AGORA VOU CONTAR UMA
(Chico Ribeiro Neto)
Piada boa é contada. Piada escrita é meio sem graça. Nunca comprei livro ou revista de piadas. Mas hoje me arrisco a escrever algumas, que acho primorosas, junto com alguns casos verídicos.
O menino de 7 anos só falava em trepar.
A mãe resolveu levá-lo a um psicólogo, que mostrou ao garoto um caderno cuja primeira página era toda branca, e perguntou:
“O que você está vendo aqui?”
“Branco, doutor, branco é vestido de noiva, noiva é casamento, doutor, casamento tem lua de mel, trepar, doutor, trepar.
Aí o psicólogo mostrou a segunda página, que era toda azul:
“E aqui você vê o quê?”
“Azul, doutor, azul é mar, mar é praia, doutor, praia é mulher de fio dental, trepar, doutor, trepar.
O psicólogo conversou mais um pouco e disse à mãe que trouxesse o garoto na próxima semana.
No dia da consulta, quando o psicólogo abre a porta lá está o taradinho com mais 20 meninos.
“O que é isso?”, pergunta o doutor.
“Eu trouxe meus colegas pro senhor mostrar aquele livro de putaria que me mostrou na semana passada”.
XXX
Se atentar muito para o politicamente correto, você perde a piada. Então o português estava na Avenida Sete, em Salvador, e viu um camelô vendendo naftalina em pacotinhos com 10 bolinhas.
“Para que serve isso?”
“Pra matar barata”, disse o camelô.
“Então me dê um pacotinho”.
No dia seguinte o português voltou lá no camelô e pediu 10 pacotes de naftalina. Ouviu do camelô:
“Meu senhor, eu não tenho nada com isso, o meu negócio é vender, mas pra que o senhor quer tanta naftalina se as bolinhas de um pacote já dão pra matar todas as baratas de uma casa?”
“Um pacote é pra quem tem boa pontaria”, respondeu o português.
XXX
Passo na feira de Caculé, Bahia. O feirante começa a montar a barraca e há uns repolhos bonitos sobre uma lona no chão.
“O senhor pega aquele repolho ali pra mim, pois tenho problema de joelho?”
“Vixe, danou, e eu tô ruim da coluna.”
XXX
Dizem que antes da Covid a pessoa no elevador tossia para disfarçar o peido. Hoje peida pra disfarçar a tosse.
XXX
O maluco (paciente psiquiátrico) está no pátio do hospício puxando uma lata amarrada num cordão. Passa um médico e lhe diz:
“Aí, hein, brincando com o seu cãozinho”.
“Cãozinho o quê, doutor? O senhor não está vendo que isso é uma lata de goiabada vazia amarrada a um barbante?”
O médico pede desculpa e, depois que se afasta, o maluco coloca a lata no colo, dá três tapinhas carinhosos e diz:
“Aí, hein Totó, enganamos mais um”.
XXX
Estou na praia do Porto da Barra e preciso saber as horas. Passa um cara com um colete cervical, de relógio, e pergunto:
“Por favor você pode me dizer que horas são?”
“Foi acidente”.
XXX
Minha neta Gabriela, 6 anos, pergunta a Mateus:
“Meu pai, será que um dia a gente vai morar em outro planeta?
XXX
A caminhonete do circo percorre a cidade avisando que procura novas atrações:
“Se você sabe fazer algo diferente, apareça amanhã em nosso picadeiro para fazer um teste”.
A fila estava grande. O dono do circo começou a chamar os candidatos:
“O senhor sabe fazer o quê?”
“Sou trapezista”.
“Pode ir embora. Já temos trapezista demais. O próximo…”
“Eu sou palhaço”.
“Estamos cheios de palhaços. Queremos novas atrações que emocionem o público, que façam o espectador vibrar. Vá embora. Próximo…”
“Eu sei imitar passarinho”, disse um rapaz magrinho e muito tímido”.
“Ô, seu idiota, você acha que o público é idiota, que vai pagar pra ver um idiota como você imitar passarinho, piu-piu, piu-piu? Suma daqui!”
Decepcionado, o rapaz voou e sumiu por um buraco que havia no alto da lona.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
PERDIDO NA NOITE
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Fiquei numa noite solitário,
Depois que todos se foram;
Me senti um ser perdido,
De gosto amargo ardido,
Sem querer ver o dia clarear,
Só vontade de chorar.
Nem mais sabia quem sou;
Adormeci naquela mesa de bar,
E o garçom depois me acordou,
Com a conta para pagar.
Sai tropeçando por aí,
Em minha frente só o mar;
Meus pensamentos,
O vento levou pelo ar,
Foi então que vi
Aquela morena a me acenar.
Nem achei que fosse para mim
Naquela angústia sem fim.
Um carro veloz, como algoz,
Como um perdido na noite,
Me pegou na contramão,
E me levaram para o hospital,
Sem mais mente e coração.
Entrei em coma por dez anos,
Intubado cheio de canos,
E quando acordei
Sem início, fim e meio,
No Brasil estava tudo igual,
A corrupção era geral.
Não senti mais bater o amor;
Havia passado toda dor,
Andei a vagar, perdido na noite,
De dia, o sol batia nas vitrines,
Preferia viver nas esquinas, sem cor
Do que lembrar,
Daquela noite de terror.
DA HISTÓRIA PARA O FOLCLORE
– Lugar de se lamentar e chorar é no pé do caboclo, lá no Campo Grande.
Costumava falar muito isso para uns colegas da Residência Universitária da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, e muitos ficavam sem entender o significado. O caboclo é o símbolo da resistência do índio e do negro nas lutas pela Independência da Bahia no Brasil, consolidada em Dois de Julho de 1823.
Esse caboclo e a cabocla se transformaram em folclore nessa história e, para muitos, são vistos como protetores e venerados. Muitos baianos fazem pedidos de graças e agradecimentos nesta data magna. Levam para eles suas lamúrias. Ao longo do tempo, outros personagens passaram a fazer parte desse folclore popular.
Quem sou eu para contestar os grandes historiadores que escreveram sobre o tema? Existem até alguns que acham que a data da Independência do Brasil deveria ser transferida de Sete de Setembro de 1822 para o Dois de Julho de 1823, no que tenho minhas controvérsias. “Há controvérsia, professor” – como dizia um personagem da escolinha do grande humorista cearense Chico Anísio
O grito de “Independência ou Morte” por D. Pedro I foi antecedido de muitas rebeliões, revoltas, protestos e opressões da parte de Portugal. Portanto, não se pode levar essa atitude do imperador em chacotas e piadas como fazem os brasileiros, tampouco colocar a data do Dois de Julho no lugar do Sete de Setembro.
Outros estados como Pernambuco, Piauí e Maranhão também lutaram naquela mesma época para expulsar os portugueses do domínio de seus territórios. Entendo que existe muito bairrismo por parte da Bahia. Os estudiosos introduziram muito folclore na história verdadeira e vai se aceitando, sem comprovação fidedigna.
A independência do Brasil já tinha sido confirmada, só que uma parte dos portugueses, com apoio de Portugal, fincou pé em não reconhecer o ato. Mais cedo ou mais tarde eles teriam que ceder. Era uma questão de tempo. Caso não fossem expulsos, será que a Bahia hoje seria um território português dentro do Brasil? O Brasil voltaria a pertencer Portugal? Creio que não seria possível.
Fala-se muito das lutas dos baianos, instigados pelos senhores de engenho da cana de açúcar do Recôncavo, da participação dos negros e até dos índios, mas se esquece que D. Pedro I contratou o mercenário general Labatut para organizar as tropas que estavam desorganizadas.
O general Pedro Labatut foi um militar francês que liderou o Exército Pacificador, na Bahia. Nasceu em Cannes, em 1775 e participou das guerras napoleônicas antes de vir para o Brasil. Com toda sua experiência, comandou a resistência vitoriosa da independência.
Será que somente os baianos, sem a estratégia de guerra do general, conseguiriam sozinhos vencer os portugueses? Os heróis da terra tiveram sua grandeza na história, mas é preciso reconhecer que a entrada de Labatut foi decisiva para o ato final.
Quando falo da história para o folclore é que criaram muitos mitos, lendas e estórias dentro desta história que até mesmo historiadores de renome contestam e desaprovam.
Além do mais, atualmente o desfile comemorativo foi invadido por políticos que só aproveitam da data para fazer politicagens e demagogias eleitoreiras, terminando por profanar a nossa história.
O nosso povo, em sua maior parte sem muita instrução e conhecimento, se deixa influenciar por esse folclore e pouco sabe sobre os verdadeiros acontecimentos. Em geral, a população é usada para fazer o arrastão desses políticos oportunistas. Muitos não passam de inocentes úteis para essa corja.
O CIRCO É A MAIOR FONTE DE VOTOS
Nos tempos do império romano, há mais de dois mil anos, os imperadores mandavam dar circo e pão para o povo quando surgiam as inquietações e até construíram o Coliseu, palco das lutas entre escravos gladiadores. No século XVIII, antes da Revolução Francesa, a rainha sugeriu que dessem brioche para os pedintes miseráveis.
No Brasil de hoje, basta o circo velho esfarrapado para a massa aplaudir e se contentar. Na Bahia, por exemplo, um dos estados mais pobres do país, com baixos índices de qualidade de vida humana, os governantes gastam milhões e até bilhões por ano com festas.
Todos ficam satisfeitos e nem estão mais aí para as corrupções, os malfeitos e os roubos. Vitória da Conquista, a nossa casa, é uma prova disso. As festas juninas, sem o nosso legítimo e tradicional forró foram lotadas no Parque de Exposições.
O argumento é que os festejos geram renda e emprego, quando, na verdade, servem para concentrar as riquezas nas mãos dos mais ricos. O pobre entra na onda e termina ficando mais pobre ainda. Gasta o que deve e não deve, se tornando um endividado na espera das filas das negociações de dívidas.
Tem gente que deixa de pagar as contas de água e luz, carnê das escolhas dos filhos, boletos bancários, cartões de crédito e outras faturas para curtir quatro, cinco dias numa festa ouvindo músicas de cantores lixo, sem nenhum conteúdo.
Ninguém mais quer saber de letras que falam da vida, da nossa cultura, das raízes da nossa terra. Um exemplo disso foi o São João, e tudo só tende a piorar cada vez mais. Sempre digo que a mídia tem grande culpa por este triste cenário, pois incentiva as porcarias e ainda grita no microfone que é tudo de graça. Ela deixou de informar para desinformar. Não é mais formadora de opinião.
Até pouco tempo, construir estradas, pontes e viadutos dava muitos votos. Agora são as festas que se juntam aos feriadões e atravessam semanas, como em Salvador. Portanto, o circo, sem pão e dignidade, é uma fonte que rende votos para esses políticos que nem estão aí em educar o cidadão e tirá-lo das trevas da ignorância.
O brasileiro, de um modo geral, está hipnotizado, anestesiado e esqueceu os valores humanos, tanto que o pobre, o miserável, o negro, tanto discriminado e escravizado, a mulher, rejeitada pelos misóginos, abraçaram essa direita extremista que prega família, tradição e Deus disfarçados de fascismo.
É lamentável ver o que está acontecendo em nosso Brasil de hoje onde a grande maioria de jovens estão alienados nas redes sociais e acreditam em fake news, sem nenhuma conscientização política. Os intelectuais estão em silêncio e somente os burros falam, quando deveriam, por intuição, pelos menos, ficarem calados também.
Não somente a mídia, a esquerda também tem grande parcela de culpa nisso, porque assassinou o passado, esqueceu suas bases e preferiu o comodismo, ao invés, de se mobilizar e condenar essa patifaria. A verdade é que não temos perspectivas à vista no sentido de desmascarar e derrubar esse circo dos horrores.
A VIDA SEM O VIVER
Tem um certo ditado ou pensamento que diz que determinadas pessoas passam a vida em branco, o que significa que morrem sem deixar suas marcas, algum legado para a posteridade. Conheço gente assim, do tipo que mesmo viva já morreu sem saber.
A vida sem viver está justamente naqueles gananciosos que passam o tempo juntando dinheiro e não desfrutam do que tem, como se nunca fossem morrer, ou como se fossem levar tudo quando ela chega e bate em suas portas.
Fico a imaginar o que se passa pela cabeça dessas pessoas. Tenho por exemplo, uma colega que se encaixa muito bem nesse quadro. Durante sua vida, juntou dinheiro e bens e nunca fez uma viagem para conhecer outras culturas ou o outro lado do mundo.
Essa pessoa já se encontra em idade avançada, com mais de 80 anos, não tem filhos; possui um bom patrimônio e continua querendo mais e mais. Por essas e outras é que acho que viver é uma arte. Faça besteiras, mas também faça coisas boas. O apego material aniquila o espiritual.
Quando era menino, conheci um fazendeiro rico, tipo mão de vaca que guardava todo seu dinheiro na comieira da casa e debaixo do colchão. Vendi doces nas ruas de Piritiba. Certa vez, coçou o bolso e comprou uma cocada em minha mão. Quem estava por perto ficou fazendo piadas e admirado por colocar a mão no bolso.
Na hora de passar o troco, faltou um tostão. Não é que ele ficou atrás de mim pelos becos e só foi embora quando lhe dei o tostão! Essa cena serviu de chacotas, mas ele não se importava com isso.
Morreu rico e nada levou. Sua herança, como sempre ocorre, serviu de brigas entre os filhos. Os irmãos ficaram inimigos e por pouco não houve morte entre os herdeiros. O ser humano nasce sem nada, cresce, trabalha como um condenado escravo; constrói um patrimônio, morre e não leva nada.
Existem outras pessoas que se aposentam e entram em depressão ou passam o dia na rua num grupinho fazendo fofocas da vida dos outros. Tem aquele que leva o tempo jogando dominó na esquina, ao ponto de não almoçar, ou aquela que se enterra numa televisão, do amanhecer até a madrugada.
Não posso deixar de citar aqui o celular nessa nova era da tecnologia da internet. Todo esse comportamento é não dar um sentido para a vida. Essas pessoas envelhecem rápido porque não exercitam o físico e a mente. São os chamados vivos mortos.
O OUTRO LADO DOS JUDEUS NO MASSACRE CONTRA OS PALESTINOS
Por muitos anos ficou encoberto e obscuro aos olhos do mundo o outro lado ou a outra face dos sionistas judeus que sempre se fizeram de vítimas e usaram como marketing o holocausto para encurralar os palestinos e até atacar outras nações árabes, com apoio total dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França e demais países europeus.
A Mídia Ocidental, principalmente, sempre colocou suas posições prol Israel em suas ações belicosas, estampando como pano de fundo o holocausto de Hitler na II Guerra Mundial que exterminou cerca de seis milhões de judeus em campos de concentração. Então, os judeus se sentiam blindados com farto espaço para agir e praticar suas atrocidades, seu terrorismo de Estado.
Agora, esta história está sendo revisada com provas e documentos comprobatórios sobre a relação amigável que os sionistas tiveram no início e meados dos anos 30 com o nazismo de Hitler, com o objetivo de criar um Estado e expulsar os palestinos de suas terras. Esse povo nada tinha a ver com o esquema deles, lá viviam sossegados sob a tutela dos ingleses.
Os acordos foram vários nesse sentido, só que Hitler, no início dos anos 40, foi mais astuto e consolidou seu plano de exterminar os judeus e outros povos excluídos. Ocorreu coisa parecida com a Rússia. Em 37/38, Hitler e Stalin fizeram uma aliança de um não atacar o outro e até dividiram a Polônia entre si. Em 41/42, a Alemanha invadiu o território dos russos. Até então, o comunismo russo apoiava o nazismo.
Para ser mais objetivo e direto, dando um salto no tempo, esse massacre horroroso, genocida e criminoso de matança indiscriminada dos palestinos (crianças e idosos) na Faixa de Gaza por Israel, pelo menos está servindo para abrir este capítulo secreto da história sobre como se deu o semitismo e o antissemitismo.
A vitimização do holocausto para acabar de vez com os palestinos e outros grupos de resistência, como Hamas, Hezbollah, no Líbano, está sendo desmascarada. Agora Israel resolveu atacar o Irã sob o pretexto do país estar construindo uma bomba atômica, tudo com a ajuda dos norte-americanos. Esta ação tem mais o propósito de desviar as atenções contra os palestinos. Isto me faz lembrar o ataque dos Estados Unidos ao Iraque, no Governo Bush.
Durante a II Guerra, no início dos anos 40, somente grupos semitas de resistência da Polônia, da França e da Rússia, principalmente, foram para a linha de frente combater o antissemitismo e o nazismo, não os judeus ricos que já estavam ocupando a Palestina.
Pouco antes de 1947/48, grupos de judeus bem armados praticaram vários atentados terroristas contra alvos palestinos-árabes no sentido de forçar a Inglaterra e os Estados Unidos a consolidarem a formação definitiva do Estado de Israel. O holocausto foi o argumento chave para aprovação deste Estado como tipo de reparação.
Nesse imbróglio, os palestinos foram abandonados numa estreita faixa de terra e, a partir dali, sem nenhum apoio das nações internacionais, passaram a ser perseguidos pelos judeus como inimigos. A situação piorou mais ainda depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando Israel se apossou das Colinas de Golan e outros territórios.
Nestas áreas ocupadas, construíram muralhas e colônias judaicas, intensificadas ainda mais pelo primeiro ministro Benjamin Netanyahu, o carrasco sanguinário “Bibi”, que agora está decidido a exterminar de vez os palestinos jogando bombas contra os civis indefesos, num discurso mentiroso de caça ao grupo dos Hamas, responsável pelo atentado de outubro de 2023.
A mídia sempre fala que Israel está em guerra contra os Hamas, mas que guerra é essa se a matança indiscriminada só ocorre de um lado? Uma guerra onde o outro lado, no caso os palestinos, as maiores vítimas, não possuem nem armas de fogo para combater o facínora!
O maluco do Trump, dos Estados Unidos, já falou que quer transformar a Faixa de Gaza num balneário turístico, como uma Cancun mexicana, enquanto as lideranças mundiais só lamentam o holocausto palestino. É a história de extermínio de um povo se repetindo novamente sob o silêncio das grandes potências.
REVOLTO INFINITO SERENO
De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário, extraído do seu livro NA ESPERA DA GRAÇA
Um ser cativo tão pequeno,
A mirar o infinito revolto sereno,
De quentes correntes e ventos:
É o mar dos descobrimentos,
Mitológico labirinto,
Esse revolto infinito sereno.
Rios correm invisíveis ativos,
Nesse infinito sacrário;
Nos sentidos anti e horário,
Para outra banda continental,
De jangada, caravela e nau:
Navegaram polinésios nativos,
Bartolomeu, Vasco, Colombo e Cabral.
Nesse revolto infinito sereno,
Do Cabo fervente diabo Bojador,
Da Boa Esperança até a Índia:
Mar mistério, negreiro cemitério,
Infinito sereno de prazer e dor.
Revolto infinito sereno,
Do Pau Brasil que já sumiu;
Rota dos escravos Benin-Ajudá,
Me cure, Senhor, dessa saudade veneno!
Da minha aldeia do lado de lá!
DERRUBAM O IOF E APROVAM O AUMENTO DE MAIS PARLAMENTARES NA CÂMARA
Não atingindo a todos, mas, com certeza a grande maioria dos parlamentares do Congresso Nacional, o cancro do Brasil, não passa de cafajestes, cínicos e caras de paus. De elite para elite, eles legislam em causa própria, e o país que se lasque. Cada vez mais se superam no contraditório, no absurdo dos absurdos.
Os mais esclarecidos (infelizmente são poucos no Brasil) sabem muito bem que o IOF – Imposto sobre Operações Financeiras é pago por ricos ou pessoas com maior poder aquisitivo, como o próprio nome já diz. O pobre não entra nesse balaio de cobranças. É mais uma vez a burguesia reagindo contra a distribuição de renda.
No entanto, com suas tramas ardilosas, eles se aproveitam da ignorância do povo para generalizar e dizer que o brasileiro não suporta mais aumento de imposto. São mesmos uns safados, algozes, aproveitadores da fraqueza alheia e sanguessugas da nação. Vivem mamando nas tetas da população desvalida.
Ninguém mais concorda com elevação de impostos porque encarecem nossos bolsos e vivemos num Estado máximo onde se recebe o mínimo, mas o IOF recai sobre aqueles que mais têm. Por falar em máximo, temos um dos Congressos mais caro do mundo, num país de profundas desigualdades sociais.
É certo também que o governo federal precisa cortar seus gastos e melhor planejar suas finanças, mas esses políticos trapaceiros não têm nenhuma moral de criticar o executivo no que se refere a redução de despesas. Eles aceitam cortar seus salários, suas verbas de indenização, seus penduricalhos, suas mordomias e acabar com essa máfia das emendas?
Um deputado federal, com salário e todos os benefícios juntos, custa ao Brasil mais de 300 mil reais por mês. Um senador, mais ainda. Um trabalhador recebe pouco mais de mil e quinhentos reais para sustentar uma família e dá um duro danado como escravo do patrão. Esses políticos têm de verba paletó a verba cueca. É a casta mais privilegiada do país.
Esse Congresso Nacional, as assembleis legislativas e as câmaras de vereadores são escórias do Brasil. Aquela Casa de malfeitores de Brasília ultrapassa o limite das aberrações, ao ponto de derrubar um decreto constitucional do IOF e, ao mesmo tempo, aprovar aumento do número de deputados, de 513 para 531. Os caras não têm o mínimo de pudor!
Em seus discursos da tribuna, vez ou outra, eles soltam aquela mentira deslavada, uma fake news, de que tudo é feito pelo bem do Brasil. Entretanto, aprovam um Fundo Eleitoral de mais de cinco bilhões de reais, um código ambiental em que abre brechas para os desmatamentos e grilagens de terras, legislam na base do toma lá, dá cá, querem mais grana das emendas, dentre outra extensa lista de males e estragos que só fazem quebrar o país.
Eles não têm o mínimo escrúpulo de escancarar suas bandidagens. Cobram redução de gastos do executivo e, do outro lado, aumenta os seus com a entrada de mais deputados, provocando um efeito cascata nas assembleias legislativas dos estados.
Com suas manobras políticas, nos enganam e nos roubam à luz do dia. Não passam de batedores de carteira das antigas e fazem isso sabendo que contam com o apoio dos mais excluídos, por incrível que pareça, hoje uma massa de direita, de extremistas e fanáticos. Não sei mais quem são os piores. Nem Freud explica tamanho fenômeno paradoxal!
Não estou aqui sendo advogado do governo federal, do qual tenho minhas críticas, mas temos um Congresso pegajoso, nojento, carnívoro, de meliantes de colarinho branco, cuja maioria deveria estar no banco dos réus ou presos em solitárias por nos tratar como otários, imbecis, burros e objetos de desprezo e manobra. É uma malta de saqueadores e salteadores da pobreza.
Com esse Congresso de bancadas das elites burguesas capitalistas, de ruralistas lagartas, de evangélicos conservadores fundamentalistas, da bala, de defensores do sistema financeiro ganancioso e selvagem, de gente da pior espécie, o nosso Brasil só tende a se afundar e nunca vai sair desse buraco, ou fundo do poço.
Brigam o executivo com o legislativo, brigam o judiciário com os outros dois poderes, brigam entre si para defender a continuidade de seus bacanais e orgias e sobra para o povo que só leva fumo. Eles são os dragões que nos consomem com suas labaredas de fogo.
O brasileiro, de lombo calejado de levar bordoadas e mente oca alienada se tornou masoquista de si mesmo. Não tenho orgulho, só vergonha de ser brasileiro. Os intelectuais e os bons se calam, se silenciam, enquanto os burros falam e expelem vômitos repugnantes de suas bocas.
Com esse Congresso brasileiro, a gente tem até saudades dos tempos dos coronéis malvados, dos senhores escravocratas, dos cangaceiros nordestinos dos bandos de Antônio Silvino e Lampião que invadiam os povoados e cidades com seus punhais e fuzis. Pelos menos, sabia-se de verdade quem eram eles, muitos até poupavam os mais pobres.
CAIU UMA ESTRELA NO QUINTAL
(Chico Ribeiro Neto)
Olhar o sol contra as bolas de gude me deu a primeira ideia de infinito, aquela luz lá bem longe.
O quintal é um tesouro. É só aprender a cavar. Veja as minhocas como saem junto com a terra. Parece que dançam! As formigas saem dos buracos. Sinal que vai chover.
A lagartixa tá quentando o sol. Quando vê a gente, se pica. Em Porto Alegre, quando faz um solzinho no inverno, o pessoal senta nos bancos dos jardins para tomar sol. O gaúcho diz que está “lagarteando”.
De manhã cedo tem muito passarinho no abacateiro. Titia manda eu sair de perto porque está com um ferro em brasa passando roupa.
A água da chuva escorre das bicas para o tanque de cimento que vôvô Chico mandou fazer perto do quintal. Era a água de gasto. A de beber vinha de uma fonte, trazida pelos burros em carotes de madeira.
Tem uma hora da tarde em que tudo fica parado, nem as moscas se mexem, as folhas não se mexem, as pessoas dormem.
Aqueles joelhos são da professora de Francês, a primeira mulher a ensinar no Ginásio São Bento, onde até então todos os professores eram homens. A capa de chuva, de nylon, tinha um buraco na frente e a vida sorria no ginásio.
Volto ao quintal. É de noite. Tem uma coisa brilhando lá no meio. Será o sapato da Primeira Comunhão, uma estrela que caiu ou um balão pegando fogo?
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A MULHER “PORTA-CELULAR”
Detesto sair de casa para resolver “pepinos”, ou BOs, como muita gente prefere falar quando se refere a problemas. Acho que ninguém gosta, a não ser quando se vai a passeio para olhar vitrines e fazer compras para sentir aquela sensação de prazer consumista.
Na maioria são mulheres com uma penca de filhos arrastando sacolas num frenesi de entra e sai das lojas, principalmente em épocas festivas. Os pais também acompanham, mas bem menos.
Em meu caso, nem isso me agrada, nem mais para tomar umas num boteco, como nos velhos tempos. Cruzar com muitas pessoas e andar em multidão me deixa em pânico. Será que estou precisando de um analista?
Quando sou obrigado a ir, talvez como terapia, aproveito para observar o comportamento das pessoas, os mais diversos e que chamam a atenção pelas suas atitudes. Umas são engraçadas, a cara do Brasil, e outras são lamentáveis.
Uns se mantém calados cuidando de suas obrigações. Outros são escandalosos que falam alto e individualistas que não respeitam o direito do outro no ambiente público. Até parecem que estão em suas casas. Tem aqueles que tentam burlar a fila, trapacear e existem os mais conscientes e humanos. Tem para todo gosto do cliente.
Essas mercadorias você encontra mais em repartições públicas, bancos, clínicas, eventos diversos e nas ruas, praças e avenidas. Quanto maior a cidade, mais elementos que servem de matéria-prima para escritores, poetas e humoristas.
Na véspera de São João, segunda-feira, fui ao banco resolver um BO e lá estava uma mulher de muleta com o pé enfaixado de gazes (deve ter levado uma queda ou uma topada) que me chamou a atenção.
Como as coisas andam em termos de vigarices e golpes, poderia até ser uma simulação. Sabe do caso daquele indivíduo que foi fazer uma perícia médica no INSS de cadeira de rodas e depois saiu andando na maior cara de pau? Nunca se sabe!
Estava na fila prioritária, que não tem nada de prioridade, e ela girava mancando falando bem alto com o celular na mão o tempo todo. Mais parecia uma mulher porta-celular. Não desgrudava do aparelho e lá ia ela pulando de muleta de um lado para o outro. Não se apartava do bendito celular.
Teve um momento que ela saiu gritando quem podia trocar 50 reais. Às vezes ia lá fora e não parava de conversar no celular, de uma forma tão escandalosa que lá de dentro se escutava tudo quanto ela dizia. “Coloca um pix”! Sentava, levantava, rodava como peru, sempre com aquele celular na mão e pulando de muleta.
No momento, agoniado e impaciente na fila, lembrei da música “O Chato”, de Oswaldo Montenegro. Foi o talento da imaginação se cruzando com a realidade.
Era uma cena hilária e literária! A mulher era muito da chata. Um vídeo com ela nas redes sociais, para quem gosta de besteiras, daria milhares de visualizações e seguidores em poucos minutos.
Para completar o quadro, um senhor baixinho atrás de mim não parava de bulir no celular. Foco total que nem viu a cena! No Banco do Brasil, a gerência colocou duas filas, uma prioritária e outra convencional, só para pegar a senha, e o funcionário chama um de cada vez, de maneira intercalada. Ora, só queria saber mesmo o que tem de prioridade nisso!
– É pura enganação – reclamava uma idosa de lá que preferiu ficar na outra fila normal, ou convencional. O guarda até achou estranho, mas depois disse que ela estava no seu direito de escolha.
Coisa foi lá no segundo andar! Cada um sofredor e desrespeitado chega com sua senha na mão de olho no painel de chamada. Tome ansiedade na espera da sua vez! No entanto, a mulher porta-celular nem estava aí e continuou a exibir seu espetáculo.
Sentou com sua filha e outra amiga, falando alto. Das sacolas, sacou umas roupas íntimas que havia comprado. Nelas consegui ver uma meia fina de pernas, sei lá, sutiãs, e o mais inusitado, umas calçolas. Coisa de louco, meu irmão!
No outro assento, mais ao lado, aquele senhor do celular começou a ouvir vídeos na maior altura e dava suas risadas, como se estivesse só. Ele chegou a incomodar tanto os outros, que uma pessoa da vigilância da instituição teve que ir lá e mandar que ele desligasse os vídeos.
Não é brincadeira não, meu camarada, o ser humano é um bicho estranho, uma espécie imprevisível que não nasceu para viver em sociedade e pensar no coletivo! Desde os tempos da pedra lascada, do neandertal ao homo sapiens que é assim.











