MOMENTOS DE TORMENTOS
Nova autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
A noite rasteja lentamente;
Lá fora, sacodem ventos:
Tiram a visão dessa gente,
Nos momentos de tormentos.
A bruxa acende sua tocha,
Pra afastar corvos agourentos,
Que querem sugar minha mente,
Nos momentos de tormentos.
O sol demora a raiar,
Para espantar meu sofrimento,
Dessa peste, sufoco sem ar,
Como trevas brocar meu pensamento,
Nos momentos de tormentos.
Esse templo está contaminado;
A cancela abriu para os demônios;
A saudade não mais dói;
Só ficou o buraco no peito,
Estendido em meu solitário leito,
Que me corrói,
Nos momentos de tormentos.
A abelha fabrica o mel;
Em sua colmeia faz a ceia;
A aranha tece sua teia;
A formiga, seu formigueiro;
O ser humano destila raiva e fel;
Só sabe separar bem e mal;
Cada um com sua flor e dor,
Com seu conflito existencial,
Nos momentos de tormentos.
“SERTÃO COLORIDO QUANTO PRETO E BRANCO”
Como o pintor espanhol Pablo Picasso que retratou os horrores da guerra civil espanhola e as atrocidades do ditador Franco, o nosso artista conquistense Silvio Jessé nos traz, em seus quadros, os sofrimentos dos sertanejos diante da seca e da omissão dos políticos e governantes em resolver os problemas do homem do campo. Sílvio é o Picasso do sertão, embora com outras formas, linhas e estilos modernistas.
Lembro como jornalista de uma entrevista que fiz há muitos anos sobre o trabalho de Silvio onde ele recordava da sua infância numa fazenda do município de Vitória da Conquista. Dizia que foi ali que começou a aprender a pintar, usando a terra e olhando as pessoas, seus costumes e hábitos. Tudo isso é vida e pura poesia que transborda da alma.
Como escreveu a curadora Ester Figueiredo sobre sua exposição no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, a partir de suas obras inspiradas no fotógrafo Evandro Teixeira (olá, meu amigo), “Sertão Colorido Quanto Preto e Branco” é tudo isso, sua expressão maior do seu tempo de moleque travesso na roça.
Só para não deixar passar em branco, Teixeira é um dos maiores fotógrafos do Brasil que reportou sobre a tomada do Forte de Copacabana, a passeata do cem mil durante a ditadura militar, expedição a Canudos e tantas outras coberturas fotojornalísticas que impactaram nossos olhares e nos transportam para a história do passado. Ele é um guardião da memória brasileira.
Sílvio Jessé segue esses passos poéticos, desde sua infância do cotidiano do sertão, com texturas agrestes. Em seus quadros de linhas modernas e cubistas, com o tom do forte realismo expressionista, o artista plástico mostra em seus quadros, o homem do campo com suas cabras, num cenário árido, tendo ao lado uma capela que representa o sagrado da fé sertaneja do bravo e lutador.
Ainda em sua exposição, suas pinturas retratam o carro-de-boi (um dos meus primeiros meios de transporte quando menino), as mulheres em sua labuta como fortes guerreiras e até chefes de famílias, o folclore do interior, a questão da escassez da água, o jumento (animal símbolo do Nordeste) que faz o transporte, representado na carga de carotes, a sequidão, os retirantes fugindo das estiagens em busca de outros lugares melhores, inclusive para o sul do pais e os folguedos, para demonstrar que o sertão não é só tristeza em preto e branco. O sertão é também o colorido das pessoas e das paisagens quando no chão batem as chuvas.
A exposição de Jessé é pura reflexão da realidade simples do homem que faz parte desse cenário sertanejo, que está dentro de todos nós, como descreve o escritor Guimarães Rosa, com toda sua profundeza. Sua mostra é um mergulhar no fundo do túnel do tempo. Suas obras também falam da minha infância, e nelas penetro como personagem desse sertão agreste, cinza e colorido. Sílvio é o verdadeiro poeta do pincel.
A XENOFOBIA E O RACISMO NO BRASIL CONTRA OS REFUGIADOS
“ E o que acho mais chocante é que a gente sofre racismo não só dos brancos, mas dos próprios negros brasileiros”. O desabafo é da advogada congolesa Hortnse Mbuui, que chegou ao Brasil em 2014, destacando que desde as últimas eleições presidenciais, foi nascendo um ódio contra os imigrantes. Para ela, o imigrante branco se mistura com os brasileiros e é mais respeitado.
Como se vê, quando se trata de xenofobia, até os próprios negros brasileiros discriminam os negros refugiados de outros países, como do Haiti e do continente africano, principalmente aqueles que mais cobram que sofrem preconceitos internos. É uma tremenda hipocrisia e falsidade! É preciso separar o que é verdadeiramente racismo daquilo que se tornou uma fábrica de racismo no Brasil.
Em uma entrevista num jornal da capital, vários refugiados fizeram essa observação que a congolesa destacou na reportagem. Pode-se dizer que é uma vergonha. Qual moral existe naquele negro que pratica a xenofobia contra um outro irmão vindo da África, ou de um país negro, e se queixa que é vítima de racismo aqui?
A congolesa Hortnse disse muito bem, e é uma verdade, quando ela assinala que esse ódio se acentuou mais ainda no governo do capitão-presidente, porque ele, com sua estupidez e barbaridades, induz as pessoas à intolerância e à violência.
Com relação ao meio ambiente tem acontecido o mesmo quando ele flexibiliza as leis e abre as porteiras, para a passagem dos grileiros e mineradores derrubarem nossas florestas. O mesmo ocorre com a homofobia, quando, com suas palavras, repudia os homossexuais, e assim por diante no caso da vacinação contra a Covid-19, dizendo que não vai imunizar sua filha.
No caso da questão anterior que nos reportamos, é claro que não restam dúvidas que o maior racismo parte do branco, mas existem muitos negros racistas, e movimentos que, ao invés de unir, terminam por separar e dividir, quando criam ambientes hostis por causa das diferenças de cor.
É muito triste ainda termos que falar nisso (xenofobia, racismo, diferenças de pele, cor e outros tipos de discriminação) em pleno século XXI, quando todos deveriam ser tratados como iguais, mesmo cada um com suas diferenças e potencialidades. Nesse quesito específico, e em outros também, a humanidade não se evoluiu, embora se ache civilizada porque possui um celular na mão para falar merda e propagar mentiras.
Agora mesmo está aí essa guerra entre Rússia e Ucrânia que nos serve de exemplo. Os refugiados de lá têm tratamento diferenciado, bem melhor, que quaisquer outros que sejam árabes, sírios, afegãos, africanos ou iraquianos. É horrível ver como há uma seleção de entrada nas fronteiras da Polônia, da Romênia, Hungria e outras nações europeias.
Na verdade, ainda somos brucutus dos tempos primitivos onde humanos jogavam pedras contra outros. Até quando ainda vamos falar de racismo, xenofobia, misoginia e outras formas de preconceito? Tem aquele ditado que diz: “Quem tem telhado de vidro, não deve jogar pedra no do outro”.
DIA MUNCIPAL DA CULTURA
Infelizmente, poucos têm conhecimento porque também não é lembrado pelas instituições e a mídia em geral, mas o 14 de março (ontem, segunda-feira), foi o Dia Municipal da Cultura no âmbito do município de Vitória da Conquista, instituído pela lei número 1.367/2006, e assinada pelo prefeito José Raimundo Fontes.
A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, com base na lei, concede medalha de Mérito Glauber Rocha a homenageados indicados pelo Conselho Municipal de Cultura, em sessão solene no próximo dia 18 (sexta-feira), quando a data será comemorada pelos parlamentares, artistas e pela plenária.
Nas homenagens ao Dia Municipal da Cultura, é bom que se faça uma reflexão sobre mesmo o que é cultura, principalmente nesses tempos tão difíceis onde o atual governo federal só faz destruir o que ainda existe dela. Outra indagação a ser feita é sobre como vai nossa cultura em Vitória da Conquista e o que se pode fazer para melhorar.
O que se tem feito ainda deixa muito a desejar, especialmente em relação a Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, que já foi celeiro de grandes artistas e pensadores. Não é que atualmente não existam grandes talentos, mas as nossas expressões artísticas não têm recebido o apoio merecido dos poderes públicos.
Os recursos têm sido escassos, e os governantes, infelizmente, têm colocado a cultura apenas como um jarro de decoração em suas mesas. Talvez entendam que não rende voto e alocam poucas verbas para o setor. Os artistas em geral vivem a mendigar para realizar seus projetos.
Temos muita luta pela frente para que Conquista volte à sua efervescência cultural dos anos 50, 60 e 70. Nesse sentido, o atual Conselho Municipal de Cultura está dando seus primeiros passos para criação do Plano Municipal de Cultura e, consequentemente, seja instituída uma Fundação Cultural. Esse Plano ira ditar as diretrizes políticas para resgatar a nossa cultura.
O dia 14 de março é comemorativo ao nascimento do cineasta Glauber Rocha e lembra também o nascimento de poeta Castro Alves, há 175 anos. Por isso também, o 14 de março é o Dia da Poesia, uma linguagem que é vida.
Como todos sabem, Castro Alves dedicou suas poesias às questões sociais e foi um grande defensor da libertação dos escravos. Um abolicionista que abriu portas para outros intelectuais lutarem pelo fim da escravidão no Brasil.
CURIOSIDADES DO TRÁFICO NEGREIRO (III)
O livro de Laurentino Gomes, “ESCRAVIDÃO” mostra muitas curiosidades do tráfico negreiro, muitas das quais de horror, mas que precisam ser conhecidas por historiadores, estudantes e todos brasileiros sobre o que aconteceu nos quase 350 anos de escravidão no Brasil.
Em prosseguimento aos relatos do autor, vamos destacar alguns deles:
O padrão das viagens foi mudado ao longo dos tempos, conforme demonstra o autor em sua obra. “No caso de Portugal, de início, todos os navios saíam de Lisboa ou de Algarve, recolhiam escravos na África e retornavam aos portos portugueses, onde os cativos eram redistribuídos para diferentes destinos, na América, nas Ilhas Atlânticas (Madeira, Cabo Verde) ou mesmo na Europa”.
Aos poucos, o negócio foi se transferindo para o Brasil. A partir do século XVIII, nove em cada dez expedições negreiras eram organizadas para o Brasil. Uma série histórica de viagens de navios atracados em Luanda (Angola), entre 1736 e 1770, mostra que 41% saiam do Rio de Janeiro, 22% de Pernambuco e a mesma percentagem da Bahia. Apenas 15% de Portugal.
Nessa época, os brasileiros tinham domínio quase absoluto sobre o tráfico de escravos. O Rio de Janeiro, principal centro organizador, respondeu sozinho pelo transporte de 1,5 milhão de escravos, seguido de Salvador com 1,4 milhão, e Liverpool (Inglaterra) com 1,3 milhão.
“O domínio brasileiro era tão acentuado que o arcebispo da Bahia, criado em 1776, tinha jurisdição sobre as dioceses de Olinda, Rio de Janeiro e bispados do Congo, Angola e São Tomé, englobando a Costa da Mina (Gana).
Haviam os roubos de cargas, os chamados piratas. O capitão John Hawkins, sócio da rainha Elizabeth I, roubou uma carga de seis embarcações portuguesas que estavam prontas para zarpar rumo a Cabo Verde. Na década de 1820, os jornais do Rio de Janeiro registraram dezesseis ataques de piratas a navios negreiros, a maior parte deles praticados por corsários norte-americanos”.
Em 1660, foi criada em Londres, a Company of Royal Adventures of England Trading with Africa, renomeada depois para Royal African Company ( RAC), para ter o monopólio do tráfico negreiro por mil anos. Na lista de investidores incluía quatro membros da família real e da nobreza britânica, entre eles o próprio rei Charles II.
No capítulo sobre “os lucros do tráfico”, Laurentino fala de como eram feitos os embarques e desembarques dos cativos. Diz que, enquanto os capturados aguardavam os embarques, os africanos estavam sujeitos a ser contaminados por uma infinidade de doenças endêmicas na costa da África, como malária, febre amarela e a temida varíola, sem contar a disenteria e até o escorbuto. Por isso, o objetivo do capitão era fazer a carga e partir rapidamente.
Conta o autor do livro que entre 1827 e 1830, navios brasileiros que faziam o tráfico a partir do Rio de Janeiro, demoravam por volta de cinco meses na costa da África antes de completar a carga. No século XVII, a média para as embarcações da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais era de cem dias. Quando tinha muita espera, capitães compravam e vendiam escravos entre si.
Ao longo da costa africana, os europeus construíram fortificações, castelos e feitorias onde os escravos eram estocados nos porões à espera da chegada dos navios. Muitos desses fortes e castelos existem até hoje e se tornaram atrações turísticas em países como Senegal, Gana, Benin, Nigéria e Angola. Só em Gana são mais de sessenta dessas construções.
Ainda sobre as empresas do tráfico, Laurentino cita, além da famosa Royal African Company (RAC), as francesas Companhia do Senegal e da Guiné; a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais e várias iniciativas da Coroa Portuguesa, como a Companhia Geral de Comércio do Brasil, fundada em 1649, e a Companhia de Comércio do Maranhão, de 1682.
Sobre a RAC britânica, a mando da empresa, o corsário Robert Holmes atacou as Ilhas de Cabo Verde e ocupou o Cape Coast Castle, no litoral de Gana, que se encontrava nas mãos dos holandeses. Depois cruzou o Atlântico e tomou a Ilha de Nova Amsterdã, situada na foz do rio Hudson, renomeada como Nova York, hoje a meca do comércio.
No final do século XVII, três quartos do faturamento da RAC vinham do fornecimento de cativos para as colônias inglesas no Caribe e na América do Norte. Os britânicos se consolidaram como os maiores traficantes do século seguinte, ou seja, XVIII.
HOMENAGEM ÀS MULHERES
Mais uma vez, como em todos os anos, a Câmara de Vereadores realizou uma sessão especial em homenagem às mulheres conquistenses pela passagem do Dia Internacional da Mulher, nesse 8 de março. Na ocasião, fez a entrega de diplomas “Loreta Valadares” a diversas personalidades femininas da cidade. A sessão foi proposta pela vereadora Lúcia Rocha que falou sobre a participação da mulher na sociedade, mesmo tendo muito ainda a conquistar em vários setores, principalmente na política. Outra questão abordada durante o evento foi o aumento da violência doméstica, que deve ser combatida diariamente. Nos últimos anos, houve mudanças de mentalidades sobre o potencial da mulher em diversos setores, mas, infelizmente, o machismo ainda persiste, dificultando o alcance do ideal igualitário entre os homens. O Brasil ainda é um país patriarcalista, com raízes fincadas nos tempos coloniais, onde o lugar de mulher era na cozinha e só servia para procriar. No entanto, como na antiguidade, a nossa história está repleta de grandes mulheres, inclusive em Conquista e na Bahia. A lista é extensa que serve de exemplo para mostrar que esse pensamento arcaico tem que ser mudado. A maior luta ainda é a conquista da equidade.
O MOCHILEIRO
De autoria de Jeremias Macário (uma nova versão)
Pelas brenhas do mundo,
No recanto mais profundo:
Sou mochileiro do agreste,
Água caindo das cachoeiras,
Rasgando todas fronteiras,
De norte-sul, leste-oeste.
Gira-planeta do tempo!
Mochileiro do vento!
Na hora do aqui e agora;
Sandália do asfalto-poeira,
Cruzando cancela e porteira,
Sempre um passo à frente,
Nessa multidão de tanta gente,
De ideário valente libertário.
Por estrada estranha diferente,
Como caravana cigana;
Latino-americano, euro-indiana;
Cantante mochileiro romeiro,
Com sua milenar filosofia,
Mochileiro da travessia.
Filho do mar, ondas de areias,
Sem intolerâncias nas veias;
Bravo andante, tocha amante;
Cometa de alma universal;
Estrela do Cruzeiro sideral;
Poente vermelho e nascente.
EMPODERAMENTO E BORDÕES
Entendo não ser somente eu, mas todos nós da sociedade estamos fartos dos discursos repletos de bordões, aqueles saídos da boca de certos políticos (não apenas deles) que sempre são repetidos com as mesmas palavras, tipos “enrroleiçhãos” que não saem do lugar e não apresentam novidade. Ouve-se hoje muito os termos empoderamento e resiliência, mesmo sendo mal-empregados. A maioria não compreende muito bem o que sejam.
O que quero dizer é que existe uma escassez de imaginação e criação quando se trata de determinados assuntos e temas, inclusive da própria mídia na repetição de matérias e notícias (novidades). Na maioria das vezes, a gente sente que já ouviu o mesmo arranhado filme, e pede para que mude de faixa. São os mesmos chavões que chegam a doer em nossos ouvidos. Pouco ficam de prático em suas “mensagens”.
Vamos diretos ao nosso ponto da questão. De acordo com Michaelis (2000), Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, empoderamento vem de empoderar, apoderar, meter-se na posse de; senhorear-se; deixar-se possuir. Exemplo: A saudade apoderou-se dele. Existe ainda apoderamento – ato ou efeito de apoderar-se. Posse violenta de alguma coisa.
O termo resiliência significa ato de retorno de mola; elasticidade. Ato de recuar (arma de fogo); coice. Poder de recuperação. Trabalho necessário para deformar um corpo até seu limite elástico. O sentido maior é poder de recuperação do indivíduo diante das adversidades que se agigantam nos momentos mais difíceis de nossas vidas.
Nesse Dia Internacional da Mulher (8 de março), o que mais ouvimos das entrevistadas e entrevistados foi a palavra empoderamento. Sinceramente, prefiro muito mais o uso de equidade e igualdade entre mulheres e homens na conquista dos espaços na comunidade. Gostaria de saber se rebolar num palco, exibindo-se como objeto sexual, é em si um ato de empoderamento?
Quem quiser pode me chamar de conservador, arcaico ou outra coisa como machista. No entanto, é bom pensar e refletir antes de falar, porque nesses tempos atuais da tecnologia e a da internet do celular na mão, as pessoas ficaram meio preguiçosas para praticar esses atos tão importantes para chegarmos à lógica, sem deturpações.
Empoderar, em minha opinião, remete a ter poder para subjugar os outros, como há séculos fazem nossos governantes no Brasil contra nosso povo. Não se deve tentar alcançar um alto posto, usando seu poder de opressão através de métodos inescrupulosos, e tenho certeza que mulher nenhuma age assim, como atualmente fazem os homens, inclusive guerreando. A mulher não precisa ser como o homem, apenas ser ela mesma com seu potencial e capacidade de atuar em qualquer função. Não precisa colocar a placa de feminista.
Então, sou mais a busca da igualdade entre todos, sem distinção de cor e gênero. Não interessa a pele, raça e nem o sexo. Esse negócio de empoderamento pode até criar animosidade e divisão. Devemos lutar com serenidade e cobranças de políticas públicas, para chegarmos ao tempo onde todas sejam iguais, não importando se é negro, branco, gay, LGBT, mulher ou homem.
Estão chegando as eleições, e os discursos das mesmices começam a bater em nossos ouvidos, com promessas de mudanças que se emperram sempre no empoderamento do poder, não importando os meios. Muitos movimentos, ao invés de unir num só objetivo que é a igualdade, terminam separando porque se apresentam com viés de ódio, racismo e intolerância, na base dos xingamentos e do fanatismo.
“COMENDO PELAS BEIRADAS”
Num mundo tão desumano, agora nesse conflito de uma guerra insana (aliás, todas são), de tantas intolerâncias e ódio, de discriminação racial, preconceitos por todos os lados, arrotando fanatismo num Brasil que vive uma época de retrocessos, custos altos com uma inflação galopante e de profundas desigualdades sociais, você vai vivendo a vida “comendo pelas beiradas”, como diz o ditado popular.
Assim está sendo nossas vidas nos tempos atuais, a não ser aquela casta privilegiada que não precisa comer pelas beiradas, como o pobre trabalhador quando para seu carrinho numa bomba de gasolina. Ele olha triste para o frentista, conta os trocados na carteira, e manda colocar uns “grãos” de gasolina. O mesmo faz na feira ou no supermercado. Os alimentos são regrados, e o carrinho já não enche pelas beiradas, como em tempos atrás.
É meu camarada-amigo, hoje não se está mais vivendo, mas vegetando, no sentido literal da palavra! Não quero ser pessimista, visto que se trata da realidade. As dívidas crescem e junto acumulam-se as preocupações! Quando anoitece e se cai na cama, você termina dormindo também pelas beiradas, muitas vezes com medo de perder seu emprego ao amanhecer.
Com essa pandemia de dois anos, de tanta contaminação e vidas perdidas, que provocaram ansiedade e depressão, seguimos, cada um em seu caminho, comendo pelas beiradas, parecendo político em época de eleições com relação ao eleitor. O candidato come o voto pelas beiradas e, depois da barriga cheia e farta, ele some para comer o bem-bom.
O que quero dizer com isso é que nossas vidas são sempre assim, comendo o prato de cada dia, de maneira devagar pelas beiradas, para alcançarmos o amanhã. Não se deve se afogar de uma vez porque você pode se empanzinar e sofrer uma congestão. Temos que ter o equilíbrio mental para suportar bem as adversidades. Não se deve ir de vez ao pote quando se está com muita sede.
As conquistas na vida têm que ser feitas de maneira dosada, por etapas, e não adianta correr muito porque você pode ser vítima de uma topada ou tropeço. Se cair, levante outra vez, como nos ensinou o poeta cancioneiro Raul. Aprenda, respire e reduza a pressa. As pessoas hoje vivem em correrias que nem olham para o próximo, nem no que ele está dizendo. Você não escuta mais e acha que a verdade é só sua.
Com essa competição desvairada, como máquina sem parar, você pode terminar comendo um prato amargo lá na frente, porque não aprendeu a comer pelas beiradas da vida. Muitos avançam o sinal e passam a rasteira nos outros, achando que nunca vai lhe acontecer um mal lá na frente.
Nas ruas, gente apressada para resolver seus problemas do dia-a-dia, naquela agonia, somente para sobreviver. A era do celular não lhe deixa tempo para pensar o que se passa em sua volta. O outro, praticamente não existe. Não dá conta que é um ser humano com início, meio e fim (olha novamente o Raul). Melhor ir comendo pelas beiras, saboreando.
CONSELHO DEBATE PLANO MUNICIPAL DE CULTURA
Na noite de ontem (dia 07;03), o Conselho Municipal de Cultura colocou na mesa, a discussão sobre a criação de um Plano Cultural para Vitória da Conquista, quando, na ocasião, foi criada uma comissão permanente encarregada de fazer um esboço do projeto que será complementado numa Conferência Pública, a ser realizada na primeira quinzena de maio.
Esteve presente à reunião, o secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Xangai, que abraçou a ideia, colocando a pasta à disposição para convocar a Conferência. Depois de pronto, o projeto será encaminhado ao poder executivo que irá apreciar e, determinará, ou não, o seu envio à Câmara de Vereadores para a devida aprovação.
Foi o primeiro passo histórico para a criação do Plano Municipal de Cultura que norteará as diretrizes básicas da nossa cultura. De acordo com os conselheiros e do próprio secretário, será um legado que essa administração deixará para a posteridade, já que os outros governantes nunca tomaram essa iniciativa.
Além do plano, o Conselho Municipal de Cultura colocou em pauta a questão do Fundo Cultural e a possibilidade do lançamento de um edital para participação do setor artístico, abrangendo as diversas linguagens, O edital está sendo planejado pela Secretaria de Cultura com as dotações orçamentárias para sua realização.
Outros assuntos foram abordados, como possíveis parcerias com o setor privado visando a realização de eventos culturais na cidade, bem como as comemorações do bicentenário da Independência do Brasil, no 7 de setembro, e o bicentenário da expulsão dos portugueses da Bahia e do Brasil no quatro de julho do próximo ano.
Na oportunidade, foi lembrado o Dia Internacional da Mulher, comemorado no 8 de março. Foi feita uma felicitação antecipada a todas as mulheres para que exista igualdade entre os homens na conquista de seus espaços, e que seja mais respeitada na sociedade.



















