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VIELAS NOTURNAS

De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, extraído do seu livro NA ESPERA DA GRAÇA

Pelas esquinas e avenidas curvas:

Raios de luzes deslizam no asfalto;

Cada alma busca suas curas;

Sangue risca no assalto,

Saído das vielas noturnas.

 

Nesse existir só valem fortunas;

Na mente,

Aquela senhora calma-serena,

Que via o invisível,

Atrás da sua lente,

E o olho da câmera,

Meus passos vigia;

Rogo ao tempo

Que não nasça o dia,

Para vagar eterno

Nessas vielas noturnas.

 

A noite invade a madrugada;

No lixo colho osso e uma salada;

Os prédios,

São como caixões de urnas,

Na solitária dor das vielas noturnas.

NÃO SE VIAJA MAIS COMO ANTIGAMENTE

Acho que nunca ouvi ninguém dizer que não gosta de viajar! Sempre se diz que viajar é conhecer pessoas, outras culturas e adquirir conhecimento e saber, mas muita coisa mudou nos últimos tempos com o advento da tal tecnologia, principalmente do celular.

Seja de ônibus, de avião ou carro particular (no passado tínhamos o saudoso trem), as pessoas ao lado se comunicavam muito mais durante a viagem. Entabulavam uma boa prosa e, no destino final, cada um se tornava conhecido do outro. Tornavam-se até amigos que depois se correspondiam pelo resto da vida.

Fui ao Rio de Janeiro semana passada de avião, meu amigo, com conexão em Guarulhos, fazendo o mesmo percurso na volta, e fiquei observando o comportamento das pessoas. Parece que não pertencemos mais à espécie humana. Aliás, até acho que não sou mais dessa espécie!

Antigamente, isto há uns 30 ou 40 anos, a pessoa antes de se sentar na cadeira – era espaçosa – ia logo dando um bom dia, boa tarde ou boa noite. A partir dali se começava um papo saudável que você nem sentia passar o tempo. Até quem tinha ou ainda tem medo de avião, terminava se descontraindo, se relaxando. Nem dava para perceber a turbulência, ou quando ocorria, o outro lhe acalmava.

– Olá, você mora aonde e vai para onde? Vai a passeio ou a trabalho? Ah, se ainda não conhece a cidade, vai gostar! Não deixe de visitar tais e tais pontos. Já fui várias vezes e adorei, sempre estou voltando lá. A conversa ia se esticando tanto que duas horas mais pareciam dez minutos.

Hoje o passageiro entra no ônibus ou no avião com a cara fechada, de celular na mão, e nem faz uma saudação.  Se puder lhe dar um chega pra lá, como se o outro não passasse de mais um animal inimigo, um bicho a lhe atormentar.

Na ida, por desatenção, sentei na poltrona errada, ao lado da janela. – Este lugar aí é meu. Você está na cadeira errada – disse de lá o sujeito que quase nem olhou para mim. Nem ao menos considerou minha idade. A gentileza é zero e não adianta puxar conversa.

Fiquei apertado entre dois idiotas de cabeça baixa grudados no celular durante quase duas horas de viagem. Como levei um livro, prontamente abri meu velho sábio amigo e fui proseando com ele. Mesmo concentrado na leitura, não conseguia e não consigo entender como o ser humano mudou tanto, e para pior!

Imaginei os velhos tempos de repórter quando voava pelo Brasil a trabalho. Os parceiros ou parceiras de cadeiras, bem mais confortáveis e com serviço a bordo de primeira, iam jogando conversa fora e até tomando uma bebida. A aeromoça, como se chamava, lhe cumprimentava com um sorriso no rosto. Tudo isso se acabou.

Ah, que saudades daqueles tempos! Viajar de avião atualmente é aquele tédio, a começar pelo aeroporto. É aquela checagem ou secagem que só falta lhe deixar de cueca, ou calcinha, se for mulher. Se você inventar de tomar um cafezinho simples numa lanchonete, custa dez reais.

Quando decola, lá vem aquela gente com um carrinho lhe dando um saquinho de plástico com uns grãos de batatinha com gosto de papel, uma água ou uma merda de um refrigerante. Na cadeira, você mais parece um sanduiche que não dá nem para estirar as pernas.

Nas cidades grandes, você vai visitar os pontos turísticos e lá está aquele moço ou moça sisudos lhe dando ordens. Ninguém fala com ninguém nas ruas, num bar, num restaurante ou ponto de ônibus. É cada um com o celular na mão. Nem peça uma informação que a pessoa não lhe ouve, a não ser que se dê um grito para o estúpido. Cuidado, ele pode lhe esmurrar!

SÓ SOBROU O VELHO BENDENGÓ

Numa tragédia anunciada por negligência do governo federal, do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional e dos dirigentes do Museu Nacional, a instituição cultural, memória maior do nosso país, foi vítima de um trágico incêndio, em 2018, e só sobrou o meteorito Bendengó, descoberto em 1784, na região de Monte Santo, na Bahia.

Estive lá esta semana visitando a Quinta da Boa Vista, residência oficial de D. João VI, D. Pedro I e II e, mais uma vez, vieram aquelas imagens das labaredas destruindo literalmente o nosso patrimônio nacional, tudo porque os nossos governantes pouco dão importância para a nossa cultura. Foi mais uma história que se perdeu.

Para tapear os brasileiros, depois de sete anos, reabriram somente a entrada com algumas peças e quadros onde narra a história da Quinta, com destaque para o meteorito, cujo processo de transporte se deu em 1887 por D. Pedro II, finalizando em 1888, ano da libertação dos escravos.

Sobre o Bendengó, foi encontrado por um menino que pastoreava gado na região. A primeira ideia era de levá-lo para Salvador, mas o peso dificultou o transporte e acabou caindo no riacho do mesmo nome. Em 1887, D. Pedro II, através de cientistas europeus, ordenou que o meteorito fosse para o Rio de Janeiro, capital do império.

O processo foi feito mediante a construção de uma carreta especial que podia se mover sobre trilho e rodas. O meteorito chegou em 1888 e foi entregue ao arsenal da Marinha. Posteriormente foi transferido para o Museu Nacional e, naturalmente, o meteorito resistiu ao fogo anunciado.

A Quinta da Boa Vista, onde hoje está estabelecido o Museu Nacional, foi criada em 1803 quando Elias Antônio Lopes construiu um casarão no local. Mais tarde tornou-se residência da família real portuguesa no Brasil, renomeada Quinta da Boa Vista devido à sua localização com vista para a Baia de Guanabara.

A área era uma fazenda dos jesuítas, sendo desmembrada e transformada em propriedade privada do senhor Elias Lopes, após a expulsão da ordem. Em 1808, a Quinta foi doada a D, João VI e se tornou residência oficial da família real até a proclamação da República, em 1889.

Depois disso, o palácio foi adaptado para abrigar o Museu Nacional, e a área em redor foi transformado num parque público bastante aprazível para o lazer das pessoas que passam o tempo com o celular na mão, ao invés de um livro. A Quinta também inclui o Jardim Zoológico.

Todo o museu, por total negligência (os culpados deveriam ter sido punidos) foi destruído pelo fogo em 2 de setembro de 2018. O incêndio começou no auditório e consumiu a maior parte do acervo de mais de 20 milhões de itens e causou danos significativos ao prédio naquela noite de terror.

Foram retiradas algumas obras dos escombros naquele ano, mas a recuperação da fachada e do telhado só teve início em 2021, o que demonstra, mais uma vez, desprezo pelo nosso patrimônio histórico no Brasil que, em geral, não é preservado e conservado como deveria ser.

O incêndio teve início em razão de uma falha no sistema de ar condicionado em um dos auditórios. Um curto-circuito deu início às chamas. A instalação elétrica apresentava irregularidades, incluindo falta de aterramento e disjuntor inadequado, coisa de casa antiga onde o dono não cuida e até faz “gatos”.

De acordo com informações dos próprios dirigentes, que foram premiados em seus cargos, toda reconstituição do Museu Nacional só será concluída em 2028. “Foi negligência mesmo” – disse um funcionário em conversa reservada. Esse é o prazo que eles dão, mas, como estamos no Brasil, essa data pode se estender para além de 2030.

Só para se ter uma dimensão de como aqui não se dá a devida atenção para a nossa memória, sempre se alegando falta de recursos, um ano depois, em 2019, um incêndio destruiu também a Catedral de Notre-Dame. Sua reforma milionária já foi concluída pelo governo francês. Aqui fica-se dependendo de doações e ainda superfaturam os serviços.

Sobraram também as marcas do incêndio nas paredes

OS 15 ANOS DE UM ENCONTRO CULTURAL

Foi num inverno friento como este, em 2010, que nasceu o Sarau a Estrada, naquele ano com o nome de “Vinho Vinil” entre os amigos Jeremias Macário, Manno Di Souza e José Carlos D´Almeida. Dalí surgiu um grupo cultural que perdura até hoje sendo realizado de dois em dois meses no Espaço Cultural do mesmo nome. A ideia inicial era somente reunir artistas, intelectuais e amigos para só ouvir vinis e tomar vinho, com objetivo principal de valorizar os velhos “bolachões”. O bom som combinava com a bebida. Os anos foram se passando e mais gente foi chegando até que criamos o formato de sarau, com o nome de A Estrada, com debates de um tema na abertura, cantorias de violeiros, contação de causos e declamação de poemas. De lá para cá realizamos diversos projetos culturais, com apresentação em público, até sermos reconhecidos pelo Conselho Municipal de Cultura com o troféu Glauber Rocha. Agora estamos completando 15 anos de existência e vamos fazer uma comemoração a esta jornada estradeira, no próximo dia 26. Além das atividades culturais, sempre nos acompanharam a bebida e a comida, tudo dentro da cordialidade e da paz. Vamos também prestar uma homenagem aos que partiram para outra dimensão e deixaram suas contribuições na troca de ideias, conhecimento e saber. Resistimos até o período da Covid, de 2020 a 2022, com lives e vídeos de textos poéticos divulgados nas redes sociais. Nossas lentes fotográficas registraram um flagrante desses memoráveis encontros. Nossos abraços e nossos agradecimentos a todos companheiros estradeiros.

QUEM TEM MEDO DE ALMA?

(Chico Ribeiro Neto)

As portas rangem, as janelas batem sozinhas e as lâmpadas ficam acendendo e apagando. É sinal de assombração.

Em Ipiaú (BA), Tio Rubens reunia todo mundo na sala de jantar, à noite, pra contar casos de assombração. Ele apagava a luz do corredor, só deixava a da sala, para criar mais o clima.

Uma das histórias era a de um homem que vinha à noite dirigindo por uma estrada quando viu um corpo no acostamento. Parou o carro, foi lá e era um homem morto. Chamou logo sua atenção um belo anel de brilhante no dedo. Ele tentou tirar o anel, não conseguiu e aí puxou o canivete, cortou o dedo do defunto e foi embora.

Dois anos depois ele passa pela mesma estrada, à noite, e vê um homem todo de preto pedindo uma carona. Para o carro, o cara entra e começam a conversar. Quando chegam na cidadezinha onde o carona vai saltar, o motorista se despede dele e, ao apertar sua mão, vê que lhe falta um dedo e pergunta:

“Por que você não tem um dedo?”

“Ah, moço. Uma vez, eu estava morto numa estrada  passou um sujeito, tentou arrancar meu anel, não conseguiu, e aí cortou meu dedo”.

“Que absurdo! E você sabe quem foi?”

“FOI VOCÊ!!!” (gritava Tio Rubens e todo mundo estremecia).

No final, quem tinha coragem de ir pro quarto dormir? Deitado na cama, ouvia barulhos esquisitos, passou um vulto no corredor e via as telhas se mexerem.

Quem não ouviu histórias do lobisomem? Segundo a lenda, o lobisomem é um homem que se transforma numa criatura semelhante a um lobo e que aparece nas noites de lua cheia a partir de meia-noite. Sua aparição vem acompanhada de cheiro de carne podre e de enxofre. Na Roma antiga já havia lendas sobre o lobisomem, segundo historiadores.

Um contraponto. A peça “Pluft, o fantasminha”, escrita por Maria Clara Machado em 1975, é sucesso até hoje. Pluft é um fantasminha diferente, que tem medo das pessoas. Sua vida dá uma reviravolta com a chegada de Maribel, uma menina sequestrada pelo pirata Perna de Pau, e os dois fazem uma grande amizade na luta contra o vilão.

Segundo Rosane Svartman, “Pluft é uma história bem atual, fala do medo do que é diferente e de como o afeto pode vencer o medo. Pluft tem medo de tudo que não conhece e ele conhece muito pouco do mundo. Daí vem o grande medo de gente, algo que nunca viu”.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

DO ALGODÃO E DA CANA

De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, extraído do seu livro NA ESPERA DA GRAÇA

Na mistura da pluma do algodão,

Com o melaço engenho da cana,

Nasceram o blues e o samba,

E os dois acorrentados vieram,

No aço do negreiro navio porão,

Arrancados da mãe nação africana.

 

Das lavouras do algodão veio o blues,

No lamento Mississipi e do Alabama;

O samba jorrou do bagaço da cana,

Ao som dos tambores do terreiro baiano,

Com a dança dos bantos aos seus santos,

No pilão do café com cuscuz nigeriano.

 

Das marcas dos chicotes lacerantes,

Do branco ianque norte-americano,

Do suor escorreu a saudade do Congo,

Onde o filho em seu peito amamentou,

Cresceu livre igual a ave e o calango,

Em sua tribo com sua gente de cantantes.

 

No castigo do tronco gemido de dor,

E no estupro das escravas africanas,

Chorando em seu leito o sujo sêmen,

Do escravista senhor que na noite vem,

Germinaram o blues, o samba e o sonho,

De uma igualdade que ainda não chegou.

 

No pisado do blues, e no passo do samba,

Ainda estão abertas feridas das chibatas,

Cicatrizes do eito do algodão e da cana,

Dos negros fugidos, caçados nas matas,

Para escapar dos horrores da escravidão,

Que manchou de sangue nosso chão.

 

 

 

 

SÃO ESSES OS INDIVÍDUOS QUE SEMPRE DIZEM SER PATRIOTAS?

Não estou aqui de forma alguma a defender o presidente da República, mas a soberania do nosso país que foi atacado e retaliado por um maluco neonazista dos Estados Unidos, instigado por um bando de indivíduos do mesmo quilate que sempre abre a boca suja para dizer que é patriota.

Esse grupo de extremistas fascistas conseguiu iludir parte do nosso povo inculto com aquele velho slogan de pátria, família e tradição. Certa vez, o ex-presidente capitão (evito falar o seu nome) virou para a bandeira dos ianques e declarou que para ela batia continência. A esta altura o nosso empresariado deve estar pensando que a culpa toda é de Lula.

Seu filho, o do capitão, expulso do exército, pediu licença da Câmara dos Deputados para morar nos Estados Unidos, com o propósito de fazer lobbie junto aos republicanos para mandar seu presidente Trump, outro golpista, atacar desaforadamente o Brasil, ameaçando de retaliações com taxações em nossos produtos de exportação.

Não é o presidente Lula o prejudicado, mas o Brasil como um todo. É assim que essa família de desajustados pratica o patriotismo? Seus seguidores imbecis embarcaram nesse barco furado e podre para cometer atentados contra a democracia, indo para as ruas com faixas e cartazes pedindo intervenção militar, ou seja, um governo ditatorial.

O ato de oito de janeiro de 2022 foi uma cena horrorosa, digna de uma corja de trapalhões que caíram do trapézio e se esborracharam no chão porque não contou com o respaldo total das forças armadas.

Se tivesse ocorrido um golpe com as armas das tropas, o capitão Bozó e seus filhos seriam os primeiros a serem presos e uma junta militar iria governar o país com seus coturnos ditatoriais. Esses seguidores não passam de inocentes úteis que não têm a mínima dimensão do seja uma ditadura, um regime de opressão.

Com o depravado do Trump, os Estados Unidos hoje, pela primeira vez em sua história, estão vivendo uma disfarçada ditadura. Este país não é mais aquele do Thomas Jefferson e do Abraham Lincoln, libertador dos escravos e defensor da democracia, mesmo se tratando de uma população originalmente evangélica conservadora.

O que mais lamento em tudo isso é que uma grande parte da nossa população alienada burguesa é fascinada por esta nação de cultura superficial, com gosto de papel e sanduiche, que nem sabe geografia mundial, nem onde fica o Brasil, a Argentina ou o Chile.

Não consigo entender como os nossos jovens e turistas endinheirados se humilham de joelhos nas embaixadas e consulados norte-americanos para obterem um passaporte de entrada. Antes de conseguir essa permissão, são sabatinados com todo tipo de pergunta e ainda devassam suas vidas.

Agora mesmo o Trump impôs que antes de liberar um passaporte para brasileiro (outras nações também estão inclusas no rol) a embaixada ou consulado faça uma severa investigação nas redes sociais sobre a vida do pretendente. Quem já visitou Cuba não pode ser “agraciado” com a entrada. Lá, o brasileiro é visto como um marginal, um bandido, suspeito como terrorista ou um índio saído da floresta.

Mesmo assim, essas pessoas se submetem a tamanha humilhação para visitar Nova Iorque, a Disney ou outra capital de gente imperialista que se acha uma raça superior. Na concepção dos norte-americanos, eles são os únicos enviados de Deus e o resto faz parte do eixo do mal.

Harvard, a universidade criadora de robôs humanos, famosa pela sua maestria em lavagem cerebral, é a mais cobiçada pelos nossos jovens estudantes. Depois de anos, o cara sai de lá arrotando, com toda sua arrogância e mente monetarista desumana, que é detentor de um diploma da Harvard.

Em pleno século XXI ainda não conseguimos superar o complexo de vira lata, como o cronista Nelson Rodrigues classificava o brasileiro. Uma prova disso é que até hoje um norte-americano quando chega ao Brasil é visto e tratado como um deus. A primeira coisa que ele faz é mijar no aeroporto.

Precisamos ter amor próprio, não importando se a pessoa é de direita ou de esquerda. Trata-se de uma questão de consciência política e de defender a nossa soberania. Isto sim, é ser patriota de verdade, não essa gente que faz o contrário e age por vingança e ódio pessoal.

A FARRA DOS PARLAMENTARES COM AS ESCANDALOSAS EMENDAS

Será que esses deputados federais e esses senadores que tanto cobram redução de gastos do governo federal, para ajustar o déficit fiscal, abriram mão das escandalosas emendas parlamentares de cerca de 50 bilhões de reais, a maior parte usada para suas corrupções? Claro que não!

Quase todos os dias o que mais se ouve nos noticiários da mídia são escândalos com o dinheiro das emendas, que somente neste ano o executivo já liberou perto de 8 bilhões de reais. Cada deputado farrista tem direito a cerca de 28 milhões e mais 70 milhões para cada senador. São 513 da Câmara e 81 do Senado. É só somar as contas.

Quando se denuncia uma corrupção com as emendas, o parlamentar se defende de que apenas repassa a verba para a prefeitura e não tem interferência nas licitações e contratos. Por sua vez, o prefeito responde que tudo está sendo feito dentro da legalidade.

Fico, então, a me perguntar se essas investigações dos tribunais de contas, da Procuradoria Geral da União, do Supremo Tribunal Federal e a da polícia federal são falsas. É tudo de brincadeirinha de esconde-esconde? O cinismo chega ao ponto de se autodeclararem inocentes.

Todos esses políticos ladrões da nação são inocentes e tudo termina em samba porque o nosso forró nordestino eles resolveram acabar. Na verdade, o povo é o maior culpado por toda essa bandalheira que não termina nunca.

A sociedade fica em silêncio, enquanto eles se transformaram em formigueiros destruidores da nossa lavoura. São saúvas imunes a qualquer tipo de veneno. Nem o antigo formicida matam eles. Ganharam anticorpos. São inatingíveis!

O Brasil precisa urgentemente inventar uma vacina de combate à corrupção, ou será morto por este vírus ou ebola bem mais potente do que a Covid, que eliminou mais de 700 mil brasileiros. Tantos impostos, tantas taxas e tarifas e tanta desigualdade social!

Pelo menos o nosso povo deveria passar óleo de peroba na cara desses elementos malfeitores e salteadores que vão para a tribuna falar que legislam em favor do país. Todos estão carecas de saber que eles só visam seus interesses próprios e da elite burguesa.

Sempre tenho dito que esse Congresso Nacional é o maior cancro do Brasil.  Os anos passam, os tempos se vão e não se consegue expelir esse tumor que nos mata lentamente. Um país tão rico e tão pobre, sem educação e saúde!

Não consigo mais ouvir esse papo mole de “cientista político” que embola a língua para tentar explicar como funciona esse sistema maldito e perverso concentrador de rendas nas mãos de poucos, enquanto uma outra grande parte vive na sarjeta!

Até quando esses parlamentares corruptos vão ficar tirando sarro da nossa cara? O governo faz de conta que governa, e o judiciário, outro poder voraz intocável, que vive em seu pedestal das mordomias, não prende os larápios.

Neste país não existem provas, por mais robustas que sejam, que condenem esses saqueadores dos cofres públicos, sempre recheados de dinheiro extraído do suor do trabalhador. Não adiantam imagens, vídeos, áudios e até assinaturas em documentos que levem esses indivíduos para a cadeia, com a sentença de prisão perpétua.

Sei que sou apenas um grão de areia nessa imensidão, mas como brasileiro nato, tenho todo direito de aqui soltar o meu grito de revolta contra essa farra, essa orgia, esse bacanal erótico com os nossos recursos. Que acabem de vez com essas escandalosas emendas parlamentares! O ditado popular não diz que a solução é cortar o mal pela cabeça?

A EXTINÇÃO DOS JUMENTOS JÁ VEM ACONTECENDO HÁ CINQUENTA ANOS

Quando vejo e leio algum vídeo ou matéria sobre a extinção dos jumentos, animais símbolos de resistência do Nordeste, sempre lembro desse equino valoroso que meu pai possuía e cuidava com muita dedicação porque era instrumento do seu trabalho. Era seu ganha pão.

Certa vez, isto há cerca de 50 anos, quando já havia um matadouro de cavalos em Senhor do Bonfim, apareceram uns sujeitos no município de Piritiba comprando esses animais para matar e foram bater em nossa roça.

Com seu jeito rústico de ser, meu pai os enxotou de casa, dizendo que não ia sacrificar seu jumento que tanto lhe ajudou na lida. “O meu jumento vai morrer velho em meu pasto. Não há dinheiro que me faça vender”.

Portanto, essa maldita extinção já vem ocorrendo há mais de 50 anos em todo Nordeste, de forma cruel, como mercadoria de negociação para satisfazer os chineses.

O alerta tem sido tímido e vez por outra surgem alguns defensores protestando contra este ato criminoso, mas os governantes nada fazem para proibir essa matança.

Agora estou lendo nas redes sociais que um grupo de doze cientistas de universidades brasileiras e internacionais, reunidos em Maceió (Alagoas) declarou estado de emergência diante da iminente extinção do jumento nordestino. Ora, somente agora eles estão vendo isso? Até parece que descobriram a pólvora chinesa!

Esses animais são abatidos nas cidades de Amargosa, Alagoinhas e Senhor do Bonfim, para extração de suas peles, utilizadas na produção de ejiao, uma substância da medicina chinesa feita a partir do colágeno do couro. Dizem que o produto serve para o rejuvenescimento e revigorante do ser humano.

Há 30 ou 40 anos, o que mais se via nas estradas de chão batido e nas feiras eram jegues transportando a produção dos pequenos e médios lavradores, com cargas pesadas de farinha, milho, feijão, frutas, hortaliças e outras variedades de cereais. Recordo muito bem daquela época, e eu próprio já fui um tropeiro com meu pai tocando esses animais na madrugada até a feira.

Nos tempos atuais, o jumento, o burro e até o cavalo foram substituídos pelas motocicletas. Rodando por essas estradas do nosso sertão, dificilmente você ver alguém montado na cela de um jegue para ir à cidade. Aliás, talvez seja a coisa mais rara.

No encontro de cientistas, em Maceió, eles calculam que houve uma redução de 94% da população desses animais nas últimas três décadas. Me atrevo a dizer que é bem mais que isso, e essa extinção tem muito mais tempo. Você, por acaso, já viu algum desses cientistas montados num jumento?

Nessa discussão, eles apontam mais dados sobre essa situação, inclusive que só restam cerca de 78 mil jumentos no país, estatística essa extraída da ONU (Organização das Nações Unidas) e do IBGE. Em 1999 existiam mais de um milhão.

Se a ONUN não resolve os problemas das guerras genocidas, pelo mundo a fora, imagina se está lá preocupada com o nosso irmão jumento, como fala a bela canção entoada pelo rei do baião, Luiz Gonzaga. Desde aquela época, ele já homenageava o nosso símbolo nordestino.

De acordo com a matéria “, o documento também aponta riscos sanitários, trabalho infantil, más condições de transporte e impactos negativos à imagem do agronegócio no exterior”. Esqueceram de acusar os maltratos impostos a esses animais em currais sujos, sem comida e bebida antes de serem sacrificados.

Reportam ainda que entre 2018 a 2024, pelo menos 248 mil jumentos foram abatidos na Bahia, onde ficam os únicos três frigoríficos. Na Assembleia Legislativa Baiana existe um projeto na Comissão de Saúde à espera de votação dos deputados visando a proibição do abate.

Esse absurdo, como já dizia um ex-governador, se não me engano Otávio Mangabeira, só poderia acontecer na Bahia. Esses chineses lucram com a morte desses animais.

Cadê os defensores dos animais e do meio ambiente? Sabe-se que uma ONG britânica, ao lado de universidades, tem feito campanhas pela proibição desse abate criminoso. Existe um projeto de lei visando a proibição, mas foi engavetado.

 

AO RELENTO DA VIDA E DO VENTO

No banco da praça frienta, ele, ou ela, se protege com um fino lençol. Foi assim que minhas lentes fotográficas fizeram esse flagrante, tão recorrente nas grandes cidades brasileiras. É a triste cara realista das desigualdades sociais, tão profundas, criadas pela própria sociedade, por esse sistema cruel e canibal. Ao lado, as máquinas passam cortantes e velozes, cada um no seu destino das obrigações materiais pela sobrevivência.  A praça é morna, o vento corre ligeiro entre as árvores a balançar suas folhagens e lá está aquele ser ao relento da vida.

Muitos não percebem sua presença. Não passa de mais um número entre os dos milhares de desvalidos. Essas cenas, essas constantes imagens não deveriam existir, nem nas linhas dos escritores e poetas. A imaginação me leva aos “Miseráveis”, do grande escritor revolto francês Victor Hugo. Não consigo entender como ainda tem gente que diz que bandido bom é bandido morto. Temos uma massa encefálica, amorfa, cega e inconsciente que não consegue reconhecer que foi esta sociedade hipócrita e perversa que criou o bandido e agora deseja excluí-lo, matá-lo, literalmente.

A pobreza, a miséria, a fome e todos esses que vivem ao relento da vida fomos nós mesmo os autores desse trágico cenário. Poucos se refastelam nas riquezas e muitos não passam de mortos vivos. Não temos consciência social e política. Achamos que uma simples doação de comida ou agasalho resolve tudo, quando a situação de miséria persiste e só cresce. Repetimos tudo outra vez, com aquele velho mote de solidariedade e caridade, mas deixamos de fazer o principal que é cobrar dos nossos governantes que nossos impostos sejam revertidos para acabar com essa pobreza e não dissolvidos nas corrupções e roubos.





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