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“ESCRAVIDÃO”

Em tempos de tanto preconceito racial, ódio e intolerância entre brasileiros, envolvidos numa polarização bestial, o jornalista e escritor premiado com os livros 1808, 1822 e 1889, Laurentino Gomes acaba de lançar a trilogia ESCRAVIDÂO (o último sai agora em 2022), que durou 350 anos no Brasil, o último país ocidental a decretar a abolição. Deve ser lido para se entender a história, a vergonha e as agruras do tráfico negreiro.

Foram seis anos de pesquisas que incluíram doze países e três continentes por onde Laurentino passou, além de centenas de entrevistas. O primeiro volume cobre um período de 250 anos, desde o primeiro leilão de escravos africanos em Portugal, no dia 8 de agosto de 1444, até a morte de zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695.

A obra também explica as raízes da escravidão humana na antiguidade (Grécia antiga, Império Romano, Turco-Otomano) e na própria África antes da chegada dos portugueses; o início do tráfico para as Américas; os números; os bastidores; e os lucros do negócio negreiro. Fala também da trajetória do baiano mulato claro Francisco Felix de Souza, o mais rico, famoso e influente mercador de gente na costa africana do Benin.

Outro personagem descrito por Laurentino é o do infante Dom Henrique, patrono das grandes navegações e descobrimentos do século XV, tido também como um dos grandes traficantes no Atlântico. É uma história de dor que continua com suas marcas em Luanda (Angola), Ajudá (Benin), Cidade Velha, em Cabo Verde, Liverpool, na Inglaterra e cais do Velongo (Pequena África), no Rio de Janeiro.

Os dois últimos volumes de um trabalho profundo são dedicados aos séculos XVIII, auge do tráfico de escravos, e ao movimento abolicionista que resultou na lei áurea de 13 de maio de 1888. Na verdade, os escravos não tiveram a liberdade de verdade porque foram abandonados à própria sorte, sem serem indenizados pelos anos de sofrimentos.

Esse fantasma da escravidão continua a nos perseguir com o racismo que ainda persiste no Brasil, sem falar na questão social de pobreza entre os negros, onde os índices de acesso ao emprego, à educação, à saúde e outros serviços são baixos em relação aos brancos.

Laurentino começou sua obra em Ajudá, na República do Benin (não confundir com o Reino do Benin que fica na Nigéria), em frente a uma grande gameleira, conversando com Marcelin Norberto, de 92 anos, patriarca da nona geração da família Souza, dinastia fundada no Reino do Daomé (colônia francesa até 1975).

Ao morrer, em 1848, com 94 anos, o baiano Francisco de Souza deixou 53 mulheres viúvas, mais de 80 filhos e dois mil escravos. Teria acumulado uma fortuna de mais de 120 milhões de dólares. Ele ganhou do rei Guezo, do Daomé, o título de chachá.  Em seu livro-reportagem, o autor narra que, a centenas de metros da casa de Marcelin, ergue-se a antiga Fortaleza de São João de Ajudá, o mais importante entreposto de tráfico negreiro português e brasileiro no Golfo de Benin até metade do século XIX. A poucos quilômetros, no litoral, lá está a Porta do Não Retorno onde começou a Rota dos Escravos. Pela porta de Ajudá, passaram cerca de um milhão de escravos.

Na África, existem dezenas dessas portas por onde foram embarcados nos navios negreiros mais de 12 milhões de africanos que nunca tiveram a oportunidade de retornar às suas origens. Desses, estima-se que cinco milhões vieram parar no Brasil. Segundo Laurentino, o banco de dados Slave Voyages, cataloga 36 mil viagens dos navios negreiros ao longo dos 350 anos, num total de 188 portos de partida de cativos, sendo que 20 deles responderam por 93% do total do tráfico no Atlântico.

A história é longa e triste que vale a pena ser lida e até relida para que conheçamos as origens dos nossos antepassados e sepultemos para sempre o racismo. Paranaense de Maringá, premiado seis vezes com o Jabuti de Literatura, Laurentino é formado em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação pela Universidade de São Paulo e membro da Academia Paranaense de Letras.

 

O PASSARINHO PENSADOR

Sempre costumo ler em meu quintal para aproveitar o ambiente mais aprazível da natureza que me acolhe com seu cheiro único do chão e das plantas. Mesmo concentrado na leitura, observo pela fresta do meu pensamento os pássaros nos galhos fazendo também a sua função de predador de alguns pequenos insetos e retirando do néctar das flores algo doce para se alimentar. Alguns cantam e tem até uns que tentam se acasalar. Numa tarde, quando me encontrava absorto no tempo existencialista da vida, apareceu um passarinho pensador e pousou bem próximo a mim no varal de roupa. Era um pequeno colibri que ali ficou por uns cinco minutos me fitando e, como numa hipnose, penetrou em minha mente para acalmar a minha aflita alma nesses tempos tão difíceis. Como estava com minha máquina ao lado (lente de pouco alcance) deixou que desse alguns cliques, abriu as asas e se despediu de mim deixando a sua mensagem de que não adianta tentar desvendar os mistérios da vida. Ela segue o seu curso natural e pede para nunca desistir, mesmo diante das dificuldades.

CONSCIÊNCIA DE PAPEL

Versos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Nessa consciência de papel.

 

Consciência só uma, a humana,

Não tem cor, mas sente dor;

Pode estar na jura da aliança,

Na inocência do sorriso da criança,

No bailado doce da bela Serena,

Ou nos predadores da savana.

 

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Dessa consciência de papel.

 

Pode estar no açoite da chibata,

Do ancestral a se arrastar pelo tempo,

No vento venal do poder imperial,

Ou na assinatura da assassina ata.

 

Tudo é poético e surreal,

Como na neve voa o corcel,

Só nos sobra o deus real,

Nessa consciência de papel.

HOMENAGENS E “TODO PODER EMANA DO POVO”…

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista de ontem (dia 22/12), uma das últimas do final de ano antes do recesso parlamentar, concedeu mais homenagens e moções de aplausos a diversas personagens e entidades da cidade, como à prestada à enfermeira Ana Caroline que trabalha na Atenção Básica de Saúde, cuidando de pessoas em situação de risco.

A prática de esportes também foi reconhecida na área do ciclismo para Erivelton Ramos pela realização do VI Trilhão. O Instituto Conquistense de Oncologia foi agraciado pelos seus 22 anos de atuação, bem como a gerência do CRAS. De Itapetinga, o homenageado foi o vereador Romildo Teixeira Santos que falou da sua luta para aumentar o número de parlamentares nas câmaras municipais quando o Supremo Tribunal Federal reduziu as cadeiras, isto há uns cinco ou seis anos.

Enquanto ele falava dessa necessidade de ter mais vereadores nas Câmaras (em Conquista são 21 e Itapetinga 14) mirei na frase escrita na entrada da plenária com os dizeres “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos”, artigo extraído da Constituição Federal.

O aumento no número de vereadores foi aprovado pelo Senado Federal, contrariando a vontade popular que fez críticas à votação dos congressistas. O vereador de Itapetinga estava, então, advogando em causa própria, e não em nome do povo. Todos sabem que muitos projetos aprovados no Congresso Nacional, nas assembleias e nas câmaras municipais são mais de interesses deles e não da população.

A frase da Constituição só tem sentido teórico, porque na prática acontece o inverso: Eles usurpam esse poder e votam contrário aos eleitores. Por acaso, nessa situação crítica atual do país em pandemia e com mais de 20 milhões passando fome, o povo aprovaria aumentar o Fundão Eleitoral de R$1,7 bilhão para R$ 5 bilhões?

Há muito tempo que rasgaram toda nossa Constituição. É mais um artigo que foi jogado no lixo. No quadro atual, poder nenhum emana do povo e, praticamente, nada exerce porque os representantes eleitos nem estão aí para a opinião pública, nem dão bola para o que o povo pensa. Será que a sociedade aprova essa verba de quase 17 bilhões de reais para as emendas parlamentares, chamadas de orçamento secreto?

A deputada estadual Talita Oliveira (PSL) entregou ao Ministério Público da Bahia um pedido para suspender o decreto número 20.907 do Governo do Estado, que condiciona o acesso a órgãos do executivo baiano à vacinação contra a Covid-19.  Será que ela, como eleita, está representando a vontade popular? O artigo da Constituição é mais uma balela, como aquela expressão de que todos somos iguais, num país tão desigual!

A DOR DA INGRATIDÃO

Nesse sistema perverso onde você vale o quanto “pesa” em termos de projeção, algum cargo importante na sociedade e dinheiro, você é sempre procurado, elogiado e “respeitado”, visto como aquele cara legal. Quando se perde tudo, as pessoas, aos poucos, vão se afastando. Por mais que se tenha feito, bate em sua alma a dor da ingratidão e da falta de consideração.

Diz que a vida nos ensina isso e, quanto mais se vive, se descobre as falsidades. A gente vai com isso perdendo a fé no ser humano. Esse negócio de amigo é coisa rara, e o meu velho uma vez me chamou a atenção para esse fato quando um dia lhe apresentei um “companheiro” como sendo meu “amigo”. Amigo certo só aquele das horas incertas, e isso é coisa difícil de se encontrar nos tempos atuais.

Podem até dizer que é ressentimento da minha parte, mas não se pode fugir dessa dura realidade. A grande maioria é egoísta e só pensa em si. Existem aqueles que só querem ser servidos, e ainda abre a boca para afirmar e dar palminhas em suas costas com mentirosa expressão de que você é seu amigo irmão.

São coisas que vão endurecendo o nosso coração e nos fazem ser mais fechados e retraídos. É muito doido quando se trata bem, com educação, com carinho e lá na frente se é esquecido. O tempo nos faz ver que não existe essa de solidariedade, com alguma exceção. O interesse fala mais alto. Não existe almoço grátis – como já declarou alguém por aí.

Não vou aqui citar os casos de ingratidões e falta de consideração de pessoas que durante anos mantivemos um convívio saudável, de declarações comoventes de amizades e depois desaparecem. O mais horrível e repugnante são aquelas desculpas fajutas de ausência, como se o outro fosse um burro, desprovido de qualquer nível de inteligência. Não subestime os outros. A sinceridade eterna não existe.

Não estou aqui falando de questão ideológica, de polarização política ou posições antagônicas em termos de pensamento de ideias. O cerne do problema está na ingratidão que o ser humano em geral carrega dentro de si e nos causa decepção. Quando isso acontece, o melhor que se pode fazer é se afastar e se recolher em sua loca como ocorre com aquele animalzinho chamado de mocó.

SONHO DE PESADELO

Às vezes temos a impressão que ingerimos um pesado alucinógeno que faz a cabeça ferver como num pesadelo em meio a escombros e monstros alucinados de chifres a nos perseguir. Corremos desesperadamente entre labirintos para fugir dos horrores, e as saídas que imaginamos se fecham.

Em algum ponto da agonia de morte, acordamos suados de tanto esforço para nos salvar. Somos uma massa de desumanizados, embora se fale muito em solidariedade e se arrecade cestas básicas para os famintos. Temos um Natal de mesas cheias para poucos, e vazias para uma grande maioria. As festas de fogos coloridos nos finais de ano não me encantam mais. Sou mais os foguetórios de São João, quando alguém se casa ou nasce uma criança.

Quando ainda menino, meu pai dizia para não ficar na roça no cabo da enxada porque aquilo era o maior atraso para o homem. Passados muitos anos, cá estou na grande cidade agitada, de multidões apressadas que se cruzam indiferentes na luta pela sobrevivência. Olho para o alto e só vejo edifícios. A minha selva de árvores é de pedras num céu sombrio de nuvens raras e sem cores. Com as luzes incandescentes dos postes que deslizam no asfalto e fios embaralhados, não vejo mais a lua dos enamorados. Meu sonho virou um pesadelo.

Cada um tem algum problema para resolver porque as faturas e os boletos das contas chegam todo final de mês para pagar. O telefone sempre toca do outro lado de algum call center oferecendo um produto. Aquela musiquinha chata nos irrita. Fico estressado e desligo. A grande maioria virou freguês cativo do sistema que não perdoa quem sair das regras emanadas lá do alto do grande escalão das castas.

O cérebro arde quando a inflação aparece nos letreiros das prateleiras dos supermercados e das feiras. Os números sobem nas bombas de combustíveis, milhões vagam desempregados, um homem de terno com um livro na mão prega o fanatismo na praça e condena aqueles que ele considera de infiéis, pagãos e depravados. Acelero meus passos entre camelôs que gritam para vender suas mercadorias, e nas sinaleiras a fome pede comida.

Meu pai também comentava que no final dos tempos (acho que se referia ao juízo final), o mundo ia virar um formigueiro de um movimento acelerado de pessoas indo e voltando. Uma mulher caiu na calçada, mas ninguém viu. Os letreiros me convidam para entrar. Às vezes fixo o olhar na labuta do vaivém das formigas em meu quintal, e logo lembro dos dizeres do meu pai.

Basta um toque no buraco para elas se espalharem perdidas e nervosas. Até se atacam como no chamado feromônio, mas depois com o tempo se acalmam e voltam ao ritmo de antes para a entrada e saída da toca. Refazem os estragos, e o formigueiro volta a funcionar. São incansáveis trabalhadoras que cortam nossas lavouras, mas a natureza sabe o que faz.

O planeta já deve ter cerca de oito bilhões dessas formigas humanas gigantes e, mesmo com bombardeios, pestes, venenos de agrotóxicos e escassez de alimentos para os mais fracos, o número só faz crescer. O que será quando tiver 15 ou 20 bilhões em terras quase desérticas? A profecia do meu pai estará se concretizando. A paisagem poderá se tornar árida na terra dos homens predadores.

Do pesadelo alucinógeno e dos formigueiros das cidades grandes, a vida é real quando se acorda com as ruas e avenidas cheias de neurônios enlouquecidos que cada vez mais se odeiam nas redes sociais. Cada um cuida de si, e o outro é um concorrente que precisa ser expelido. Vale o levar vantagem em tudo, não importam os métodos. Os fins justificam os meios.

Não seria melhor ter ficado na roça no cabo da enxada, ouvindo o cantarolar livre dos pássaros, ou tomando café no bule torrado no pilão numa conversa animada de compadres noite a dentro até o galo cantar, sem pensar no existencialismo e outras filosofias do tipo, ser ou não ser? Quem quer saber do Eu Profundo, ou do saber humanista? Mergulhar em si só se for numa piscina, no rio ou no mar.

Moro hoje isolado num pedaço gigante de uma terra chamada de Brasil onde se vive um pesadelo coletivo de intolerâncias, instigadas por um tamanduá faminto sugador de sonhos e esperanças. Parece que todos foram contaminados pela droga da destruição onde optaram pela separação e a divisão entre nós e eles. Nos chamam de terráqueos bárbaros como cães raivosos. Nos olham de longe como se fossem ferozes e contagiosos.

“EXPOSIÇÃO ARTE CONQUISTA”

Em homenagem ao centenário da Semana da Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, um marco divisor das linguagens artísticas no Brasil, culminando com o movimento antropofágico de Oswaldo de Andrade, a prefeita Sheila Lemos e o secretário de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer, Xangai abriram, ontem (dia 17/12), a “Exposição Arte Conquista”, no Memorial Régis Pacheco, em frente à Praça Tancredo Neves.

O evento, com a participação de 25 artistas conquistenses de diversas áreas e cerca de 80 obras, ficará aberto ao público até o dia 28 de fevereiro de 2022. Literatura, pintura, escultura, cordel, fotografia e outras linguagens fazem parte da mostra que celebra os 100 anos da Semana da Arte Moderna. A prefeita falou da importância da exposição para a cultura de Vitória da Conquista e elogiou os trabalhos dos artistas da terra.

Logo após a abertura da solenidade, o violeiro, compositor e cantor Xangai apresentou suas cantorias e também destacou a importância do evento para a cidade, ao convidar as pessoas, principalmente estudantes, professores, intelectuais e interessados a conhecerem as obras durante sua permanência na Casa Régis Pacheco. A artista e cantora Rosa Aurich falou da Semana da Arte Moderna e ainda abrilhantou o público com alguns números musicais.

Estão participando da Exposição Arte Conquista, os artistas Alan de Kard, Alex Emmanuel, Alberto David, Ailton Dias, Cassiano Ribeiro, Domícios Campos, Edméia de Oliveira, Geraldo Bope, Jeremias Macário, João Marcos Oliveira, Lilian Morais, Liva Andrade, Marisa Correia, Mida Magnavita, Mozart Tanajura Júnior, Orlando Sena, Romeu Ferreira, Rosa Aurich, Sérgio Souto, Sílvio Jessé, Tina Rocha, Valy Matos, Valéria Vidigal e Yamanu.

“JOVENS NO MERCADO DE TRABALHO E O DESENVOLVIMENTO SOCIAL”

Desigualdade e vulnerabilidade social, a inclusão do jovem nas leis de aprendizagem e do estágio no mercado de trabalho, a empresa que não segue os ritos da lei, a informalidade, a evasão escolar e a necessidade do emprego para o sustento familiar são questões pertinentes e atuais abordadas pelo professor, conselheiro-presidente do Instituto Alfam, gestor e consultor empresarial Fabrício Vieira Silva em um dos capítulos do livro “Relações Humanas-desafios e perspectivas”.

Todos esses problemas, como aponta o mestre em Desenvolvimento e Gestão Social pela Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia, terminam refletindo no desenvolvimento do país, detentor de grandes riquezas, mas com instabilidade econômica e social de toda ordem, bem como escassez de recursos para assegurar as condições básicas à população (educação, saúde precárias) menos favorecidas- assinalou.

Fabrício diz estar longe de apresentar soluções para situações tão complexas, mas deixa claro que a saída é a educação completa do jovem para enfrentar a competitividade do mercado, cada vez mais exigente em termos de qualificação da mão-de-obra. “O abandono escolar perpetua o ciclo de pobreza e a vulnerabilidade social”, termo sempre repetido por ele em seu artigo.

Quando se discute o aspecto do trabalho, Vieira destaca que o país tem características peculiares em relação a outras nações do mesmo porte, por dispor de instrumentos de inserção dos jovens no mercado formal de trabalho, como o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, a lei de aprendizagem (Lei do Jovem Aprendiz) e a lei do estágio. “Mesmo assim, o país patina na tentativa de encontrar as soluções para tornar-se mais igualitário e com melhor desempenho no mundo do trabalho”.

Ele salienta que, “embora o estágio não seja considerado regime formal de trabalho, o destacamos como uma oportunidade disponível de inserção dos jovens no mercado de trabalho, desde que a prática não seja utilizada pelas empresas como mera substituição precarizada do empregado formal, que respeite a área de atuação na qual o estagiário esteja estudando e também o quantitativo máximo estabelecido pela lei”.

O articulista ressalta que em suas atividades profissionais tem captado diálogos empresariais, dentre algumas, que lhe intrigam, tais como, há vagas no mercado, o que falta é gente qualificada! A legislação é muito rigorosa quanto as exigências à inserção dos jovens! Eu não consigo “aproveitar” os jovens que passam por aqui, pois estão “verdes” e despreparados! Não tenho condições de fazer da minha empresa uma escola, pois fica caro fazer o jovem aprendiz, e acabo cumprindo a lei para não ser multado.

Em sua opinião, Fabrício entende que existe um distanciamento entre a formação profissional e acadêmica e o mercado de trabalho formal. O mercado carece de pessoas mais qualificadas, muitas vezes mais comportamentais e psicológicas do que técnicas, sem negligenciar o conhecimento do ofício – destaca

Um ponto que sempre o professor chama a atenção é quanto a vulnerabilidade social das famílias. “Um país como o Brasil, em desenvolvimento, ainda amarga um elevado número de famílias em condições de pobreza ou de extrema pobreza que vivem se deparando com diversas carências”…

De acordo com o IBGE, conforme cita, em 2018 o país tinha 13,5 milhões de pessoas com renda mensal per capita inferior a 145 reais, critério adotado pelo Banco Mundial para identificar a condição de extrema pobreza.

Ainda sobre o tema vulnerabilidade social, Vieira aponta dois pensadores Richard Castell e Carolina Moser. Para o primeiro, os indivíduos passam a integrar à sociedade por meio de dois processos: O mundo do trabalho e as proximidades pelas relações familiares de vizinhança. Essas relações proporcionam sensação de pertencimento (proteção e segurança). Sobre a questão do trabalho, Castell apresenta as possibilidades de inserção pelo trabalho estável, assegurando direitos, e o precário, sem contratos, sem vínculos formais e garantias e, por fim, a não inserção por compor o quadro de desempregado ou incapacidade para o exercício.

Para Moser, a vulnerabilidade teria duas origens, por ausência ou escassez de ativos; ou por uso inapropriado dos recursos que se tem por parte dos indivíduos, famílias e comunidades. Segundo ela, as estratégias de enfrentamento centram-se na disponibilização de ativos às pessoas e no apoio para a adequada utilização dos recursos de que se dispõe.

Em seu trabalho, Fabricio enfatiza que o Brasil tem uma mão-de-obra bastante jovem e que, se bem preparada, poderia dar saltos na contribuição para um país bem mais estruturado no campo social e econômico. No entanto, existe uma oscilação crescente no número de desemprego de 2012 a 2019, conforme dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

O crescimento do desemprego, segundo Fabrício, empurra o jovem para o mercado de trabalho informal de baixa qualidade, de vínculos empregatícios precários e de menor remuneração, ou infantil. Conforme o IPEA, “trabalhar na informalidade no início da carreira pode comprometer toda a sua trajetória profissional”. O consultor Fabrício vai mais além quando afirma que quando o jovem entra na informalidade sofre a real possibilidade de abandono dos estudos para ajudar a família. “Não hesita em abrir mão da escola quando vislumbra ter mais ganho mediante o aumento da carga de trabalho”.

O professor diz que a atividade remunerada na vida desses jovens representa, sobretudo, uma renda para o complemento do ganho familiar, bem como a satisfação de consumo desses próprios jovens. “Com isso, os jovens trabalhadores se sentem úteis e importantes em seu meio social. A valorização é maior quando se trata de trabalho formal, fazendo o emprego assumir mais importância na sua vida (Moura, 2009, p. 11).

Ainda sobre a evasão escolar, Vieira alerta que esse fato faz diminuir as expectativas de um futuro melhor e mais digno para o jovem e sua família e, com isso perpetua o ciclo de pobreza e vulnerabilidade social. Ainda no mesmo artigo, o professor Fabrício discorre sobre família, trabalho, escola e desenvolvimento social, destacando que famílias com vulnerabilidade social tendem a estimular os jovens ao trabalho como saída para ampliação da renda, por questão de sobrevivência.

 

 

ENTRE A POBREZA E A RIQUEZA

A imagem que brotou das lentes do jornalista e escritor Jeremias Macário já diz tudo sobre o nosso Brasil tão desigual, onde 1% da nossa população de cerca de 230 milhões de brasileiros detém 99% da riqueza do país. Nem necessita de mais comentários. O índice por si só já é uma grande vergonha! Entre a pobreza, ou mesmo a miséria, de uma criança sentada na calçada enquanto o pai e a mãe pedem uma esmola na sinaleira entre os veículos, muitos dos quais luxuosos passam indiferentes com suas janelas fechadas. Alguns abrem e dão uns trocados que mal dão para matar a fome, que sempre volta mais tarde. A cena é de um triste sistema capitalista selvagem onde as elites ainda resistem dividir ou distribuir um pouco da renda para os pobres. Infelizmente, esse é o meu país que traz consigo a marca da desigualdade social, uma das maiores do planeta. Os governos com uns tais de auxílios esmolas eleitoreiras, que matam o homem de vergonha, e as doações de campanha são apenas paliativos, sem perspectivas para um futuro melhor, pois é negada a educação, o saber e o conhecimento. Entre a pobreza e a riqueza é um quadro que não se apaga, se essa política cão desumana não for revertida.

VIELAS NOTURNAS

Poeminha inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário

Pelas esquinas e avenidas curvas,

Raios de luzes deslizam no asfalto,

Cada alma busca suas curas,

E o sangue humano risca no assalto,

Saído das veias das vielas noturnas.

 

Nesse existir só valem as fortunas,

Na mente aquela senhora calma serena,

Que via o invisível atrás da sua lente,

E a câmara da antena meus passos vigia,

Rogo ao tempo que não nasce o dia,

Para vagar eterno nessas vielas noturnas.

 

A noite invade a madrugada,

No lixo eu colho uma salada,

Os prédios são caixões de urnas,

Na solitária dor das vielas noturnas.





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