometriose.

Ainda nas discussões serão analisadas propostas, como o Programa Vozes da Terceira Idade, que prevê rodas de memória em escolas públicas com a participação de idosos da comunidade, bem como a Semana de Combate à Exposição Indevida, Adultização, Exploração Sexual e Outros Crimes contra Crianças e Adolescentes na Internet, nas instituições públicas e privadas do município.

Além disso, a pauta da sessão inclui projetos de concessão de títulos e de denominação de ruas, que sejam de pessoas que prestaram serviços relevantes à cidade e ao município. Temos as falas dos vereadores que farão suas devidas considerações.

SE LAMPIÃO FOSSE PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Certa vez o “rei do cangaço” e “governador do Sertão”, como muitos o denominavam, disse que deixaria de ser cangaceiro se fosse para ser presidente da República. Aliás, o primeiro a ser chamado “governador do Sertão” foi Antônio Silvino, isto até 1914 quando ferido se rendeu. Ele apelidava Lampião de “meu príncipe”.

Não se sabe ao certo se foi boato, lenda, ou não, mas deve ter sido quando foi convidado a ir a Juazeiro do Norte para combater a Coluna Prestes, por volta dos anos 30. Confundiram o juízo dele que já estava torrado de tanto sol e espinhos.

Pensando bem, já tivemos vários tipos de presidente, até um descendente de cigano, generais da ditadura, uns bons e outros não, uns exóticos e estrambólicos malucos, sem citar nomes. É bom não queimar e poupar os neurônios.

Então, vamos aqui viajar em nosso imaginário do realismo fantástico no caso de Lampião ter sido presidente da República, naquela época, entre o “arcaico” e o moderno.

Seu primeiro ato seria mandar surrar as mulheres de cabelos curtos e com saias um pouco acima do joelho, até correr o sangue em suas carnes. Só Maria Bonita ousou colocar esses trajes para se proteger dos garranchos da caatinga, do agreste e do sertão.

Ah, Maria Bonita seria ministra das Mulheres, com a incumbência de acabar com o cativeiro delas nas famílias. Seria Bom. Dadá poderia até ser ministra da Cultura, para incentivar as artes moralistas escolhidas por ela.

Lampião gostava de ouvir boas músicas em seus esconderijos e dançar o xaxado com seu bando. Adorava uma sanfona. Apreciava também que os fotógrafos tirassem fotos suas para exibir sua força e provocar os governantes. Era dado às artes. No entanto, talvez extinguisse o Ministério da Educação.

O padre Cícero Romão Batista, o seu idolatrado “Padim Ciço” seria nomeado ministro da Justiça, da Moral e dos Bons Costumes. Mandaria degolar Carlos Prestes e seus oficiais, os satanases comunistas vindos lá da União Soviética. Iria sobrar também para os ex-presidentes Artur Bernardes e Getúlio Vargas, com final trágico. A imprensa seria censurada e só pulicaria o que fosse do seu agrado.

Lampião decretaria a religião católica como a oficial do país, como fez o imperador Constantino na Roma do império em decadência. Todas regalias para os padres sacerdotes que deveriam ser venerados pelos fiéis como santos intocáveis, com bons salários.

O misticismo religioso, as superstições, os mandingueiros “fecha corpo” com suas rezas dos santos arcanjos Gabriel e São Jorge seriam preservados e seus praticantes ganhariam um bom dinheiro. Trataria os negros com desprezo, como raça inferior.

Para as outras religiões, ele mandaria queimar todos seus membros nas coivaras nordestinas, ou ordenaria suas tropas fuzilar todos nos paredões. Acabaria com os direitos humanos e nada de liberdade de expressão.

“Zé Baiano”, o grande agiota e ferrador de mulheres, seria indicado como ministro da Fazenda. Ia ter muita grana nos cofres públicos para dividir boa parte entre eles.

Seus “cabras” da peste, como Volta Seca, Gato, que matou toda família, Sabino, Turco Cândido, Xico Pereira, Paizinho Baio, o “Lampião do Agreste”, Jurema, Jararaca, Tenente, Fiapo, Andorinha, Nevoeiro, Gavião, Trovão, Mormaço, Cocada, Pontaria, Cobra Verde, Vereda e tantos outros seriam chefes de polícia ou teriam algum lugar nas pastas dos ministérios.

Corrisco, que chegou a servir o exército, seria comandante-chefe das Forças Armadas, com toda autonomia para praticar suas atrocidades contra qualquer opositor ao seu regime tirânico.

Os “coronéis de patentes”, nem todos, só seus aliados, seriam proclamados governadores das províncias ou dos estados. Para os outros adversários, autorizaria serem eliminados na base do punhal, do rifle e do fuzil.

Não vamos só imaginar coisas ruins e macabras. Como ele violentou muita gente, roubou até dos pobres dando a eles as migalhas das moedas, poderia se redimir de seus pecados hediondos e mandar distribuir muito dinheiro e alimentos para os miseráveis do nosso Sertão Agreste Nordestino. Seria o primeiro presidente a instituir o Bolsa Família.

Para os sulistas, só castigo de carregar pedras para erguer as construções, na condição de escravos. Ninguém mais iria esculhambar e debochar dos nordestinos. Seria um bom patrão para pagar bem os seus asseclas e abraçaria a todos com amizade, com viés marxista, embora de forma inconsciente.

Ordenaria importar perfumes franceses e máquinas modernas do exterior, principalmente as de costurar e bordar. Seu ministro nesta área poderia ser até o Antônio Silvino, desempregado e regenerado, depois de passar mais de 20 anos de cadeia na Casa de Detenção do Recife, ao lado do comunista Gregório Bezerra.

A segurança seria altamente reforçada com pena sumária de morte para os bandidos quadrilheiros. Bandoleiro só admitiria ele como presidente da República. Não que isso aí seria bom e politicamente correto. Mas, esse termo nem existia naquela época.

Acho que está bom, sem mais delongas. Como neste país é tudo falso como uma nota de três e misturado como os destilados, o resto é só vocês colocarem a imaginação para funcionar, se Lampião fosse presidente da República.

O FIM DO CANGAÇO E SEUS MOTIVOS

Desde Jesuíno Brilhante, passando por Antônio Silvino a Lampião e Corisco, entre o final do século XIX até as quatro primeiras décadas do século XX, o cangaço durou mais de 50 anos e viveu seu auge a partir dos anos 1920. Alguns historiadores e pesquisadores falam do “arcaico” ao moderno e outros que houve o pré-cangaço e o cangaço, que vigorou até 1940.

Para entender melhor os motivos que levaram ao fim do cangaço no Nordeste temos que recuar um pouco no tempo quando nas primeiras décadas as forças volantes eram deficientes, despreparadas, mais violentas com a população, corruptas e os chamados “macacos” não podiam atravessar as fronteiras de outro estado em perseguição aos bandoleiros.

Até por volta de 1930, os vínculos dos cangaceiros com os coronéis, donos de engenhos, fazendeiros e os próprios políticos eram mais fortes e muitos contavam com os serviços deles para resolver encrencas com seus adversários. Isto tudo começou a ser desmantelado no Governo de Getúlio Vargas, com o fim dos “coronéis de patentes” que representavam a Guarda Nacional criada a partir de 1831.

Por outro lado, os estados nordestinos, em sua maioria, fizeram um pacto ou acordo de ajuntamento das forças para combater o cangaço, abolindo a proibição de uma força de uma província entrar na outra para lutar contra o banditismo. Esta medida contribuiu em muito para enfraquecer o movimento.

O autor da obra “Os Cangaceiros”, Luiz Bernardo Pericás, destaca que a quantidade de foras da lei no Sertão e Agreste nordestinos no final do século XIX e nas quatro primeiras décadas do século XX causou grande impacto econômico e cultural na região.

O pesquisador cita que teriam lutado, somente ao lado de Lampião, durante os anos em que esteve em atividade, mais de quinhentos bandoleiros. Há estimativas que tenha havido mais de mil baixas de ambos os lados, ou seja, polícia e criminosos. Optato Gueiros chega a afirmar que só em Pernambuco, onde o cangaço foi mais atuante, foram presos ou assassinados mais de mil cangaceiros.

Pericás aponta que os aspectos tecnológicos, logísticos, humanos e políticos tiveram grande contribuição para pôr fim ao cangaço. Após o assassinato de Lampião, o único “grande “ cangaceiro que restou foi Corisco, que não tinha as mesmas habilidades e qualidades do companheiro. Como a maioria se rendeu, o número de asseclas que poderia seguí-lo se reduziu em muito.

“Uma atuação maior da polícia, ofertas e garantias de vida para os que se entregassem, aperto ao cerco contra os bandidos, utilização de armas pesadas e modernas por parte das tropas, aumento de verbas federais para o combate aos quadrilheiros, a vontade política de Vargas para acabar com o banditismo que manchava a imagem do Brasil lá fora, a perda da força dos “coronéis”, a perseguição aos coiteiros, a presença da União nos assuntos do Sertão, foram alguns dos motivos para o término do cangaceirismo”.

A filmagem de Virgulino por Benjamim Abrahão Botto, mostrando ao mundo a existência de uma país supostamente “arcaico” e atrasado, fora da lei, que afrontava e desrespeitava a ordem jurídica vigente no novo regime, foi a gota d´água para eliminar os cangaceiros.

Luiz Pericás assinala ainda ser importante lembrar que muitos “coronéis” perderam seu prestígio e deixaram de apoiar os bandos. Muitos oficiais da polícia corruptos, que forneciam armas para os grupos, resolveram parar de negociar e seguir as ordens das autoridades estaduais.

A quantidade maior de soldados, todos dispostos e bem armados, dificultou a ação dos bandoleiros e fez com que muitos abandonassem o crime. Nos tempos passados, os “macacos” e sertanejos contratados para o combate recebiam pequenos soldos atrasados e, às vezes, até com dinheiro falso dos próprios governantes. Não existiam motivações por parte das volantes que eram mais violentas com o povo do que os próprios cangaceiros.

CONVÉM NÃO MISTURAR

(Chico Ribeiro Neto)

Há alguns anos me contaram: “Tem lugar na Bahia em que entra um caminhão de cachaça e saem dois”.

O Brasil já registrou duas mortes pelo consumo de bebidas com metanol, além de 181 notificações, das quais 14 casos confirmados em laboratórios. Cachaça contaminada por metanol deixou 37 mortos na Bahia em 1999.

Adulterar, “batizar”, misturar, isso é coisa que, infelizmente, acontece em todo lugar do Brasil.

Quem nunca achou um caroço de milho ou uma pedrinha no feijão ou no arroz?

Conheço uma baiana de acarajé que deixou de comprar o saco de camarão seco com 10 quilos. “Vinha de tudo misturado. Pequenos búzios, sirizinhos e pedrinhas. Isso tudo junto dava quase meio quilo ou mais”.

Conheço um dono de padaria que uma vez comprou 10 latas de manteiga, cada uma com 10 quilos, por 300 reais. O vendedor trouxe uma lata aberta, de onde retirou manteiga de verdade, e o dono provou. O preço estava ótimo (na época, o quilo de manteiga custava 6 reais e para ele ia sair por 3) e ele deu logo o cheque.

No fim da tarde, abriu a primeira lata e tomou um susto: era batata batida. Abriu as outras 9 latas e só tinha “purê”. Tentou sustar o cheque, mas já tinham descontado. Na época, os malandros aplicaram o golpe em vários estabelecimentos comerciais da Vasco da Gama e do Nordeste de Amaralina.

No interior da Bahia era frequente se colocar água na cachaça vendida em barris, aquela pinga sem marca e que era chamada de “lava jega”. O que nunca me fez mal foi a cachaça com jiló da Barraca de Seu Izidro, em Salvador.

A tramóia parece que é mundial. Um grupo de pescadores nos Estados Unidos todo ano ganhava um torneio de pesca, até que um ano descobriram o golpe: eles enfiavam bolinhas de chumbo goela abaixo dos peixes para pesarem mais.

De volta ao Brasil, muitos postos de combustível vendem gasolina com um percentual de etanol acima do permitido. Aí o carro começa a falhar, surgem vários problemas no motor.

Confesso que eu também já misturei. Quando tinha uns 10 anos, eu e meu irmão Cleomar, então com 12 anos, colocamos uma rolimã no meio de um pacotão de jornais velhos e o vendemos para um açougueiro (a carne era embrulhada em jornal) na feira do Largo 2 de Julho. Ele pesou, pagou e a gente se picou.

Nem toda mistura é ruim. O molho da baiana melhorou o prato do Tio Sam. Tem coisa melhor do que misturar feijão com arroz e farinha?

Uma vez, o cronista Carlinhos Oliveira, do Jornal do Brasil, e Tom Jobim saíam de um bar às 5 da manhã, no Rio, e Carlinhos perguntou a Tom:

“Vamos tomar um táxi?”

“Convém não misturar”, respondeu o compositor.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 

 

 

 

PROJETOS EM PAUTA NA CÂMARA

Nesta sexta-feira (dia 10/10/25), a partir das nove horas, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista, em sessão ordinária, vai colocar em pauta diversos projetos em discussão, todos de fundamental importância para a população, onde muitos devem se fazer presente na plenária, sem barulhos e conversas paralelas.

Estará em debate a criação de uma Comissão Especial para acompanhar o destino e projetos referentes à área do antigo Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, uma proposta do parlamentar Xandó. Essa área, que era pertencente à União, se tornou uma polêmica e os conquistenses devem ser ouvidos. Muitos desejam que ali seja implantado o Centro Administrativo como forma de desafogar o centro da cidade. A Casa precisa ser mais transparente.

A sessão vai discutir também a realização de uma audiência pública sobre o transporte coletivo, iniciativa do presidente Ivan Cordeiro. Assunto de relevância, mas que se deve pensar também numa sessão especial sobre a situação da cultura em Conquista.

A vereadora Gabriela Garrido vai propor a realização de uma sessão especial para lançamento oficial do Projeto de Castrações. Será aprovado ainda a solicitação de Tribuna Livre feita por Vanderleia Santos Marinho Moraes, que irá falar sobre as dificuldades de trânsito da estrada de acesso do Povoado de Baixão.

O LIXO E AS FLORES

Difícil falar de lixo e flores, duas coisas que se parecem antagônicas, mas que juntos, com métodos de reciclagem, podem dar belos resultados. É um tema desafio para os poetas transformarem em poesia, extrair o visível do invisível. Nossas lentes conseguiram fazer esse encontro, se bem que um distante do outro numa amostragem nada agradável para o lixo. Primeiro, na porta de uma floricultura, uma das mais antigas de Vitória da Conquista, na praça que fica ao lado da rua Laudicéia Gusmão, um monte lixo contrasta com as flores. Segunda tomada, um terreno vazio cheio de lixo no loteamento Sobradinho (Zabelê) que só atrai insetos, ratos e mau cheiro. Quem gosta de ver lixo em sua porta? Esta é uma outra face, ou imagem feia, do outro lado da nossa cidade que é pouco mostrada. As pessoas ainda trazem lixo e outras tralhas das suas casas e jogam nesses terrenos. O poder público e os moradores são os maiores culpados por esse desastre.  O terceiro ponto é que o lixo pode gerar belos canteiros de flores, quando ele é reciclado, triturado, fermentado e seus compostos transformados em adubo para uma variedade de plantas, inclusive em culturas agrícolas, cujos frutos irão parar nas mesas dos seres humanos. Dentro desse conceito e nesse contexto, o lixo e as flores viram poesia num casamento perfeito. Infelizmente, ainda impera dentro de nós o instinto de degradar o meio ambiente, e o lixo e as flores são visões distintas e divergentes.

A DOR FÍSICA E A ESPIRITUAL

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Na essência da vida existencial,

Qual a pior dor,

A física ou a espiritual?

 

Cada uma na sua cada qual:

A matéria acha que é a física,

A filosofia que é a espiritual,

E delas se inspira a poesia,

Na dor de José e Maria.

 

Uma é canibal da outra:

A física aniquila a mente,

A espiritual se fecha como ostra,

E as duas são viscerais da gente.

 

Tem a dor do câncer,

Aquele que não tem cura,

Tem a dor da fome,

Que até o juízo, consome,

Tem a dor da tortura,

Nos porões da ditadura,

A dor de dente, persistente,

Que deixa a alma em chama,

E a terminal no leito da cama.

 

Tem a dor do amor perdido,

Que rasga por dentro o peito,

A dor do luto da perda,

Daquele ente querido,

Do material ao metafísico,

É o espiritual roendo o físico.

 

Entre a física e o espiritual,

Existe aquela enigmática,

Que nem explica a matemática,

É a dor mortal

Daquele suspiro final,

Que nos leva para o além,

E não está no saber de ninguém.

COMO RESGATAR NOSSA JUVENTUDE?

Alguém aí tem alguma alquimia, mágica ou teoria dialética socialista marxista, ou outra que não seja radical de imposições ideológicas, para resgatar essa nossa juventude, tragada pela internet, anestesiada pelos cultos evangélicos e outras matrizes religiosas?

Não que seja contra a se ter uma religião, mas a nossa nova geração está sendo arrastada a viver num mundo alienado e fanático da onda gospel e das marchas em louvor a Jesus. Antes arrastava multidões para discutir e lutar por direitos humanos, democracia, justiça e igualdade social.

Os nossos jovens de hoje (nem todos) tornaram-se apáticos à política e não querem tomar conhecimento e nem saber sobre os problemas cruciais que afetam o nosso país ou a nossa própria aldeia em que vivemos.

Eles preferem o comodismo e a se integrarem às campanhas de doações de cestas aos pobres do que ter seus ideais de mudanças dentro do ser humano. Perderam a noção de que o homem animal não precisa somente do alimento para viver.

Não estou aqui generalizando os fatos, mas a grande maioria não se interessa mais se envolver com política e nem está mais aí para os absurdos dos políticos que governam e legislam em causa própria.

São poucos os que marcham nos protestos e manifestações. Não mais valorizam o conhecimento, o saber e a cultura. Para eles, a história do passado é apenas um passado que passou, e nada mais que isso. Estão entalados na onda do consumismo e idolatram mais o ter do que do ser.

Sem conscientização política, eles andam por aí ouvindo pastores fanáticos, treinados em lavagem cerebral. O mais lamentável é que a maioria nem tem mais uma ideologia definida e se tornou uma camada amorfa, sem cor e sem cheiro, presa ao mundo da tecnologia, das virilizações virtuais e ao besteirol.

Esta nossa juventude está mais preocupada em aprender a apertar um parafuso, montar uns chips, fazer um curso técnico para ganhar dinheiro lá na frente, do que ocupar alguma parte do seu tempo e espaço para a leitura de um grande escritor.

Quem criou essa juventude para ser massa de manobra e ser utilizada como inocentes úteis? Não é difícil responder essa resposta, basta observar esse cenário em épocas de eleições onde se muda alguma coisa para tudo continuar no mesmo lugar.

Tudo foi planejado e calculado por esse sistema de poder que, aos poucos, foi destruindo nosso ensino educacional e a nossa cultura, com a finalidade de gerar um povo sem esclarecimento e ignorante, para não incomodar seus planos maquiavélicos.

“DIA DO NORDESTINO”

Não poderia deixar passar em branco o “Dia do Nordestino”, comemorado todos os anos em 8 de outubro. O nordestino é o sertão profundo de gente simples sofredora, diferente do cerrado cheio de águas e cachoeiras do famoso escritor Guimarães Rosa, se bem que aqui também temos corredeiras.

Com todo respeito ao grande “Rosa”, mas lhe parodiando, tenho dentro de mim a “Caatinga Veredas”, que nos leva às histórias de lutas, do cangaço, da Coluna Prestes, dos misticismos religiosos, dos milagres, do Conselheiro, do “Padim Ciço” e demais personagens que fazem parte da nossa cultura.

Foi aqui em nosso Nordeste, que possui o único bioma do mundo, que proliferou a poesia de cordel e gerou grandes escritores, como Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Câmara Cascudo, José de Alencar, Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna, dentre tantos outros, sem falar nos baianos Ruy Barbosa, o Águia de Haia, e no poeta dos poetas, o condoreiro Castro Alves com suas “Espumas Flutuantes”.

O nordestino é o Nordeste dos repentistas, dos trovadores, contadores de causos e chulas, dos grandes compositores músicos como Zé Ramalho, Geraldo Vandré, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga, com sua sanfona ao som de “Asa Branca”, que voou pelo mundo a fora, Humberto Teixeira, Zé Dantas, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Capinam, Tom Zé, Novos Baianos e toda uma geração conhecida internacionalmente.

Neste “Dia do Nordestino”, quero também falar da nossa terra de bravos, mulheres e homens anônimos que fizeram e fazem parte da nossa história e da nossa rica cultura, cheia de mistérios, fé e religião. Nosso sertão é único, cinzento nos engaços e bagaços, misturados com o mandacaru, e verde e colorido quando chegam as trovoadas de final de ano.

O nordestino tem um cheiro próprio e peculiar. Brilha em seus olhos a paisagem do seu solo. Sua pele é queimada e mestiça do sol onde exala pura poesia. Em seu sangue corre a arte como matéria-prima em suas diversas linguagens. O nordestino é também o Nordeste dos retirantes, dos caminhões paus-de-arara que daqui saíram na “Triste Partida”, de Patativa do Assaré, para construir São Paulo e outras terras estranhas. O nordestino é o retorno de saudades pelo torrão querido.

O nordestino é o Nordeste da Bahia, dos heróis que consolidaram a independência do Brasil, do Maranhão, do Ceará, do Piauí, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas e Sergipe. O nordestino é o São Francisco, o “Velho Chico”, ou melhor, o Opará indígena, com suas águas dando vida aos ribeirinhos, banhando nossas margens e abrindo canais de irrigação para nossa agricultura.

O nordestino é esse Nordeste que reverencio, do qual tenho orgulho de dizer que dele sou filho, e repudia os preconceituosos e racistas que em muito contribuíram para que houvesse essa desigualdade regional, desde os tempos coloniais. Daqui exploraram nosso suor e ainda nos chamam de atrasados, mas, como diz a Bíblia, perdoai Senhor, porque eles não sabem o que dizem.

NORDESTINO TININDO

Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem ao “Dia do Nordestino”

Meu compadre, seu menino!

Nós somos é nordestino:

Carne dura como reio,

Mas não somos boi de rei;

Canga para seu roçado;

Garranchos para sua coivara,

Nem mais cego em tiroteio;

Escravo cabresto da sua lei,

Nem levar tapa na cara.

 

Moço, nós somos é nordestino!

Pernambucano, paraibano, baiano,

Potiguar, sergipano e alagoano:

Filhos do guerreiro Tapuia;

Das “ pracatas”, gibão e jibeira,

De embornal e subselentes;

Fazedor de casa, cancela e porteira,

Comendo rapadura e água na cuia,

Na construção e no canavial sulino.

 

É, seu moço, nordestino tinindo!

Marcado a ferro, como boiada;

Cascalho vermelho de estrada;

Manobra de coronel sacana;

Cabra de embolada, repente e toada,

Que viveu no breu do ensino;

Sefardita, moçárabe-marroquino,

Caboclo índio-mulato bem-vindo.

 

Somos do torrão nordestino!

Da adaga do sol brandindo;

Não mais carne moída de patrão,

Nem tralha velha de porão,

Bicho de pé e barriga d´água,

Nem alma penada que vaga.

 

Se preciso, arma em punho!

Gente guerra a guerrear,

Em empreitada de destino:

Assim é o nordestino tinindo,

Com foice, machado e facão:

Chapéu de couro na cabeça:

Nos garranchos, vaqueiro valente,

Mesmo que ao inferno desça,

Pra realizar seu sonho sonhado,

De nunca mais ser rascunho.

 





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia